Olá, meus amores. Capítulo gigante pra vocês. Estamos na reta final da fic, acredito que no máximo mais uns 5 capítulos!


"Você está falando sério? Esta é a sua casa? Essa monstruosidade?" Hermione perguntou, boquiaberta, enquanto eles paravam na calçada (ou é uma rua? Eu não acho que calçadas normais sejam tão longas...), depois de terem aparatado de King's Cross. Sendo monitores-chefes, eles tiveram que pegar o trem, apesar da nova habilidade de Draco de sair direto do castelo, mas Hermione descobriu que ela realmente não se importava muito, considerando que Draco estava determinado a distraí-la de seus problemas com sexo. Provavelmente havia mais do que alguns pedestres do lado de fora do trem escarlate que deram uma boa olhada em seus seios durante o tempo em que Draco os pressionava contra a janela de vidro enquanto a pegava por trás.

"Monstruosidade?" Draco questionou alegremente. "Eu não sei. Eu gosto dela. A Mansão Malfoy é bem aconchegante." Hermione bufou e o seguiu até a porta da frente, levitando suas malas pelo caminho. Eles mal tinham dado alguns passos além da soleira quando Draco fez Hermione jogar suas coisas no chão enquanto a pegava pela cintura, envolvendo as pernas dela ao redor dele e prendendo-a contra a parede com seu corpo.

Hermione se engasgou antes de rir, agarrando-se aos ombros dele. "Duas vezes no trem não foram o suficiente, amor?" ela arrulhou.

Draco beijou ao longo da coluna de sua garganta antes de dar uma pequena mordida, rosnando quando Hermione levantou seu ombro para se proteger de seu ataque. "Eu nunca me canso de você."

Hermione riu enquanto o empurrava ligeiramente para trás, colocando os pés de volta no tapete. "Calma, garoto, nós temos todas as férias. Além disso, eu quero um tour por essa mansão estúpida primeiro."

"É estúpida agora também, hein? Eu acho que ela é linda. Você sabe," ele empurrou um pouco de seu cabelo para trás, expondo mais de seu pescoço para ele, "beleza corre em meu sangue."

Hermione revirou os olhos."E a humildade? A humildade, por acaso, também corre no seu sangue?"

"Ah, não, Granger." Ele sorriu perversamente, pressionando-a firmemente contra a parede com sua pélvis enquanto suas mãos estavam livres para endireitar as lapelas de sua capa. "Receio que alguém precise ser ensinado."

Hermione pôs a mão na barriga dele, lentamente empurrando a palma da mão para o peito dele. "É para isso que estou aqui? Para te ensinar algumas lições?"

Ele roubou mais alguns beijos, cada um mais terno que o anterior, sua boca roçando a dela ansiosamente entre beijos enquanto seu aperto migrou até sua mandíbula, cutucando seu nariz enquanto ele ajustava seu ângulo. "Não, amor. Você não é nada além de combustível para o meu ego." Hermione gemeu quando ele passou a língua por seu lábio inferior, provocando, provando. "Apenas acrescentando ao fogo."

Hermione sorriu quando ele tirou a capa dela, deixando-a cair no chão antes de começar a desabotoar a camisa dela, ansioso como sempre para despi-la. "Por onde vamos começar?"

"Meu quarto. É um desejo antigo fazer você gozar de mil e uma maneiras lá dentro."

Hermione riu quando ele se livrou de sua blusa também, afastando uma de suas mãos enquanto alcançava sua saia. "Talvez devêssemos realmente chegar lá primeiro, não?"

Como se percebesse suas ações excessivamente zelosas, Draco piscou algumas vezes, olhando de seus seios vestidos com sutiã para o rosto dela, com sua própria suavização. "Merlin, você é tão gostosa, eu juro que perco a cabeça às vezes," ele respirou, segurando o rosto dela mais uma vez. "Basta olhar para você." Ele mordeu o lábio. "Maravilhosa."

Parecia que ele nunca a quis tanto e Hermione não pôde evitar a forma como seu coração palpitou. "Você é tão idiota."

Draco plantou outro beijo delicado nos lábios dela, demorando-se ali, implorando para que ela ficasse naquele momento com ele. Ela ficou. "Obrigado por vir para casa comigo. Significa muito."

Hermione se afastou, inclinando a cabeça contra a parede para poder olhar nos olhos dele. Ele está falando sério?Era ele quem estava fazendo um grande favor a ela - sem ele, ela não teria para onde ir. Os pensamentos sobre as próximas semanas passaram diante de seus olhos: enrolada com ele perto do fogo, decorando uma árvore, aprendendo a cozinhar; merda, tinham muitas possibilidades.

O momento de reflexão silenciosa de Hermione foi aparentemente demais para Draco, que estava preparado e pronto para ir para o quarto. Logo ele começou a mexer na alça do sutiã rosa dela, deslizando o dedo indicador por baixo e correndo para cima e para baixo, observando o modo como o movimento a sacudia os seios. Homens.

"De nada", ela respondeu, dando-lhe uma piscadinha. "Sabe, se você quiser me agradecer apropriadamente por ter concedido minha presença tão graciosamente, você pode começar me fazendo uma massagem." Draco abriu a boca, os olhos brilhando, então ela acrescentou apressadamente, "Uma verdadeira massagem."

Draco sorriu e grunhiu, agarrando-a pela cintura e levantando-a sobre o ombro, fazendo Hermione gritar antes de se virar e levá-los em direção à escada principal. Um lustre impressionante com centenas de cristais brilhava no alto. "Tudo bem, mas na minha cama." Ele deu um bom tapa na bunda dela, balançando por cima do ombro. "Eu posso tirar seu estresse primeiro para depois soltar todo o meu estresse em você."

Hermione riu durante toda a jornada subindo as escadas e descendo o corredor, passando por uma porta que dava para outro corredor, e - foda-se, ela não tinha ideia de como eles acabaram onde pararam, mas ela com certeza sabia o que eles fariam assim que eles chegassem lá.


A próxima semana e meia passou em um borrão de felicidade... e sexo. Tanto sexo exaustivo e emocionante que Hermione pensou que eles haviam desbloqueado algum tipo de novo nível de maestria ou estavam treinando para um campeonato mundial, ou quem diabos sabia mais. Chegou ao ponto que até Draco se perguntou se talvez eles devessem tirar um dia de folga, apenas para provar a si mesmos que podiam, porque a vida não era só sexo, e eles podiam aproveitar a companhia um do outro sem transar a cada duas horas, muito obrigado. Eles estavam apaixonados, mas às vezes eles podiam apenas relaxar e jogar um bom e simples jogo de tabuleiro.

Esse plano durou apenas até as 6 da noite, quando Hermione derramou um pouco de molho de macarrão em sua camisa, retirou-o com o dedo e o enfiou na boca. Antes que ela percebesse, Draco estava fodendo com ela na mesa da cozinha, com as pernas no ar, e sua primeira tentativa de massa caseira foi reduzida a uma grande massaroca de glúten.

Felizmente, eles também puderam desfrutar de todas as endorfinas e sentimentos amorosos que vieram de todos os seus orgasmos entre trepadas. Draco surpreendeu Hermione ao desafiá-la para uma guerra de bolas de neve alguns dias antes do Natal, mas reafirmou todas as suas noções anteriores sobre ele, dominando-a completamente e jogando neve nela, sem mostrar absolutamente nenhuma piedade. (Ela ficou muito feliz em se vingar, no entanto, fingindo seduzi-lo, apenas para enfiar um punhado de neve em suas calças. Ele disse que ela se arrependeria disso mais tarde, quando seu pau congelasse.) Hermione surpreendeu Draco por ser super receptiva sobre aprender a voar em sua vassoura, mas reafirmou todos o seu conhecimentoanterior por ser espetacularmente terrível nisso. (No entanto, ele disse a ela para não se preocupar, porque aparentemente ele era bom o suficiente pelos dois. Essa piada lhe rendeu outra bola de neve no rosto.)

Talvez seu momento favorito na propriedade até agora tenha sido uma noite preguiçosa que eles passaram abraçados no sofá, enrolados em um cobertor felpudo, traçando a pele um do outro. Draco parou quando Hermione levantou a manga esquerda de seu suéter para revelar seu antebraço, mas Hermione aliviou suas preocupações trazendo sua tatuagem gentilmente para seus lábios e beijando suas bordas. "Eu estava pensando..." ela começou.

Draco colocou o topo da cabeça dela sob seu queixo, seu braço direito envolvendo a cintura dela. "Perigoso…"

"Cale a boca", ela riu. "Então, eu estava pensando, no que vamos transformar isso?"

"Transformar?" Draco perguntou confuso.

"Bem, sim." Hermione se contorceu para ficar de frente para ele em seus braços. "Quando chegar a hora. Você vai precisar de sua própria marca, não vai?" Seus olhos brilharam. "Qual será a sua?"

Eles conversaram por horas sobre as complexidades da magia e exatamente que tipo de feitiços seriam necessários para fazer uma mudança tão drástica no design, mas no final da noite, Draco estava confiante de que poderia fazer isso com a ajuda de Hermione.

Sua parte menos favorita das férias foi ter que afastar a coruja de McGonagall - uma chata e persistente como a dona - porque ela não tinha absolutamente nenhum desejo de ler qualquer coisa que a professora tivesse a dizer a ela.


"Amor, estamos sem leite!" Hermione gritou da cozinha enquanto vasculhava a despensa. Eles haviam caído em uma pequena e agradável rotina de fazer o café da manhã um para o outro, alternando as manhãs, e hoje era a vez dela. Draco tinha feito para ela os crepes mais deliciosos de sua vida no dia anterior, então ela não tinha ideia de como poderia superá-lo hoje. Ela mal foi capaz de se conter ao ver seu homem na cozinha, misturando ingredientes em tigelas, a farinha manchada de uma maneira muito fofa em sua bochecha enquanto ele preparava uma refeição para ela. Havia algo tão indescritivelmente sexy em um homem que sabia cozinhar.

"Vou dizer ao elfo para pegar um pouco para hoje", ele gritou de volta, sua voz flutuando de algum lugar no andar de cima.

"Você acha que ele nos perdoou pelo que aconteceu ontem?" Hermione brincou, com um sorriso selvagem estampado em seu rosto.

"Ele vai superar isso."

Hermione riu. Ela estava tão ocupada pensando em como tudo isso era maravilhosamente doméstico enquanto fechava a porta da despensa – fazer comida, se divertir, fazer jogos sensuais sob as luzes brilhantes da árvore de Natal e se amar - que quase perdeu o homem de pé, do outro lado dela. Quase.

Hermione gritou, deixando cair a garrafa de suco que ela pego, pulando para trás quase fora de si. Depois que o medo inicial de ver um estranho na Mansão passou, ela se lembrou de que estava quase nua, vestindo nada mais do que um fio dental minúsculo e uma das camisas do uniforme escolar de Draco, aberta. Ela rapidamente a fechou sobre seu corpo quando ouviu Draco descendo as escadas, derrapando na cozinha em pânico total. O homem permaneceu imóvel, exceto por seus olhos que examinaram Hermione de cima a baixo, um terrível olhar malicioso preso em seu rosto em conjunto com uma sobrancelha levantada e lábios curvados.

"Papai!"Draco gritou, atravessando a cozinha e ficando de pé protetoramente na frente de Hermione. De repente, olhar para seus deliciosos músculos das costas a fez perceber que ele estava vestido apenas com sua calça de moletom cinza, mas a meia roupa nele parecia muito menos escandalosa do que nela - mesmo que fosse decididamente tão revelador quanto. As pontas de seu cabelo ainda estavam molhadas, resquícios do banho que haviam acabado de tomar juntos.

Oh merda... isso não pode ser... por favor, não deixe que isso seja-merda!Hermione pensou loucamente, cruzando os braços com mais força sobre o peito, enlouquecendo. Quanto disso ele ouviu? Quanto tempo ele ficou parado ali? E por quediabosele não poderia ter se anunciado antes?!Presumivelmente, ele estava lá, descansando na casa deles - bem, suponho que seja a casadele- há algum tempo. Hermione não ouviu nenhum estalo de aparatação ou o rugido do Flu, então por que pelo menos não tossir ou algo assim? Ele queria envergonhá-los até a morte?

"Eu tenho que dizer, este não era o olá que eu estava esperando," o pai de Draco disse e Hermione de repente, e sem nenhuma razão discernível, lembrou-se de unhas em um quadro-negro.

Hermione percebeu que não poderia simplesmente ficar parada ali, tendo um pequeno colapso como esse para sempre e, em vez disso, estendeu a mão ao redor de Draco para tirar a varinha dele do bolso - a dela fora de alcance no balcão - e convocou alguns jeans dela no andar de cima. Isso é umdesastre do caralho!Quem conhecia o pai de seu namorado de calcinha enquanto ele estava lá olhando tão maravilhosamente e completamente desgostoso como estava atualmente?

No entanto, Hermione supôs que não era como se o homem fosse gostar dela, de qualquer maneira. Ela não estava acompanhando as notícias muito de perto recentemente, muito ocupada em buscas mais prazerosas, mas a menos que Lucius Malfoy tivesse feito uma lobotomia, ela duvidava que sua postura tivesse mudado tão drasticamente nos últimos tempos.

"Papai" Draco repetiu perplexo, como se ainda estivesse tentando processar que seu pai estava realmente parado ali na cozinha.

"Filho" Lucius respondeu sem emoção.

"Eu pensei que você estivesse em Viena!?" Draco gaguejou. Uma vez que Hermione terminou apressadamente de fechar todos os seus botões, ela saiu ao lado de Draco, olhando para ele. Ele está... com medo?Ela não o via assim desde o dia em que ele disse que podia ler sua mente e estava com medo de que ela o deixasse. Por que ele temia o próprio pai? Hermione sempre presumiu que eles tinham um bom relacionamento, considerando que eles eram tudo o que o outro tinha. Sim, como você e seus pais?Seu monólogo interior zombou dela. Tudo bem, talvez essa não fosse a melhor razão para supor que eles eram próximos, mas Draco não tinha sempre defendido seu pai contra as ofensas de Hermione? Ou isso é apenas por princípios?

Pela primeira vez, Hermione considerou que talvez voltar para casa enquanto seu pai estava fora foi era apenas para o bem dela – mas para o bem dos dois.

"A votação é amanhã. Achei que tinha algum tempo para voltar para casa e ver meu filho."

A implicação era clara: seu filho e apenas seu filho. Hermione sentiu a mão de Draco deslizar na dela, seus dedos se entrelaçando.

"Oh. Eu pensei que você odiasse a Inglaterra nesta época do ano", ele ofereceu inseguro.

"Bem. Acho que há algumas coisas que eu odeio mais." Hermione notou que Draco não fez nenhum movimento para se aproximar de seu pai e Lucius permaneceu perfeitamente imóvel em troca. De repente, todos os pelos dos braços de Hermione se arrepiaram.

Draco limpou a garganta. "Pai, esta é Hermione. Hermione, este é meu... pai."

"Bom-"

"Eu sei," Lucius cortou a resposta de Hermione sem ao menos olhar em sua direção."Eu ouvi dizer." O silêncio constrangedor pareceu se estender por uma eternidade enquanto Lucius ignorava Hermione intencionalmente, mas Hermione absorvia cada detalhe sobre ele. Lucius parecia muito mais aristocrático do que Draco, mas tinha o mesmo cabelo loiro quase branco - o dele perfeitamente liso e claramente mais comprido que o de Draco - e maçãs do rosto altivas. Hermione chegaria ao ponto de dizer que ele provavelmente deveria ter sido muito bonito quando jovem - se ele tivesse sorrido. Hermione saboreou a ideia de dizer algo tão condescendente na cara dele. Então, novamente, ele pode me matar por isso.Hermione se perguntou se Draco a defenderia em tal situação. Era absurdo ter ciúmes do possível vínculo que um filho tinha com o pai, não era? Hermione sabia que Draco a amava, mas ela não tinha ideia de onde ela se encaixava nessa hierarquia em particular - especialmente agora que pai e filho pareciam estar presos em algum tipo estranho de olhar fixo.

Lucius quebrou primeiro. "Poky!" ele gritou antes que um pop indicasse que o elfo doméstico tinha obedecido a sua convocação. "Leve a garota para os aposentos dos empregados. Ela precisa ser devidamente lavada; ela fede a sexo."

Assim que Hermione abriu a boca, totalmente afrontada, imaginando, foda-se, o cara já me detesta, não adiantanãome defender, Draco falou em vez disso, "Não. Vou levá-la para cima para se trocar."

"Filho-"

"Estaremos de volta para o café da manhã, se você quiser ficar." Draco apertou a mão de Hermione antes de puxá-la atrás dele, levando-os escada acima.

Restou alguém no mundo inteiro que não desaprovasse o relacionamento deles? Hermione não tinha mais certeza, mas, pelo menos, isso apenas fortaleceu sua determinação de provar que todos estavam errados. Ela e Draco eram sólidos. Eles veriam isso um dia - todos eles verão.

Ao chegarem ao segundo andar, ela ouviu Lucius ordenando que seu elfo doméstico se livrasse da 'lama' do chão. Eles ainda não tinham saído hoje, então Hermione sabia com 100% de certeza exatamente o que ele queria dizer com a palavra específica.

"Sinto muito por isso." Draco sussurrou, arrastando-a para um quarto e fechando a porta rapidamente atrás deles. "Eu realmente pensei que ele estaria fora durante todo o feriado."

"Que porra foi aquela lá embaixo?" Hermione questionou, examinando o inferno fora dele.

"O que você quer dizer?" Draco piscou inexpressivamente como se ele realmente não soubesse.

As sobrancelhas de Hermione voaram para cima de sua testa. "O que você quer dizer com 'o que eu quero dizer'?" Ela apontou para o desastre que acabara de acontecer no andar de baixo. "Aquilo? Você parecia petrificado na presença dele, Draco."

Draco parecia completamente insultado. "Eu não tenho medo do meu pai, Granger."

Caramba. Defensiva."Então eu repito: o que foi aquilo?"

Draco deu um passo para trás antes de se virar e caminhar em direção a uma janela. Era a primeira vez que Hermione entrava neste quarto em particular (afinal, eram tantos) e notava que era algum tipo de paraíso de taxidermia. De cada parede, redondos olhos negros olhavam para ela, os animais aos quais pertenciam há muito tempo mortos, mas ainda aqui, congelados no tempo. "Aquilo foi respeito."

"Besteira!" Hermione soltou. "Você congelou."

"Eu não-"

"E o que houve com o olhar fixo? Você lê a mente dele também?"

Draco zombou, juntando as mãos atrás das costas enquanto olhava para o branco brilhante e extenso terreno de seu quintal. "Não, claro que não. Você sabe quantas vezes eu costumava olhar para o seu e ver sexo? Por que eu iria querer ver isso com meu próprio pai?" Hum.Ele tinha razão. "Eu gostaria de manter as memórias que tenho da minha mãe, intactas. E muito vestidas."

Hermione suspirou e caminhou até Draco, abraçando-o por trás. "Desculpe."

Ele permaneceu estoico e imóvel, sem fazer nenhum movimento para aceitar o abraço dela e Hermione o desprezou. Era isso que cinco minutos da presença de seu pai fizeram com ele? Ela só queria aquele humor feliz e excitado que ele tinha há dez minutos – e continuamente nos últimos dez dias – de volta. "Não, me desculpe você. Eu realmente não pensei que ele viria aqui ou eu nunca teria trazido você."

Ela entendeu o que ele quis dizer, mas ouvir suas palavras ainda doía um pouco. Com sua rejeição física e agora essa, Hermione teve um desejo irresistível de ir embora. "Ok, bem, eu posso simplesmente voltar para Hogwarts pelo resto das-"

Isso tirou Draco do sério. Ele se virou e agarrou seu pulso em retirada. "Não, não", disse ele ardentemente. "Fique para o café da manhã. Podemos ir para minha casa depois." Ele deu a ela um pequeno sorriso. "Não tem as mesmas comodidades, mas é mais silencioso. Mais privado."

Considerando que provavelmente foi o elfo doméstico que alertou seu pai sobre o que estava acontecendo em sua propriedade, talvez fosse o melhor. Hermione ficou na ponta dos pés e deu-lhe um beijo. "Soa perfeito." Ela inclinou a cabeça. "Temos que ficar para comer? Seu pai claramente já me odeia."

"Ela não te odeia," argumentou Draco, mas antes que Hermione pudesse refutar sua mentira descarada, ele continuou, "ele odeia como você nasceu. Há uma diferença. Ele não te conhece."

"Bem, eu realmente não estou a fim de convencê-lo do contrário, então podemos apenas-"

"Por favor, Hermione?" Draco implorou, pegando a outra mão dela e levando as duas ao peito. Como sua pele nua irradiava tanto calor no final de dezembro estava além dela. "Por favor? Apenas uma refeição, é tudo o que eu peço."

Hermione suspirou. Ele realmente raramente pedia alguma coisa a ela. "Porquê?" Hermione não entendeu a necessidade dele de provar a si mesmo. Ela entendia ser obstinada e insistir para tentar forçar outras pessoas a concordarem com sua maneira de pensar quando ela sabia que estava certa. Mas isso? Isso era inútil. Hermione sabia que nenhuma quantidade de chacoalhar a namorada na frente de seu pai o faria ver o quanto Draco a amava. Lucius nunca a aceitaria - pura e simplesmente. Alguns preconceitos eram grandes demais para serem superados.

Draco encolheu os ombros, um bufo profundo saindo de seus pulmões. "Ele é meu pai."

Era verdade. E Hermione odiava isso.

Como ela e esse homem deveriam coexistir no mesmo reino? Hermione sentiu como se tivesse acabado de entender o conceito de ela e Draco estarem destinados a ficar juntos - mas ser amigável com o pai dele? Tentar conquistá-lo? Já seria difícil convencê-lo de que ela deveria continuar viva, quanto mais namorar seu filho. Hermione sabia o suficiente sobre Lucius para saber que ela não tinha as mesmas crenças que seu filho sobre os nascidos-trouxas. Hermione suspeitava que Lucius desejava que ela e sua espécie fossem varridas da face da Terra – e aqueles olhares que ele deu a ela lá embaixo? Isso foi mais do que confirmação suficiente para essas suspeitas.


Depois de colocar um belo vestido pastel que Draco comprou para ela, com intuito de usá-lo em um passeio na cidade que eles planejaram no final da semana, Hermione e Draco voltaram para baixo juntos, Hermione respirando fundo para se preparar. Ela tinha um pressentimento de que ela ou Lucius não sobreviveriam ao próximo encontro e, provavelmente, seria ela.

Lucius sentara-se à cabeceira da mesa da sala de jantar, com dois arranjos de cada lado. Bem, pelo menos não estou sendo relegada a comer nos aposentos dos criados.

"Draco," Lucius anunciou, o canto de sua boca se contorcendo com o claro constrangimento de tentar empurrar para fora um afeto que não estava realmente lá, "assim é muito melhor."

A mão de Draco instintivamente subiu para seu peito, alisando as rugas de sua camisa que nunca estiveram lá. "Bom dia", ele murmurou obedientemente.

Hermione sentiu como se estivesse em algum tipo estranho de zona de penumbra. O quê, vamos apenas fingir que o encontro anterior nunca aconteceu? Isso parece totalmente normal e são.Era quase impossível para ela reconciliar a presença forte e dominante que Draco tinha na escola - o líder que a maioria de Hogwarts seguia e respeitava - com essa casca de ser humano ao lado dela agora. O que diabos Lucius fazia com ele?

"Bom dia, filho. Por favor. Sente-se."

Draco timidamente (Timidamente?Tímido?!) puxou a cadeira de Hermione para ela, ajudando-a a se sentar, antes de dar a volta na mesa para ocupar seu próprio lugar. "Obrigada, Draco," Hermione sussurrou.

"Poky!" Lucius estalou. Os joelhos de Hermione bateram no fundo da mesa com a explosão inesperada. Lucius murmurou baixinho como se não tivesse notado. "E eles ainda querem que mudemos as leis para incluir salário? Você pode imaginar? Pagar alguém para trazer um prato para você?" Ela pegou o guardanapo debaixo da faca e o abriu, colocando-o recatadamente sobre o colo. "Como se isso não fosse um trabalho de servo. Por que eu pagaria alguém por um trabalho tão simples que um elfo pode fazer?" O elfo doméstico apareceu equilibrando dois pratos cheios de comida para o café da manhã e uma tigela de metal apenas com feijão cozido quando a voz de Lucius ficou mais alta. "Embora claramente não muito bem." O elfo colocou os dois pratos na frente de Lucius e Draco e então a tigela na frente de Hermione. Ela olhou para Lucius, imaginando se talvez eles já tivessem tido um cachorro antes; a tigela definitivamente não havia sido projetada para uso humano. "De qualquer forma, eu indiquei ao Ministério que os restaurantes deveriam apenas contratar elfos domésticos. É uma taxa única e então você nunca mais terá que pagá-los novamente. Corta todos os custos de mão de obra, não é? E não é como se os elfos pedissem dias de férias ou auxílio-doença, então, problemas de orçamento resolvidos." Ele sorriu para Draco como se esperasse que ele se deliciasse com sua genialidade.

Seu sorriso desapareceu de seu rosto quando ela viu Draco se inclinar para frente e trocar seu prato pela tigela de Hermione. "Agora, filho—"

"Draco, você não precisa..."

"Eu gosto de feijão para caralho." Draco cortou os dois, enfiando o garfo e dando uma grande mordida. Seu ato de engolir pareceu quase doloroso. "Delícia." Hermione sabia com certeza que Draco odiava feijões cozidos. (E ela nunca perguntou, mas podia apostar que ele odiava especialmente os frios.)

"Linguajar!" Lucius o repreendeu severamente e até mesmo Hermione se sentiu devidamente repreendida, o que foi impressionante porque ela não achava que o bruxo tinha sequer olhado para ela nenhuma vez desde que ela desceu as escadas.

"Desculpe, pai."

Lucius forçou outro sorriso em seus lábios finos. "Então, filho. Você não está feliz em me ver?"

"Claro, pai."

"E você está indo bem na escola, certo?"

"Sim, pai." Outra pergunta e outra resposta estranhamente curta e sem alma de seu namorado. Mesmo se Lucius a tratasse como uma santa, Hermione a teria odiado pelo que sua mera presença estava transformando Draco. Hermione tentou chamar sua atenção, querendo dar-lhe um sorriso ou olhar de apoio, mas ele continuou olhando resolutamente para sua tigela.

Já chega."Sr. Malfoy, Draco me disse que você está trabalhando em uma nova lei. Qual é desta vez?" Hermione perguntou, querendo salvar seu namorado. Claro, era uma pergunta sarcástica e ela tinha certeza de que absolutamente odiaria a resposta, mas ela aguentaria se o pai de Draco desse a ele o espaço que ele claramente precisava agora.

Parecia que Lucius estava vendo se havia alguma maneira de fingir que não tinha ouvido Hermione. O grande relógio de pêndulo no canto da sala tiquetaqueou ameaçadoramente por dez segundos, com Draco e Hermione não cedendo à tentação de tentar passar para outra conversa. Hermione cortou a linguiça e colocou uma fatia delicadamente na boca, saboreando o sal enquanto esperava que o homem a reconhecesse. O ódio de Lucius por nascidos-trouxas estava sendo colocado em conflito direto com sua educação de classe alta sobre como ser um anfitrião adequado, e Hermione observou como um rubor raivoso apareceu no pescoço do homem.

Funcionou. Endireitando as costas, Lucius virou-se para Hermione, seus olhos cinza familiares e ainda assim completamente estranhos. "Estamos propondo uma nova lei que proíbe sangues ruins de tentarem procriar com sangues puros. Espero que entre em vigor no final do dia de amanhã." Seus olhos caíram reprovadoramente para o estômago de Hermione. "Eu acho que não haveria um momento melhor."

Puta merda.Uma coisa era saber que alguém era um fanático e outra coisa era ele vir e dizer que era.O garfo de Hermione congelou em sua boca, seus dentes involuntariamente apertando o metal enquanto Draco se engasgava na frente dela. "Papai-"

Lucius o ignorou, um pequeno sorriso brincando em seus lábios enquanto observava a expressão chocada de Hermione. "Acabamos de garantir votos suficientes para que seja aprovado. O que você acha?" Ele cortou uma lasca de tomate frito e levou à boca, demorando-se para mastigar como se realmente gostasse do sabor - que psicopata.

Ok, então há pessoas loucas e há pessoas vou-tornar-ilegal-você-transar-com-meu-filho.

Hermione cortou um pouco de seu bacon e mordeu, fazendo mastigações bem barulhentas. "Eu não sei. Parece algo que apenas alguém realmente pervertido tentaria controlar." Hermione pegou sua xícara de chá e tomou um gole inocente enquanto a alegria sumia do rosto de Lucius, completamente chateado por alguém se atrever a enfrentá-lo. "Por que qualquer pessoa decente se importaria com a forma como os outros escolhem procriar?"

Uma veia grossa e azul subiu pela testa de Lucius começou a pulsar loucamente. "Talvez porque eles se preocupem com o pedigree das gerações futuras."

Hermione ergueu as sobrancelhas. "Ou porque eles estão com medo", disse ela simplesmente. "Acho que muitas pequenas leis tolas que visam controlar outras pessoas são escritas por medo." Ela finalmente desviou os olhos de Lucius e olhou de volta para Draco, amando muito mais o que viu ali. Ele estava olhando para ela com admiração, como se ele também não pudesse acreditar que alguém estava colocando seu pai em seu devido lugar daquela forma. Ela estava orgulhosa, mas também sentia que deveria ter sido Draco quem deveria ter feito isso anos atrás. "Não devemos temer o nosso próprio potencial. Não devemos viver com medo e não devemos deixar que outros nos controlem. Alguém muito inteligente me ensinou isso."

Draco deu a ela um pequeno sorriso, estendendo a palma da mão aberta para a frente, oferecendo a Hermione para levá-la para o outro lado da mesa. Hermione o fez, amando como ele fechou os dedos em volta dos dela e como Lucius estava observando a ação como se uma barata tivesse acabado de rastejar para o meio de sua toalha de mesa imaculada. "Não devemos viver com medo" Draco repetiu, olhando para ela de tal forma que Hermione quase podia esquecer que seu pai ainda estava lá. (E ela poderia ter, se não estivesse amando o quão furioso o homem estava.)

Lucius pigarreou, claramente percebendo que tinha que melhorar seu jogo porque Hermione era uma oponente muito mais formidável do que ele pensou originalmente. "Então, Srta. Granger," ele começou, dando outra mordida em seu café da manhã inglês, "quais são seus planos para depois da escola?"

Hermione hesitou, sem saber ao certo como responder. Claro que ela queria ser uma curandeira, mas essas eram suas elevadas aspirações. Ela não tinha ideia de quais passos precisava tomar para torná-los realidade ou onde ela iria morar ou como pagaria pelo treinamento ou o que—

"Ela vai ser uma Curandeira." Draco forneceu facilmente, apertando a mão dela. "Hermione já é muito boa. Ela salvou a minha vida em mais de uma ocasião."

Hermione pensou ter ouvido Lucius soltar um bufo enquanto pegava seu chá. "Maravilhoso. Que sonho esplêndido."

Ótimo. Ele provavelmente já está redigindo alguma nova lei que tornará ilegal para um nascido trouxa conseguir um emprego até o final do ano."Obrigada." Foda-se, babaca.

"Filho..." Por que Lucius continua chamando Draco assim como se tivesse esquecido a porra do nome dele?"- você poderia, por favor, cortar mais lenha para a lareira? A casa está ficando um pouco fria."

"Oh, eu posso fazer outro feitiço -" Draco ofereceu, a mão já puxando a varinha do bolso, ansioso para fazer algo para ajudar a aliviar a tensão horrível na sala.

"Oh não, você sabe que eu prefiro o cheiro de madeira de verdade queimando," Lucius disse com uma risada horrível e profunda. "Você poderia...?"

Os ombros de Draco caíram, sabendo que ele não tinha outra opção. "Claro, pai." Ele se levantou e deu a volta na mesa. Hermione percebeu que Lucius se irritou quando Draco se inclinou e beijou a bochecha dela. "Eu já volto," Draco sussurrou em seu ouvido.

Hermione olhou para seu prato um pouco satisfeita enquanto sorria. "Tudo bem", ela respondeu.

Lucius esperou até que a porta dos fundos se fechasse antes de se virar para Hermione, todo o seu antigo ar de civilidade desaparecendo de seu rosto. Seus dentes estavam arreganhados e se olhar pudesse matar, Hermione estaria a dois metros do chão congelado agora mesmo. Daphne estava certa: ele realmente tinha voz de político quando queria. "Então. Você é a puta que está tentando amolecer o meu filho."

"Com licença?" Hermione cuspiu de volta. Como sealguémpudesse amolecer Draco Malfoy. Além disso... que tipo de pai se preocupava com uma coisa dessas?!Havia tantas preocupações que ele poderia ter neste momento - por que essa era a primeira em sua mente?

"Oh. Os trouxas também têm problemas de audição?" Lucius colocou uma mão ossuda sobre o coração zombeteiramente. "Minha pobre querida."

Seria considerado desrespeitoso socá-lo direto no nariz? "Eu não sou uma trouxa," Hermione se irritou.

Lucius ergueu uma sobrancelha em desafio enquanto pegava o garfo mais uma vez. "É próxima o suficiente."

Isso era inacreditável. "Ninguém conseguiria amolecer seu filho, senhor. Draco é uma das pessoas mais duras e fortes que conheço e você deveria estar muito orgulhoso-"

"Não me diga para ter orgulho do meu próprio filho!"Lucius sibilou, os lábios pressionados em uma linha fina e todo o corpo tremendo de raiva. "Eu o criei, sei quem ele é." Ele soltou um risinho louco enquanto pegava o chá, levando-o aos lábios apenas para se exibir. "O homem que ele é hoje é por minha causa.Eu o eduquei, eu o moldei, eu mostrei a ele o maldito caminho, então não se atreva a entrar na minha casa e tentar me dizer como devo me sentir."

Hermione instantaneamente se sentiu mal por cada pensamento ruim que ela já teve de Draco no passado. Se este era o seu exemplo, como diabos ele se saiu tão bem?Este homem era possessivo demais com um filho adulto para o gosto de Hermione. "Draco faz suas próprias escolhas. Ele já é maior de idade."

Lucius a encarou por um longo tempo, seu sorriso ficando cada vez mais largo. "Garota estúpida. Você realmente acha que ele vai escolher você, não é? Eu não sei o que ele disse a você, mas meu filho é um mentiroso primoroso. Mas você conhece a única pessoa que ele nunca vai enganar? A mim."Eleestava orgulhoso desse fato, percebeu Hermione. Ao contrário de um pai racional e são, Lucius não estava apenas satisfeito com a capacidade de seu filho de enganar os outros, mas de alguma forma também mais orgulhoso de sua própria capacidade de detectar o engano dele. Hermione tinha uma suspeita furtiva de que tudo sempre se voltava para as vontades de Lucius nesta casa. "Você acha que você, uma vadia com quem ele está há algumas semanas, é mais importante do que o homem que lhe ensinou tudo o que sabe?"

De repente, tudo se encaixou: o ódio de Lucius por ela mudou muito mais para o território do nervosismo do que Hermione havia pensado originalmente. Era mais do que apenas seu status de sangue, Lucius estava realmente ameaçado pelo domínio de Hermione sobre seu filho. Ele queria esse poder só para ele.

Ok, esse homem eramaluco - e sabia como detectar pontos fracos muito bem. Felizmente, Hermione não era mais uma pessoa fácil de lidar e ela estava começando a perceber quais poderiam ser as fraquezas de Lucius. "Pelo que ouvi, foi a mãe dele quem lhe ensinou tudo."

Lucius jogou a cabeça para trás rindo, uma característica que era tão cativante quando Draco ou Harry faziam, mas parecia francamente sociopata nele. "Narcisa? Narcisa? Você acha que Narcisa Black influenciou meu filho?"

O que ele queria dizer?

Lucius pousou a xícara e se inclinou para a frente para que Hermione não perdesse uma única palavra. Seu punho ficou branco ao apertar o garfo. "Narcisa Black era uma mulher fraca e patética que nunca aprendeu onde deveria estar sua lealdade."

O quê?A reverência na voz de Draco sempre que ele falava sobre sua mãe não combinava com a forma como seu próprio marido a estava descrevendo agora.

"Eu sempre disse a ela que o Lorde das Trevas era nossa chave para a salvação, mas ela queria ficar fora disso."

Por que ele está me contando isso? Qual é a porra do propósito dele?"Se você a odiava tanto, então por que se casou com ela?" Hermione perguntou perplexa.

Lucius olhou para Hermione como se tivesse pena de sua total falta de inteligência. "Criança, quando um descendente da família Black quer continuar sua linhagem com você, você não pode dizer não!" Ele considerou suas palavras, "Não quando você é realmente digno dessa linhagem." Então a mãe de Draco fazia parte mui antiga e nobre Casa dos Blacks e daí? Ótimo. Grande negócio do caralho. Eu sou nascida trouxa e olhe para mim: minha magia também é incrível.Além disso, era isso que as crianças eram para esse senhor? Apenas a continuação de uma linhagem?Que tipo de pensamento fodido era esse? Será que ele alguma vez realmente quis Draco - como mais do que apenas um símbolo de seu status? Ou Draco era apenas uma consequência? Isso certamente explicaria o tratamento frio e insensível com o filho. "Eu sabia que com sua tradição, meu cérebro e minha ambição, faríamos um deus." Ele soltou uma risadinha sem graça. "Claro, isso só funcionaria se Narcisa nunca tivesse tido a chance de envenenar a mente dele. O sangue só pode te levar até certo ponto - você ainda precisa de uma educação adequada. Uma mão firme. Aquela mulher sempre foi governada por suas emoções, nunca capaz de fazer o que tinha que ser feito."

Espere, do que diabos ele está falando agora?"Por que você está me contando isso?" Hermione respirou, observando o homem em absoluto horror.

Lucius inclinou a cabeça. "Você realmente não é muito inteligente, não é?"

Ok, é isso."Olha-" Hermione começou, mas sua resposta se transformou em um grito quando em um movimento suave, Lucius avançou com seu garfo, esfaqueando Hermione através de sua mão, prendendo-a na mesa. Hermione tentou puxá-la de volta, mas Lucius apenas empurrou o garfo com mais força, alojando-o na madeira e prendendo a mão de Hermione.

"Ouça-me e ouça bem," Lucius disse entre os dentes cerrados, torcendo as pontas do utensílio na palma da mão de Hermione, fazendo-a gritar novamente. "Draco é meu filho. Meu filho. Ele nunca pertencerá a você - ele é do Lorde das Trevas agora. Eu não o criei para que uma vadia sangue-ruim tente roubá-lo de nós agora." O sangue de Hermione estava escorrendo sobre sua toalha de mesa branca, mas Lucius estava muito ocupado saboreando a dor escrita tão claramente no rosto de Hermione para notar. "O Lorde das Trevas sabe tudo o que fiz por ele, tudo o que sacrifiquei, e ele tem nos recompensado bem, colocando Draco sob sua proteção. Sendo o mentor que ele merece. O Lorde das Trevas escolheu Draco para isso. Ele concorda que Draco está destinado a grandes coisas."

Hermione olhou por cima do ombro, tentando descobrir se ela podia ver lá fora, mas Lucius puxou o rosto para trás pelo queixo, desejando continuar seu discurso enlouquecido. Hermione teve a sensação de que a sala havia sido silenciada. "Meu filho é especial. Ele foi treinado toda a sua vida para isso e eunão vou deixar você tirar isso dele. Eu não fiz tudo que fiz por esta família apenas para ver você desperdiçar nosso sangue uma geração depois."

Hermione sentiu seus olhos marejarem e tentou ao máximo não deixar suas lágrimas caírem. Ela não podia mostrar a esse bruxo nenhuma fraqueza que ele automaticamente pularia em cima. Lucius claramente tinha uma mensagem que estava tentando transmitir a ela, então quanto mais cedo ele desabafasse, mais cedo Hermione poderia tirar o garfo de sua mão. "O que você quer?"

Lucius se inclinou e torceu o garfo apenas por diversão, sorrindo quando Hermione se encolheu. "Eu quero que você saiba que eu já matei muita gente e eu faria isso facilmente de novo – e, no seu caso, com prazer."

A mente de Hermione estava disparada, a dor subindo por seu braço aumentando sua adrenalina. Eles passaram do discurso civil fingido para o modo de luta bem rápido, e Hermione honestamente deveria saber que não deveria esperar nada menos de um Malfoy. "Você é louco para caralho! Você matou sua esposa?!" Ela se engasgou entre assobios. Ele se afastou, rindo, mas seu aperto no garfo permaneceu firme.

"Ela estava sempre muito ocupada fazendo Poções em seu laboratório, cantando estúpidas canções trouxas enquanto plantava flores, tentando ser amiga de seu filho em vez de mostrar a ele um forte exemplo do que é preciso para ser um homem."

Sem aviso, Lucius puxou o garfo para cima e para fora, trazendo-o para o guardanapo e limpando o sangue de Hermione antes de jogá-lo no chão para Poky substituir. Ele aceitou o novo garfo sem olhar para ele, e em vez disso ergueu-o sob a luz da janela para ver se havia sido polido corretamente. "Assassinato exige papelada e muito dinheiro desperdiçado, veja bem, então prefiro não pular logo para isso, mas não duvide de que é uma opção que ainda considerarei. É claro que muito mais pessoas se importam muito mais quando um bruxo morre do que quando é apenas uma prostituta sangue-ruim, mas ainda assim." Satisfeito com o estado do garfo, ele o colocou de volta ao lado de seu prato, perfeitamente reto. "Fique longe do meu filho." Era tão óbvio naquele momento que Lucius não dava a mínima para a felicidade de Draco e nunca deu. Ele só precisava de alguém que pudesse continuar e proteger seu legado, e, portanto, o fez. O pobre namorado de Hermione teve que lidar com a morte da mãe, a rejeição do pai, privação emocional e uma completa falta de afeto... Verdade seja dita, Hermione estava surpresa por ele ter crescido e ser metade do homem que era hoje e não ser apenas atrofiado.

Além disso, Hermione percebeu que se a felicidade de Draco não significava nada, então ela significava ainda menos que nada. Para Lucius, ela era apenas um obstáculo em seu caminho para a grandeza e precisava ser eliminada. Sua ameaça de morte era real - muito, muito real.

"Eu sei que ele tem seus vícios, mas seu potencial é verdadeiramente incomparável. Eu não vou deixar você impedi-lo" Lucius sorriu afetadamente.

Deixe esse filho da puta pensar que o amor é um vício.Hermione flexionou a mão, encolhendo-se o tempo todo. "Eu nunca planejei impedi-lo", ela sussurrou.

"Ótimo. Então nós concordamos. Você pode arrumar suas malas logo depois que terminarmos aqui." Ele pegou sua xícara de chá com um sorriso satisfeito antes de olhar para a mão de Hermione, pingando sangue em seu linho. "Você disse que era uma curandeira, garota, conserte isso antes que manche mais."

Hermione curou os quatro pequenos buracos logo antes de Draco voltar pesadamente para a sala, os braços cheios de lenha, depositando-os na frente do fogo antes de jogar alguns dentro. Todos na sala permaneceram perfeitamente quietos durante todo o processo. Não foi até que Draco se virou, pronto para se sentar em seu lugar, que seus olhos caíram para a poça vermelha perto do prato de manteiga de Hermione. "Hermione?" ele perguntou, os olhos indo do sangue para ela e vice-versa. O olhar em seu rosto deixou Hermione surpreendentemente ciente de que provavelmente não era a primeira vez que Lucius atacava alguém assim. Com o coração apertado, ela jurou que da próxima vez que deixasse Draco nu, ela inspecionaria cuidadosamente cada centímetro de seu corpo em busca de cicatrizes.

"Eu preciso ir. Você vai me acompanhar?" Hermione disse, dobrando o guardanapo e colocando-o no prato. Ela não queria nem olhar para Lucius para ver sua reação enquanto tomava um gole de chá, pensando que tinha vencido.

Draco assentiu, seguindo-a para fora da sala de jantar e subindo as escadas. Ela podia sentir a apreensão e a decepção saindo dele em ondas.

O problema era que a arrogância de Lucius era tão grande que ela não fazia ideia de que acabara de conhecer sua maior adversária. Hermione sabia que ela estava prestes a derrubá-lo facilmente e este homem nem poderia ver isso chegando. Hermione supôs que Draco havia herdado arrogância dele. (Bem, ela supôs que ele herdou todos os traços odiosos de Lucius.) De repente, ela desejou ter conhecido a mãe dele. Outra onda de ódio fluiu através dela por esse homem que roubou isso de Draco - roubou sua mãe e sua chance de uma vida muito melhor.

Assim que eles estavam na segurança de seu quarto, Draco desceu sobre Hermione, pegando a mão dela e estudando-a. "Ele te machucou? Você fez um feitiço desinfetante?"

"Draco-" Ela puxou a palma da mão.

"Eu sinto muito, princesa. Eu não deveria ter deixado você. Eu não sei o que eu estava pensando. Achei que ele poderia apenas falar besteiras para você, eu não tinha ideia de que ele realmente encostaria as mãos—"

"Draco-" Hermione tentou de novo interromper a divagação nervosa dele, mas não adiantou. Ele parecia um animal preso, andando pelo quarto, as mãos correndo nervosamente pelo cabelo.

"Vamos. Você estava certo: devíamos ter saído assim que ele chegou aqui, eu só esperava que..."

"Amor", ela disse com mais firmeza, agarrando as duas mãos dele nas dela, "me escute." Ele finalmente olhou nos olhos dela, ainda parecendo mais um garotinho assustado do que ela jamais o vira antes. "Eu preciso que você leia minha mente."

Suas sobrancelhas se ergueram em seu cabelo desgrenhado. "O quê?"

Hermione deu um passo mais perto, sabendo muito bem o que estava fazendo. "Eu preciso te mostrar algo que você merece saber, amor." Ela se inclinou e lhe deu um beijo rápido e casto. "Desculpe."

Draco parecia confuso, inclinando a cabeça adoravelmente. "Tem certeza?" Seus olhos se estreitaram. "Isso não é um teste?"

Hermione deu a ele um pequeno sorriso. "Não, Draco. Não é um teste. Mas vai doer para caramba."

Draco endireitou os ombros e lambeu os lábios. "Ok... você tem a memória pronta?" Hermione assentiu, mantendo os olhos bem abertos. Draco sorriu, dando-lhe uma piscadela. "Você não precisa fazer nada de especial, apenas olhar para mim está bom."

Hermione mostrou a língua rapidamente, mas depois se concentrou em tudo o que havia acontecido lá embaixo com o pai dele. Ela podia dizer o momento exato em que Draco tocou em seus pensamentos porque toda a frivolidade desapareceu de seu rosto e uma pequena ruga apareceu entre suas sobrancelhas. Ela viu em seu vacilo o momento em que ele a reviveu sendo esfaqueada e viu em seus olhos o segundo em que Lucius aludiu ao assassinato de sua mãe.

E foi nesse momento que Hermione soube que Lucius estava perdido.

Draco cambaleou para trás, soltando as mãos de Hermione, felizmente caindo em sua cama atrás dele. "O quê?" ele respirou, quase um sussurro, enquanto tentava compreender sua própria vida. "Não. Não... não pode ser... não tem como..." Draco olhou para o avelã, quase suplicante. "Não. Foi minha culpa, Hermione. Meu pai não teria me feito acreditar que fui eu esse tempo todo." Seu olhar se perdeu no espaço.

Hermione se moveu na frente de Draco, ficando de joelhos entre as pernas dele, segurando suas coxas. Ele parecia tão abalado, tão vulnerável, e ela só queria segurá-lo em seus braços e protegê-lo da verdade, mas sabia que agora não era o momento. Ele poderia desmoronar mais tarde, mas agora era a hora de agir. "Draco. Nunca foi sua culpa. A morte de sua mãe não foi sua culpa."Ela forçou um gole seco. "Foi culpa do seu pai"

"Não. Por que-?"

"Você viu o porquê."

Draco balançou a cabeça, mas sua expressão facial já havia mudado. O choque se transformou em dor por um milissegundo antes que ele percebesse que a dor era uma fraqueza que ele não podia demonstrar. Tudo o que restou foi uma máscara de raiva pura e quente não adulterada - seu Comensal da Morte estava de volta. Ela podia ver isso em seus olhos. "Fique aqui, Hermione."

Draco se levantou e marchou para a porta, seus movimentos surpreendentemente autoconfiantes para alguém que tinha acabado de ter um colapso mental. "O que você vai-?" ela começou a perguntar.

"Fique aqui. Voltarei para buscá-la e a levarei para casa depois."

Draco não lhe deu tempo para uma resposta. Antes que ela percebesse, ele havia voltado para baixo. Hermione o seguiu até a escada principal, mas o brilho nos olhos de Draco com seu último comando não deixou margem para dúvidas sobre suas intenções e ela com certeza não queria ficar em seu caminho. Honestamente, ela ainda ficava com um pouco de medo de Draco quando ele ficava assim - excitada, mas com medo mesmo assim.

Isso não impediu Hermione de tentar ouvir trechos da conversa de Draco e Lucius abaixo. Parecia que seu pai havia se dirigido para uma sala de estar quando Draco o encontrou. Não surpreendeu Hermione que ela não pudesse ouvir nenhuma de suas palavras, considerando como Draco falava mais baixo quando estava em sua forma mais mortal, mas ela certamente podia ouvir Lucius. "Filho, tenho certeza de que você-" se transformou em "O que você quer dizer? Você não pode acreditar nas palavras de uma-" para "-Eu sou seu pai! Não ouse apontar essa varinha para mim!"

E então Hermione não ouviu mais nenhuma palavra.