Edward Cullen PDV
— Edward, querido. Finalmente apareceu! Seu pai acabou de nos contar a novidade — minha mãe se levantou quando entrei na sala de jantar, onde estavam todos reunidos para o café da manhã.
Eu quis grunhir, mas forcei um sorriso.
— Sim, nem acredito que você vai casar, irmãozinho — Rosalie, minha irmã mais nova falou. Ela era parecida com nosso pai, alta e loira, enquanto eu e Thony tínhamos puxado mais para nossa mãe, na cor do cabelo e dos olhos.
— É o preço a se pagar para ser chefe de tudo — sentei no meu lugar.
— Eu só acredito vendo com os meus olhos e é capaz de ainda não acreditar — revirei meus olhos para Emmett, não surpreso por ele estar ali. Há um ano ele e Rosalie assumiram seu relacionamento com a bênção de meu pai.
Claro que eu e Thony o assustamos um pouco antes, porém o cara aguentou firme e então ganhou o aval dos irmãos mais velhos superprotetores.
Toda vez que me lembrava da forma que o assustamos eu morria de rir. Não fomos nada bonzinhos, mas Emmett tinha segurado o tranco muito bem. E um homem que passara pelo que ele passou por minha irmã, era digno de ficar com ela.
— Pois acredite, eu mesmo o ajudei a escolher a noiva. Mal posso esperar para ver como ela vai ser pessoalmente — Thony comentou.
Ele não tinha gostado muito da garota que escolhi, dizendo que tinha mulheres mais bonitas que ela, mas não consegui declinar da minha decisão. Afinal, quem tinha que gostar era eu, não ele.
Revirei os olhos me servindo com uma xícara grande de café.
Eu amava minha família. Muito mesmo. E amava que fôssemos tão unidos, mas às vezes era um saco morar todos juntos em uma só casa. Mesmo que a casa fosse uma mansão enorme, com mais de 10 suítes e tudo que você pode imaginar, piscina, quadra de tênis e até um bunker secreto que entrava pela biblioteca.
Mas aquela era uma das regras da família fundadora da Grand C. Por isso vivíamos todos ali, a casa era toda protegida com vários seguranças armados, alarmes e lasers à noite. Cada um tinha seu próprio quarto, ao menos isso era confortante. E apesar de vivermos juntos, sabíamos respeitar o espaço de cada um.
Todos começaram a conversar sobre meu iminente casamento e sobre minha quase noiva.
Isabella Swan.
Passei a mão no bolso da minha calça, eu tinha levado a foto comigo. E de vez em quando a olhava me fazendo as mesmas perguntas.
Como ela seria?
Ela gostaria de mim?
Ela parecia doce e meiga, porém sabia que essas poderiam ser as piores. Assim como sabia também que as aparências enganam.
Não via a hora de conhecê-la pessoalmente e tirar minhas dúvidas.
…
A reunião do conselho estava marcada para logo mais e eu fui junto com meu pai e Thony, na limousine que papai tinha.
Thony ainda se divertia a minhas custas com essa história de casamento, mas parou quando lembrei que assim que me casasse, mamãe faria de tudo para ele ser o próximo.
Só quem era membro do conselho sabia a real localização do nosso ponto de encontro. Todos já esperavam quando chegamos. Éramos cinco no total.
Meu pai, o Rei e Grand Chefão, que mandava em tudo. Eu, o subchefe e segundo no comando, depois vinha Eleazar, o pai de Emmett, ele era o CEO da empresa que tínhamos e usávamos para mascarar nossa riqueza, era um importante empresário, conhecido como o Duque e o conselheiro Maior. Depois dele, Jeremy Soppy, o Barão, era senador do Estado e nosso principal interlocutor com alguns políticos e pai de Tanya. Havia também Laurent Cutler, chamado de Torre era o responsável maior pela segurança e inteligência da Grand C.
Anthony sempre participava das reuniões por ser o segundo na linha de sucessão, mas não tinha direito a voto, apesar de poder opinar nas decisões.
— Tenho um anúncio importante para fazer — Carlisle se levantou falando. Todos esperaram em silêncio. — Sei que não será uma surpresa para vocês, mas irei me aposentar e Edward assumirá meu lugar.
— Sim, chefe. Estávamos há algum tempo nos preparando para essa notícia — Eleazar concordou.
— Edward terá que se casar — Jeremy falou e soube o que ele estava esperando.
— Sei disso e já escolhi minha esposa. — rebati.
— E quem é?
— Não sua filha, Jeremy. Não me leve mal Tanya e eu já tentamos e não deu certo. Um casamento entre nós, só traria infelicidade.
Ele suspirou.
— Eu entendo.
— E Alice? Ela seria uma escolha muito boa também — Eleazar comentou.
Eu balancei a cabeça fazendo uma careta.
— Alice nem foi contada para isso, ela só tem 16 anos — meu pai pontuou.
— Seria uma honra para ela se casar com o futuro Grand Chefão.
— Para Tanya também.
— Para qualquer uma seria — Carlisle interrompeu a discussão — Mas Edward já fez sua escolha.
— E quem foi a escolhida? — Laurent perguntou, enfim.
— Isabella Swan, ela é filha de um dos nossos informantes – expliquei e inconsciente, minha mão foi para o bolso da calça, onde estava a foto. Pensei em seus olhos castanhos, o sorriso que estava em seus lábios.
Eu sabia que nosso casamento seria um acordo, mas não queria que fossemos dois estranhos, queria um enlace como dos meus pais. Com companheirismo, união e por que não, amor?
Com o tempo, esperava que esse sentimento brotasse.
— Charlie Swan? Eu o conheço muito bem — Laurent perguntou. Era para ele que Charlie passava as informações.
– Charlie Swan se tornou um membro valioso para a Grand C. Preciso lembrá-los que foi graças a ele que escapamos de uma emboscada que estava feita quando chegou a encomenda da China. Poderíamos ter perdido tudo ali. — falei.
— Isso é verdade. — Laurent concordou com a cabeça. — Ele passou todos os detalhes corretamente e há tempo de marcarmos o encontro para outro dia. Sem falar que ele jogou pistas falsas para dois agentes do FBI, que estavam chegando perto da gente.
— E a filha dele aceitará? Vocês já se conhecem? — Eleazar perguntou.
— Ainda não.
— Mas é claro que aceitará, não restará outra alternativa — meu pai respondeu, em sua voz poderosa.
Eu tremi por dentro pensando no que ele poderia fazer se ela se recusasse.
Ele não era conhecido por ser muito piedoso e não dava segunda chance a ninguém.
Até eu me assustava com histórias que já escutei de tortura e assassinatos que ele comentou com traidores. Isso era algo que meu pai abominava de todas as formas.
Uma traição deveria ser paga com sangue derramado.
— Mas ela não é de alto escalão – Jeremy observou. — Seu pai é apenas um soldado e..
— E ela se tornará minha esposa — o interrompi. — Será minha esposa consorte e irá me ajudar a cuidar de tudo, não importa da onde ela veio ou o que faz. Sua fidelidade vai ser para mim e para a Grand C, não restará outra alternativa.
Meu pai me deu um olhar orgulhoso e Thony que estava ao seu lado, mas atrás, sorriu para mim.
— Então está decidido! Depois do casamento começaremos a transição e Edward Cullen, meu primogênito, vai se tornar o membro maior real da Grand C — meu pai bateu o martelo.
E nós nos levantamos juntos. Estendemos o braço para frente e depois trouxemos para o peito onde estava o coração, com a mão fechada em punho.
— Tudo pela Grand C — entoamos em coro.
…
Era mais tarde e estava na sede da Grand C, o local estava começando a ficar arrumado para a noite. A boate era um lugar muito requisitado, por jovens ricos, que só queriam gastar dinheiro e ostentar uma vida de luxo. Eu passei pelo andar de cima, ignorando as garçonetes que sorriram para mim.
Teria uma reunião com meu pai e Charlie Swan.
A sala dele era grande, com uma estante com alguns livros, uma mesa de mogno escuro, um quadro na parede e uma televisão que dava acesso às câmeras de segurança. Ele sempre via tudo que estava acontecendo. Um dia eu trabalharia ali.
Charlie chegou logo atrás de mim.
— Chefe, mandou me chamar? — perguntou entrando apreensivo na sala, depois de um dos guardas anunciar sua chegada.
— Sim, sente-se. Temos um assunto urgente a tratar.
— O que aconteceu?
— Você nos lembra quanto deve Charlie?
— Algo em torno de um milhão?
Meu pai abriu seu caderno de couro e conferiu o valor.
— Um milhão e 586 mil, Charlie. O juros continua rodando.
Ele assobiou e passou a mão em seu bigode parecendo nervoso.
— Chefe, sabe que não tenho esse dinheiro, mas eu sirvo a Grand C, com gratidão por me deixarem estar aqui e fazer parte de tudo. Foi com sinceridade que fiz minha promessa ao entrar e servir vocês.
— Nós ê tem sido muito valioso este último ano. E ficamos felizes com sua fidelidade com a Grand C, pensamos então em sanar a dívida.
— Sério? — pareceu surpreso.
— É claro, se tiver disposto a nos dar algo em troca.
— E o que seria?
Meu pai me encarou.
— Sua filha — respondi.
A boca dele se abriu e Charlie ficou muito vermelho.
— O-o q-que quer dizer com isso? O que pensa que..
— Se acalme, homem — mandei.
— Eu vou me aposentar e Edward assumirá tudo, mas para isso ele precisa de casar, sua filha foi escolhida.
— A foto que pediu era para isso?
— Sim.
— Mas Bella é nova ainda, ela nem terminou o ensino médio.
— Mas ela já é maior de idade. — meu pai retrucou.
— Sim, isso é, mas eu não vejo como isso pode ocorrer. Ela é minha filha, a única pessoa que tenho. — ele parecia quase querer chorar.
Me perguntei o que teria acontecido a sua mãe.
— Charlie, qualquer garota ficaria encantada de se tornar a futura esposa do chefão da Grand C.
— Eu sei que sim, mas Bella não sabe que participo disso.
— Como não? — eu desgostei.
Pensei que ela soubesse de tudo. Isso poderia dificultar tudo, ainda mais se fosse cheia de moralidades.
Ele suspirou.
— Eu nunca contei a ela que me tornei um membro da máfia.
— Isso não importa. Isabella foi a escolhida e deve se casar com Edward, o mais rápido possível. Quando você entrou, trouxe sua filha para a Grand C, mesmo que ela não saiba, deve-nos fidelidade e nos servir.
— E se ela não quiser?
Meu pai o encarou por um segundo, o fazendo se encolher só com seu olhar frio.
— Terá que pagar o que deve, se não mataremos os dois.
Meu sangue gelou ao sentir a frieza na voz do poderoso chegar. Ninguém nunca se atreveria a ir contra ele.
Charlie engoliu em seco e respirou fundo.
— Vou conversar com ela, tenho certeza que Bella vai concordar com tudo — sorriu, mas percebi que era falso, me perguntei pela primeira vez o que faria se ela dissesse não.
Nunca pensei que poderia ser algo forçado entre nós dois, forçar uma mulher a ficar comigo parecia uma ideia terrível e odiei isso.
E era tarde demais para renunciá-la, todo o conselho sabia e logo a notícia se espalharia por todos os membros da Grand C.
Pelo bem de Isabellaa, esperava que ela fosse uma boa garota e concordasse com tudo.
E que déssemos certo juntos.
Bella Swan PDV
A língua dele invadiu minha boca e estremeci, suas mãos desciam e subiam pela lateral do meu corpo e tocavam cada ponto que conseguiam alcançar, parecia como uma aranha cheia de pernas.
Tentei empurrá-lo, mas ele continuou a me beijar com força, quando fez aquela coisa com a língua que eu não gostava muito quebrei o beijo virando o rosto e seus lábios desceram pelo meu pescoço, sua mão apertando com força meu seio.
— Jake, para! — pedi abrindo o olho e empurrei seu peito.
— Bella, não começa — ele falou chateado.
Eu suspirei e dei um selinho em seus lábios.
— Desculpa, mas meu pai pediu que eu chegasse cedo. Você sabe que tenho que ir ver o que ele quer.
Meu namorado bufou, seus olhos pretos pareciam com raiva.
Eu sabia que ele se sentia frustrado. Nós namorávamos escondido há dois meses e há dois meses ele tentava transar comigo e nunca dava certo.
Eu havia prometido que naquela tarde ficaríamos juntos, só estávamos nós dois na casa dele, porém meu pai havia ligado mandando que eu voltasse para casa, ele pensava que eu estava na casa de Ângela, uma amiga.
Eu amava Jacob Black, com todo meu coração. Lembro que senti como se o sol iluminasse tudo quando o vi pela primeira vez, era tão forte o que sentíamos um pelo outro, eu sabia que era um amor para vida toda.
Podia imaginar nosso casamento, nossos filhos, nossa vida juntos. Seria fantástico envelhecer ao seu lado e ver nossos netos brincando juntos. Ele era o homem da minha vida.
— Eu odeio isso, por que não podemos falar logo a verdade para seu pai? Quero que todos saibam que você é minha Bella — pediu me apertando com força.
Eu passei a mão em seu cabelo.
— Meu pai é da moda antiga, Jake. Por ele até hoje eu estava no colégio de meninas que estudei quando era mais nova, se ele souber que estou com você tenho medo que tente nos separar. — só em pensar naquilo fazia meu coração se apertar.
— Eu nunca deixaria nada separar a gente. Você sabe que eu te amo — beijou meu rosto e meu coração inchou de felicidade.
— Eu sei, eu também te amo, eu prometo que eu vou contar para ele sobre você.
Jacob roçou seus lábios nos meus.
— Ai você vai ser minha, quero te fazer minha mulher.
Eu gemi, sentindo o prazer percorrer meu corpo.
— Eu serei sua para sempre — prometi beijando seus lábios. Ele voltou a me beijar com força, mas o empurrei e levantei da sua cama, antes que as coisas esquentassem de novo e não conseguisse mais pará-lo ou pior ainda, eu não quisesse mais pará-lo.
— Eu te amo, te mando mensagem depois.
Ele concordou e eu peguei a mochila saindo do seu quarto. Desci as escadas apressada, Jacob morava em uma casa grande só com seu pai, que era um advogado. Eles eram muito bem de vida. Parei envergonhada quando a porta da sala se abriu quando estava chegando e vi Billy entrar sendo empurrado na cadeira de rodas por um homem careca desconhecido. Ele era forte e cheio de tatuagens, seus olhos escuros fizeram minha pele se arrepiar e não de uma forma boa.
— Ah, Bella, querida. Já está indo? — Billy chamou minha atenção.
— Sim, meu pai me ligou, tenho que ver o que quer.
— Então você é a filha de Charlie Swan — o homem perguntou, sua voz era grossa demais.
— Sim, conhece meu pai?
— Ah claro, nós somos amigos. — deu um sorriso, que para mim pareceu irônico.
— Sério? Qual seu nome?
— Bella, melhor ir logo ver o que seu pai quer. Que que eu peça para meu motorista deixá-la?
— Não precisa, Billy, mas obrigada.
Passei por eles saindo da casa, dei alguns passos e parei olhando uma última vez para trás, os dois ainda me observavam e o olhar no rosto do homem era ainda pior.
Engoli em seco e apressei o passo.
Sai da casa de Jacob, meu carro estava estacionado na rua em frente. Era um mini cooper prata que havia ganhado do meu pai no meu aniversário de 18 anos.
Liguei o rádio e sorri com a música romântica que estava tocando.
Nunca pensei que pudesse ser tão feliz com um homem como Jacob do meu lado.
Ele era um pouco mais velho que eu, mas não me importava. Tinha 24 anos, era um homem de verdade. Eu sempre gostei de homens mais velhos, por isso demorei tanto para namorar alguém. Nenhum dos garotinhos da escola me atraíam, até que conheci Jake.
Nós nos esbarramos na rua por acaso, ele derrubou meu café no chão sem querer e para compensar me levou para tomar um. Nós conversamos por horas e não demorou muito para ele mostrar que estava tão envolvido como eu.
Parei o carro na casa que morava com meu pai. Era uma casa comum como todas da rua. De dois andares, com varanda.
Morávamos só eu e ele, outra coisa que tinha em comum com Jacob. Nós dois tínhamos perdido nossas mães cedo demais. A minha faleceu de câncer quando eu tinha apenas 12 anos e a dele, morreu em um acidente de carro.
Meu pai era um investigador da polícia, seu carro sedan cinza chumbo estava estacionado na frente de casa.
Eu suspirei. Eu o amava, mas ficava brava por ele ser tão rígido e controlador comigo.
Sai do carro pronta para a batalha que teria.
— Onde você estava, Isabella? — meu pai perguntou eu parei assustada. Não o tinha visto ali no sofá de casa.
— Pai, eu disse que iria na casa de Angela — respondi.
Ele suspirou.
— Ainda bem que chegou. Temos que ter uma conversa séria. — franzi meu cenho e sentei na poltrona à sua frente.
— O que aconteceu?
— Eu estou devendo dinheiro.
— De novo? Pai! O senhor prometeu que tinha parado de pegar. Não acredito nisso — eu estava muito chateada com isso.
Nós mal tínhamos nos recuperado da última parte que ele devia. Alguns viciam em drogas, outros em álcool. Meu pai, entretanto, era viciado em pegar dinheiro com agiota. No começo eu não me importava, confesso que gostava de coisas caras e de roupas de grife que ganhava com a mesada bem gorda que recebia, mas eu me importei muito quando três homens invadiram nossa casa e quebraram tudo exigindo o pagamento no começo do ano.
— Não é de novo, você sabe que estava trabalhando para eles para pagar a quantia que ainda devia.
Eu suspirei.
— E quanto é?
—Um milhão e quinhentos — minha boca se abriu.
— O QUE? — caí no sofá chocada.
Ele abaixou a cabeça envergonhado, esfregando a mão no rosto.
— Isso é muito dinheiro, pai. O que vamos fazer? — choraminguei.
Ele suspirou.
— Eu conversei com o chefe e… ele me fez uma proposta.
— Que proposta? — não estava gostando nada do rumo daquela conversa.
Ele suspirou.
— Que proposta, pai? — cruzei meus braços.
— Ele quer que você se case com o filho dele, se isso acontecer toda a dívida vai ser extinta.
Meu olhos se arregalaram e minha boca se abriu.
— O que? Isso… isso é um absurdo! Em que século acha que estamos? No XV? — levantei ultrajada com aquilo.
— Bella...
— O senhor tá louco? Me diga que não aceitou isso.
— Eu não tenho escolha, filha.
— É claro que tem, nós vamos achar um jeito pai.
— Não vamos, se isso não acontecer eu vou ser considerado um traidor e vão me matar.
— Do que está falando? — parei assustada.
Meu pai se levantou e andou de um lado para o outro.
— O homem que peguei o dinheiro, não é só um agiota comum, Bella. Ele é Don da maior organização criminosa do Estado, talvez do país.
Minha boca se abriu chocada.
— É uma das máfias mais antigas e tradicionais de Los Angeles, na verdade ele é visto como um rei do crime e sua família, os Cullen, a realeza. Ele comanda uma enorme rede de agiotagem, falsificação de documentos, tráfico de drogas e armas. Quando aceitei trabalhar para eles, para pagar o que devia eu fiz um juramento, Bella. Se eu não aceitar, se tentar fugir ou o que for eles vão matar nós dois.
— Não! Isso não pode, pai. — sentei na poltrona balançando a cabeça atordoada. — Isso está errado, temos que ir à polícia.
— Bella, eu trabalho para polícia, um dos meus trabalhos é informar eles de alguma operação que tentar pegá-los e apagar qualquer rastro que eles deixem.
Eu arfei.
— Isso é sujo, pai. Como pode fazer isso? — eu sempre imaginei que as coisas que meu pai fazia não eram nada legais, mas nunca consegui me importar. Minha infância foi bem difícil e passei a gostar do conforto e dos bons presentes que ele me dava, ainda mais depois da morte da mamãe. Eu sabia que era meio mesquinha nessa parte e sinceramente não me importava. Até aquele momento, quando estavam querendo me comprar para sanar uma dívida.
— Eu sei que é, mas foi a única saída que consegui para tentar pagar o tratamento da sua mãe que morreu, você sabe como tudo foi caro.
Meus olhos encheram de lágrimas lembrando. Foi assim que tudo começou e depois da morte dela, só piorou.
— E depois da morte dela, pegar dinheiro se tornou um vício, eu não conseguia parar. Eu sei que errei, mas é tarde demais, Bella. Você tem que se casar com ele, assim a dívida vai ser esquecida e vamos ter mais poder.
Balancei a cabeça.
— Eu… eu não posso me casar pai… eu… eu tenho um namorado e sou apaixonada por ele — falei de uma vez.
— O QUE?
— Nós estamos juntos há alguns meses.
— Como pode esconder isso de mim? — esbravejou exaltado, ficando um pouco vermelho.
— Eu sabia que o senhor não iria deixar.
— É claro que não! Você só tem 18 anos, Bella. É nova ainda.
— E mesmo assim quer que eu me case? — refutei com raiva de sua hipocrisia.
— Isso é para salvar nossas vidas, é diferente Bella.
— Diferente como? É a mesma coisa e ainda pior, quer que eu traia meu coração. Quer que eu traia o homem que eu amo e me case com alguém que sequer eu vi, por causa de uma máfia ridícula. Pois eu nunca vou fazer isso, nunca — gritei para ele.
Me virei e subi as escadas correndo, bati a porta do quarto com força e me joguei na cama abraçando o travesseiro.
Não. Eu não iria me casar com ninguém. Eu amava Jacob e ele seria o único homem da minha vida.
Peguei meu celular e mandei uma mensagem para ele.
Vem me ver esta noite, por favor.
Na sua casa? Aconteceu alguma coisa?
Sim, preciso de você, é só entrar pela janela. Dá para escalar pela lateral. Vou avisar quando meu pai dormir.
Está bem, eu vou, mas espero que valha a pena.
Eu balancei a cabeça, limpei minhas lágrimas e bloqueei o celular.
O que iria fazer agora?
…
Era por volta de meia noite quando Jacob mandou mensagem falando que havia chegado.
Eu passei a mão no rosto, limpando as lágrimas e me levantei da cama. Não tinha falado com meu pai, sai só meia hora atrás para comer algo e confirmar que ele estava dormindo.
Abri a janela do quarto e vi ele se aproximando em silêncio, Jacob testou a cerca que tinha e começou a escalar até chegar na minha janela. Eu o abracei com força, fungando, quando entrou em meu quarto.
— O que aconteceu, Bells? — perguntou preocupado beijando minhas lágrimas.
— Meu pai quer que eu case — falei.
— O que? — arfou.
— Ele está devendo dinheiro para um homem que falou que sanaria a dívida se eu aceitasse casar com seu filho.
— O que? Que porra é essa? Você disse que não, né? — seus braços me apertaram com força.
— É claro que sim, Jake. Mas meu pai falou que se eu não fizer isso eles vão nos matar.
— Uma porra que vão. Quanto teu pai deve? A gente pode dar um jeito de conseguir a grana.
— Dois milhões.
— Puta que pariu!
— Eu não sei o que fazer, Jake. Sabe que o único homem que quero me casar é você.
— Eu sei meu amor, a gente vai dar um jeito — Jake me abraçou e beijou meus lábios.
— Eu já sou maior de idade, podemos fugir juntos — sorri com a ideia.
Senti meu coração ficar leve com a ideia, Jacob me protegeria, onde nós fossemos. Estaríamos juntos para sempre.
— Eu não tenho muito dinheiro, Bella. Como vamos viver?
Suspirei.
— Eu falei para meu pai que estava namorando com você.
— Você falou? O que ele disse?
— Ficou chocado, claro, mas logo subi para o quarto.
— Você falou meu nome?
— Não, é claro que não.
— Ele falou o nome desse cara que deve dinheiro?
— É Cullen alguma coisa, acho — funguei, não conseguia me lembrar do primeiro nome.
— Não se preocupe, eu vou cuidar de tudo. — me abraçou.
Suspirei feliz e aliviada, ele iria cuidar de tudo.
Jacob me levou para cama e nos beijamos suavemente, sua mão deslizou para dentro da minha blusa, mas o parei.
— Será que a gente pode só ficar deitado? Só quero sentir que você está aqui. — pedi fungando.
Ele suspirou parecendo um pouco chateado, mas assentiu, e me deitei de lado com ele me abraçando.
— Eu estou aqui, não vou a lugar nenhum, Bells — falou.
Eu sorri e dormi com a certeza de que nosso amor iria vencer.
NOTA DA AUTORA:
Oii amores, como passaram o Carnava? Espero que estejam todas bem.
Fiquei tão feliz que gostaram do capítulo passado, que troxe logo o próximo para vocês e finalmente conhecemos a Bella, o que acharam?
Mil perdões sobre as cenas dela com Jacob, mas são necessárias para a história, prometo que não vão demorar muito e no próximo Edward e Bella finalmente vão se conhecer haha
Se comentarem muito, volto semana que vem com mais
Beeijos
