Parte 6: Reflexões E Confissões


"Devo dizer que esse negócio funciona bem. Passamos por mais daquelas mãos esquisitas e nem nos notaram." Wheeler comentou positivamente.

"Eu preciso concordar." Disse Clash. "Cheira um pouco forte demais para meu gosto, mas é uma salvadoras de vidas contra aliens. Laurie, podia entrar para o ramo de camuflagem."

"Acho que posso pensar nisso." Laurie respondeu com um pequeno toque de humor.

Brincadeiras à parte, o grupo continuava pela floresta, sempre atento a qualquer ataque. Pelo caminho acharam mais alguns animais e com o poder de Ma-Ti, puderam saber se estavam infectados ou não. Os não-infectados eram mandados para a direção da fresta sob a orientação do jovem Defensor, aonde os soldados de Clash, avisados pelos mini-comunicadores, tinham ordens pra tirá-los com segurança, mas os que tinham as larvas...Ma-Ti procurava não ver, embora sentisse a dor deles.

No meio do caminho, encontraram o descampado que Laurie escolhera para a filmagem do comercial. Os poucos que restavam lá estavam mortos do mesmo jeito que os animais. Laurie se sentia mal pela perda de tantas vidas, mas Ninja a confortou dizendo que ela não tinha como saber o que aconteceria e quem sabe, alguém mais estivesse vivo. Laurie pôde sentir que aquele grande androide era bem mais do que apenas circuitos, placas e engrenagens.

No lugar, viram uma das câmeras de filmagem ainda funcionando. Clash achou que o conteúdo do filme poderia ser de grande utilidade. Também acharam algumas caixas com os novos cosméticos de Laurie, que viriam a calhar caso achassem mais aliens.


Algumas horas depois, encontraram uma formação rochosa como um pequena planície com várias cavernas, um local ideal para descansarem e devido a sua localidade, seria possível manter vigilância contra qualquer investida alien. Resolveram se revezar em turnos para assim o grupo ficar mais descansado e pronto. Wheeler e G.J. cuidavam do ponto norte da formação.

"Ainda preocupado com seu pai?" Perguntou Wheeler.

"Pode crer. Olha, Wheeler, sei que para vocês e pro resto do mundo, meu velho é um criminoso de marca maior que não hesitaria em causar a extinção de toda a vida, mas como pai, ele sempre foi o melhor. Depois que mamãe morreu, ele cuidou de mim, me educou, viu meus primeiros passos, estava presente em todos os momentos de minha vida, bons ou maus. Quando tinha um problema, ele estava lá; quando precisava de conforto, ele estava lá. Nunca gritou comigo, nunca me bateu, nunca ficava bêbado perto de mim, mas claro, quando eu precisava de correção ou disciplina, ele o fazia, porém sempre de modo brando. Pode ter sido um mau exemplo de cuidado com o mundo, mas como pai, era o número 1."

Wheeler realmente se espantou com tudo que ouvira. Quem diria que um dos piores vilões do planeta poderia ter sido um pai decente, e julgando pela expressão de G.J., só podia ser verdade.

"Cara. Vejo que isso é sério. Quem dera meu pai tivesse sido desse jeito."

"E ele não era?"

"Não, G.J.. Meu pai é um verdadeiro desperdício de vida. Desde criança, não fazia nada além de beber e me insultar, dizendo que eu era um fracasso e que eu nunca faria nada. Às vezes acho que pode estar certo." Wheeler concluiu com um leve suspiro. G.J. não se conteve.

"Qual é? Tá ruim da cabeça? Olha pra mim e me diz: quantas vezes evitou desastres de grandes proporções?"

"Muitas, mas..."

"Quantas vezes salvou florestas, animais, acabou com guerras e caçadas ilegais?

"Hmmm. Diversas, mas..."

"Quem descolou um super poder da Terra e ainda faturou uma tremenda gata russa que também já mexeu comigo?"

Wheeler não sabia o que responder ou pensar. De fato ele fez mais em sua vida como Defensor do que podia lembrar, mas nunca havia refletido sobre isso.

"Tá vendo, parceiro? Tanto que fez e ainda vai fazer e seu velho te acha um fracassado? Mais fracassado foi ele que preferiu se afogar na bebida do que te dar apoio. No geral quem perdeu foi ele. Não tô certo?"

"De acordo, G.J.. Eu devia dar mais valor ao que tenho e já fiz. Uma vez, achei que as coisas seriam mais fáceis se eu nunca tivesse sido um Defensor. Daí, voltei no tempo pra me impedir de conseguir meu anel, porque pensava que Gaia iria escolher alguém mais capacitado, mas aprendi do pior jeito que há destinos dos quais não pode-se evitar."

"Nossa, que viagem. E o que você iria ganhar se não fosse Defensor? Seguir com a vida ao lado de um pai tão ruim?"

"Confesso que não havia pensado nisso, mas não se pode esperar que pensemos em tudo na hora que fazemos, não?"

"Mas meio que mudando de assunto, quando acha que você e Linka vão juntar os trapinhos?" Aquela era uma questão que não esperava ouvir, mas não fraquejou.

"Pra ser sincero, cara, estávamos pensando nisso por esses dias, agora que finalmente demos razão à emoção, pelo menos ela conseguiu agora. Mas não fala que falei isso, tá bom? SHHH."

"Ei, pode confiar, irmão. Só não deixa de me convidar pro casamento, e em troca, te convido pro meu."

"Tá feito, mas como descolou uma morena tão gata?"

"No Havaí. Tava andando pros lados de Mauna Loa quando a achei...quase morta."

Wheeler se espantou ao ouvir sobre `quase morta`.

"Foi isso mesmo. Achei uma cabana e parei pra pedir informação quando a encontrei, caída no chão. Parecia que tinha sido estrangulada pelas marcas no pescoço. Parecendo algo recente, resolvi tentar uma respiração artificial e por milagre, deu certo."

"E ela contou o que foi?"

"Só que o ex-namorado dela tinha dado cabo de uma gangue de motoqueiros, liderada por um contrabandista que tinha desejo por ela. Toda a gangue morreu incluindo o líder, menos uma, que queria vingança. Foi essa que pegou Ulla e quase a matou. Quando a salvei, se apaixonou por mim e nunca mais me deixou. Ela tá comigo desde então."

"Uma garota certa é algo que temos apenas uma vez na vida. Nesse ponto, somos caras de sorte." Concluiu Wheeler dando um soco de amizade no punho de G.J..


Na região sul, Ninja montava forte vigilância sem perder nada. Tudo parecia calmo e silencioso, quando ouviu um súbito movimento num arbusto. Se virou e percebeu ser Laurie.

"Oh, desculpe, Ninja. Não quis te assustar. Quero dizer, não sei se robôs, digo, androides, podem se assustar, mas bem...não sei...olha, eu queria dizer que..."

"Não precisa justificar, srta. Sanders. Entendo o que quer dizer, e não levo a mal."

"Laurie. Me chame de Laurie."

"Está bem...Laurie"

Laurie se aconchegou próximo à Ninja. Embora soubesse que ele era um androide, não deixava de observar e admirar aquela figura grandiosa que lhe oferecera conforto quando estava para baixo devido a morte de seus amigos.

"Sabe. Quando me amparou, nunca pensei que um androide pudesse ter tanta consideração. Acho que talvez você seja bem mais do que pensa ser."

"Também penso o mesmo. Não acho que alguém tem que ser de carne e osso para sentir algo. Sei que sou uma forma de vida artificial, mas acredito em coisas como amizade e até amor. Não só acredito, mas as vivo, tipo o que sinto por meus amigos, meus irmãos e irmãs Kuno, Sha-Sha, como chamamos carinhosamente Yaksha, Raiden e Kamai e por todas as formas de vida do mundo, plantas e animais. A vida é preciosa demais e quem não a respeita. não deveria ter o direito de tê-la, como esses monstros que enfrentamos. Seja lá quem nos criou ou com que propósito, pensou em tudo quando nos programou com humanidade e bem acima do que imaginou...a menos que já tivesse planejado que fôssemos tão humanos e se foi por tal, deve estar muito orgulhoso de nós agora."

Laurie se encostou mais pra perto dele. "Vejo que é um ser sensível, bem mais do que qualquer homem com que tenha me relacionado. Acha que poderíamos...bem...você sabe..."

"Eu confesso, Laurie. É a primeira humana por quem me sinto...atraído. Eu gostaria que pudéssemos...mas será que as pessoas aprovariam isso? Não que eu me importe, pois eu ficaria com você, se quisesse."

"Eu também não me importo. O que conta é o que temos e sentimos e acho que ninguém deveria nos dizer como ou com quem devemos viver...e amar."

E ambos ficaram juntos durante todo seu turno., ficando mais pertos entre si do que pretendiam.


Do lado oeste, Gi e Linn estavam de guarda aquela hora. As duas trocavam ideias e mostrava se entender muito bem. Gi notou que algo preocupava sua parceira.

"Linn? Tem algo te aborrecendo? É preocupação sobre estarmos aqui em meio a alienígenas hostis?"

"Hã? Não é isso, Gi. É só...como dizer. Tem alguém de quem eu...bem, gosto, e acho que ele gosta de mim. Sabe é o..."

"Deixa eu adivinhar: é o Kwame, não? Pode falar." Gi disse com um risinho.

Linn viu que não dava pra enganar ela e resolveu abrir o jogo.

"Tá, admito. Eu gosto dele e sei que ele também. Posso ver como ele me olha e sorri pra mim. Acho que ele é o primeiro rapaz não-oriental por quem me vi atraída." Gi achou graça.

"Sabe, Kwame não é do tipo que se apaixona logo de cara, diferente do que Wheeler era antes de se firmar em definitivo com Linka, mas teve algumas na vida dele e em geral eram garotas negras. Você é a primeira não-negra por quem ele se mostra interessado. Se gosta dele, devia falar."

"Eu quero falar, mas não sei o que ele acharia." Linn falou um tanto melancólica. "Quero dizer, lhe contei que sou em parte artificial. Fui refeita como ciborgue depois de um confronto. Nunca deixei que isso fosse um obstáculo na minha vida militar, mas em minha vida pessoal...Será que ele me aceitaria...?"

Gi lhe deu um abraço. "Linn. Kwame é um dos meus melhores amigos e uma das pessoas de mente mais aberta que conheço. Sei que com certeza ele te aceitaria. Seu corpo pode ser parte máquina, mas seu coração e espírito são humanos, e é isso que conta." Uma pausa de Gi seguida de um sussurro. "Além do que, ele tem uma atração por garotas de braços musculosos."

Linn meio que ficou ruborizada com o que tinha ouvido, mas um tanto feliz por saber tanto sobre Kwame. Ela não se conteve e abraçou Gi carinhosamente. "Estou interrompendo algo?"

As duas logo se separaram quando viram que Kwame chegara. "Tá bom, garotas. Podem descansar. Eu vigio agora."

Gi viu que Linn não se mexia e lhe deu uma leve cotovelada. "Hã, Kwame. Se não fizer conta, eu queria ficar mais um pouco." Linn disse um pouco sem jeito, mas com coragem para falar o que sentia. Ele consentiu e Gi se retirou, muito satisfeita consigo mesma.


No canto leste, comandante Clash e Collector permaneciam a postos, mas não deixavam de trocar umas ideias amigáveis.

Ele lhe contou da ocasião em que conheceu os Defensores, quando era vigia de uma base, aguardando por um inimigo que nunca surgiu até conhecê-los, os quais ajudou quando precisaram e lhe deram um novo objetivo na vida.

"Desde então, lidero os ex-mercenários dos eco-vilões numa missão de combater a poluição no mundo."

"Que grande história, Clash. Quando era jovem, mais ou menos por volta dos meus primeiros 5.000 anos, também buscava um objetivo construtivo na vida. Isso se deu quando encontrei um animal que seria um similar aos cães da Terra. Estava machucado e cuidei dele. Quando foi hora de soltá-lo, ele não quis ir. Se apegou muito a mim e eu a ele. O chamei de Xisto e vivemos juntos por 4.000 anos até que..." Collector colocou a mão na testa e parecia a ponto de chorar. Clash lhe estendeu a mão em amparo. Um pouco depois, ela prosseguiu.

"Estava brincando com Xisto num parque quando vi um grupo de encrenqueiros que estava maltratando alguns pássaros, jogando pedras no ninho deles. Mandei que parassem, mas me empurraram e caí no chão, daí continuaram a atirar pedras. Xisto ficou furioso e investiu contra eles. Dois fugiram e o terceiro levou uma mordida de Xisto, mas acabou contra-atacando e deu-lhe uma forte pedrada na cabeça. Corri até lá e o bandido fugiu. Tentei ajudar Xisto, mas era tarde: a pancada foi séria demais e ele morreu nos meus braços. Um dos pássaros que estavam maltratando caiu do ninho e morreu, e era um pássaro ameaçado de extinção."

"Foi quando decidi que nunca mais permitiria que outra espécie sofresse maus tratos ou que fosse extinta por negligência. Construí a Arca Espacial, baseando-me numa conhecida história do livro que os humanos chamam de Bíblia. Viajei por várias galáxias, coletando exemplares de espécies de diversos mundos, muitos dos quais estavam perto de morrerem ou que estavam mortos. Obtive diversos animais da Terra, mas antes que pergunte, não consegui nenhum dinossauro ou qualquer exemplar de vida antes dos mamutes e mastodontes, já que viveram muito antes de eu nascer. Porém, consegui algo do período que chamam de Idade Média. Acredita em dragões?"

"Dragões? Então de fato eles existiram?" Clash não conseguiu disfarçar a surpresa. "Pensei que fossem apenas mitos. Só falta contar que também tem criaturas mitológicas, tipo grifos, esfinges, minotauros e outros. Pessoalmente, queria conhecer uma quimera." Ele respondeu num tom meio zombeteiro.

"Pra não estragar a surpresa, o que acha de depois de cumprirmos nossa missão aqui, eu o levar num passeio à Arca?"

"Eu iria adorar, desde que não tenha ideia de colocar humanos em sua coleção."

"Pode se acalmar, Clash. Não tenho essa intenção." Mas logo ela pensou sem ele perceber. "Ao menos, não por agora."


O resto do grupo dormia tranquilo em uma das cavernas, mas com as armas e os mini-comunicadores em posição caso houvesse um ataque repentino. Raiden se mantinha em prontidão na parte mais alta da formação, preferindo agir por conta, sem contar que sua visão noturna e sensores auditivos eram bem desenvolvidos, capazes de ouvir o passo de um rato.

Embora demonstra-se ser mais eficiente em seu tamanho compacto, sentia um pouco de falta de sua estrutura normal. Mais do que sua arma ou sua armadura, era uma parte muito profunda e importante de sua existência. Sentia-se seguro e confortado nela, porém nunca consideraria nada menos importante do que a si e isso se refere aos seus irmãos, suas irmãs e amigos, humanos ou não. Apesar de fazer uso do ninjutsu, se via mais como um samurai, não só de aspecto, mas em princípios, costumes e código e por tal, valorizava a vida, a liberdade e a justiça. Os Defensores lhe ofereceram uma chance de fazer diferença no mundo e até onde puder funcionar, ele o faria.


Ma-Ti se levantou para arejar a cabeça e por as ideias em ordem. Durante o tempo que viveu como Defensor, nunca achou que um dia teria que tomar parte na aniquilação de alguma espécie, mesmo uma tão perigosa, mas s força opositora não mostrava qualquer remorso de suas ações, sendo como insetos devotados à preservação sua colmeia e rainha. Ao deixar a caverna, não suspeitou que tinha alguém em sua cola.

Ma-Ti notou uma série de gemidos numa parte mais funda da caverna e achou que poderiam ser aliens ou somente incubadores, tão perigosos quanto. Seguiu devagar até a origem e quando viu, sem ser percebido...eram Kiyone e Mihoshi, que se beijavam e se acariciavam com partes das roupas tiradas e expondo seus corpos semi-nus. Nunca que Ma-Ti presenciara tal ação, nem mesmo entre pessoas de sexo oposto. As duas continuavam a se amarem.

"Oh, Kiyone. Sabe que sempre quis estar assim com você?"

"Eu digo o mesmo, Mihoshi. Sei que tem vezes que te chamo a atenção e grito com você, mas a verdade é que sempre me vi atraída por você. Eu te amo."

"Também te amo, minha linda. Por favor, fica sempre comigo. Promete?"

"Te prometo, minha cabecinha de vento. Quero te amar por toda a vida."

Ma-Ti não tinha como tirar os olhos do que via, mas precisava sair e foi o que fez, sem fazer barulho. Quando recuou 3 passos, sentiu alguém lhe tocar o ombro. Se virou tentando não gritar.

"Ora, ora. O que temos aqui?" Era Kunoichi.

"K-Kuno. É você?"

"Claro. Quem esperava? Os Louco-motivas?" Ela olhou para a caverna onde Ma-Ti estava e foi ver. Ma-Ti ficou um pouco apreensivo e suava frio. Uns instantes depois, Kuno voltou. Ele, meio que gaguejando, tentou explicar.

"O-Olha. N-Não é o que você p-pensa. Eu escutei um ruído e achei que fossem os aliens. Então peguei pra verificar e daí...daí..." Ele tomou fôlego e continuou. "Juro. Não sabia que elas estavam...fazendo aquilo e aí..."

"Tenha calma, Ma-Ti. Sei que não foi de propósito. Mas melhor sairmos antes que nos ouçam." Kuno pegou a mão do jovem e ambos caminharam para fora.


Na entrada da caverna, Ma-Ti se mostrava um pouco mais tranquilo. Kuno lhe sorria docemente, nem por um momento lhe parecendo uma androide.

"Vou te contar, Kuno. Nunca achei que veria algo assim com meus olhos. Sei que é natural duas pessoas quererem ter prazer no sexo, mas nunca pensei que ia ver 2 garotas fazendo o mesmo, embora a ordem certa seja de um macho e uma fêmea, ou no caso dos humanos, um homem e uma mulher."

Kunoichi quis achar sentido no que Ma-Ti dizia. "Entendo seu ponto de vista. Sei que se deve seguir a ordem natural, mas quando se trata do amor, o que se pode dizer?"

"Então acha que elas...?"

"Apaixonadas? Pelas palavras devem estar, e já tinha percebido como as duas se olhavam, tipo Wheeler e Linka, não concorda?" Ma-Ti deu um leve aceno de cabeça. "Ah, como eu queria poder achar alguém assim, meu amiguinho. Creio que fui feita bem mais realista do que devia ser. E sei que uma hora...bom, mas meio que mudando de assunto, posso te perguntar uma coisa? É meio pessoal, se não fizer conta."

"Ora, é claro que sim, Kuno. Somos amigos, afinal."

"É sobre...Yaksha. Seja honesto: o que pensa dela?" Ma-Ti pareceu intrigado. Nunca tinham lhe perguntado ou tocado em tal assunto referente a o que achava da mais nova dos Ninja Warriors, pensando nela mais como uma amiga, entretanto não negava sentir algo mais do que somente um sistema de inteligência bem evoluído e extrema capacidade de aprendizagem nela. Yahsha, ou Sha-Sha como ela preferia ser apelidada, ia aprendendo não apenas conhecimentos e estudos gerais, mas tinha curiosidade sobre tudo, até os mínimos detalhes da vida, seja em sua simplicidade ou mesmo sua beleza. Dos Defensores, Ma-Ti era com quem mais passava seu tempo, seja o ajudando a lidar com animais, plantas ou só apreciando sua companhia.

"Olha, sobre a Sha-Sha, como ela gosta de eu a chame, devo contar. Eu aprecio muito estar com ela. É gentil, amigável, alegre, um doce de garota e tirando a ideia de ser uma androide, eu penso ser a menina mais legal que já me deparei e também bem bonitinha, em especial os olhos dela, parecendo com estrelas numa noite clara e antes que pergunte, não, não noto ela só seu...físico avantajado. Admito que reparo um pouco nisso, mas é quem ela é em que eu foco e gosto muito dela."

"Do que descreveu, tá na cara que gosta dela bem mais do que amiga. Não querendo me meter, mas," Kunoichi se achegou mais junto de Ma-Ti. "considerou contar pra ela? Aposto minhas armas que ela corresponderia. Conheço minha irmãzinha e sei como ela ficaria feliz de saber que tem um menino que e enxerga mais do que com os olhos."

"Não preciso do meu poder pra entendê-la. Ela é adorável, é muito carinhosa, aprecio o sorriso de inocência dela. Quer saber? tem razão. Gosto dela e muito e tão logo terminemos nosso trabalho, vou me declarar. Claro, acho que vou precisar de uma dicas de como falar com garotas. Já que a conhece bem, me daria uma força, Kuno?"

"Será um imenso prazer, meu amiguinho, e sei que posso contar que irá tratá-la, pois bem sabe como reage uma irmã ou irmão caso saiba que sua irmãzinha foi..." Contudo, bastou Ma-ti levantar a palma de espera pra pegar a mensagem.


Do lado externo, oculta nas sombras, Yaksha ouvia tudo que foi dito entre sua irmã mais velha e o jovem índio. Segurando o peito com as mãos como que tocando onde estaria seu coração e de rosto baixo, a pequena ninja de grandes peitos, maiores do que o de Kunoichi, sentia-se emocionada por Ma-Ti se encantar por ela, vendo-a mais do que um robô super avançado, entendendo bem seus sentimentos.

Do momento em que tinha posto seus olhos em Ma-Ti, Yaksha percebeu algo que nunca tinha sentido, parecendo uma aceleração em seu conversor energético que agia como o coração humano, não só pelas funções básicas, mas pelas emoções que as moviam. Sabia que o sentia pelo garoto era uma atração e tal atração só foi crescendo desde aí, buscando estar junto dele todo ocasião possível, seja em missões ou somente desfrutar de sua companhia na Ilha Esperança. De tão comovida, algo como um líquido pareceu escorrer de seus olhos. Se não soubesse que era lubrificante transparente, juraria pensar ser uma lágrima.

"Alguém disse uma vez: mesmo um androide pode chorar e digo sim, é uma verdade absoluta." Ela pensou com seus botões, buscando logo sair dali e inspecionar um pouco da área sem ser notada.

Mas Yaksha nem teve tempo de se retirar quando alguém apareceu do nada, só sento percebido pelo desprender de uns pedregulhos rolando. Sem notar em suas costas, Ma-Ti e a ninja robótica vermelha vieram ao seu encontro.

"Yaksha? Voê estava aí? Faz tempo que..." Ma-Ti nem acabou de falar quando reparou no autor dos barulhos.

Era uma sombra enorme que Ma-Ti achava ser conhecida, mas não houve como reconhecer nem o que pensar na hora que a sombra apontou uma arma em sua direção e apertou o gatilho...

Continua...


Resolvi soltar a imaginação e colocar alguns possíveis relacionamentos entre todos...ou quase todos.

O fato de Greedy mostrar tal afeição por Júnior em sua primeira aparição me fez querer explorar o relacionamento dos dois, que pode ser resumido em algo oposto do que Wheeler teve de seu pai.

Ninja e Laurie, um casal? Por que não? No jogo Ninja Warriors os androides são retratados por não terem emoções, mas decidi seguir o caminho contrário.

Pensei em dar a Kwame uma chance com alguém, e por que não com a Linn? Ela é uma das mais bonitas dos games e ser uma ciborgue não é motivo pra ela não ter um relacionamento.

Quem assistia o desenho dos Robobos, e lembra do ep. satirizando os 3 Mosqueteiros, vai reparar na piada feita por Kuno à Ma-Ti quando o achou, que sempre foi uma das minhas favoritas.

E chegamos a Kiyone e Mihoshi. Gosto como as duas são ligadas e não oponho-me ao amor delas.

Nem precisei pensam muito sobre o encaixe de Yaksah(ou Sha-Sha) na história e por que não dar pra ela uma relação ao estilo Uma robô Adolescente, mas aqui ela se corresponde ao seu crush e vice-versa.

A ideia de Yaksha estar chorando é algo que tirei quando o Visão, após seu confronto com os Vingadores e entender mais de sua própria recém-descoberta humanidade, se comoveu ao ser aceito no grupo e num dos momentos mais cativantes das HQs, derramou um rastro de lágrimas de pura emoção.

Sobre Raiden, me veio o pensamento de vê-lo como o mais solitário do grupo. Não do tipo que se isola, só preferindo ficar sozinho pra filosofar e meditar e uma vez que ostenta um jeito de samurai zen, pareceu o ideal pra encaixar em seu perfil psicológico, levando em conta que os jogos, seja o original ou o remake, não dão muitas pistas de sua personalidade e a dos demais.