Antes que eles percebessem, a temporada de Natal desceu sobre Hogwarts e rastros de neve e pinheiros cobriram cada metro do andar principal. Hermione nunca teve muita afinidade com os feriados, mas isso se devia principalmente ao fato de nunca se sentir muito bem-vinda em casa. Draco parecia determinado a mudar essa percepção, no entanto, encontrando-a continuamente nos corredores com um visco mágico acima deles, então ela não tinha absolutamente nenhuma escolha a não ser ceder às suas proezas celestiais de amassos.

"Pare de agir como se você não fosse para casa comigo, Hermione. Nós já conversamos sobre isso!" Draco reclamou com um braço pesado sobre os ombros dela enquanto eles descansavam na Sala Comunal da Sonserina tarde da noite. "Meu pai está preso em Viena para uma conferência, então teremos a mansão só para nós."

Dapnhe fez um barulho alto de tosse do sofá mais próximo. Draco suspirou. "Teremos a casa quase toda só para nós, exceto se Daphne resolver arrastar Potter até lá no dia de Natal ou Blaise decidir aparecer sem avisar quando ficar enjoado da sua própria família."

Daphne assentiu apaziguadora, enquanto Blaise ria.

O suspiro de Hermione combinou com o que Draco tinha acabado de dar - eles realmente tinham superado isso. Seria estranho não passar seu último Natal em Hogwarts, em Hogwarts. Ela queria permanecer com Harry no castelo, mas ela sabia que Daphne havia decidido ficar para que os dois pudessem passar o máximo de tempo juntos, sem a obrigação das aulas e da presença da maioria do corpo estudantil. "Ok," ela finalmente cedeu, permitindo que um pequeno vislumbre de esperança acendesse em seu peito "eu vou para sua casa com você."

O sorriso de Draco iluminou a sala. "Brilhante." Seus dedos gentilmente inclinaram o queixo dela para ele, seus olhos instantaneamente caindo para os lábios dela. "Você não vai se arrepender, eu prometo."

Hermione aceitou de todo o coração seu beijo suave e as suas palavras. "É melhor que não."

Ele se afastou um pouco e ela ainda estava admirando seu sorriso torto de menino, quando um bufo feio veio do canto da sala. Hermione se virou para ver Pansy Parkinson lendo nas sombras, seu nariz quase tocando as páginas de um gasto livro de maldições.

"Tem algo a dizer, Parkinson?" Draco gritou para ela, erguendo o rosto e parecendo impressionantemente frio, mesmo sob a luz do fogo lindamente incandescente. Hermione se perguntou se a maneira como ela apertava seu livro era deliberada ou simplesmente um reflexo.

Pansy apenas zombou, agachando-se ainda mais em sua poltrona, como se pensasse que se ela não dissesse nada em resposta, ninguém poderia vê-la.

"Não, é sério. Parecia que você tinha alguns pensamentos sobre minha namorada e os planos que você estava escutando, então, por favor. Vamos ouvir."

Hermione olhou entre eles: Draco recostado com o pé apoiado no joelho e Pansy praticamente dobrada contra si mesmo, emanando nada além de fraqueza patética. Eles não poderiam parecer mais diferentes se tentassem.

"Você é um tolo, Malfoy," Parkinson finalmente cuspiu, fechando o livro.

"Ah, é? E por que isso?" Hermione podia ver o polegar esquerdo de Draco batendo contra o braço do sofá, o único sinal de raiva dele que ela sabia que estava borbulhando logo abaixo da superfície. Draco a deixou saber que Parkinson estava particularmente irritada em suas reuniões ultimamente e que muito de sua ira era dirigida a ele. Ficou tão ruim que Voldemort começou a brincar (ameaçar) de deixá-los fazer as pazes com um duelo (assassinato). Obviamente, este não era o tipo de atenção que Draco queria atrair depois que ele expressamente disse a Hermione como ele estava tentando se esconder.

"O Lorde das Trevas ordenou que você—"

"Você está planejando me dedurar de novo?" O cinza dos olhos de Draco exibiram algo perigoso.

"Talvez eu diga a ele que minha lealdade é algo que ameaça você..."

Draco soltou uma gargalhada condescendente. "Confie em mim, Parkinson: nem uma única coisa que você poderia fazer neste mundo poderia me ameaçar de alguma forma."

Pansy ficou de pé, tremendo de nervoso. "Você tem certeza disso?"

"Isso é besteira." Hermione cortou, colocando uma mão reconfortante na coxa de Draco. "Apenas ignore-a. É o que eu faço."

Aparentemente, ouvir a opinião de Hermione foi um passo longe demais para o ego já machucado e deformado de Parkinson. "Cale a boca, cadela, ninguém perguntou a uma sangue-ruim—"

Em rápida sucessão, Draco, Daphne e Blaise se levantaram, apontando suas varinhas para a de Pansy, que já estava erguida. A sala comunal escassamente povoada prendeu a respiração coletivamente, com os alunos mais velhos não parecendo tão surpresos quanto alguns dos mais novos que ainda não estavam cientes do temperamento dos três sonserinos. Hermione se levantou na frente de Draco e colocou ambas as mãos no peito dele, empurrando-o ligeiramente para trás. "Draco, não-"

"Foda-se Parkinson -" Draco rosnou.

"Sério, Pansy? Sério? É assim que você quer jogar?" Daphne rosnou quase baixinho - um bule borbulhando antes de chiar.

"Isso é o que ela é -" Pansy defendeu.

"Ignorem-na, sério, ela não vale a pena" Hermione implorou, tentando se levantar para chamar a atenção de seu namorado. Draco finalmente olhou para ela e pareceu recuperar um pouco de seu equilíbrio, respirando fundo algumas vezes enquanto sua mão direita segurava a sua bochecha. Ela sorriu e se inclinou em seu toque. "Nós vamos nos divertir muito durante as férias, então quem se importa com ela? Ela só está brava porque ainda é apaixonada por você, só isso." Sua boca se curvou em um sorriso. No final das contas, ela sabia quais eram as tentativas miseráveis de Parkinson de irritar seu namorado: ciúme, puro e simples. Não importava o quanto ela tivesse choramingado ou quantas chantagens de culpa ela tentou fazer com ele, Draco nunca sentiu pena o suficiente para voltar a namorar com ela.

Draco riu e, pelo canto do olho de Hermione, ela pode ver Blaise se afastar. "Você está certa. Ela não vale a pena."

Hermione há muito aprendeu que perseguidores como Parkinson viviam deixando os objetos de sua afeição desconfortáveis, fazendo qualquer coisa para chamar sua atenção e provocar uma reação. O que mais machucaria um perdedor assim seria apenas mostrar a ele o quão insignificante ele realmente era.

O único problema era que Hermione havia subestimado grosseiramente o quanto ver ela e Draco dormindo na Sonserina quase todas as noites, e se abraçando o dia inteiro, já a havia empurrado para o limite.

Um momento antes de Draco poder se inclinar e beijá-la, seu rosto ficou vermelho e Hermione se engasgou ao sentir o gosto de ferro, alertando-a para o fato de que o sangue dele ricocheteou nela também. Ela olhou para baixo com horror quando manchas carmesins surgiram na camisa branca da escola de Draco e ele cedeu antes de cair de volta no sofá atrás dele.

Não, não, isso não está acontecendo, não de novo!

A sala comunal irrompeu no caos quando as pessoas gritaram e Daphne começou a duelar com Pansy atrás dela, mas Hermione só tinha olhos para Draco que estava sendo segurado por Blaise, enquanto ele ofegava por ar através dos pulmões que estavam começando a se encher de sangue. Com menos eficácia do que da última vez em que o encontrou tão ferido, ela tentou desligar suas emoções e entrou em ação, rasgando sua camisa para que ela pudesse ver a ferida aberta que percorria todo o seu abdômen. Pansy o amaldiçoou com um Sectumsempra nas costas dele quando Draco estava distraído, varinha abaixada, olhando para ela. Hermione o salvaria; ela sempre encontraria uma maneira de salvá-lo.

Tudo o que ela precisava era de um pouco de paz e sossego para poder se concentrar. Sentindo uma onda de ódio que ela nunca sentiu antes, Hermione lançou um feitiço sobre o ombro para acabar com a batalha de Pansy e Daphne, fazendo Pansy cair no chão. "SILÊNCIO!" ela berrou, esfregando as têmporas. Ela tinha que pensar, Merlin, droga. Zabine a encarou boquiaberto e os olhos de Draco se arregalaram ao observá-la. Ela quase chorou por causa de toda a dor que ela podia ver que Draco estava sentindo. Ela tinha que pôr um fim nisso, e agora!

Lembrando-se de sua pesquisa sobre magia negra, ela primeiro o atingiu com o mesmo feitiço calmante que ele havia usado nela anteriormente e então começou a trabalhar, costurando sua pele de volta, feliz que pelo menos não parecia que ela teria que regenerar quaisquer órgãos vitais esta noite. A explosão de magia dela praticamente esvaziou a sala e Hermione ficou realmente chocada quando sentiu a mão de Daphne em seu ombro quando ela parou em suas costas.

"Hermione..." Daphne sussurrou, sua voz rouca e um tanto chocada.

Hermione estava concentrada demais para perceber que poderia ter sido a primeira vez que Daphne disse seu primeiro nome. "Um segundo, Daphne. Eu preciso consertar isso" ela murmurou, concentrando toda a sua energia em fechar a carne aberta Draco. Não foi até que a pele dele tivesse uma cicatriz irregular e raivosa que ela finalmente enxugou a testa e se levantou, pronta para girar e dar a Pansy uma bela lição, sua mente inundada de raiva. "Olha aqui, seu pedacinho de merda-"

"Uau, calma, calma, Hermione!" Daphne a acalmou, pegando-a pelos ombros. Hermione quase caiu para trás com a força de seu impulso.

"Não, aquela baratinha não vai-"

"Você já cuidou disso, querida." Finalmente, o tom cuidadoso de Blaise foi registrado e ela olhou por cima do ombro de Daphne para Pansy, ainda agachada no chão em posição fetal, balançando.

"Por que diabos ela está chorando?" Hermione zombou, querendo nada mais do que ir até ela e chutá-la no estômago. "A idiota rasgou o meu namorado inteiro!"

"É assim que você fica quando recebe um crucio de alguém." Blaise disse lentamente, esperando pacientemente que os olhos de Hermione se voltassem para eles.

Hermione encarou Daphne, mas apenas em descrença. "Você lançou um crucio nela?!"

"Não." A voz de Daphne ficou mais comedida? Mais baixa? "Eu não."

Hermione ainda não estava entendendo. "Bem, então quem diabos fez isso?" Sua adrenalina estava agindo através dela com força, mas nada poderia tê-la estimulado o suficiente para perder o gemido baixo de Draco atrás dela. Ela abandonou a conversa confusa com os dois sonserinos e se ajoelhou ao lado dele. "Ei, ei, amor, não se mexa muito" ela silenciou, pegando a mão dele. "Vou mandar Daphne para a enfermaria para pegar um pouco de Repositor de Sangue para você de novo e então podemos conversar." Pansy deu outro miado fraco atrás dela. "E possivelmente matar essa vadia de uma vez por todas", acrescentou ela, principalmente como uma piada.

Draco apertou a mão dela e inclinou a cabeça para Blaise atrás dele, dando-lhe a sutil dica de que eles precisavam de um pouco de privacidade.

"Uh, sim. Eu vou com Daphne pegar isso, querida. Imediatamente."

"Vou me encontrar com Harry depois e dizer que você vai passar a noite aqui. Você precisa que eu traga mais alguma coisa, Granger?" Daphne perguntou cautelosamente.

"Não. Obrigada, Daphne" ela murmurou, os olhos grudados em Draco.

Ele esperou até que o buraco do retrato se fechasse antes de pegar sua varinha e nocautear Pansy completamente. O único som que restava na sala era o crepitar do fogo moribundo. "Princesa," ele começou suavemente, "obrigado."

Hermione cuidadosamente se inclinou sobre ele, tomando cuidado para não perturbar sua pele recém-curada enquanto ela roubava um selinho rápido. "Claro. Você já reabasteceu aquela pomada mágica que você costumava ter? Nós realmente poderíamos usá-la novamente."

"Sim, na verdade. Espere-" ele acrescentou apressadamente enquanto Hermione começava a se levantar, pronta para invadir o quarto dele em busca da pomada. "Um, eu..." Sua íris assumiu um brilho que ela nunca tinha visto antes. Em circunstâncias normais, ela adoraria observá-lo, completamente pronta para descobrir todas as partes dele (a boa, a má, a bonita, a feia e, quem estou iludindo, ele não tem absolutamente nenhuma parte feia) como eles estavam fazendo agora, mas ela ainda estava se sentindo muito, muito, estressada e aliviada para analisá-lo. "Eu não quero que você se preocupe com o que acabou de acontecer. Você sabe que vamos cuidar disso para você, certo? Você não vai se meter em nenhum problema. Promessa de Sonserino."

Hermione inclinou a cabeça. "Cuidar de quê, Draco?" Ela não tinha acabado de salvar sua bunda, de novo? Do que ele estava falando? "Você vai mostrar sua gratidão me amarrando a uma cama e me chupando de novo?" Ela brincou.

Sua expressão estava confusa. "A Imperdoável, Hermione. Vamos garantir que ela e todos os outros que estiveram aqui nunca falem sobre isso."

Hermione sentiu como se todas as placas tectônicas sob seus pés estivessem se movendo e ela fosse pega de alguma forma, em cima de duas delas. De jeito nenhum - eu não poderia... não fui eu - Hermione estava ciente de que Pansy a deixara com mais raiva do que ela jamais tinha estado em sua vida e que ela sempre teve um temperamento explosivo que teria deixado até mesmo Hades com inveja, mas não poderia ter sido tão ruim assim. Não havia chance de ela ter perdido o controle tão completamente... poderia?

Draco deve ter visto o pânico estampado no rosto dela. "Ei, ei, está tudo bem, amor. Todos nós surtamos depois da primeira vez, mas parece mais natural eventualmente." Seus dedos subiram para traçar suavemente sua bochecha. "Foi muito impressionante o quão poderoso o seu foi para a sua primeira vez. Muito impressionante e sexy como o inferno."

A mente de Hermione estava girando. "Eu... eu... não queria." Ela se virou para olhar a cena do crime, como se isso pudesse oferecer alguma pista de como isso poderia ter acontecido.

Draco virou o rosto dela de volta para ele, passando o polegar pelo arco do lábio superior dela. "Eu sei. Mas você estava me protegendo. Você detesta bullying, lembra? Não se sinta mal com isso - por favor." Hermione sabia que Draco estava tentando acalmá-la, traçando paralelos entre o que acabara de acontecer e quando ela enfeitiçara Crabbe nesta mesma sala por atacar John, mas..., mas... isso era diferente. Certo?

Hermione estava em espiral; ela podia sentir seu cérebro entrando em ação quando as consequências de suas ações exageradas a atingiram. Puta merda, eu poderia ir para a cadeia por isso. Que porra! "Não acredito…"

"Você estava brava. Ela mereceu; eu entendo, princesa." Draco sussurrou. "Pare de se martirizar."

"Eu não deveria-"

"Pare! Draco declarou com mais força, gemendo enquanto se inclinava em meio à dor e a beijava. Os olhos de Hermione permaneceram fechados enquanto ele continuava, "Seus sentimentos são o que te fazem grande, certo? Nunca se desculpe por eles. Eles são válidos."

Hermione riu e olhou para ele com ceticismo. "Eu dificilmente acho que foi isso que Harry quis dizer quando me disse essa frase."

"Não importa o que ele quis dizer, é a verdade." Ele deu a ela uma pequena piscadinha sexy que normalmente lhe renderia um tapa no peito - se esse peito não estivesse tão rasgado no momento. Ele preguiçosamente acenou para sua varinha que havia caído no chão perto dos joelhos de Hermione, após seu último feitiço. "Pode pegar para mim, por favor?" Assim que Hermione o fez, ele convocou sua pomada curativa e passou para ela.

Ela destampou o pote e pegou uma quantidade generosa com três dedos, espalhando na pele dele, feliz pela distração de uma tarefa. Draco sibilou um pouco com os movimentos dela, mas Hermione assistiu com admiração enquanto a cicatriz da maldição devastadora de Pansy desaparecia.

"Eu não consigo acreditar que ela acertou você enquanto você estava com sua varinha abaixada e você nem estava olhando para ela" Hermione murmurou.

Draco riu. "Eu posso. Ela sempre foi uma má perdedora. Ela me acertou pelas costas quando terminei com ela no 5° ano; ela sabe que não pode me vencer cara a cara." O sorriso de Draco ficou mais genuíno quando ele começou a brincar com uma cacho do cabelo dela, enquanto ela trabalhava em seu peito, esfregando a pomada completamente. "Você é uma curandeira muito boa, sabe. Você vai fazer um monte de caras se machucarem para ter suas mãos sobre eles desse jeito."

Hermione levantou uma sobrancelha enquanto seu olhar permanecia firmemente em seu abdômen inferior esquerdo, seus dedos rosados com seu sangue residual. "Sério? Se machucar realmente te excita tanto assim?"

"É uma ocorrência rara, amor. Mas, talvez, seja só você cuidando de mim." Draco parecia querer cuidar dela de alguma forma também, e lambeu um de seus polegares para que pudesse limpar o sangue de seu rosto. Foi um pequeno gesto que atingiu diretamente o coração dela.

"Que romântico" Hermione disse, enquanto pegava sua varinha e desinfetava suas mãos.

Draco as agarrou no ar assim que ela terminou e levou cada uma à boca, beijando-lhe os nós dos dedos. "Obrigado."

"De nada." Ele sorriu com a finalidade em sua voz. "Agora vamos levá-lo para a cama. Você precisa descansar e tenho certeza de que Blaise estará de volta com a Poção de Reabastecimento a qualquer momento." Hermione ajudou a colocar Draco gentilmente de pé, cuidadosamente assegurando-se de que ele não estava se esforçando demais ao apoiá-lo sob sua axila com seu corpo. Draco pareceu se divertir com a atenção extra dela, mas gentilmente concordou com Hermione, de qualquer maneira.

Ninguém mais prestou atenção em Pansy, que permaneceu estuporada na frente da lareira até que os elfos domésticos a encontraram ainda enrolada, no mesmo lugar, ao amanhecer.


Apesar do que Draco disse, Hermione sabia que era um grande acontecimento lançar uma Maldição Imperdoável. Ela torturou alguém, mesmo que não tivesse realmente a intenção.

Usando seu privilégio como monitora-chefe, ela foi para a Seção Reservada da biblioteca e procurou as piores maldições conhecidas pelos bruxos, tentando obter alguma ideia sobre o que poderia ter acontecido naquela noite. Infelizmente, o que ela encontrou não foi muito reconfortante. Parecia que, para que as maldições realmente funcionassem, você tinha que usá-las com cada fibra do seu ser. E Pansy certamente sentiu os efeitos de sua Maldição Cruciatus tão substancialmente que ela ficou incapacitada - o que meio que abriu um buraco em toda a defesa dela. Hermione supôs que ela quis machucá-la. Afinal, Draco poderia ter morrido do ataque covarde de Pansy se não houvesse um curandeiro por perto para cuidar de seus ferimentos imediatamente, certo? Draco disse a ela que nunca deixaria nada acontecer com as pessoas que ele amava e Hermione sentia exatamente o mesmo. Ela sempre foi uma alma ferozmente protetora, principalmente com Harry e Rony, e agora ela finalmente tinha outra pessoa para canalizar toda aquela energia. Isso era ótimo.

Hermione fechou o livro antigo, lançando poeira no ar e decidiu que iria se dar um tempo. O que estava feito estava feito e o que realmente importava era que Draco estava bem. Não era como se Hermione se sentisse diferente ou algo assim depois de realizar seu primeiro feitiço das trevas (além de todo a obliviaçãode seus pais) - mesmo que ela pudesse jurar que as pessoas pareciam estar olhando para ela com mais respeito nos corredores agora. A mudança pode ter ocorrido por vários motivos, como por exemplo, o fato de Colin ainda estar fofocando sobre o dia em que ela se defendeu dele. Ele foi encontrado dois dias depois e teve um monte de coisas desagradáveis para dizer aos seus amigos sobre ela, mas nunca teve coragem de tentar atacá-la novamente. Ou talvez fosse porque todos podiam ver que, de alguma forma, Draco estava cada dia maisloucamente apaixonado por ela - se tal coisa fosse possível - e parecia adorar o chão em que ela pisava. Ser oficialmente sua namorada estava provando fornecer mais vantagens do que ela esperava. Draco a amava tão visivelmente que até Slughorn começou a zombar dele regularmente nas aulas - mas era como se Draco nem se importasse. O olhar de adoração nos olhos dele quando Draco olhava para Hermione poderia ter sido o suficiente para derreter uma mulher comum.

Mas não Hermione. Ela adorava isso.

Então, apesar de tudo, pensou Hermione enquanto levantava a alça da bolsa e saía da biblioteca, o que eu fiz realmente não foi o pior. Fez sentido… e valeu 100% a pena.


"Não acredito que você comeu o último biscoito, sua cínica."

"Sério? Eu sinto que você definitivamente deveria ter suspeitado que eu faria isso."

"Draco, me coloque no chão, eu preciso bater na cabeça dela."

"Draco, mantenha ela aí em cima, ok? É mais fácil tirar ela do sério quando você a mantém entretida."

"Ei!"

Draco revirou os olhos para as implicâncias de sua melhor amiga e namorada. Quando Draco, Hermione e Blaise chegaram às cozinhas para um lanche noturno, acabaram encontrando Harry e Daphne no local. Enquanto todos comiam juntos, Daphne simplesmente não conseguiu se conter e passou à refeição inteira tentando tirar Hermione do sério.

Com toda a honestidade, Hermione sempre se perguntou como Harry e Daphne se apaixonaram tão perdidamente, pois os dois eram extremos opostos. Enquanto Daphne era sincera ao ponto de parecer grosseira, Harry era surrealmente gentil. Daphne não media esforços para conseguir o que queria e Harry era cheio da nobreza grifinória. Daphne era muito tagarela e calculista, enquanto Harry era introspectivo, porém impulsivo. Mas o que deixava Hermione realmente surpresa, era que Daphne parecia ter sido feita sob medida para fazer Harry feliz, e Harry parecia ser a única pessoa que fazia Daphne desacelerar, como se apenas ele fosse capaz de despertar o lado amoroso da garota. O amor realmente tem seus próprioscaminhos.

"Meu amor, por favor, pare de implicar com Hermione." Harry tentou repreender a namorada, mas a frase perdia totalmente o efeito pois vinha acompanhada de um sorriso cheio de ternura, reservado especialmente para a loira. "Vocês não fizeram nada além de brigar como crianças desde o final do jantar."

"Ah, qual é gatinho, eles precisam aprender a silenciar a cama." Daphne falou com um sorriso diabólico, trazendo à tona o assunto do jantar, fazendo Hermione gritar.

"Eu juro por Merlin, Greengrass, se você não parar com isso agora..."

"Oooh, amor, sim... mais forte!" Daphne imitou em um tom agudo.

"Espere," disse Hermione, virando-se para vê-la, "essa supostamente deveria ser eu?"

"Claro que não, esse é o Draco." Daphne brincou e os três meninos acabaram rindo. Era incrível como todos conseguiram acabar convivendo em harmonia, apesar das circunstâncias mais adversas.

Hermione corou, mas ela tinha certeza de que era mais por causa da irritação. "Bom, se esse tipo de barulho te incomoda tanto, talvez você devesse permanecer em seu próprio dormitório."

"Se me incomodasse, eu não namoraria Harry."

"DAPHNE!" Harry gritou enquanto corria atrás da namorada pelo corredor, os cabelos compridos da loira balançando no ar enquanto os dois riam e brincavam de fugir um do outro. Hermione nunca tinha visto o melhor amigo tão leve e isso aquecia seu coração. Acho que posso aguentar a viborazinha se ela faz Harry tão feliz.

Blaise congelou no lugar, com um olhar pensativo. "Quem diria que o cicatriz seria um fenômeno na cama, hein?" Blaise fingiu se tremer de medo. "Sabe de uma coisa, cara? Desde que vocês me contaram toda essa história louca de profecias e união amorosa entre casas, eu fiquei aqui refletindo com os meus botões. Se Potter for mesmo o menino que sempre sobrevive, e acabar cumprindo o propósito de sobreviver à Guerra, eles vão acabar se casando."

Draco olhou para o amigo e riu da declaração dele. "Bem, isso é uma merda, não é? Teremos que aturar mais um grifinório todo Natal."

"Se você não tomar gemada, acho que sou capaz de aturar qualquer coisa, cara."

"Qual é o problema com Draco tomar gemada?" Hermione indagou, a curiosidade aflorando.

"Acredite em mim querida, você não vai querer saber…" Blaise riu quando Draco deu de ombros, parando para observar Daphne e Harry logo depois. O casal estava se beijando e fazendo cócegas um no outro, mais à frente no corredor. Hermione sorriu amorosamente com a visão, apertando os braços em volta do pescoço de Draco.

"Potter realmente a ama, não é?" Draco perguntou, enquanto a ajustava mais alto ao longo de sua cintura, apoiando suas coxas.

Hermione deu um beijo na bochecha de Draco. "Assim como eu amo você."

Draco virou a cabeça sorrindo e deu um selinho em Hermione, voltando logo depois a observar o casal mais improvável de Hogwarts, que ainda permanecia brincando.

"Quando tudo isso acabar, eu serei o padrinho. Daphne Potter… você acha que soa um bom nome, cara?"

"Eu acho que você está completamente louco se acha que Daphne vai escolher você e não eu para ser o padrinho de casamento dela, Blás."

"Eu contribuí ativamente para que tudo isso fosse um sucesso. Aquele ultimato no Baile de Halloween? A ideia foi toda minha." Disse Blaise com bastante orgulho de si mesmo. "Fui eu quem deu todos os conselhos sexuais para ela.".

"Nem todos. Mas isso não importa, eu soube que ela gostava dele primeiro." Draco completou de forma presunçosa.

"Um mero detalhe."

"Quer apostar?"

"Cem galeões?"

"Feito!"

Garotos... Enquanto Harry retornava até os três, com Daphne pendurada nos ombros dele como um saco de batatas, ele ocasionalmente girava e batia no traseiro dela, rindo.

O rosto de Blaise ficou desanimado de repente. "Sabe pessoal, acho que preciso de uma namorada."

Hermione jogou a cabeça para trás para encará-lo. "Sinto pena da pobre garota."

Blaise deu língua para ela e olhou em volta distraído, percebendo que eles tinham parado em frente às escadas. "Por que vocês estão subindo? As masmorras são para lá." Ele apontou o polegar por cima do ombro.

"Eu vou deixar a minha senhora em seu dormitório para que ela possa fazer as malas. Te encontro no Salão Comunal daqui a pouco."

Hermione se virou para lhe dar outro beijo na bochecha, animada com a perspectiva de conseguir uma carona até a Grifinória, quando Harry se juntou a eles "Eu posso subir com ela, Malfoy. Daphne vai dormir comigo na torre hoje."

Antes que Draco tivesse a chance de responder eles ouviram um barulho. No momento em que eles se viraram, Hermione viu parado no topo da escada alguém que fez seu sangue gelar: Rony, claramente furioso. Puta merda, ele não... Não estávamos falando alto o suficiente, estávamos? O que ele vai pensar sobre ver todos nós juntos aqui?

Rony não deu a ela absolutamente nenhuma pista sobre o que ele tinha ou não ouvido quando declarou sem emoção, "Detenção, vocês cinco", fazendo Blaise, o único de costas para a escada, pular.

"Rony," Hermione disse desajeitadamente, sem saber o quanto ela precisava salvar a situação, enquanto Harry descia Daphne de seus ombros "nós estávamos voltando das cozinhas, você sabe como-"

"Eu não preciso ouvir nenhuma desculpa, apenas saiba que estarei informando a McGonagall sobre suas detenções." Merda.

"Vamos lá Rony," Harry tentou, passando a mão pelo cabelo. Pela primeira vez na noite, Hermione notou a voz dele parecer mais carregada e triste, como ela costumava ouvir antigamente, "é o último dia de aula."

"Então vocês podem cumpri-la no próximo semestre." Com isso, Rony deu meia-volta e começou a caminhar para a torre da Grifinória.

"Me põe no chão!" Hermione sussurrou no ouvido de Draco com urgência, batendo em seu ombro para acelerá-lo.

"Daphne, vá para as masmorras com Malfoy e Zabine. Me espere no Salão Comunal, eu te busco lá com a capa logo, logo." Daphne assentiu com a cabeça e Harry e Hermione rapidamente subiram os últimos degraus para alcançar o seu amigo. "Rony!" Harry chamou assim que a mão dele pousou no corrimão da próxima escada.

Rony parou, mas não se virou.

"Ei, hum," Hermione enrolou uma mecha de cabelo no dedo, sem saber o que dizer a seguir, "eu não quero que você pense que-"

"Pensar o quê, Hermione?" Rony cuspiu, girando. O veneno dele ecoou pelo corredor e Hermione ficou muito agradecida por nenhum dos sonserinos os terem seguidos - mas, em vez disso, estavam voltando para as masmorras agora. Ela realmente não queria que eles presenciassem o que ela e Harry tinham certeza que estava prestes a ser uma briga muito séria. "Pensar que meus melhores amigos, não me desculpe, ex-melhores amigos resolveram namorar dois Comensais da Morte?"

Merda. Então ele ouviu isso. "Rony-"

"Parem de tentar mentir pra mim!" Rony berrou, parecendo mais feroz do que Hermione jamais o vira. "Eu não posso nem olhar para vocês agora", ele acrescentou mais calmamente, virando-se e dando um passo para cima.

"Espera," Harry implorou, agarrando o braço dele, mas ele deu de ombros facilmente, "podemos explicar."

Bom, eu realmente não posso, exceto que eu queria fazer isso, então eu fiz... me desculpe? Você pelo menos já era apaixonado por Daphne há anos.

Rony riu como se soubesse que Harry estava falando merda - tendo ele mesmo uma posição elevada tanto física quanto metaforicamente no momento.

"É mesmo?" Rony deu mais alguns passos para trás antes que sua raiva levasse a melhor sobre ele. "Merlin, eu não posso acreditar. Vocês realmente ficaram loucos!"

"Você sabia o quanto eu gostava dela Rony, você sabia!" As mãos de Harry se fecharam em punhos ao lado do corpo. "Você sempre me importunou, perguntando por que eu não saía com ela, por que eu não dava uma chance a ela, embora eu claramente tivesse medo?"

"Isso foi antes de descobrirmos que ela era uma Comensal da morte."

"Ela não é uma!" Harry gritou, a contragosto.

Rony encarou Harry por alguns segundos, com um olhar decepcionado. "Isso não isenta o fato de que nem isso você me contou."

Hermione tentou apaziguar o ânimo dos amigos "Rony, não podíamos contar, seria muito perigoso-"

"Mas você sempre soube de tudo, desde o início." Ele a olhou bem nos olhos enquanto desferia seu golpe mais violento. "Você. A namorada nascida trouxa de um Comensal da Morte. Você estava numa missão para Ordem e simplesmente se apaixonou pelo cara. Eu tentei mentir para mim mesmo e fingir que não estava vendo nada do que estava acontecendo, porque eu me importava demais com você para dizer qualquer coisa que te magoasse. Mas a missão já acabou e você anda por aí com sonserinos, e ainda está dormindo com o Malfoy!" Rony jogou as mãos para o ar. "É absolutamente insano, mas se isso for o que ele te tornou, pra mim já chega!"

Hermione precisava que ele parasse. Ele era o seu amigo mais antigo junto com Harry. Metade de seus amigos.Se ele estava desistindo totalmente dela, o que isso dizia sobre quem ela era como pessoa? "Rony-"

"Eu amei você todos esses anos." Hermione ficou sem ar, encarando o ruivo enquanto Harry parecia saber que não deveria estar ali durante essa revelação. "No entanto, eu não quis sacrificar a nossa amizade só porque eu me sentia atraído por você. Mas eu pensei nisso todas as noites nos últimos seis anos. Eu sonhei com o dia em que você acordaria e perceberia que eu sou o homem certo para você. Mas eu não podia —" Ah, não. Ah não, não, não.Rony parecia prestes a chorar. "Pelo menos quando você resolveu namorar Fred, eu achei você tinha escolhido um cara incrível que poderia te fazer sentir as coisas que eu obviamente não fazia. E então você... Você se apaixona porele? Por Malfoy?"

Hermione não sabia o que dizer. Ela não sabia o que poderia dizer. Ela sabia que tinha fodido a amizade deles - inferno, ela sabia que dormir com Draco era errado antes de fazer aquilo... mas ela fez mesmo assim. Porque ela amava ele.

Rony enfiou a faca mais fundo. "Você tem alguma ideia de como isso me faz sentir?"

"Rony..." a voz de Hermione falhou. "Me desculpe."

"Isso é besteira! Seu 'desculpe' não significa nada. Você sabia quem ele era! Você sabe que não foi por causa da missão."

Hermione estava feliz por ele estar com raiva, apenas porque isso significava que as lágrimas transbordando em seus olhos não cairiam. Ela se agarrou ao que ele disse como uma tábua de salvação. "Não significa nada para mim! É só sexo!"

Rony balançou a cabeça, olhando para ela parada abaixo dele no andar térreo como se ela fosse vil."Você continua mentindo. Você prefere continuar mentindo para mim do que admitir que você se apaixonou por um Comensal da Morte. Você é igual a ele." Ele soltou um suspiro desgostoso enquanto retomava sua caminhada de volta para seu dormitório, murmurando baixinho, "Fique bem longe de mim."

Hermione não percebeu que ela havia caído no chão até que sentiu duas mãos gentis passando por baixo de seu corpo e a levantando.

"Harry?" Ela perguntou, enxugando o rosto enquanto olhava para ele. Ela ficou surpresa ao descobrir que suas bochechas estavam completamente molhadas também.

"Shhhhh, está tudo bem, Mione!" Harry sussurrou, segurando-a perto enquanto a levava para a Sonserina. "Vou te levar até Malfoy para você dormir um pouco agora, e eu e Daphne te ajudamos a fazer as malas amanhã, tudo bem?"

Isso soa ótimo. Hermione não sabia se conseguiria colocar os pés na Grifinória agora. Nunca tinha sido tão óbvio que não havia mais nada para ela ali. Ela só poderia agradecer a Merlin por ter um melhor amigo como Harry.