Aí está! O último capítulo pessoal. Essa história foi uma viagem louca e estou muito feliz com o resultado. Ainda teremos um plot twist no epílogo e um último capítulo bônus antes do encerramento da fic, então fiquem tranquilos porque ainda não acabou definitivamente.
OBS: Harry e Daphne ainda possuem o título de melhores declarações de amor da fic. Eu simplesmente não consegui fazer diferente, mesmo sendo uma fanfic dramione, sorry. Aproveitem os capítulos finais!
Quando Hermione abriu os olhos, ela sabia que tudo havia mudado. Acordar com a magia de uma varinha era muito diferente de acordar naturalmente. Era como se uma corrente tivesse passado por seu corpo, abrindo seus olhos por ela e fazendo seu cérebro ficar atento. Não havia a confusão ou a neblina de acordar sozinha – mas havia toda a perspectiva de repentinamente olhar para um mundo totalmente novo, onde ela sabia que não deveria estar.
"Ah! Então, a nossa convidada de honra acordou." Hermione não reconheceu a voz que falou atrás dela, mas ela já sabia que a odiava com paixão. Da mesma forma que todos os pelos de seu corpo se eriçaram quando ela esteve na presença de Lucius, eles o fizeram agora, seu cérebro não fazendo nada além de gritar, 'Corra, corra,corra'.
Mas ela não podia. Não porque ela estava fisicamente contida, mas porque, do outro lado da sala, diretamente em sua linha de visão, ela viu que Draco estava. Ela nunca seria capaz de fugir enquanto soubesse que ele estava em perigo.
"Draco?" Ela gritou insegura, todos, menos o seu namorado, em uma bolha borrada em sua periferia. Era como se sua adrenalina estivesse se concentrando na única coisa que importava. E ela tinha certeza de que a colocação dele bem à sua frente não era um acidente. Um deles certamente estava sendo ameaçado pelo outro.
Mas Draco também não conseguiu responder. Além de estar acorrentado a uma parede em algemas roxas brilhantes - seus braços apoiados acima de sua cabeça - uma grossa mordaça preta também foi amarrada sobre sua boca, parecendo dolorosamente apertada, o que o impedia de fazer qualquer coisa além de sons abafados. Hermione notou que ele tinha sangue seco endurecido sob as orelhas e os mesmos hematomas internos e profundos, em seu torso nu, que ele exibiu na noite em que se esgueirou para o dormitório dela. Ele claramente já havia sido torturado e parecia tão assustado e em pânico, com lágrimas brilhando em seus olhos, o que fez o seu estômago apertar. Seja qual fosse a confusão em que se encontravam, Hermione soube instantaneamente que era vida ou morte.
"Eu estive esperando ansiosamente conhecer a sangue-ruim que fez um dos meus seguidores mais leais se tornar disposto a arriscar tudo..." a voz misteriosa continuou, enquanto ele aparentemente caminhava ao redor dela, "e aqui eu descubro que é você. A melhor amiga de Harry Potter." Finalmente Hermione pôde vê-lo e, honestamente, ela ficou completamente surpresa. Em todas as vezes que Draco falou sobre seu mestre - tudo o que ele esperava de seus seguidores e todos os seus planos diabólicos para dominar o mundo – e que Harry havia contado o quão assustador ele era, ela nunca imaginou Lord Voldemort tão horripilante.
Hermione não tinha ideia de como Draco havia conseguido adiar esse momento por tanto tempo, e como ele havia escondido o seu nível de relação com Hermione. Ela estava alerta, pronta para avaliar a situação - ou seja, o quão fodidos estamos.
Hermione olhou ao redor da sala e viu que formando um círculo ao seu redor estavam, o que ela assumiu ser, todos os Comensais da Morte. Os mais novos ela conhecia e alguns dos mais velhos pareciam ser seus pais. Pansy estava próxima a Draco, lambendo os lábios na ausência da sua habitual faca de café da manhã. Um segundo depois de Hermione ter pensado nisso, a psicopata tirou a adaga do bolso e começou a brincar com ela, arrastando-a preguiçosamente para cima e para baixo no pescoço de Draco. Aquilo desencadeou algo em Hermione. Se ela machucar um pelo precioso do corpo dele, eu juro porMerlin, vou estripá-la como um peixe.
Voldemort deve ter visto a tensão tomar conta de seu corpo, porque ele soltou sua própria e triste tentativa de risada humana. "Não se preocupe. Ela não vai machucá-lo a menos que eu mande. Ela é leal."
Hermione se irritou com suas palavras. Havia tanto para destrinchar lá. O golpe da lealdade era óbvio, mas ela não conseguia parar de pensar sobre quem ele queria dizer que tinha permissão para machucar Draco. Suas mãos se transformaram em punhos e Hermione percebeu que ela ainda tinha sua varinha nela. Voldemort a subestimava tanto - a via como uma ameaça tão pequena - que nem se preocupou em desarmá-la. A percepção fez seu sangue ferver. Claro, ela sabia que estava em desvantagem de trinta para um, mas a implicação de que ela era tão inútil, tão sangue-ruim que não poderia causar absolutamente nenhum dano, era humilhante demais.
Hermione continuou escaneando. Ao longo da parede, parecia que Zabine também estava acorrentado, o que fazia sentido, já que de jeito nenhum ele permitiria que Draco fosse tratado assim, mas parecia que ele era o único. Draco sempre disse que os outros alunos da Sonserina eram leais a ele, mas tudo o que ela podia ver agora eram garotinhos assustados com olhos esquivos, olhando em volta como se esperassem que seus destinos fossem decididos por eles. Covardes.
Mais perto de Voldemort estava Belatrix Lestrange, com um sorriso maníaco no rosto e, lado a lado, estavam os dois maiores inimigo de Hermione agora: Nott, que tinha sido o único a enfeitiçá-la e sequestrá-la e Snape, que ela sinceramente não sabia de que lado estava. O posicionamento de agente duplo fez Hermione pensar que ele trabalhou silenciosamente para derrubar ela e Draco - o que fazia sentido. Já Nott, dividia o quarto deles e poderia ter atacado Draco enquanto ele dormia, nocauteando ele e Zabine antes de trazê-los para Voldemort. Poderia ter sido difícil levitar dois corpos inconscientes para fora do dormitório sem ser detectado, mas então Hermione se lembrou da noite em que viu a reunião dos Comensais da Morte na floresta. Eles nunca passaram por ela para voltar ao castelo - eles tiveram acesso a uma passagem secreta do castelo para a Floresta Proibida todo esse tempo. Nott poderia ter levado Draco e Zabine para seu mestre dessa maneira e depois devia ter voltado por Hermione mais tarde, depois que o par tivesse sido interrogado, e Voldemort tivesse convocado o resto de seus seguidores para uma reunião.
Nott pode ter sido quem tocou meu rosto.Sua pele se arrepiou com o pensamento. Será que o maluco iria se aproveitar do estado de inconsciência de Hermione para acariciá-la? Ela mal podia esperar para sair desta sala para que ela pudesse colocar as mãos em volta de sua garganta e mostrar a ele o que seu contato indesejado lhe custaria e então ela assistiria enquanto a vida se esvaía de-
"Hum, muita raiva eu sinto vindo desta aqui", Voldemort anunciou para a sala arrogantemente enquanto continuava seu passeio ao redor dela, como se estivesse andando por um parque. "Surpreendente..., mas talvez não." Hermione notou que cada pessoa ali prestava atenção em cada palavra dele, mas não como se eles se importassem, e sim porque eles estavam nervosos com o que essas palavras significariam para seu próprio futuro. "Diga-me, jovem Sr. Malfoy, você gosta dessa sangue-ruim porque ela te lembra a sua mãe?"
Draco protestou violentamente contra suas restrições, mas Hermione falou, sabendo que ele não poderia fazer isso sozinho. "Não fale da mãe dele."
Voldemort olhou para ela, unindo seus longos dedos ossudos atrás de sua espinha. "E por que não?"
"Porque ela o amava tanto quanto eu o amo."
O canto da boca de Voldemort se contorceu e, por um momento, Hermione se lembrou do que Draco disse a ela sobre Voldemort ser a única outra pessoa atualmente viva que podia ler mentes. Ela se perguntou se ele tinha dado uma espiada agora e visto a verdadeira inclinação perversa de seus pensamentos. Porra, eu gostaria que Draco tivesse me ensinado como proteger o meu cérebro.
"Que... fofo". Voldemort disse, não deixando espaço para mal-entendidos sobre o quão nojento ele achava seus sentimentos. Ele se voltou para seus Comensais. "Percebam, tanto quanto a sangue-ruim aqui é ingênua, o Sr. Malfoy tem sido idiota." Os olhos de Hermione dispararam para Draco, observando enquanto sua testa franzia e seu corpo estremecia, tentando e falhando em se libertar. Quanto mais ele lutava, mais apertadas as correntes roxas pareciam envolver seus braços, mantendo-o tenso. Hermione não pode nem imaginar a força da magia que Voldemort teve que empregar para ser capaz de manter Draco preso em um só lugar. "Ele tolamente acreditou que tinha potencial,que eu estava de fato preparando-o para ser meu protegido, quando nada poderia estar mais longe da verdade." Voldemort girou, suas vestes ondulando atrás dele enquanto ele encarava Draco, desejando provocá-lo diretamente em seu rosto. Hermione poderia dizer que Voldemort achava que Draco realmente o amasse como um mestre e acreditava que dizer as seguintes frases realmente quebrariam seu espírito. "Na verdade, ele sempre foi apenas o preço que tive que pagar para manter seu pai sob controle."
Houve um murmúrio geral entre os Comensais da Morte e a atenção parecia reforçar Voldemort, fazendo seus olhos avermelhados brilharem um pouco mais e seus ombros se moverem para trás um pouquinho. Hermione percebeu que o megalomaníaco quase se divertia com seu pequeno show, seu discurso, tentando projetar sua sagacidade e esperteza para quem quisesse ouvir. Afinal, como alguém saberia que ele era um gênio do mal que havia superado a todos, a menos que pudesse se gabar disso? Mas, assim como com Lucius, Hermione não pode deixar de esperar que toda a conversa dele se tornasse a sua ruína. Por que os vilõesadoramse gabar de cada movimento próprio?!Hermione sabia que ela não era arrogante assim. Afinal, por quanto tempo ela manteve seu segredo sobre apagar a memória de seus pais? Ela era diferente disso - eu sou diferente.
"Veja, seu mestre sempre soube o benefício de ter uma pessoa dentro do ministério. Alguém que pode escrever nossas leis para nós e ajudar a fazer o público em geral ver o caminho certo... e tudo o que ele queria em troca era," Voldemort varreu uma mão pálida para Draco, "que seu próprio sangue fosse recrutado. Para receber um lugar no meu círculo íntimo. Nepotismo." Alguns Comensais da Morte mais velhos riram, mas Hermione não tinha certeza se era uma piada. "Draco Malfoy realmente pensou que fosse especial. Que ele fosse poderoso. Que ele fosse um gênio, podem acreditar nisso?"
Desta vez, Voldemort esperou pelo riso, abrindo os braços com uma expressão de expectativa, e ele foi naturalmente recompensado com isso. Hermione pensou que podia ver a luz nos olhos de Draco escurecer um pouco, estando envergonhado e humilhado por sua difamação pública, então Hermione tentou pegar seu olhar. Ela estava gritando - Não é verdade! Vocêétodas essas coisas, não ouse acreditar nele nem por um segundo! -tão alto em sua cabeça, desejando que ele apenas olhasse para ela e a visse ali, mas ele não encontrava o seu olhar.
Voldemort continuou. "O único problema é que, como minha obediente serva Parkinson acabou de me informar, o Sr. Malfoy aqui saiu de férias e matou seu próprio pai."
Merda, pensou Hermione, percebendo o que estava acontecendo alguns segundos antes de todos os outros no círculo perceberem. Não apenas Draco nunca significou tanto para Voldemort quanto ele originalmente pensou que significasse - e realmente, estava apostando muito - mas também assassinou alguém querealmente era vantajoso para Voldemort. Hermione não entendeu como ela não tinha visto isso antes, masera claro que Voldemort precisava de alguém de dentro para ajudar a fazer todo o trabalho sujo para ele, instaurando as leis que permitiriam que ele prosperasse e continuasse reunindo lacaios. Ela supôs que era mais ou menos para isso que ele estava usando Draco também. Talvez os psicopatas sempre desejem lealdade cega, mas nunca estejam realmente dispostos a retribuir.
Mas é claro que Parkinson delatou Draco, Hermione considerou mais. Draco vinha reclamando que a animosidade entre eles estava fora de controle desde o ano anterior, mas Hermione nunca pensou que ela o entregaria dessa forma.
"Então você vê," Voldemort sibilou, "o jovem Malfoy não tem mais valor para mim."
A mente de Hermione absolutamente entrou em curto-circuito, mil e uma maneiras de assistir Voldemort matar Draco piscando em sua mente, todas variações de uma mesma tragédia mais horrível do que a próxima.
"Sim, ele tem!" Hermione gritou desesperadamente. "Claro que ele tem. Seu pai é um mártir no ministério agora; seu nome pode levá-lo longe. Ele pode ser sua mais nova conexão. Ele pode fazer as leis. Ele é inteligente o suficiente para conseguir um emprego lá!"
Draco finalmente chamou sua atenção e Hermione odiou o olhar em seu rosto. Seu orgulho tinha claramente levado outro golpe por Hermione ter que implorar por sua vida, e parecia que ele estava se preparando para lutar para que ela nunca tivesse que se humilhar novamente.
"Silêncio, garota tola!" Voldemort ordenou, chateado porque seu discurso demoníaco estava sendo interrompido. Ele manteve sua consideração por seus seguidores, desejando que eles prestassem atenção apenas a ele e não ao seu pequeno show secundário. Hermione pode ver que alguns dos olhares dos Comensais da Morte vacilaram, Crabbe e Goyle olhando de soslaio para Draco, claramente não acostumados a fazer nada sem a aprovação dele. Isso deu a Hermione um vislumbre de esperança. Podemos fazer isso - ainda podemos sair disso!
"Todos os meus verdadeiros seguidores sabem que agimos para o bem maior. O que fazemos individualmente é para nosso propósito singular: melhorar o mundo para os bruxos - e qualquer um que se desvie desse caminho é um perigo para todos nós." Voldemort ergueu a varinha para apontá-la para Draco no momento em que Hermione teve seu maior tremor involuntário. Ela já sabia que Dumbledore era louco, mas ouvir palavras que ela podia imaginar tão claramente saindo da boca do diretor sendo sibiladas pela língua de serpente do inimigo era quase demais. Eles eram loucos, todos eram loucos para caralho, mas Draco não era. Draco era toda a sua maldita vida agora e se qualquer um deles, Dumbledore ou Voldemort, o matasse, eles a matariam por associação.
Quão injusto o universo teria que ser para fazê-la se apaixonar por Draco apenas para arrancá-lo dela? Como a vida poderia convencê-la do quanto ela não poderia viver sem ele, apenas para tentar forçá-la a fazer exatamente isso? Hermione não permitiria. Enquanto algo ainda estivesse em seu poder, enquanto seu coração ainda batesse em seu peito, ela não permitiria que o sol nascesse em um mundo onde Draco Malfoy não respirasse, são e salvo em seus braços.
Voldemort, aparentemente vivendo para o drama, virou-se para Hermione. "Então, novamente, foi ela quem o transformou. Ela é a razão pela qual os meus seguidores não praticam mais suas habilidades em Hogwarts e a razão pela qual, de repente, tenho reclamações sobre matar 'colegas bruxos', como se os sangues-ruins pudessem ser como nós."A ideia de Voldemort respondendo às queixas do Comensais como um gerente de recursos humanos, vasculhando pequenas notas anônimas de uma caixa de sugestões quase fez Hermione rir, mas felizmente ela se conteve. Que porra há de errado comigo?Talvez a perspectiva de ser privada do amor de sua vida a tivesse feito perder a cabeça e agora ela era uma das loucas também. "Eu até tenho Comensais da Morte me dizendo que ela não é tão ruim." Alguns de seus colegas de classe se inquietaram desajeitadamente, mas os olhos de Voldemort perfuraram os de Hermione. Bem, foda-se. Hermione também não queria ter que duelar com ele um contra um, se era nisso que tudo se resumiria. Ela sabia que era boa - mas ela não era tão boa assim.
Snape inesperadamente se intrometeu. "Milorde", ele disse morbidamente. "O senhor disse que ainda tinha planos para a sangue-ruim."
Voldemort parecia quase exasperado por mais uma interrupção, mas manteve os olhos fixos em Hermione. "Sim, sim, Severus, eu não esqueci." Ele deu um passo à frente e Hermione lutou para manter o equilíbrio com a aproximação dele. "Mas que maneira melhor de punir o jovem Sr. Malfoy do que ferir a sua obsessão?"
Draco deu sua mais selvagem luta contra a parede, suas algemas quase cortando a circulação de suas mãos enquanto seus olhos imploravam. Seu pedido sem palavras era muito claro: Me leve, me machuque,me mateem vez dela.
A exibição angustiada apenas fascinou Voldemort, como um homem que evidentemente nunca entendeu o amor. Alcançando um cacho do cabelo de Hermione, ele o deixou escorregar entre seus dedos frios. "E quanto a você? Por que tantos dos meus seguidores estão tão intrigados?" Hermione lutou contra o tremor, tentando ficar perfeitamente imóvel. "E quanto a você que os faz perder a cabeça?" Se Hermione não o conhecesse melhor, ela diria que ele quase parecia... enciumado?
"Por que você não nos mantém por perto e descobre por si mesmo?" Hermione disse atrevida, apenas a leve contração de seu nariz revelando como seu estômago estava se alimentando de nervosismo no momento. Alguns dos homens mais velhos não puderam deixar de rir da audácia dela.
"Silencio" Voldemort atirou o feitiço nela, seus olhos apenas se estreitaram, ainda mais irritados.
Hermione sabia que ele nunca os deixaria ir. Sua palma ficou suada, ameaçando derrubar a varinha ainda apertada firmemente dentro dela. Ela deveria lançar um feitiço? Obviamente ele o veria vindo a um quilômetro de distância e o desviaria, mas ela tinha que tentar, não é? Ou isso só iria irritá-lo mais? Fazê-lo torturar os dois mais lentamente antes de matá-los apenas por despeito? Ela não queria fazer nada, mas não podia arriscar a retaliação de Voldemort, especialmente se fosse dirigida a Draco.
O movimento do pulso de Voldemort fez Hermione pular, esperando um flash de dor evitável, mas em vez disso, uma porta no lado direito da sala se abriu e Nott, que ela nem tinha percebido que havida saído do cômodo, entrou arrastando Daphne e Harry que entraram tropeçando em si mesmos, Harry algemado e praticamente inconsciente, enquanto Daphne estava bastante suja, como se tivesse batido em uma porta por horas em uma vã tentativa escapar.
NÃO!
A loira olhou ao redor da sala aterrorizada. "Por favor, eu imploro, não faça nada com Harry", ela começou a gritar, erguendo as mãos como se mostrasse que não representava absolutamente nenhuma ameaça. "Se você o deixar viver, farei tudo que você quiser."
Harry apenas gemeu em resposta, aparentemente silenciado.
A tagarelice de Daphne foi instantaneamente interrompida enquanto ela agarrava sua própria garganta, seu rosto ficando estranhamente roxo enquanto ela cuspia. Voldemort continuou falando como se não pudesse ouvi-los ofegando atrás dele. "O menino que sobreviveu e a traidora do sangue."Daphne caiu de joelhos enquanto Harry tentava segurá-la, os olhos da loira desfocados e esbugalhados enquanto se engasgava. "Acharam que poderiam escapar de mim escondendo seu romance patético". Ele se virou, alternando o olhar entre Daphne e Draco. "Isso me faz pensar se vocês realmente são puros sangue e não mestiços. Porque vocês dois realmente deveriam ter pensado melhor antes de tentar me desafiar."
Harry, Hermione disse como uma pequena oração dentro de sua própria cabeça, observando o que estava acontecendo na frente dela em câmera lenta. Por favor não morra, faça alguma coisa,faça alguma coisa!Ela gritou internamente. Bellatrix lambeu os lábios à sua frente, preparando-se para o banquete de derramamento de sangue que era iminente. Hermione ficou alerta, preparando-se para a batalha - ela não permitiria que seu namorado, seu melhor amigo e Daphne, que era tão importante para seus dois meninos, e que de certa forma ela também passou a amar, morressem naquele lugar.
Voldemort acenou com a varinha novamente, e de repente o terrível chiado de Daphne parou, a loira voltando a respirar de novo, enquanto ela e Harry permaneciam no chão. Voldemort disse um encantamento, retirando o feitiço de silenciamento de Hermione, enquanto um machado muito afiado apareceu na frente dela. "Mate Potter."
Hermione olhou para Voldemort, seus olhos cor de avelã arregalados, enquanto engolia o oxigênio que ainda não satisfazia seus pulmões. "O-o quê?"
Com a mesma calma, Voldemort repetiu suas instruções. "Harry Potter. Se você quer que seu amado viva, pegue o machado. E mate-o." Ele disse isso como se estivesse pedindo uma xícara de chá matinal.
"Não!"Daphne gritou, pronta para correr e intervir. Assim que ela levantou e deu um único passo, no entanto, seu corpo fez um movimento que parecia que ela estava presa a um elástico, sendo puxada para trás, fazendo-a cair de bunda.
Hermione também lutou para se levantar, enquanto Daphne se arrastava para frente de Harry, gritando com todas as suas forças. "Não! Não se atreva a tocá-lo! Não seatreva..."
Outro movimento preguiçoso da varinha de Voldemort e Hermione percebeu que a boca de Daphne agora também se movia sem palavras.
"Mate-o, agora."
"Não!" Hermione disse, os olhos disparando entre Voldemort e Daphne, que ainda seguia tentando gritar seus protestos. "Você está louco? Ele é o meu melhor amigo-"
"Vergonha." Houve um flash ofuscante de luz vermelha que passou através de Daphne e atingiu Harry, e Hermione observou a menina loira se virar, seu rosto em profunda agonia enquanto a camisa de Harry começava a ficar lentamente ensopada de sangue. Seus olhos verdes rolaram nas órbitas enquanto seu sangue escorria do nariz e ele desmaiava no chão. Hermione nunca havia visto alguém com tanto sofrimento estampado no rosto como Daphne naquele momento, sua expressão paralisada em um grito silencioso, enquanto tentava estancar as feridas de Harry usando o próprio corpo.
"PORRA!"Hermione gritou, tentando correr até Harry, mas se mantendo presa no mesmo lugar devido ao feitiço de Voldemort. "Que porra foi essa? Harry? Harry, por favor, acorde!"Ela sabia que ele havia sido atingido pelo mesmo feitiço que Pansy atirou em Draco no Salão Comunal da Sonserina. Hermione sabia que em pouco tempo, Harry estaria morto. "Harry, por favor, aguenta firme", Hermione choramingou, ranho começando a escorrer de seu nariz. "Não me deixe assim-"
Ela viu Daphne enxugar o choro do próprio rosto com as mãos sujas de sangue de seu namorado, deixando marcas vermelhas em suas bochechas. Era uma visão terrível de se ver.
Com um movimento de varinha de Snape, o sangue de Harry começou a voltar para o corpo rapidamente, seus ferimentos desaparecendo enquanto suas roupas não deixavam transparecer nem mesmo uma gota de sangue. Alguns segundos depois, Harry abriu seus lindos olhos verdes e sorriu diretamente para Daphne, que não levou nem mesmo um segundo para se atirar em cima dele chorando de puro alívio.
Voldemort girou, procurando Snape com os olhos, mas aparentemente o professor havia desaparecido.
Hermione podia sentir suas cordas vocais rasgando e gritando enquanto ela tentava empurrar a barreira que a deixou presa no chão sem sucesso. Ela observou quando Daphne balançou a cabeça para ela e pegou o machado, que havia aparecido misteriosamente na frente da loira, olhando diretamente para Hermione como se estivesse pedindo desesperadamente para que ela encontrasse uma solução rápida. O machado parecia enorme em suas mãos pequenas, o objeto claramente pesando mais do que apenas fisicamente. Mesmo com todo o seu desespero, Hermione pode ver o momento em que Daphne decidiu o que ia fazer - ela ia tentar matar Voldemort.
Daphne vai morrer. Vamos todos morrer. Ela iria assistir Harry e Draco morrerem, e ela sentiria aquilo como se fosse ela mesma. Ela podia sentir seu coração se partindo, as válvulas se fechando e decidindo que bombear sangue estava fora de cogitação, quando todas as pessoas que ela amava iam morrer. A dor era insuportável.
A magia está em seu sangue. Está em suas veias, e seu coração é o que a bombeia por todo o corpo, transferindo-a das pontas dos dedos da mão até os dedos dos pés. Você tem que imaginar...
De repente, ela ouviu a voz de Draco como se fosse sussurrada diretamente em seu ouvido. Seu estado alterado de adrenalina a deixou lenta na absorção, mas ela percebeu que eram as palavras dele, de quando ele estava ensinando a ela magia não-verbal. Ele tinha estado em cima dela naquela noite, tocando seu peito onde estava seu coração, e ela estava muito confusa..., mas funcionou. Malfoy, bem, Draco agora, havia lhe ensinado o caminho.
Hermione observou paralisada enquanto Daphne se levantava e se virava, indo diretamente para Voldemort. Ela viu Belatrix começar a rir, levantando a sua varinha na direção de Daphne, enquanto Voldemort olhava para a loira sem nem mesmo se mexer. Seus olhos se desviaram e se encontraram com os de Draco, vendo um olhar que ela nunca tinha visto antes. Ele parecia apologético, arrependido e derrotado.Não! Foda-se, não, não se atreva a desistir agora, Malfoy. Não se atreva, porra! Ela gritou em sua mente. Ela podia se lembrar de suas palavras anteriores com tanta clareza, quase incitando-a.
Sinta isso preenchendo cada centímetro do seu corpo. Sinta o que isso faz com você.
Sem pensar muito, ela ergueu a varinha, apontando-a diretamente para Bellatrix. Ninguém tiraria as pessoas que ela amava dela. Ninguém.
Hermione nem mesmo viu a maldição atingir o peito de Belatrix. Ela mal registrou que tinha lançado um novo feitiço pela primeira vez e muito menos que tinha sido um não-verbal. Tudo o que ela sabia era que não tinha outra escolha. Ela observou como os olhos de Harry brilharam verdes, as manchas de jade em sua íris brilhando ainda mais com o flash da maldição, e ela saboreou o fato de que eles ainda estavam cheios da vida da qual ela sempre protegeu tão fortemente. Harry ainda estava aqui, com ela, vivo. Todos eles ainda estavam vivos.
Enquanto o corpo de Bellatrix bateu ruidosamente no chão, algo mudou nos olhos de Draco enquanto sua mandíbula se fechava. Um interruptor foi acionado e Draco estava de volta ao jogo. Volte para mim, amor.Era como se ver até onde Hermione estava disposta a ir para mantê-los todos juntos o lembrasse exatamente pelo que ele estava lutando - e quem ele era. Ele era Draco Malfoy, e sua garota, a garota que tinha literalmente acabado de matar por ele, por sua melhor amiga e por Harry. Ela precisava dele agora. Se ele havia conseguido contornar as barreiras de Hogwarts, certamente poderia escapar da prisão mágica de Voldemort agora. Ele poderia fazer isso - ele poderia salvá-los.
Um segundo depois, as algemas roxas que o prendiam bateram contra si mesmas vazias, enquanto Draco desaparecia de vista, finalmente tendo desaparatado. Lá vamos nós, pensou Hermione enquanto todas as velas brilharam ameaçadoramente na sala antes que um vento forte e inesperado soprasse todas elas - aparentemente vindo do nada. Houve várias vaias e gritos dos Comensais da Morte antes que Hermione ouvisse outro conjunto de algemas atingindo a parede - Harry agora estava livre também, pois Draco voltou a ter contato com a magnitude de sua proeza mágica.
Voldemort reacendeu todas as chamas de uma vez, olhando em volta estranhamente confuso, como se não pudesse acreditar que não apenas alguém conseguiu se libertar de suas correntes, mas também que de alguma forma quebrou suas proteções.
Todos os Comensais da Morte, exceto Voldemort, gritaram quando seus corpos foram jogados contra as paredes atrás deles em ângulos estranhos, apoiados lá como ratos presos em uma armadilha pegajosa. Hermione observou Simas Finigam gritar mais alto, tentando mexer o corpo para frente e para trás para livrar os braços da cola invisível, sem fazer absolutamente nenhum progresso, enquanto Daphne se chocou contra Hermione, se jogando no chão ao lado dela, a abraçando, aparentemente libertada por algum dos seus dois meninos. Ela conseguiu ver Pansy, de alguma forma, liberando um braço após o outro, meticulosamente se desprendendo da parede, um membro de cada vez.
"Mostrem-se!" Voldemort declarou, girando e agitando sua varinha, lançando todos os tipos de feitiços que Hermione não conseguia nem imaginar.
A sala balançou para frente e para trás como se estivesse no meio de um terremoto, mas não foi até Voldemort fixar seu olhar em Hermione, lembrando que ela era um peão nesta luta que ele poderia manipular, que uma cadeira no canto da sala explodiu em mil estilhaços, todos lançados diretamente em seu rosto. Voldemort facilmente os desviou para o lado, perfurando um de seus seguidores mais velhos presos, matando-o descuidadamente. "Vocês não podem se esconder para sempre!"
Um uivo raivoso atrás dele fez Voldemort se virar para Draco quando Harry reapareceu do outro lado, iniciando assim uma batalha brilhante como Hermione nunca tinha visto. Era mais aparente do que nunca que a Armada de Dumbledore não foi nada menos que um pequeno aquecimento divertido para Harry, enquanto ele e Draco lançavam maldições tão poderosas que a cegavam e faziam a sua pele arrepiar. Um segundo antes de a sala ser engolfada por um rápido inferno azul, fazendo todos os Comensais da Morte gritarem em agonia, Hermione viu um escudo iridescente envolvendo ela e Daphne, garantindo sua segurança. Mesmo no meio da luta contra o bruxo mais malvado de todos os tempos, Draco estava se certificando de que ela e sua melhor amiga estivesse bem e ilesas. Ele a amava e protegia de uma forma que nenhuma outra pessoa em sua vida jamais fez.
Ela tinha que fazer o mesmo por ele. Draco e Harry eram claramente capazes de se defender contra Voldemort - para a grande surpresa do bruxo mais velho - mas eles não poderiam fazer isso se Pansy realmente se libertasse. Hermione correu para lutar com ela assim que a sonserina caiu no chão, empoleirada em suas mãos e pés, como um gato. Ela poderia enfrentar essa garota, era o mínimo que ela podia fazer.
"Eu esperei muito tempo por isso", Pansy cuspiu enquanto endireitava as costas, uma vértebra de cada vez. "Você vai pagar por tudo que fez, sangue-ruim."
Hermione sorriu maliciosamente enquanto levantava sua varinha. "Vamos ver, vadia."
Hermione e Pansy dispararam suas próprias maldições, algumas acertando e queimando Hermione até o âmago. Pansy estava lutando para matar, ela podia ver em seus olhos perturbados, mas Hermione estava lutando por amor. Foi esse conhecimento que estimulou Hermione, fazendo-a pensar que poderia vencer, apesar de Pansy ter mais prática na arte de ser imprudentemente violenta. No final do dia, Draco sempre amaria Hermione mais do que Draco jamais gostou de Pansy algum dia - era apenas um fato.
Em um golpe de genialidade, Hermione percebeu que poderia usar a verdade a seu favor. Outro ataque de magia de Harry (ou Draco) sacudiu a sala, e uma das paredes completa com pelo menos seis Comensais da Morte ainda colados a ela, caiu fora de vista. Hermione teve que presumir que todos aqueles bruxos agora estavam mortos. Lá fora, o ar frio do inverno, misturado com a neve, atravessava o espaço, soprando os cabelos das duas garotas em volta de seus rostos.
"Você nunca vai realmente ganhar o coração dele, você sabe", Hermione sibilou, laçando um chicote mágico, tentando amarrar os pés de Pansy juntos.
Ela pulou no último segundo e rosnou. "Eu não lido com coisas insignificantes como sentimentos, sangue-ruim."
Hermione sorriu com a natureza nervosa do contra-ataque de sua oponente. "Mas você sente." Ela lançou outra maldição e sorriu ainda mais quando acertou. "Você odeia admitir, mas anseia pela aceitação de Draco. Você faria qualquer coisa por ele." Pansy gritou e tentou cortar o braço de Hermione, mas Hermione facilmente bloqueou seu feitiço desesperado e desajeitado. "Você sabe que é verdade. Ele nunca vai te ver como alguém especial." Pansy gritou quando Hermione colocou fogo em sua camisa, tendo que apagá-la freneticamente antes que ela pudesse responder. "Ele nunca vai te dar o que você quer. Ele nunca será capaz amar alguém tão quebrado, Pansy."
Tentar apalpar as brasas fumegantes de suas roupas a fez perceber que ainda tinha algo em seu bolso, e Hermione quase reagiu tarde demais quando a viu puxar sua adaga e jogá-la na direção de Hermione de qualquer jeito, que acabou caindo aos pés de Daphne.
Como se o tempo tivesse diminuído, Hermione viu Daphne se abaixar até a lâmina e lançá-la para frente em um caminho fatal, observando-a zunir - aparentemente tendo uma mente própria sobre quem se enterrar. Um segundo depois, houve um som abafado e Voldemort caiu de joelhos, sangue borbulhando por seus lábios.
A lâmina de Pansy, atirada pelas mãos de Daphne, estava cravada no pescoço de Lord Voldemort.
"Meu Senhor!"Pansy gritou, soando aterrorizada, quando percebeu o que tinha causado.
Mas Voldemort não prestou atenção nela, os olhos de cobra piscando em choque enquanto ele lutava, segurando a faca em sua garganta antes de arrancá-la, olhando para elas em completa descrença enquanto o sangue escorria da lâmina até seus dedos. Era como o que Hermione tinha pensado quando quase assassinou Draco, exatamente com a mesma adaga - que justiça poética matar Voldemort com uma ferramenta projetada por trouxas, também conhecida como seu maior medo.Ele sempre foi tão seguro de sua supremacia mágica, sua onipotência absoluta, que nunca tinha visto algo tão simples quanto uma faca sendo capaz de derrubá-lo.
Pansy ainda estava gritando enquanto queimava viva, tentando correr para ele, mas houve outro flash de luz verde da ponta da varinha de Draco, e ela caiu para frente, o corpo escorregando para os joelhos de Voldemort. Mais uma vida perdida, mais um obstáculo superado.
Harry avançou, invocando a varinha que havia caído dos dedos flácidos de Voldemort enquanto ele lutava para respirar, e quebrou-a em duas na frente de seu rosto. Sua voz era calma e fria como gelo, quando ele perguntou: "Quem é o fraco agora, Tom?" Hermione forçou um gole de saliva enquanto via seu melhor amigo vivo. Ele não vai morrer. Acabou.
Harry deu as costas para Voldemort enquanto ia de encontro a garota que havia salvado a vida dele, que havia renunciado a tudo por ele e que havia lutado pelo amor dele sobre todo e qualquer obstáculo. Harry abraçou Daphne e Hermione teve certeza de que, daquele dia em diante, nem mesmo a morte seria capaz de separar aqueles dois.
Hermione dirigiu seu olhar a Draco, que acenou com a varinha e soltou todos os jovens Comensais da Morte restantes ainda presos às paredes, convidando-os a assistir enquanto eles derrubavam seu antigo líder. Todos eles se levantaram, mas pareciam incapazes ou sem vontade de fazer muito mais.
"Olhe para mim", Draco ordenou, agarrando o queixo de Voldemort e forçando-o a olhar. Hermione ficou surpresa ao saber que o monstro devia ter um coração afinal, porque suas vestes estavam encharcadas com o sangue que jorrava de seu pescoço em cascata. "Vamos fazer as coisas do meu jeito de agora em diante. E não há nada que você possa fazer para me impedir."
Voldemort deu um último suspiro agonizante quando Draco soltou seu queixo, e seu corpo caiu no chão, aos pés de Draco.
Hermione observou enquanto Draco se dirigiu até Zabine e retirou suas algemas. Ele se virou para o cadáver de Voldemort e inclinou a cabeça lentamente, seus olhos brilhando em um lindo prata, enquanto um sorriso lentamente se espalhou por seus lábios. Os músculos em seu peito se expandiram e se contraíram rapidamente, seu cabelo loiro grudado na testa com suor, e ainda assim ele estava olhando para ela de forma tão sedutora, como se nunca tivesse tido dúvidas em sua mente que era assim que as coisas sempre acabariam. Ele estava sorrindo como se fosse exatamente assim que ele sempre imaginou o mundo que Hermione merecia. A imagem era assustadora.
Draco Malfoy foi até Harry Potter, que ainda estava abraçado à Daphne, observando o desenrolar dos acontecimentos e estendeu a mão, a qual Harry aceitou prontamente. O coração de Hermione inchou de uma forma que ela nunca pensou que seria possível.
"Hermione." Draco chamou enquanto levantava a palma da mão aberta em sua direção, acenando para ela. Mesmo que ele não tivesse feito um gesto físico para que ela se juntasse a eles, Hermione teria sentido seu chamado com cada molécula de seu corpo. Ela era atraída por ele - ela sempre foi. Ali era o seu lugar, com as pessoas que sempre a enxergaram, a aceitaram e a amaram como ela era.
Com a respiração presa em seus pulmões mais uma vez, Hermione não viu nada além deles em uma sala cheia de pessoas, seus pés a levando em direção àquele grupo seleto, como se magicamente convocada, sua própria mão estendida para aceitar a de Draco.
"Blaise," ela sussurrou para Zabine enquanto o Sonserino passava por cima do corpo de Voldemort e ficava ao seu lado.
Draco carinhosamente colocou um pouco de seu cabelo atrás da orelha, deixando sua mão se demorar em seu queixo, antes de se inclinar para beijá-la docemente, com reverência, prometendo nada menos do que para sempre. "Eu te amo, princesa", Draco respirou apenas para ela, antes de olhar para seu pequeno improvável grupo e depois para todos os jovens Comensais da Morte com expectativa.
Um por um, todos caíram de joelhos, curvando a cabeça ao redor dos cinco, quando Harry apenas sorriu e cruzou os braços na frente do peito, olhando para Malfoy. "Bom, eu não vou me ajoelhar, cara. Mas você sabe que estou do seu lado."
Draco riu, observando seus novos seguidores, todos dedicados a ele. Bem, a nós.
Daphne então resolveu dizer a sua primeira frase, após ter matado o bruxo das trevas mais poderosos de todos os tempos. "Desde que você ajoelhe para me pedir em casamento algum dia, acho que está tudo bem."
"Algum dia não. Hoje."
Todos eles congelaram enquanto encaravam Harry, tentando entender o que ele havia dito.
"O quê?"
"Case comigo."
Daphne se virou abruptamente, os olhos azuis arregalados, lábios entreabertos em choque. Hermione estava alucinando? Eu tenho que estar. Não há outra explicação possível para essa situação.
Daphne parecia não ter certeza do que estava acontecendo. "O que você disse?"
"Eu quero que você se case comigo." Mas é muito real para ser uma alucinação.
"Eu estou louca ou você está pedindo a minha mão?"
"Eu quero ser seu marido. Logo. Então sim, eu estou pedindo a sua mão. Agora mesmo. Dane-se tudo. Apenas... case comigo."
As bochechas de Harry estavam coradas, seus olhos brilhando, mechas de cabelo negro caindo em sua testa roçando seu rosto. Ele juntou as mãos nas de Daphne, mordendo o lábio suavemente.
"Harry, nós nunca nem tivemos um primeiro encontro-"
"Eu não preciso de um primeiro encontro. Eu já sei o que eu quero. Você não me perguntou se eu estava nessa tanto quanto você? Eu estou nessa para a vida toda. Eu quero que você se case comigo. Nós podemos ter um casamento simples, apenas com os nossos amigos. Podemos ver você e Hermione discutirem e brigarem sobre você me sexualizar até na hora dos votos. Malfoy vai se embebedar e chorar, contando histórias sobre quando vocês eram crianças. Blaise pode ser seu padrinho e eu sei que ele deve fazer um discurso horrível e atrevido que vai horrorizar a todos na sala, exceto você. Então, vamos nos casar. Amanhã. Ou no próximo fim de semana. Ou daqui a três semanas. Posso comprar um anel ou talvez possamos fugir como você queria. Mas não me faça passar mais nenhum único dia longe de você. Quero morrer junto com você, exatamente no mesmo dia, para nunca ter que sentir a sua falta. Quero ter no mínimo 3 filhos com você. Ou só 1 filho se você não quiser ter muitos, não importa o sexo, mas tem que ter o seu cabelo. E eu quero me casar com você. Sério, isso é o que eu quero... você é tudo o que eu sempre quis, na quero você, Daphne Greengrass. Eu quero me casar com você. Eu te amo. Então diga sim. Por favor. Case-se comigo."
Daphne olhou para Harry com olhos azuis arregalados e ansiosos, cabelo loiro bagunçado, peito arfando. Harry também estava cheio de adrenalina, cheio de esperança, cheio de ansiedade.
Daphne estendeu a mão e agarrou o tecido do suéter de Harry, olhando para ele com os olhos brilhantes. "Se você gosta da sua sanidade, vai me prometer que nunca vai dar gemada para Draco na nossa festa de Natal. Nunca. E sim, Blaise vai deixar todos marcados pelo resto da vida com o discurso dele de padrinho. Tenho certeza de que você enlouqueceu, mas a resposta é sim. Eu quero me casar com você. Eu sonho em ser sua desde os meus 14 anos e tudo o que eu quero é morrer no mesmo dia que você, para nunca precisar viver em mundo em que você não exista. E eu quero filhos. Com os seus olhos. Podemos ter quantos você quiser, mas Draco vai ter que ser o padrinho de pelo menos um deles. E eu também te amo. Você sabe que eu te amo. E, sinceramente, eu já te amei em silêncio por tempo demais. E esta conversa é uma das mais estranhas que eu já tive - e isso quer dizer alguma coisa, já que eu convivo com Blaise há anos."
Harry riu pegando Daphne em seus braços, dizendo o quanto a amava e que eles deveriam ter um gato também.
"Bom, parece que estou cem galeões mais rico. Não fique chateado, irmão!" Blaise disse, pensativo. Draco gargalhou alto, abraçando seu melhor amigo com um braço e entrelaçando os dedos de Hermione com outro.
"Você pode ficar com o casamento, cara. Ganhar cem galeões nunca vai valer mais a pena do que ter visto a cara de Potter quando Daphne disse que eu serei padrinho do filho deles."
"Merda, você tem razão!" Blaise piscou os olhos, derrotado.
E então, o polegar de Draco traçou círculos leves como pluma no interior do pulso de Hermione, olhando dentro dos seus olhos cor de avelã. "E você? Quando vai querer começar a ser chamada de Sra. Malfoy, minha rainha?"
Hermione desviou os olhos de Draco e encarou todos os ex-Comensais da Morte ajoelhados. "Assim que o mundo se curvar perante a nós dois."
