Parte 4: Reencontros


O comandante Clash foi recebê-los pessoalmente. Ele estava muito emocionado em rever seus jovens amigos.

"Defensores. É muito bom revê-los."

"Dizemos o mesmo a seu respeito, comandante. É bom que tenha achado um novo objetivo em sua vida." Comentou Kwame.

"De fato, desde que convenci os ex-mercenários dos eco-vilões que salvar o mundo era uma tarefa mais gratificante que destruí-lo. Ah, sim. Não vai me apresentar seus...hã...amigos?' Clash perguntou um pouco nervoso quando viu Collector e os Ninja Warriors.

"Oh, sim, claro." Falou Gi. "Estes são nossos amigos androides, os Ninja Warriors: Ninja, Kunoichi, Yaksha, Kamaitachi e Raiden e aquela de pele roxa é Collector, que dirige a Arca Espacial."

"Então ela é uma...alienígena?" Clash perguntou um tanto apreensivo. "Bem, com a vida que tive e tanta coisa que já presenciei, isso não devia me surpreender. Suponho que saibam algo sobre o objeto que caiu."

"Por isso que estamos aqui. Vou lhes falar, ou melhor, mostrar. Por favor, fechem os olhos." E com isso, Collector mostrou na mente de Clash e dos soldados tudo que presenciara. Depois de abrir os olhos, Clash não tinha palavras.

"Sei que parece loucura, comandante, mas confie em nós. Tudo é a mais pura verdade." Argumentou Ninja.

"Como falei antes, nada mais me surpreende. Creio que temos muito o que falar. Venham comigo."

Um acampamento foi montado próximo ao local da queda. Os Defensores viram a estranha redoma que cobria o local.

"Isto já estava aqui quando chegamos. É um tipo de campo de força envolvendo tudo e pela análise de nossos peritos, o alcance se estende até 10 km." Citou Clash. "Tentamos derrubá-lo e explodi-lo, mas nada consegue penetrar."

"Seria um tipo de defesa da nave?" Foi a dúvida de Linka. "O que pensa, Collector?"

"Não estou bem certa. Não explorei bem a nave. Saí às pressas quando os aliens, ou xenomorfos me encurralaram."

"Meio difícil de crer que criaturas que só deviam existir em filmes de ficção sejam de verdade." Clash indagou.

"Pode confiar, comandante. O que lhe mostrei em sua mente é a verdade. Acredite."

"Tudo bem, se meus amigos acreditam em você, pra mim já basta." Clash respondeu com um leve sorriso.

E por falar em amigos, algumas pessoas se aproximavam do grupo ali presente: um homem de barba branca e jaleco de cientista, uma mulher numa cadeira de rodas e um homem loiro com roupa de caçador. Os Defensores logo reconheceram o trio.

"Dr. Helix. Dra. Derek. Trevor."

Os Defensores e seus companheiros foram receber seu velhos amigos, enquanto os apresentavam uns aos outros.

"Não imaginava que fôssemos encontrá-los por aqui." Falou Ma-Ti.

"Soubemos do ocorrido através do comandante Clash e nos voluntariamos para ajudar." Disse a dra. Derek.

"Realmente é um acontecimento histórico." Falou o dr. Helix. "A chance de conhecer seres do espaço é uma oportunidade única, bem como esta de vermos em primeira mão robôs tão avançados e uma autêntica humanoide alienígena. Peço desculpas pelo entusiasmo."

"Tranquilo, doutor. Já está virando costume mesmo pra mim e meus irmãos mais velhos." Falou a pequena androide. Collector era de opinião igual.

"E no meu caso, eu estava de férias aqui na Austrália. Curioso com o que acontecera, resolvi dar uma checada. Ao dizer ao comandante que tinha experiência com armas de fogo, ele solicitou meus serviços." Trevor reparou que Collector o olhava de um modo desconfiado. "Tem algum problema, senhora?"

"Bem, mais ou menos. O caso é que não me sinto bem perto de caçadores, ainda mais dos que caçam por esporte."

Linka veio em auxílio. "Eu sei o que quer dizer, Collector, e era da mesma opinião a respeito de Trevor, mas pode confiar, ele é um homem honrado e de boa índole. Só vai atrás de caças realmente perigosas ou que ofereçam real desafio."

"Pois é, e andei mudando meu jeito. Hoje só caço com armas tranquilizantes. Longe de mim machucar um animal...a não ser em último caso, o que nunca precisei fazer."

Collector se sentiu mais tranquila e estendeu a mão pra Trevor em amizade, o qual retribuiu.

"Eu, hein? Tá parecendo reencontro de 10 anos de ex-alunos. Quem mais a gente falta...?" Mas antes que Wheeler pudesse terminar, um soldado se aproximou deles.

"Comandante Clash. Achamos 2 civis invadindo o acampamento. Eles estão aqui." E escoltados por 2 soldados, estavam uma mulher de pele bronzeada e um rapaz obeso com curiosas características.

"Ei, dá um tempo, caras. Minha mina e eu tamos aqui de boa, sacou?" Os Defensores logo o reconheceram.

"Júnior?" Exclamou Linka.

"É isso mesmo, moçada. Hoggish Greedly Jr., ou G.J. pra encurtar, tá na parada."

Kwame se aproximou de Clash. "Por favor, comandante. Pode soltá-lo. Conhecemos ele."

"Eu até poderia, mas o nome dele..."

"De fato. Ele é filho de Greddy, mas é um sujeito direito e decente." Suplicou Gi.

Clash teve suas dúvidas, mas deixou ele e a garota livres. G.J. foi cumprimentar seus amigos.

"E aí, turminha. Tudo na paz? Ainda no trabalho de limpar o mundo?"

"Com certeza, G.J.. E quem é a sua amiga?"

"Ela aqui, Gi? Esta e Ulla, minha noiva."

"Sou Ulla, noiva de G.J.. Prazer em conhecer vocês."

Todos cumprimentaram Ulla e logo voltaram a falar com G.J..

"Mas e então, G.J.? O que anda fazendo?"

"Bom que perguntou, Linka. Depois daquele lance com as máquinas de fumaça e como me ensinaram sobre valorizar um ambiente mais limpo, resolvi resplandecer as ideias. Virei mochileiro pra sair pelo mundo, adotei uma alimentação mais saudável, dei pra malhar. Saca só." G.J. arriou a manga da camisa, mostrando o bíceps bem desenvolvido. "Puro músculo. Transformei a gordura em massa sólida. Daí, dei pra me juntar a galera que liga pra natureza. Voluntario-me pra limpar praias, ajudar animais feridos, tomo parte em palestras, tudo que um Defensor honorário, como vocês me denominaram, faz pelo bem do planeta."

"Isso é ótimo. G.J.. Estamos contentes com sua atitude." Disse Linka bem satisfeita. "E foi nas suas viagens que conheceu..."

"Foi isso mesmo." Falou Ulla. "Conheci G.J. quando ele esteve no Havaí. Rolou umas coisas, nos conhecemos e bem...digamos que escolhi o homem da minha vida. Deixei o Havaí e aqui estou com ele."

"Com certeza, minha gata." G.J. segurou Ulla pela cintura com um braço e deu-lhe um beijo na bochecha. "Mas e vocês, turma? Também tão aqui pelo lance da nave caída?"

Todos olharam fixamente pra ele com grande expressão de surpresa.

"Mas como é que...?" Perguntou Kamaitachi.

"Sei disso? Falei com meu pai esses dias. Claro, ele ainda tá bolado de eu querer ser um cara mais certinho e limpo, mas ainda temos um pouco de diálogo. Papai falou que ele e os outros eco-vilões descobriram uma nave caindo pra esses lados e pareceu uma boa desculpa pra ver ele. Daí, vim pra cá e teve esse negócio do campo de força. Mó sinistro, não acham?"

"Devia saber que os eco-vilões estavam por trás dessa história do campo de força." Falou Kunoichi um tanto irritada. "Na certa, devem querer a tecnologia da espaçonave pra lucrar ou destruir a terra."

"Precisamos achar um modo de atravessar a barreira." Disse Ninja. "E acho que tenho uma ideia. Um instante." Ninja se aproximou do campo de força e o tocou. Ficou alguns segundos parado e logo se soltou. "Minha análise indica que o campo de força não passa da superfície do solo. Então, se pudermos cavar um buraco por baixo, poderemos ultrapassar. Kwame, acha que consegue?"

"Não duvide, meu amigo."

"Me parece um bom plano, mas antes devemos nos preparar." Falou Clash. Na mesma hora, atendeu o sinal de seu rádio. "Aqui é Clash falando. Como? Já estão aqui? Certo, irei recebê-los. Câmbio e desligo. Pessoal, quero que venham conhecer umas pessoas."

"Amigos seus, comandante?" Perguntou dr. Helix.

"Digamos que sim, doutor. Venham."


O grupo seguiu Clash até o heliporto onde encontraram duas pessoas saindo de um helicóptero: um homem alto e forte de cabelo loiro curto e usando uma farda militar com um casaco grosso cujo braço direito parecia maior que o esquerdo e uma mulher oriental de cabelo castanho amarrado num rabo-de-cavalo, trajando um uniforme laranja com uma placa peitoral e uma grande ombreira no lado esquerdo. Carregava na cintura uma espada japonesa.

"Dutch, Linn. Que bom que puderam vir."

"Quando soubemos da situação, viemos o mais que pudermos."

"E fique descansado, Clash. Nada foi informado a ninguém conforme seu pedido. Nem aos nossos superiores."

"Estou bem em saber disso. Gente, conheçam dois amigos meus. Major Dutch Schaefer dos fuzileiros e tenente Linn Kurosawa do serviço especial do Japão."

"São os Defensores? Ouvi muito sobre vocês." Cumprimentou Dutch com uma continência. "Quem dera outros mostrassem tamanha coragem e determinação como a de vocês em defender o mundo."

"Faço minhas as palavras dele. Da fato, será um honra lutar à seu lado. Hai." Citou Linn com um belo sorriso. Kwame olhava bem interessado para ela. Wheeler logo notou.

"Então, parceiro? Achou a Linn uma graça, né?'

"Hã? O que? Sem essa, Wheeler. O que te faz pensar isso?"

"Sei lá, a não ser que olha pra ela como eu costumava fazer com Linka quando a conheci. Então, se acredita que gosta dela, não deixa o peixe fugir."

"Ei, vamos deixar isso pra depois, tá bom? Temos uma crise pra resolver." E com isso dito, todo o grupo seguiu até a tenda de comando para decidir o próximo rumo de ação.

Continua...


A introdução da doutora Derek e do dr. Helix foi algo de última hora. Queria ver eles juntos numa história que envolvesse ficção. Quanto a Greedy Jr., sempre gostei dele e foi uma pena o desenho não ter dado um foco melhor a ele depois de sua aparição inicial.

A ideia de dar-lhe uma namorada já estava em alta, e a mesma, Ulla, é inspirada numa personagem de uma HQ de lobisomem.

Trevor, Dutch e Linn: já tinha desde o começo a ideia de introduzi-los, sendo que os dois primeiros protagonizam o jogo de arcade AVP e Trevor é um caçador 'bonzinho'.

E decidi que um lance entre Kwame e Linn poderia fazer a coisa ir de bem pra melhor.