Edward Cullen PDV

Olhei no rolex em meu pulso e novamente no corredor que Bella tinha sumido.

Tinha se passado quase dez minutos.

Tempo demais. A não ser que tivesse acontecido algo com ela. Mas o que?

— Com licença, senhor — O garçom chegou com nossos pedidos e colocou na mesa.

— Algo mais?

— Não, obrigado — ele saiu e percebi que foi para o mesmo corredor que Bella.

Mas ali não era o banheiro?

Fui também para o corredor e havia outra entrada ali, que dava para a cozinha.

Isso não era nada bom.

Mais ao fundo percebi duas portas de masculino e feminino. Abri esta e uma mulher gritou.

Ela saiu assustada e eu caminhei até os box e abri as portas que estavam todas vazias.

Ela tinha me enganado e eu sabia que só havia um lugar que ela podia ter ido.

A raiva e a decepção me tomou. Como ela pode ter feito isso?

Como pude ter sido tão burro assim?

Passei pela mesa jogando umas notas, saí do restaurante e caminhei até Peter que estava com o carro parado do outro lado da rua.

Eu deveria ter trago seguranças e mandado que cercassem o lugar, mas nunca imaginei que ela poderia escapar bem debaixo do meu nariz.

Merda.

— Senhor?

— Vá para esse endereço rápido — mandei.

Peter acelerou o carro com força, eu respirei fundo tentando controlar a raiva que estava sentindo, com medo de fazer uma besteira.

Ela não tinha ideia da enrascada que estava, naquele momento. Eu estava tão bravo, por ela ter fugido. Não teria como esconder isso do meu pai e me amedrontava pensar no que ele poderia fazer e no que eu faria para defender ela.

Bella tinha que entender de uma vez por todas a situação que se colocava.

Peguei uma das armas no compartimento do banco e coloquei em minhas costas.

Saí do carro esbravecido pronto para invadir a casa, mas fui surpreendido com a porta se abrindo e Bella saiu de dentro, sua expressão de dor me quebrou.

Soube o que tinha acontecido no momento em que me abraçou com força chorando. Levei-a para dentro do carro, mandando Peter ir.

— Eu sinto muito — beijei sua testa.

E eu realmente sentia, tinha errado em não contar tudo para ela.

O carro acelerou com força, mas não a tempo suficiente para eu ver Jacob saindo correndo só com uma cueca. A raiva me tomou ainda mais forte. Eu sabia muito bem o que aquele miserável estava fazendo.

Bella chorou o caminho todo e apenas a abracei em meu colo, tentando confortá-la. Quando chegamos pedi para Peter parar na entrada traseira, não queria encontrar ninguém.

Felizmente parecia que ninguém tinha chegado, a casa estava silenciosa. Eles deveriam ter ido jantar em outro lugar. Subi carregando Bella em meu colo, abri a porta do quarto que estava dormindo e a deitei em sua cama.

Eu não queria deixá-la sozinha, mas não queria também me aproveitar daquele momento de dor dela.

A soltei com cuidado, porém Bella gritou me agarrando, parecendo desesperada, seus olhos se abrindo.

— Não me deixa, não me deixa, por favor — pediu. Eu não sabia se ela estava acordada ou sonhando. — Não me deixa sozinha — pediu e voltou a chorar, se encolhendo na cama agarrada ao meu braço.

— Eu nunca vou te deixar sozinha, Bella — prometi me deitando ao lado dela, com cuidado.

Bella me abraçou com força, enterrando sua cabeça em meu pescoço e chorando. Senti suas lágrimas deslizarem e caírem na minha blusa.

Se eu pudesse arrancava aquela dor que estava sentindo dela e a transferiria para mim, com esse pensamento arfei.

Não. Era cedo demais, para sentir aquilo por ela.

Isso estava errado.

Porém, desde que a vi e quando ela me desafiou, eu sabia que era diferente de qualquer mulher que conheci.

Ela só pareceu voltar a dormir momentos depois e me afastei um pouco, para olhá-la. Empurrei o cabelo de seu rosto e acariciei sua bochecha macia e vermelha.

Odiei saber o que tinha acontecido e me arrependi de não ter contado tudo para ela antes.

Odiava saber que ela sofreu dessa forma.

Peguei meu celular no bolso e liguei.

— Chefe, o que aconteceu?

— Se estiver com alguém preciso que se afaste — falei.

— Pronto, pode falar chefe.

— Quero que mande alguém dar uma surra em Jacob Black.

— É para matá-lo?

— Não, eu mesmo vou fazer isso, mas quero que ele sinta muita, muita dor.

— Pode deixar, chefinho vai ser divertido.

Desliguei a chamada, ele sabia que não era para contar para ninguém isso.

Voltei a abraçar Bella e não pude não perceber como ela parecia tão certa entre meus braços.

— Eu sempre vou proteger você, não importa o que aconteça — prometi e dei um beijo delicado em sua bochecha.

Sorri quando ela se aconchegou em mim e fungou.

Fechei meus olhos e imaginei por um momento como seria se ela não me odiasse tanto, como seria se ela pudesse sentir por mim o que sentiu por Jacob Black.

Bella Swan PDV

Quando acordei a primeira coisa que vi foi Edward. Ele estava deitado na cama ao meu lado, seus olhos abertos me observavam com atenção.

— Bom dia — sussurrou afastando uma mecha do cabelo do meu rosto.

Lágrimas começaram a escorrer dos meus olhos. Foi como se meu coração quebrasse de novo, lembrando-me de todos os eventos da noite anterior.

Da minha fuga, flagra e de Edward que não saiu do meu lado, nenhum momento.

— Bella, por favor. Não chora mais. Eu não sei se aguento ver você daquela forma de novo. — limpou minhas lágrimas com seus dedos.

Eu funguei, engolindo o nó na garganta.

— Vai me contar o que aconteceu?

— Ele estava me traindo, o homem que eu mais amava ele estava me traindo com duas mulheres — falei sem aguentar e chorei de novo.

— Eu sinto muito — falou, mas não parecia surpreso.

Eu me levantei da cama e o encarei desconfiada.

— Você sabia disso? Você sabia, não sabia? — acusei.

Edward suspirou.

— Eu descobri quando mandei que investigassem ele.

Eu arfei chocada.

— E por que não me avisou? Por que me deixou ser corna assim? Se divertiu com isso?

— É claro que não Bella, mas se tivesse falado acreditaria em mim?

Não. Não acreditaria.

Nunca me passou pela cabeça isso, eu realmente achava que Jake gostava de mim. Eu estava tão cega por essa obsessão que sentia por ele.

Achei que eu e ele éramos para sempre.

Caminhei até a porta e a abri.

— Sai daqui, me deixa sozinha, por favor — pedi, ele se levantou da minha cama.

— Se precisar de qualquer coisa é só me chamar — saiu fechando a porta, sem brigar como achei que faria.

Eu me joguei na cama de novo chorando, dessa vez sozinha.

Eu passei o resto do dia no quarto, chafurdando na dor que sentia.

Não tinha vontade de fazer nada, sentia que parte minha tinha morrido.

Esses últimos meses me senti vivendo um conto de fadas até que Edward, como um vilão, apareceu na minha história com sua família e meu príncipe encantado era na verdade um sapo.

Como arrancaria Jacob do meu coração?

Escutei uma batida na porta e me encolhi na cama, não disse nada esperando que a pessoa fosse embora. Era noite e o quarto estava parcialmente escuro.

— Bella, por favor. Abre a porta — Edward pediu.

Eu balancei a cabeça.

— Vai embora daqui.

— Não vou e se não abrir, eu vou arrombar.

Eu suspirei com raiva me levantando da cama e abri de uma vez a porta.

— O que quer? — brandei alto.

— Que você coma algo — percebi que ele segurava uma bandeja e tinha várias coisas que pareciam deliciosas.

Balancei a cabeça.

Ficava com enjoo só em pensar que um dia tinha beijado Jacob, não conseguia comer nada.

— Não estou com fome — caminhei de volta pra cama.

Edward entrou no quarto fechando a porta com o pé, caminhou até a pequena mesinha que tinha ali e colocou a bandeja. Percebi que o buquê de flores que ele me deu estava ali em um jarro de vidro.

— Você tem que comer Bella, não comeu nada o dia todo e nem ontem no jantar.

— Eu só quero morrer, tudo está dando errado na minha vida — choraminguei.

Edward suspirou e se aproximou sentando na beira da cama.

— Você o amava tanto assim?

— Sim.

— Você quer voltar para ele?

— Ele quebrou meu coração Edward, ele me traiu. Tudo que eu vivi foi uma mentira — funguei. — Eu nunca mais quero vê-lo.

— Você não o merecia, Bella! Mas não quero que se sinta assim com vontade de morrer, isso me machuca.

Eu o olhei surpresa.

— Por que te machucaria?

— Você não consegue ver?

Eu não conseguia entender.

Edward franziu os lábios e me olhou seriamente.

— Nós vamos nos casar em três dias Bella, acha que pode ser feliz comigo?

Eu não sabia o que responder.

Como eu poderia saber?

Balancei a cabeça.

Sua expressão se tornou um pouco mais e ele suspirou.

— Então eu te livro desse casamento, você não precisa mais se casar comigo, era isso que queria, não é?

— O que? — meus olhos se arregalaram.

— Se a ideia de casar comigo é tão repulsiva assim, eu não quero mais este casamento. Eu renuncio-a e prometo que ninguém a machucará.

— Você pode fazer isso? O que seu pai vai dizer? — eu estava em choque.

De todas as coisas que cheguei a pensar que ele faria, isso nunca foi uma delas.

— Não se preocupe, eu cuido disso.

— Edward, ele pode machucar você! — arfei.

Já tinha vivido tempo o bastante para saber que Carlisle não aceitaria isso tão fácil.

— Mas não você, se for eu que escolhi não me casar mais.

— Mas e meu pai e a dívida?

— Eu a extingo, não devem mais nada para a Grand C. Seu pai e você podem ir embora da cidade se quiserem. Não vamos mais incomodá-los. Amanhã de manhã vou anunciar a todos e cancelar o casamento.

Eu arfei. Ele se levantou da cama, seus olhos verdes olhando para mim.

— Por favor, meu único pedido é que coma alguma coisa e que não queira mais morrer, não diga isso nunca mais. Você tem uma vida toda pela frente, não deixa aquele miserável estragar isso. Você merece alguém bem melhor que ele, alguém bem melhor que nós dois. — sussurrou a última parte.

Eu ainda o olhava abismada, sem conseguir dizer mais nada.

Para minha surpresa ele se aproximou e se inclinou e pressionou seus lábios macios em minha testa. Senti um aperto no peito.

Aquilo tudo estava errado.

Edward não era em nada o homem horrível que tinha imaginado. Ele não era o vilão da minha história, eu mesma era. Ele estava passando por cima de seus próprios princípios por mim. Mas a pergunta crucial era: por quê?

Ele se virou e saiu do quarto, me deixando atordoada na cama.

Ele havia me renunciado.

Eu estava livre, eu podia ir embora dali naquele momento se quisesse.

Não sabia o porquê, mas não consegui sentir a felicidade que era esperado.

Eu queria aquela renúncia para ficar com Jacob, porém estava sozinha.

O que faria agora?

Ao invés de ir embora correndo dali, me encolhi mais na cama e chorei.

Edward Cullen PDV

Era tarde da noite e estava sentado do lado de fora de casa em frente a piscina, tendo companhia apenas uma garrafa de Macallan, pela metade.

A lua estava cheia no céu, assim como meu humor.

Eu tinha me apaixonado pela mulher que me odiava.

Eu tinha rompido nosso noivado e a libertado do nosso acordo.

Como iria contar isso para meu pai?

Como ele veria aquela minha fraqueza?

Eu sabia que ele não deixaria barato. Eu sabia que podia perder tudo. E mesmo assim tinha feito e não conseguia me sentir arrependido dessa decisão.

Bella estava livre, ela podia fazer o que quisesse e eu seria apenas uma memória ruim distante. Ao menos ela estaria livre e feliz.

— Edward, o que faz aqui? Está tarde. — me surpreendi ao ver minha mãe caminhar até mim.

Ela estava com cabelos soltos e usava um robe longo de seda amarrado na cintura.

— Só pensando — respondi bebendo mais um gole do uísque forte.

Eu não estava bêbado ainda, era difícil uma bebida me derrubar.

— Em que? Falou com a Bella? Ela melhorou?

Eu havia dito que ela estava doente, por isso passaria o dia no quarto.

Foi a primeira mentira que contei para minha família.

Ela era uma bruxa, que veio para atormentar meus pensamentos, corpo, coração e fazer eu passar por cima de meus próprios princípios.

— Eu renunciei-a, vou anunciar amanhã — avisei.

Minha mãe colocou a mão na boca horrorizada.

— Como pode fazer isso, Edward?

— Ela é apaixonada por outro homem, mãe. Não quer se casar comigo — admiti, seus olhos se arregalaram ainda mais.

— Ah Edward, tem ideia do que isso significa? Se seu pai souber…

— Eu sei.

Ela balançou a cabeça e se sentou ao meu lado. Sua mão tirou o copo da minha e segurou minhas mãos.

— Você se importa com ela, não é?

— Mais do que deveria — fui sincero.

Esme deu um sorriso triste.

— Ah filho, você sempre pareceu mais comigo, do que Anthony que puxou seu pai. Você sempre foi carinhoso e lembro como ficou assustado quando descobriu sobre tudo que fazíamos.

— Eu era uma criança.

— Eu sei e teve que crescer muito rápido, ás vezes ainda enxergo um pouco daquele menino em você. Lembra como ficou triste quando percebeu que não éramos a família perfeita que sempre imaginou. Mesmo assim você passou por cima de tudo que sentia pela Grand C e aceitou seu destino com honra. Você e eu, apesar de estarmos aqui, ainda nos importamos demais com os outros.

— Infelizmente.

Eu sabia que tinha que parar de ser tão coração mole.

— Não fique triste com isso, só mostra o tanto que é humano. Não é pecado amar, filho.

Amor. Eu não queria nada disso. O amor era a pior fraqueza que podíamos ter, ele nos deixava cegos e vulneráveis. Mas também poderia ser a melhor coisa para acontecer.

Como algo podia ser tão contraditório assim?

Pensei em como seria se Bella pudesse sentir apenas uma fração do que eu estava sentindo por ela. Se eu pudesse ser o homem que ela amava.

Afastei aquele pensamento e engoli em seco. Isso nunca aconteceria, ela iria embora e eu nunca mais a veria.

— Não importa nada mais disso mãe, meu destino é um só. Eu vou ser um Grand chefão sim, mas serei impiedoso como papai. E acharei outra noiva. — nem que fosse preciso me casar com Tanya, ao menos isso poderia deixar papai feliz.

Ela só sorriu.

— Bella foi feita para você, eu soube assim que a vi, vou tomar conta disso.

— Não, deixe para lá. Minha decisão está tomada.

— Não discuta comigo — me abraçou com força.

— Será que tem espaço para mais um aí? — Anthony apareceu dizendo com uma expressão preocupada. Deveria estar pensando no que estávamos fazendo ali, àquela hora da noite.

Minha mãe sorriu e abriu o outro braço. Thony se sentou do outro lado dela.

— Ah meus meninos, sempre vou ter espaço para vocês.

Ela abraçou nós dois.

Eu apertei o ombro do meu irmão, que piscou para mim e sorriu.

Eu respirei fundo, pensando no que meu pai faria quando descobrisse tudo.


Nota da autora:

Por essa alguém esperava? hahaha

O que acharam?

Confesso que me emocionou, Ed abrindo mão da Bella, para ela ser livre e feliz hehe ele já tá tão caidinho por ela

Muito obrigada pelos comentários, amei e respondi cada um deles, o próximo agora é só na semana que vem, ok?

ansiosa para saber o que acharam desse capítulo e da decisão de Edward.

Beijos e até breve