Bella Cullen PDV

Os dias depois daquele episódio se passaram voando.

Eu estava cheio de tarefas com Esme no clube das mulheres e a ajudando a organizar a festa de coroação, que foi marcada.

Irina tinha desenhado um vestido perfeito para mim.

Confesso que estava animada com isso, como achei que não ficaria.

Gostava da ideia de poder mandar em tudo e ter todos fazendo minha vontade e não via a hora de me tornar oficialmente senhora de tudo.

Seria só estalar meus dedos e todos teriam que obedecer minhas ordens.

Aquele episódio de Harry tinha me feito descobrir quem eu realmente era e abracei essa parte minha de uma vez.

Primeiro tinha achado que não aguentaria ver uma pessoa sendo torturada em minha frente, mas adorei ver Edward naquela pose de malvado socando a cara do homem.

Senti um desejo incontrolável e por isso o tinha beijado e se não fosse por Félix eu tinha deixado ele me tomar ali mesmo, sem me importar com mais nada.

Quando ouvi o nome de Jacob senti um ódio incontrolável, eu queria o sangue dele escorrendo no chão.

Era incrível como o amor que senti um dia por ele se transformou em ódio. E o ódio que sentia por Edward se transformou…

Bem que diziam que do ódio ao amor só há um passo.

Pouco a pouco ele estava conseguindo me conquistar.

Eu havia escolhido aquela vida, me casei com ele e queria ser a chefona de tudo ao seu lado. Não queria mais lutar contra tudo que ele me fazia sentir.

Quando sorria para mim, quando trazia algum presente ou apenas roçava sua mão na minha.

Eu sabia que tinha me apaixonado por ele e isso me assustava demais, não estava esperando que fosse me sentir assim tão cedo. Por isso fugia sempre que tentava ficar sozinho comigo, dormia antes dele e ficava fingindo dormir até ele sair do quarto pela manhã ou me escondia no banheiro.

Eu estava com medo de me entregar.

O meu sentimento por ele não tinha surgido como foi com o Jacob, não foi de repente como um raio ou como um amor à primeira vista. Não era um primeiro amor que me deixou cega para tudo.

Ao contrário, Edward plantou uma sementinha e todos os dias ele a regava e cuidava dela, com pequenos gestos, singelos toques e palavras acolhedoras.

Ele parecia um homem completamente diferente quando estávamos sozinhos e apesar daquela tensão que existia ao nosso redor nunca forçou algo ou ficou me cobrando uma relação, não como Jacob fazia e isso era uma das coisas que mais admirava e me atormentava nele.

Me admirava por que ele era um criminoso e assassino e mesmo assim me respeitava como mulher. E me atormentava por eu sempre o provocar dizendo que o odiava e ele me devolvia me seduzindo, conseguindo me deixar mole só com suas palavras, mas nunca ia em frente e me deixava doidinha. Sabia que só iria depois que eu admitisse em voz alta que o queria, mas não conseguia.

Naquela semana que se passou, a sementinha plantada por ele tinha se tornado uma árvore enorme, com um tronco grosso, as raízes fincadas bem fundo dentro de mim e flores começavam a aparecer em suas belas folhas verdes. E por mais que eu sentisse aquele sentimento só aumentar em meu peito, meu orgulho não deixava eu me abrir com ele. Eu sabia que ele se sentiria vitorioso por ter ganhado aquela guerra.

As noites eram as mais difíceis. Sempre quando estávamos em nosso quarto a atração entre nós se intensificava.

Às vezes eu fingia dormir e sabia que ele fazia o mesmo. Em outras ficávamos nos revirando na cama, mas sem dizer nada. Eu ficava o mais longe possível dele enrolada no edredom, com medo de um mero toque me fazer jogar tudo para o alto.

Aquele dia foi o primeiro em mais de uma semana que acordei e fiquei surpresa ao encontrá-lo dormindo ao meu lado.

Ele sempre levantava primeiro que eu.

Edward estava virado em minha direção, ele tinha cortado seu cabelo que estava um pouco mais curto.

Sem aguentar, coloquei minha mão em seus fios macios e passei por eles bem devagar com medo de despertá-lo.

— Eu deveria odiá-lo — sussurrei — Mas não consigo mais.

Suspirei e me inclinei beijando sua bochecha. Edward respirou fundo dormindo. Tão lindinho, eu sorri.

— Então, dê o primeiro passo, ok? Não sei se eu consigo.

Esperava que ele me entendesse inconsciente.

Fiquei ali mais um minuto admirando-o dormir, o contorno de seus lábios, sua mandíbula forte, sua sobrancelha grossa, seus cílios longos. Ele era tão perfeito.

Com medo dele acordar e me encontrar babando, levantei e fui para o banheiro, me preparar para o dia.

Quando saí, Edward estava sentado na cama e olhou em minha direção. Eu estava vestida só com a toalha e por um momento pensei em deixá-la cair do meu corpo para ver qual seria sua reação.

Seus olhos se prenderam nos meus e depois passaram pelo meu corpo, fazendo-me queimar.

Antes que qualquer coisa fosse feita, ele se trancou no banheiro.

Eu suspirei, esses últimos dois dias ele estava parecendo estressado com algo e não conseguia entender o que.

Não tinha planos de sair naquele dia, então vesti um shortinho de cintura alto com um cropped combinando. Fiz tudo devagar para ver se ele saia do banheiro e eu podia secá-lo um pouco só de toalha, mas demorou e estava com fome.

Desci as escadas caminhando para a sala que tomávamos café da manhã.

Esme, Carlisle, Rosalie e Anthony estavam ali.

Cumprimentei-os e sentei no meu lugar.

Edward chegou minutos depois, parecendo mal-humorado e tomou seu lugar. Usava uma calça preta e uma blusa cinza social, eu adorava seu estilo formal de empresário, mesmo no fundo sabendo que era um bandidão.

— Edward, meu filho, tudo bem?

— Tudo — respondeu apenas.

— Parece que não dormiu bem mano, o colchão tá muito duro? — Anthony falou e riu.

Edward rosnou em sua direção.

— Melhor que o seu com certeza está.

Fiquei me perguntando porque ele parecia tão bravo, poderia ser por minha causa? Se ele me queria por que não falava e uma vez e acabava com aquela tortura?

Depois do café, ele saiu com Anthony e eu estava com a agenda livre, suspirei um pouco triste sabendo que não o veria até a noite. Era ruim ficar ali quando não tinha nenhum compromisso ou Edward por perto para o importunar. A coroação seria dia 24, quase um mês depois do nosso casamento. E já estava quase tudo pronto.

À manhã e à tarde fiquei no quarto deitada na cama lendo um livro. Porém comecei a sentir uma estranha agonia, que não soube explicar o porquê. E comecei a caçar qualquer coisa para fazer, agradeci quando Rose chamou para ver revistas de decoração e ajudá-la a escolher as coisas de seu noivado, que seria depois da coroação. Só se casaria no próximo ano, depois que ela se formasse.

Rosalie se mantinha mais neutra sem assumir nada na Grand C, mas estava terminando de cursar direito e queria ajudar os integrantes quando precisasse resolver algum problema na justiça. Carlisle queria até que ela se tornasse uma juíza no futuro.

— Bella, você está bem? Está tão calada — Esme perguntou.

— Ah sim, só pensando.

— Em que?

Seu filho, quase respondi.

— Nada, deixa para lá. Eu acho essa fonte linda para os convites — mostrei para Rose mudando de assunto, ela concordou.

— Sra. Cullen tem visita — sra. Cope falou e Esme se virou.

— É para Bella.

— Ah é claro. — Esme sorriu.

— Quem é? — perguntei confusa, mas assim que saí dei de cara com ele.

Percebi o quanto sentia sua falta.

— Pai — o abracei com força.

— Ah minha filha, como está?

— Estou bem e o senhor? Está comendo direito?

— Sim, não se preocupe. Desculpa não ter te visitado antes.

Ele tinha vindo só dois dias depois que cheguei da lua de mel e não tinha mais o visto, tivemos só algumas conversas pelo celular.

— Tudo bem, que bom que está aqui agora.

— Vem, vamos conversar — ele me puxou pelo braço e saímos da casa, andamos para a área da piscina.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não, mas fiquei sabendo de tudo que anda aprontando por aqui, recebi muitos elogios, Bella.

— Ah eu não estou fazendo nada demais — dei de ombros.

— Está sim, querida. Você está tão diferente, estou orgulhoso de você.

— De eu estar sendo uma criminosa?

Charlie suspirou.

— Você sabe que não é assim. Estou orgulhoso de você está feliz, eu sempre enxerguei uma Bella diferente em você. Você sempre foi forte e destemida, por isso sabia que seria perfeita para ser esposa do Grand Chefão, não foi só para salvar nossas vidas e te trocar Bella, foi porque assim que a proposta foi feita, apesar do susto, eu sabia que era onde seria seu lugar. Então, sei que meio que te obriguei a tudo, só queria seu perdão e...

— Pare, pai! Não há nada para ser perdoado. Eu tive uma escolha e eu a fiz, você está certo, aqui é o meu lugar, eu estou feliz com isso — respondi sincera.

— Ah querida!

Nos abraçamos de novo.

— Você e Edward estão bem, então?

— É, na medida do possível.

— É bom ele respeitar minha menina, se não esqueço que ele é o mandachuva de tudo e acabo com ele.

Com isso, eu ri. Se ele se atrevesse a fazer algo comigo, eu mesma acabaria com ele.

— Vou avisá-lo.

— Bem, eu tenho que ir. Seu marido não chegou ainda né?

— Não, ele está trabalhando demais tentando achar Jacob.

— Esse miserável está conseguindo fugir da gente não sei como, mas logo vamos conseguir pegá-lo.

Eu suspirei.

— Tudo bem, depois eu volto aqui.

— O senhor é sempre bem-vindo.

Ele sorriu e nos despedimos.

Ao contrário de voltar para casa, eu segui para o caminho que dava para a fonte. O sol estava começando a se pôr e a paisagem ali era de tirar o fôlego.

Sentei no banquinho escutando a água caindo e fechei os olhos.

Por favor, me ajude a resolver isso.

De repente senti um arrepio percorrer meu corpo e uma sensação ruim no meu âmago , aquela agonia voltando de novo. Algo parecia errado, precisava falar com Edward.

Escutei passos se aproximando e torci para que fosse ele.

— Bella, querida. O que está fazendo aqui? Está tarde — Esme apareceu me encontrando sentada sozinha ali.

— Ah, eu gosto de vim aqui pensar — admiti.

— E em que está pensando?

Engoli em seco, não sabendo se deveria contar para ela.

Ela se sentou ao meu lado e colocou sua mão na minha.

— Aquela hora, sei que mentiu. Então por que não me conta a verdade? Só tem nós duas aqui, filha.

Suas palavras me tocaram. Nós tínhamos muito carinho pela outra.

— Acho que me apaixonei por Edward — admiti.

Esme sorriu.

— Você acha?

Eu passei a minha outra mão no cabelo, um gesto que tinha pegado de mania com ele.

— Eu... eu não sei... Quando me apaixonei antes eu achei que nunca sentiria isso de novo e o que eu sinto por Edward é bem mais forte que achei que sentia antes, sabe? — desabafei o que guardava para mim. — Agora vejo que eu estava cega antes, o que sentia não era amor ou sequer paixão. Era mais uma obsessão de uma menina boba que achava que vivia em um conto de fadas. Mas o mundo não é um livro de romance onde tudo é perfeitinho e todo mundo vive feliz para sempre, eu não sou mais assim, eu me sinto uma mulher e quando olho para Edward eu só consigo querer ele...

— Ah Bella, você já disse isso tudo para ele?

— O que? Claro que não! Não posso dizer. Ele vai ficar com aquele maldito sorrisinho na cara e saber que ganhou, sem falar que ... eu não sei se ele sente o mesmo.

Balancei minha cabeça.

Eu sabia que ele me desejava, mas depois de admitir para mim mesma o que sentia por ele, queria que ele sentisse mais que atração.

Eu não queria ser só sua esposa troféu ou uma mulher para aquecer sua cama, eu queria muito mais.

— Ah filha, você ainda tem alguma dúvida dos sentimentos dele? Edward iria abrir a mão de tudo por você, se isso não é uma prova de amor eu não sei mais o que possa ser. É bem óbvio para todo mundo que ele te ama.

Eu arfei, colocando a mão na boca, sentindo uma epifania.

Lembrei de todas suas palavras doces, seus beijos, seu respeito.

Ele querendo me renunciar. Eu nunca havia entendido porque tinha feito aquilo, porque tinha me dado uma escolha, mas naquele momento eu compreendi.

Edward me amava, ele viu como fiquei sofrendo por Jacob e mesmo sentindo que estava apaixonado por mim, quis abrir mão de mim, apenas para me dar a chance de ser feliz.

Isso era amor de verdade.

Pensei no que faria se ele não gostasse de mim, se fosse apaixonado por Tanya e quisesse ficar com ela, eu seria capaz de abrir mão dele para que fosse feliz?

A resposta doeu em meu coração, eu iria querer que ele fosse feliz independente de qualquer coisa.

Ah Deus, como eu tinha sido tão cega?

— Ele me ama — percebi, meu coração bateu mais forte com aquela descoberta. — E eu o amo também.

Ela riu.

— Sim, e o que vai fazer?

— Preciso contar para ele — levantei apressada.

Foda-se se iria perder a posta. Eu só queria estar com ele. Eu só queria ser dele como nunca seria de nenhum outro homem.

— Calma querida ele deve tá chegando ainda.

Esme riu.

— Eu não posso esperar mais, eu tenho que falar tudo e foda-se se ele ganhar, eu não me importo só quero ele.

— Bem, pode dizer assim que o vir e...

Esme parou de falar quando escutamos passos correndo até nós.

De repente aquela sensação ruim voltou de novo e meu coração se apertou.

— Mãe, mãe! — Rosalie gritou parecendo desesperada.

— O que foi menina?

Ela parou e respirou ofegante quando nos viu, seu rosto tomado pelas lágrimas.

Eu podia escutar as batidas fortes no meu peito e soube que algo muito ruim tinha acontecido.

— Emmett ligou, parece que teve uma emboscada e um tiroteio. Edward foi atingido.

— O que? — arfei, sentindo o medo me tomar.

Ele não podia fazer isso comigo.

Não naquele momento, não nunca.


Nota da autora:

Oiiii amores, como estão?

Gostaram do capítulo? Hahahah não teve nenhuma interação beward acordados e se provocando, mas teve a Bella finalmente admitindo que gosta do Edward, mas aí acontece isso

o que será que aconteceu? Vamos torcer para que ele fique bem logo né e não morra hahahaha

Comentem muuuuuito que volto sexta com mais ou quem sabe antes, depende de vocês hehe

Beeeijos