Hermione atravessou a Mulher Gorda até a Sala Comunal, seu cérebro parecendo ter passado por um moedor de carne. Pior do que isso, ela nem se sentia confortável em sua própria pele, enojada com a forma como Dumbledore queria usar seu corpo para fazer crescer para ele um maldito matador de bruxos. Era abominável.

Logo após a bomba de Draco, de que praticamente tudo que ela pensava que sabia era mentira, ela insistiu que ele a trouxesse de volta para o castelo. Ele concordou relutantemente, depois que ela garantiu que ficaria bem - que eles estavam bem - e que ela só tinha cerca de um milhão de coisas para ponderar e dissecar. E gritar. Ela tinha que gritar em seu travesseiro até que suas cordas vocais estalassem.

Hermione não era uma idiota completa - ela sabia que Draco não era um cara legal, ela sabia disso; mas ele estava se tornando cada vez mais o herói da sua própria história. Ele poderia ter tentado engravidá-la em diversos momentos, cumprindo a profecia como o lado delaqueria que ele fizesse - mas ele não o fez. Hermione se sentiu ainda mais revoltada só de pensar em como Dumbledore teria tentado convencê-la a não interromper uma gravidez que resultasse de sua verdadeira missão de se apaixonar por Draco. Quem sabe que tipo de tática ele teria empregado sem nunca informar à Hermione os seus motivos ocultos?

Hermione considerou brevemente que Draco não a engravidar não era o grande gesto de lealdade que ela estava fazendo parecer, e sim ele garantindo que nenhum messias que pudesse destronar Voldemort jamais nascesse - mas isso não também fazia sentido. Se Draco fosse realmente dedicado ao seu mestre, ele teria evitado Hermione como uma praga e então nunca haveria a possibilidade de que eles concebessem um filho. Inferno, se ele fosse tão devoto quanto Bellatrix, por exemplo, ele a teria matado assim que viu a profecia na cabeça de Dumbledore, garantindo que Voldemort governasse para sempre. Mas ele não tinha feito nenhuma dessas coisas. Assim como ele disse a ela, Draco usou a profecia a seu favor, basicamente tomando isso como um sinal de que ele deveria investir nela, mas ainda dar a ela a escolha de aceitá-lo.

A Ordem não lhe dera essa escolha. Eles tentaram ditar todo o seu futuro.

Enquanto isso, Draco mudou todo o curso de seu próprio futuro - por mim. Por nós. Não era de se admirar que Draco nunca tivesse parecido tão reverente com seu mestre. Por um tempo, seu plano era ficar de olho em Voldemort até o dia em que a sua própria carne e sangue tomaria o seu lugar - como aparentemente era o seu destino.

A lealdade de Draco realmente sempre foi para ela - para sua futura família.

Que porra.

O fato de todas essas revelações serem altamente emocionais estava piorando seu esgotamento.

Uma das únicas coisas que não a estava esgotando, mas, em vez disso, criando um sentimento quente e borbulhante em seu coração, era o conhecimento de que um dia Draco e o amor deles fariam algo verdadeiramente mágico. Como Draco havia dito, quando chegasse a hora certa, eles teriam uma família (uma família de verdade, assim como Hermione sempre quis), e é claro que seu bebê seria perfeito e poderoso em todos os sentidos - como poderia não ser? Como poderia seu filho com Draco Malfoy ser algo menos?

"Onde você estava?"

Hermione saltou meio metro no ar, segurando o peito enquanto girava na direção da voz de Rony, o pequeno sorriso caindo de seus lábios. "Puta merda, Rony, você me assustou-"

"Não, sério, onde você estava?"

"Se acalme Rony, eu disse a você que ela estava bem" Harry tentou apaziguar os ânimos exaltados do amigo.

Hermione finalmente deu uma boa olhada nos dois rostos e percebeu o quão chateado Rony estava e o quanto Harry, apesar de aparentar estar aliviado, parecia bastante culpado. "Eu acabei de voltar-"

"Você ainda estava no encontro? Durante todo esse tempo?" Por que parecia que Rony nem acreditava nela? E por que ela se sentia tão defensiva com ele? "Sim. Ele me levou para Cannes." Ela não deveria estar sorrindo agora, ela havia conversado sobre Draco apenas com Harry, mas uma pequena parte tola e persistente de si mesma queria desmaiar e contar ao mundo, ou apenas aos seus dois melhores amigos, sobre o encontro incrível que ela acabara de ter. Porque revelações alucinantes à parte, realmente tinha sido o melhor encontro - inferno, melhor dia - de sua vida.

Rony não parecia nem remotamente impressionado. "Você tem alguma ideia de como eu fiquei preocupado com você quando você não voltou para casa ontem à noite? Harry ficou desconversando o tempo todo sobre onde vocês poderiam estar e depois simplesmente sumiu a noite toda. Eu pensei que Malfoy tivesse te sequestrado!"

Ah. Merda. Ela não pensou em como tudo isso pareceria para Rony, que estava sendo mantido de fora de toda a relação que ela e Harry tinham com os sonserinos. Ela nem considerou que ele poderia ficar acordado, esperando por ela.

"Me desculpe, Rony."

"Eu disse que ela estava bem Ronald, eu não pensei-"

"Você está certo, Harry. Você não pensou. Aliás vocês não pensam mais em nada ultimamente."

O pescoço de Harry estalou para trás com o peso de suas palavras. "O que você quer dizer com isso?"

"Eu estou preocupado com vocês." Rony finalmente se levantou, parecendo totalmente exausto.

"Você não precisa se preocupar" Harry disse em um bufo desajeitado, enquanto Hermione abraçava seus próprios cotovelos. "Somos adultos, sabemos o que estamos fazendo—"

"Vocês sabem?" Rony perguntou, estreitando os olhos. "Harry, você passa praticamente todas as noites com a Greengrass, quando você sabe que a família dela é leal a Voldemort e achou que eu não ligaria os pontos. Você nem ao menos contou para mim. E Hermione é designada para uma missão em que ela precisa colher informações de um Comensal da morte, mas faz uma viagem pra Cannes com ele e volta com essa cara." Ele se dirigiu para Hermione com o rosto muito vermelho "Desculpe se eu não entendo como vocês conseguiram se envolver-"

Não foi isso que aconteceu. Bem, foi, mas não foi assim. "Isso não é-"

Rony continuou"— com dois lunáticos! Vocês perderam completamente a cabeça?"

Hermione não tinha ideia do porquê diabos ela se sentia como se estivesse sendo julgada, mas ela com certeza não gostou disso. Ela olhou para Harry e ele estava furioso. Rony deveria ser alguém que permaneceria ao lado deles, assim como eles sempre o protegeram. Ele não deveria estar dando lição de moral. Ela balançou a cabeça.

"Por que você está me perguntando isso?" ela perguntou derrotada. Rony não respondeu. "Estou cansada, preciso tirar uma soneca-"

"Mione, sério? Você já perdeu todas as aulas da manhã; é quarta-feira." Hermione bufou, nem mesmo sabendo por que ela achou isso tão engraçado. Talvez todo o estresse do dia realmente a estivesse deixando louca. A palestra de Rony só ficou mais alta. "O que você está fazendo com ele, Hermione?" Sua voz era áspera, mas seus olhos ainda eram gentis, como se implorando por qualquer tipo de explicação lógica. "Ele usou você para matar todos aqueles Aurores, então ele encurralou você na aula e agora você está voltando de um encontro com ele rindo como se fosse uma garotinha. Eu mal vejo Harry porque ele passa cada maldito tempo livre com uma aspirante a Comensal. O que diabos está acontecendo?"

Hermione não podia fazer isso agora e mais do que isso, ela não precisava. Ela deu um olhar suplicante a Harry que logo entendeu a mensagem. "Rony, eu nunca peço para você se explicar, então por favor, não-"

"Claro, porque eu nunca fiz nada tão ridículo!" Rony fechou os olhos como se tivesse se arrependido de sua explosão assim que gritou, mas atingiu a todos do mesmo jeito. Rony sempre foi uma pessoa explosiva, mas nunca havia doído tanto. Rony tentou novamente, desta vez com mais calma. "Olha, eu sei que as coisas ficaram um pouco estranhas entre nós três ultimamente e não sei porque fui excluído, mas obviamente me preocupo e não consigo entender porque vocês estão agindo assim."

Está ficando estranho por nossa causa. Por causa de todos os segredos que temos escondido de você. Hermione percebeu que eles estavam afastando Rony há um tempo - e na maior parte, Rony permitiu. Ela abriu e fechou a boca sem jeito, nenhuma palavra se formando, apesar de seus melhores esforços.

Rony continuou. "Eu sei que vocês estão confusos, mas... Vocês não podem continuar. Entendem? Vocês são mais inteligentes do que isso."

A mandíbula de Harry se fechou e as mãos de Hermione se contraíram em punho. Isso foi muito mais julgamento do que ela já tinha recebido dele na vida.

Rony estava quase rastejando para que os dois vissem a razão. "Vamos, lá Harry. Greengrass é uma Comensal da Morte. Eu sei que você gosta dela desde o 6° ano, mas você precisa parar. Você não pode agir assim. Não seja esse tipo de pessoa."

Harry dirigiu a Rony seu olhar desafiador. O que ele está tentando dizer? "Que tipo de pessoa?"

Rony se mexeu desconfortavelmente. "Harry-"

"Não. Me diga, Ronald" Harry incitou veementemente, "que tipo de pessoa você pensa que eu sou?"

"Eu não estava dizendo—"

"O que, que eu sou um idiota?"

"Eu não-"

"Um tolo?" Rony parecia cada vez mais confuso, mas Hermione percebeu que Harry estava acertando em cheio. "Um garotinho ingênuo e apaixonado? Que Hermione é uma vadia burra?"

A falta de resposta de Rony era ensurdecedora.

"Você não sabe do que está falando, ok? Você não sabe de nada." Harry deu as costas para Rony, deu um beijo na testa de Hermione e saiu marchando pelo buraco do retrato. Hermione nunca havia concordado tanto com Harry. Estar com Daphne o deixou mais feliz do que nunca - isso não contava para alguma coisa? A nossa felicidade não importa para ninguém?

"Olha Ronald, eu tive uma longa manhã, então eu vou-" Ela se dirigiu para a escada das meninas, precisando desesperadamente de um tempo sozinha.

"Dumbledore quer ver você." Rony disse, olhando para o lugar onde Harry havia saído, percebendo que aquela conversa havia saído dos trilhos. Ele tirou um pedaço de pergaminho do bolso e o estendeu para ela.

Ela riu da menção do nome do diretor. De todas as pessoas no mundo que ela queria ver agora, ele estava definitivamente no final da lista.

Rony a olhou perplexo, sem entender por que ela não estava pegando o bilhete.

Ela avançou e o agarrou, odiando que ela e Harry tivessem se afastado de Rony. Assim que a Mulher Gorda se fechou deixando Rony para trás, ela desdobrou o pergaminho, ainda quente por estar no bolso dele.

Senhorita Granger,

Por favor, venha me ver em meu escritório quando você retornar ao castelo. Se por acaso você vir alguma Varinha de Alcaçuz pelo caminho, ficarei muito agradecido se trouxer.

Merda. Ele sabia que ela havia deixado a escola, e provavelmente com quem. Era para isso que ele queria vê-la?

Percebendo que não tinha outra escolha, ela deu meia-volta e partiu para o escritório dele.


"Alvo! Ele é muito perigoso! Alguém precisa... algo deve ser feito, ela não pode ser deixada..."

"Minerva, por favor, temos companhia."

Os nós dos dedos de Hermione congelaram logo antes de ela bater, ouvindo os sons abafados de gritos vindos do outro lado da porta do escritório de Dumbledore. Ela sabia quem estava lá - ela só não sabia de quem eles estavam falando. Isso é mentira: é de você. Aparentemente, as pessoas estavam falando sobre ela pelas costas há um tempo.

Percebendo que se anunciar era desnecessário, Hermione girou a maçaneta e entrou. "Você queria me ver, professor?" ela disse tão calma e imparcialmente quanto pôde, apenas querendo acabar logo com isso.

McGonagall aproximou-se dela, mas Hermione teimosamente se recusou a encontrar seu olhar, continuando a olhar por cima do ombro dela como uma adolescente petulante, o que ela imaginou que fosse agora. Entretanto, Hermione não se sentia como uma. Ou ela era uma criança que precisava de proteção ou uma adulta madura o suficiente para ser enviada para a batalha e digna de ser tratada como tal. Eles não poderiam ter as duas coisas. Se a Ordem não a respeitava o suficiente para lhe contar a verdade sobre sua missão, ela não devia nenhum respeito a eles em troca.

"Srta. Granger, você receberá um mês de detenção por deixar o campus, em uma noite de aula, e perder três aulas, tudo isso sem dizer a ninguém para onde estava indo," McGonagall declarou rapidamente.

Hermione finalmente encontrou seu olhar. "Não."

McGonagall lidou com muitas tolices em sua vida - desde as patéticas tentativas de flerte de Sirius Black durante seu período como estudante, até a tentativa imprudente de James Potter de superá-la em magia em seu próprio assunto no 5º ano. Mas McGonagall nunca tinha ficado tão abalada quanto com a pequena refutação de Hermione. "Com licença?"

"Eu disse que não, eu não estou em detenção" repetiu Hermione, olhando para seu diretor por cima do ombro de McGonagall mais uma vez. "O Professor Dumbledore me designou para obter informações de Malfoy, então era isso que eu estava fazendo ontem. Certo, professor?"

Sua chefe de casa endireitou as costas, parecendo odiar cada segundo da anulação da sua autoridade, mas segurou a língua. Se Hermione ainda estivesse olhando para o rosto dela, ela poderia ter visto a pequena centelha de mágoa também.

Dumbledore permaneceu impassível e imperturbável como sempre. "Isso é verdade, isso é verdade." Hermione endireitou a mandíbula, tentando manter todas as emoções fervendo dentro dela sob controle. Filho da puta, mentiroso. "A senhorita Granger e eu temos algumas coisas para discutir. Você poderia, por favor, nos dar licença, Minerva?"

"Albus, eu realmente-"

"Continuaremos nossa conversa mais tarde, definitivamente."

McGonagall ajeitou o chapéu, respirou fundo e saiu. Hermione sentiu como se pudesse finalmente respirar novamente quando a porta se fechou atrás dela. Sua professora favorita significou algo para Hermione durante todo o tempo dela em Hogwarts. Elas tiveram um pouco de conexão pessoal, e Hermione sentiu que havia algum carinho mútuo entre elas desde o tempo que passaram no Beco Diagonal quando ela tinha 11 anos, reunindo seus primeiros suprimentos mágicos. Dumbledore e ela não tinham esse passado, nenhuma conexão.

E agora, ela meio que queria enfeitiçá-lo até o esquecimento.

"Senhorita Granger, por favor, sente-se." Dumbledore ofereceu quando eles estavam sozinhos, apontando para a poltrona na frente de sua mesa.

Hermione notou que, embora ela se sentasse, ele permanecia de pé, fazendo-a olhá-lo de baixo, estabelecendo sua clara dinâmica de poder.

"Eu queria saber como você está. Eu percebi que a última vez que nos falamos foi em circunstâncias menos do que ideais -" Oh, você quer dizer quando você apenas ficou lá parado enquanto alguém enfiava um soro da verdade na minha garganta? "—mas eu queria assegurar-lhe que você ainda tem a confiança total da Ordem." Isso era uma espécie de novidade para Hermione. A descrença deve ter aparecido em seu rosto. "Auror Moody estava sob muita pressão depois daquela noite-" Sério? Essa é a desculpa que você está usando? "—e não queria te interrogar tão... vigorosamente. Mas como suas respostas demonstraram, você não tinha absolutamente nada a esconder."

Hermione não iria bufar, ela não iria. Com certeza teria sido bom terem apenas acreditado nela sem toda a coerção. "Claro, professor, eu entendo" respondeu, começando a ficar curiosa para saber para onde ele estava levando essa conversa.

"Ótimo. Então, pelo que entendi, o Sr. Malfoy levou você para um encontro ontem à noite." Dumbledore disse diplomaticamente, olhando para ela por cima dos óculos. "Existe alguma informação nova que você deseje relatar?"

Era isso. Ele estava inadvertidamente pedindo a ela para provar que sua lealdade ainda estava com a Ordem, com ele, mesmo depois de tudo o que havia acontecido. Hermione percebeu que ela tinha que fazer seu próximo movimento de forma inteligente. Claro, ela não sabia mais o que diabos ela estava fazendo, mas deixar Dumbledore saber disso, sendo o mestre manipulador que ele era, não seria uma boa ideia. Ela tinha que ganhar algum tempo sem abrir mão de suas cartas. "Ele ainda gosta muito de mim, professor. Acho que ele nos vê continuando nosso relacionamento depois da formatura."

Parecia uma combinação de vontades neste ponto, com a forma como nenhum deles estava tentando quebrar o contato visual. "E isso é algo que você acha que pode sustentar, dado o fato de que agora o ama?" ele perguntou falsamente inocente, o bastardo.

Oh, certo. Com tudo o que aconteceu desde então, Hermione quase esqueceu que foi forçada a admitir seu amor na ala hospitalar. "Sim, senhor. Sei que posso separar as coisas; estou no controle", disse ela, "que é tudo o que realmente importa para mim." Ela estudou a reação dele, desejando que ele lhe desse um sinal, qualquer pequeno espasmo, que traísse o fato de que ele sabia que o que estava fazendo com ela era errado e que ele possuía algum remorso sobre a situação, um mau pressentimento em seu estômago... qualquer coisa - mas seu rosto permaneceu absolutamente neutro.

"Essa é uma ótima notícia."

"Voldemort pode ler mentes" ela cuspiu. Parecia uma moeda de troca bastante inofensiva, provando que ela ainda estava trabalhando para a Ordem e não considerando pular do barco. Era um fato que poderia ser usado para enfraquecer o poder de Voldemort, mas não voltaria para ferir Draco — afinal, que garoto de 17 anos seria suspeito de dominar uma magia tão mística que havia sido esquecida por séculos?

Os olhos de Dumbledore se estreitaram enquanto ele acariciava sua longa barba. "Ah, Legilimência. Interessante." Adicione isso à lista de coisas sobre as quais esse cara deveria ter me avisado..., mas não o fez. "Não é surpreendente que Tom esteja empregando toda a magia de raízes antigas"

"Você sabe como realizá-la, professor?" Hermione perguntou, imaginando. Foda-se.

Ele sustentou o olhar dela por um momento longo demais. "Não, Srta. Granger. Ainda não dominei a habilidade. Talvez com o tempo."

"Talvez."

Dumbledore quebrou o contato visual primeiro, oferecendo a ela uma bala de limão de sua mesa. Hermione olhou para a guloseima com desconfiança, a mente ainda correndo desenfreada com o quanto ele queria que ela carregasse o filho de Draco. E se ele os tivesse amarrado? E se esses doces fossem enfeitiçados especificamente para tornar as poções anticoncepcionais ineficazes? Hermione recusou.

"Bem, estou ansioso para vê-la na próxima reunião da Ordem no domingo, Srta. Granger."

Hermione se levantou, pronta para sair, mas parou para observar Fawkes voar pela janela aberta de Dumbledore e pousar levemente nas costas da poltrona que ela acabara de desocupar. "Oi, amiguinha-" ela começou, estendendo a mão para acariciar seu peito, assim como ela tinha feito na primeira vez que o encontrou neste mesmo escritório. Sua saudação afetuosa foi interrompida, no entanto, quando o bico da fênix raivosamente cortou a pele de sua mão em um gesto violento, fazendo Hermione gritar.

"Fawkes!" Dumbledore ordenou bruscamente, fazendo a fênix parar seu ataque e voar até o ombro de seu mestre obedientemente.

Hermione observou o sangue escorrer por seus dedos perplexa, imaginando o que diabos havia acontecido, sem palavras. O pássaro tinha sido tão doce da última vez que ela o encontrou - que porra foi essa?

Dumbledore finalmente pareceu irritado, olhando para ela estranhamente como se ela tivesse acabado de desafiar as leis da física. "Você está bem, Srta. Granger?" Ela não perdeu como sua voz tremeu ligeiramente quando ele perguntou.

Hermione levou o corte aos lábios e sugou o sangue, mantendo-o na boca para fazer pressão. "Claro, professor," ela murmurou. "Eu provavelmente só a assustei. Posso curar isso sozinha."

Ele apenas assentiu e a observou sair da sala.


Os próximos dias, para dizer o mínimo, foram um show de merda completo.

Com a amizade do trio estremecida, ela não viu nenhuma razão para continuar comendo na mesa da Grifinória quando Harry ia comer nas cozinhas com Daphne durante as refeições e, em vez disso, passou a sentar com a única outra pessoa com que ela realmente interagia além de Harry - seu namorado. Isso levou o relacionamento dela e de Draco a disparar rapidamente para o domínio do 'conhecimento público' entre a população geral de Hogwarts - embora todos mal tivessem parado de falar sobre o quão ousadamente o monitor-chefe havia convidado a monitora-chefe para sair no meio da aula, depois de acabar com ela em um duelo. (Hermione estava pelo menos grata por eles não estarem mais conversando sobre aquele pequeno detalhe embaraçoso.)

A presença de Hermione na mesa da Sonserina definitivamente irritou algumas pessoas. Astoria e seu grupo habitual de amigas, fizeram um grande show ao se levantar de seu lugar de costume ao lado dos Comensais da Morte e, enquanto bufavam e lançavam adagas para Hermione o tempo todo, mudaram-se para o extremo oposto da mesa. Parkinson e Nott também pareciam bastante zangados por Hermione ter se atrevido a sentar com eles. Mas enquanto Nott se esgueirou para se sentar com Astoria mais adiante na fileira, Parkinson ficou e lambeu o chocolate espalhado em sua faca por uma hora inteira (fazendo com que Hermione se perguntasse se isso era uma ocorrência regular ou talvez apenas uma peculiaridade divertida para a garota louca) enquanto todos a ignoravam.

Na maioria das vezes, nada disso incomodava Hermione - afinal, ser intocável não era novidade para ela. Ela estava com Draco, sua mão quente e firme em sua coxa silenciosamente dizendo a ela que ele aqueria lá (portanto, verdadeiramente, ela pertencia àquele lugar), era tudo o que ela realmente precisava. (E, é claro, agora que eles estavam tão claramente em um relacionamento, Blaise e Daphne pararam de dar tantas negativas a ela e a receberam de braços abertos. Bem, tão abertos quanto os braços de um idiota atrevido e uma garota inconveniente poderiam alcançar.) Sob a liderança de Draco, a maioria de seus outros Comensais da Morte se alinhavam e falavam com ela de maneira bastante agradável, lançando olhares para seu líder de vez em quando, como se para verificar se eles estavam dizendo e fazendo as coisas certas. Sua risada fácil e contínua, e a falta de olhares ferozes, pareciam deixá-los saber que estavam no caminho certo para agradá-lo.

O que incomodava Hermione, no entanto, era o quanto seus colegas das outras casas a tratavam de maneira diferente devido ao relacionamento dela com Draco. Imagina o que fariam com Harry se descobrissem que ele está com Daphne. Mais de uma vez, Hermione entrou em um banheiro, seja em seu próprio dormitório ou fora do castelo, e fez toda a conversa parar imediatamente quando todos os olhos se concentraram nela. Pior ainda, alguns de seus colegas nem se importavam se ela ouvisse seus comentários de desaprovação. Parecia que a escola estava dividida ao meio, com as pessoas pensando que ela não era boa o suficiente para um partido como Draco ou repreendendo-a por desistir de todos os seus princípios para namorar um possível assassino. Afinal, como uma nascida trouxa pode ser 'tão estúpida?'

Bem, problema deles, pensou Hermione, tentando deixar todo o julgamento rolar de seus ombros.

Mas então Colin Creevey aconteceu.

Hermione estava cuidando da própria vida, saindo de Poções depois de ter dado um último beijo demorado em Draco e se despedido de Harry que tinha treino de Quadribol, quando Colin a parou em um corredor vazio e cuspiu em seu rosto.

Hermione se engasgou, seus dedos instintivamente voando para sua bochecha para tocar a umidade ali. Ela os puxou de volta, verificando se isso era real e se ele realmente tinha acabado de fazer isso com ela.

Ele tinha.

"Isso é por trair nosso lado, idiota", disse Colin, já se afastando dela.

Hermione não aceitaria nada disso. "Ei! Ei!" Ela queria que ele se virasse antes que ela o amaldiçoasse. Assim que ele o fez, ela tinha o sextanista, companheiro nascido trouxa, em uma amarração de corpo inteiro e se aproximou dele lentamente, com a mão da varinha tremendo. Ela não podia acreditar que este era o reconhecimento que ela estava recebendo por arriscar sua vida para tentar salvar a dele naquele dia na Floresta Proibida. Claro, suas memórias do evento foram apagadas, mas isso não significava que Hermione não se lembrava. Isso não significava que ela ainda não conseguia se lembrar de seus gritos horripilantes - claros como o dia - já que ele foi usado para a prática da tortura. Ela ainda sabia que esse garoto devia a ela. "Você não tem ideia do que eu fiz por você."

Os olhos castanhos escuros de Colin se estreitaram para ela, mas ela propositalmente estendeu seu feitiço para que a boca dele ficasse imobilizada também. Era a vez de ela falar. Ele poderia querer agredi-la e sair sem nenhuma palavra de resposta, mas não - ela o faria ouvi-la.

"Você me dá uma lição de moral desse nível, mas você nem sabe que eu sou a única razão de você dormir pacificamente em sua cama à noite," ela continuou sombriamente, parada bem na frente dele. "Se não fosse por mim, não sei se você ainda estaria aqui, tendo o luxo de falar o que pensa." Ela ficou bem na frente dele, inclinando a cabeça. "Não estou dizendo que você tem que me agradecer, mas o mínimo que você pode fazer é demonstrar algum respeito."

Colin começou a lutar, tentando gritar com ela.

Hermione bufou, endireitando as costas. "Ah, não? Bem, você tem muita sorte de não ter feito isso na frente do meu namorado ou tenho certeza de que você estaria morto agora." Ela quis dizer isso como uma provocação exagerada, mas honestamente, provavelmente era a maldita verdade. Draco nunca permitiria que alguém a desrespeitasse do jeito que Colin acabara de fazer. Se o menino não estivesse morto, ele certamente teria sido usado para prática de tortura de agora até o fim de sua vida.

Hermione supôs que ela realmente teria que manter isso em segredo então - pelo bem de Colin. Ela queria um pouco de vingança por sua flagrante falta de civilidade, mas não queria que ele fosse assassinado. (Ou... talvez ela simplesmente não quisesse que Draco quebrasse sua sequência de nunca ter matado um bruxo.)

"Mas você já sabia disso, não é?" ela continuou friamente. "Foi por isso que você cuspiu em mim aqui, neste corredor onde quase ninguém entra? Isso fez você se sentir como um homem grande e forte, marcando o seu ponto?" Hermione olhou por cima do ombro, vendo que ainda não havia tráfego de alunos. Isso lhe deu uma ideia: voltando-se para Colin, ela o atingiu com um feitiço de ocultação e o derrubou no chão, saboreando o baque alto que seu corpo fez ao se conectar com a pedra. "Pronto. Você queria privacidade, certo? Bem, agora você tem. Vamos ver quanto tempo leva para alguém tropeçar em você e te encontrar aqui."

Hermione pensou em Colin quando ela chegou atrasada em Aritmância, amaldiçoando-o em sua cabeça pelo atraso, mas depois disso, ela se forçou a esquecer prontamente que o havia deixado no chão. Se ele não queria acabar amaldiçoado, provavelmente não deveria ter ido atrás dela em primeiro lugar. O que ele estava pensando? Que eu simplesmente choraria e fugiria? Não, não era assim que Hermione agiria - nem agora e nem nunca.