Edward Cullen PDV
Eu suspirei olhando Bella dormindo ao meu lado, na cabine exclusiva, da primeira classe do voo. Só tinha se passado seis dias do nosso casamento, eu planejava uma segunda parte da viagem para Dubai, mas teria que esperar.
Ainda estava possesso de raiva pela nossa interrupção. Se não fosse Anthony me ligando, tinha certeza que teríamos levado aquilo adiante.
Bella estava tão entregue a mim, às minhas carícias, aos meus beijos. Podia negar o quanto quisesse, mas me desejava e muito.
Lembrei de meus dedos dentro dela, da visão dos seus seios perfeitos, o mamilo pequeno em minha boca, seu gosto em meus dedos.
No fundo me divertia com aquela sua contradição de dizer que me odiava, mas querer que eu a fizesse minha. Porém, estava começando a ficar sem paciência.
Aquela viagem foi torturante. Ter ela tão perto de mim e não poder tocar como gostaria estava me deixando doido.
Sabia que em casa seria mais difícil ainda, ela querer se entregar para mim e eu só faria isso depois que dissesse com todas as letras que me queria.
Não iria de jeito nenhum ceder para depois ela vim com esse papo idiota de que tinha sido um erro e se arrependia.
Seria difícil, mas teria que resistir a seus encantos.
Eu sabia que ela me desejava, mas não queria só sexo, queria muito mais.
Eu tinha uma aposta para ganhar. E só ficaria com ela depois que a fizesse admitir que gostava de mim.
Apesar desses pesares, a viagem foi fantástica. Estar com Bella naquele pequeno paraíso foi perfeito, mesmo que não estivéssemos juntos como gostaria. Mas sentia que estávamos mais próximos que nunca, tínhamos compartilhado momentos de nossas vidas e nos conhecido mais, sabia que se divertia comigo apesar de não querer dar o braço a torcer. Eu mal via a hora de ganhar aquela aposta e a fazer minha em definitivo.
Meu pai nem podia sonhar que não havíamos consumado o casamento.
Escutei a voz da aeromoça, dizendo que iriamos aterrissar e a chamei.
— Bella, acorde — me inclinei sussurrando em seu ouvido.
— Hum? — murmurou dormindo.
— Já vamos pousar — beijei sua bochecha.
Ela abriu os olhos um pouco desorientada e me afastei.
Eu sorri, de sua expressão fofa de sono.
Peter estava nos aguardando no aeroporto e chegamos em casa com tranquilidade. Minha mãe e Rosalie esperavam na sala e sorriram quando nos viram.
— Olha que os pombinhos chegaram. Bella, você está toda bronzeada e Edward igual um camarão — Rose falou.
— Eu avisei para ele usar protetor solar.
— Depois que me queimei todo.
Eu estava um pouco mais vermelho, mas nada que fosse sinal de uma insolação.
— Vão subir e descansar um pouco — mamãe falou.
Balancei a cabeça.
— Onde estão papai e Anthony?
— Na sede, averiguando sobre a explosão.
— Preciso ir para lá então, só vou subir no quarto rápido.
Beijei a bochecha da mamãe e subimos as escadas.
Bella me seguiu em silêncio.
Abri a porta do quarto que dormia e vi que nossas malas já estavam ali.
Eu parei e me virei para Bella. Antes que ela pudesse se mexer eu me inclinei para baixo envolvendo suas pernas e suas costas a pegando do chão.
— O que está fazendo?
— Para dar sorte — entrei com ela em meus braços em nosso quarto.
— Deveria ter feito isso na entrada de casa e…
Foi parando de falar ao olhar ao redor. Parecendo impressionada e realmente deveria estar.
Meu quarto era como um pequeno apartamento dentro da mansão. Era enorme e bem espaçoso, parecendo um loft.
Havia um sofá reclinável suede grande, uma mesinha de vidro na frente, uma tv enorme na parede, um mini bar com uma pequena bancada de taças e um frigobar, no fundo e em cima de três degraus estava a cama de casal super king size, estava arrumada com os travesseiros e lençóis branco, a cabeceira era estofada de um tom cinza que contrastava com o tom com o tom mais claro da parede.
— Uau.
Coloquei-a no chão.
— Legal, né?
— Sim — parecia impressionada.
Eu sorri.
— Aqui é sua casa agora Bella, quero que se sinta confortável, então se quiser fazer qualquer mudança pode fazer.
Era tudo bem decorado e tinha minha cara, mais masculinizado. Queria que tivesse um toque dela ali também.
— Posso pintar tudo de rosa?
Eu ri, sabia que estava só me provocando.
— Você que manda — dei meu aval.
Ela estreitou os olhos.
— Pelo menos aquele sofá é confortável para você dormir.
— Pensei que já tínhamos superado isso. Dormimos juntos na cama — eu não iria abrir mão disso, de jeito nenhum.
Apesar de ser uma tortura, ficar ao lado dela e não poder tocá-la como queria.
Bella revirou os olhos. E caminhou até as malas pegando sua frasqueira.
— Vou tomar um banho — saiu andando e antes que eu pudesse impedi-la, abriu uma porta que percebi que estava só encostada.
— Ai não! — Avisei, mas era tarde demais.
Ela ficou paralisada olhando meu mini aposento cheio de armas, facas, munições e outros objetos mortais.
— Isso não era para está aberto — afastei-a da entrada e olhei para dentro, parecia tudo certo. Algum empregado deveria ter limpado e esquecido de fechar.
Empurrei a porta e a luz se acendeu, conferir o painel que abria com a senha.
— O banheiro é aquele ali — apontei para a porta. — E aquela é o closet, suas coisas do outro quarto já devem estar lá. Eu vou ter que sair e encontrar com meu pai, você vai ficar bem?
— É claro — se virou e entrou no banheiro.
Eu balancei a cabeça. Ela ficaria bem.
Cheguei à sede e fui direto para o escritório do papai, que logo seria meu.
— Ele está na sala de monitoramento — um soldado falou e fui para a sala ao lado.
A sala era cheia de computadores, com uma mesa de reuniões. Papai, Anthony, Laurent e Isaac estavam ali. Ele era o assistente de Laurent na segurança e nosso gênio da informática, hackeando todo tipo de servidores quando precisávamos.
— Edward, mano, bom te ver — Thony falou e nos cumprimentamos. — Está todo queimado, hein.
Sorri, apenas.
— Finalmente chegou — meu pai me encarou sério.
— O que aconteceu?
— Alguém invadiu o depósito de armas do leste, roubaram munições e algumas armas, depois explodiram com uma bomba caseira — Laurent explicou. — Os bombeiros foram chamados, mas Charlie conseguiu abafar o caso na polícia.
— Que porra! Já descobriram quem foi?
— Não, Harry era o soldado que estava de plantão. Ele sumiu, mas estamos atrás. Não vai demorar muito para pegá-lo.
— Eu estou analisando as últimas imagens registradas na câmera de segurança que foram salvas na nuvem, mas naquele dia não há nenhum registro salvo. — Isaac informou da sua cadeira no monitor mostrava uma imagem do depósito, de dias anteriores.
— Temos que pegar Harry e matar o infeliz — Thony falou bravo.
— É. Porém, antes de matá-lo, temos de descobrir quem ele ajudou a invadir o depósito.
— Ele com certeza não dirá tão fácil — Laurent observou.
— Edward decidirá o que será feito — Carlisle interpôs em sua voz forte — Agora que voltou da lua de mel, vamos começar o processo de transição oficial, em um algumas semanas assumirá tudo com Bella.
— Eu estou pronto, pai. A hora que quiser — disse firme.
Sentia-me diferente de quando ele avisou que se aposentadoria. Eu não estava mais assustado e nem me sentia novo demais, ao contrário, estava ansioso para ser o Grand Chefão. Sentia-me capacitado e forte para assumir o cargo e liderar a Grand C.
— Primeiro, temos que testar a Bella.
— O que? Por que?
Franzi meu cenho, não gostando disso.
— Precisamos saber se Bella está preparada para isso ou não. Ela precisa ir com sua mãe para as reuniões e quero saber se é forte para aguentar tudo, por isso quero que ela participe desta operação, quando o encontrarmos e que você consiga descobrir quem invadiu o lugar.
— O que? Mas se ele não quiser dizer eu vou ter que torturá-lo, não sei se ela está preparada para assistir isso.
— É bom que esteja.
Arqueou as sobrancelhas para mim.
Eu arqueei a sobrancelha, enquanto ainda fosse só o subchefe sempre deveria me curvar às vontades dele.
— Farei o que for preciso para descobrir quem fez isso, senhor. E minha esposa me ajudará — balancei a cabeça. — Tudo pela Grand C — fiz nosso gesto, meu pai sorriu.
Seus olhos azuis mostrando o orgulho que sentia.
— Você fez falta aqui, só foi sair para isso tudo acontecer.
— Não se preocupe, vou cuidar disso.
— Eu sei que vai — deu um tapinha em meus ombros.
Esperava que Bella aceitasse isso tudo bem.
Bella Swan PDV
Eu acordei, sentindo um corpo quente me envolvendo. Fiquei sem conseguir me mexer ao perceber que estávamos abraçados de conchinha. Nossas pernas estavam próximas, um de seus braços estava em cima de mim e percebi que o segurava.
Como isso tinha acontecido?
Eu fui dormir mais de meia noite e ele nem tinha aparecido.
Edward dormindo assim comigo, não estava me ajudando em nada. Me levantei da cama com cuidado e sorri ao vê-lo se mexendo e puxando o travesseiro que eu dormia inconsciente.
Ele o abraçou e meu coração se aqueceu.
Por mais que eu pudesse negar, Edward era tão fofo dormindo daquele jeito.
Não! Não podia deixar isso acontecer, afastei aquela sensação olhando ao redor.
Encarei a porta que parecia quase invisível na parede do quarto que estava cheia de armas. Era fácil esquecer que ele era um criminoso.
Pensando bem, eu estava me tornando cúmplice de tudo.
Eu também era uma criminosa.
Lembrei da vez que roubei uns produtos de maquiagem em uma loja cara. Talvez meu destino sempre foi esse.
Balancei a cabeça e caminhei para o banheiro enorme.
Era todo de mármore branco brilhante, tinha uma pia com duas cubas, um espelho gigante, os detalhes de metal eram todos dourados como se fosse ouro. O vaso ficava em uma espécie de quartinho separado, mais ao fundo havia uma banheira branca, o box do chuveiro era todo de vidro.
Eu estava completamente apaixonada pelo quarto. Era muito mais do que eu imaginei. Tudo tão confortável e de bom gosto, depois eu só iria acrescentar umas coisinhas para ficar mais a minha cara também.
Se bem que já estava com meus produtos espalhados.
Eu saí do banheiro e vi que ele ainda dormia na cama, então corri para o closet fechando a porta de vidro para me vestir. Tudo que eu não queria era que ele acordasse e me visse pelada.
Eu vesti uma calça flare de alfaiataria azul clara e elegante, coloquei uma blusinha branca e alguns acessórios, ao sair percebi a cama vazia e o barulho do chuveiro.
Saí do quarto sem esperar por ele e cumprimentei Esme, Carlisle, Emmett e Rosalie que estavam na mesa.
— Então como foi a viagem? — Rose perguntou animada. — Quero ir para Maldivas também, mas na nossa lua de mel vou preferir ir para Grécia — sorriu para Emmett.
Ele não tinha nem esperado nós voltarmos de viagem para pedir a mão de Rosalie oficialmente, visto que já tinha o consentimento de toda família e mais vivia na mansão que em sua própria casa.
— Para onde você quiser, meu amor.
Eles se entreolharam e percebi o tanto que se amavam.
Era tão nitido isso.
Eu costumava achar que Jacob me amava também, mas tudo que eu tinha vivido com ele foi uma mentira. Ainda doía pensar em toda decepção, mas esse amor não existia mais e se transformou em raiva e ódio.
Aquele miserável não merecia nenhum pingo de lágrima minha. Eu nunca me arrependeria de ter sido verdadeira com ele, apesar de ter sido enganada. Edward estava certo quando disse que merecia alguém bem melhor que ele.
E só foi pensar nele que chegou cumprimentando todos.
— Bom dia.
— Dormiu demais, querido?
— Um pouco além da conta — respondeu dando um bocejo e só foi quando ele puxou a cadeira para se sentar na minha frente que percebi que era Anthony.
Merda. Será que nunca ia parar de confundir os dois?
De repente senti meu rosto quente ao me lembrar do sonho que pensei ser ele.
— Pode passar o café, Bella?
Sem dizer nada, peguei a garrafa e dei para ele.
Edward então entrou na sala cumprimentando todos também e sentou ao meu lado. Eu dei um gole grande na vitamina de frutas que tomava não querendo olhar para ele. Mesmo assim, se virou para mim, ao sentar ao meu lado.
— Por que não me acordou?
— Você foi dormir tarde, achei que podia dormir mais — dei de ombros.
Ele deu um risinho e não entendi a graça.
— Você tá com bigode — passou o polegar acima dos meus lábios, depois o levou à boca.
Minha respiração se tornou difícil e ficamos presos em uma guerra de olhar, ele pareceu se inclinar mais para mim, umedeci meus lábios com minha língua.
Eu não conseguia resistir.
— Edward, tem muito trabalho para fazer, não se esqueça disso. — seu pai falou fazendo a gente quebrar o que quer que estava acontecendo.
— Não vou pai — suspirou desviando os olhos do meu e se arrumando na cadeira.
Eu também suspirei.
Voltei a comer o pedaço de bolo de nozes que estava no meu prato e bebi a vitamina, dessa vez me certificando de não ficar com a boca suja.
— Bella, querida. Hoje vamos para o Grand Hotel, nos encontrar com algumas clientes e esposas de membros importantes, acho que vai gostar de conhecer mais todas elas.
— É claro — respondi apenas.
— Você vai se sair bem, é só se lembrar que quem manda em tudo é você — Edward sussurrou para mim.
Meu coração acelerou e enfiei um pedaço de bolo na boca para não ter que respondê-los.
Ele colocava mais fé em mim do que eu merecia. Porém, tentaria dar o meu melhor.
Eu tinha aceitado e escolhido aquela vida, era hora de começar a vivê-la.
Eu não era mais Isabella Swan, tinha que aceitar isso de uma vez por todas.
Minha vida inteira mudou de maneira drástica em um mês.
Eu podia ser muito jovem ainda, mas me sentia mais madura e com um estranho poder querendo emanar de mim.
Apesar de nosso casamento não ser convencional, eu era uma Cullen, esposa de um futuro Grand Chefão, tinha que começar a agir como uma.
E faria de tudo para deixar isso bem claro na reunião.
Bella Cullen PDV
— É aqui a reunião? — perguntei quando entramos em um salão oval pequeno, com umas cadeiras estofadas, uma mesa de comes e bebes pronta. Era pouco depois do horário de almoço.
— Sim, quem ver de fora pensa que só somos um clube de socialites, mas debatemos causas importantes para a Grand C.
— Oba, fui a primeira a chegar — uma mulher apareceu sorrindo.
Ela era negra e muito bonita, me lembrava um pouco a Oprah. Estava elegante usando um vestido azul marinho, saltos altos e uma bolsa chanel. Eu lembrava dela vagamente da festa de aniversário do Edward. Ela era irmã de algum conselheiro da Grand C pelo que me lembrava.
— Zafrina, que bom que chegou. Você se lembra de Bella?
— Mas é claro, estou ansiosa de como vai conduzir nossas relações.
— Vou sempre deixá-las satisfeitas — ela sorriu, parecendo contente.
Esme me disse que sempre deveria tratá-las bem e falar palavras que a deixassem pensar que estavam no poder.
Mais mulheres foram chegando e as cumprimentei sendo gentil. A última foi Tanya que chegou com sua mãe, ela me olhou da cabeça aos pés e só apertou minha mão, com Esme ela sorriu mais animada e até a abraçou.
Todas se sentaram e minha sogra foi para frente ao centro começando a falar.
— Como todas vocês sabem, Bella e Edward se casaram, e em breve vão assumir o comando da Grand C. Decidi fazer essa reunião hoje para que começassem a conhecê-la, pois logo ela será a dona daqui e cuidará de tudo, então deverão reportar a ela qualquer problema que tiverem.
Uma mulher levantou a mão, o nome dela era Ely, era esposa de um cliente empresário.
— Não é muito pouco tempo para ela compreender tudo?
— Bella é inteligente e já expliquei como tudo funciona na teoria, agora só precisa ver a mágica acontecer.
Algumas mulheres riram.
— Bella, se apresente — Esme pediu e me aproximei ficando ao lado dela.
— Bem, meu nome é Isabella, como sabem, mas podem me chamar de Bella e só quero dizer que estou ansiosa para trabalhar com todas vocês.
Ouvi um pigarro e uma mão se levantou.
— Desculpe Esme, mas não acho que Bella seja a melhor opção para assumir sua posição, ela pode ter se casado com Edward, mas nunca participou e interagiu em nada aqui. Acho melhor colocar uma mulher mais madura e que todas aqui respeitam, não uma adolescente ainda. — Tanya desdenhando de mim.
Algumas mulheres cochichavam entre si e outras fizeram cara de assustadas.
Esme abriu a boca para falar, mas fui mais rápida e dei um passo à frente, olhando bem firme para ela.
Era hora de colocar essa mulher em seu lugar de uma vez por todas.
— Mais madura como você? Uma mulher que não respeita as regras da Grand C e debocha da esposa do futuro Grand Chefão?
— Eu não…
— Cale-se que estou falando — ordenei altiva. — Você é apenas uma mulher mal amada que não superou ser deixada de lado por Edward. Mas essa coisinha aqui foi a escolhida e a partir de agora você deve-me respeito. Esta é a segunda vez que fala assim comigo Tanya e não vou aceitar uma terceira e não dou a mínima se é filha de um dos conselheiros. Se coloque na insignificância do seu lugar e me trate com o devido respeito.
Ela me encarou chocada e envergonhada. Algumas mulheres sorriram me dando força enquanto eu falava, mostrando que eu estava fazendo o certo.
— Perdoe minha filha, minha senhora. Você já fala e se comporta como a dona daqui e tenho certeza que vai se tornar a Grand C, mais grandiosa que nunca. Tanya nunca mais voltará a perturbá-la, não é?
Se virou para a filha.
— Me desculpe — falou forçado.
— Acho que nossa senhora merece um pedido de desculpas formal — Zafrina falou e todas as outras concordaram.
— Sim, vá Tanya — sua mãe a empurrou suavemente.
Ela andou até mim e para minha surpresa se ajoelhou no chão.
— Trate-a como ela merece — Esme falou atrás de mim.
Tanya suspirou e pegou em minha mão. Levou-a ao seu rosto e a beijou.
— Me perdoe minha senhora, isso não voltará a acontecer de novo, você é mais do que capacitada para assumir isso daqui.
Eu puxei minha mão.
— É bom que se lembre disso, ou ficará sem esse cabelo da sua cabeça, na próxima vez ou quem sabe a língua.
Ela me olhou horrorizada e se levantou.
Me virei voltando para o lado de Esme, que tinha uma expressão satisfeita no rosto.
— Alguma outra objeção ou podemos começar nossa reunião?
Ninguém falou mais nada e eu sorri, me sentando e prestando atenção no que Esme dizia.
...
— Você foi muito bem, Bella. — Ela disse quando voltávamos para casa.
— Você acha?
— Sim, teve muita desenvoltura e colocou Tanya no lugar dela com elegância. Parece que nasceu para fazer isso. Essas senhoras já a respeitam como a rainha dela, mal posso esperar para contar a Carlisle e Edward.
Eu sorri, me sentindo.
— Eu gostei da sensação de saber que tenho poder sobre outras elas.
— É uma sensação boa, não é? — sua mão apertou a minha.
— É — concordei.
— Você vai se sair muito bem quando assumir tudo. Só não deixe nunca ficar cega demais pelo poder, assim como ele é bom, ele também pode destruir você.
— Obrigada Esme, vou me lembrar.
Alguns dias passaram e minha vida estava sendo completamente diferente do que achei que fosse ser. Eu me sentia cada dia mais como uma Cullen. Era estranho me sentir daquela forma em tão pouco tempo, mas era como se eu tivesse encontrado meu lugar. Eu me sentia tão poderosa, uma mulher independente e dona de si.
Eu podia ter tudo que eu quisesse ali. Lembrei de quando Edward me deu um cartão sem limites em meu nome e passou a senha de uma conta conjunta. A quantia que tinha ali era milhões de vezes mais do que a que meu pai devia e ainda me disse que podia gastar como quisesse, sem falar que também teria uma conta só minha.
Pela primeira vez estava ansiosa para assumir a Grand C e ser uma chefona poderosa.
Esme me ensinava tudo que eu precisava saber e as mulheres que tinha contato, as que nos devia dinheiro e as que sempre tentava nos enrolar. De alguma forma eu consegui conciliar e entender tudo. Fui em mais duas reuniões e parece que Tanya havia viajado. Eu achei ótimo, não queria mais papo com ela.
Sabia que ainda não tinham descoberto quem invadiu o depósito e isso estava deixando todos em alerta. Rose falou que nunca havia acontecido algo assim.
Eu estava sentindo que a Grand C era meu lugar, se alguém não respeitava-nos, que lidasse com a consequência, mesmo que fosse a morte.
Grand C acima de tudo, era um lema de vida e iria seguir isso com afinco. Então torcia para que pegassem logo o soldado que cuidava de tudo e descobrissem quem invadiu.
Acho que no fundo sempre existiu uma parte de minha que gostava de maldade e como estava vivendo naquele ambiente, estava aflorando ainda mais.
Minha relação com Edward estava em uma fase estranha. Nós tínhamos criado uma estranha amizade e eu não sabia como conseguia lutar contra a forte atração que sentia por ele.
Era difícil toda noite que ia dormir e ele estava deitado ao meu lado. Algumas noites ele chegava super tarde e eu sempre acordava, mas fingia dormir.
Voltei a colocar um travesseiro entre nós na cama, mas não com medo dele se aproximar e sim com medo de que eu não fosse resistir.
Eu queria odiá-lo. Eu queria pegar uma daquelas armas e atirar em sua cabeça. Eu queria não sentir tudo que eu estava sentindo por ele.
Mas eu não o odiava e estava tão confusa com meus sentimentos.
Edward não era o homem que eu achava que fosse.
Ele não era frio e maligno, não ao menos nada absurdo, não comigo. A maioria das coisas que ficava sabendo que ele fez, eu concordava.
Ao contrário eu podia enxergar algo bom dele.
Ele nunca tentou forçar nada comigo e respeitava meu espaço, sempre levando as provocações na brincadeira, sempre me tratando bem, apesar de às vezes eu fingir indiferença. E sendo bem sincera, eu amava aquele nosso jogo de gato e rato.
Mas nunca poderia admitir que estava começando a gostar dele, nem que fosse como um amigo. Não iria perder aquela posta de jeito nenhum.
Eu estava no jardim, descobri um banco debaixo de uma árvore que dava para fonte e sempre que queria ficar sozinha ia para ali pensar.
Eu acordei e a primeira coisa que tinha visto era Edward saindo do banheiro enrolado só em uma toalha.
Nós ficamos nos encarando, sem conseguir dizer nada.
Eu sabia que ele ainda estava com raiva por eu ter dito que aquilo que aconteceu no nosso último dia de viagem tinha sido um erro. Sabia também que ele só me tocaria quando eu dissesse.
Mas como eu poderia dizer?
Estava seriamente pensando em propor que fizessemos aquilo, só sexo e nada mais.
— Bella, preciso que venha comigo — eu virei e encarei Edward ou Anthony me olhando. Ainda achava difícil diferenciar os dois, mas soube que era Edward pela roupa que vestia, ser a mesma de mais cedo.
— O que aconteceu?
— Isaac, um hacker nosso, conseguiu descobrir onde Harry estava escondido pelo sistema de monitoramento da polícia que seu pai ajudou a invadir. Mandei que nosso sequestrador fosse até ele com outros soldados e o capturaram. Tenho que ir até lá arrancar informações dele, para descobrir quem invadiu o depósito.
— E precisa que eu vá? Por que?
Ele suspirou e se inclinou em minha direção.
— É um teste final do Chefão, ele quer saber se você vai aguentar o que vai acontecer.
Eu o encarei desconfiada.
— E o que vai acontecer?
— Vou ter que interrogá-lo até ele dizer o que aconteceu e se ele não cooperar, vou ter que usar força.
Eu arfei.
— Você vai torturá-lo?
Ele só assentiu. Eu o segui em silêncio até o carro.
— Você vai matá-lo? — perguntei quando ele abriu a porta para mim.
Estávamos na sua Ferrari conversível. Eu amava quando ele a dirigia.
— Sim, é um traidor. A Grand C não dá segundas chances e uma traição deve ser paga com sangue. Só a morte é a solução.
Eu nunca tinha visto uma pessoa morrer e me senti nervosa de repente. E se eu não aguentasse ver? O que Carlisle poderia fazer?
— Esse homem é uma pessoa ruim? — perguntei.
Edward me analisou e passou a mão em seu cabelo.
— Eu preciso saber de uma vez por todas, Bella, você está comigo e a Grand C ou não?
Eu engoli em seco com sua pergunta.
Pensei em tudo que vinha acontecendo nos últimos dias.
— Estou com vocês — respondi.
Eu estava com a Grand C, eu era parte dela desde que aceitei me casar com Edward e eu a protegeria, custe o que custar.
— Ele é um traidor e vai ter o que merece — respondeu com uma expressão dura.
Eu assenti.
Ele ligou o carro e acelerou para longe dali.
Nota da Autora:
Aiai esses dois, o que vamos fazer? Kkkkkk
Sei que não teve nenhum momento deles, mas teve a Bella se aceitando de vez como uma Cullen, colocando Tanya no lugar dela e Ed dando confiançapara ela aiai
Paciência amores, mas dois capítulos e eles vão se acertar, prometo
Então comentem muuuito, se tiver 30 comentários volto segunda com mais hahaha
E haja coração para o próximo! Vamos ter o casal em ação e pegação tbm hehehe
Beeeijos
