Olá, pessoal. Enfim toda a verdade. Hoje também vou publicar mais um capítulo bônus, também focado completamente em Harry e Daphne. Acabei me empolgando quando escrevi, então acabei fazendo dois capítulos bônus sobre esse casal. Então divirtam-se e espero que gostem!
"Venha, coma!" Draco se dirigiu a Hermione provavelmente uma hora depois, quando eles se fartaram de explorar e fazer os corpos um do outro levitarem. Hermione sempre soube que Draco sabia o que estava fazendo com a língua, mas caramba, ela não sabia que ele poderia usá-la tão bem. Hermione observou enquanto as amarras em seus pulsos e o colar em seu pescoço desapareciam.
Ela quase tropeçou ao se levantar, tendo esquecido que ainda estava usando seus saltos altos. Ele olhou para ela com malícia de seu assento, depois de puxar o short, como se a desafiasse a tentar tirá-lo agora. Ela imaginou que não. Ela se sentou em frente a ele, ficando mais confortável por estar completamente nua, e cruzou as pernas, passando o calcanhar na panturrilha dele.
"Brincando-"
"-com a comida!" Ela emendou, mantendo seu contato visual desafiadoramente. Ele também não desviou o olhar. Eles não começariam de novo... nós não vamos. Já era o suficiente, tinha que ser o suficiente em algum momento. (Por que ele a fazia se sentir assim?)
"Skippy!" ele gritou. "Estamos prontos."
Com o canto do olho, ela viu o elfo doméstico reaparecer, servindo a cada um deles um café da manhã fresco. Honestamente, ela poderia se acostumar com isso. "Não acredito que você o chamou de Skippy."
"Ele mora em um barco. Funciona."
"Acho que você está pensando em Skipper."
Seus lábios se torceram em diversão quando ele cutucou o queixo em direção aos seus crepes. "Coma."
Ela não precisou ouvir duas vezes. De alguma forma, eles eram ainda melhores do que os servidos em Hogwarts. Ela o observou curiosamente enquanto ele comia, seus dedos envolvendo seus talheres da maneira certa, mostrando sua educação adequada e etiqueta de menino rico. Ela teve que se conter para não bufar. Ele era tão absurdo às vezes, mas ela foi dominada pelo desejo de saber tudo sobre ele. "Malfoy?"
Ele olhou para cima de seu prato com um olhar intrigado. "Hum?"
"Me conte algo sobre você que ninguém mais sabe."
Hermione observou enquanto ele pegava o guardanapo dobrado da mesa, passando-o recatadamente sobre a boca antes de colocá-lo no colo. Este era o mesmo cara que enfiou dois dedos na boca dela ontem, mas tudo bem. Tenha o melhor dos dois mundos, querida.
Ele pareceu ponderar sobre o pedido dela até que suas bochechas adquiriram um tom rosado e ela soube que vinha uma história que ela precisava ouvir. "Vá em frente", ela cutucou com seu pé na canela dele. Qualquer coisa que pudesse fazer Draco Malfoy corar tinha que ser bom.
"Uma vez eu estava tão bêbado que pensei que um desentupidor fosse a minha varinha. Não foi até que eu a girei um monte de vezes, tentando invocar alguma coisa, que percebi meu erro."
Hermione o encarou por alguns segundos, apenas piscando enquanto digeria a história antes de bater na mesa com ambas as mãos, absolutamente uivando de tanto rir. "Você - um desentupidor? Você está falando sério?!" Tornou-se difícil respirar com todas as lágrimas ofegantes e alegres escorrendo por suas bochechas.
Ele parecia envergonhado e feliz em partes iguais, contente com o riso dela, sorrindo apesar da posição abatida de seu rosto. "É rude rir quando alguém revela sua alma para você, sabia?"
Hermione simplesmente não conseguia imaginar ele, brandindo uma ferramenta destinada a desentupir cocô como se fosse a chave para sua magia. Era simplesmente demais. Ela enterrou o rosto nas mãos.
Draco riu. "Tudo bem, tudo bem, ria às minhas custas."
Ela finalmente recuperou o fôlego. "Eu não consigo acreditar que você seja realmente humano."
Draco arqueou uma sobrancelha. "Ainda acha que sou um monstro?"
Mais como um deus. Ela pegou seu crepe intocado tentando esconder seu sorriso. "Algo parecido."
Ele sabia que ela estava puxando seu saco, metaforicamente é claro, e espelhou suas ações. "E você?"
"Eu?" Hermione perguntou timidamente. Ele apenas olhou para ela até que ela quebrou. "Uh," ela demorou, olhando para a costa em busca de inspiração. Porra, o que diabos na minha vida é interessante? "Minha primeira explosão de magia acidental foi inflar minha mãe quando ela me irritou?"
Ele sorriu lambendo os lábios. "Sua mãe não conta como alguém que já sabia disso?"
Hermione bufou. "Ela não se lembra disso."
As sobrancelhas de Draco se contraíram. "Parece uma coisa bastante difícil de esquecer."
Hermione tomou outro grande gole de sua bebida, saboreando o sabor doce do suco de laranja espremido na hora que combinava tão bem com seu champanhe. "Bem, ela não se lembra de que eu existo, na verdade. Eu me apaguei das memórias dos meus pais."
Draco recostou-se na cadeira, relaxando os ombros largos, parecendo a realeza, enquanto a estudava. "O que você acabou de dizer?" ele enunciou cuidadosamente.
Hermione nunca falava sobre seus pais para ninguém. Na verdade, ela raramente pensava neles e era assim que era para os dois lados - Bem, no caso deles é apenas porque eu quis assim, na verdade. "Você entenderia se fosse uma nascida trouxa e melhor amiga de Harry Potter"
"Você apagou. As memórias deles." Draco disse lentamente, como se estivesse se certificando de que de jeito nenhum ele estava entendendo isso errado. Seus lábios tremeram com prazer mal reprimido. "Que fria, Granger."
Oh. Hermione sabia aonde ele queria chegar com isso. Ele estava pensando sobre como os Comensais da Morte novatos que ele treinava faziam a mesma coisa com os nascidos trouxas que eles costumavam torturar na escola. "Isso é diferente-"
"Ah, é?" Draco estava sorrindo agora, feliz por ela ter ligado os pontos sozinha. "Porque me parece o mesmo feitiço—"
"Eu não torturei os meus pais primeiro!"
"Não, não, claro. Você apenas os fez pensar que eles eram as únicas pessoas ainda vivas em toda a sua família."
Bem, foda-se, quando você coloca assim. "Eu- É..." Hermione lutou para se explicar. "Não, pare de sorrir como um maníaco, é só que-" Ela empurrou o cabelo para trás sobre a testa. "Olha, eles não queriam que eu voltasse para Hogwarts, de jeito nenhum. Eu não conseguia fazer eles entenderem, eles não aceitavam que eu era necessária aqui, na verdade eles tinham medo por mim. Então eu os obliviei porque eles queriam que eu renegasse a minha magia-" Draco não estava mais sorrindo. Na verdade, ele estava começando a parecer bastante solidário. "Eu decidi voltar para Hogwarts e mandá-los para a Austrália. Assim, eles não poderiam ser encontrados e torturados apenas por serem meus pais. Realmente, eu fiz um favor a eles. Porque agora eles não são." Hermione olhou para o prato e cortou agressivamente o crepe enrolado, enfiando-o na boca. "Além disso, assim não preciso ficar triste por eles tentarem me fazer desistir do mundo mágico, nem fazer eles passarem pelo desgosto de eu ter escolhido Harry ao invés deles. Porque eles simplesmente não sabem que eu existo. Um corte limpo." Uma ruptura limpa com todo o outro mundo que me criou.
Não. Hermione decididamente não sentiria pena de si mesma, não mais.
Ela esperava que Draco a provocasse, que apontasse que ela tinha sido hipócrita por fazer um grande alarde todas as vezes que ele roubou as memórias de seus colegas de classe, mas ele a surpreendeu ao se inclinar e pegar a mão dela, em vez disso, apertando-a por conta própria.
"Sinto muito", disse ele de uma forma que não deixava espaço para nada além de confiança.
"Obrigada", ela respondeu baixinho, muito grata por ele não estar dando uma palestra. Família era difícil. Falando nisso, ela queria saber mais sobre ele. Ela esperava que uma sondagem fosse aceitável. "Posso perguntar...?" ela começou cautelosamente. Ela não tinha certeza de como, mas apenas sentia que o que quer que tivesse acontecido com sua mãe no ano anterior, havia moldado sua vida e personalidade mais do que ele provavelmente imaginava. Mas ainda parecia muito íntimo para ser uma pergunta totalmente descarada.
"O quê?" ele cutucou, esfregando as costas da mão que ele nunca soltou. "Pergunte-me qualquer coisa."
Os olhos dela se fixaram nos dele. "O que aconteceu com sua mãe?"
Draco soltou um suspiro pesado, coçando a ponta do nariz enquanto pensava nas palavras certas. "Bem, ela morreu ano passado, eu te disse isso."
"Eu me lembro" Hermione acrescentou rapidamente, não querendo parecer terrivelmente insensível. Ela apertou a mão dele como ele acabara de fazer com ela. O momento parecia tão reminiscente do encontro deles no Três Vassouras quando eles falaram sobre a mãe dele pela primeira vez.
Ele abriu a palma da mão para ela. "Foi mais ou menos na época em que fui marcado, então minhas memórias são muito nebulosas sobre a maior parte disso, mas eu me lembro de ouvir uma explosão na Ala Norte, onde ficava o laboratório de poções da minha mãe." Hermione estava muito ocupada prendendo a respiração. Draco abaixou a outra mão para cobrir a dela, aparentemente precisando daquele apoio extra. "Eu sempre a ajudava, sabe? Dizíamos que eu seria um mestre de poções como ela era. Minha mãe sempre me explicava como misturar novas soluções e fazer descobertas. Ela adorava me contar sobre as suas criações, sempre muito promissoras " Draco sorriu com a memória, seus olhos desfocados enquanto ele claramente a revivia. "Meu pai sempre dizia que éramos duas ervilhas em uma vagem, trancados naquele laboratório sozinhos." Hermione deu a ele outro carinho através de sua mão, sabendo que algo grave estava vindo. "Mas houve um acidente. E ela morreu."
"Da explosão?" ela perguntou gentilmente.
Draco fungou sutilmente, virando o rosto para longe dela e fingindo olhar para a costa. "Ouvi meu pai dizer aos Aurores que chegaram ao local que devo ter trocado alguns de seus ingredientes por acidente, por isso ela misturou dois radioativos, basicamente fazendo uma bomba."
Hermione não pôde evitar, ela se engasgou. Puta merda. Ele... Draco tinha... acidentalmente matado sua mãe? Seu coração se partiu em um bilhão de pedaços, facilmente imaginando um Draco um pouco mais jovem, assustado e sozinho, espionando seu pai conversando com os assustadores aurores, que entraram em sua casa após uma tragédia. Ela praticamente podia ver seus lindos olhos de cinza enquanto ele se escondia atrás de uma parede, tentando ser corajoso, apenas para ser completamente destruído quando ouviu seu pai dizer que tudo tinha sido culpa dele. Como isso deve ter sido absolutamente devastador para um coração tão envenenado e frágil.
Hermione contornou a mesa e subiu no colo dele, querendo nada mais do que inundá-lo com seu amor. "Não foi sua culpa-"
"Na verdade, com certeza foi, mas eu sei que foi um erro" ele a corrigiu, inflexivelmente. Ela não ficou surpresa por ele ter uma posição tão clara sobre isso - obviamente isso o perseguiu desde o acidente.
"Espere... os aurores normalmente aparecem para investigar mortes?" ela questionou baixinho.
"Só quando eles suspeitam de assassinato, malditos abutres!" Ele murmurou, alcançando sua xícara de café e engolindo tudo de uma só vez.
Bem, isso definitivamente explica seu ódio profundamente enraizado pelos aurores, mesmo antes de eles estarem tentando matá-lo ativamente.
"Eles pensaram que foi meu pai. Eles viram um viúvo de luto e eles..." Seu braço apertou ao redor dela, mas a ação o pegou de surpresa, como se ele tivesse esquecido que ela ainda estava lá com ele. Ele fechou os olhos e respirou fundo, se firmando. "Desculpe."
"Não por isso." Hermione disse suavemente, beijando sua bochecha. "Isso tudo foi horrível." Hermione não queria dizer isso, mas ela sentiu como se o pai dele tivesse fodido tudo, jogando o filho debaixo do ônibus daquele jeito. Mesmo que ele precisasse explicar o que havia acontecido para se isentar da culpa, ele nunca, jamais deveria ter deixado seu filho ouvir isso.
Draco distraidamente pressionou seus lábios na testa dela, ainda tendo dificuldade em olhar para ela. "Bem. Agora você sabe."
Porra, isso é pesado. Hermione esfregou círculos calmantes no peito dele, sem saber de que outra forma poderia ajudá-lo agora. Ela quebrou o silêncio desagradável primeiro. "Então, você me deve uma explicação, eu acho."
Hermione se moveu ligeiramente para trás para poder ver o rosto dele, o dele, um pouco confuso. Draco finalmente se concentrou nela. "Como eu sei tanto sobre você?"
Ela tentou se preparar. "Cuspa logo."
Ele mordeu o lábio, a expressão mudando como se estivesse... nervoso? "Agora, não fique brava."
"Ok!" Hermione disse inquieta. Como se ela pudesse ficar frustrada com ele, sabendo o que ela sabia sobre sua história agora.
Ele respirou profundamente e disse "Eu sou um Legilimens."
Hermione piscou para ele rapidamente "Você o quê?"
Draco estremeceu, tomando outro grande fôlego. A mão que não apoiava suas costas estava subindo pela parte externa de sua coxa, desenhando pequenos padrões - para acalmá-la, ela ainda não tinha certeza. Ele abriu e fechou a boca mais uma vez antes de admitir "Eu posso ler mentes."
Não tem jeito. Simplesmente não pode haver nenhum... isso significaria... "Draco—"
"Eu sinto muito, princesa."
Hermione não tinha certeza de como seu rosto havia se transformado, mas podia sentir a mudança até os ouvidos. Ela balançou a cabeça em descrença. "Não, não, bruxos muito habilidosos não conseguem fazer isso. Você tem 17 anos, seria loucura..."
Draco foi rápido em contradizê-la, como se quisesse arrancar o curativo completamente, o mais rápido possível. "Era muito popular em 1600, especialmente em um lugar chamado Salem nos Estados Unidos. Quando os trouxas começaram a matar pessoas em massa, eles pararam de praticá-la, até que o conhecimento lentamente se extinguiu. Ninguém conseguia se lembrar de como fazê-la. A não ser que você nasça com esse dom. Como minha mãe nasceu." Que tipo de história estúpida é essa, Hermione disse para si mesma. Não. NÃO. "Ela mesma me ensinou. O Lorde das Trevas também sabe como. Ele está trazendo de volta." Seus lindos olhos ainda estavam olhando diretamente para sua alma, e pela primeira vez em muito tempo, isso a aterrorizou. "
"Você foi capaz de ler meus pensamentos... esse tempo todo?" ela guinchou, retirando as mãos, procurando uma maneira graciosa de sair de cima dele.
"Princesa-"
"Foi assim que você soube que eu trabalhava para a Ordem!" Ela se levantou, precisando colocar alguma distância entre eles. Ela instantaneamente rosnou enquanto cambaleava em seus estúpidos sapatos. Não tendo mais nenhum desejo de parecer magra e sexy, ela os arrancou de seus pés.
"Sim, mas-"
"Oh, meu Merlin!" Hermione chorou, segurando suas têmporas com as duas mãos, quase furando o olho com o calcanhar no processo "você viu tudo?" Seus olhos estavam grudados em um ponto no convés, tentando pensar em cada pensamento embaraçoso, cada desejo secreto, cada capricho e fantasia que ela já teve dele, de coisas que ela queria fazer com ele, antes mesmo que ela tivesse admitido que gostava dele para si mesma. "Puta merda... é assim... era por isso..." ela olhou para ele, afastando-se lentamente "- era por isso que você era tão persistente e confiante. Você sabia. Você sabia que eu gostava de você." Hermione sentiu como se sua boca tivesse ficado completamente seca.
"Hermione-"
Ela ergueu um salto, silenciando-o enquanto se abaixava e se cobria com o cobertor macio antes de pegar sua taça - foda-se - e a garrafa de champanhe, levando-a aos lábios. "Merda", ela declarou derrotada enquanto o líquido borbulhante queimava sua garganta. Ele provavelmente me viu o despindo em minha cabeça todas as aulas, ele provavelmente me ouviu dizer a Harry que ele foi a melhor transa que eu já tive... ele sabia que eu nunca tinha gozado com um cara antes e sabia como eu tentei muito. Foi assim que ele soube do que ela gostava, como tudo o que ele já fez foi feito sob medida para excitá-la, para enganá-la... Espere. Ela olhou de volta para ele. Ele gostava desse tipo de coisa, certo? Não foi tudo apenas para benefício dela, não é? Hermione chutou para longe seus pequenos pensamentos incômodos. Sim. Claro que ele tinha gostado. Ninguém poderia fingir esse tipo de excitação.
"Hermione, por favor- " ele implorou em pânico.
"Pelo amor de Merlin, Malfoy, isso é muito embaraçoso! Você sabe quantos devaneios imundos eu já tive com você?" Porra. Foda-se!
Hermione não tinha a intenção de acalmá-lo, pelo menos não conscientemente, mas viu uma centelha de esperança cruzar os olhos dele do mesmo jeito. "Na verdade, sim."
Tudo estava começando a fazer sentido agora: sua arrogância, sua onisciência. Como diabos eu não montei esse quebra-cabeça antes?! Ela supôs que não deveria ser muito dura consigo mesma - não era como se ela pudesse suspeitar que ele tinha um poder que ela nem sabia que alguém tão jovem era capaz de dominar.
Ah, sim... Foi assim que ele soube sobre a missão de espioná-lo desde que ela se sentou para o café da manhã naquela manhã depois que Dumbledore lhe deu a missão. Ela estava refletindo sobre como ela iria descobrir seus segredos, quando ele a pegou olhando e... sorriu. Puta merda, esteve bem na minha frente esse tempo todo...
Hermione começou a andar, arrastando o cobertor com ela, sua mente absolutamente disparada. "Como é que funciona?" ela exigiu. "Como você consegue ler a mente de alguém? São todas as mentes? Uma de cada vez? Existe um requisito de proximidade?"
Ele deixou cair a mão para alcançá-la. "Contato visual. Só consigo ler um de cada vez e preciso de contato visual."
Hermione deu um tapa na testa. Oh, meu maldito Merlin. "É por isso que você está sempre olhando obsessivamente para mim!"
Parecia que ele queria discutir a declaração, mas pensou melhor no último minuto e apenas assentiu.
"Quando você começou?"
Draco arrastou os pés um pouco. "5º ano."
O queixo de Hermione se projetou para frente incrédulo. "Por dois malditos anos?!"
"Amor" ele tentou acalmá-la gentilmente, "não fique envergonhada. Eu nunca vi um pensamento que eu não gostasse." Ele inclinou a cabeça contemplativamente. "Bem, exceto quando você começou a namorar um dos idiotas dos gêmeos Weasley, aqueles foram alguns dias sombrios." Ele sorriu. "Mas ele caiu no seu conceito tão rápido depois que você realmente começou a transar com ele, que logo eu voltei a gostar de estar na sua cabeça."
Hermione fechou os olhos com força, tomando outro gole da garrafa. "Porra!" ela repetiu como se fosse seu próprio mantra.
Ela nem queria olhar para ele agora. Ele definitivamente a levou no limite. "Você não vai fugir de novo. Lembra?" Ele realmente parecia bastante assustado.
Hermione bufou, virando-se para poder encostar-se no corrimão sobre a água, enrolando o cobertor com mais força em volta do tronco, precisando de conforto. "Eu sei. Eu tentei fugir, não funcionou."
"Oh, Merlin, obrigado", ele murmurou baixinho. Ela podia sentir a tensão saindo de seus ombros quando ele soltou um profundo suspiro de alívio atrás dela. Depois de uma longa pausa, ele deu um passo incerto para frente. Bom. Ela queria que ele também estivesse no limite agora, depois de toda a espionagem que ele tinha feito sobre ela por dois anos. "Olha. Se valer de alguma coisa, eu sinto muito." Ele estava atrás dela, mas sabia que não deveria tentar tocá-la ainda. Ela tomou outro grande gole de espumante. "Eu tenho tentado olhar menos em sua mente, mas eu admito, é muito difícil não fazer isso. Você é como heroína para mim, amor."
Hermione bufou. Não pense que isso é fofo, não pense que isso é fofo. Ele se lembrou de algo que ela pensou sobre ele e reciclou de volta para ela. Ela não podia acreditar que todo esse tempo, ele esteve lá, dentro de sua cabeça, estudando, aprendendo... conhecendo-a provavelmente melhor do que ela mesma. Porque, afinal, ele provavelmente analisou tudo o que ela fez, encontrando padrões e dissonâncias cognitivas de maneiras que ela não encontrou. Talvez de propósito.
"Só que melhor," ele continuou cortejando-a. "Eu classificaria você mais como a Poção Entorpecente de Cérebro de Bertie Boot." Suas mãos apareceram no corrimão de cada lado dela enquanto ele se inclinava em suas costas. "Altamente viciante. Deliciosa. Faz você se sentir bem por horas." Ele estava realmente sussurrando coisas doces em seu ouvido agora? Sim. Sim, ele está." Além disso, não sei se você sabe..." Ela percebeu que ele estava prestes a tentar bajulá-la um pouco mais. "Mas você é meio difícil de se ler às vezes. Você sabe. Com toda essa negação e mentiras."
Hermione se virou, posicionada entre o corpo dele e o corrimão. Ele sorriu quando viu o rosto dela, então ela adivinhou que poderia não parecer tão brava. Ela apontou um dedo zangado para ele. "Você pode controlar, certo?" Ele acenou com a cabeça, o cabelo caindo muito sensualmente em sua testa. Ela odiava que ele provavelmente soubesse o quão sexy ele parecia porque ela estava pensando nisso. "Acabou." Seus lábios se apertaram quando ele se inclinou, pretendendo beijá-la, então ela se inclinou para trás na mesma medida. "Estou falando sério. Você tem que prometer."
Draco roubou a garrafa de champanhe da mão dela e tomou um grande gole. "Eu prometo tentar."
"Draco-" ela protestou.
"É o melhor que posso fazer, princesa. É o melhor que posso fazer." Seus dedos trilharam ao longo de sua bochecha logo antes de beijá-la, seus lábios macios e ternos, parecendo uma promessa. Ela aceitaria. Ela aceitaria qualquer coisa que ele estivesse dando de qualquer maneira, o último caso perdido para ele que ela era. Hermione não tinha certeza se era o beijo ou a meia garrafa de champanhe correndo em suas veias, mas ela estava começando a se sentir um pouco tonta. Ele se afastou um pouco. "Estou perdoado?"
Ele estava realmente pressionando, e a inclinação torta de sua boca disse a Hermione que ele sabia disso também. "Não sei, ainda estou na dúvida."
"Eu posso dar uma espiada para descobrir a resposta..." Ele se inclinou para trás, salpicando-a com beijos.
"Não!" Por que ela estava rindo? Por que a repreensão solene que ela estava tentando dar parecia uma piada? "Não, absolutamente não! Casais saudáveis não fazem isso..."
"Oh. Então nós somos um casal saudável agora, não é?"
Ela levantou uma sobrancelha e recuperou a bebida com força. "Não, Malfoy, pare de agir de forma fofa. Isso é uma violação muito séria."
Draco lambeu os lábios observando a forma como os dela se enrolavam na borda da garrafa. "Adoro quando você fica toda irritada."
Hermione revirou os olhos, jogando o champanhe vazio por cima do ombro enquanto se virava para olhar para qualquer lugar, menos para ele. A falta de um grito resultante (e sim um baque bastante alto em vez disso) disse a ela que ela não havia batido nele. "Eu não deveria estar encorajando esse tipo comportamento", ela murmurou.
Ele passou os braços ao redor de seu estômago, aconchegando o rosto na curva de seu pescoço. "Mas você me ama."
É verdade, seu maldito namorado idiota. "É difícil?"
Ele congelou, sua mão parando em sua missão de encontrar um caminho sob o cobertor dela. "O que você quer dizer?"
"Ser um ligilimens - é difícil?"
Ele riu baixinho, fazendo cócegas na pele de Hermione. "Sim."
"Então, como você pode fazer isso?"
Ela não quis dizer isso como um insulto, mas ela certamente podia ver como ele interpretou isso como um. "Eu não sei se você notou, Granger, mas eu sou bastante talentoso."
Esse cara. Ela deveria honestamente jogá-lo para fora do barco e acabar com ele. " E é indetectável? "
Draco sorriu. "Por quê? Você está interessada?"
Sim."Responda à pergunta, Malfoy."
"A legilimência só machuca se você for fundo. Pensamentos no nível da superfície podem ser detectados sem dor."
Ela odiava provar que ele estava certo tão cedo, mas odiava ser deixada no escuro ainda mais. " Você pode me ensinar?"
Draco plantou um beijo gentil no lado de sua garganta, seus dedos finalmente encontrando seu caminho para suas costelas nuas e cavando. "Para você pode ler minha mente? Duvido," ele sussurrou. "E não tenha ideias também, amor, porque mamãe também me ensinou oclumência."
Ela nem havia pensado em aprender a habilidade pelas costas dele para usá-la contra ele no futuro, mas supôs que provavelmente teria elaborado o plano eventualmente. Hermione não estava surpresa que Draco soubesse como evitar que as pessoas vissem sua mente. A única outra pessoa viva que ele mencionou que poderia realizar Legilimência era Voldemort - então ela supôs que era ele quem Draco estava tentando manter fora. "Hipócrita", ela resmungou.
"Seria muito embaraçoso para mim você ver que tudo que eu sempre penso é você."
Porra. Foda-se, foda-se, foda-se. Hermione se virou, o corrimão cavando em suas costas mais uma vez, enquanto ela olhava para ele, não acreditando em seu sorriso inocente nem por um segundo. "Sério? Você vai tentar me fazer engolir essa?"
Draco se inclinou em seus lábios, fazendo suas pálpebras vibrarem. "Amor... eu vou te fazer engolir o que eu quiser."
Hermione lutou contra sua própria contorção. "Vou usar óculos escuros dentro do castelo de agora em diante."
"Todo mundo vai pensar que você está de ressaca."
"Slughorn vai se identificar."
"Bem, nesse caso, que plano perfeito." Ele sorriu, encostando seu nariz no dela. "Alguma outra piada que você queira fazer? Ou você quer me dizer o quanto você ama meus lábios macios e como você quer lavar roupa no meu abdômen?"
Hermione podia sentir suas bochechas corarem vermelho-sangue em mortificação enquanto ele recitava suas reflexões passadas de volta para ela. Ela o empurrou para longe. "Eu quero acabar com você."
Ele jogou a cabeça para trás, rindo aquela risada profunda e contagiante que ela tanto adorava. "Faça com amor, princesa. Faça com amor."
Hermione bufou enquanto empurrava o corrimão, pronta para entrar e encontrar suas roupas. Eles tinham que deixar o barco e voltar para a escola em algum momento. Mas parecia que Draco tinha outros planos, agarrando o pulso dela quando ela passou por ele. "Espere, há mais uma coisa que eu tenho que te dizer."
Bem, merda, e agora?
"Você não vai gostar."
Ela balançou o rosto para trás para poder olhá-lo com ceticismo. "Certo. Porque eu realmente amei tudo o que você acabou de me dizer."
"É sobre Dumbledore" Draco explicou.
O quê?
O estômago de Hermione revirou inquieto, completamente confuso com o que Draco tinha acabado de dizer. Dumbledore? O que ele tem a ver com alguma coisa? "O quê? O que tem ele?" Hermione pensou nas possibilidades de coisas que ele poderia ter feito e que ela não gostaria, mas tudo o que ela imaginou foi a falha dele em intervir no interrogatório brutal de Moody sobre ela ou a sua atitude arrogante em relação à missão de Rony com os dragões, que tinha quase terminado em tragédia. Claro, ela sabia que não confiava mais em seu diretor mil por cento como antes, mas também sabia que ele era um homem de honra e princípios, determinado a restaurar a paz e a justiça no mundo mágico. Ela sabia que mesmo que seus métodos fossem às vezes extremos, ele era muito justo.
Draco puxou ambas as mãos dela para ele e entrelaçou seus dedos juntos, balançando para frente e para trás desde os calcanhares até as pontas dos pés, claramente agitado. Isso só aumentou o buraco no estômago de Hermione. "Uh..." ele tentou.
"O quê?"
Draco olhou nos olhos dela, fortalecendo sua determinação. "É sobre o porquê de ele ter designado você para a sua missão. Designado você para mim."
As sobrancelhas de Hermione dançaram, desajeitadamente exalando um bufo raso. Claro, Draco já sabia que Hermione só havia começado o relacionamento deles para descobrir todos os segredos dele, mas ela duvidava que falar sobre isso fosse mais fácil agora. Era estranho; a coisa toda a fazia sentir que nunca pareceria tão devotada a ele quanto ele era a ela, mesmo que ela sentisse que agora eles estavam na mesma página. Ela tinha vergonha de seu comportamento anterior com ele. "Bom, eu já sei porque, Draco" ela respondeu duramente. "Ele queria que eu usasse você para reunir informações sobre Voldem—"
"Essa não foi a verdadeira razão" ele a cortou.
"O quê?" Hermione perguntou incrédula. "Então qual poderia ser?" Era ela, ou o rosto de Draco havia adquirido uma tonalidade anormalmente pálida? "Diga-me. Draco, apenas me diga-"
"Há uma profecia." Hermione podia ouvir seu batimento cardíaco batendo alto em seus ouvidos. Huh? "Dumbledore estava pensando nisso quando me chamou em seu escritório no início do ano letivo para repassar meus deveres como monitor-chefe. Tenho certeza de que a única razão pela qual ele me escolheu para o cargo em primeiro lugar foi para passar tempo com você-"
"Não." Hermione o interrompeu, balançando a cabeça. "Isso não faz o menor sentido. Ele teria me contado se fosse esse o caso... Tenho certeza de que você conseguiu o cargo porque é brilhante..."
Draco deu a ela um sorriso malicioso, mas beirava a pena. "Eu aprecio isso, princesa, mas nós dois sabemos que meus ideais não se alinham exatamente com os dele. Eu e Daphne ficamos nos perguntando qual era a motivação dele durante o verão, quando ele me enviou o distintivo. E então recebi minha resposta quando ele disse que eu faria parceria com você. Eu vi tudo na cabeça dele."
"Ok" Hermione disse, encolhendo os ombros, todas as suas sinapses disparando nervosamente, tentando conectar os pontos, "isso faz sentido. Quer dizer, ele sabia que iria me designar para você, então ele estava facilitando o meu trabalho, certo? Ao fazer de você monitor-chefe, ele estava me dando mais oportunidades de conversar com-"
"Não, querida", ele disse tristemente enquanto seus polegares traçavam suavemente os nós dos dedos dela. "Sua missão nunca foi arrancar informações de mim. Seu trabalho era se apaixonar por mim."
Hermione soltou uma risadinha histérica, balançando a cabeça. "Não." Ela continuou olhando-o bem nos olhos, esperando que ele dissesse que estava brincando. "Não, espere - isso não faz o menor sentido. Como assim-?" Ela parou, olhando para a água, observando um pelicano mergulhar direto, quebrando as ondas. Ele ressurgiu alguns segundos depois com um peixe batendo as nadadeiras entre o bico. "Por quê?"
"Eu não queria ser o escolhido para dizer isso a você, mas... ele ouviu uma profecia de que apenas o filho de um bruxo nascido na lua cheia e uma bruxa nascida no verão, de lados distintos e cores opostas- eu não sei, não me lembro de detalhes, foi tudo bastante floreado e poético - traria o fim a uma era do mal. Ele achou que isso significava nós dois. A profecia era sobre nós, Hermione. Dumbledore suspeitava que eu já estava obcecado por você, completamente apaixonado, e ele imaginou que forçaria o resto." Hermione assistiu seu pomo de adão balançar para cima e para baixo, a cicatriz que ela cortou nele antes de sua primeira vez ainda levemente rosa. "Forçaria você."
Hermione sentiu como se estivesse se engasgando com o ar, incapaz de levar oxigênio ao cérebro enquanto girava completamente em pânico. Que porra é essa? Ela afastou as mãos dele para poder arrancá-las pelo cabelo, as palavras dele queimando em sua mente. Profecia. Filho. Sua missão. Filho. Forçar você. Filho. Dumbledore queria que ela engravidasse e tivesse o filho de Draco? "Que porra é essa?!" Hermione murmurou, girando e segurando a grade de metal do iate com força, sentindo-se mal do estômago. Ela tinha certeza de que ia vomitar.
Ela estava vomitando.
Draco correu para o lado dela em um instante, prendendo o cabelo dela em um rabo de cavalo improvisado atrás do pescoço. "Está tudo bem, você está bem", ele cantou. "Coloque tudo para fora."
"Você..." A garganta de Hermione queimou enquanto as lágrimas se acumulavam em seus olhos. "Você não está tentando..." Ela não pode deixar de se lembrar de cada momento terrível em que ela foi tão estupidamente descuidada com a contracepção deles, confiando nas poções do dia seguinte em vez de levar a segurança de seu corpo mais a sério. O que ela estava pensando? Hermione tem certeza de que seu estômago deve ter sido completamente evacuado, porque senão ela definitivamente teria continuado a esvaziá-lo quando se lembrou de todas as maneiras incompletas que Dumbledore tentou fazer com que ela dormisse com Draco: designando-a para espioná-lo, encorajando-a a namorar, ficando estranhamente feliz quando ela dormiu com ele e desistiu prontamente de sua missão, como ele interrompeu McGonagall quando ela estava tentando me lembrar de fazer sexo seguro... Hermione teve um estremecimento de corpo inteiro, tentando vomitar o conteúdo que não estava mais lá. Ele me jogou para os lobos.
Draco passou um braço em volta do ombro dela, abraçando-a ao seu lado. "Estou tentando o quê, Hermione?" ele perguntou genuinamente.
Hermione fez uma careta enquanto cuspia os restos de bile de sua boca. "Está tentando-" Ela não conseguia nem dizer isso.
"Te deixar grávida?" Draco gritou, chocado. "Não! Hermione, eu nunca faria isso com você. Eu nunca iria prendê-la em um-" Ele se interrompeu e beliscou a ponta do nariz, parecendo apenas um pouco chocado com o que Hermione sentia, mas chateado mesmo assim. "Não. Eu juro que não estou tentando te engravidar," ele disse mais calmamente. "Eu sempre quis que você me amasse tanto quanto eu amo você. Só isso. Dumbledore era quem queria que você me desse um herdeiro, não eu. Bem, ainda não."
Ela acreditava nele, ela realmente acreditava nele, o que significava... Dumbledore me traiu. Dumbledore mentiu na cara dela, deu a ela uma missão falsa e observou enquanto ela trabalhava para entregar a ele a real missão - mesmo que isso significasse que ela tivesse sido praticamente reduzida a uma égua reprodutora. Uma lágrima desceu por sua bochecha, pingando no oceano abaixo silenciosamente. Ela pensou em quão burra, cega e crédula ela tinha sido no começo do ano, quando ela esperava que Dumbledore a tivesse convidado para entrar na Ordem porque ela era 'excepcionalmente talentosa'. Eu sou uma idiota.
Ela se sentiu invadida, completamente violada, por ter sido usada como um peão tolo por um rei doente. Quem diabos ele pensa que é? Ela sabia que seu diretor era um herói vivo aos olhos do mundo, mas ninguém, ninguém, podia ditar o que acontecia com seu corpo assim, além dela. Ninguém deveria ser capaz de forçá-la a ter um bebê ou tentar enganá-la para que engravidasse - mesmo que o bebê acabasse sendo um messias filho da puta. Dumbledore sabia que ela nunca daria uma chance a Draco, e então ele os juntou de qualquer maneira. Não estava certo.
"Venha cá" Draco sussurrou, virando-a para ele e envolvendo-a em um abraço. "Sinto muito. Sinto muito, princesa. Eu não queria te magoar, mas eu sabia que você tinha que descobrir a verdade, eventualmente."
Sua mente estava entorpecida. Como isso aconteceu? O que estava acontecendo? Tudo o que ela sabia era que havia dois lados nessa guerra. Um lado vendeu seu corpo e alma para o outro e nem se incomodou em fazer a cortesia de contar a ela sobre isso. O outro lado estava segurando-a contra seu peito e acariciando seus cabelos carinhosamente, dando doces, doces beijos em sua testa, murmurando o quanto ele estava arrependido.
Nada disso fazia mais sentido.
"Você disse a ele?" Hermione resmungou.
Draco recuou um pouco, olhando para ela confuso. "Disse a quem?"
"Voldemort. Você contou a Voldemort sobre a profecia?" O medo agarrou ferozmente sua garganta, ameaçando fechar sua traqueia.
"Não." Ele balançou a cabeça para ela. "Por que eu faria isso? Não sou estúpido; sabia que ele tentaria fazer o que fez com Potter e iria matar nosso filho se soubesse. Provavelmente tentaria matar você e eu também apenas para fazer um trabalho limpo", acrescentou. Como se suas próprias tentativas violentas de assassinato fossem apenas uma reflexão tardia.
Nosso filho. Nosso filho. O coração de Hermione se apertou com a frase. De repente, ela foi levada de volta ao primeiro encontro deles, segurando as suas mãos sobre uma mesa de carvalho, conversando com Draco sobre as suas aspirações de ser pai. Parecia uma vida atrás. Ela tinha sido tão inocente na época, tão ingênua, ainda não exposta em toda a extensão de sua deturpação e perversão... ou dela própria. Eles falavam tão amorosamente sobre se tornarem pais um dia, hipoteticamente (ou ela supunha que pelo menos tinha sido, ele já sabia) - mas ouvir isso assim? Como havia sido profetizado que eles teriam um bebê - juntos? O que diabos ela deveria fazer com esta informação?
"Eu pensei que você tivesse dito que não estava tentando ter um bebê..."
"Agora não, Hermione. Ainda não." Ele se abaixou, tentando chegar ao nível dos olhos dela para mostrar sua sinceridade. "Quando estivermos prontos. Quando você quiser ter um."
Puta merda, isso era muito para lidar.
Os olhos dele se moveram preocupados entre os dela. "Eu disse a você que nunca te machucaria e eu quis mesmo dizer isso. Mas além disso, eu também quis dizer que nunca deixaria ninguém te machucar. Você sabe disso, certo? Você está segura comigo."
Hermione empurrou levemente as mãos dele para longe dela, mantendo-as levantadas em ambos os lados do rosto, enquanto as dela tremiam. "Eu só-" ela respirou fundo, "- eu só preciso de um minuto." Ele deu a ela algum espaço, recuando, enquanto seus pensamentos corriam soltos. Espere um segundo. Os olhos dela se fixaram nos dele. "Se essa profecia existe, Voldemort descobrirá eventualmente, nunca estaremos seguros—"
"Não. Eu não vou permitir que isso aconteça."
"Você não pode-"
"Hermione," ele a cortou gravemente. "Eu não vou permitir." Como ele era tão incrivelmente confiante? "Eu sempre fui leal a você, princesa. Mesmo antes de me comprometer com o Lorde das Trevas, eu era leal a você."
Oh porra, porra, porra, as malditas bolas protuberantes de Merlin. Isso não era exatamente o que ela estava insinuando na noite anterior durante o jantar? Ela estava pedindo a ele para escolher entre ela e Voldemort, praticamente gritando com ele 'Me escolha, me escolha, me escolha', e agora ele estava dizendo a ela que sim. Draco via o futuro deles juntos como mais importante do que o reinado de Voldemort e se fosse necessário, se ele fosse forçado a escolher um lado, ele ficaria com ela. Tudo parecia bom demais para ser verdade. "Então é isso? Você simplesmente não acredita mais nele?"
Draco soltou um bufo sem humor. "Eu ainda acredito no que ele prega, Hermione. Eu ainda quero viver num mundo onde possamos ser verdadeiramente livres, sem termos que esconder nossa magia, sem termos que olhar por cima dos ombros constantemente, vivendo sob leis que se destinam a privilegiá-los e nos sufocar. Entretanto, eu sempre disse a você que faria algumas coisas diferente dele." Sua piscadela sarcástica e inclinação de cabeça diziam a ela que ele se referia aos nascidos-trouxas, se referia a ela.
'Eu nunca matei outro bruxo antes.' Suas antigas palavras soaram em seus ouvidos. Ele estava sutilmente tentando insinuar suas lealdades o tempo todo? Hermione realmente perdeu todas as pistas? 'Não estou louco, princesa. Só vejo que os ventos do nosso mundo estão mudando e sei onde é o melhor lugar para pousar...' Quando ele disse isso, Hermione pensou que ele estava se aliando egoisticamente a um mal que iria acabar com o mundo; mas, mesmo assim, ele quis dizer que estava mantendo seus entes queridos por perto, mas seus inimigos mais próximos? (E se houvesse uma frase que ressoasse sobre Hermione- seria essa.) 'Estou fazendo isso por nós. Eu decido de quem vamos atrás. E nós nunca iremos atrás de você,' ele disse a ela. Ele realmente quis dizer isso, mesmo naquela época? Ele sempre esteve pensando nela?
Draco continuou: "E sim, não é tão difícil manter sua lealdade secreta se seu Senhor está determinado a tentar matar sua família. Eu sempre planejei derrubá-lo um dia, mas acho que vou ter que esperar pela nossa criança para fazer isso" ele admitiu calmamente. Pelo menos, ele pareceria calmo para um observador comum, mas Hermione reconhecia aquele olhar em seus olhos agora. "O Lorde das Trevas sempre foi um trampolim. Foi difícil iniciar, mas segui-lo me deu vantagens. Ele me mostrou como tudo funciona. Eu faço a maior parte do recrutamento de qualquer maneira, então muitos dos Comensais da Morte mais jovens já são mais leais a mim do que a ele. É apenas uma questão de tempo até que o cara comece a me ver como uma ameaça, então tenho tentado ficar quieto e não provocar nenhuma movimentação."
Então ali estava: seu plano mestre. Aguardar até que seu próprio sangue pudesse assumir o controle e, presumivelmente, governar da maneira que eles queriam.
"Daphne e Blaise sabem?"
Draco deu um passo mais perto e prendeu uma mecha do cabelo dela atrás da orelha, aparentemente se perdendo em seus olhos por um instante. "Apenas Daphne. Eu só contei a ela. Ela ama Potter, então não seria justo esconder que existe uma maneira dele sobreviver a tudo isso. Além disso, ela não se tornou uma Comensal de propósito porque ela não seria capaz de esconder isso do Lorde das Trevas. Eu confio apenas nas minhas habilidades; e sei que ele não vai ver isso na minha mente."
Isso é mesmo real? Poderia realmente tudo acontecer assim? Sua aura era inebriante. "Então você está dizendo... que você e Daphne estão juntos nisso… que Harry pode não precisar enfrentar Voldemort… e que se algum dia tivermos um filho... ele pode acabar com tudo isso?" Hermione estava igualmente apavorada e emocionada esperando por sua resposta.
Ele sorriu, segurando seu queixo. "Hermione... eu nunca vou deixar nada de ruim acontecer com as pessoas que eu amo."
Como Hermione passou de alguém tão desesperadamente carente de amor, insegura de que o merecia, para se sentir a garota mais amada do mundo? O que Draco estava dando a ela agora, essa segurança que ele estava concedendo a ela com tanta facilidade, era tudo o que ela secretamente desejava. Fidelidade incondicional e confiável. Significava tudo. "Nosso filho aparentemente será mais poderoso do que o Lorde das Trevas. Dumbledore acha que vai usar essa nova profecia como uma arma secreta já que praticamente ninguém sabe sobre ela. Ele acha que pode nos usar para derrubar o Lorde das Trevas se Potter falhar, tolo superconfiante que ele é, mas eu nunca o deixaria usar nosso filho como ele usa Porter. Nosso filho não crescerá para ser uma arma secreta em uma guerra, Hermione. O conceito é bárbaro. Nós o criaremos. Ele estará seguro, ele será amado. Ele terá livre arbítrio. Eu também não vou permitir que o cara que a minha melhor amiga escolheu tenha sido criado como um porco para o abate. Nós vamos salvar Potter também."
Hermione se emocionou. Merlin, Harry viveria. Ele teria a chance de viver a sua própria vida sem nenhuma manipulação, com a garota que ele amava e até construir uma família.
Além de seu melhor amigo, ela também sentia o coração apertado pelo futuro filho, mesmo ainda não sendo mãe, precisando protegê-lo do mal. Protegê-lo dos velhos que desejam se aproveitar do seu potencial e usá-lo como soldado como haviam feito com Harry a vida inteira.
Aquele brilho perigoso nos olhos de Draco continuou a arder. Hermione se perguntou se isso havia se espalhado por ela também e estava sendo refletido de volta para ele. "Então, se chegar a hora, e nosso filho assim desejar, nós o ajudaremos a reivindicar o seu trono de direito. Até lá, acho que permanecer no círculo interno do Lorde das Trevas e manter o relacionamento de Daphne e Potter fora do conhecimento de todos ainda é o curso de ação mais benéfico, você não concorda?"
Hermione engoliu em seco. Quem é que sabe?
