ATENÇÃO: CAPÍTULO CONTÉM CENAS DE VIOLÊNCIA E TORTURA.
Bella Cullen PDV
— O que eu tenho que fazer? — sussurrei quando parou o carro, estávamos no porto de Los Angeles e era de noite.
— Nada, só fica quieta, atrás de mim e tenta não vomitar.
— Por que eu faria isso?
— Já viu alguém morrendo? — arqueou a sobrancelha e eu neguei.
Mas imaginava que não era muito diferente dos filmes e séries de ação que gostava de assistir.
Ele tirou o blazer preto que usava e saiu do carro
Eu também saí e Edward veio até mim, deixei ele passar a mão na minha cintura enquanto andávamos para dentro de um depósito grande.
— O que estamos fazendo aqui?
— É um nosso galpão de mercadorias, usamos para disfarçar os negócios. Vem.
Vi na entrada uma van com o nome da empresa de fachada e alguns homens, eles se viraram quando viram Edward chegando.
— Chefe.
— Onde ele está?
— Felix está com ele lá dentro.
O galpão estava cheio de prateleiras com caixas de papelão e era bem alto com alguns containers e empilhadeiras. Nós passamos pelo local e entramos por uma porta pesada de ferro que um dos homens abriu.
Me surpreendi ao passar por ela e o local ser completamente outro.
Estava limpo e mais organizado, com um corredor que parecia de hospital e algumas portas fechadas, notei vidros nelas como se fosse sala de interrogatórios de polícia.
Percebi que deveriam ser mais salas de tortura.
Uma das portas se abriu e vi Felix saindo. Eu já o tinha conhecido no aniversário de Edward e lembrava dele do casamento. Era um dos caporegimes mais importante para a Grand C e no caminho Edward me disse que ele atuava sempre sequestrando vítimas, clientes e traidores. Era alto e bem forte.
Eram tantas pessoas envolvidas, ainda tentava entender como tudo funcionava e os nomes das pessoas mais importantes.
— Chefe — cumprimentou Edward — Minha senhora — fez uma sutil reverência.
— Como está Harry?
— Desacordado ainda, acho que administrei um pouco de sedação demais.
— Que droga Félix, não temos tempo para isso — pareceu bravo.
— Eu sei, ele está despertando, porém um pouco grogue. Vamos resolver isso.
Um homem apareceu carregando dois baldes cheios de água. Felix pegou um deles.
Entramos na sala que não tinha nada demais, apenas o fato de um homem estar sentado em uma cadeira desacordado e amarrado com uma corda grossa. As paredes pareciam ser estofadas e imaginei que era para isolar o som.
Tremi um pouco imaginando o que poderia ter acontecido ali.
— Jogue nele — Edward mandou e o homem jogou o balde de água de uma vez.
Harry acordou assustado e desorientado. Seus olhos se arregalaram ao nos ver ali. Deveria ter um pouco mais de vinte anos, era magro e careca.
— Não, não — se mexeu tentando se soltar.
Edward me soltou e se aproximou do rapaz.
— Eu só vou falar uma vez, quem invadiu o depósito? — perguntou com uma voz forte e cheia de raiva.
— Eu não sei — disse ofegante.
Edward se virou e me encarou.
— Bella, pode arrumar minha blusa? Não quero me sujar — sua voz saiu doce bem diferente de segundos anteriores.
Com as mãos trêmulas, eu subi as mangas de sua blusa até seu cotovelo.
— Obrigado — piscou e sorriu para mim.
— Chefe, eu não sei de…
Ele parou de falar com o soco forte que recebeu no rosto.
Minha boca se abriu surpresa.
Uou!
Edward o socou tão forte que a cadeira do homem foi para trás e ele caiu no chão.
Um soldado o subiu de novo, vi como seu nariz ficou torto e começou a escorrer um pouco de sangue.
Edward continuou implacável.
— Podemos fazer do jeito fácil ou do difícil, Harry — voltou a dizer a voz potente. — Você me diz quem invadiu o depósito e eu te mato rápido ou posso me divertir te torturando aqui até não aguentar mais e me dizer e a sua morte será mais dolorosa. O que você escolhe?
— Clemência por favor, clemência.
Edward o socou de novo.
— Você pensou nisso antes de nos trair? Trair as pessoas que te abrigaram quando você foi abandonado pela sua mãe na rua, como um verme?
— Eu não aguentei — o homem gritou.
— Quem invadiu o depósito? Como ele sabia que era você?
— Eu não sei.
Edward fez um gesto com a mão e o soldado que estava ao lado da cadeira pegou uma saco plástico branco e grosso do chão.
— Não, por favor — Harry gritou, mas foi tarde demais.
O homem cobriu sua cara com o saco e o apertou, deixando-o sem ar.
Ele se debateu, tentando soltar-se em vão.
Edward fez outro gesto e o homem tirou a sacola.
Harry respirou com dificuldade.
— Está pronto para dizer agora?
— Um homem me procurou — Harry tossiu. — Mas eu não sei quem era, eu só o vi uma vez. Ele me ofereceu 30 mil dólares, não sabia que ele queria explodir o depósito, pensei que só iria roubar.
— Então é isso que vale sua lealdade a Grand C? 30 mil dólares?
— Foi um momento de fraqueza, me desculpe, chefe. Não vai acontecer de novo.
— Quem ele era?
— Eu não sei.
Edward fez um gesto de novo com a mão e o escutei o barulho do saco.
— Não por favor, por favor. Eu não sei quem ele era, juro pela Grand C. Ele não me disse o nome.
Edward o socou no estômago, com força.
— Não coloque nosso nome nessa boca suja de traidor.
Mordi meu lábio observando a expressão malvada de Edward, uma sensação estranha me atingiu e contraí minhas pernas, o observando.
Passei a língua pelos meus lábios e depois mordi com força.
— Como ele era então? Alguma tatuagem ou cicatriz?
O homem balançou a cabeça.
— Ele era alto e forte, moreno, tinha o cabelo liso e escuro. Assim como os olhos, parecia descender de nativos do país.
— Jacob! — arfei e todos olharam para mim.
Edward pegou seu celular e mexeu em algo.
— Era esse?
— Sim, sim, estava com o rosto machucado, mas era ele — O homem falou.
Eu me aproximei e vi uma foto de Jacob cortada no celular de Edward.
Ele o bloqueou e guardou no bolso.
Senti a raiva me tomar.
— O que mais ele te disse? — virei perguntando para o homem.
— Na-nada — gaguejou e sabia que ele mentia.
Sem pensar, subi minha perna para meu estômago, dobrando e estiquei chutando-o bem entre suas pernas com toda força que consegui. Agradeci a bota de couro que usava. Ele gritou.
— O que mais ele te disse? — exigir saber.
— Quando vi ele armando a bomba, eu tentei impedir. Mas ele disse que iria destruir Edward pelo que fez com seu pai e se vingar por ter ficado com a mulher dele. E se eu não quisesse morrer era bom eu fugir. Então só sair correndo de lá, era tarde demais para voltar atrás. Eu sinto muito, chefe. Me perdoe, por favor — chorou.
— Mate-o — Edward falou e por um momento pensei que falava comigo.
Mas então o homem atrás dele puxou uma faca pontuda e cortou a garganta de Harry.
Sangue jorrou de seu pescoço.
Eu saí da sala, precisando de ar fresco.
— Vocês sabem o que fazer — escutei a voz de Edward mandar e saiu logo em seguida. Me olhou preocupado.
— Bella… você está bem? — sua sobrancelha se arqueou em minha direção e eu não aguentei mais.
Puxei-o pela nuca e colei minha boca na dele, enfiando minha língua entre seus lábios e o beijando com volúpia.
Edward me segurou com força e correspondeu ao meu beijo com a mesma vontade. Sua mão subiu para minha nuca e apertou-a.
Ele me tirou do chão e envolvi minhas pernas em sua cintura, sentindo ele me pressionar na o beijo e mordi seu lábio com força, arranhando suas costas por cima da blusa, senti seu membro pressionar meu centro e gememos, eu me esfreguei ali, querendo senti-lo mais e odiei aquela calça preta apertada que eu usava. Voltamos a nos beijar, sua mão deslizou por todo meu corpo.
Alguém pigarrou e fomos obrigados a parar o beijo, estávamos ofegantes e nos encaramos cheios de luxúria.
— Chefe, desculpe. Mas o que quer que eu faça agora? — a voz de Félix saiu baixa como se tivesse com medo de falar.
Eu o encarei duramente, deveria ter medo mesmo, por ter nos interrompido. Que droga!
— Descubra com Isaac ou quem for preciso onde está Jacob, Félix e traga-o para mim. — Edward respondeu, depois de respirar com força.
— Sim, senhor.
Félix se virou e saiu.
Ah, o que eu tinha feito?
Eu soltei Edward e ele segurou minha mão com firmeza, entrelaçando nossos dedos.
— Vamos embora daqui.
Eu apenas apertei minha mão na sua e assenti.
Edward Cullen PDV
Eu ainda estava perplexo, enquanto entrava dentro do carro com Bella muda ao meu lado.
Eu esperava que ela fosse vomitar e dizer que eu era um monstro depois do que presenciou. Mas ao contrário, ela não só tinha participado como tinha me beijado toda desejosa depois.
— Então vai me dizer o que foi aquele beijo? — perguntei quando ligava o carro e saia dali.
Bella bufou, sem olhar para mim.
— Nada demais, eu só me deixei levar pelo momento. Não vai voltar a acontecer de novo.
Eu ri.
— Não que esteja reclamando, mas você beija demais um homem que diz odiar e que quer que morra.
Ela bufou de novo.
— Você quer um chute no saco também? — rebateu.
— Aquilo foi incrível Bella, não imaginava que fosse fazer isso — sorri orgulhoso de minha mulher.
— Nem eu, mas fiquei possessa ao ouvir o nome daquele cachorro. O que vamos fazer com ele?
— Vamos? — desviei meus olhos da pista, encarando-a surpreso.
— Você me incluiu nisso, agora não pode me deixar de fora. Espero que acabe com ele.
Eu sorri, com isso.
— Jacob está sozinho, ele não vai conseguir fazer muito. Logo, Félix vai encontrá-lo e ele vai ter o mesmo destino de seu pai e tio.
— Como assim?
— Nós matamos Henry e Billy em uma operação antes do casamento, eles estavam trabalhando com um traidor da Grand C e queriam nos destruir, mas é claro que não conseguiram.
— Por que não me disse?
— Não achei que fosse querer saber — dei de ombros.
— Mas eu quero sim. Promete que vai me falar quando o acharem?
— Sim — concordei. — Vou receber mais de seus beijos?
Bella me olhou e riu.
— Se tiver sorte.
Eu sorri feliz. Isso não era um não, pela primeira vez.
— Edward, seu pai e Anthony estão esperando por você no escritório — Sra. Cope, veio até mim quando entrei em casa.
— Tudo bem, estou indo. Você está bem?
— Ah sim, estou. Pode ir — Bella falou e eu assenti subindo as escadas.
— Deveria ter me deixado ir ver, pai — Escutei Anthony falando ao me aproximar da porta que estava aberta.
— Seu irmão precisa aprender a tomar conta de tudo sozinho. E pelo jeito se saiu muito bem.
Eu empurrei a porta e eles pararam de falar.
— Edward, filho, entre.
Eu entrei, fui surpreendido quando se levantou e me abraçou, dando tapinhas em minhas costas.
— Felix me ligou e contou o que aconteceu, estou muito orgulhoso de você.
— Obrigado pai, agora só resta saber onde está Jacob e acabar com a raça dele.
— Sim, não deixe isso barato. Ele me contou de Bella também, confesso que a atitude dela me surpreendeu, não esperava que ela fosse demonstrar isso.
— Ela deu um chute nele incrível — falei exultante.
— Félix falou, logo todos na Grand C vão saber que sua esposa será uma rainha perfeita, acho que até mais que sua mãe, que sempre preferiu ficar de fora dessas cenas.
— Porra mano, o chute deve ter doido — Thony colocou a mão em frente a sua calça.
— Acho que doeu mais do que quase ser sufocado.
Nós rimos.
— Vocês estão prontos, vou marcar a coroação e espero que até lá já tenha resolvido esse lance com Jacob.
— Logo vamos descobrir onde ele está e vou acabar com ele.
— Ótimo, a grand C está orgulhosa de você e Bella, filho. Vocês vão ser muito poderosos e valiosos juntos.
— Eu sei — sorri.
…
Eu fiz caminho para o quarto apressado. A porta estava só encostada e a empurrei.
Sorri ao ver Bella. Seus olhos estavam fechados e os dedos contornavam seus lábios.
Eu lambi os meus ainda sentindo seu beijo. Queria deitar em cima dela e a fazer minha.
Porém, ainda não podia. Tinha que voltar para o clube oculto e investigar.
— Pensando em alguma coisa boa ai? — perguntei.
Ela revirou os olhos.
— Sim, agradecendo por ainda ter lábios depois de beijar essa sua boca asquerosa.
Eu joguei a cabeça para trás e ri com vontade. Ela tava doidinha por mim, tinha certeza.
Seus olhos se estreitaram como se ela fosse partir para cima de mim, mas agindo rápido rápido me aproximei da cama e me deitei por cima dela.
– Sai daqui — tentou se soltar, mas segurei seus braços esticados para cima de sua cabeça só com uma mão.
Sua respiração ficou mais forte e a ponta de sua língua espreitou para fora.
Eu podia ver em seus olhos como estava sedenta por mim.
— Uma pena então, por que vim atrás de mais de seus beijos — aproximei minha boca da dela.
— Não vai conseguir — sussurrou, mas seu corpo dizia ao contrário.
Ela aproximou sua boca mais da minha, seus lábios se franziu.
— Não? — Dessa vez passei a língua em meus lábios e poucos centímetros separavam nossas bocas.
— Não — respondeu e se inclinou toda pronta para receber meus lábios.
Antes que não aguentasse mais a soltei.
— Uma pena então — sai de cima dela e fiquei de pé no chão.
Bella me olhou incrédula na cama.
— O que? Onde pensa que está indo?
— Bem, alguém tem que trabalhar — respondi me divertindo internamente.
— Mas…
— Mas o que?
— Nada — engoliu em seco.
Meu corpo queimava e queria muito voltar para cima dela e beijá-la como se o mundo fosse acabar.
— Uma palavra, Bella — levantei o dedo.
— Nunca — balançou a cabeça.
Eu dei um sorrisinho torto.
Ah meu amor, esse nunca está mais perto do que antes.
Eu tinha certeza. Ela não resistiria por muito tempo.
— Vamos ver até quando vai aguentar.
Com isso saí do quarto.
Encostei a porta e escutei seu grito frustrado, abri um pouco de volta vendo ela ajoelhada na cama, socando meu travesseiro.
— Inferno de homem que se acha, convencido e malandro porra. — ela dizia bufando.
Eu ri.
Ela estava tão caidinha por mim, precisava fazê-la admitir isso de uma vez por todas, para aí sim começar nossa diversão.
Pensei em tudo que queria fazer com ela.
Aiai.
Mas primeiro precisava acabar com a Jacob Black, de uma vez por todas.
Nota da Autora:
Oiii amores, como estão?
O que acharam do capítulo?
Bella toda poderosa hein, deixando até Carlisle feliz haha
Sei que estão impaciente com esses dois, mas no próximo ela finalmente vai admitir que gosta dele, pelo menos para ela mesma hahaha
Paciência, só mais um capítulo!
Beeijos
