III - Planos
Edward Cullen PDV
— Chefe, mandou me chamar? — Emmett entrou depois de uma batida na minha porta.
Eu fechei meu notebook e o encarei.
— Como está o carregamento das novas armas? — perguntei.
— O avião conseguiu decolar do Panamá, sem problemas e o dinheiro já foi depositado na conta do fiscal que deixou passar. Amanhã pela manhã deve chegar aqui e já separei o grupo para ir buscar tudo e deixar no depósito.
— Ótimo, Emmett, não quero problemas com isso.
— Pode deixar chefe, está tudo nos conformes.
— Tenho outro serviço para você — falei antes que saísse.
— O que quer que eu faça?
— Quero que reúna tudo que consiga encontrar sobre Isabella Swan.
Seus olhos se estreitaram um pouco.
— É claro, chefe. Quer que pergunte para seu pai?
— É claro que não! Mas quero saber algumas informações pessoais, para encontrá-la casualmente.
Ele sorriu.
— Charlie já falou com ela?
— Ele ficou de avisá-la ontem a noite, já deve estar sabendo na verdade — encarei o relógio na parede. — Mamãe está organizando um jantar para que possamos conhecê-la oficialmente, imagino que Rosalie comentou com você. Porém, quero vê-la antes disso.
— Não se preocupe, chefinho vou trazer tudo que encontrar para você. — bateu uma continência.
Revirei meus olhos.
Se virou para sair do escritório, mas o chamei.
— Seja discreto e não comente isso com ninguém.
— Discrição é meu sobrenome. — piscou arteiro.
— Sei muito bem que adora fofocar com Anthony, como duas velhinhas fofoqueiras, mas não quero que ninguém saiba disso, escutou? Odiaria ver você com uma orelha a menos — arqueei minha sobrancelha tentando usar o tom voz de meu pai.
Eu precisava começar a ser respeitado e temido tanto pelos meus amigos como pelos inimigos.
Emmett engoliu em seco e assentiu saindo da sala, deixando-me sozinho.
Eu peguei a foto dobrada da gaveta e a abri.
Mal via a hora de encontrá-la pessoalmente.
…
Duas horas depois Emmett me mandou um arquivo que tinha todos os dados e informações pessoais.
O nome dela era Isabella Marie Swan, seu nascimento, a escola que estudava, sua conta no banco e até seu histórico escolar. Descobri que fazia trabalho voluntário três vezes na semana em uma casa de idosos, isso me pegou um pouco de surpresa, mas deveria ser de alguma oficina que participou no colégio.
Mas também sabia que só porque uma pessoa se voluntariava em algo, não queria necessariamente dizer que era do bem. A Grand C mesmo tinha diversas ongs e programas de caridade.
Encarei o relógio e depois conferir a data no computador. Não pensei duas vezes antes de me levantar. Peguei minha jaqueta de couro.
— Cuidem de tudo, eu já volto — falei para os guardas e saí caminhando até minha moto.
Acelerei com força, ansioso para conhecer minha futura esposa.
Bella Swan PDV
Quando acordei Jacob não estava mais, porém encontrei um bilhete na minha mesinha de cabeceira. Sorri ao ver sua letra que era mais engarrachada que a minha.
A melhor noite de sono da minha vida. Não se preocupe meu amor, vou dar um jeito em tudo. Amo você para sempre, seu Jacob
Sorri com sua mensagem e beijei o papel apaixonada. Levantei da cama e fui tomar banho, felizmente tinha um banheiro só meu.
Sai do quarto andando pela casa silenciosa, torcendo para que meu pai já tivesse ido trabalhar, porém encontrei-o na cozinha.
— Bella…
— Não quero falar sobre isso agora — levantei a mão.
Não estava com paciência para esse assunto. Tudo aquilo era um absurdo.
Eu casar com um homem que sequer tinha visto, ainda mais um criminoso.
Ele suspirou.
— As nossas vidas estão em risco, você entende isso?
— E você entende que eu amo outro homem? — rebati.
Ele bufou.
— Quem é esse homem? É da sua escola? Como você sabe que ele a ama de verdade?
— É claro que ele me ama. Nós somos apaixonados, pai. E não, não é da minha escola. — não podia falar demais.
— Bella, se descobrirem isso…
— Não podem fazer nada, eu não vou me casar com ninguém. Estamos no século vinte e um, eu tenho livre arbítrio e sou perfeitamente capaz de fazer minhas escolhas sozinha. Sem falar que já sou maior de idade.
Ele pareceu inconformado.
— Você entende que estamos falando do chefão e do filho herdeiro de tudo? Ele um dia vai assumir os negócios do pai e você vai ser sua esposa, pense em todo dinheiro e poder que vai ter. Essa máfia é muito poderosa, Bella.
Eu balancei a cabeça. Eu podia gostar de dinheiro e coisas boas, mas meu amor falava bem mais alto nessa situação. Nunca trocaria meu coração por dinheiro nenhum.
— Foda-se dinheiro e poder pai, eu só quero ser feliz com o homem que eu amo.
Eu só queria ser feliz com Jacob, era demais pedir isso?
— Bella, você não consegue entender? Esses homens são maldosos, eles governam a criminalidade de Los Angeles. Tem vários políticos e empresários trabalhando para eles, isso não é um jogo e eles não estão de brincadeira.
— É claro que não é um jogo, é minha vida e eu escolho ser feliz — retruquei.
— Mesmo que isso signifique a vida do seu pai?
Eu respirei fundo e me aproximei dele, tocando sua mão.
— Nós podemos fugir, eles não vão conseguir achar a gente.
Ele balançou a cabeça.
— Você não entende como eles são, querida! Eles seriam capazes de encontrar-nos até se fossemos para o inferno.
Eu tremi com suas palavras e com a seriedade que estava em sua voz.
Pela primeira vez senti medo.
Charlie levantou-se e beijou minha cabeça.
— Só pense nisso e não faça uma escolha precipitada, entendeu?
Eu apenas assenti engolindo em seco.
Não havia nada para escolher.
…
A escola foi um tédio. Já tinha feito todas as provas e só estávamos indo para cumprir grade, terminar de apresentar alguns trabalhos e aguardar as notas saírem. A única pessoa que tinha como amiga era Ângela, mas não podia contar o que havia acontecido.
Todos pareciam felizes e animados com o fim das aulas, mas eu não conseguia me sentir em espírito de comemoração.
Quando finalmente a aula acabou saí e fui direto para o trabalho, eu fazia trabalho voluntário em um lar de idosos, era para ajudar quando me inscrevi na universidade. Eu tinha sido aceita em várias, mas sinceramente não tinha vontade de ir para nenhuma. Pense o que quiser, sei que era um pensamento ultrapassado, mas não iria me importar de ficar só em casa com meu namorado lindo. Não via a hora de me formar logo e ficar com Jake para sempre, só isso importava.
Eu tinha achado meu lugar no mundo e era nos braços dele.
— Bella, que bom que chegou.
— Oi senhora Stanford, tudo bem aqui?
— Tudo sim, querida. Hoje eu vou precisar sair mais cedo, você pode ajudar Mary na recepção?
— É, claro — assenti.
O dia estava tranquilo, eu registrava os visitantes que chegavam. Mary saiu para fazer um lanche e fiquei jogando no celular.
A porta se abriu e guardei o aparelho.
— Olá boa tarde, posso ajudá-lo? — falei para o homem que chegou.
Senti meu coração bater mais forte.
Jacob que me perdoe, mas aquele homem era o mais lindo que já tinha visto.
Era alto, com um porte esguio. Usava uma calça jeans de um tecido escuro que caia em seu corpo como se tivesse sido feita sob medida, juntamente com uma jaqueta preta de motoqueiro, que realçava os ombros fortes. Seu cabelo estava bagunçado em um tom loiro acobreado, seus olhos eram verde e penetrantes, fiquei perdida em seu olhar por alguns segundos antes de me recompor.
Balancei a cabeça organizando meus pensamentos.
— Oi, desculpe. Acho que me perdi, você sabe onde fica o aeroporto de Van Nuys?
— Ah sim, é só seguir até a Saticoy Street e continuar nela reto, vai sair bem em frente. Deve ter alguma placa informando a entrada.
— Isso parece tão fácil, juro que já passei aqui umas três vezes — deu um sorriso e senti meu corpo arrepiar — mas fiquei sem bateria e perdi o endereço.
— Isso acontece — me peguei sorrindo de volta para ele, seu sorriso aumentou e ele ficou ainda mais bonito.
Ele deveria ser ator de filme, com essa beleza toda. Se tivesse um concurso de beleza, Thor e Capitão América iam perder de lavada. Coitadinhos.
— Qual é o nome da minha salvadora?
— Bella. — respondi gentil.
— Obrigada Bella, sou Edward — estendeu a mão. Educadamente coloquei a minha na dele, sua mão era quente e grande.
Não sei porquê, mas meu corpo se arrepiou.
Soltei a mão rápido, me recriminando por ter aqueles pensamentos.
— Nos vemos por aí — falou com uma piscadela e um sorriso torto que o deixou ainda mais charmoso.
Balancei a cabeça atordoada, sem nem conseguir raciocinar no que ele tinha dito.
Caminhei até a porta de vidro e o vi subindo em uma moto, ele colocou um capacete e olhou na direção da porta, como se tivesse certeza que eu ia está observando-o, me escondi, sentindo que fui pega no flagra, meu rosto quente. Escutei o barulho de sua moto e olhei a tempo de vê-lo saindo do estacionamento.
Balancei a cabeça tentando reorganizar meus pensamentos.
Graças a Deus, nunca mais veria aquele homem de novo.
…
Eu bati na porta silenciosamente quando entrei em casa, fiquei feliz do meu pai não estar. Me joguei na cama e abracei o travesseiro, estava com o cheirinho do Jacob.
Sorri e peguei meu celular e disquei seu número.
— Oi, meu amor, chegou em casa? — ele atendeu e parecia ofegante.
— Sim, Jake. Tudo bem? Está com a voz cansada. — perguntei preocupada.
— Ah é que eu saí para correr — ofegou e disse em uma voz rápida: — Quando eu chegar em casa te ligo.
— Ah tá bom, be…
Escutei um barulho estranho e a chamada ficou muda.
Suspirei triste, fui tomar um banho e vesti minha roupa de moletom, aproveitei e estudei um pouco para o seminário final de história que apresentaria e depois seria o adeus ao colegial. Eu sairia mais cedo e iria aproveitar para ficar com meu namorado lindo, queria logo ter minha primeira vez com ele.
E essa história de casar com outra pessoa estava mexendo comigo, precisava sentir o amor dele da melhor forma e nada melhor do que fazer amor com ele, para sentir isso. Sabia que iríamos nos completar.
Jacob chegou da corrida e me ligou.
— Oi amor, desculpe por mais cedo, não sabia que ia me ligar.
— Tudo bem, Jake, onde estava correndo?
— Ah só na rua mesmo, quero ficar bem gostoso para você.
— Mais do que já é? É impossível.
Nós rimos.
— Amanhã eu vou sair mais cedo da escola, eu estava pensando se poderíamos ir para algum lugar ficar só nós dois — sugeri mordendo meu lábio, um pouco nervosa.
— Sério?
— Sim, eu quero ser sua. Não aguento mais.
— Ah Bella, não sabe o quanto fico feliz ouvindo isso e não se preocupe vou cuidar de tudo.
Nós ficamos conversando vários minutos, meu pai chegou e tive que desligar.
— Pai, onde estava?
— Trabalhando, Bella. Teve um assassinato e tive que investigar, felizmente conseguimos prender o suspeiro.
— Ah.
— Amanhã vamos conversar.
— Ok — revirei os olhos e voltei para o quarto.
Esperava que ele tivesse arrumado uma solução e aceitasse logo minha relação com Jacob.
…
Infelizmente acordei menstruada e tive que adiar outra vez meus planos com Jacob, ele não pareceu nada feliz, mas fomos para o cinema e assistimos um filme, depois que saí da aula.
— Bella, como está aquela história com seu pai?
— Eu não sei Jake, ele disse que iria conversar comigo esta tarde, eu já deveria estar lá na verdade.
Jacob suspirou e beijou meus lábios.
— Tudo bem amor, se alguma coisa acontecer você finge que aceita tudo, para ganharmos tempo, não volte a falar de novo sobre mim.
— Eu quero ficar com você. — o abracei com força
— Eu sei, vamos ficar juntos. Eu tenho um plano, mas preciso que finja que aceita isso, tudo bem?
— Qual plano? — perguntei animada.
— Logo você vai saber.
Eu revirei os olhos, mas assenti o beijando profundamente, sem me importar de estar no meio de uma rua movimentada.
Tive a sensação que alguém nos observava e quebrei o beijo olhando ao redor. Não consegui encontrar nada suspeito.
— O que foi?
— Nada, vamos meu pai já deve tá querendo me matar.
Ele riu e pegou minha mão, enquanto andávamos até o carro.
— Bella, onde estava? — meu pai falou assim que cheguei em casa.
— Com meu namorado — respondi direta.
Sabia que Jacob tinha falado para não falar nada, mas ele precisava saber.
Charlie arfou e segurou meu braço.
— O que pensa que está fazendo? Não pode fazer isso, Bella. Se descobrirem que está saindo com outra pessoa… temo só no que pode acontecer.
— Eu já disse que não vou me casar com ninguém. Só se for com o homem que eu amo.
Ele bufou.
— Você vai sim e seu noivo quer te conhecer.
Balancei a cabeça.
— Pai, não pode me obrigar a isso. — cruzei os braços brava.
— Bella você não entende — ele bateu em seu rosto exasperado. — Por favor, ao menos conheça o cara, vai que gosta dele.
Eu já o odiava na verdade e nada mudaria minha opinião sobre ele.
Deveria ser um porco fedido, para ter que obrigar alguém a casar assim. Não queria nem imaginar como deveria ser asqueroso.
Eu suspirei lembrando do que Jacob tinha dito.
Fingir que aceitava tudo.
— Tudo bem pai eu vou, mas não espere mais que isso. — falei com uma voz mais suave.
Ele suspirou satisfeito e me abraçou.
— Obrigado querida, obrigado. Agora vai se arrumar, coloque aquele vestido azul você fica linda nele. Seu noivo vai te adorar.
Revirei os olhos, mas concordei e virei para ir ao meu quarto. De repente, parei uma ideia se formando em minha mente. Sabia o que precisava fazer.
Se eu não podia desistir desse casamento então eu tinha que fazer o cara ver como eu seria uma péssima noiva para ele.
Sorri com os planos maquiavélico que se formaram em minha mente.
Nota da Autora:
E a Bella e o Edward se conheceram, haha, o que acharam?
Mesmo que ela não saiba ainda quem é ele, o que será que ela vai aprontar nesse jantar?
Comentem, quanto mais rápido tiver vários comentários, mais rápido volto aqui
Prometo que as cenas de Jacob e Bella vai começar a ter bem menos, tenham paciência.
Ansiosa para saber o que acharam
Beijos
