Edward Cullen PDV

Eu toquei a testa de Bella com cuidado e suspirei aliviado ao ver que a temperatura parecia normal, ela tinha dado febre na noite passada.

Acariciei seu rosto machucado, ele estava roxo em algumas partes de sua bochecha, maxilar e em seu nariz, locais onde ele a tinha batido.

Nunca. Iria me perdoar por isso. Nunca.

Minha esposa tinha se machucado por minha culpa e nada nem ninguém iria me fazer ver isso de outra forma.

Era de tarde e tinha se passado uns seis dias desde que tudo tinha acontecido. A coroação foi adiada novamente. Eu rezava todos os dias para que Bella ficasse bem, sabia que era um dos piores pecadores do mundo, mas implorei a Deus, que me escutasse e salvasse a vida de minha mulher. Sentia que estava escapando entre meus dedos e eu minhas mãos estavam atadas sem saber o que fazer.

Bella quase não falava e só estava comendo porque a obrigava e mesmo assim era bem pouco. Tinha medo que estivesse entrando em uma depressão.

Tentei pensar em várias soluções para seu caso e sentia que só me restava uma saída. Estava refletindo nela há dois dias e finalmente tinha tomado a coragem que precisava.

Seria naquele momento ou nunca. Por minha mulher, eu era capaz de tudo.

— Eu te amo, me perdoa. Vou cuidar disso — beijei sua testa e me levantei da cama, Bella nem se mexeu.

Saí do quarto em silêncio e caminhei pelo corredor, bati na porta do escritório. Sabia que ele estava ali.

— Pai, posso falar com o senhor? — entrei dentro respirando fundo.

— É claro, está tudo bem?

— Não.

Eu andei nervoso pelo escritório, sem saber como começar.

— Edward, o que foi meu filho? — Carlisle me encarou visivelmente preocupado, eu olhei para ele e depois para meu irmão que estava ao seu lado.

Respirei fundo antes de dizer a decisão que havia tomado.

— Vou sair da Grand C, Anthony assumirá tudo.

— O que? — meu irmão arfou, seus olhos se arregalando.

Meu pai nem piscou.

— Eu espero que não vejam isso com uma traição, mas não posso mais continuar aqui. Bella... — balancei a cabeça. — Anthony é o segundo mais velho, ele deve assumir tudo.

— O diabo que vai! – meu pai explodiu se levantando e batendo na mesa. — O que pensa que está fazendo? Você vai trair sua família assim? Trair a Grand C? Sabe muito bem o que pode acontecer, onde está com sua cabeça? Perdeu o juízo garoto?

Encolhi os ombros.

— Eu... eu... Anthony vai ser tão bom quanto eu e…

—Nunca, você é o melhor, o lugar é seu por direito. Você é meu primogênito! O que pensa que está fazendo? Se alguém sequer souber que pensou nisso, o que acha que pode acontecer?

Engoli em seco.

Minha morte eu sabia muito bem. Por isso precisava do meu pai ao meu lado, se tivesse seu apoio e do meu irmão podia sair ileso.

Mas se eu não tivesse e seguisse com aquela decisão, tudo poderia ruir.

— Pai, eu… — me sentei no sofá esfregando meu rosto com as mãos.

Carlisle se aproximou e sentou ao meu lado, colocando a mão em meus ombros.

— O que está errado? Me diga filho.

Eu não aguentei.

Meus olhos se encheram de lágrimas.

— Bella, eu não sei mais o que fazer — admiti. — Sinto que a estou perdendo, eu não posso perdê-la e não sei mais o que fazer para ajudá-la. Eu não sei.

Para minha total surpresa meu pai me agarrou e me abraçou com força.

— Eu não posso perdê-la pai. Não posso — o abracei de volta.

Eu nem lembrava a última vez que tinha chorado na frente dele, mas não aguentava mais.

Os sentimentos daqueles últimos dias me consumiam.

Minha esposa tinha sido abusada e eu não sabia o que fazer. A culpa de tudo me consumia, em uma agonia crescente dentro de mim, que cada minuto se tornava pior só em saber como minha esposa sofria.

Se eu não fizesse parte de uma máfia, se eu não fosse um criminoso, um assassino, se eu não fosse um monstro, eu sabia que ela estaria bem, que ela estaria em segurança. Que ninguém nunca faria mal a ela.

Era tudo minha culpa.

— Você não vai, filho. Tudo que Bella precisa é do seu amor, eu sei que pode dar isso a ela. Ela vai superar você vai ver, é mais forte que qualquer mulher que já conheci. O amor que vocês têm um pelo outro é algo raro de se ver e de se encontrar, a conexão entre vocês qualquer um pode ver, deixe esse sentimento te guiar, é o amor que vai curar vocês.

— Como? Eu não sei mais o que fazer. Eu não aguento mais vê-la sofrer — funguei.

— Só tenha fé nela e não desista do amor de vocês. Tenha paciência, está tudo muito recente ainda. Ela só precisa de um tempo a mais, mas tenho certeza que vai conseguir superar isso.

Eu o soltei limpando minhas lágrimas.

Anthony estava atrás de nós com uma expressão séria, ele se aproximou e apertou meu ombro com força.

— Tudo vai dar certo, mano, você verá. Ainda vamos ver vocês se tornando os maiores chefões que a Grand C poderá ter.

Eu assenti engolindo com dificuldade.

Eu realmente esperava que sim.

Voltei para o quarto e estava todo escuro, podia ver a sombra de Bella enrolada completa no lençol encolhida na cama.

Seus olhos estavam abertos, mas ela parecia não estar olhando para nada.

— Você está bem? — sussurrei me deitando ao seu lado.

— Sim — respondeu apenas sem nem se virar para mim.

Eu suspirei e fiquei apenas em silêncio, sem saber o que fazer.

Eu sabia que não merecia a felicidade, sabia que era cruel e um assassino, mas minha esposa não merecia estar passando por aquilo. Eu que deveria.

E talvez aquele fosse meu castigo.

Nada do que fizessem comigo, me causaria mais dor do que ver minha esposa sofrendo daquele jeito.

Eu tinha matado Jacob, mas ele ainda tinha conseguido ganhar e seu fantasma nos assombraria para sempre.

Fechei meus olhos e fiz uma prece: por favor Deus, me ajude. Sei que não merecemos sua misericórdia, mas não deixe minha mulher se perder, que nos superamos isso juntos, por favor, me mostre o que devo fazer.

Sem conseguir resistir, levei minha mão a seu rosto e fiz carinho em sua bochecha, nossos olhos ficaram presos um no outro e me inclinei para beijar seus lábios, eu não queria forçar nada, mas queria mostrar que eu estava ali, ao lado dela, pelo tempo que ela fosse me querer.

Antes que nossos lábios se tocassem Bella se virou na cama ficando de costas para mim.

Bella Cullen PDV

Eu estava deitada na cama quando escutei uma batida na porta.

Edward estava sentado à mesa, mexendo no notebook em silêncio, ele se levantou para abri-la.

— Bella, posso falar com você? — Escutei a voz de Esme e me sentei na cama.

— Claro.

— Á sós — olhou para o filho.

Ele suspirou.

— Tudo bem, vou para o escritório do papai, qualquer coisa é só me ligar e eu venho correndo — disse fechando o notebook e o segurando junto com seu celular, antes de sair veio até mim e beijou minha testa.

Meu coração se apertou.

Esme se sentou ao meu lado quando ficamos sozinha, ela começou a dizer sem rodeios:

— Eu nem consigo imaginar pelo o que está passando, querida, já foi aterrorizante para gente, nunca tinha acontecido com alguém tão importante na Grand C, porém para você sabemos que foi bem mais. Eu sei que está sofrendo, mas saiba que estamos aqui do seu lado para te apoiar como família — sua mão segurou a minha.

— Eu não sei se mereço isso — funguei lágrimas tomando meus olhos.

— É claro que merece, Bella, você é minha filha, eu te amo tanto — ela me puxou e me abraçou. — Você é tão jovem, querida, ainda vai passar por tanta coisa, eu sei que vai ser difícil, mas precisa ser forte para superar tudo.

— Eu não consigo — funguei.

— Consegue sim. Você já mostrou o quão corajosa e madura é. Sua vida mudou completamente desde que conheceu Edward e tanta coisa aconteceu, não foi?

Apenas assenti. Me sentia como se já tivesse vivido dez anos e não menos de três meses.

— Sabe eu já tive momentos difíceis também, tive momentos que pensei em abandonar tudo. Depois da gravidez de Rosalie eu passei por um momento de depressão bem profunda e só consegui superar pelo amor de Carlisle e a terapia que fiz e ainda vou às vezes até hoje. Temos que colocar tudo que sentimos para fora, do contrário isso vai nos engolir. Você já pensou em fazer? Acho que seria bom e muito importante para te ajudar com tudo.

— Na verdade não, mas como poderia falar sobre a Grand C? — levantei meu rosto curiosa.

— Ah não se preocupe, o casal Whitlock faz parte e ajuda muitos membros, cuidamos de todos os nossos colaboradores mesmo um simples soldado. Todos temos nossos pesadelos, o primeiro passo é querer nos livrar dele e não desistir. Sei que vai superar isso, às vezes algo ruim acontece para que possamos receber uma benção depois, sabe como o arco-íris depois da tempestade. Transforme tudo que sentiu em coragem e deixe isso te tornar ainda mais forte, querida.

Eu a abracei apertado.

— Obrigada Esme.

— Não por isso, você tem que falar com seu marido também, vocês tem que superar isso juntos.

— Eu vou, eu só... — suspirei.

— Tudo bem, vou deixar você pensar em tudo, qualquer coisa é só me chamar.

Eu assenti.

Esme se levantou e saiu do quarto, eu respirei fundo e me abracei com força.

Eu queria superar tudo aquilo, mas ainda talvez não fosse o momento. Voltei a deitar e me encolhi na cama.

...

— Bella amor, está tudo bem? — eu estava deitada na cama e folheava um livro, mas não lia.

Minha mente estava distante dali.

Era noite e nós tínhamos acabado de voltar do jantar. Eu tentei comer o máximo possível, não querendo ouvir meu marido reclamar, ele pareceu satisfeito, Esme e Rose me chamaram para olhar as fotos do noivado, mas menti que estava com dor de cabeça e fui para o quarto.

Eu sentia como se pisasse em cacos de vidro, tinha que calcular minha próxima ação com muita cautela para não machucar ninguém, mais do que eu estava.

E o principal de tudo para não machucar ainda mais Edward.

Quando ele tentou me beijar na noite anterior eu virei de costas sem conseguir. Como poderia beijá-lo, depois do que fiz com Jacob?

Eu sabia que nós precisávamos conversar, mas tinha tanto medo de colocar para fora tudo que sentia, porém se não o fizesse também não me curaria. Esme estava certa nisso, não conseguia parar de pensar em sua conversa também.

Eu voltei para o quarto sozinha e estranhei, pensando onde Edward poderia ter ido.

Passou alguns minutos e a porta foi aberta, eu me encolhi no sofá fingindo ler.

—Está tudo bem? — escutei sua voz perguntar de novo.

— Sim, estou lendo — respondi apenas sem tirar os olhos do livro.

Escutei seu suspiro e seus passos pelo quarto. O livro foi arrancado de minhas mãos.

— Eu perguntei se você está bem — repetiu com voz forte.

— Eu já disse que estou bem, que merda! — levantei brava e coloquei a mão na cintura o encarando.

Edward me devolveu o olhar com força.

— Para de mentir para mim, Bella. Todo mundo pode ver que você não está nada bem, você quase nem fala e só briga comigo.

— Porque você tá me sufocando! — respondi alto demais e me arrependi das palavras assim que saíram da minha boca.

Seus olhos verdes arregalaram surpresos e tristes.

— Eu sou um monstro, não sou? Você não me quer mais, pode falar. Eu sei — sua voz saiu baixa e calma.

— O que? Do que está falando?

— É tudo culpa minha, é tudo culpa de quem eu sou, eu nunca fui outra coisa além de ser o futuro grand chefão da Grand C e isso te atingiu. O que ele fez com você, é tudo culpa minha, eu não te mereço mais — seus olhos encheram de lágrimas.

Minha boca se abriu quando ele se ajoelhou no chão.

— O que quer fazer comigo, faça. Puna a mim, pode bater, me matar é o que eu mereço e aceitarei isso.

— Não, Edward — me ajoelhei em sua frente pegando em suas mãos.

— Eu sou um monstro tão ruim quanto ele, eu já matei tanta gente e já tive tanto sangue de traidores nas mãos, mas o sangue dele me contaminou, eu nunca matei alguém da forma que fiz com ele com tanta raiva, ódio e vingança. E ainda achei pouco. Nunca vou me perdoar pelo o que ele te fez, é tudo culpa minha, minha — se inclinou mais batendo em sua cabeça e puxando seu cabelo.

— Não, nada foi culpa sua, nada foi culpa minha — ergui seu rosto vermelho segurando entre minhas mãos — Nós fomos a vítima, eu fui a vítima, nós não tivemos culpa de nada.

Ele balançou a cabeça.

— Então por que está assim? Por que está se fechando nesse mundo de sofrimento e dor? Por que me afasta? Nós somos um, esqueceu? Sua dor é minha dor, Bella. Eu te sufoco, é isso? Você quer que eu vá para longe daqui? Por que se for para você ficar bem, eu vou.

— Não, não quero, é só por sua causa que ainda não desmoronei Edward, é seu amor e cuidado que tem me sustentado até aqui. Eu sei que estou mais distante e calada, mas eu é que estou com medo de você não me querer — admiti, fungando e sussurrando a última parte.

Seus olhos se arregalaram.

— Do que está falando, Bella? Eu nunca iria deixar de querer você.

Eu funguei e então puxei o decote da minha blusa puxando para baixo e expondo meu sutiã preto simples, depois o puxei também e mostrei o que tinha ali.

A marca que Jacob fez tinha se tornado bem feia, como um chupão, estava bem roxo no meio e as bordas esverdeadas.

— Essa marca de mordida não saí nunca, ele tentou me tocar como só você já tocou e eu odeio isso. Não suporto me olhar no espelho e saber o que ele quase fez. Eu quero ser forte, quero esquecer e enterrar tudo isso, mas não consigo. Não com essa merda de hematoma que tá em mim, esses roxos nos meus pulsos, meu rosto machucado, com todos me dando olhares de pena. Só quero esquecer a sensação horrível de ter uma arma na minha cabeça, esquecer dele tentando me tocar. Eu nunca te culpei por nada disso, nunca. E a todo tempo que estava com ele, a única certeza que tinha era que você ia me encontrar e matá-lo. Você não é um monstro, ele é que sempre foi. Você me salvou, você chegou na hora que eu mais precisava o impediu de ir mais longe, você me salvou Edward.

— Ah Bella, eu nem consigo imaginar o tanto que sofreu. Mas você não me odeia, então?

— É claro que não, eu nunca odiaria você. Mas fiquei com medo que você não fosse me querer mais… eu o deixei me beijar, ele estava apontando uma arma para mim e eu precisava ganhar tempo para você chegar e tive que retribuir, me desculpa por isso?

— Não há o que perdoar, você fez o que tinha que fazer para se manter viva.

— Você viu o vídeo? — perguntei o que mais tinha medo.

— Que vídeo? — afastou o cabelo do meu rosto.

— Jacob tava gravando um vídeo, ele ia te mandar eu acho, mas você chegou e..

— Deve ter queimado. Nem o celular dele conseguimos recuperar, os soldados colocaram fogo em tudo.

Fiquei feliz com isso, sabia que seria uma tortura para ele assistir aquilo. Porém triste pelo celular, poderia ter informações valiosíssimas ali. Senti que estava esquecendo algo importante, mas não consegui me lembrar do que.

Ele me abraçou com força enterrando seu rosto em meu pescoço. Fiz carinho em seu cabelo.

— Eu te amo muito, Ed.

— Ah Bella, eu te amo tanto, tanto. Eu morri mil vezes desde o momento que ele te pegou e morreria mais mil vezes para te salvar. Quando eu o vi em cima de você…

— Isso passou, por favor, vamos esquecer isso, eu não aguento mais. Só quero esquecer tudo que aconteceu — funguei chorando.

Nós nos abraçamos com força e choramos juntos a dor que sentíamos. Deixando aquele peso que sentíamos ir embora.

Eu estava mais que pronta para virar a página e esquecer de vez isso.

— Eu renunciei a Grand C — demorei um momento para entender o que ele falava.

— O que? — me afastei dele e encarei seu rosto.

— Eu… eu conversei ontem com meu pai. Eu achei que seria melhor para você, você não está bem, achei que seria bom se a gente recomeçasse em outro lugar e esquecesse isso tudo. Só eu e você.

— Você enlouqueceu? Me diga que não fez isso — eu não conseguia acreditar, estava em choque como quando ele me disse que me renunciaria, antes de nos casar.

Será que sempre que ele sempre iria fazer algo inesperado?

— Tente me entender. Eu falhei com minha esposa, como posso proteger a Grand C? Eu não mereço mais o posto, não mereço mais ser o Grand Chefão. Meu pai não quis aceitar, mas ainda podemos ir embora daqui, podemos fugir para um local seguro, ninguém nunca vai nos machucar de novo, eu te prometo isso.

Empurrei-o.

— Isso não tem nada haver com nada. Eu sei que estou meio distante, mas é que eu só consigo pensar no que Jacob quase conseguiu fazer e eu não tinha nada para me proteger. Isso iria comigo mesmo se fugisse daqui.

— Exatamente Bella, é meu dever te proteger. Eu sou seu marido, nós somos um só. Eu errei em deixá-la andar desamarrada, deveria ter te protegido mais.

— Eu não preciso que me proteja Edward, eu posso fazer isso sozinha. Você é meu marido, mas não meu dono, eu não faço só o que manda. Acha mesmo que me impede de alguma coisa?

— Na verdade, não.

— Exatamente, se eu não tenho uma arma é porque ainda não quis uma.

Edward acariciou meu rosto e suspirou.

— Eu sei que não está bem Bella, sei que está tentando se fazer de forte, mas estou tão preocupado, não sei mais o que fazer.

— Eu sei, você tem razão. Sua mãe conversou comigo quando veio aqui e até me aconselhou que fizesse terapia, eu não sabia que tinha um psicólogo exclusivo da Grand C.

— Ah tem sim, tem um casal e o filho deles, Jasper, começou a estudar para ser um também. Não é como se pudéssemos ir em um psicólogo normal e contar tudo que acontece.

Eu sorri imaginando a cara que o terapeuta faria, foi o primeiro sorriso sincero que dei depois de tudo e meu marido retribuiu sorrindo torto.

Ele era tão lindo.

— Isso é bom, minha vida mudou de uma forma tão drástica Ed, tanta coisa aconteceu em tão pouco tempo, acho que vai ser bom eu conversar com alguém sobre isso e pensei que pudesse querer ir comigo.

— É claro, meu amor. Eu vou com você para onde quiser.

Ele me puxou e antes de nos beijarmos o empurrei de novo e o encarei séria. Ergui meu dedo e bati em seu peito.

— Se você sequer pensar em fazer outra barbaridade como renunciar a Grand C e não me dizer nada, vou fazer você conhecer o poder do chute na minha bota, me entendeu?

— Sim, perdão, perdão.

O puxei e beijei seus lábios. Pela primeira vez demos um beijo de verdade com todo amor que sentíamos um pelo outro, desde que tudo tinha acontecido.

Mas logo depositamos também toda raiva, frustração e medo.

Nos deitamos no sofá e suas mãos deslizaram por meu corpo.

Era ele que estava ali, o homem que eu amava.

— Você ainda me deseja assim? — sussurrei ofegante.

— Mas que pergunta é essa Bella? É claro que desejo, nunca parei de querê-la.

— Eu pensei que estivesse com nojo de mim.

Ele arfou.

— Bella, nunca! Só eu toquei você, meu amor só eu.

Eu assenti.

— Faz amor comigo? — pedi.

— Sempre e para sempre.

Ele me beijou dessa vez com mais carinho e pouco a pouco fomos tirando as roupas um do outro.

Edward deslizou seus lábios ali e os pressionou bem de leve, beijando meu machucado em meu seio.

— Eu te amo — sussurrei, uma lágrima deslizou pelo meu rosto.

— Você é minha mulher, minha mulher e demais ninguém.

— Só sua.

Ele me pegou em seus braços e nos levou para a cama, se deitando por cima de mim, eu entrelacei as pernas ao seu redor.

Arfei me sentindo inteira quando ele me preencheu. Seus movimentos foram lentos, mas profundos. Eu era dele e demais ninguém.

Sempre seria assim.

— Só eu toquei seu corpo, só eu te amei assim, só eu.

— Só você, só você.

Ele aumentou seus movimentos em cima de mim e tudo que eu podia sentir era ele, seu corpo quente, seu cheiro, seus beijos, seu toque. Só ele em mim.

O êxtase nos atingiu e entrelaçamos nossas mãos enquanto gozavamos juntos.

Foi tão intenso, podia sentir ele em cada partícula de mim.

Edward saiu de cima de mim e nos abraçamos, eu deitei a cabeça em seu peito, jogando minha perna por cima dele.

— Tudo bem?— perguntou com cuidado.

Eu sorri e encarei minha cabeça em seu peito.

— Mais que bem — ele sorriu seus olhos brilhando refletindo o meu. — Você é a cura da minha dor.

— Você que é a minha, meu amor. — beijou minha testa e apertou seus braços ao meu redor.

Nós ficamos assim tão juntos como era possível, sem querer nos separar nem um milímetro sequer.

— Espera aí, deixa eu pegar algo.

Levantou de repente e observei sua bundinha linda caminhando até o closet.

Eu me estiquei na cama sorrindo e me sentindo mais leve. Sabia que com o tempo as coisas voltariam ao lugar. Puxei o lençol ao redor do meu corpo.

Edward voltou carregando uma caixinha pequena prateada e se sentou ao meu lado. Ele colocou a caixinha na minha mão.

— O que é isso?

— Uma coisa que guardei, abra.

Eu abri e reconheci assim que olhei o que tinha ali.

— A fita do nosso casamento!

Dentro só tinha a fita vermelha ainda com o laço que seu pai deu.

— Você conhece a lenda do fio vermelho?

— Não, qual é?

— É uma lenda chinesa, resumindo dizem que no nosso nascimento os deuses amarram um laço vermelho invisível nos tornozelos, mãos ou dedos do homem e da mulher e esses dois estão predestinados a serem almas gêmeas e independente do que acontecer, essas duas pessoas estarão sempre ligadas pelo destino e vão sempre se encontrar — explicou e colocou nossas mãos direitas unidas, com o fio entre elas, olhou bem dentro de seus olhos — Para a Grand C um casamento entre os membros é a ligação mais importante que pode existir, por isso fizemos uma promessa e nos ligamos com o fio vermelho, nos tornando só um. Sua dor é a minha dor, sua alegria é a minha alegria, eu já não sou eu e você já não é você, nós somos um só e não importa o que acontecer, ninguém vai conseguir quebrar nossa conexão, nossa união, mesmo longe vamos estar sempre juntos e…

Eu o interrompi beijando seus lábios com euforia.

— Eu não terminei — conseguiu dizer entre seus beijos e rindo.

— Isso é a coisa mais bonita que existe Ed, eu te amo, te amo, te amo. Nós somos só um, para sempre.

— Nosso laço nunca será desfeito — prometeu.

— Nunca — concordei.

E então senti uma energia nos envolver, não importa o que acontecesse nós estávamos mais unidos e fortes do que nunca.


Nota da Autora:

Aiiin gente, não sei vocês mas achei esse capitulo lindooo, espero que tenham gostado, comenteeem, anisiosa para saber o que acharam e se preparem para o próximo estamos entrando na reta final e muuita coisa ainda vai acontecer hehe

mais quatro capítulos e acabamos a fic heeein

Comenteeem, beeijos e até em breve