Draco olhou para Hermione com um olhar cheio de dúvidas, enquanto eles corriam pelo Castelo, em direção às masmorras. Draco fez menção de abrir a boca, mas Hermione o cortou antes mesmo que ele conseguisse formular qualquer palavra.
"Por favor, não me pergunte nada agora. Eles me deram Veritaserum." Ela sabia que era perigoso admitir, mas havia uma forte possibilidade de que não contar a ele fosse pior.
Hermione observou cerca de uma dúzia de emoções passarem pelo rosto dele. Ela sabia que Draco estava lutando contra um desejo avassalador de perguntar a ela tudo o que ele já havia imaginado sobre ela, mas nada disso se comparava ao poderoso sentimento fervilhante que o possuía, o instigando a punir qualquer um que ousasse forçar Hermione a fazer qualquer coisa que ela não quisesse.
"Eles te deram Veritaserum?" Draco repetiu, seu lábio superior se curvando perigosamente sobre seus dentes, enquanto suas palavras pingavam veneno.
"Sim, mas-" Hermione parou de correr e agarrou as mãos dele nas suas. Draco estava tão bravo que estava tremendo fisicamente. "Por favor, Draco, por favor, eu quero sair logo daqui."
Os punhos de Draco estremeceram em seu aperto, mas ele os firmou com uma profunda respiração, pelo nariz e pela boca, com os olhos fechados. "Você está bem?"
"Não", ela respondeu com sinceridade. "Mas por favor, por favor, sem mais perguntas."
Draco pegou a mão dela e começou a puxá-la pelo corredor, levando-a através de um atalho para Sonserina. "Eu tenho o antídoto, posso te dar um pouco."
"Você tem?" Hermione perguntou, pasma. Ela nem sabia que havia um antídoto para a poção da verdade mais forte do mundo.
"Sim, eu sou o filho de uma mestra de poções, lembra? Eu precisei inventar. Risco ocupacional - as pessoas estão sempre tentando colocar essas coisas em nossas bebidas." Ele puxou uma cortina e a fez passar por ela, com a mão em suas costas. "Eu testei contra o Veritaserum que você preparou na aula. Ele aguenta."
Doce Merlin.Hermione lembrou-se claramente de se sentir mal por quem quer que ele tivesse usado a poção que eles fizeram na aula, mas, na realidade, ele mesmo a ingeriu para inventar uma cura. Sem saber exatamente o que havia acontecido com ela, Hermione puxou o rosto de Draco para o dela enquanto o empurrava contra a parede da escada secretamente isolada, beijando-o ferozmente.
Draco respondeu da mesma forma, sua raiva se transformando em paixão quando ele se afundou mais na altura dela, os braços envolvendo sua cintura, para que ela pudesse beijá-lo tão entusiasticamente quanto ela claramente desejava. Suas mãos estavam por toda parte, mas beijá-lo também estava impedindo sua mente de correr para outras direções. Ela precisava disso. Ela precisava dele. O que mudou irrevogavelmente entre eles por causa do que ela acabara de tomar conhecimento poderia esperar - mesmo que apenas por mais alguns minutos - porque aqui e agora, tudo parecia muito bom. Quando Hermione finalmente se libertou, ambos os lábios estavam inchados e avermelhados, a camisa dele uma bagunça absoluta, enrugada onde ela vagou e puxou, tentando trazê-lo o mais próximo possível para ela.
Draco sorriu maliciosamente enquanto lentamente abria os olhos. "Eu não sabia que um dos efeitos colaterais do Veritaserum era o tesão, Granger."
"Eu te amo!" Hermione deixou escapar, seu queixo caindo um segundo depois, enquanto seus olhos arregalados oscilavam freneticamente entre os dele. Merda, estou apenas dizendo a todos que amo Draco Malfoy agora?! Este é o nosso novo e divertido passatempo?Parecia que sua psique estava tentando lutar contra o término de relação que ela sabia que tinha que acontecer.
Draco riu - um som mais suave, mais tilintado do que ela estava acostumada a ouvir dele - afastando a mão que ela havia colocado sobre o próprio rosto, puxando para trás alguns de seus cachos rebeldes. "Está tudo bem, amor. Eu já sabia disso." Babaca.Ele beijou a ponta do nariz dela. "Mas, tudo bem, porque eu-"
"Não-" Hermione o cortou, correndo para colocar as pontas dos dedos sobre os lábios dele, enquanto ela ficava ali entre as pernas de Draco. Ela queria ouvir aquelas palavras, queria mesmo, mas como poderia? Como ela poderia ouvi-lo dizê-las sabendo o que ela fez e o que significava que ela deveria fazer? Eles tinham que colocar as cartas na mesa, para que ela soubesse se o que ele estava prestes a confessar era realmente real ou apenas uma parte de seu ato contínuo. Ela não queria que seu coração saltasse do peito por algum tipo de atuação distorcida da parte dele. Seus olhos estavam bem fechados. "Antídoto primeiro. Conversa depois."
Misericordiosamente, ele atendeu ao apelo dela e a levou para seu dormitório silenciosamente. Apenas Blaise estava lá.
"Irmão, onde está o nosso antídoto para Veritaserum? Você o pegou por último." Draco pediu sem absolutamente nenhum preâmbulo.
"Por quê?" Blaise perguntou curioso, encarando o casal que acabara de entrar em seu quarto.
"Hermione precisa."
Hermione não tinha certeza se ela já havia visto Blaise parecer tão alegre - se ele tivesse um rabo agora, todo o seu corpo estaria tremendo."Você me acha atraente, querida?"
"Sim." Hermione olhou para Draco em pânico, implorando para que ele interviesse com a intensidade de seu olhar.
Blaise sorriu perversamente quando Draco soltou, exasperado: "Blaise-"
"Você quer fazer sexo a três comigo?"
"Sim." A palavra saiu um pouco rápida demais, mesmo que magicamente coagida.
"Eu disse a você!" Blaise aplaudiu, virando-se para Draco.
Draco silenciou o seu melhor amigo, mas já era tarde demais: Blaise estava comemorando a admissão de Hermione, empurrando seus quadris para o ar descontroladamente.
Hermione estava mortificada.Ela sentiu como se seu rosto estivesse corando pelo menos uns mil graus.
Sabendo que Blaise não seria de nenhuma ajuda para ele, Draco vasculhou o quarto, voltando para Hermione quando encontrou um pequeno frasco rosa, colocando-o na mão dela. Ele se inclinou e beijou sua têmpora. "Vamos conversar sobre isso mais tarde", ele sussurrou, fazendo-a estremecer.
Porra, tenha misericórdia.
Hermione destampou o frasco e o bebeu, não querendo cometer outro maldito deslize embaraçoso. Ela não tinha ideia do que Draco faria sabendo que ela queria transar com ele e seu melhor amigo ao mesmo tempo, mas ela duvidava que fosse algo bom. Estou tão ferrada.Ela considerou brevemente que - apesar de tudo - ela apenas confiou cegamente em Draco, quando ele disse a ela que, o que quer que estivesse no frasco, era seguro e agiria da maneira que ele disse. Ela supôs que qualquer coisa seria preferível a continuar derramando seus segredos mais íntimos.
Draco se virou para Blaise, satisfeito por Hermione ter seu próprio livre-arbítrio de volta e retirou o feitiço. Ela desejou que ele não tivesse, porque ele estava cantando um pequeno jingle, repetidamente:
"Sua garota quer transar comigo, sua garota quer transar comigo, sua garota quer transar comigo..."
Isso é terrível.
Draco o ignorou, dando um passo à frente de Hermione para segurar ambas as bochechas dela. "Melhor?" ele perguntou.
Ela assentiu, mas deu um passo para trás, olhando-o com desconfiança. Agora as verdadesimportantespoderiam vir à tona. "Há quanto tempo você sabe?"
Draco deu um pequeno passo para trás. "Hermione -"
"Há quanto tempo você sabe?" ela repetiu, com firmeza.
Até Blaise sentiu a atmosfera da sala mudar. Ele desajeitadamente pegou uma revista de sua mesa de cabeceira e pediu licença, indo para a sala comunal.
Draco fez sua melhor expressão impassível. "Sei de quê, Granger?"
Ela cruzou os braços sobre o peito defensivamente. Ela queria conforto, ela queria apoio, ela queria um maldito abraço de Merlin, mas ela tinha que saber. "Desde quando você sabe que eu entrei para a Ordem?"
Ele a examinou, erguendo o queixo com altivez, os olhos olhando para ela. "Desde o começo."
"O começo de quê?" Hermione cuspiu.
"Da sua missão."
Hermione sentiu como se tivesse levado um soco no estômago. Seus olhos correram por todo o rosto dele, procurando por respostas que ela sabia que iria arrancar dele, de uma forma ou de outra, de qualquer maneira. "Você sabia -" sua voz tremeu, "- você sabia o que eu estava fazendo esse tempo todo e você me deixou..." Ela nem sequer tinha as palavras.
"Deixei você o quê?" Draco perguntou desafiadoramente. "Você estava me espionando, mas de repente eu sou o vilão?"
"Você me deixou dormir com você sabendo -?"
Draco se abaixou para ficar no nível dos olhos dela. "Você está falando sério? Deixei você dormir comigo?" Ele fez um gesto com a palma da mão aberta para baixo de seu corpo. "Você está ouvindo a si mesma agora?" Hermione apenas balançou a cabeça, sentindo que estava prestes a explodir. "Você começou a dormir comigo para tentar descobrir os meus segredos, e praticamente me seduziu por causa disso." Ele riu sem humor, passando a mão pelo cabelo. "Claro, eu deixei você saber de alguns que eram irrelevantes, para te ajudar a começar e te impedir de se sentir tão infeliz consigo mesma o tempo todo, mas vamos lá, princesa!"
Hermione piscou rapidamente, dando outro pequeno passo para trás dele. "Me deixou saber de alguns que eram irrelevantes?" Ela realmente estava sendo enganada o tempotodo?
De repente, Draco estava na ofensiva. "Sim. Eu me lembro de como é receber uma nova missão quando você ainda é inexperiente, então deixei algumas migalhas para você. Eu não queria que você se estressasse tanto, era triste. Então pensei que se você causasse uma boa impressão para os seus líderes, você ficaria um pouco mais feliz."
Hermione cerrou os dentes, totalmente humilhada. "Você é inacreditável."
"Não." Draco apontou um dedo irritado para ela. "Não, você não pode reverter a situação. O cara mau aqui é você. Vocêestava transando comigo para tentar me usar, não o contrário. Eu só estava transando com você porque eu queria."
Não, não o ouça, não o deixe entrar na sua cabeça.Ela não transou com ele para arrancar segredos dele - claro, esse era o plano original, mas não funcionou assim. Intenções importavam, não importavam?
"Olha, eu realmente não me importo sobre como ficamos juntos", Draco tentou, pegando as mãos dela. "Tudo o que me importa é que estamos aqui agora..."
Hermione deu um tapa em seu aperto. "Não. Não, você esteve mentindo para mim-"
"E você também!"
Hermione queria arrancar os cabelos. "Nada disso torna isso certo! Nada disso torna isso saudável! Você literalmente criou uma armadilha..."
"Eu tinha que saber de qual lado você estava!"
Hermione sentiu como se tivesse acabado de ter um aneurisma. Como ele poderia duvidar de quelado ela estava? "O quê?!"
"Eu sabia que você estava ouvindo, princesa. Claro que eu sabia que você estava ouvindo." Que olhar era esse que ele estava dando a ela? Era... pena? "Eu esperava que você não contasse a eles. Eu esperava que você me escolhesse." Ele encolheu os ombros. "Mas tudo bem, você me escolheu na noite seguinte, então isso é o que realmente importa."
Como ele estava fazendo isso? Como ele estava fazendo ela se sentir mal por suas ações aqui? Como se eu já não me sentisse mal o suficiente.Seu lábio inferior começou a tremer enquanto olhava para ele. "Não..." ela murmurou, nem mesmo certa do que estava rejeitando. "Não, isso é... não é..."
"Hermione," ele deu um passo ainda mais perto, parecendo decidir que se ela não o deixasse segurar suas mãos, ele iria agarrar a cintura dela, "você acabou de dizer que me amava, lembra-se? Há apenas dez minutos atrás, na escada? Você se lembra disso, amor? Você se lembra?"Ele parecia bom demais assim, tentando desesperadamente fazê-la lutar por isso, por eles.Ela honestamente desejou poder colocar um saco de papel sobre a porra do rosto dele. "Bem, adivinhe?"
"Não!" Hermione implorou, tentando afastar o peito dele, sabendo o que ele estava prestes a dizer e o que isso faria com ela, mas ele a manteve lá, prendendo-a entre seus bíceps.
"Eu também amo você." Ele sussurrou, quase quebrando Hermione em seus braços com aquelas quatro pequenas palavras. Ela se encolheu em seu peito e ele instantaneamente aproveitou a oportunidade para descansar o queixo na cabeça dela, balançando-os de um lado para o outro. "Eu sempre te amei, Hermione."
Isso dói. Dói pra caralho.Ela ouviu em sua voz, sentiu em seu corpo e sabia até os ossos que ele estava dizendo a verdade naquele momento. Ele não poderia fingir isso - ninguém poderia ser tão bom em mentir. No entanto, ela ainda queria agarrar-se à palha, adiar a inevitável dor de cabeça que sua confissão, aquela que combinava com a dela, lhe causaria. "Você não pode me amar." Suas palavras foram abafadas em seu suéter enquanto seus olhos começaram a formigar.
Ele endureceu contra ela, mas sua voz permaneceu gentil. "Por que não?"
Ela nunca fez um movimento para abraçá-lo de volta. "Eu não acho que você seja capaz disso."
Draco puxou o rosto para trás, usando uma mão para inclinar o queixo dela para ele, procurando os olhos dela. "Qual seria o sentido de tudo isso se eu não amasse você?"
Uma lágrima exausta desceu por sua bochecha. "Me diz você."
Ele traçou um dedo lentamente ao redor dos lábios dela, memorizando-os por toda a jornada. Lentamente, ele disse: "Há tanta coisa que você ainda não sabe, princesa."
Hermione fechou os olhos, desfrutando de seu contato lânguido. Ela estava cansada, tão malditamente cansada. "O que você quer dizer com isso?"
"Não é um insulto, Hermione. É apenas um fato."
Seus olhos se abriram. "Me conta." Ela tinha o suficiente de seus segredos. Chega de suas mentiras. Chega dele escondendo coisas dela— e usando-a para quaisquer propósitos doentios que ele considerasse apropriado.
Ele a estudou por um minuto, parecendo dividido. "Você já sofreu o suficiente por um dia, meu amor. Eu não estou pronto para partir totalmente o seu coração. Ainda não."
Ótimo. Ninguém nunca me diz merda nenhuma.Hermione sabia que estava sendo fraca e patética, mas francamente, ela não dava a mínima. Ela permitiu que Draco a levasse para sua cama e a abraçasse, envolvendo-os em cobertores e acariciando-a confortavelmente enquanto ela chorava, deixando que os eventos do dia a atingissem com força total.
Ela não deveria estar aqui. Ela sabia disso. Ele a transformou em uma cúmplice inconsciente de um assassinato em massa, e quase virou seu próprio lado contra ela.Mas ela se permitiu apenas mais algumas horas com o maior - mesmo que o mais cruel - amor que ela já conheceu, porque mais do que nunca, ela precisava dele.
—
A noite já havia caído quando Hermione acordou, aninhada no abraço caloroso de Draco. Ele estava respirando suavemente, seu rosto a poucos centímetros do dela, como se ele tivesse adormecido enquanto a observava. Ela realmente não superaria ele. O problema nunca foi seu nível de atenção para com ela - sempre foi sua moralidade e o que ele estava disposto a fazer para conseguir o que queria.
Ela supôs que havia rolado para encará-lo em algum momento, mas isso não era surpreendente - eles eram como ímãs, sua oposição os unindo desde o início.
Embora a conversa anterior com ele tivesse sido brutal, havia uma pepita de esperança e alívio na forma de sua confissão: ele a amava. Ele foi direto, sem reservas, disse a ela que estava apaixonado por ela, mesmo depois que eles colocaram suas lealdades conflitantes na mesa. Não importava que ele soubesse que ela era uma espiã. O que significa que ele não está nisso apenas para me usar.Se ele estivesse saindo com ela apenas para alimentar a Ordem com informações erradas, ou possivelmente até mesmo para obter segredos dela, então ele teria se livrado dela depois que ela disse a ele que o show estava acabado. Mas ele não tinha.
Ele tinha cuidado dela.
E o que a Ordem havia feito? A drogaram e jogaram-na para escanteio.
— O que você quer, Malfoy?
—Você!
A cena se repetiu em sua cabeça, deixando-a estranhamente sentimental. Ela não precisava insistir em suas palavras agora, tanto quanto ela claramente queria. Ele foi suave - ele sempre soube o que dizer para enganá-la, para mantê-la lá, para fazê-la cumprir suas ordens. Mas ele realmente mudou? Ele realmente já fez algo de bom? O amor não deveria fazer de você uma pessoa melhor?A noite anterior, quando eles ficaram juntos, deveria ser um dos melhores dias de sua vida - e, infelizmente, ainda era. Seu coração estava em guerra com sua mente, um dizendo a ela: Ele pôde te amar tão completamente, apesar de saber que você o estava traindo... enquanto o outro gritava: Bem, isso não importa, porra!
Ela nunca se esqueceria de observar a expressão nos olhos de Draco ao admitir para ele que ela gostava dele; ela nunca esqueceria como seu coração absolutamente palpitou quando se sentiu segura e amada por ele, sozinha naquela sala de aula.Ele estava lá, tangível e forte, e ela poderia apenas estender a mão e tocá-lo, porque ele era dela.Tinha sido uma sensação viciante que ela não achava que teria que desistir tão cedo.
No entanto, aqui estavam eles.
Com cuidado para não o acordar, ela gentilmente traçou suas sobrancelhas, suas maçãs do rosto e sua mandíbula, antes de pressionar ternamente os lábios em sua testa. Ela permaneceu na sensação de segurança que agora sabia que soava falsa, mas pareceu muito real apenas 24 horas atrás. (Isso, traiçoeiramente, ainda parecia real). Ela não soube como encontrou forças para deixá-lo lá, mas, de alguma forma, ela o fez.
Ela perdeu completamente quando ele abriu os olhos para vê-la ir embora, enquanto ela tentava escapar de sua cama e de sua vida.
—
Hermione se sentiu entorpecida enquanto subia a escada do dormitório masculino, indo para a Sala Comunal da Sonserina, em transe. Ela estava tão perdida em sua própria dor e angústia, que nem percebeu que Pansy Parkinson estava sentada perto da lareira, parecendo adequada e bonita, com as pernas enroladas sob ela no sofá, até que sua voz doce e pegajosa soou. "Seu lugar não é aqui."
Pansy normalmente era uma garota que tinha uma postura passivo-agressiva. Ela iria bater em você com um tom de voz meloso, mas que normalmente fazia as pessoas se sentirem um lixo. Hermione imaginou que ela não estivesse com paciência para isso esta noite.
Ótimo. Porque eu também não. Hermione ergueu os olhos para ela, imaginando se a garota havia enfeitiçado seus lábios para ficarem ainda mais cheios e inchados do que da última vez que ela os vira. Seja por causa do estresse da morte de dezoito vítimas em suas mãos, a traição de seus mentores abordando-a, o perigo que seu melhor amigo estava correndo por ter se apaixonado por uma sonserina ou a tortura de ter que se afastar de Draco, Hermione sentiu algo dentro dela estalar, dando-lhe uma fome voraz por sangue. Ela queria cortar essa cadela da mesma forma que fizeram com ela, poranos."Que engraçado," Hermione disse sorrateiramente, inclinando a cabeça enquanto cruzava os braços sobre o peito e plantava os pés no chão com firmeza, mantendo-se firme, "porque ao que parece, estou começando a pertencer mais aqui do que você."
O queixo de Pansy caiu, não esperando essa resposta. "O que você quer dizer?"
Hermione bufou, recusando-se a quebrar o contato visual com ela - um ato que parecia uma luta animalesca por domínio. "Você vai descobrir. Eventualmente." Ela sorriu. "Talvez."
A raiva coloriu o rosto de Pansy, fazendo manchas vermelhas aparecerem em seu pescoço e testa. Ela definitivamente não estava acostumada a ser rebaixada assim - especialmente por alguém que ela considerava tão abaixo dela. Hermione tinha certeza de que esse era um cenário quase tão ruim para ela quanto se um elfo doméstico tivesse lhe dito não. Ela respirou fundo. "Você acabou de me chamar de burra?"
Hermione tinha sua réplica pronta em meio segundo. "Não. Mas eu insinuei."
Com os punhos tremendo, Pansy se levantou. "Ele vai acabar com uma senhora puro-sangue. Eles podem se sujar na lama, mas sempre encontram o caminho de volta para nós. Sempre."
Hermione bufou, deixando o quão ridícula e desesperada ela achou a declaração dessa garota, irradiar por cada poro. O amor de Draco por ela não era mais algo com que ela se preocupasse. Ela não tinha acabado de perceber queessenão era o problema? Claro, eles tinham acabado de terminar, mesmo que Malfoy ainda não soubesse dessa informação, mas Pansy não precisava saber disso. Mentir para ela agora seria divertido. Seria o que a fanática merece. "Olha querida, eu não sei o que você pensa sobre tudo isso. Mas aquele garoto?" Ela apontou em direção ao quarto de Draco, sob seus pés, enquanto dava alguns passos para frente, realmente se inclinando enquanto sussurrava, "Ele é obcecado por mim." Hum, talvez eu minta.Hermione considerou isso uma vitória para todos. "E francamente, é patético que você pense que mesmo se eu não estivesse no jogo, ele consideraria voltar para você. Dado o que eu ouvi sobre suas... habilidades." Certo. Então, talvez, apenas uma pequena mentira.
Pansy passou de ruborizada a pálida em tempo recorde, um arrepio de pânico fluindo por ela. Hermione percebeu que ela tinha a garota na palma da mão, como um pequeno mosquito que ela estava prestes a esmagar. "Que habilidades?" ela perguntou, a voz trêmula.
Hermione soltou uma risada seca, indo para matar. "Bem, ele me disse que você é terrível na cama. Na verdade, não conseguia parar de rir disso." Era verdade?Não. Mas poderia ser, como Pansy saberia?
"Você é uma— uma—" Pansy gaguejou, segurando as lágrimas.
Hermione curvou a cabeça mais perto, juntando as sobrancelhas em zombeteira sinceridade. "Eu sou o quê, querida?"
Pansy soltou um grito de frustração, murmurando, "Cadela sangue-ruim", baixinho enquanto ela pisava na escada das meninas e corria para fora das vistas.
Palmas. Palmas. Palmas.
Hermione estremeceu ao perceber que havia mais alguém na sala assistindo à sua pequena demonstração de vingança, e se virou lentamente ao ouvir o som. Ela se deparou com Blaise - de todas as pessoas— sentado em uma poltrona escondida em um canto escuro dos fundos da sala, com uma revista aberta e esquecida na mesa à frente.
Ótimo. Brilhante. Que sorte a minha.Ela imaginou que talvez ele nunca tivesse retornado ao dormitório.
"Droga, Granger. Eu não pensei que você tivesse isso em você." Ela não gostou do quão impressionado ele parecia. Ele não fez nenhum movimento para se aproximar dela e ela ficou tão longe dele quanto ela poderia. "Sabe, Draco me disse que sim, mas eu não acreditei nele."
Hermione não tinha certeza do que Draco havia dito, mas tinha certeza de que não era nada bom. "A menina é uma valentona. Precisava ser colocada no lugar dela", ela defendeu.
Ele riu sombriamente. "Certo, certo. 'Às vezes você tem que ser o valentão, para parar o valentão', como Draco disse, hein?" Hermione apertou a mandíbula, não gostando muito da comparação entre eles. Isso eradiferente.Pansy usava um discurso de ódio; quando Draco e Blaise puniram Córmac, girando-o de cabeça para baixo no corredor (logo antes de eu beijar Malfoy), Córmac havia dito - Bem. Na verdade, eu nunca soube o que Córmac disse... Ela supôs que Blaise soubesse, mas ela nunca perguntaria a ele. Hermione não queria que ele tivesse a satisfação de saber que ele acabara de fazer uma observação bastante decente. Blaise continuou. "Eu tenho que dizer, o 'querida' foi um toque extra bem legal. Onde você aprendeu isso?"
"Cale a boca." Hermione suspirou, finalmente marchando em direção à porta, pronta para dar o fora dali. Blaise, assim como Daphne, tinha um verdadeiro dom para fazê-la sentir vergonha de si mesma - dado o jeito deles de apontar toda vez que ela realizava atos menos nobres.
Ele ainda não tinha terminado de falar. "Sabe, é engraçado que você sempre aja como a infeliz vítima de tudo isso, a inocente ovelhinha sendo perseguida por lobos por todos os lados." Hermione congelou no corredor, deixando as palavras dele atingirem sua espinha. "Você quer saber o que eu acho?" Ele mal esperou dois segundos antes de contar a ela. "Acho que você sabe exatamente o que está fazendo... e é você quem tem presas."
Hermione fechou os olhos, respirou fundo e saiu. Ela não tinha tempo para um sermão.
—
Tudo mudou depois disso. Os dezoito aurores mortos deixaram um grande impacto na população estudantil e, nos dias que se seguiram, não era incomum encontrar um colega chorando em uma escada ou fora da sala de aula.
Alem disso, aparentemente, ninguém em Hogwarts ficou sabendo que Daphne e Harry estavam juntos, então eles puderam voltar à vida normal, porém com ainda mais cautela.
A agonia que atingiu Hermione com mais força foi a do irmão de Rony, Carlinhos Weasley, que ela encontrou sem querer fora do escritório de Dumbledore, tentando esconder as lágrimas. Ela sabia que não o conhecia muito bem, mas sentiu que eles tinham uma conexão devido à sua amizade com Rony, então, naturalmente, ela tentou abordá-lo para oferecer conforto quando viu que ele estava sofrendo. Ele e Tonks haviam cursado o mesmo ano em Hogwarts e até namoraram por algum tempo. Mas ele imediatamente evitou a presença dela, não querendo ter absolutamente nada a ver com ela.
"Com licença!", disse ele no tom mais áspero que conseguiu, o que, honestamente, mal era o suficiente para parecer uma picada. Toda a sua aura era gentil demais para qualquer malícia real.
Ou assim ela pensava.
"Carlinhos, sou eu!" Hermione disse rapidamente, levantando as mãos na frente dela, preocupada que ele pudesse estar em choque. Sua reação a uma simples mão no ombro pareceu que ele achasse que o toque dela era o fim do mundo. Ela pensou que o entendia, porque ela era bastante semelhante, a ele. Todo mundo sempre disse à Hermione que ela era imperturbavelmente gentil também.
"Eu sei, e é por isso que eu disse com licença", Carlinhos disse desafiadoramente.
Hermione deu outro passo para trás, tentando dar espaço a ele. "Me desculpe, eu só pensei que você estivesse chateado e poderia querer-"
"Óbvio que eu estou chateado. A única garota que eu já amei está morta."
O coração de Hermione virou gelo. "Tonks -"
Carlinhos virou-se para ela friamente, dando-lhe um olhar que absolutamente a deixou sem fôlego. Ela nunca imaginou que alguém tão legal pudesse lançar um olhar tão ameaçador. "Você não pode falar sobre ela."
Hermione deu mais um passo cambaleante para trás. "Eu?"
"Eu vi você com ele", Carlinhos rosnou. "A ordem inteira sabe de vocês dois. Beijando o líder da nova geração dos Comensais da Morte como se ele não fosse diretamente responsável por tudo isso. Ficando com ele na mesma noite em que mataram Tonks -" ele se interrompeu, como se lembrasse com quem ele estava falando - o inimigo.
"Carlinhos," Hermione tentou, "eu não sabia-"
"Vai se foder, Hermione Granger!" Carlinhos cuspiu passando por ela. "Vai se foder."
Hermione havia matado o resto de suas aulas no dia seguinte àquele encontro - e ela definitivamente notou que nenhuma garota em seu dormitório se preocupou em perguntar o que havia de errado quando a encontraram chorando no chuveiro. Era como se elas já soubessem e, assim como Carlinhos, pensassem que ela merecia a dor que agora estava sentindo.
Ela nunca foi popular, mas também nunca foi tão insultada.
Até a professora McGonagall aparentemente não sabia mais como tratá-la. De sua perspectiva, Hermione passou de uma aluna amada para uma possível agente dupla, para alguém que ela não podia mais olhar nos olhos já que ela não havia feito nada quando um Moody cruzou todos os limites ao interrogá-la.
Hermione pensou que provavelmente era melhor que sua antiga mentora a estivesse evitando - ela também não suportava olhar para o rosto dela. A traição doía demais.
Todo esse estresse deixou Hermione e Harry extremamente cautelosos perto de Rony. Ironicamente, quando ela sentiu que eles mais precisavam um do outro, os três pareciam estar se distanciando cada vez mais e Hermione não tinha ideia de como superar essa divisão. Harry passava a maior parte de seu tempo livre com Daphne em segredo, achando melhor não contar a Rony que Daphne havia abandonado o lado das trevas, para a proteção de todos. Hermione e Harry conheciam as dores um do outro e passaram a se apoiar ainda mais em tudo. Por outro lado, Rony pensou que Hermione estivesse apenas ("Apenas") se recuperando do fato de ter sido usada para matar dezoito Aurores e que Harry estava ocupado demais sofrendo por Daphne. Rony decidiu que estava dando a eles o espaço que ele achava que eles precisavam para se recuperarem.
Hermione estava preocupada de que ela iria entrar em combustão com o peso de todos os seus segredos. Havia um limite do que uma garota poderia aguentar.
—
Infelizmente, para Hermione, Malfoy não pareceu entender a mensagem de que ela tinha terminado com ele - mas de verdade desta vez. Ela queria dizer que foi um rompimento, mas o que poderia ser dito quando na única noite em que eles estiveram juntos, os amigos dele estiveram matando seus aliados? Ela sentiu que isso meio que anulou todo o arranjo. Mas pelo menoselenão matou ninguém... Ela teve que se chutar. Quando o conceito de morte se tornou tão irrelevante para ela?
Uma semana depois da tragédia, Hermione acordou com o som de um grito estridente em seu dormitório e prontamente abriu as cortinas, apenas para ver Malfoy parado ao pé da cama de sua colega de quarto, Parvati, olhando para ela confusa.
"Ops. Você não é a Granger."
"Que diabos, Malfoy? Como você subiu as escadas?" Parvati gritou.
"Há! Não me diga que os garotos da Grifinória também não descobriram como fazer isso?" Ele bufou, balançando a cabeça. A percepção lentamente atingiu Hermione - ela estava meio adormecida. Com a fala arrastada e os pés trôpegos, só havia uma explicação: ele estava bêbado.
"Como você conseguiu?!" Parvati parecia curiosa para saber o que ele estava insinuando, contra o seu melhor julgamento, mas Malfoy já havia se movido, procurando nas outras camas enquanto cada garota abria suas cortinas individuais, procurando a fonte de toda aquela confusão. Seus olhos mal focados finalmente pousaram nela.
"Mione!"Ele parecia tão feliz que era quase impossível não sorrir para ele. Ela se lembrou dele dizendo a ela que ele era um bêbado afetuoso, depois de ser atacado por Moody. Ela quase não acreditou nele na época, mas imaginou que ele não estava mentindo - pelo menos sobre isso. "Aí está você!"
"Hermione, que merda! Estamos tentando dormir!"
"Ele não tem permissão para subir aqui!"
"São duas da manhã—!"
"Tudo bem, tudo bem!" Hermione cortou todas elas, empurrando as cobertas e saindo da cama, determinada a levar Malfoy para baixo e arremessá-lo pelo retrato. "Eu peguei ele, eu peguei ele."
Infelizmente para ela, Malfoy tinha outros planos. Ele passou correndo por ela, se jogando em sua cama e se acomodando.
"Não, Malfoy, não!" Ela repreendeu, como se estivesse falando com um Golden retriever superexcitado, tentando puxar seu braço, mas Draco não se mexeu.
"Esta é a sua cama?" Ele perguntou, o rosto no travesseiro dela. "Eu gosto, tem seu cheiro."
"Malfoy-" ela tentou mais uma vez, com as mãos nos quadris, tendo desistido de tentar removê-lo fisicamente e tentando soar severa, apesar de sua determinação já minguante. Como ela deveria expulsá-lo quando ele parecia tão adorável?
"Aqui é tão confortável. Por que você nunca me convidou para vir aqui?" Ele rolou de costas e disparou seus olhos de cachorrinho. Bom Merlin... Ela sentiu o coração pular na garganta, certa de que estava encarando-o abertamente de volta, mas incapaz de fazer qualquer outra coisa. Tinham sido dias tão difíceis sem ele...
"Hermione!"
"Tudo bem, tudo bem!" Hermione gritou por cima do ombro para a Parvati, rastejando de volta para a cama e fechando as cortinas para poder lançar um feitiço silenciador.
O silêncio que se seguiu foi alto.
"Oi!" Draco disse simplesmente, olhando para ela com sorriso torto e corações quase jorrando de seus olhos. Ele não estava exagerando nem um pouco - ele era o bêbado mais idiota do mundo.
Hermione cruzou as pernas enquanto se sentava ao lado dele, não confiando em si mesma para deitar-se ao lado dele. Ele estava sorrindo para ela tão angelicalmente. "O que você está fazendo aqui, Malfoy?"
"Eu senti sua falta", ele respondeu simplesmente, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
"Malfoy," não desista, não desista, "você precisa-"
"Você sentiu a minha falta também?"
Ele era tão fofo que ela quase conseguia esquecer todos os detalhes difusos que os mantiveram separados. Quase. Ela olhou para o colo. "Sim. Mas isso não-"
Ele colocou um dedo apressado nos lábios dela, cutucando-a levemente com seus movimentos bêbados. "Shhh, shh, shh, shh. Eu não quero brigar esta noite." Ele inesperadamente agarrou seu cotovelo e puxou-a para ele, envolvendo-a imediatamente em seus braços pesados. "Eu só quero abraçar."
Em sua cabeça, ela secretamente esperava que seu travesseiro agora cheirasse como ele em vez dela, mesmo que apenas um pouco. "Malfoy-" ela tentou falar, embora seu rosto estivesse esmagado em seu peito. Seu peito sólido e maravilhoso. Ela estava derretendo um pouco, ela percebeu isso.
Ele aninhou sua boca contra o topo de sua cabeça, respirando-a profundamente, enquanto também girava uma perna ao redor dela, ancorando-se a ela completamente, como se fosse um coala. "Você se lembra daquela noite em que você se tornou minha namorada?" Ele perguntou, aparentemente perdido em memórias felizes e quase ausentes.
Hermione não pôde evitar - a mão que ela estava usando para empurrá-lo, agora veio por trás de suas costas, segurando-o. "Sim." Ela tentou forçar seu coração, que desajeitadamente decidiu fazer residência em sua garganta.
Ele estava caindo no sono, ela podia dizer. Ela não tinha certeza de quanto ele tinha bebido naquela noite, mas apostava suas inexistentes economias de vida que era muito. Draco provavelmente mal conseguiu chegar ao dormitório dela e quase desmaiou em uma escada.
"Foi a melhor noite da minha vida", ele murmurou.
Hermione sufocou um soluço, as palavras dele, aqueles sentimentos, isso, ameaçando engoli-la inteira. Ela recolheu as mãos para cobrir o rosto, não querendo que ele a visse chorar. Ele já tinha domínio suficiente sobre ela, sem vê-la tão indefesa - de novo.Depois que ela descobriu a verdade, ela já deveria ter superado isso, não é? Ela duvidava que seu período de luto fosse tão longo.Claro que ela sentiu falta dele. É claro que ele era tudo em que ela conseguia pensar dia após dia, e não o ter quando ele era tudo o que ela sempre quis, estava deixando-a louca.
Malfoy pareceu voltar à consciência, sentindo que algo estava errado. Ela sentiu seus lábios penetrantes beijando o topo de sua testa e as pontas de seus dedos. "Ei, ei... qual é o problema?" ele perguntou suavemente, genuinamente.
"Nada", ela respondeu, sentindo as mãos sobre os olhos tremerem tanto quanto a voz. "Vou superar você, vou superar você", ela cantou. "Eu só preciso de um pouco mais de tempo."
Ele facilmente puxou as mãos dela e salpicou beijos sobre suas sobrancelhas e cílios molhados. "Eu não quero que você me supere." Ele moveu os lábios pelo nariz dela, pairando sobre os dela. "Nunca."
A língua dele era desleixada e tinha gosto de Firewhiskey — mas era dela. Ele estava na cama dela, a beijando e, doce Merlin, isso era bom. Hermione sentiu o corpo dele relaxar alguns segundos depois, como se a liberação de contar a ela essa coisa grande e vulnerável, tivesse permitido que toda a tensão deixasse seu corpo, para que ele pudesse finalmente sucumbir ao sono.
Claro, ele sempre dormiria nu. Hermione revirou os olhos quando a cabeça dele ficou presa enquanto ele estava tirando o suéter, pensando sobre como ele estava replicando o dia em que ele a tinha visto se despir bêbada, mas sua alegria desapareceu de seu rosto quando ela viu seu peito nu. "Draco-" ela passou a mão freneticamente sobre o profundo hematoma roxo que se estendia desde sua clavícula até a cintura. Parecia horrível - como se em um ponto ou outro, todo o sangue de seu corpo tivesse se acumulado profundamente sob os músculos, e ainda não tivesse se dispersado de volta para onde pertencia originalmente. Ele sibilou ligeiramente com a pressão. "O que aconteceu?" ela sussurrou preocupada. "Você não tem uma pomada para isso?"
"Acabou" Draco resmungou. "Pansy contou ao Lorde das Trevas que eu perdi o ataque." Ele tirou as calças e puxou as cobertas sobre os dois. "Ele não gostou. Eu tive que admitir", ele disse, parecendo ter se distraído ou batido no rosto com alguma coisa (o que era impossível, porque ela podia ver claramente que não era esse o caso). "Ele pensou que eu precisava de uma lição para me lembrar onde a minha lealdade deveria estar."
Como diabos ele estava tão calmo sobre isso?Voldemort o atacou?Seu próprio mestre? Uma percepção atingiu Hermione como um trem de carga: ele perdeu a emboscada porminhacausa.Ótimo. Ela não só tinha que se preocupar com sua própria segurança por estar com ele, mas agora também com a dele? Ela estava chateada, tão chateada. Por que Draco se submetia a isso?"Funcionou?", ela perguntou.
Draco pareceu ter um momento de clareza enquanto olhava para ela, fazendo o mundo inteiro derreter ao redor deles. "Sim. Funcionou."
Quantos batimentos cardíacos perdidos são normais antes de você ter que se preocupar em ter um ritmo irregular? Ele a escolheu. Ele deveria estar no assassinato em massa do departamento de aurores, mas em vez disso ele ficou no castelo com ela. Ao invés de Voldemort. Não era isso que ela sempre quis e temia que nunca acontecesse? "Draco, eu-"
"Eu literalmente faria qualquer coisa por você. Você sabe disso, certo? Qualquer coisa." Isso era uma mentira. Ela estava bastante certa de que ele nunca a deixaria sozinha - mesmo que ela quisesse. "Shhh..." Draco balbuciou mesmo que ela não tivesse dito nada, puxando-a para perto enquanto ele bocejava. Sua embriaguez parecia ter voltado a atingi-lo com força total. "Hora de dormir."
Hermione não teve coragem de jogá-lo para fora de sua cama depois disso, mas notou que ele tinha ido embora quando ela acordou pela manhã. Em seu travesseiro ao lado dela, havia uma linda rosa vermelha de haste longa com todos os espinhos ainda presos. Ela sabia que não deveria, mas conjurou um pequeno vaso para guardá-la em sua mesa de cabeceira. Cheirava divino.
