EEles estavam nas masmorras da Sonserina novamente. Por que eles estavam nas masmorras da Sonserina... de novo?

Tinha sido muito estranho estar invisível quando Pirraça dobrou a esquina no Hall de Entrada. Draco sussurrou bem em seu ouvido (porque ele a estava segurando abaixo de seu rosto), que o poltergeist não podia vê-los e que ela devia ficar quieta. Ela queria gritar; mas ela supôs que o feitiço calmante de Malfoy havia abafado seus impulsos mais imprudentes. Era tão cruel, tão incrivelmente injusto, estar descansando a cabeça contra o peito dele enquanto ela estava em seus braços, ouvindo as batidas rítmicas de um coração que ela agora sabia que nunca seria dela. Afinal, corações feitos de gelo não poderiam amar, poderiam?

E agora eles estavam aqui – Malfoy carregando-a através de seu dormitório onde a maioria dos Comensais da Morte que ela tinha visto na floresta estavam se preparando para dormir. Hermione adivinhou que Malfoy não queria mais interagir com eles, porque ele levou os dois diretamente para o banheiro e trancou a porta, antes de colocá-la de pé e remover o feitiço da desilusão.

O banheiro deles não era nada parecido com o do dormitório dela. Na Grifinória, tudo era curvo - devido à arquitetura de ser alojada em uma torre, mas aqui eles viviam em um mar de linhas rígidas e retângulos. O lado esquerdo do banheiro era uma sólida parede de vidro, magicamente iluminada pela água do Lago que havia do outro lado. Ali ficavam os chuveiros, uma série de torneiras suspensas, sem divisórias entre elas. Hermione brevemente se perguntou se isso era uma coisa masculina ou uma diferença entre as casas. Talvez ter vergonha ou modéstia zero não tivesse a ver com onde Malfoy havia nascido, mas sim crescido.

"Vamos limpá-la." Malfoy falou suavemente, banindo suas meias rasgadas e arruinadas, e gentilmente puxando seu vestido verde sobre suas coxas, barriga e braços, deixando-a apenas em suas roupas íntimas Era um movimento que ela teria matado para ele fazer no final do encontro, escolha terrível de palavras, Mione. Ela se arrependeu de querer isso, e de todo o encontro em geral, intensamente.

Hermione não podia acreditar que havia escolhido sua lingerie para ele. Ela não podia acreditar que combinar sua calcinha amarela com seu sutiã amarelo fosse algo com que ela se importou menos de seis horas antes. Ela permaneceu em silêncio, entorpecida e em estado de choque, enquanto ele a puxava para os chuveiros, ligando um jato e entrando. Hermione estava tão fora de si, que ela nem tinha notado que ele tinha se despido completamente, algo que teria enviado uma emoção brilhante através dela mais cedo e não teria sido apenas mais uma piada perversa - zombando de seu ex-desejo (perturbadoramente ainda atual) de transar com ele. Não olhe, não ouse olhar para baixo.

"Vem aqui", ele tentou acalmá-la, puxando-a para baixo da água quente, pegando uma toalha recém-lavada de uma pilha próxima e a esfregou com sabão. Malfoy passou timidamente o pano sobre o corpo dela, limpando a sujeira, catarro e vômito, antes de girá-la e pará-la. Ela entendeu o porquê quando viu a água aos seus pés circular pelo ralo com seu sangue carmesim seco, descamando de seu antigo corte.

"Tenha cuidado. Meu sangue é sujo." Ela disse desafiadoramente, balançando no lugar que ele a soltou. Ela queria um confronto com ele, ela precisava de um - bem, ela precisava de qualquer coisa que a lembrasse de que eles não estavam do mesmo lado e que ela não era nada como ele, nem nunca seria.

Ele sabia o que ela estava fazendo. "Não vou discutir com você, Granger. Não hoje à noite."

"Por que não?" Ela se virou para ele, encostando na parede de vidro atrás dela para se apoiar. "Você é bom demais para isso?" Ela viu sua mandíbula apertar, o músculo em sua têmpora pronunciada, pulsando loucamente. "Eu sou uma sangue-ruim, lembra?"

Seus olhos brilharam. "Eu já te disse, Granger. Essas coisas não importam mais para mim."
Ela zombou dele antes de olhar por cima do ombro pelo vidro. "Pareceu que importavam esta noite."

"Vamos lá, você é mais esperta do que isso" ele respondeu, sabendo exatamente o que dizer para chamar a atenção dela de volta para ele. O chuveiro tinha água pingando tão apetitosamente em seu rosto - colando mechas de cabelo em sua testa - e ao redor de sua cabeça, fazendo pequenos riachos sensuais que desciam por seu peito esculpido.

Não.

"Não é sobre quem eles são para mim, e sim sobre o sistema de apoio deles. Ter pais trouxas os tornam mais fáceis de usar para praticar."

Ela não pôde evitar perguntar "Do que diabos você está falando?"

Malfoy pegou um frasco de xampu, depositando um pouco na palma da mão antes de girar Hermione de volta e massagear o seu couro cabeludo. Ela tentou ao máximo não deixar cair a cabeça para trás contra o ombro dele por causa de seus dedos ágeis. Era bom. "Pense nisso. Se alguém como Susan Bones acordasse sem se lembrar das últimas três horas de vida, você sabe o que aconteceria?" Hermione não precisava conhecer bem a garota para saber que basicamente o céu e a terra seriam movidos por ela. "Seus pais descobririam sobre isso e em poucos minutos Amelia Bones teria a cabeça de Dumbledore em uma bandeja, com cinco recomendações sobre quem deveria substituí-lo como diretor. Haveria um inquérito, haveria aurores rastejando por todos os cantos deste castelo, inferno, haveria dementadores guardando os portões." Malfoy a puxou para trás de modo que seu cabelo ficasse sob a corrente de água, lavando a espuma. "Mas com alguém como John... ou Colin?" Malfoy engoliu em seco, sabendo sua mensagem pouco antes de transmiti-la. "Levaria alguns dias para contar aos pais, se eles fossem avisados em primeiro lugar, e depois?" Suas mãos ficaram presas em um nó e ele soltou os dedos, tentando desembaraçar a bagunça, fio a fio, tomando cuidado para não a machucar. "Eles não têm ideia de como nosso sistema legal funciona. Eles não sabem que apagar memórias é magia negra. Eles apenas veriam que seu filho está fisicamente ileso, mesmo um pouco abalado. Mas tudo bem, porque os trouxas dificilmente cuidam da saúde mental como deveriam" disse ele, lavando a espuma.

Merlin. Ele era muito pior do que ela jamais imaginou. Ele é cruel.

"Então, eles são uma ótima cobaia. Nós sempre os curamos, no entanto, eu insisto nisso." Ele quer a porra de um biscoito?! "Eles nunca se lembram de nada, bem, eles normalmente não lembram. John foi um caso à parte porque deixei Crabbe realizar o feitiço da memória e acontece que ele é muito ruim com eles. Além disso, estamos tentando continuar usando apenas homens agora, porque as meninas parecem ter uma espécie de sexto sentido sobre adulteração. Na verdade, esta é a nossa terceira vez usando Colin, então claramente nosso sistema funciona, na maior parte do tempo."

Hermione estremeceu, sem saber o que diabos ela deveria fazer agora. Ela corria, ela se escondia? Ela se virava e tentava estrangular Malfoy até a morte com as próprias mãos? Ela se sentia como um mosquito preso, prestes a ser engolido inteiro por uma aranha que estava gostando de sacudi-la em sua teia, em seu lento rastejar para devorá-la.
Malfoy deve ter sentido o corpo dela tremer, porque ele interpretou mal e pegou a varinha, subindo a temperatura alguns graus. "Eles podem se sentir um pouco doloridos, mas é como um peixe, não é? Trouxas fazem isso, certo?" Ele estava tentando compartilhar histórias de tortura com ela? Hermione não tinha nenhuma. "Eu li que eles fazem isso. Eles espetam a boca dos peixes com ganchos de metal, tiram fotos e depois os jogam de volta na água. Para praticar, assim como nós temos que fazer. Não se pode esperar que saiamos em missões cegas, não seria seguro. Mas pelo menos nós consertamos nossos peixes antes de soltá-los de volta. Nós tiramos sua dor." As mãos de Malfoy viajaram pelos braços escorregadios de Hermione, ainda atrás dela. "Eu posso fazer o mesmo por você. Se você quiser."

Hermione tirou as mãos dele de cima dela, libertando-se e movendo as costas contra o conforto fresco da parede de vidro mais uma vez. Ela queria manter os olhos nele - ela tinha que ver o que ele estava fazendo o tempo todo. Ela podia ver vagamente algum tipo de monstro do lago nadando nas profundezas escuras da água, lançando uma sombra que se movia pelo banheiro antes de escurecer metade do rosto de Malfoy por alguns segundos. Ela desejou que o monstro quebrasse o vidro e a livrasse de ter que passar mais um segundo na presença de Malfoy. "Não."

"Foi apenas uma oferta—"

"Não roube essas memórias de mim," Hermione exigiu firmemente.

"Ok. Eu não vou." O olhar de Malfoy era inabalável, como sempre. "Mas acho que você sabe que não posso deixar você contar a ninguém o que viu esta noite."

Hermione cerrou os dentes. Sim, ela imaginou que ele diria algo assim. "Senão o quê?"

"Bem," Draco se inclinou sobre ela, apoiando seu antebraço direito contra o vidro ao lado de sua cabeça, "senão terei que tomar uma ação retaliatória." Acontece que Malfoy a ameaçava da mesma forma que a seduzia e o corpo de Hermione não estava preparado para lidar com essa informação. Seus olhos caíram para os lábios dele bem na frente dela e de volta. "Depois que você relatar, provavelmente para alguém adorável e confiável como sua professora favorita, ela sofrerá um infeliz acidente na escada, quebrando o pescoço e morrendo antes que alguém possa levá-la à ala hospitalar a tempo." Ele se inclinou mais perto, seus quadris, seus quadris nus, pressionando contra os dela. Ela não iria notar nada sobre seu pênis agora, ela não iria. Seus olhos tremeram. "Ou, digamos que você diga a Dumbledore, o velho sábio que ele é, mas no dia seguinte uma exposição de seus dias imprudentes e inescrupulosos em Hogwarts é publicada no Profeta, e de repente ninguém se importará com algo tão trivial quanto um bando de garotos da escola apenas sendo adolescentes. Não quando nosso querido diretor, se saiu muito, muito pior que o Lorde das Trevas durante a juventude."

A mão livre de Malfoy foi até o cabelo dela, muito mais escuro encharcado de água, e enrolou uma mecha no dedo. "Mesmo que a notícia se espalhe, nossos pais têm a maioria no conselho escolar. Não haverá consequências reais para nós, mas já para você e Potter, no entanto..." Deixar a declaração em aberto foi muito mais assustador do que qualquer coisa que ele poderia ter dito a ela.

"Você está me dando nojo" Hermione gaguejou, pressionando-se contra o vidro, tão longe dele quanto podia. "Você é insano." Seus olhos arregalados percorreram todo o rosto dele, tentando encontrar qualquer indício que deveria tê-la informado sobre esse fato antes. As características perfeitamente simétricas são um sinal do diabo? Ou talvez suas maçãs do rosto altas e aristocráticas devessem ter me alertado sobre endogamia e um cérebro subdesenvolvido de senso de moralidade? "Você é um maldito psicopata," ela sussurrou.

Ele franziu a testa, como se estivesse contemplando sua avaliação. "Eu sou? Você realmente acha isso?"

"Sim." Como se ela precisasse de mais um segundo para pensar sobre isso. "Sim, claro que você é -"

"Você não pensou assim durante o nosso encontro. Na verdade, parecia que você via um futuro comigo." Ele lambeu os lábios bem na frente o rosto dela, tão injustamente. "Você queria um."

"Eu não sabia de nada disso-!" Hermione começou a protestar, mas ele a cortou.

"Isso o quê? Isso o quê, Granger? Que eu sou um Comensal da Morte? Que é isso que eu faço?" Ele sorriu. "Você sabia. Você estava perfeitamente bem em saber o que eu fazia, até que eu te trouxe para perto. Até que você teve que ver."

"Isso não é verdade, eu não sabia que era tão ruim-" ela tentou lutar contra ele.

Ele riu na cara dela. "Sério? Eu me lembro de um certo artigo que te deixou contrariada algumas semanas atrás. Você sabia que eu estava lá. Você sabia que eu havia matado trouxas lá." Oh meu Merlin... A imagem do festival de música destruído passou diante de seus olhos. Ela não tinha defesa para confiar nele novamente depois disso e ele sabia. "Olha. Eu entendo, de verdade. Você está do outro lado da guerra. Mas eu já te disse: nada disso é sobre ser nascido trouxa." Ele realmente achava que essa era a parte em que ela estava interessada? Quem ele estava torturando e matando ao invés do fato de que ele estava fazendo isso? "Até mesmo o Lorde das Trevas mal se importa com isso - ele não é um puro-sangue. Vocês foram transformados em bodes expiatórios. Não é certo, mas é o único jeito. Contanto que você possa criar um inimigo comum, um sem nenhum nepotismo no governo e você consiga convencer as pessoas de que elas são o verdadeiro problema… você pode fazer com que a população em geral faça praticamente qualquer coisa. Tentamos ir atrás apenas de trouxas, como originalmente queríamos, mas a ameaça não parecia iminente o suficiente. A maioria das pessoas mal tem qualquer interação com eles em suas vidas cotidianas..., mas nascidos trouxas? Alguns dos bruxos mais talentosos e inteligentes em nossa sociedade, em nossas escolas... vivendo o modo de vida sangue puro..." Ele desenrolou a mecha de cabelo, arrastando a mão para baixo, os nós dos dedos roçando o bojo do sutiã dela, fazendo-a estremecer.

Hermione o empurrou para longe dela, prestes a perder a cabeça. "Você é louco para caralho," ela disse, olhos oscilando entre os dele, vendo a intensidade de sua convicção queimar.

Ele cambaleou alguns passos para trás, parecendo imperturbável enquanto pegava uma toalha, envolvendo-a em torno de seu estômago antes de lentamente. "Não estou louco, princesa. Só vejo que os ventos do nosso mundo estão mudando e sei onde é o melhor lugar para pousar."

"Tudo bem. Então você é um doente egoísta."

"Duvido. Já que estou fazendo isso por nós. Sou eu quem decide de quem vamos atrás. E nunca iremos atrás de você." Seus olhos estavam cintilando com um brilho louco de fome de poder que Hermione nunca tinha visto antes e esperava nunca, nunca mais ver. "Eu nem mesmo quero matar seu melhor amigo, como é o desejo do Lorde das trevas. Eu prefiro que ele viva uma vida longa e escondida. Quero que Daphne seja feliz."

Hermione tinha que alavancar isso de alguma forma - ela tinha que fazer alguma coisa. "Prometa que não vai fazer nenhum mal Harry, que vai me contar se ele correr perigo. Me prometa que não vai atacar ninguém na escola", ela implorou sem fôlego. Esta negociação era importante demais para estragar e ela sabia que estava mostrando todas as suas cartas, mas literalmente parecia fazer isso ou morrer.

"Hermione," ele suspirou condescendentemente enquanto pegava um pequeno pote debaixo da pia e o desenroscava, "você realmente não está em posição de fazer qualquer exigência aqui." Ele desligou o chuveiro e a girou novamente; Hermione pensou que ele estava praticamente ultrapassando os seus limites físicos.

Hermione acidentalmente deixou seu gemido de alívio ecoar quando Malfoy esfregou qualquer pomada mágica que estava em um pote deliberadamente sobre sua maldita cicatriz. Ela rapidamente olhou por cima do ombro, bem a tempo de ver todos os vestígios da crosta do machucado desaparecerem diante de seus olhos. "O que é isso?!" Hermione sabia por estudar um pouco de medi-bruxaria que algo poderoso assim tinha que ser realmente raro.

"O Lorde das Trevas mandou fazer. É muito útil com o quão perigoso é o nosso trabalho. Desaparece instantaneamente com as cicatrizes."

O sangue de Hermione ferveu. Ele tinha alguma ideia de como algo assim seria benéfico nas mãos do lado deles? Nas mãos de curandeiros e enfermeiras, e de pessoas que realmente se preocupavam com a saúde geral da população? O fato de os Comensais da Morte estarem mantendo essa magia avançada para si mesmos era apenas mais uma gota no oceano mostrando como eles eram maus. Hermione tentou pegar a pomada, apenas para tentar deduzir seus ingredientes, mas ele riu e a ergueu sobre a cabeça dela, fora do alcance.

"Infelizmente, não tenho muito, então tente não se machucar novamente."

A audácia desse homem. "Bem, então controle seus cães", ela retrucou.

O sorriso morreu em seu rosto. "Sinto muito por isso. Pansy será punida por atacá-la"

Hermione bufou, com o rosto incrédulo enquanto dava alguns passos para trás dele. "Você realmente não entende, não é?" Ele olhou para ela inexpressivamente. "Eu sou um deles. Eu também nasci trouxa. Você não pode se desculpar comigo por ter sido atacada quando está atacando todo mundo como eu!"

"Hermione-"

"Não! Eu sei que você não se importa, mas eu me importo. Então, me prometa que vai parar de nos usar como manequins de treino! Prometa que não vai machucar mais ninguém na escola!" Ela sabia que não estaria realizando nenhuma mudança real e que, se eles não pudessem testar suas habilidades no castelo, provavelmente iriam para a cidade trouxa mais próxima e praticariam com os habitantes locais - só que desta vez, talvez até mais brutalmente, porque eles viam os trouxas como a pior escória - mas ela tinha que fazer alguma coisa. Ela não seria capaz de olhar nos olhos de seus colegas, as mesmas pessoas que ela via todos os dias, sabendo que eles poderiam se machucar naquela noite enquanto ela não fazia nada. Como ela seria capaz de viver consigo mesma?

Sua boca estava desenhada em uma linha estreita. "Tudo bem. Vamos parar de praticar com os alunos. Feliz?"

Por muito pouco.

Ele interpretou a falta de resposta dela como um acordo tácito. "Tudo bem, vamos para a cama."

"O quê?" Hermione gritou, pega completamente de surpresa. Não havia como ele realmente pensar que ela ficaria com ele esta noite. Ela caminhou encharcada, direto para a porta e puxou a maçaneta com toda a força, desejando que seus braços fossem mais fortes do que seu feitiço de bloqueio. "Me deixa sair daqui", ela gritou quando a porta não se moveu.

"Não, Hermione. Você teve uma noite difícil. Eu tenho que ter certeza de que você está bem", ele disse calmamente.

"Besteira, não vou ficar bem enquanto estiver presa aqui com gente como você!"

"Merda, está passando," Malfoy murmurou enquanto beliscava a ponte de seu nariz, antes de recuperar sua varinha. "Você realmente é muito teimosa para o seu próprio bem."
Hermione sabia do que ele estava falando e a segundos de fazer.

"Não, não se atrev-" Mas era tarde demais; ele já a atingira com outro feitiço calmante, deixando-a sem fala e ligeiramente entorpecida.

Ele se aproximou dela e enxugou suas lágrimas frescas. "Você entende por que eu não queria que você visse tudo? Por que eu tentei esconder essa parte de mim de você?" Ele parecia gentil novamente, dolorido, enquanto segurava suas bochechas. "Eu não quero te machucar, Hermione. Eu nunca quis te magoar."

Ela lentamente inclinou o rosto para ele. "Eu te odeio." Sua voz estava trêmula, mas ela sabia que sua declaração era sólida.

Ele a segurou por um momento, tendo uma reação retardada quando as palavras finalmente o absorveram. "Ah, é? É assim que os seus sentimentos funcionam? Você pode simplesmente desligá-los durante a noite?" Ela desejou que pudesse; com certeza não era por falta de vontade. "Você deveria me ensinar como fazer isso algum dia." Ele disse venenosamente. Ele tinha a intenção de machucar, mas Hermione pensou que ele havia acidentalmente revelado muito com aquela declaração.

Parecia que os dois realmente desejavam não gostar tanto um do outro quanto eles gostavam.

Malfoy abriu um armário e jogou a primeira camiseta da prateleira para ela. "Coloque isso. Minha escova de dentes é a azul à esquerda." Com isso, ele abriu a porta e saiu com um estrondo.

Hermione imediatamente caiu no chão chorando, imaginando o que diabos ela deveria fazer agora e o quanto ela estaria chorando sem a interferência mágica de Malfoy. Com sua adrenalina suprimida por causa de seu feitiço estúpido, nenhuma de suas habituais soluções brilhantes de luta ou fuga vieram até a ela. Ela começou a se repreender por ter escapado da Grifinória sem contar a Harry e agora estar presa neste inferno subaquático até que Malfoy a deixasse ir. Ela foi até a pia, entorpecida, escovou os dentes (ignorando como era insanamente anti-higiênico compartilhar a escova de dentes, mas realmente não querendo correr o risco de usar acidentalmente a de Crabbe por despeito), e tirou a roupa de baixo encharcada, vestindo a camisa enorme dele, se enrolando em uma bola ao lado da porta. Ela esperava que ele a esquecesse e simplesmente a deixasse em paz.

Ela se sentia uma idiota. Uma maldita idiota. Ela se apaixonou por ele, e possivelmente ainda mais imperdoável do que isso, ela confiou nele. Acreditava que havia algo de bom nele. O que isso dizia sobre ela como pessoa?

Malfoy suspirou e a pegou de volta quando a encontrou na mesma posição dez minutos depois, carregando-a para sua cama e aconchegando-a antes de subir ao seu lado. Hermione caiu em um sono inquieto com ele acariciando seu cabelo, não muito tempo depois, muito exausta da agitação emocional para fazer qualquer outra coisa.


Hermione acordou como se tivesse levado um soco no estômago, ainda na madrugada e confusa como o inferno. Mas uma vez que ela se orientou, toda a raiva que havia sido roubada dela, duas vezes pela varinha de Malfoy, a atingiu com força total. Com uma certeza de tirar o fôlego, ela sabia o que tinha que fazer.

Ela tinha que matar Draco Malfoy.

Ele tinha que ser parado; ele era muito perigoso para ser deixado descontrolado e, como ele havia apontado tão cruelmente apenas algumas horas antes, havia muito poucas pessoas que realmente podiam. Ele era bem relacionado, muito poderoso, muito habilidoso em duelos... muito charmoso. No entanto, aqui estava ele, deitado de costas - uma mão no esterno com a outra enfiada sob o travesseiro atrás dele, o lençol roçando até os ossos do quadril - inconsciente e desprotegido, parecendo um anjo saído de seus pesadelos mais sombrios. Hermione podia ser a única a poder acabar com isso. Hermione poderia derrubar o protegido de Voldemort, seu recrutador e seu treinador de uma vez só. Mas ela tinha que fazer isso agora - enquanto ela tinha a chance.

O mais silenciosamente que pôde, ela abriu as cortinas do dossel apenas um pouco, banhando a cama no brilho verde escuro do lago e procurou a varinha dele na mesa de cabeceira. Não estava lá, mas havia uma adaga. Parecia quase uma justiça poética massacrar Malfoy com uma ferramenta projetada por trouxas. Ela o agarrou e se virou para ele, apoiando os joelhos em cada lado de suas coxas acima do lençol, tomando cuidado para não esbarrar nele. Afinal, matá-lo enquanto ele estava dormindo seria a maneira mais humana de fazer isso.

Ela posicionou a ponta da lâmina acima de seu coração, pronta para mergulhar, mas então lembrou que ele não tinha nenhum, não realmente. Além disso, quando ele acordasse e desse seu último suspiro, ele ainda podia gritar. Hermione preferiria pelo menos ter uma chance de sair deste dormitório ilesa, mesmo que sua vida efetivamente acabasse no segundo que ela saísse. Então ela se inclinou para frente, pronta para colocar a adaga contra sua garganta.

Os olhos de Malfoy se abriram como se sentissem o perigo que se aproximava, ou talvez por sentir ela montando nele, e um momento de hesitação, o salto de uma única batida do coração, foi o suficiente para arruinar tudo para Hermione. Porque quando Malfoy acordou surpreso, mas estranhamente alerta, ele não olhou para ela com malícia ou ódio ou qualquer outra coisa que ela associara a ele nas últimas horas. Ele estava olhando para ela como se ela fosse a única coisa que ele quisesse ver. Como se Hermione fosse a mulher dos seus sonhos, ganhando vida e pronta para realizar todos eles. Era a mesma forma que ele olhou para ela quando a viu descendo as escadas no Baile de Inverno quando eles ainda eram crianças, antes do retorno de Voldemort e da mesma forma que eles se olharam em seu encontro.

Hermione de repente se tornou dolorosamente consciente do quão duro ele já estava sob ela, evidência de que ela o acordou de um sonho muito bom, de fato. Ele tinha que estar nu sob o lençol; por que Malfoy sempre dormia nu?!

Ela observou como a felicidade inocente de sua expressão se transformou em sua máscara usual de indiferença quando ele percebeu exatamente o que ela estava segurando em sua mão. "Vejo que o efeito do meu feitiço passou de novo." Ele falou lentamente, seu pomo de Adão balançando a lâmina para cima e para baixo.

Ela não iria deixá-lo falar docemente para sair dessa; ela não podia. "Últimas palavras?" Hermione perguntou, definitivamente não protelando.

A pequena lasca de luz que entrava pela abertura das cortinas iluminava apenas o lado direito de seu rosto, mas era o suficiente para Hermione ver seus olhos e todas as emoções que ele tentava esconder ali. "Faça isso." Ele a incitou, assim como ela tinha feito na floresta quando ele a ameaçou com a Imperio.

Ele estava blefando? Ou ele sabia que matá-lo seria algo do qual ela nunca poderia voltar? Seria algo que a destruiria completamente — e será que eu mereço? Sua mão direita tremia e ela assistiu com horror quando um pouco de sangue escorreu do corte raso que ela estava fazendo em sua pele.

Ele parecia zangado. "Faça isso, Granger. Se você realmente acredita que um mundo sem mim seria um lugar muito melhor, então faça. Me tire dele."
Ela sabia que não conseguiria. Ela sabia desde que ele abriu seus lindos olhos, mas ela ainda desejava poder. Ela ainda desejava ter feito uma coisa certa para a Ordem e para todos os bruxos e trouxas.

Mas, em vez disso, ela sentiu as mãos de Draco subirem, agarrando seus ombros para puxá-la contra ele antes de virá-los, pousando em cima dela. Como isso está acontecendo? Em que universo alternativo ele se atreve a fazer esse movimento em mim? Mas estava acontecendo, e era real, e Hermione ainda tinha a lâmina dura contra a garganta de Malfoy.

Suas sobrancelhas se franziram enquanto ele se empurrava para baixo o emaranhado de seu lençol já fora de sua cintura, levantando a camisa dela, sentindo sua pele nua contra seu próprio corpo. "Hermione ..." ele respirou, inclinando-se sobre a adaga, como se ela nem estivesse ali, para beijá-la, quente e pesadamente, sua língua exigindo entrada enquanto seus dedos tateavam para baixo, a encontrando já pingando para ele.

Oh merda, foi um dos últimos pensamentos coerentes que ela teve quando ele se afastou apenas o suficiente para olhar para ela, implorando silenciosamente para que ela cedesse a ele apenas mais uma vez. A mente de Hermione se enfureceu, querendo seguir com seus planos, que ela teoricamente ainda poderia executar - ela tinha a faca ali, pronta para cortar - mas ela o queria demais. "Por favor", ela sussurrou.

Malfoy não perdeu tempo, empurrando-se para dentro dela, imediatamente tirando o pulso dela de sua garganta e prendendo-o acima de sua cabeça para que ela não deixasse cair a adaga em si mesma. Segundos depois, o barulho dela caindo no chão lhe disse que ele havia tomado a decisão certa. Hermione gemeu embaixo dele, jogando a cabeça para trás no travesseiro enquanto sentia seu pênis dentro dela pela primeira vez.

"Caralho" ele gemeu, inclinando-se para frente para morder seu ombro enquanto ele recuava apenas para mergulhar de volta em seu calor mais uma vez. "Você tá tão molhada"
Ele estava dentro dela. Draco Malfoy estava dentro dela e seus gemidos eram a única coisa que a impediam de gritar. Isso não está certo, isso não é normal..., mas por que é tão incrível? Pela vida dela, ela não conseguia entender como ela ainda o queria o suficiente para apenas implorar para ele transar com ela. Ela podia senti-lo pulsando dentro dela enquanto flexionava seu núcleo, tentando se acostumar ao comprimento que estava fazendo seus sentidos, coração e alma girarem positivamente. Como ela estava deixando-o colocar um pedaço de seu corpo no dela, como se tudo o que ela havia visto na noite anterior não tivesse acontecido? Como ela poderia ignorar—

"Respire, Hermione. Apenas respire" ele ordenou, pairando sobre ela, movendo lentamente seus quadris, fazendo seu corpo cantar.

Hermione não queria nada disso. Ela arrancou o pulso do aperto dele e arranhou as costas dele com as unhas, fazendo-o sibilar, antes de agarrá-lo pela bunda e puxá-lo contra ela, empurrando-o tão fundo que os fez estremecer e ofegar. "Cala a boca e me come, Malfoy."

E assim ele fez. Como se ele quisesse foder Hermione através do colchão, Malfoy esmurrou nela, seu corpo batendo contra o dela mais e mais, seu pau esmurrando-a e embaralhando seu cérebro em total incoerência exatamente como ela queria. Hermione sabia que não merecia ternura ou afeto agora. Ela queria ser transportada para outra dimensão e ter sua própria essência punida.

Hermione se perguntou se ela realmente quis fazer sexo com os caras que ela esteve antes ou se ela só queria fazer sexo, ponto final, com quem quer que fosse. Talvez seu corpo tenha sido capaz de dizer e tentado lhe ensinar uma lição quase nunca ficando excitado e, portanto, não se preparando nem um pouco. Significava a diferença entre a dor desajeitada e o prazer ofuscante. Sua anatomia não parecia ter nenhum de seus problemas habituais com Malfoy. Na verdade, parecia ser exatamente o contrário. Desde o início, com o quão fácil foi para ele deslizar para dentro dela, quase parecia que seu corpo estava se redesenhando apenas para ele, para que ele se tornasse seu ajuste perfeito, moldando-se a ela da maneira certa. Ela nunca esteve tão molhada antes, ou se sentiu tão crua, ou queria tanto alguém que ela pensou que poderia quebrar ao meio. Ela queria que ele a quebrasse. Suas palavras ecoaram em sua mente, 'Você não começa até sentir que entraria em combustão sem ele...'

Ele tentou beijá-la novamente, mas Hermione não deixou. Este momento entre eles de alguma forma se tornou sobre sobrevivência. Sobre não se deixar apaixonar ainda mais por Malfoy, mas em vez disso tirar o veneno de seu sistema bebendo um litro dele - porra, ela realmente não sabia como nada disso funcionava. Tudo o que ela sabia era que ela nunca teve uma escolha sobre dormir ou não com Malfoy, não realmente. Durante todo o ano, ele trabalhou sua magia nela, atraindo-a para esta armadilha, e merda ela caiu nisso. Ela esperava que agora, depois de transar e terminar a manhã, ela tivesse sido castigada o suficiente e ele a deixaria ir. Esta poderia ser a conclusão adequada para um jogo do qual ela nunca quis realmente fazer parte para começar, mas foi sugada do mesmo jeito.

Enquanto ela o encorajava a entrar nela como se fosse dividi-la em duas, fazendo-a gritar e gemer apelos e maldições meio formados, ela percebeu algo: esse caminho havia sido escolhido para ela há muito tempo, por poderes completamente fora de seu controle e ela teve que se submeter à vontade do universo antes que pudesse decidir seu próprio destino.

Pena que Malfoy estivesse empenhado em tentar fazê-la gostar do caminho que ela estava traçando. Incapaz de beijar seus lábios, ele se moveu até seu pescoço, suas mordidas ásperas e pesadas, as chupadas combinando com as estocadas brutais de seus quadris. Hermione jurou que o barulho da cama balançando para frente e para trás no chão de pedra no ritmo de seus movimentos, era alto o suficiente para acordar os mortos. Certo, os acorde e os deixe me levar com eles; Tenho certeza de que eles seriam pessoas melhores do que a companhia atual.

Hermione cerrou os dentes, não querendo soltar mais nenhum gemido agora que ela se lembrava do quanto Malfoy gostava quando ela fizesse isso - mas era difícil. Cada vez que ele se envolvia nela, ela podia sentir seu corpo correspondendo, os quadris se ajustando para o ângulo certo, para acertar o ponto perfeito dentro dela, fazendo-a quase levitar. Ela sabia que nunca tinha gozado diretamente com penetração antes, mas ela também nunca teve um relacionamento que durou semanas de preliminares, fazendo com que seu núcleo ansiasse por ser reivindicado por ele forte, rápido e imediatamente - porque, pelo amor de Merlin, nós esperamos tanto tempo?

"É isso aí, amor," Malfoy ofegou, ajudando Hermione a manter seus quadris na posição que a fez gemer mais alto. "Porra, você me dá tão gostoso."

Ela fechou os olhos, não querendo que ele desempenhasse qualquer papel em seu prazer, apesar de ele ser a causa raiz muito clara disso. Não gostando de ser ignorado, Malfoy colocou os dedos entre eles, encontrando o clitóris dela e sacudindo-o para frente e para trás o mais rápido que podia. Hermione instantaneamente choramingou, as coxas batendo firmemente ao redor dos quadris dele enquanto os dedos dos pés se curvavam.

"Ugh, merda, Granger-" Malfoy gemeu, observando-a, seus movimentos diminuindo em seu estado distraído. Hermione rosnou, irritada, dando um tapa na bunda dele para trazê-lo de volta à velocidade. "Sim, senhora" ele deu uma risadinha enquanto voltava a trabalhar acima dela, seu corpo brilhando com a evidência de seu esforço vigoroso.

"Sim, sim-" ela não pôde deixar de suspirar quando ele voltou a sorrir, continuando a destruir seu corpo para cima e para baixo na cama. Ele estava sendo tão rude, de uma forma que ela sabia que só estava amando por causa do calor do momento, mas que isso tiraria sua capacidade de andar direito amanhã. O pensamento disso, de ter evidências dessa transa mesmo muito depois de terem terminado, a excitou ainda mais.

"Abra os olhos, Hermione. Quero ver você gozar." Ele instruiu. Ela o ignorou, concentrando-se, em vez disso, em todas as sensações físicas dele que a estavam levando até lá com força, que a estavam deixando selvagem enquanto ele a empurrava cada vez mais para seu clímax. "Granger..." ele cantou daquele jeito sexy e exigente que só ele conseguia fazer.

Não. Foda-se. Ela gritou na cabeça, suas unhas falando por ela, cavando em seus ombros e esperançosamente tirando sangue.

Ele respondeu mordendo ferozmente seu mamilo, cutucando a camisa que ela usava, fazendo-a abrir os olhos e o maxilar de dor. "Porra-!" Ela gritou quando se sentiu caindo no esquecimento, sua boca imediatamente sendo coberta pela dele quando ele substituiu seu grito de prazer pelo seu, seus quadris trêmulos sendo um sinal óbvio de que ele também estava gozando. Hermione o sentiu pulsar dentro dela enquanto cavalgava as ondas de seus orgasmos, nunca tendo imaginado que sentir a liberação de outra pessoa poderia realçar tanto a dela.

Levou alguns segundos para ela perceber que ela embalou Malfoy em seu peito enquanto ele recuperava o fôlego em cima dela, os dedos entrelaçados em seus fios sedosos. Ela não aceitaria nada disso. "Saia de cima de mim," ela exigiu, empurrando seus ombros largos.

Ele rolou de costas, mais exausto do que ela jamais o vira. Hermione tentou banir o pensamento orgulhoso de que foi ela quem fez isso com ele - foi ela quem o deixou completamente desfeito. Isso importava? Ela tinha acabado de transar com ele. Claro que ele gozaria.

Ambos lutaram para recuperar o fôlego, olhando para o teto, enquanto Hermione reajustava a camisa enorme, que ela nunca havia tirado, para que voltasse a cobrir o topo de suas coxas, ignorando a umidade pegajosa que sentia pingando lá. Parte dela não conseguia acreditar que ela tinha acabado de transar com ele, mas outra parte aceitava que teria sido inevitável. "Como você sabia que eu não faria?" ela perguntou curiosamente, baixinho.

Malfoy sabia que ela queria matá-lo - ela supôs que era uma coisa bastante difícil de esquecer. "Eu não sabia. Mas se eu fosse morrer, poderia muito bem ter sido enquanto eu comia você."

Hermione engoliu em seco. Por que ela se sentia como se tivesse acabado de jurar lealdade ao maldito demônio?


Bom, finalmente transaram! E não deveria ser um momento doce e nem fofo, Hermione está confusa e se pune muito por se sentir atraída por uma pessoa com valores tão distorcidos. Enfim, espero que esteja condizente com a proposta da fic. O que acharam da primeira vez deles?