Parte 7: Na Toca Do Lobo


Ma-Ti levantou os braços numa tentativa de se defender. Pôde-se ouvir o barulho do gatilho...mas nada aconteceu.

A sombra ainda estava lá, apertando insistentemente o gatilho da arma descarregada. Kunoichi não hesitou e desarmou o atirador, jogando-o no chão. Yaksha na hora alcançou a arma, tomando-a com sua mão extensiva. Seja quem fosse, não teria perdoado se lhe ferissem Ma-Ti.

Os Três olharam pra ver melhor quem era o homem da arma e o reconheceram como...Argos Break.

Break parecia em estado de choque e não mostrava-se totalmente consciente do que estava ao redor. Logo outras 4 pessoas surgiram.

"Por favor, não nos machuque. Aconteceu que...Ah, graças a Deus são vocês." Logo viram que se tratava de Rigger, e junto dele estavam Leadsuit, uma mulher com roupa de piloto e outra garota bem familiar à Ma-Ti.

"Bambi Bright? É você?"

"MA-TI." Gritou Bambi, correndo pra abraçar o jovem Defensor. "Que bom que seja você, meu amigo. É tão bom ver um rosto familiar."

Linka e os demais que estavam na caverna acordaram para saber o que se passava. Raiden desceu da rocha rapidamente. Foi uma surpresa e tanto quando viram quem estava lá.

"Vocês. O que fazem aqui?" perguntou Kamaitachi.

"É uma longa história, mas será que podemos comer algo antes? Quase não tivemos tempo pra isso." Pediu Leadsuit.


Enquanto alimentavam os recém-chegados, Trevor se comunicou com o resto do grupo. Alguns minutos depois, todos estavam reunidos. Laurie ficou feliz em rever Bambi.

"Que bom que está bem, querida. Achei que os aliens tivessem pego você também."

"E por pouco não pegaram. Não sei como não me notaram, mas tão logo pude, mergulhei no lago e nadei até a outra margem. Fiquei escondida nas árvores até encontrar Rigger e os demais."

"Mas e quanto a vocês? Cadê os seus chefes?"

"Temo que só nós tenhamos escapado." Disse a piloto, cujo nome era Cassidy. Rigger então falou. "Vou contar tudo que houve."


Os eco-vilões tinham acabado de abrir a porta da nave e adentrar. O interior era todo escuro e sombrio.

"Sintam esse cheiro: fétido, forte e enjoativo. Parece um esgoto." Sly Sludge comentou.

"Não é a toa que gostei daqui." Respondeu Skumm.

"Gente, concentrem-se. Se tiver algo de valor aqui dentro, é prioridade achar." Ordenou Plunder.

Os eco-vilões não estavam acostumados a receber ordens, mas sabiam que ele tinha razão.

Conforme seguiam pelas passagens, mais escuro ia ficando. Nukem iluminou sua mão como se fosse uma tocha para garantir alguma luz. Rigger e Break mantinham suas armas em mãos.

Após um tempo, conseguiram chegar até a câmara de depósito e entrar. O que viram era fora do comum: dezenas de estranhos ovos como nunca tinham visto antes.

"Isso é que eu chamo de descoberta." Bright clamou alegremente. "Uma forma de vida totalmente nova. Pensem no que essas coisas seriam úteis, especialmente se puder usar suas substâncias como armas contra o meio ambiente."

"Sem falar na parte financeira." Plunder sentia suas mãos suarem de ansiedade.

"E aposto que são gostosos. Só um daria uma baita omelete. Oinc, oinc." Greedy grunhia ao pegar um dos ovos.

"Hã, chefinho. Não sei se é boa ideia tocar nessas coisas sem antes saber o que são." Rigger falou um pouco receoso.

"Deixa disso, Rigger. São apenas ovos. O que é que poderia vir de tão..." Mas Greedy mal teve tempo de completar a frase quando o ovo que segurava abriu como se fosse uma casca de banana. Os demais se aproximaram surpresos e num instante, uma macabra mão de 6 dedos pulou do ovo e se grudou no rosto de Greedy.

Greedy tentava de tudo pra tirar o monstro do rosto, mas ele parecia ser mais forte. Rigger e Skumm puxavam juntos mas nada adiantava. Os demais ovos logo se abriram e mais criaturas saiam deles. Break e Nukem atiravam a toda, mas eram muitos e poucos eram os atingidos. Aos poucos, todos os eco-vilões foram vítimas das criaturas, restando apenas Rigger, Break e Leadsuit, que trataram de fugir. Tomando um dos corredores até a saída, logo se viram perseguidos por gigantescas criaturas negras de cabeça longa. Break descarregou sua munição contra eles para retardá-los.

Tão logo deixaram a nave, o piloto do jato de Plunder foi ver o que acontecera.

"Ei, o que houve? Cadê o sr. Plunder? Por que toda essa...?" Mas ele nem conseguiu terminar de falar quando uma das mãos o pegou. Seu grito foi abafado pelo horrorizado abraço. A copiloto ficou apavorada com que viu que saiu correndo atrás dos outros, ao passo que Break ainda atirava a esmo para trás. MAL, que observara tudo ao lado do gerador do campo de força, não sabia o que pensar.

"Dr. Bright, me responda. Está presente?" Mas nada de resposta. "DRA. BRIGHT. ME RESPONDA." Ainda nada.

"Não podíamos sair por causa do campo, então ficamos vagando e procurando ficar longe daquelas monstruosidades. Break ficou tão chocado que continuou atirando mesmo sem ter munição. Um pouco depois, nós encontramos a srta. Bright."


Rigger cessou seu argumento e tomou um pouco mais de água. Os Defensores e seus amigos não imaginavam que a situação estava tão crítica. Dutch foi o primeiro a dizer.

"Precisamos ir logo à nave antes que os demais ovos choquem. Caso um deles seja uma rainha, os problemas se multiplicarão. Vocês podem nos levar até lá?"

"Querem que a gente volte pra aquele antro de monstros? Mas de modo algum." Break protestou, mas G.J. o segurou pelo colete.

"Olha aqui, aeroporto de piolho. Se esses bichos se soltarem, não vai ter lugar seguro pra ninguém. Além disso, se meu pai ainda tá la, tem uma chance dele estar vivo. E eu prefiro que ele esteja na cadeia do que morto."

Realmente a atitude de G.J. era impressionante. Ainda que seu pai fosse um terrível criminoso, ele o amava e queria salvá-lo. Break viu que não tinha saída, principalmente porque apenas MAL podia desligar o campo de força que prendia a todos.

"Então nos preparemos, pois temos uma grande missão à frente." Falou Clash.


Seguindo pela madrugada que se extinguia, os Defensores e cia. seguiam Break, Leadsuit e Rigger pela floresta, bem seguros graças a maquiagem de Laurie, que escondia sua presença dos aliens e dos face-huggers. Assim como G.J. mostrava preocupação por seu pai, Bambi pensava o mesmo de sua irmã Babs, que embora soubesse de toda maldade que ela havia feito, preferia que ela pagasse pelos crimes na prisão.

Quase uma hora depois, chegaram a uma clareira que mostrava sinais bem claros de que algo havia caído lá, causando uma imensa devastação pelo impacto. A nave era imensamente grande, com pelo menos 4 quilômetros de comprimento. O jato de Plunder se encontrava ao lado dela.

A única porta visível era a que Duke Nukem tinha feito para entrarem na nave. Não parecia haver nenhum alien por perto, mas alguns face-huggers circulavam ao redor. Um pouco mais perto da entrada, estava o monitor com a face de MAL, aparentemente em estado de inércia. Os Defensores se aproximaram.

"MAL? Ei, MAL? ACORDA, CABEÇA DE CHIP." Wheeler deu algumas pancadas no monitor, acordando-o.

"Que? o que foi? Doutora, o que...? DEFENSORES?" MAL posicionou algumas de suas armas, mas Linn sacou seu revólver na mesma hora e Raiden, seus mini-canhões. Kwame viu que tinha que falar.

"MAL, presta atenção. Estamos aqui para resolver o problema da infestação dos aliens. Sabemos que a doutora Bright e os outros vilões estão lá dentro e se quer rever sua adorável doutora, vai ter que nos ajudar." MAL pensou e viu que não tinha opção.

"Está certo. O que querem que eu faça?" Linka se adiantou.

"Pra começar, por que nossos poderes não funcionam aqui dentro?"

"A barreira do campo é de uma energia criada exclusivamente para reter as forças que seus anéis recebem de Gaia. Ela bloqueia também outras fontes similares."

"Então é por isso que não pude usar a maior parte dos meus poderes, como o teleporte." Collector comentou.

"A barreira é de energia autosustentável. Nunca perde a força e só pode ser baixada por mim. Uma precaução que a dra. Bright adaptou em mim." MAL seguiu com seu depoimento. "Ele pode segurar qualquer tipo de ataque e repelir quase tudo, exceto vegetação, o que explica por que as árvores e plantas não foram derrubadas. Um pequeno erro na concepção da barreira."

"Acha que pode retrair o campo?" Perguntou Kunoichi.

"Até um comprimento de 4 quilômetros no máximo. Por que?"

"Por que vamos precisar que contraia o campo pra atrair os aliens que estão espalhados. E sei que vai obedecer, se quiser ver novamente sua querida doutora." Disse Gi em tom autoritário. MAL teve que concordar.


Adentrando na nave pelo buraco, Kamaitachi, Ninja, Yaksha, Raiden e Kunoichi abriam caminho para o grupo, já que podiam ver no escuro e Collector seguia junto dos androides, uma vez que já esteve no local. A nave era de fato bem grande por dentro e com vários corredores. Clash sugeriu que o grupo se separasse, mas Wheeler era contra.

"Tá de brincadeira, comandante? Se separar num ambiente hostil cheio de alienígenas perigosos é o maior erro que se comete em filmes, tipo como tentar fugir de um serial killer subindo as escadas da casa. Aliás, nunca entendi por que nunca tentavam fugir pela porta da frente."

A analogia de Wheeler, embora um tanto absurda, tinha seus méritos. Era mais seguro todos ficarem por perto. Vários face-huggers circulavam, mas nenhum tomava presença dos intrusos.

A medida que andavam, ficava um pouco mais difícil de seguir, devido a traços da resina grudenta que os aliens soltavam. Finalmente puderam chegar ao depósito principal, mas o que presenciaram era horrível demais pra descrever: corpos de diversos animais presos nas paredes, muitos com os tórax arrombados e outros com face-huggers presos as faces. Ma-Ti tentou se aproximar, porém Trevor o impediu, já que ele sabia que não era mais possível salvá-los. O lugar também estava cheio de ovos, bem mais do que Collector tinha visto.

"Tem algo estranho. Não havia tantos ovos quando vim da primeira vez."

"Então só tem um explicação." Comentou Laurie. "Eles já tem sua rainha."

Subitamente, escutaram um gemido mais pra frente. Numa seção mais próxima, aparentemente quase que separada da principal devido a tanta resina que formava uma parede, encontraram os eco-vilões, presos...e mortos. Mesmo Duke Nukem, cuja pele era de rocha pura, tinha um rombo no peito parecendo uma bala de canhão atravessada num muro. Todos usados como incubadores. G.J. quase caiu no choro quando encontrou o cadáver de seu pai, Greedy. Bambi também desmoronou ao achar o corpo de sua irmã. Mesmo ela sendo do mal, era sua família. Collector lhe deu um amparo, percebendo como alguém era capaz de sentir tamanha emoção por alguém, apesar deste ter feito tanto de errado.

O gemido estava próximo e viram se tratar de Plunder, preso mas ainda vivo.

"Ah. Defensores. Que bom que puderam vir me resgatar." "Chefe, o senhor está bem?" "Parece que estou, Break, mas por ter fugido, vou reduzir seu pagamento pela metade."

Plunder não mudava nada, não perdoava falhas. O grupo já ia soltá-lo quando Dutch mandou que se afastassem, posicionando seu braço biônico.

"Ele tem um dentro. Temos que eliminá-lo."

"Aguarda só um instante, major. CORAÇÃO." Ma-Ti fez uma verificação rápida. "De fato tem um, mas é recente e não está totalmente formado." Ninja viu com sua visão infravermelha.

"Ma-Ti está certo. Ainda temos uma chance de salvá-lo. Uma remoção cirúrgica pode dar certo. Há 75% de chance de sucesso."

"Plunder pode ser um vilão, mas nem ele merece um fim assim." Foi o argumento de Linka.

"Mas se deixarmos essa coisa viva, vai saber o que aconteceria. Pessoas gananciosas poderiam querer usar como meio para enriquecer, sem se importar com as consequências. Exatamente por isso não notificamos nossos superiores sobre a verdadeira natureza desta missão." Linn sabia o que dizia, mas também não podia deixar de salvar alguém que podia ser salvo. Então todos concordaram que após salvarem Plunder, destruiriam a larva alien. Uma vez resolvido, Wheeler usou seu anel pra queimar a resina e libertar o eco-vilão.

"Mas também não podemos deixar esta nave intacta. Tudo nela tem que ser destruído." Disse Kiyone. Realmente tudo aquilo tinha que ficar no sigilo.

"Então é melhor pormos isso em prática. E aí, Plunder? Onde fica o mecanismo de autodestruição?"

"Autodestruição?" Linka parecia meio confusa com o que Wheeler falou.

"É, gata. Autodestruição. Todo filme, as naves e bases inimigas tem isso para ocultar evidências. Os bandidos tem mania disso."

Plunder não queria dizer, uma vez que seria perder uma fortuna, mas não teve escolha. "Na sala de controle. Há um sistema ativado por um código que dá acesso a todas as funções da nave. Pode ajustar o tempo que for pra acionar a autodestruição. O código é QUEDA-1929."

Não houve quem não ficasse boquiaberto com tal código. "Somente o Plunder poderia pensar numa código assim." Respondeu Laurie.

"Eu não entendi." Citou Mihoshi, o que para sua parceira não era novidade, mas que prometeu contar-lhe depois.

"Agora temos que chegar a sala de controle. Sendo a parte principal, deve ficar na parte mais alta." Comentou Clash.

"Acho que posso facilitar a busca. Ninja, faria o favor de abrir aquele painel de acesso?" Atendendo ao pedido de Kunoichi, Ninja abriu o compartimento numa só puxada. Kunoichi tocou no sistema e ficou como que em estado de transe. Alguns segundos depois, se soltou, quase cambaleando. Trevor e Ulla a seguraram.

"Você está bem?" perguntou a havaiana.

"Sim, Ulla. Estou bem, mas assimilar tanta informação de uma vez sempre me deixa com dor de cabeça. Contudo, tenho a localização de todos os setores da nave, incluindo a sala de controle."

"Mas isso é da hora, mina."

"Muito obrigada G.J., mas não foi tudo. Obtive também a localização e a quantia de todos os seres presentes."

"E quantos são no total?"

"Tirando a gente, Dutch, há pelo menos 100 aliens à bordo, todos espalhados pelos níveis inferiores, o que nos alivia da tarefa de precisar enfrentar todos. Encontrei a rainha em um dos níveis mais altos, perto de onde está a sala de controle, e..."

"E o quê? Qual e o problema?"

"Há pelo menos 3 deles perto de nós, Collector. Mais precisamente...NA PORTA DO DEPÓSITO."

E quando todos olharam na mesma hora, estavam na porta 3 aliens gigantescos: o da esquerda tinha um tipo de couraça que se estendia da cabeça às costas e era de um amarelo similar ao de Duke Nukem e emanando um forte brilho; o da direita tinha a cauda mais reta e a cabeça ostentava um formato triangular e lembrava vagamente em alguns pontos um suíno; e o do meio era de coloração roxa com enormes garras, maiores que qualquer outro, inclusive dos dois ao seu lado, e parte da cabeça esquerda ostentava uma enorme cicatriz. G.J. não gostou do que viu.

"Ih, agora ferrou."

Continua...


O código que Plunder citou é uma piada sobre a era da depressão americana, que se deu em 1929, quando o país teve uma crise que levou a falência de industrias e bancos e deixou milhares de pessoas sem emprego. Portanto, a queda.

Pensei bastante enquanto escrevia o capítulo e decidi introduzir Bambi Bright para dar um toque a mais de drama na trama. Já que o filho de Greedy está na história, por que não a irmã boazinha da terrível cientista?

No geral já estava com essa ideia dos eco-vilões serem hospedeiros dos aliens e para eles, que melhor do que alguns dos mais perigosos, tanto nos jogos quanto nas hqs?