Edward Cullen PDV

— O que está fazendo? Isso não foi combinado.

— Silêncio e me siga — eu o segui e entramos no galpão. Analisei todo o local em busca de uma saída.

Havia mais dois homens ou mulher, não sabia dizer pela roupa folgada e preta. Todos usavam máscara, um tinha o porte ligeiramente familiar.

— E então? Quem foi que me ligou? Vai mostrar a cara ou não? — perguntei agoniado.

A pessoa do meio deu um passo à frente e tirou a máscara.

— Olá, Edward — sorriu.

Minhas pernas fraquejaram quando o viram.

Eu não conseguia acreditar.

Ele estava vivo. Vivo!

Eu queria chorar, eu queria pular, eu queria rir e correr até ele abraçá-lo e nunca mais soltá-lo.

Não importava como nem porquê, apenas que meu irmão estava vivo.

— Anthony! — fui correr até ele, mas rápido os dois caras que estavam ao meu lado me seguraram.

— Que porra é essa? Me solte! — Exigi tentando puxar meu braço.

Outro se aproximou e escutei o barulho de correntes.

— Anthony, o que está acontecendo? Você está vivo e…

Ele riu e se aproximou de mim.

— Eu estou vivo sim, mas logo você não vai estar — e então antes que eu pudesse reagir senti uma coronhada no rosto.

A dor foi forte e minhas vistas escureceram.

A primeira coisa que percebi ao acordar era a dor que estava em meu rosto, respirei com cuidado, não sei como meu nariz não estava quebrado.

Mas que merda era aquela. O que tinha acontecido?

Fiz força para passar a mão no meu rosto e demorei uns segundos para perceber que ela não se mexia.

Abri meus olhos, minha vista estava embaçada e pisquei repetidas vezes, para ver se normalizava.

Eu estava no galpão e Anthony estava na minha frente terminando de arrumar a blusa que vestia. Tinha uma mesa na sua frente.

Tentei mexer meus braços, mas só escutei barulhos de correntes.

Para meu desespero vi que eles estavam algemados cada um de um lado, presos em correntes que estavam em um gancho numa base de um lado e de outro. O local onde tinha o chip de rastreamento, estava doendo como se tivesse um buraco ali e sentia sangue escorrer por minha pele.

Tinham arrancando meu chip com certeza. Minhas pernas estavam esticadas, porém, só as pontas dos meus pés tocavam o chão. Eu estava preso e pendurado, formando quase uma cruz. Percebi também que estava só com uma calça jeans, que não usava antes e sem blusa.

— Ah, olha só quem acordou — meu irmão falou passando a mão na minha blusa que ele vestia, alisando o tecido.

— Que porra é essa? Me solta daqui — exigir tentando me mexer.

Anthony se aproximou rindo.

Nada daquilo estava fazendo sentido.

— Por que vestiu minhas roupas? O que pensa que está fazendo?

— Não percebeu ainda seu otário? — Puxou meu cabelo e se inclinou para mim.

Seus olhos verdes estavam tomados pela raiva.

Quem estava ali não era mais meu irmão.

— Eu sou o grande vilão da sua história, eu seu irmão gêmeo — declarou.

Não. Isso estava errado, com certeza.

— Do que está falando? Me solte daqui, Thony.

Ele puxou meu cabelo mais forte.

Aquilo não era um pesadelo, era real. Muito real.

Ele soltou meu cabelo.

— Eu forjei minha morte, agora vou tomar seu lugar — passou a mão em sua roupa. — Não consegui ficar com sua cara feia, mas acho que ninguém vai perceber que não é você — sorriu e deu um tapinha no rosto.

Meus olhos arderam. Eu não conseguia acreditar.

— Por que? — foi só o que conseguir colocar para fora.

— Por que? Ainda me pergunta isso? — sua voz ficou com mais raiva ainda lembrando um pouco nosso pai. — Por que você é o mais velho, porque todos sempre gostaram mais de você, porque papai sempre, sempre te preferiu.

— Não, isso é mentira, você sabe disso.

— Eu sei disso? Você sempre me humilhou — gritou parecendo descontrolado.

— Claro que não!

— Você sempre foi fraco, você sempre esteve no meu caminho. Era para eu ter sido herdeiro de tudo, não você.

— Você está louco, você disse que nunca se importou.

— Ah, mas eu me importava sim! Todo maldito dia quando falavam que você era o poderoso, quando diziam que você era mais inteligente e me esnobavam, quando falavam que seria um grande líder e por causa de malditos 94 segundos eu, Anthony Cullen, tinha que me ajoelhar perante você — cuspiu, sua cara de nojo.

— Não, não — balancei minha cabeça.

Isso tudo estava errado.

Anthony nunca agiria assim. Não, meu irmão.

— Você sempre foi fraco, sempre condescendente demais, sempre dando avisos ao invés de matar logo e para fechar com chave de ouro ainda quis abandonar tudo por causa de sua mulher. Colocando a Grand C como nada, precisou me humilhar de novo ao fazer papai dizer que eu nunca poderia assumir tudo. Não sabe a raiva que fiquei, queria seu sangue escorrendo no chão e por pouco não o matei bem ali.

As peças todas se encaixaram.

— Foi você? Você estava ajudando Jacob esse tempo todo? — arfei.

Ele riu.

— É claro que fui eu. Emmett tem uma boca grande, foi fácil descobrir o caso dele e da Bella, fui atrás dele no hospital e o ajudei a escapar, começamos a trabalhar juntos. Ajudei ele a chegar até Harry para invadir o depósito, tive que apagar tantas pistas dele para vocês não descobrirem, depois ele fracassou em te matar e ainda em matar Bella. Mas é aquele ditado se quer algo bem feito, faça você mesmo.

— Como pode? — gritei com força tentando me levantar e ir para cima dele. — Minha esposa quase foi abusada, seu cretino e você estava sabendo de tudo.

— Ah não! O plano não era aquele, mas aquele filho da puta tava fissurado na idiota da sua mulher. Eu tinha prometido para ele que se matasse você eu daria Bella para ele. Mas ele não aguentava esperar. Depois eu tive que queimar todas as provas no celular dele, ainda bem que Bella não conseguiu ouvir muito da nossa conversa.

— Eu vou matar você – me remexi tentando escapar.

Ódio, raiva e decepção me tomaram completamente.

Anthony apenas riu.

— Vem, quero ver conseguir.

Eu gritei tentando me soltar usando toda raiva e força que tinha mas era inútil.

— Pobrezinho — ele riu — Vou deixar as chaves aqui para te ajudar — colocou uma chave pequena em cima da mesa, um local que nunca alcançaria.

— A coroação vai acontecer e assim que eu for o Grand Chefão todos vão ter que me obedecer e eu vou voltar aqui e acabar com você.

— Você não pode fazer isso. Eles vão descobrir.

— Como? Eu estou com sua aliança — agitou a mão. — Sou igualzinho a você e sou um excelente ator, afinal enganei todos vocês esses anos todos. Olha gente eu sou o Edward, o filho preferido, olha como sou bonzinho — me imitou desdenhando.

Eu trinquei meus dentes com força.

Como podia não ter enxergado aquele ódio dele?

Como podia ter sido tão cego assim?

A dor de sua traição pesou mais em meu coração do que quando achei que ele tivesse morrido.

Meu celular tocou. Anthony sorriu e pegou o aparelho do bolso.

— Ah, olha só quem tá ligando.

—Não faça isso — sibilei.

Ele riu e se aproximou tentei fugir, mas ele abriu minha boca e enfiou um pano dentro, eu gritei como dava.

— Oi, amor — escutei a voz de Bella.

— Oi, baby, tudo bem?

— Sim, só queria saber se já está vindo para casa?

— Ah é claro, já estou chegando.

— Ah tudo bem então, estou te esperando.

— Bella?

— Sim?

— Eu te amo. — fez uma cara de vômito para mim.

— Eu também te amo.

Ele sorriu desligando a chamada e tirou o pano da minha boca.

— Fácil como roubar uma criança.

— Eu vou te matar, eu vou te matar — gritei cheio de raiva e decepção, tentei chutá-lo com minha perna, mas ele se desviou rindo.

— Boa sorte com isso, Ed. Essa noite vou descobrir o que tanto te atraiu em Bella, ela é gostosa, mas não faz meu tipo, porém vou fazer esse sacrifício, só por curiosidade.

— Não ouse tocar nela.

— E que vai me impedir? Ela vai achar que é você.

— Não, ela vai descobrir — ela tinha que saber, isso não podia acontecer.

Bella me conhecia como ninguém, ela saberia que não era eu, tinha que confiar nisso.

— Se descobrir é por isso que ainda não vou matar você, ela vai fazer tudo que eu mandar enquanto você estiver aqui. Domingo vou assumir tudo e depois a matarei bem aqui, na sua frente e eu serei um triste viúvo. — Fingiu chorar.

Eu gritei me debatendo, mas apenas consegui me machucar mais.

Aquilo tinha que ser um pesadelo.

Tinha que ser e eu só podia implorar por uma salvação.

Mas talvez morrer fosse melhor do que viver naquele pesadelo.

De saber como eu fui fraco, inocente e burro.

De saber que meu irmão amado era um traidor, um usurpador e que pela primeira vez eu não sabia o que iria fazer para me salvar.

Bella Cullen PDV

— Cadê meu marido? — agi rápido colocando a faca em seu pescoço.

Seus olhos verdes pareceram surpresos, mas logo fez uma expressão confusa.

— O que está dizendo Bella? Eu sou seu marido.

— Não, não é. Estava com uma sensação estranha desde que o vi, mas quando me beijou e vi a cicatriz da bala que você não tem, é tão amador assim, Anthony?

Cuspi seu nome.

Ele rosnou sua expressão furiosa.

— Se quiser ver seu maridinho vivo, você vai largar essa faca e fazer tudo o que eu disser.

— Não, eu vou matar você — estava quase cortando sua garganta.

— Isso me mate e ninguém vai acreditar quando disser que eu era um usurpador. Carlisle não vai pensar duas vezes antes de te matar e Edward vai morrer bem lentamente no lugar da onde está, vai agonizar de fome e dor.

— Ele tem o chip, eu vou rastrear onde ele estar, vão acreditar em mim.

Ele riu.

— Você acha mesmo que não o arranquei de seu braço? Foi a primeira coisa que fiz, vá em frente e veja se tem algum sinal dele.

Minhas mãos tremeram, estava me vendo em um beco sem saída.

— O que você fez?

— Solte a faca — mandou.

Eu não sabia o que fazer, eu podia ver que ele não estava blefando. Se o matasse ali, quem iria acreditar em mim?

E eu nunca descobriria onde estava meu marido.

Saí de cima dele e sem dizer nada Anthony pediu a faca.

A coloquei em sua mão.

— Você é um traidor? O que você fez com Edward? Ele está vivo?

— Sim, mas não por muito tempo.

— Como pode fazer isso? Como pode trair seu irmão, sua família e a Grand C?

— Minha família me traiu primeiro quando quiseram que Edward assumisse tudo. Ele sempre foi fraco, eu sempre mereci esse lugar mais do que ele.

Balancei a cabeça fungando.

— Não, ele nasceu primeiro, ele tinha direito.

— Nós nascemos praticamente juntos e por menos de dois minutos eu perdi tudo. Ele ficou com todo o poder.

— Você também tinha, você é o irmão gêmeo dele. Depois que ele virasse o chefão poderia se tornar o subchefe.

Ele riu.

— E viver sempre as vontades dele? Me curvando as suas decisões e tendo que fazer o que ele queria. E depois ter que largar tudo para quando tivessem um filho? Nunca. Já vivi quase 30 anos assim, a sombra dele e de Carlisle, eu nunca pude decidir nada por mim mesmo por conta própria.

— E o que pensar que está fazendo? Acha que ninguém vai descobrir? Por que não o matou então e assumiu tudo? Por que se passar por ele?

— Porque todos idolatram Edward. Eu quero isso também, quero que todos se curvem a mim, quero depois sujar o nome dele na Grand C.

— Eu não vou te ajudar em nada disso — falei e partir para cima dele, que segurou meus pulsos e apertou com força.

— Ah, vai me ajudar sim. Se quiser ver seu maridinho vivo de novo, vai fazer tudo que eu mandar e não vai contar para ninguém. Eu vou assumir a Grand C na coroação, vou ser o Grand chefão e depois ninguém vai poder ir contra mim.

— Ninguém nunca vai te obedecer quando souberem o que fez.

— Ninguém nunca vai saber.

Balancei a cabeça atordoada sem saber o que fazer.

— Eu estou falando sério Bella, acho que precisa de um incentivo. Se fazer algo como tentar contar para alguém Edward vai sofrer as consequências e só por essa brincadeira com a faca, vai ver o que vai acontecer com ele.

— O que quer dizer? — Anthony sorriu e pegou um celular do bolso.

— Oi, dá uma surra nele aí.

— Você está doido? — gritei indo para cima dele.

Anthony riu e se virou mostrando o celular.

Eu arfei ao ver Edward.

Ele estava de cabeça baixa, com os braços pendurados e presos, as pernas semi flexionadas. Um homem vestido todo de preto, se aproximou dele e o socou no estômago com um taco de basebol.

— Não! Para! Pare com isso.

Anthony apenas riu. Edward se remexeu gritando ao seu atigido de novo.

Meus olhos lacrimejaram.

— Você vai fazer o que eu mandar?

— Sim, sim eu vou — tive que dizer.

Percebi que Edward se mexeu um pouco parecendo ter escutado minha voz.

Mas parecia fraco demais.

Eu respirei fundo então secando minhas lágrimas. Eu tinha que agir com cautela.

Eu tinha que ter sangue frio e ser um monstro ainda pior do que Anthony se quisesse salvar meu marido.

— Se prometer não machucá-lo, vou fazer tudo que quiser.

A chamada foi encerrada.

— Feito — Anthony falou e caminhou até o closet.

— Tome, coloque isso — mandou.

— O que é isso?

Eu abri a caixa e vi um colar, tinha um pingente de coração nele, mas parecia estranho.

— Tem uma mini câmera nele, se tentar me passar a perna eu vou saber, vou escutar tudo o que disser e ver também. Você vai andar na minha cola, a partir de agora, me entendeu?

— Sim.

Ele sorriu.

Anthony me algemou na cama longe do meu celular ou de qualquer coisa.

Ele se deitou ao meu lado.

— Durma agora, querida. Nossa coroação está chegando, não vai aparecer bem se sair cheia de olheiras. Temos que estar perfeitos para nossa grande noite.

— Seu filho da puta.

Ele riu e se virou para o outro lado.

Com minha mão livre limpei uma lágrima que escorreu da minha bochecha.

Eu não sabia como, mas iria salvar meu amor e depois acabaria com Anthony.


NOTA DA AUTORA:

Gente! Vocês não acharam mesmo que ia colocar alguém igualzinho ao ed e não fazer ele malvado, querendo roubar o lugar do irmão? hahaha já fiz isso em outra fic com a Esme, agora teve mais detalhes hahahaha

O que achaaaram? Ansiosa para saber os comentários, sei que muitas gostavam dele, mas já tava bem na cara q ele ia ser malvado kkkk desde o prólogo.

O próximo capítulo é o últimooo, estou pensando em fazer uma segunda temporada para fic, mas vai depender de vocês, se vão querer ou não, o que acham?

Comenteeem bastante, quem sabe volto com mais

beeeijos