Não sou o autor das histórias ou personagens de Fate/stay night ou de Boku no hero academia, todos os direitos reservados aos seus respectivos criadores

"Falando"

"GRITANDO"

'Pensando'

"GOLPE ESPECIAL/FANTASMA NOBRE"


Medo, pânico, terror e horror, essas foram as emoções que Izuku Midoriya sentiu a ouvir as palavras proferidas pelo arqueiro de vermelho, ele conhecia essas palavras e o que elas significavam, elas eram a introdução de um encantamento para utilizar uma das taumaturgias mais proibidas que existiam, quem acabava de dizê-las foi quem o ensinou isso. Mas ele não podia acreditar, isso não poderia ser real, poderia?

"Steel is my body and fire is my blood."

Era sim e Izuku odiava ter que aceitar isso. Na sua frente, ele pode ver como os músculos de All might se enrijeciam ainda mais, o grande e musculoso adulto poderia não ter nenhuma capacidade em sentir a quantidade crescente de mana que se acumula ao redor de Archer a cada segundo que passava. Mas a luz azul que o envolvia, a pequena nuvem de areai que girava ao seu redor e as próprias palavras do estranho homem albino já eram mais do que o suficiente para fazerem todos os alarmes da cabeça do símbolo da paz apitarem.

"Eu não sei o que você estar planejando com tudo isso, ARCHER! MAS EU NÃO VOU PERMITIR QUE VOCÊ SEQUER ENCOSTE NO..." All might teve que cortar o seu grito de guerra e o seu avance contra Archer quando ele sentiu um pequeno peso adicional na sua perna.

"Jo-JOVEM MIDORIYA!?" O herói número um gritou pela confusão de ver como o seu aluno abraçava a sua perna na tentativa de não o permitir avançar, mesmo que o seu peso adicional não fizesse uma diferença real.

"ALL MIGHT, POR FAVOR, ESPERA!" Izuku gritou a todo pulmão enquanto levantava a cabeça e olhava para o seu herói.

"O QUÊ!? MAS POR QUE...!?".

"I have created over a thousand blades."

All might teve que cortar o seu grito novamente quando ele ouviu a voz e Archer, vendo como o contra guardião continuava fazendo, seja lá o que fosse aquilo, ele usou ambas as mãos para agarrar Izuku pelos ombros e usou apenas um pouco de força para fazer o jovem de pelo verde soltá-lo e colocá-lo de pé ao seu lado enquanto se agachava para estar na sua altura.

"Jovem Midoriya, eu posso não entender bem o que estar acontecendo, mas aquilo." All might disse enquanto apontava para Archer.

"Mas aquilo grita perigo! Então se afaste um pouco por agora enquanto eu resolvo..." Dessa vez foi All might quem foi interrompido antes de terminar a sua frase.

"ALL MIGHT, POR FAVOR ME ESCUTA!"

"Unknown to death."

"Nor known to life."

O símbolo da paz realmente ficou em dúvida entre ouvir o que o seu sucessor tinha a dizer e ir logo para cima de Archer agora que o chão e o lixo da pilha de entulhos na entrada da praia começavam a tremer levemente, então ele decidiu fazer o primeiro.

Com apenas um assentimento rápido por parte de seu ídolo, Izuku tomou apenas um segundo para se preparar e dizer o que ele tinha em mente.

"Eu sei que isso vai parecer loucura, mas eu te peço, por favor, me deixe resolver isso!" Ele fez o seu pedido enquanto segurava com força as grandes mãos em seus ombros e olhava para All might. O mesmo retorceu o seu rosto em uma confusão genuína ao ouvir tais palavras.

"O QUÊ!?" All might gritou, mais preocupado do que irritado.

"Jovem Midoriya, isso..." Sem dar tempo para o seu treinador responder, Izuku continuou falando.

"DESDE O DIA QUE EU NASCI!" Ao não ouvir nenhum outro comentário de All might, Izuku supôs que o seu gritou havia sido a bastante para chamar a atenção do herói, ele respirou fundo para se acalmar um pouco e continuou.

"O Emiya-san disse que a sua alma estar dentro do meu corpo desde o dia que nasci e nós já nos conhecemos a dez meses, mas mesmo assim... Mas mesmo assim eu praticamente não sei nada sobre ele." Ao dizer isso, ele virou o rosto e viu como Archer permanecia no mesmo lugar, a areia ainda voava devido ao vento não natural e o seu rosto estava enrugado em profunda concentração misturada com raiva.

"Apesar de já ter passado todo esse tempo, fora o nome dele, eu não seu nada sobre quem o Emiya-san é de verdade." Izuku disse, agora o seu rosto sendo o que se franzia pela sua ignorância em relação ao seu primeiro amigo em tanto tempo.

"E seja lá o que ele quer com isso tudo, eu preciso aproveitar essa oportunidade para resolver as coisas entre nós se isso acabar da maneira que eu estou pensando." Ele parou por um momento e encarou profundamente os olhos de All might que o olhavam com preocupação, como se ele já soubesse quais fossem ser as suas próximas palavras.

"Então, All might, eu...".

"Você quer que eu não me intrometa." All might disse no mesmo instante que uma nuvem de vapor cobria a ambos e logo em seguida desaparecia para mostrar Izuku e um All might na sua forma fraca.

"Have withstood pain to create many weapons."

Izuku abriu olhos pela surpresa devido ao seu herói ter terminado a sua frase e o símbolo da paz apenas deixou a sua cabeça cair derrotado enquanto suspirava cansado, ele negou com a cabeça e olhou novamente para o seu sucessor.

"Apesar de saber que essa, muito provavelmente, é a decisão errada a se tomar, eu prometo que não vou interferir no assunto de vocês dois, vou apenas assistir de longe, até o final." O símbolo da paz disse enquanto olhava mais uma vez para Archer e o seu rosto expressava muita mais preocupação.

"Mas, jovem Midoriya, apenas..."

"Yet, those hands will never hold anything."

All might apertou um pouco mais forte os ombros de Izuku por reflexo a ouvir as palavras de Archer. Mas no mesmo segundo ele dispensou toda a preocupação e dúvida enquanto olhava seriamente ao seu sucessor.

"Apenas me prometa que você vai tomar cuidado, tudo bem?" Apesar da seriedade no seu tom de voz, Izuku ainda pode sentir o nervosismo e o medo nas palavras de All might.

"Sim senhor!" Ele respondeu, com um olhar tão sério quando o do seu maior ídolo, e de alguma forma ele conseguiu fazer com que a sua voz portasse confiança o bastante para que o olhar do herói número um se suavizasse um pouco de alívio.

Assentindo com a cabeça, All might finalmente soltou os ombros do seu sucessor, o jovem de pelo verde respirou fundo uma vez e se virou em direção a Archer.

"So as I pray..."

Izuku deu alguns passos em direção de Archer e parou a dez metros de distância dele, ele pode sentir como todo o seu corpo se tensionava a cada verso do encantamento. Mas algo estava estranho, apesar de toda a situação, ele não sentia como os seus próprios circuitos mágicos reagirem ao uso da taumaturgia proibida, mesmo que eles estivessem se desenvolvendo especificamente para poderem herdá-la no futuro. Independentemente disso, o jovem de pelo verde deixou esse estranho fato de lado quando ele notou como o arqueiro de vermelho o encarava.

"Você parece mais calmo do que esperei, você simplesmente estar confiante que tudo vai terminar bem ou, na verdade, seria esse o seu primeiro sinal de arrogância por achar que estar no mesmo nível que eu?" Archer perguntou retoricamente enquanto o sorriso mais forçado do mundo se forma no seu rosto, sua voz soando com diversão e raiva enquanto olhava para a pessoa que ele esteve ensinando sobre magecraft nos últimos dez meses.

Izuku não disse nada por um momento, então ele engoliu em seco enquanto procurava por mais coragem dentro de si e respondia à provocação de Archer.

"Não, é o completo oposto. Quem foi o ranzinza que me ensinou a manter a calma mesmo com uma inevitável derrota bem na minha frente?" Izuku perguntou na tentativa de imitar a forma sarcástica e irônica que Archer normalmente era durante maior parte do tempo. Mas as suas mãos, visivelmente tremulas e o suor por todo o seu corpo não contribuíam em passar uma postura de tranquilidade.

Apesar de como ele dizia as suas palavras, Izuku não estava mentindo, apesar de suas habilidades no combate corpo a corpo e no uso rápido de magecraft terem melhorado bastante com o passar do tempo, de nenhuma maneira ele pensava que poderia estar sequer chegar perto de Archer em um confronto direto. Mas isso não era razão para desistir e tentar fugir desse embate, ele esteve fugindo de tudo e todos durante a sua vida inteira, e ele já estava cansado disso, ele não fugiria mais, não dessa vez.

Archer apenas estreitou os olhos como o seu único sinal de reação a fala de Izuku e os fechou logo em seguida, ele suspirou, soando muito mais estressado do que nunca, então após um momento ele os abriu novamente.

Aqueles frios olhos de ferro encararam os seus olhos esmeraldas, hostilidade e ódio aparentemente sem fins se cruzaram com nervosismo e medo. Dois seres que deveriam ser semelhantes em essência, mas que não poderiam ser mais diferentes externamente, se olharam, um deles odiando que as coisas se desenrolassem a isso e o outro esperando o começo de um dos eventos mais importantes da sua vida.

"Então já que assim..." Ele fala, porém, a sua voz parece menos certa do que antes e mesmo que o seu rosto não demonstrasse nada mais do que certeza e seriedade. Ele parecia estar triste por ter que proferir as suas próximas palavras.

"Unlimited blade works."

Ele fala claramente enquanto levanta o braço e o mundo muda, o fogo brota a partir dos seus pés e corre pelo chão, uma forte linha de luz branca se dar lugar por onde o fogo passa, se move em todas as direções e vai além de Izuku. A cor da luz do fogo preenche a sua visão e pinta a paisagem da praia de Takoba, em meio ao som das chamas ele pode ouvir um grito de surpresa de All might, mas o jovem de pelo verde apenas cobre o seu rosto com os braços e se mantêm em silêncio.

Tudo e todo ao seu arredor desaparece devido ao clarão de luz que vem logo em seguida, todo o seu corpo se estremece até os ossos por um segundo, mas a sensação passa logo em seguida. Conforme a luz diminuiu gradualmente e os seus olhos se adaptavam a diminuição da claridade, ele pode ver como os arredores de praia foram trocados por esse mundo que ele conhecia muito bem.


Conforme o clarão de luz diminuía e os olhos de Toshinori se acostumavam com a nova claridade, eles imediatamente se abriram por completo ao ver o que estava na sua frente, ou melhor dizendo, tudo que estava ao seu redor.

Uma paisagem que poderia ser facilmente encontrada em uma pintura surrealista havia substituído a praia que ele estava a poucos segundos. Ele olhou para todos os lados com uma expressão de completa incredulidade, apesar de ser um herói profissional com muitos anos de experiência em lidar com a mais diversas e poderosas peculiaridades, ele nunca havia visto algo nesse nível. Se isso era realmente como Izuku havia o explicado uma vez, então tamanho poder seria o bastante para fazê-lo se sentir um pouco assustado.

Um gigantesco deserto de terra com incontáveis espadas cravadas contra o chão se estendia até aonde a sua visão alcançava, as armas faziam esse lugar parecer um lixão e um cemitério simultaneamente. O céu estava nublado com nuvens escuras, mas os poucos raios de luz alaranjados que passavam davam impressão de que o sol já estava se pondo.

Porem a aparência do mundo não era a única coisa que havia mudado. Uma estranha pressão havia surgido, não era nada físico que diminuísse a sua movimentação. Mas era algo que o fazia sentir um gosto amargo na garganta, seu coração se sentia mais pesado e um estranho sentimento de solidão misturado com arrependimento tomava conta do seu ser.

"Isso é..." Os pensamentos de perplexidade e confusão de Toshinori acabam saindo em forma de palavras, ditas sem que ele se desse conta. Dentro desse mundo desconhecido, ele encara o arqueiro de vermelho, que se destacava no centro desse reino em destroços, em espanto expressivo.

"Um mármore de realidade." A voz calma, porem tensa, do seu sucessor se faz presente e apenas agora Toshinori se deu conta que Izuku estava a um metro na sua frente, de costas para ele.

"Uma taumaturgia proibida que dar forma a mente do usuário violando a própria realidade." O jovem de pelo verde disse enquanto continuava encarando a figura de Archer que se mantinha de pé no topo da colina.

"Exatamente." A voz de Archer veio do topo, apesar de distância de aproximadamente trinta metros que o separava deles. Sua voz chegou até os ouvidos de Toshinori, mesmo que o contra guardião não estivesse gritando.

"Em vida, não usei nada e nem fiz nada que merecesse ficar lembrado na história, minha existência foi esquecida por todos assim que o dia da minha morte havia chegado. Então, esse mundo é a única coisa que tenho para chamar de meu. Com esse mármore de realidade, eu posso replicar e armazenar qualquer arma que vi a versão original. Esse seria o meu trunfo, minha carta na manga, esse é o meu fantasma nobre. Isso é a personificação do ser conhecido como Emiya." Archer disse calmamente, porém a sua voz soa de maneira muito antinatural. Como se ele não quisesse dizer essas palavras e as escreveu para que uma máquina com a sua voz disse por ele.

Toshinori ficou chocado com tais palavras, ele olhava em espanto para o extenso cemitério de espadas no deserto, o céu escuro e o lixão de aço, livres de qualquer sinal de vida. Seu espanto aumentou quando ele viu como engrenagens do tamanho de casas começavam a descer das nuvens, porem elas paravam a suas quedas sozinhas e começam a girar como se estivessem trabalhando em algo.

"E se você quiser, All might, você pode até testa-lo se tiver vontade." Archer fala repentinamente e isso faz com que Toshinori volte a sua atenção novamente para o arqueiro de vermelho, dessa vez com uma sobrancelha levantada pela última frase do contra guardião.

"Você pode correr com a sua velocidade hipersônica ou desferir golpes com nomes idiotas o quanto você quiser durante horas. Você não vai conseguiria sair ou destruir esse mundo." Archer o informou enquanto cruzava os braços, sua voz soando com tanta arrogância e alegria, que era como se ideia de fazer com que Toshinori percebesse que o seu poder era inútil aqui o alegrasse mais do que qualquer outra coisa no mundo.

"JÁ É BASTANTE, EMIYA-SAN! O que você quer com isso tudo!?" Izuku gritou frustrado, tanto pelo estresse de toda a situação quanto por Archer ainda querer aproveitar um momento tão sério para tentar ridicularizar o seu ídolo.

O sorriso do contra guardião se desfez e ele encarou o jovem de pelo verde bem nos seus olhos esmeralda, a intensidade de olhar sendo o bastante para fazer até a sua alma se encolher de medo. O seu corpo tentar involuntariamente dar um passo para trás, mas ele tomou novamente o controle dos seus membros enquanto impedia a ação de medo e apertava os seus punhos com mais força para aliviar o seu nervosismo.

"Esse será o meu último teste para você, se você conseguir passar nele, então eu irei te reconhecer como capaz de se tornar um herói. Depois disse eu sumo da sua vida para sempre." Ele diz claramente enquanto descruzava os braços.

"Assim como você tem feito durante quase toda noite a dez meses, você vai lutar contra mim nesse mundo. Mas é claro que você não conseguiria me derrotar em combate direto mesmo se eu estivesse com ambos braços e pernas amarrados, então você apenas precisa acertar um único golpe em mim para passar no teste." Archer disse confiante enquanto forçava outro sorriso no seu rosto e isso foi mais que o bastante para fazer um sinal de alarme tocar dentro da cabeça de Izuku.

"E qual é truque?" O jovem mago perguntou desconfiado enquanto estreitava os seus olhos. O rosto do contra guardião pareceu expressar um pouco de orgulho pela pergunta de Izuku, mas tau mínimo sinal de expressão desapareceu quase no mesmo momento.

"A questão nisso tudo é que, para fazer as coisas mais justas, você não vai poder usar projeção ou analise estrutural nessa luta, apenas o reforço." Archer disse e Izuku abriu os seus olhos pela surpresa.

"O quê? Você nem se deu conta que eu me dei o trabalho de mexer nos seus circuitos mágicos um pouco antes de eu formar o meu corpo? Bem, acho que a sua mente ainda deve estar um pouco nebulosa devido ao cansaço de ter finalmente terminado de limpar aquela praia." Izuku nem esperou Archer terminar a sua oração e ele imediatamente levantou ambas as mãos e tentou projetar o par de espadas gêmeas que ele estava tão acostumando.

"AH!" Izuku gritou quando os seus circuitos mágicos responderam o seu comando com uma grande e rápida onda de dor por todo o seu corpo. Um calor tão intenso atravessou todo o seu ser por um instante que era como se todo o seu sistema nervoso tivesse sido cozinhado em uma panela de pressão, mas no mesmo momento que essa dor surgiu, ela desapareceu.

Ele toma um momento para respirar profunda e acalmar o seu coração acelerado, após dez segundos de respirações pesadas, Izuku é capaz de recuperar um pouco da sua compostura e levanta a sua cabeça para encarar novamente o arqueiro de vermelho.

"Então, aqui e agora, você pode tomar duas escolhas, Izuku Midoriya." Archer voltou a falar inexpressivamente sem se importar com a dor que Izuku estava sentido.

"Você pode vir até mim e tentar lutar comigo, mas saiba bem, se você escolher fazer isso, eu vou ir com tudo para te matar." Tanto Izuku quanto All might se congelaram a ouvir Archer dizer essas palavras como se não fosse nada. O jovem de pelo verde pode jurar que o seu coração havia parado por um segundo.

"..." Ambos tentaram dizer algo, mas o espanto de All might e puro medo de Izuku pareciam serem como mãos que estrangulavam as suas gargantas na tentativa de impedir que eles falassem.

"Ou." Archer disse enquanto ele projetava uma espada romana de sessenta centímetros, uma gládio, e a arremessava na direção de Izuku. Ela voou pelo ar até cair no chão a poucos centímetros dos pés de Izuku.

"Cometa suicido, Izuku Midoriya." Archer disse as palavras de tau maneira que era como se elas fossem as respostas para todos os problemas do mundo.

O cérebro de Izuku já havia entrado em pânico quando ele ouviu que Archer iria matá-lo se ele tentasse lutar com ele, mas ouvir como a pessoa que ele tanto considerou um amigo simplesmente lhe dizia para tirar a sua própria vida fez com que sua mente se desligasse por completo. Ele não sabia o que pensar, havia como ele pensar em uma situação dessa?

Izuku Midoriya conhecia a Archer a bastante tempo, por isso ele tinha uma noção básica de como saber se o espirito heroico estava apenas sendo irônico ou se ele dizia a verdade e isso era o que tornava toda essa situação pior ainda. Ele tentou de novo e de novo, várias vezes, mas ele não conseguia encontrar nada que o dissesse que Archer estava mentindo. A sua voz, o seu rosto, a sua postura, tudo demonstrava que o contra guardião estava sendo honesto com as palavras de que proferia.

Ele pode sentir como o seu suor parecia se tornar pedras de gelos que escoriam pelo seu corpo. Suas mãos e pernas tremiam como se estivesse acontecendo um terremoto. Seus pulmões pareciam que não conseguiam puxar mais ar e sua visão ficava mais escura a cada segundo que passava.

Sua cabeça se abaixou contra a sua vontade por ele não conseguir aguentar o olhar mortal que Archer estava dando-o, ele sentia que perderia a consciência a qualquer momento por como o seu corpo gradualmente entrava em colapso. Mas tudo pareceu desaparecer quando ele sentiu como uma grande mão ossuda pousava no seu ombro.

"A-all... might...?" Izuku disse com a sua voz quase falhando enquanto encarava o herói número ao seu lado, o mesmo apenas sorriu gentilmente enquanto apertava o ombro do seu sucessor um pouco mais de força. Após ver como o jovem de pelo verde não parecia mais estar preste a desmaiar, o símbolo da paz soltou o seu ombro e deu alguns passos para frente.

"Archer." All might chamou a atenção do contra guardião e o mesmo deixou de encarar Izuku e passou a olhar com repulsa ao herói número um.

"Antes de qualquer, eu quero dizer que prometi não me envolver ou interromper a sua batalha com o jovem Izuku." All might diz seriamente enquanto devolvia o olhar de nojo de Archer com a expressão mais seria que ele conseguia fazer.

"Ótimo, posso matá-lo sem preocupações, então." Archer disse como se isso fosse uma boa notícia e o rosto de All might se franziu ainda mais pela resposta.

"Mas antes que qualquer um de vocês tome uma escolha, eu gostaria de saber uma coisa. Por que você tão repentinamente manifestou um desejo pelo fim da vida do jovem Midoriya?" All might fez a pergunta que mais o incomodava nesse momento. Archer poderia ser um irritante idiota com ele toda vez que ambos adultos trocavam palavras entre si. Mas se havia algo que ele poderia afirmar com certeza sobre o espírito heroico, era que ele se preocupava com Izuku mais do que qualquer outra coisa no mundo.

Durante os seus treinos físicos, o herói número um pode ouvir várias vezes como Archer parecia dar um sermão a Izuku quando ele fazia algo que ao seu ver era desnecessário ou minimamente perigoso de mais. Não só isso como ele também já havia ouvido como o seu sucessor as vezes resmungava para ele mesmo como Archer não era a sua mãe. Por isso o alto homem esquelético suspeitava haver algo a mais nessa ameaça de morte.

"Não há realmente muito o que explicar, eu simplesmente não posso aceitar o seu sonho." Archer disse calmamente, como se a pergunta de All might fosse tão sem sentido que ele não via a necessidade de respondê-la.

"Isso não pode ser verdade! você é um espírito heroico, um daqueles que foi reconhecido como um herói pelo próprio mundo. Você e o jovem Midoriya já me explicaram isso mais de uma vez, então por que você quer que alguém com o mesmo objetivo morra!? Você é literalmente a personificação dos ideais de toda criança que sonha em se tornar um herói, alguém que se tornou um após muito tempo de esforço e dedicação. Então por que...?" Ele termina com a voz quase quebrada.

"..." Não respondendo, ele começa a descer a colina de espadas a passo lento, se ele quisesse resolver as coisas conversando, ele não teria manifestado esse mundo em primeiro lugar. O símbolo da paz mordeu a língua em frustração, ele encarou a Archer e mesmo devolveu o olhar.

"…POR QUE, ARCHER!?" All might gritou de raiva devido ao silêncio do arqueiro de vermelho.

"O jovem Midoriya me contou que contra guardiões como vocês são aqueles que viram espíritos heroicos após as suas mortes para poderem continuar protegendo as pessoas. UM HERÓI! ENTÃO POR QUE VOCÊ QUER QUE UM GAROTO INOCENTE MORRA!?" All might terminou o seu questionamento gritando a todo um pulmão que ainda lhe restava e nem se importou com o sangue que ele acabou cuspindo devido a isso.

"...Um herói, você diz?" Archer comentou enquanto parava a sua caminha e encarava a All might sem emoção, algo que ele tinha dito com certeza havia irritado o contra guardião.

"O que Izuku te contou estar errado, All might. Guardiões não são aqueles protegem as pessoas, nós somos meros faxineiros. Com certeza isso não era o conceito de herói que uma vez eu desejei tanto me tornar." Archer voltou a falar e a sua voz soou diferente, um sorriso irônico se tornou evidente no seu rosto. O ódio e desprezo preencheram o seu ser.

"De fato, pode se dizer que eu me tornei um herói. Alguém que Izuku Midoriya também sonha em se tornar, um herói da justiça." Archer cuspiu as palavras com tanto veneno que elas facilmente poderiam matar uma pessoa de coração fraco.

Um herói da justiça, um super herói. Alguém que nunca vai machucar ninguém, alguém que não recua não importar que desastre ele encare, alguém que pode salvar a todos. Sim, isso definia bem quem Izuku quer se tornar no futuro, mas mesmo assim, uma dúvida não deixava a sua mente confusa.

'Você realmente conseguiu se tornar um?' Izuku perguntou dentro da sua mente, esperando que o próprio Archer o respondesse, mas não houve resposta. Pois, a pessoa que normalmente sempre respondia a suas dúvidas agora estava a vários metros na sua frente. Ao se dar conta disso, Izuku sentiu um estranho sentimento de solidão.

"Archer...?" All might disse depois de alguns segundos, mas as palavras morreram na sua boca antes que elas pudessem sair.

"E por isso sei que se trata de um equívoco, a vida de uma pessoa assim não dispõe de qualquer valor." Archer disse e um estranho vento se fez presente em todo o lixão de armas, uma leve brisa que balançava a sai de Archer e as largas roupas de All might.

"Não dispõe... De qualquer valor?" O símbolo da paz perguntou um pouco hesitante, sua voz perdendo um pouco da autoridade que ela tinha a alguns segundos atrás.

"Isso mesmo, você deveria saber melhor do que ninguém, All might. Você também representa os mesmos ideais de um herói da justiça. As pessoas acreditam que você nunca permite os inocentes se firam, que você não sente medo do perigo, que você sempre salva a todos com um sorriso no rosto, você é a personificação de todas essas mentiras. Estou errado?" Archer perguntou retoricamente, de tau modo que era como se esse assunto fosse desinteressante.

"..." Tanto Izuku quanto All might se agitaram igualmente pela acusação do arqueiro de vermelho.

"Ha! O que foi, símbolo da paz? Não vai me dizer que você nunca se deu conta da sua influência negativa na sociedade, ou você fez como o moleque ali e simplesmente preferiu ignorar tudo isso?" Archer perguntou estando honestamente curioso e irritado ao simultaneamente.

"Do... DO QUÊ VOCÊ ESTAR FALANDO, ARCHER!?" All might gritou raivosamente, mais por não saber outra forma de reagir de forma apropriada do que estando realmente irritado.

"Bem, eu acumulei mana mais do que o suficiente durante esses últimos dez meses para manter esse mundo durante um bom tempo. Então eu não me importo de perder um pouco de tempo jogando a verdade na sua cara." Archer comentou despreocupadamente enquanto um sorriso verdadeiramente honesto aparecia no seu rosto. Ele nem tentava esconder a alegria que sentia em poder dizer as suas próximas palavras.

"Querendo ou não, você se tornou o pior mau da humanidade, All might." O contra guardião disse a frase que ele tanto esperou a dizer durante quase quinze anos e se deliciou com a expressão de pura confusão e horror no rosto do herói número um.

"Eu... O... O quê...!?" All might respondeu com as únicas palavras que o seu celebro conseguiu formar.

"Então você é apenas ignorante, não é?" Archer disse desapontado enquanto suspirava, negava com a cabeça e fechava os olhos.

"Eu vi o mundo através dos olhos de um garoto inocente que ama os heróis com todo o seu grande coração. Mas mesmo assim, eu ainda pude ver como não só essa profissão, mas a também sociedade se tornou em algo podre devido a sua mera existência, All might. Você acredita haver se tornado um exemplo a ser seguido, mas o que você realmente representa é o exemplo de deve ser alcançado a todo o custo." Archer começou a sua explicação, conforme ele mais falava, mais um ódio profundo ao símbolo da paz se fazia presente.

"As pessoas acreditam que se você é invencível, então todos os heróis também tem a obrigação de serem invencíveis. Se um herói não cumpri o seu papel de proteger a todos uma única vez, então ele não passa de uma falha sem valor, uma falsificação. Muitos heróis começam as suas carreias acreditando verdadeiramente nesses ideais. Mas quando eles percebem que você sempre aparece antes deles e resolve a situação em um segundo, eles se dão conta que não faz mais diferença em tentarem cumprir essa obrigação e preferem agir mais como celebridades do que heróis." Archer disse e algumas imagens que de heróis conhecidos passaram pelas cabeças de Izuku e All might.

"Inconscientemente ou não, até os jovens que todos dizem serem o futuro da humanidade, também de se deram conta disso. Agora, as crianças não se preocupam com certo ou errado, tudo que elas importam é em serem os heróis mais famosos e ricos de mundo. Os pais e professores que deveriam corrigir tau mentalidade com educação e ensino nem se importam. Eles apenas deixam isso de lado e dizem ser apenas uma fase, que os jovens vão mudar quando crescerem. Mas o pior de tudo nem é isso." Archer disse, chegando ao estopim de seu discurso. Se o seu olhar fosse capaz de matar, ele teria matado All might mais de uma vez desde que ele havia começado a falar.

"O pior de tudo, a sua maior falha, All might, é o preconceito e impregna o mundo. Se alguém nasce com uma peculiaridade poderosa, ela estar fadada a se tornar um herói, em se tornar o próximo você, todos dizem que isso é o que ela deve ser no futuro, mas ninguém se importa com o que ela realmente quer. Porém, se uma criança nasce um poder inútil ou de um "vilão", ele se tornar alvo de descriminação e afronta dos demais. Agora imagine isso, só cem vezes pior, para um garoto sem nenhuma peculiaridade." Ao proferir essas palavras, Archer pode ver como as pernas de Izuku voltavam a tremer e a sua pele empalidecia.

"As pessoas sem peculiaridades são aproximadamente vinte por cento da população mundial, ou seja, a maior minoria do mundo. E como sempre acontece, por essas pessoas serem as mais diferentes, elas são as mais atacadas pelas outras, física ou mentalmente. Então me responda, como você acha que é a vida de uma criança que sonha em ser um herói, mas não possui um super poder?" Archer encarou o símbolo da paz enquanto fazia a sua pergunta, ele já sabia a resposta, ele havia a visto inúmeras vezes. Mas ele queria fazer com que a mente do esqueleto loiro chegasse na mesma conclusão por conta própria.

"..." All might não disse nada, não porque ele sabia como responder essa pergunta, mas sim porque ele não tinha as forças para dizer a verdade que ele mesmo havia vivido durante uma parte da sua vida.

"Ela é vista como a maior ofensa que poderia existir." Archer continuou falando após alguns segundos quando ele se deu conta que All might não iria respondê-lo.

"Em um mundo onde você existe, como no inferno uma pessoa sem nenhum poder quer ser um herói? É o que eles pensam. Alguns acham graça disso, outros de enfurecem e o restante nem se importa pelo quão estupido isso soa. Mas uma coisa é a mesma entre todas essas pessoas, elas diminuem, agridem, menosprezam e destroem um sonho tão puro e belo como esse. E me diga, símbolo da paz, você sabia que quase oitenta por cento de todos os casos de suicídios que acontecem no mundo são de pessoas sem peculiaridades?" Archer fez essa última pergunta de maneira indiferente, mas ele pode ver como as pernas de Izuku perdiam a força e o jovem caia de joelhos no chão enquanto as lagrimas começavam a escorrer dos seus olhos.

"Não se preocupa garoto. Não é por isso que eu quero que você morra." Archer falou com uma voz gentil, como se isso devesse reconforta-lo, mas tudo o que isso resultou foi com que ele estremecesse ainda mais com as suas palavras e abaixasse a cabeça. O contra guardião fechou os olhos e tomou um momento para acalmar o mar de pensamentos que era a sua mente. Então ele os abriu novamente e olhou para All might, que o encarava como se tivesse visto o seu maior pesadelo.

"Então, meus parabéns All might, o herói número um. Essa é a paz que você conseguiu trazer." Archer terminou de dizer enquanto erguia os braços, como se ele estivesse sinalando que o mundo em que eles antes estavam era o resultado dos seus longos anos de trabalho como herói profissional.

All might abaixou levemente a cabeça em reflexão, ele fechou os olhos enquanto as palavras de Archer ecoavam na sua mente. No fundo do seu ser, uma pequena e estranha parte de si, parecia estar tentando gritar para que ele não desse ouvido a tais palavras. Mas ela era tão distante e que ele praticamente não poderia ouvi-la em comparação aos gritos que as verdades de Archer faziam dentro da sua mente. Após quase um minuto inteiro de silêncio, a primeira coisa que All might foi capaz de fazer foi suspirar derrotado.

"Você... Tem razão..." O símbolo da paz admitiu a verdade por trás das palavras de Archer e ele foi obrigado a virar a cabeça para o lado quando ele pode ver pelo canto da sua visão como Izuku repentinamente levantava a sua cabeça e o encarava incrédulo.

"De fato, talvez eu não tenha feito jus ao meu sonho de criar um mundo melhor, talvez eu seja um erro como herói. Mas o seu caso difere, você não é a pessoa que você se tornou após os seus ideais serem realizados!?" All might o questionou mais uma vez e Archer suspirou desapontado pela clara tentativa de mudança tema.

"Ideais realizados?" Archer comentou amargamente enquanto encarava a paisagem do seu mármore de realidade e apertava os punhos com força.

"Sim, eu certamente salvei algumas pessoas. Eu fiz vários sonhos virarem reais, e eu salvei o mundo de um destino cruel várias vezes. Um herói da justiça... Eu realmente havia conseguido chegar aonde eu tanto havia sonhado durante um tempo." Archer comentou enquanto fechava os olhos. Apesar da sua voz soar como se esse assunto não o importasse, seu rosto parecia o de alguém lembrando do passado.

"Você se tornou um herói... Então você foi recompensado, certo...? No mínimo, você fez o seu ideal se realizar. Então não deveria haver arrependimentos, já que você conseguiu fazer o seu desejo se tornar realidade." All might argumentou, porém, sua postura não apresenta mais nenhum traço da confiança de entes. Não há convicção na sua voz, pois ele já sabe que só está falando mais de si mesmo do que de Archer.

""Fazer o seu desejo se tornar realidade" humn? Certamente, eu virei um herói da justiça, assim como no meu ideal. Mas no final, tudo havia sido em vão, tudo o que me restou foram arrependimentos, morte e as minhas mãos manchadas com o sangue daqueles que eu quis tanto salvar." Archer disse de uma vez e ele pode ver como tanto All might e Izuku o olhavam incrédulos pelo que acabava de dizer.

"Em vida, eu assinei um contrato com Alaya, a contra força. Posteriormente, já como um contra guardião, lutei como uma força de contrapeso da humanidade contra aqueles que infringiram com o equilíbrio do mundo. Fui obrigado a obedecer às ordens que me eram dadas e mesmo que eu quisesse resolver os conflitos do mundo de outra maneira, não existia direito de escola para o que eu havia me tornado, eu não passava de um fantoche." O contra guardião continuou dizendo inexpressivamente.

"Eu matei e matei e matei. Eu matei muitas pessoas por creditar que poderia ter alcançado o ápice do meu ideal com esse contrato. Eu matei tantas pessoas que deixei de me importar com se elas eram más ou boas, culpadas ou inocentes, e eu salvei milhares a mais do que matei." All might e Izuku encaram a Archer sem palavras.

O jovem de pelo verde o via com completo horror e choque por finalmente ouvir a verdade sobre o que realmente significava ser um contra guardião, e o alto homem magro com uma mistura de espanto e algo mais que não era muito definido. Era como se ele tivesse visto algo a mais do que um homem revelando a sua trágica história, era como se ele conseguisse se ver no lugar de Archer.

Aceitar um acordo aonde ele acreditava que poderia continuar sendo um herói e salvando mais e mais pessoas após a sua morte. Uma maneira de se recompensar com todas as pessoas que ele havia falhado, como um amigo, como um herói e como um sucessor, parecia muito um contrato que ele aceitaria sem pensar duas vezes. E foi esse rápido pensamento que o próprio All might se deu conta o que era esse último sentimento que sentia enquanto encava a Archer, era medo.

"Toda vez que a necessidade se empunhava, eu era invocado e lutava com a minha vida sempre que havia um conflito que ariscasse em extinguir a racha humana. Toda vez... Toda vez... E uma vez mais. Só que os ciclos não tinham fim, nunca tiveram. Eu lutei tantas vezes que não consigo nem lembrar quanto tempo se passou desde aquele fatídico dia.".

"Mas não há o que fazer, certo? Não importa quantos conflitos eu resolvesse, novos conflitos sempre eram criados. Eu nunca havia sonhado com um mundo livre de conflitos, tudo o que quis era um mundo em que ninguém chorasse. Isso porque um herói da justiça tem que continuar existindo enquanto ao menos um conflito ainda existir, então eu poderia continuar salvando pessoas durante toda a minha existência. Foi essa mentalidade que me condenou a crer que um contrato com Alaya era como um paraíso para alguém como eu." Archer disse enquanto fechava os olhos mais uma vez.

Tanto Izuku All might sentiram o estranho peso sobrenatural sobre os seus corações aumentarem. Pois essa vontade, esse ideal, definitivamente era o desejo que ambos compartilhavam, o desejo de poder salvar a todos durante toda a sua vida.

"E foi apenas nesse momento em que entendi o tamanho do meu erro e me dei conta de um fato que eu havia tentado ignorar por tanto tempo. O meu ideal era apenas egoísmo, hipocrisia e idealismo vazio." Archer compartilhou a sua conclusão sobre a verdade de si mesmo e All might não foi capaz de não fazer uma pergunta.

"...Por que motivo?" O herói número perguntou a sua dúvida, mas internamente ele já sabia a sua resposta.

"Pois salvar a todos é inviável." Archer o respondeu enquanto abria os seus olhos novamente, o cinza-claro encarou inexpressivamente o profundo azul-escuro. Desinteresse se encontrando com medo.

"Salvar a maioria ao custo da minoria, isso não te lembra de algo, All might? Deixar que alguns poucos morram, sejam eles bons ou maus, para que muitos outros possam ter mais um dia para viver. Você mesmo já deve ter se encontrado nessa mesma situação várias vezes durante a sua carreira como um herói profissional." O arqueiro de vermelho disse enquanto voltava a andar lentamente e recontava o seu passado.

"É por isso que fui forçado a matar. Eu atropelei dúzias de desejos para salvar uma pessoa e eu ignorei ainda muitas mais pessoas para salvar aqueles que havia atropelado. Matei inúmeras pessoas, resgatei somente aquelas que importavam para a missão e destruí muitos mais desejos. Eu continuei insistindo, dizendo para mim mesmo que "Isso finalmente ia acabar dessa vez, todo mundo ficara feliz dessa vez.". Mas nunca acabou, os conflitos continuavam vindo até mim enquanto eu ainda existisse. E nunca consegui fazer uma única pessoa deixar de chorar." Archer disse mecanicamente enquanto parava a dez metros de distância de All might. Suas palavras eram como um número ilimitado de espadas que esfaqueava a sua alma.

"Um herói deve salvar muitas pessoas, certo? Foi por isso que matei, mesmo sem desejar que ninguém morresse, eu matava um pelo bem de muitos. Eu disse que não deixaria ninguém triste, mas ao agir assim levei incontáveis ao desespero. Porém, com o tempo, eu me acostumei com isso, para proteger o meu ideal, eu continuei contra ele. Eu salvei as únicas pessoas que importavam ser salvas e rapidamente matei as que tentaram se opor a mim. Eu permiti que um fosse sacrificado para continuar protegendo o meu ideal." Archer continuou, finalmente chegando à conclusão do seu discurso.

"Essa é a verdade por trás do ideal de um herói da justiça, essa é a minha verdadeira identidade, o espirito heroico Emiya. Então me diga, All might, você não concorda que seria melhor se eu impedisse que outra pessoa assim surgisse?" Archer perguntou e as duas pessoas restantes no deserto de espadas entenderam de imediato do que ele estava falando. O símbolo da paz deu um passo para trás por reflexo e o jovem de pelo verde sentiu como se ele estivesse preste a vomitar.

"Nã-nã-nã-não, NÃO! E... Eu..." Izuku tentou argumentar enquanto encarava a Archer nos olhos, mas o simples fato de ver o rosto do contra guardião fazia essa tarefa impossível.

""Eu nunca seria assim, eu nunca mataria ninguém", é isso o que você quer dizer, certo?" Archer terminou a frase de Izuku enquanto o encarava sem emoção aparente.

"É bem aí que você se engana, Izuku Midoriya. Você deseja salvar a todos, sem exceções, isso inclui as pessoas que colocam outras em perigo. Porque você acredita que pode fazê-los mudar quem são se eles souberem que existem alguém que quer os ajudar. E esse mesmo desejo vai fazer com que as pessoas próximas a você paguem o preço pelas suas ações com as suas vidas. Porém, você vai continuar insistindo nessa linha pensamento, até que a sua mente finalmente colapse." Archer disse enquanto levanta a cabeça e olhava o céu nublado com engrenagens do seu mundo.

"Se você conseguir sair desse mundo com vida e se tornar um herói. Em algum dia você vai se encontrar em uma situação que você terá que matar alguém, e isso vai quebrar o seu espirito na metade. Uma parte sua vai entrar em desespero e tentara negar com todas as suas forças que a foi culpa sua. A outra perdera tudo o que definia quem você era por aceita que a única forma de resolver os conflitos é cortando o mal pela raiz." Archer explicou como a vontade atual de Izuku não possuía nenhuma lógica e voltou a encará-lo.

"É por isso que os seus ideais do que é ser um herói são hipócritas, Izuku Midoriya. Apesar de sermos dois seres diferentes, somos praticamente os mesmos em essência. Porém, você é ainda pior do que eu." Archer comentou e o genuíno ódio que a poucos instantes foi direcionado a All might, agora tinha Izuku como alvo.

"Eu... O quê...?" Izuku perguntou ainda ajoelhado no chão e estando honestamente confundido.

"De alguma maneira, você consegue ser uma mistura distorcida entre mim e defunto ambulante de ali. Como eu, você que salvar e fazer felizes a todos, porém isso vai te transformar em um genocida com ou sem Alaya descobrindo da sua existência. Como o All might, você quer ser o herói número um, não pela fama ou pelo dinheiro, mas para se tornar a esperança de todos os desafortunados, porém isso vai te transformar no novo símbolo de desespero. Você me entende agora? Sua admiração e fanatismo para se tornar uma cópia descarada de quem você enxerga como um exemplo vai te transformar no pior mau que pode existir. Um herói da justiça." Archer terminou de dizer tudo o que ele queria e permaneceu em silêncio enquanto olhava para um Izuku que o encarava com olhos sem vida.

"Então... O que eu faço...?" A pergunta do jovem de pelo verde saiu da sua boca como um sussurro, porém ainda era possível ouvir como as suas palavras carregavam desespero e súplica por ajuda.

"Eu já te dei uma opção, não dei?" O arqueiro de vermelho o respondeu inexpressivamente, e o olhar de Izuku se direcionou para baixo por reflexo.

O jovem garoto amente dos heróis nem reagiu quando ele viu o próprio reflexo na lâmina prateada que Archer havia jogado na sua direção a alguns minutos atrás. Seu corpo ainda estava coberto por uma mistura de suor e poeira da terra que o vento jogava no seu corpo. O seu cabelo estava ainda mais bagunçado do que o de costume e seus olhos ainda estavam vermelhos pelas lagrimas, em resumo, ele estava um verdadeiro desastre. Mas o que Archer havia dito estava tão errado assim?

O desejo para que ninguém fique triste, o desejo de salvar todas as pessoas possíveis. Quando esses dois desejos coexistem e se contradizem, só pode haver uma solução. As únicas pessoas que um herói da justiça pode salvar são aquelas ao lado dele, se alguém for perder tudo ou tentar salvar tudo. é o mais logico sacrificar um para salvar mais.

Mas não isso faz diferença, tudo o que sobra no fim é apenas desespero e é aí aonde tudo se concluiu. Ser aquele que repara o dano causado pelo desejo egoísta dos seres humanos. Não é um conceito muito diferente dos heróis, muito pelo contrário, os heróis são praticamente contra guardiões com datas de validades. Eliminar aqueles que não podem ser salvos como se eles nunca tivessem existido e repetir isso várias e várias vezes.

'E ele tem razão.' Foi o que Izuku pensou enquanto ele levava a sua mão até cabo da espada romana perto dos seus joelhos.

"Jo-JOVEM MIDORIYA!?" All might perguntou assustado ao ver a ação do seu sucessor.

"Não se intrometa, All might, ou a sua palavra não vale de nada?" Archer perguntou ameaçadoramente e o símbolo da paz apertou os dentes pelo desespero de não saber quais seriam as próximas ações de Izuku.

"Emiya-san, não há mais nada que você queira me dizer?" Izuku perguntou enquanto continuava olhando para o seu próprio reflexo, sua voz isenta de qualquer tipo de emoção.

"Fora que eu estou disposto a ser encontrado pela Alaya e ter que voltar a minha antiga rotina de contra guardião para evitar que você não se torne um herói da justiça. Não. Eu já disse tudo o que queria dizer." Archer respondeu secamente enquanto aguardava pelo próximo movimento de Izuku.

"Entendo." Foi tudo que Izuku disse enquanto se levantava e mantinha a cabeça abaixada. E para o alívio de All might e o interesse de Archer, ao invés de usar a espada na sua não direita para tirar a própria vida, ele deu alguns passos para frente e usou a sua mão esquerda para pegar e arrancar outra espada de estilo medieval do chão.

"Jovem Midoriya!" All might comentou aliviado enquanto um sorriso se formava no seu rosto por ver como o seu sucessor não havia escolhido seguir as ordens do espírito heroico.

"Oh... Sinceramente, eu já deveria esperar que você ficaria contra mim. Afinal, assim como eu não posso aprovar o seu sonho de tornar-se um herói, você também é incapaz de me aprovar. Aos seus olhos eu não passo de um ideal incorreto, não mesmo, Izuku Midoriya?" Archer perguntar enquanto forçava um sorriso que contrastava com o ódio e desprezo na sua voz.

"..." Izuku não disse nada por um momento, ele manteve a cabeça baixa enquanto o vento era o único som presente.

"Na verdade, não é isso Emiya-san. Eu acredito que tudo o que você disse tem bastante razão." Izuku finalmente respondeu depois de quase um minuto inteiro de silêncio enquanto levantava a cabeça e encarava os olhos cinza de Archer.

"Mas?" O contra guardião perguntou irritado por saber que o jovem de pelo verde ainda não tinha acabado.

"Mas ainda falta alguma coisa. Eu sempre acreditei que idealizar um futuro brilhante aonde tudo daria certo no final fosse o correto, e assim que eu tenho vivido até hoje. Porém, como você disse, isso com certeza está cheio de falsa coragem e inocência distorcida. Mas mesmo assim, mesmo que eu veja o sentido nas suas palavras, ALGO AINDA ESTAR FALTANDO!" Izuku gritou as suas últimas palavras, deixando que toda a frustração que ele estava sentido desce mais poder a sua voz.

"Eu não sei bem o que é, mas ainda falta alguma coisa no seu discurso. E eu acredito que a forma de encontrar essa resposta, é conhecer você melhor." Izuku comentou tentando expressar o máximo que confiança possível.

"Me conhecer melhor? Não há mais nada para saber sobre mim. Eu sou alguém que seguiu os seus ideais e sonhos hipócritas até depois do fim, e terminei me tornando o que jurei lutar contra. E um dia você irá acordar e então vai perceber que acabou em um futuro ainda mais miserável do que o meu." Archer respondeu secamente enquanto devolvia o olhar para Izuku.

"É, talvez você tenha razão. Talvez eu acabe me tornando uma pessoa horrível. Talvez eu me arrependa de tudo e condene o meu eu de agora pelo fim da minha jornada. Mas mesmo assim, talvez ainda tenha alguma coisa que eu precise saber, algo que me mostre um caminho aonde eu não termine em um futuro assim." Izuku comentou, sua voz chegando a um novo nível de seriedade nunca antes vista nele ele. Ele podia sentir como os seus circuitos mágicos se ascendiam com a sua mana fluindo sobre eles.

"Pensar de maneira tão insistente é o que vai causar a sua própria queda. Uma hora ou outra, chegara o momento onde você vai alcançar a mesma colina de espadas que eu." Archer argumentou mais uma vez enquanto faíscas azuis brotavam das suas mãos.

"Talvez haverá uma hora assim. E talvez ela chegue. Mas eu ainda preciso saber se existe uma maneira de evitar isso." Ele disse enquanto via como mais um sorriso falso brotava do rosto do contra guardião.

"HA! Muito pelo contrário, esse dia nunca chegara, pois você vai morrer de uma maneira ou outra antes que momento aconteça." Archer disse e ambos tomaram esse como o sinal para andarem um ao encontro do outro.

Archer estava com as mãos vazias enquanto Izuku já se encontra armado com duas espadas distintas, porém todos os presentes nesse mundo sabiam que isso não era uma desvantagem. A final das contas, Archer, apesar do nome da sua classe, não era realmente um arqueiro, muito menos um espadachim. Ele é um ser que cria espadas.

"Trace, on." Ambos os oponentes proferiram o encantamento para realizar os seus respectivos encantamentos.

Enquanto as características espadas gêmeas apareceram no mãos de Archer, os circuitos mágicos por todo o corpo de Izuku apenas brilharam por um segundo e logo se aparam. Se projeção e analise estrutural estavam fora de cogitação, então o jovem de olhos esmeraldas usaria e abusaria das suas habilidades de reforço ao máximo.

"Você realmente acha que consegue me acompanhar em um combate de vida ou morte? VOCÊ VAI MORRER NO PRIMEIRO DESLIZE QUE COMETER!" Archer ameaçou ferozmente, sua intensão de matá-lo estando mais clara do que nuca.

Izuku poderia ser um pouco distraído ou desastrado às vezes, mas ele não era um idiota no real sentido da palavra. Ele não acreditava que teria alguma chance de acertar um único golpe em Archer, mas esse não era o seu objetivo. Ele queria, não, ele precisava saber o que estava faltando, qual era talvez a sua única opção para poder realizar o seu sonho. Pois, ele não poderia ser em vão, poderia?

Ambos se preparam aguçando os seus sentidos, mais Izuku do que Archer. O vento assobiou entre a infinitas espadas, as engrenagens soaram enquanto continuavam trabalhando e All might sentiu como o seu coração parecia parar por um segundo pela antecipação.

Izuku de um passo para frente e o som da sua pisada contra a terra seca de mundo foi o sinal para o começo de tudo.

"AH!" Com apenas um único impulso, ambos os adversários se jogam um contra o outro, nuvens de poeira se formam onde eles estavam antes. Izuku avança rápida o bastante para parecer que possui uma peculiaridade de velocidade recém manifestada. Porem Archer foi rápida o bastante para desaparecer por completo da visão humana comum e chegar em Izuku primeiro.

Sem tempo para parar o seu avanço, o jovem de pelo verde ataca com a espada romana na sua mão direta para interceptar a silhueta quase invisível de Bakuya.

CRASH!

A espada em sua mão se estilhaçou como se fosse vidro ao colidir com a lâmina branca. A força por trás do ataque de Archer junto com o seu reforço de alto nível foram mais que o suficiente para reduzirem a espada romana em pedaços. Graças ao seu choque, Izuku conseguiu ver novamente a silhueta de Archer quando ele perdeu um pouco de velocidade.

O jovem de olhos esmeraldas virou um pouco a cabeça para o lado e ele pode ver como o contra guardião já preparava mais um ataque. Girando o seu corpo e movendo os seus braços mais rápidos que os seus músculos reforçados poderiam, ele conseguiu bloquear a estocada de Kanshou antes que ela pudesse atravessar o meio do seu peito. Mas a força de tau golpe foi ainda havia sido forte o suficiente destroçar a sua única espada restante e enviá-lo voando vários por metros.

Ele seguiu atravessando o ar por cinco segundos até finalmente se encontrar com o chão novamente. Izuku pode sentir como alguns arranhões se formavam por todo o seu corpo enquanto ele rolava no chão. Mas o pior foi a dor aguda que ele sentiu nas suas costas quando ele acabou se chocando bem na parte afiada de uma das várias espadas do mármore de realidade de Archer. Sendo o seu reforço de nível mediano a única razão dele não ter tido a sua espinha cortada pela metade.

"Guhhh!" Fazendo o seu melhor para ignorar a dor que sentia, Izuku se levantou rapidamente enquanto pegava mais duas espadas aleatórias e as arrancavas do chão. Ele precisou de apenas um segundo e meio para recuperar o equilíbrio, encontrar onde Archer estava, respirar fundo uma única vez e correr mais uma vez na sua direção.

Ele não havia conseguida dar dez passos e Archer já estava novamente a poucos metros a sua frente. Izuku levantou o braço direito para atacar novamente. A espada em sua mão brilhou em verde antes que ela se colidisse com Bakuya.

As espadas colidiram e Archer continuou avançando como um borrão mesmo após o seu ataque, mas para a sua mínima alegria, Izuku pode ver como a espada em sua mão apenas possuía algumas rachaduras no seu fio em vez de estar em pedaços. Usar reforço nas espadas que ele usasse ajudaria que elas durassem um pouco mais de tempo antes que ele precisasse pegar um novo par.

Porém, sem tempo para comemorar, Izuku rapidamente se virou e conseguiu bloquear a tempo mais um ataque de Archer. O contra guardião não deixou isso de graça e se móvel em zig zag enquanto desferia mais dois golpes. Izuku conseguiu bloquear o primeiro bem, mas segundo veio com uma quantidade ainda maior de força que o fez recuar alguns metros para trás enquanto as solas dos seus tênis derrapavam pelo chão.

Quando ele se recuperou, o jovem de pelo verde já não podia ver aonde o contra guardião se encontra. São os sons do ar sendo atravessado e a terra sendo pisada vindo de trás dele que o alertam sobre a nova localização de Archer. Izuku rapidamente contorce o seu corpo e desfere o seu segundo golpe em toda a luta, porém ele é facilmente aparado como se não nada pelo arqueiro de vermelho. Com a sua guarda totalmente aberta, Izuku se assusta pelo próximo contra-ataque de Archer, mas ele se alivia quando tudo que ele recebe e um forte chute bem no estômago.

"Gagh!" O jovem grunhi de dor enquanto se afasta do seu oponente, ele tem apenas um segundo para respirar quando Archer gera mais uma explosão de poeira e terra quando ele salta outra vez. Em um pescar de olhos, o contra guardião desaparece e reaparece a apenas meio metro na sua frente, com Kanshou vindo por baixo e tendo a sua garganta como alvo.

Izuku consegue bloquear o golpe mais uma vez, mas a resistência das suas espadas continua diminuindo rapidamente a cada golpe. Sem perder tempo para alinhar a sua mente, Izuku desfere mais um golpe enquanto avança e ele se encontra com o de Archer que fez quase o mesmo movimento. Eles se colidiram e trocam de lado.

Izuku rapidamente tentou desferir outro golpe com a espada na sua mão direito, mas ela foi novamente bloqueada por Bakuya como se não fosse nada. Antes que tivesse a oportunidade de escolher o seu próximo movimento, em menos de meio segundo, Archer deu um passo para trás e o acertou bem meio do seu peitoral com o pomo de Kanshou. A força do golpe foi tão poderosa que gerou uma pequena explosão de ar e mandou o pequeno amante de saindo voando novamente.

Izuku caiu de costa contra o chão mais uma vez, mas para sua sorte ele não atingiu nenhuma espada durante a sua queda. Aproveitando como a adrenalina diminuía a sua sensibilidade a dor, ele desajeitadamente se coloca de pé mais uma vez enquanto respira com dificuldade.

"JOVEM MIDORIYA!" O grito preocupado de All might vindo de trás dele é como música para os seus ouvidos, pois o lembra que ele ainda está vivo. Izuku ver como Archer permanece parado no mesmo lugar sem nenhum indício que vai se mover novamente tão sedo, então ele aproveita o mento para fazer uma revisão rápida do seu estado atual.

'Reservas de mana? Ainda tenho bastante sobrando. Ferida leves? Um corte pequeno nas minhas costas e quase todas as articulações dos meus braços e pernas doem. Feridas letais? O meu osso que da frente que liga as minhas costelas, qual era mesmo o nome? Tanto faz! Com certeza estar quebrado, mas não rompido. Pelo menos não o suficiente para ferir nenhum órgão interno, eu acho.' Izuku revisou tudo mais uma vez e assentiu com a cabeça internamente, ele não estava bem pro começo da sua luta, mas poderia ser pior.

"Humn... Apesar de o seu reforço estar dia, suas habilidades em combate estão realmente piores do que eu esperava. Honestamente acreditava ter treinado você melhor." Archer comentou como se quisesse contar uma piada, mas nem a sua voz ou o seu rosto demonstravam qualquer sinal de diversão.

"Mas de qualquer maneira. Izuku Midoriya, sua morte é um fato imutável." Archer afirma enquanto entrava em uma postura de luta, Izuku estreitou os olhos enquanto entrava na sua própria postura.

O estilo de luta de Archer, resumidamente, era suicida em todo o sentido da palavra. Ele deixa aberturas propositais na sua guarda para que inimigos experientes as atacassem, então ele poderia saber exatamente aonde ele precisaria bloquear para contra-atacar logo em seguida. Apesar de ele ter aprendido um pouco desse estilo de luta, era inútil que Izuku tentasse usá-lo com quem o criou. Então um estilo improvisado misturando a técnica de duas espadas, Hyoho Niten Ichi Ryu, criada por Miyamoto Musashi e várias técnicas de lutas diferentes ensinadas nas escolas de esgrima medievais era a sua melhor e talvez única opção.

Ambos se encaram novamente, os ruídos do mármore de realidade se tornaram os únicos sons presentes mais uma vez. All might tensamente os olhava de longe. Apesar que ele mesmo estava acostumando a romper a barreira do som diariamente como se não fosse nada, ele ainda se surpreendeu pelas velocidades de Archer e Izuku. O seu sucessor estava se saindo incrivelmente bem contra um oponente habilidoso como Archer, mesmo que ele não intendesse nada de esgrima, ele pode ter certeza que Izuku nem chegava perto de ser um amador nessa área.

Mas a sua verdadeira preocupação agora era Archer. O homem de vestes vermelhas não era só habilidoso, mas o poder que a sua magia o concedia era impressionante. Se ao seu ver era como se ele se tornasse um borrão quando atava ou se movia, All might acreditava que para Izuku era como se contra guardião literalmente se tornasse invisível por um momento.

All might não duvida das habilidades do seu sucessor, mas ele não conseguia evitar o sentimento de preocupação que crescia constantemente dentro do seu peito. Ele deu um passo para trás para garantir que não acabasse ficando no meio da luta, mas aparentemente, ambos os lutadores tomavam o som da ação como um sinal para continuarem.

"AAAH!" Os dois gritaram e avançaram para o ataque novamente.

Os circuitos mágicos de Izuku brilham mais uma vez enquanto ele aumentava a quantidade de mana no reforço do seu corpo, tomando o máximo de cuidado para não ultrapassar o seu limite e acabar quebrando os seus ossos ou distendendo os seus músculos. Com o novo aumento das suas capacidades físicas, ele conseguiu bloquear um pouco melhor os ataques consecutivos de Archer. Porém, lentamente o contra guardião ia aumentando cada vez mais a força dos seus golpes, chegando ao um ponto que Izuku apenas conseguia redirecionar os seus ataques para não o matassem instantaneamente.

Alguns cortes superficiais cobriam o seu corpo da cintura para cima, o sangue que escoria manchava levemente a sua camiseta branca, mas não era nada critico que o afetasse de mais.

Porém, as espadas em suas mãos finalmente chegaram ao seu limite quanto Archer desferiu dois ataques simultaneamente. Ambas as lâminas se estilhaçaram em pedaços e Izuku foi enviado voando contra o chão pela terceira vez.

"ARGH!" Izuku gritou quando ele caiu novamente, mas dessa vez ele aproveitou a sua velocidade para girar no chão e parar em posição ajoelhada.

"Droga!" Ele reclamou para si mesmo enquanto levantava pela terceira vez, pegava mais um par de espadas e as reforçavas.

Eles avançaram mais uma vez e como sempre, Archer era quem atava primeiro. Ele desferiu um forte golpe, muito mais do que todos os anteriores, mas Izuku ainda conseguiu bloqueá-lo e Archer seguiu avançando depois do jovem de pelo verde devido à alta velocidade do seu impulso anterior. Porém, com um único chute contra o chão, o arqueiro de vermelho foi capaz de mudar a sua trajetória instantaneamente.

Archer girou o seu corpo no ar enquanto preparava um ataque mirando no estômago de Izuku. O mesmo conseguiu defendê-lo novamente, mas a força ainda maior do que o anterior foi a bastante para o erguer a alguns centímetros no ar. Archer redirecionou a sua trajetória novamente e foi até a lateral esquerda de Izuku para o atacar mais duas vezes. Ambos os ataques foram defendidos pelo pequeno garoto de olhos esmeraldas.

Izuku recuperou o equilíbrio quando os seus pés pousaram novamente no chão, porém ele imediatamente cruzou ambas as espadas em um x quando ele viu que outra estocada de Kanshou vinha em direção ao seu coração. Entre tanto, o golpe foi forte o suficiente para explodir ambas armas em milhões de pequenos pedaços e empurrá-lo alguns metros para trás de novo. Mas dessa vez ele conseguiu ter força o bastante nas pernas para se manter de pé.

Os ataques de Archer estavam cada vez mais fortes, o que significava que as espadas que ele usava perdiam a resistência cada vez mais rápido também.

'Bem, merda!' Izuku pensou para si mesmo enquanto repetia o processo de pegar mais um par de espadas e reforçá-las.

Archer saltou, de alguma maneira ele fez com que o seu corpo caísse mais rápido do que deveria e desferiu um golpe com Kanshou com o intuito de decapitar a Izuku. O mesmo viu isso chegando e desferiu o seu próprio ataque para bloquear o do contra guardião. Mas o melhor que ele conseguiu foi ter um longo, porém superficial, corte na sua bochecha esquerda ao invés da cabeça separado do seu corpo. A espada em sua mão nem havia tentado resistir e ela também se juntou as suas outras irmãs na lista de armas destruídas por Kanshou e Bakuya.

"AAH!" Izuku gritou devido à dor no seu rosto enquanto dava alguns passos para trás e para sua surpresa/alivio, Archer havia parado de atacá-lo.

O contra guardião o observou enquanto o jovem ferido na sua frente lutava para conseguir mais ar. Izuku viu essa como a oportunidade de conseguir recuperar um pouco do folego e tentou alongar essa pausa o máximo possível.

"Bem... Parece que... As minhas habilidades de luta... Realmente não são das melhores... Hahaha..." Izuku comentou ironicamente enquanto devolvia o olhar a Archer e usava de todas as suas forças para fazer com que o seu olho esquerdo não se fechasse por causa da dor.

"Sim. Você até pode entender o conceito por trás das técnicas que você estar tentando misturar, mas ainda lhe falta muita experiência." Archer comentou enquanto endurecia o seu olhar e se ele não estivesse tentando matá-lo, Izuku poderia facilmente acredita que eles estavam em apenas mais uma das suas seções de treino enquanto ele dormia.

"Verdade. Então acho vou tomar toda experiencia de hoje, PARA MELHORAR NO FUTURO!" Izuku gritou enquanto avançava contra Archer e mesmo se matinha parado. Enquanto ele corria, Izuku arrancou mais uma espada do chão e a reforçou ao máximo que ele podia sem explodi-la ao mesmo tempo que ele a usava para atacar a Archer pela sua esquerda.

Porém, em um único movimento, quase parecendo entediado, Archer parou o seu ataque usando Bakuya como se não fosse nada. Mas por um milionésimo de segundo, linhas como circuitos mágicos pareciam terem aparecidos em ambas as espadas e brilharam de verde e azul.

Nesse momento, a mente e o corpo de Izuku Midoriya simplesmente travaram, como se eles tivessem sidos congelados no tempo. Uma estranha sensação percorreu o seu corpo, a sua alma, os seus circuitos mágicos, ela é simultaneamente nostálgica e desconhecida. Todo o seu ser para por não conseguir compreender essa nova sensação, a sua distração foi tanta que ele apenas se deu conta do chute que Archer havia dado no lado esquerdo do seu tronco quando ele já está a metade do caminho para se encontra com o chão mais uma vez.

Izuku voltou a si nesse instante, ele contorceu o seu corpo para bater os seus pés no chão e se virar na direção de Archer. O qual já estava a caminho de atacá-lo mais uma vez, ele desferiu uma sequência de três ataques. Dois cortes vindo da direita com Kanshou e Bakuya, e um descendente com Kanshou. O jovem de pelo verde desferiu mais ataques para aparar os dois primeiros de Archer, mas no último ele teve que cruzar as suas duas espadas novamente para não ter a sua cabeça partida ao meio.

E mais uma vez a estranha sensação atravessou tudo o que estava relacionado a sua existência, dessa vez ele pode ver como os mesmo brilho de antes aparecia nas suas espadas e em Kanshou. Entre tanto, dessa vez ele havia sentido algo a mais, com a estranha sensação, ele poder sentir como parecia que um pouco das suas forças e a sua mana retornavam.

Sem ter mais tempo para divagar, ele cruzou as suas espadas em outro x e aumentou o seu reforço quando ele notou que Archer dava um passo para trás e parecia preparar um ataque. Em um rápido clarão de Luz, o contra guardião dois golpes em uma velocidade sobre-humana. Um corte pela sua esquerda com Bakuya e um corte ascendente com Kanshou. Izuku foi levantado a alguns centímetros do chão enquanto as espadas chegavam quase ao seu limite.

Enquanto seu corpo flutuava, todo o mundo pareceu ficar em câmera lenta e mesma sensação estranha percorria o seu corpo pela terceira vez. Os circuitos mágicos de ambos os seus braços se ascenderam contra a sua vontade e brilharam intensamente. Com Mais um pouco das suas forças sendo estranhamente recuperados, Izuku decidiu tomar uma escolha de poderia ser um pouco estupida, mas valeria a pena se desse certo.

Usando toda a força que tinha nas suas pernas, ele as forçou a se encontrarem no chão novamente. Elevando o nível de mana do reforço das suas espadas além do limite seguro, Izuku usou ambas para realizar um duplo corte descendente. Elas se moveram em uma explosão de velocidade e enquanto elas desciam, ambas as espadas brilharam de um verde tão forte que pareceram estarem feitas de pura luz. Por meio segundo, o jovem de pelo verde jurou ter visto os olhos cinza de Archer se abrirem de surpresa quando o seu ataque estava a poucos centímetros de se encontrarem com o seu peitoral.

Ouve um grande clarão de luz e logo o som de uma explosão. All might precisou de um segundo para recuperar a sua vista e alguns mais para esperar que a nuvem de poeira aonde Archer e Izuku estavam agora pouco se abaixasse. Quando isso aconteceu, ele se aliviou e se preocupou simultaneamente. Alivio que Izuku estava aparentemente bem, tirando almas queimaduras nas suas mãos. E preocupação por ver que aonde Archer deveria ter estado de pé, com uma grande ferida de queimadura no seu peito, não havia ninguém. A nuvem de poeira abaixou mais um pouco e ambos se surpreenderam/assustaram com o que viram.

Archer estava de pé, a seis metros de distância onde ele estava anteriormente, sem uma única ferida no seu corpo, nem sequer um único fio da sua roupa estava queimado mesmo após ataque de dois fantasmas quebrados de ranking baixo de Izuku. Seu rosto estava franzido em uma expressão reflexiva, após alguns segundos a expressão se aliviou um pouco e ele assentiu com a cabeça.

"Entendi o que foi aquela sensação estranha de antes. Inconscientemente o seu corpo começou a acelerar o processo de transferência entre nós. Toda vez que colidimos com as nossas espadas, você puxa um pouco do meu poder para si. Que habilidade bem irritante você conseguiu do nada." Archer disse com clara irritação na sua voz.

"Faz sentido. Mesmo que eu não faço ideia de como eu estou fazendo isso, acho que só assim mesmo para eu conseguir te acompanhar numa luta." Izuku disse enquanto tentava fingir o melhor sorriso arrogante que conseguia no momento.

Ele sentia dor por quase todo o seu corpo. Os cortes feitos por Archer ainda ardiam como um inferno, mesmo que fossem superficiais. Todos os seus músculos e articulações doíam, a ferida nas suas costas continuava sangrando e, por mais difícil de acreditar que fosse, as queimaduras de primeiro grau nas suas mãos eram o que menos o incomodava.

'Acho que preciso agradecer ao Kacchan por isso.' Izuku pensou para si mesmo enquanto lembrava das vezes em que ele foi obrigado a suportar a dor de ser queimado quando Bakugou gerava várias queimaduras por boa parte do seu corpo quando ele o espancava com a sua peculiaridade. Só Deus sabia como ele nunca ficou com nenhuma cicatriz devido a isso.

"Me acompanhar? É aí que você se engana." Archer comentou secamente enquanto Izuku dava alguns passos para trás e pegava outra par de espadas.

"Que engano?" Izuku questionou na tentativa de conseguir mais tempo, mas ele instantaneamente se arrependeu da sua pergunta quando viu Archer se inclinando levemente para frente.

Com um forte impulso, o contra guardião foi até Izuku em menos de um segundo e o jovem mago em treinamento quase não conseguiu mover as suas novas espadas rápido o suficiente para bloquear Kanshou e Bakuya. Sem precisar dar nem mais um passo, Archer conseguiu empurrar o garoto de pelo verde por mais cinco metros antes que ele perdesse a força do seu impulso salto anterior.

Izuku aumentou ainda mais o seu reforço nas suas pernas e braços para não ceder a força esmagadora de Archer, e quase cedendo, ele conseguiu se manter firme de pé mesmo com o contra guardião continuamente fazendo mais e mais força com Kanshou e Bakuya contra as espadas que ele usava para se proteger.

"VOCÊ NÃO NUNCA TEVE A MENOR CHANCE CONTRA MIM!" Archer gritou enquanto aplicava ainda mais pressão contra as espadas de Izuku e ele grunhiu pelo esforço de não permitir que Archer o empurrasse para trás.

Mais uma vez, os dois pares de espadas brilham de verde e azul enquanto faíscas brotam dos pontos aonde os fios das lâminas se encontram. E Izuku pode sentir novamente como gradualmente as suas forças se recuperavam com a estranha sensação de antes. Porém, devido ao contato prolongado, a estranha sensação se converteu em uma aguda dor que começou pela sua cabeça, ela logo seguiu aos seus olhos e ele pode sentir como se os seus glóbulos oculares estivessem queimando. A dor era tão grande que o distrai da ardência dos cortes espalhados pelo seu corpo.

Sua cabeça se sente como uma fornalha preste a explodir, o seu cérebro parece queimar e virar um carvão dentro do seu crânio, e ele gradualmente perde o tato das suas extremidades. Enquanto a sua visão se avermelhava e parecia se tornar estática, a última coisa que Izuku Midoriya pode ver antes de perder a visão foram cinzas olhos irritados de Archer.


As chamas queimavam, os prédios continuavam caindo e as pessoas gritavam pelas suas vidas. Izuku Midoriya viu com os seus próprios olhos o que apenas poderia ser descrito como um verdadeiro inferno na terra. Ele não sabia onde estava, porque ele estava aqui ou como parou ali, mas isso não poderia o importar menos. Por um segundo ele achou isso estranho, como se o correto fosse que ele entrasse em pânico e corresse para ajudar as pessoas, mas ele não sentia nada. Um vazio não natural percorria pelo seu ser, um vazio refletido nos seus olhos verde escuros sem vida.

Ele sabia quem era, mas quem ele realmente era? O que ele queria? O que ele estava fazendo antes disso? O que era isso tudo?

Bem, nenhuma dessas perguntas tinha uma resposta, mas ele não se importava muito com isso. Ele sem se preocupava em sobreviver, já que as chamas do incêndio não o afetavam e os destroços passavam através dele quando caiam, ele estava morto? Ele era um fantasma? O jovem abandonou o começo de uma crise existencial quando algo chamou a sua atenção no canto da sua visão.

Um pequeno garoto, de provavelmente cinco ou seis anos e com o cabelo ruivo, caminhava em meio a esse inferno. Izuku pode ver como os seus olhos também não possuíam nenhuma luz enquanto ele continuava andando e ignorava as pessoas que pediam a sua ajuda. Ao ver isso, ele pode sentir algo pela primeira vez que desde que ele havia se encontrado nesse desastre.

Culpa, uma dolorosa e pesada culpa. Mas por quê? Isso tudo era a sua culpa? Ele era o responsável pela morte e dor de todas as pessoas nesse fim de mundo? Era ele quem deveria estar queimando no fogo enquanto os demais sobreviviam?

Todas as perguntas que Izuku fazia sobre si mesmo pararam quando ele tonou como o garoto sessava a sua caminhada e olhava para cima. Seguindo o seu exemplo, ele redirecionou o seu olhar para onde garoto ruivo olhava e tudo o que os seus olhos viram foram como o topo de um prédio que despencava e cair bem em cima de aonde o garoto estava.


O vento soprava as folhas, os grilos tocavam a sua melodia e metade do mundo era iluminado pela luz da lua. Izuku Midoriya viu com os seus próprios olhos o que poderia ser descrito como uma paisagem reconfortante. Era uma bela e agradável noite, uma noite que valeria a pena ficar acordado sem fazer nada. Agora ele não se sentia tão vazio assim, a culpa ainda residia dentro de si, mas era muito mais leve do que antes. Apenas uma tranquila e calma paz era o que habitava maior parte o seu ser.

"Ei, velho. Se você for dormir, faça isso na cama." Izuku saiu do seu estado de divagação quando ele ouviu o que parecia a voz de uma criança.

Agora que ele prestava mais atenção no seu entorno, o adolescente de pelo verde pode ver como ele estava na varanda do que parecia uma grande casa de estilo japonês antiga. A sua esquerda, duas pessoas se sentavam no chão enquanto observavam o céu. Uma delas era um homem de cabelo e olhos negros e a outra era o mesmo jovem ruivo que ele havia visto antes, mas ele parecia um pouco mais velho agora.

"Está bem... Na verdade, não, vou ficar por aqui mesmo." Izuku ouviu o homem adulto comentar enquanto ele se aproximava. ele supôs que não poderia interagir ou falar com eles, mas mesmo assim ele queria ouvir a sua conversa mais de perto.

"Quando eu era pequeno, eu queria ser um herói da justiça." O adulto de pelo negro comentou e Izuku parou repentinamente de andar ao ouvir essas palavras. Uma estranha dor de cabeça o atingiu, era como se seu subconsciente quisesse se lembrar de algo, mas ele próprio não o permitia.

"O quê? Como assim você "queria" ser um? Você desistiu?" O garoto ruivo perguntou, estando honestamente confundido e curioso. Isso foi o bastante para que Izuku deixasse de prestar atenção as suas dores internas e voltasse novamente a sua atenção a dupla.

"É uma infelicidade, mas sim. Se tornar um herói é algo limitado. Quando você cresce, fica difícil virar um. Eu deveria ter percebido isso antes." O homem comentou sem muitas forças nas suas palavras, como se algo parecido ao cansaço, mas simultaneamente diferente, tentasse fazê-lo cair no sono.

"Entendi. É uma pena." O jovem sentado ao seu lado simplesmente disse enquanto assentia com a cabeça.

"Sim. Você tem toda a razão." O cansado adulto comentou de volta enquanto levantava a vista e olhava para o céu novamente.

"Oh! A lua está muito bonita hoje." Ao ouvir as palavras do homem, Izuku moveu a sua cabeça e olhou para o satélite natural do planeta terra.

Fora as poucas nuvens no céu, a lua cheia estava completamente visível. A luz que ela refletia do sol para a terra iluminava lindamente a ele e todo o entorno a sua volta. Gerando uma paisagem que chamaria a atenção de alguém que ela estivesse em um cartão postal.

'É verdade. Mas desde que o Emiya-san me contou sobre o Moon Cell eu não consegui mais vê-la da mesma...' Esse único pensamento foi o bastante para fazê-lo se dar conta da verdade.

"ARGH!" Izuku gritou de dor quando um tsunami de memórias atacou a sua mente. Quem ele era. A sua vida. All might. One for all. Archer. Magecraft. Emiya. Unlimited blade works. Lutar pela sua vida. Ele se apoiou sobre os seus próprios joelhos para evitar cair enquanto respirava pesadamente.

"Porcaria! Como eu não tinha me dado conta disso antes!? EU PRECISO ENCONTRAR UMA MANEIRA DE VOL...!" Izuku não pode terminar a sua frase quando ele ouviu a voz do garoto sentado soar mais uma vez.

"Sim. Já que você não pôde, eu farei isso por você." A criança de pelo alaranjado disse com inocência e orgulho enquanto encarava quem provavelmente era o seu pai.

Tanto o homem de olhos cansados quanto Izuku se surpreenderam pela sua afirmação e se virarão para o olhar.

"Você é um adulto agora, então você não pode. Mas eu posso. Pode deixar comigo, eu vou realizar o seu sonho." O garoto afirmou confiante como se já estivesse decido que ele realizaria isso independentemente do que acontecesse.

"Sim. Posso ficar tranquilo agora então." O pai do garoto disse tranquilamente enquanto fechava os olhos e um sorriso tranquilo surgia no seu rosto.

"..." Izuku não disse nada enquanto ele encarava a cena que acontecia na sua frente. Normalmente ele se emocionaria com uma coisa como essa e tiraria disso mais inspiração para também se tornar um herói. Mas por alguma estranha razão, ele era incapaz de sentir outra coisa que não fosse uma tristeza imensurável pelo que via. Como se o que ele visse fosse o ponto de ignição para uma terrível tragédia.

Mas o adolescente de pelo verde não pode mais pensar nisso quando ele viu o corpo do homem adulto cair sem vida de costas para o chão.


A água se movia calmamente, os sons de tiros podiam ser ouvidos a distância, uma voz respirava ofegante e as chamas azuis estalavam. Izuku se surpreendeu quando em um piscar de olhos, todo o mundo a sua volta havia mudado mais uma vez. Por um segundo ele se assustou com as chamas azuis no chão que rosavam nas suas pernas. Mas seu medo se foi quase imediatamente quando ele não notou uma única sensação de calor vindo do fogo de cor não natural.

Izuku ergueu a sua cabeça e abriu os olhos em espanto por ver onde estava. Parecia o interior de algum tipo de usina de energia. Algo semelhante a várias piscinas profundas se espalhavam pelo centro do grande salão metálico e ele se preocupou um pouco quando ouviu novamente o som de armas de fogo soarem novamente. Mas tudo perdeu a importância quando seus ouvidos capitaram uma estranha nova voz.

"Então. Eu te pergunto, Shirou Emiya, você aceita o meu contrato?" Uma voz feminina veio de trás dele enquanto dizia essas palavras, ela estava distorcida, como se estivesse usando algum tipo de filtro de som estranho.

Mas Izuku nem se importou com isso, afinal, ele estava mais preocupado tentando não ter um ataque do coração. Todo o seu corpo havia travado e ele sentia como o seu sangue tivesse sido congelo instantaneamente ao ouvir essas palavras. Seu celebro super acelerado já tinha encontrado a justificava de tudo que estava acontecendo, mas ele não queria aceitar. Ou melhor, o medo não lhe permitia aceitar.

Contra a sua própria vontade, o seu corpo lentamente se virou de costas e Izuku pode ver algo que ele nunca mais gostaria de ver em toda a sua via. Agora, bem na sua frente, o mesmo garoto de antes se apoiava sobre o corrimão de uma das passarelas que passavam por cima das "piscinas". Mas dessa vez ele parecia muito mais velho do que antes, mesmo de costas, Izuku chutaria que ele estava com um pouco mais de vinte anos. Porém, o que mais chamou a sua atenção o que estava na frente dele.

Uma esfera de energia azul com dois anéis que giravam em sua volta flutuava sobre a aproximadamente quatro metros sobre uma das piscinas.

"A... Alaya...!" Os pensamentos de Izuku se manifestaram como um sussurro sem que ele se desse conta.

Ao ver essa cena, a realização mantida dentro da sua mente e fluiu pelo resto do seu ser. E ele era mais assustadora do que ele pensava. Eram as memórias de Archer, o melhor, as memórias de Shirou Emiya. Não, as memórias de alguém que alguma vez foi Shirou Emiya. O processo de transferência que o seu corpo estava forçando a acelerar deveria estar puxando algumas das memórias da vida de Archer junto com o seu poder. E o que ele estava testemunhado era o início da queda de um garoto sonhador.

"Se isso fazer com que mais ninguém chore, então... Eu aceito." Shirou Emiya disse quase sem forças enquanto encarava a manifestação da contra força.

Sem proferir mais nenhuma palavra, múltiplos fios de luz saíram do orbe de energia e foram em direção ao homem ajoelhado no chão. Eles fizeram contado com o seu corpo e se espalharam como veias, modificando para sempre o seu ser e condenando o destino da sua existência.


Tudo após isso havia sido confuso, talvez toda a experiência que ele passou havia durado pelo menos um bilionésimo de segundo na vida real, mas para ele tudo parecia ter durado dias e dias de observação constante.

Porém, se Izuku Midoriya tivesse certeza de algo, era que tudo o que ele viu foram pedaços soltos e embaralhados das memórias de Archer. A razão de como uma pessoa sonhadora se tornou o amargurado espirito heroico Emiya.

Izuku nunca saberia dizer se tudo o que ele presenciou havia sido correto ou não. Apesar de muitas vidas terem sidas tiradas como se não possuíssem nenhum valor, muitas outras haviam sidos salvar para poderem viver. Alguns julgariam e condenariam tão ação sem nem pensar duas vezes, outras concordariam que essa era a única maneira e mais nada poderia ter sido feito. Mas no final, ninguém realmente poderia determinar se foi certo ou errado.

As ações belas foram feitas de maneira horrenda e as ações horrendas foram vistas como bonitas. Mas assim que você olhasse de uma maneira mais objetiva, não haveria nada de repugnante ou amável. Então, mesmo considerando isso tudo, como ainda poderia existir uma divergência tão grande assim?

Tudo o que ele viu também tinha sido visto muito tempo antes pelo contra guardião vazio. Sofismo, egoísmo, engano, vaidade, sadismo, luxuria e cobiça, todas as características que faziam os seres humanos serem humanos de verdade.

Mas mesmo assim, o contra guardião não se importou, ele apenas se virava de costas e seguia para o próximo objetivo. Afinal das contas, ele tinha um ideal e uma promessa que a cumprir e ele os cumpriria a acima de qualquer coisa. Ele nem se importou com o que ou quem ele teve que abandonar para poder fazer isso.

Mesmo quando as pessoas que ele confiou apunhalavam as suas costas, o contra guardião não guardou nem sequer uma única gota de rancor. Humanos eram egoístas e se ajudavam com segundas intenções, isso era o que os faziam previsíveis. Como ele sequer imaginou que uma pessoa confiaria em alguém verdadeiramente desinteressado em receber uma recompensa pelos seus atos? Por isso ele não se importou, acreditando que haveria uma próxima vez melhor se ele não traísse a si mesmo. Então, ele continuou seguindo, não demonstrando pesar ou dor.

Ele era visto como uma máquina de sangue-frio para os outros, uma existência conveniente, então ele foi convenientemente usado, como uma simples ferramenta que tinha apenas uma função. Mas independentemente disso, a máquina tinha um ideal que desejava proteger, e para isso, ele aceitou a sua função como uma ferramenta conveniente.

Não era, não foi e nuca será algo para se orgulhar. Quanto mais pessoas ele era obrigado a matar e impedido de salvar, menos ele pode se orgulhar sobre o seu ideal. Fora o sangue em suas mãos, o arrependimento e a angústia, a única coisa que lhe sobrou foi obstinadamente proteger o seu ideal até o fim. E o resultado disso tudo, o ideal de Shirou Emiya nunca pode ser realizado, e ele descobriu que isso era só um absurdo sonhado por um idiota que nunca passou de somente um incômodo aos que alguma vez se importaram com ele.

Esse havia sido o final dele. Esse irá ser o seu final.

A mente de Izuku já tinha desistido há muito tempo. Ele sentiu compaixão. Ele sentiu pena. Ele sentiu lastima. Ele sentiu dó. Ele sentiu tristeza. Ele se sentiu em luto. Sua mente já tinha desistido ao aceitar que esse era o seu futuro miserável. O futuro de alguém que seguiu o mesmo ideal imutável até fim.

O que Shirou Emiya acreditava e continuou acreditando até o fim da sua vida, o que Izuku Midoriya também acreditava e queria continuar acreditando. Não passava de uma fantasia coberta com mentiras e hipocrisia.


O jovem de pelo verde voltou a realidade quando ele ouviu Kanshou e Bakuya cortando o metal das espadas em suas mãos. Sem muitos o que fazer, Izuku desfez o reforço sobre as armas e deu um salto para trás. Mas suas pernas ficaram estranhamente sem forças e ele apenas pode se afastar dois metros de Archer, caindo de bunda no chão enquanto as suas antigas armas eram estilhaçadas.

"Essa expressão no seu rosto, a expressão de alguém que vai vomitar a qualquer segundo. Você viu, não viu? A aceleração no processo de transferência te deu algo a mais do que apenas uma gota do meu poder, não é mesmo?" Archer perguntou inexpressivamente enquanto olhava para o rosto pálido e aterrorizado de Izuku.

"Então isso facilita muito as coisas para mim. Escute bem, Izuku Midoriya. Tudo o que lhe foi mostrado é a mais pura verdade. Ser igual a mim, significa isso, você pode ver aqui mesmo, O MUNDO AONDE O MEU IDEAL ME LEVOU!" Archer gritou enfurecidamente enquanto levantava os braços e sinalava o lixão de armas em que eles se encontravam lutando.

"Agora. Eu irei te dar a alternativa mais fácil uma última vez. Cometa suicídio, Izuku Midoriya." Archer ordenou como se não fosse nada.

O adolescente assustado encarou o contra guardião por um instante e então abaixou a cabeça sem mais forças para suportar o seu olhar crítico. Ele não queria mais lutar, ou melhor, ele não sabe pelo que lutar. Archer tinha razão, ele era o pior tipo de pessoa que poderia existir, ele condenaria, mataria e atormentaria a todas as pessoas do mundo se ele seguisse o seu sonho. Com o One for all e as habilidades de Archer, Izuku Midoriya poderia se tornar a personificação perfeita do que era um herói da justiça. Ele se tornaria o futuro miserável de cada pessoa do mundo.

Lentamente, Izuku se levantou do chão, pegou mais um par de espadas do chão e as reforçou.

"Honestamente. Isso já chegou a ser irritante. O que você acha que vai acontecer? Que você vai conseguir um Plus Ultra milagroso durante a sua vida? QUE VOCÊ VAI SER UM HERÓI PERFEITO!? QUE NUNCA VAI SE ABALAR POR NADA!? QUE VOCÊ NUNCA VAI SER COMO EU PORQUE VOCÊ É MELHOR!? VAMOS! ME RESPONDA! IZUKU MIDORIYAAAAA" Archer gritou aos quatro ventos com toda a amargura, ódio e rancor que existia no seu coração.

"..." Izuku não responde nada enquanto continua de cabeça baixa.

"Por que você nunca consegue aceitar a verdade mesmo com ela sendo esfregada na sua cara?" Archer perguntou, sua voz mais calma agora soava mais desapontada do que qualquer outra coisa.

"Salvar alguém só por querer salvá-la sempre será errado. Falhas humanas como nos são enganações que nunca deveriam existir, nós não merecemos viver. Eu sou parte dos seus ideais. Então você deveria já ter entendido que jamais será páreo para mim." Archer argumentou mais uma vez e Izuku não disse nada.

Ele sabia, ele já tinha aceitado isso, ele não tinha como refutar todos esses fatos. Seu sonho era estupido, todos sempre disseram isso e agora ele concordava. Izuku Midoriya não era um Deku inútil, ele era um Deku miserável. Não tinha mais pelo o que ele lutar. Mas mesmo assim...

"AAAAAH!" Izuku gritou enquanto reforçava as suas pernas e ia até Archer com um único salto. As espadas em suas mãos se moveram em formato de x para acertar o contra guardião no peito. Mas Archer nem demonstrou incomodo enquanto ele usava Kanshou para bloquear ambas as armas.

"Entendo. É burrice da minha parte tentar encontrar sentido na sua falta de lógica em você me aceitar. Enquanto o seu sonho de herói persistir, você terá que me repudiar mais do que qualquer outro mal no mundo." O contra guardião comentou enquanto franzia levemente o rosto.

'Errado...' Izuku pensou para si mesmo enquanto encarava os frios olhos do arqueiro de vermelho.

Em um único forte movimento, Archer abaixou Kanshou rapidamente, assim quebrado a defesa de Izuku e o empurrando um pouco para trás. O jovem de pelo verde lutou contra a dor e o cansaço para não cair e recuperou o seu equilíbrio para logo em seguida caminhar em direção de Archer. Sem nem mesmo pensar, ele balançou as suas espadas contra o seu oponente, porém Archer apenas precisou dar lentos passos para trás para não ser acertados.

Não havia técnica. Não havia estratégia. Não havia plano. Os seus movimentos eram apenas tentativas de lutar de uma pobre coitado que já havia aceitado a morte, mas o seu corpo continuava tentando negar o seu destino.

'Não é isso...' Izuku divagou enquanto tudo o que ele via era o chão abaixo de si.

Em um dos seus ataques, Archer aproveitou a oportunidade e usou o cabo de Bakuya para segurar o cabo da espada da mão esquerda de Izuku para impedi-lo de recuar.

"Então me diga. Por que você estar tão desesperado para ser um herói?" Archer perguntou sem nenhuma emoção na sua voz e Izuku não disse nada, ele apenas abriu os olhos em surpresa pela pergunta repentina de Archer.

"Muito bem, então me permita responder a minha própria pergunta." Archer disse para logo em seguida puxar Izuku, antes ele o jovem adolescente tropeçasse para frente, Archer se colocou atrás dele e cruzou os seus braços com os de Izuku. Impedindo a sua queda, mas também garantindo que ele não conseguisse se soltar.

"É por causa dele!" Archer disse secamente. Por um segundo, Izuku não intendeu do que o contra guardião estava se referindo, mas ele só precisou levantar um pouco o olhar e a resposta apareceu bem na sua frente. A muitos metros abaixo da colina de espadas, All might em sua forma fraca encarava Izuku com um olhar preocupado.

"Desde que você se entende como gente, você sempre tem visto aquele sorriso, aquele maldito sorriso. Em todos os lugares que você ia, o rosto do All might também estava lá sorrindo. Muitos viam aquele como o sorriso de alguém que acha engraçado como ainda existem vilões que pensam que podem derrotá-lo. Mas para você era diferente." Archer disse secamente enquanto apertava os braços de Izuku com mais força.

"Urgh...!" Izuku grunhiu de dor enquanto fechava os olhos. Ele já havia aceitado a sua própria mediocridade. Ele não queria terminar de ouvir essa linha de pensamento, ele não queria deixar que Archer terminasse, mas ele não podia. Ele não queria perceber esse fato obvio, o fato que justificava quem Izuku Midoriya era.

"Aos seus olhos aquele era o sorriso de alguém verdadeiramente feliz." Mas Archer continuou falando e Izuku pode sentir como o seu corpo perdia quase todas as suas forças restantes.

"No primeiro dia que você viu aquele sorriso, inconscientemente, você havia conseguido o primeiro objetivo da sua vida. "Ser tão feliz quanto ele!". É natural que uma criança admire e se inspire nas pessoas que ela respeita. Mas foi essa admiração que selou o seu destino quando todos souberam a sua condição." Archer continuou falando e Izuku nem se deu conta como gradualmente ele parecia mais e mais irritado.

"Quase todas as suas memórias têm a presença de fumaça, calor e queimaduras. Todo santo dia, desde os seus quatro anos, você saia de casa com medo de morrer pelas mãos de quem você via como um amigo. Todo santo dia você voltava para casa quase chegando ao seu limite. Mas ele sempre estava lá, aquele sorriso sempre esteve lá como a sua única fonte de esperança. Ele sempre esteve tão feliz salvando a todos, que você decidiu ser igual a ele." Archer falou enquanto encarava a paisagem do seu próprio mundo.

'Sim.' Izuku pensou enquanto abria os olhos e olhava com olhos sem vida para o seu ídolo. Desde os seus quatro anos, All might tem o salvado a sua vida todo santo dia, o salvado de escolher o caminho mais fácil para acabar com o seu sofrimento.

"Acima de tudo, Izuku Midoriya, você queria ser feliz. Mas você não se sentiria satisfeito com qualquer outra felicidade que não fosse a mesmo do All might. Desde os seus quatro anos, você nunca quis aceitar ter outra escolha a não ser como o All might, agir como ele, falar como ele, sorrir como ele, salvar, vestir, agir, falar e viver como ele. Você queria. Não! Você deveria ser como ele." Archer comentou calmamente, sua voz soando honestamente triste por ter que dizer essas palavras.

"Seus ideais não te pertencem. Eles são ideais de quem você acreditou ser verdadeiramente feliz. E você estar os copiando para alcançar essa suposta felicidade perfeita." Archer falou enquanto diminuía o aperto nos braços de Izuku.

"Mas..." O jovem tentou começar a falar novamente, mas isso era mais uma ação involuntária do seu corpo do que uma vontade sua de argumenta contra Archer. Porém o contra guardião não interpretou da mesma forma.

"Querer ajudar os outros? Não me faça rir. A sua vontade de se dedicar aos outros que você nunca soube como colocar em prática nem veio de você. Se ser feliz como o All might significava salvar a outros, então você salvaria a todos. Pessoas como nós, que se dedicam aos outros, SÃO O CÚMULO DA PRESUNÇÃO!" Archer gritou enquanto soltava o braço esquerdo de Izuku e girava Bakuya para apunhalar a sua perna.

Sem sequer um pingo de verdadeira vontade vindo dele, sendo mais um reflexo involuntário. Izuku tentou tirar a sua perna da trajetória da lâmina branca enquanto tentava para-la com a espada na sua mão esquerda.

"AAARGH!" Izuku gritou de dor quando o melhor que ele conseguiu foi receber um corte um pouco mais profundo do que os outros na parte de trás do seu joelho.

Empurrando o chão com a sua perna direita, Izuku caiu para esquerda na tentativa de se afastar do contra guardião. Ele rolou duas vezes até conseguir parar em uma posição sentada.

"Tudo o que você admirou foi a felicidade do desejo de salvar a todos!" Archer disse enquanto levantava Kanshou e a descia contra Izuku logo em seguida.

A dor era horrível, mas o corpo de Izuku não se importava com isso, já ele o obrigou a se levantar enquanto saltava para trás e pegava outro par de espadas em melhor qualidade.

"Pois você não tem as suas próprias emoções! AS SUAS PRÓPIAS VONTADES!" Archer exclamou ao mesmo tempo atacava com Kanshou novamente. Izuku tentou aparar o golpe, mas sua espada se quebrou assim que fez contato com a lâmina negra.

"Se isso não for hipocrisia, ENTÃO O QUE SERIA!?" Archer continuou falando enquanto começa uma série de ataques consecutivos. Os quais quebravam cada nova espada de que Izuku pegava para tentar se defender.

"Você tem sido movido pela obsessão de se tornar alguém que não é e nunca será. E a sua arrogância veio junto. Eu posso dizer, pois tenho estado dentro da sua cabeça A MAIS DE QUATORZE ANOS!" Archer continuou gritando e criticando a fraco garoto que mal conseguia se defender. E All might continuou vendo tudo isso horrorizado.

Se o contra guardião tivesse se dado conta disso ou não, ele nunca saberia. Mas as palavras de Archer não eram afiadas como adagas apenas para Izuku. Elas também destroçavam e rasgavam o seu ser mais e mais a cada segundo que passava. Nesse momento, ele havia se dado conta que ele não diferia das duas pessoas que lutavam na sua frente. Porém, ele quase teve um ataque do coração com o que ele viu logo em seguida.

Com uma estocada com a espada branca, Archer mirou o estomago de Izuku. O mesmo mal conseguiu reagir a tempo e o melhor que ele conseguiu foi utilizar ambas espadas nas suas mãos para redirecionar a trajetória do ataque. Mas isso não o deixou isento de danos

"AAAH" Izuku gritou ao ter o lado esquerdo do seu tronco consideravelmente cortado. Mesmo usando o máximo da sua força, All might pode ver como o seu sucessor não conseguiu tirar completamente a lâmina branca do seu curso original e ela ainda foi capaz de gerar uma ferida no lado esquerdo do seu tronco. Não havia sido um corte profundo o bastante para atingir um órgão vital, mas foi o suficiente para causar um sangramento perigoso.

"JOVEM MIDORIYA!" All might gritou enquanto dava um passo para frente por não conseguir mais ver o seu sucessor passar por tanta dor. Mas ele não conseguiu se mover mais nem um pouco quando uma espada caiu a toda velocidade a meio metro na sua frente.

"NÃO SE INTROMETA! ALL MIGHT!" Archer gritou de raiva como um aviso enquanto encarava o símbolo da paz com um olhar assassino. E foi devido apenas a sua promessa a Izuku, o herói número um permaneceu no seu lugar enquanto apertava os punhos e, pela primeira vez em muitos anos, orava para que qualquer deus que o ouvisse ajudasse o seu pupilo nesse momento de tanta dificuldade.

"Mas no fim, é tudo mentira. Essa hipocrisia não salva ninguém. Aliás, você nunca soube a quem salvar. Pessoas boas? Pessoas más? Pessoas que sofreram o mesmo que você? Desde que isso significasse alcançar o seu objetivo, isso não importava. VEJA! Eu sou o resultado disso!" Archer disse enquanto o seu rosto se contorcia em pura raiva. As gotas do sangue de Izuku caindo no chão foram o primeiro novo som que todos eles escutavam a bastante tempo.

"Você nunca soube como salvar e nunca teve como salvar. Saiba que o seu futuro... SERÁ SER UMA JUSTIÇA INFAME EM PESSOA!" Archer gritou enquanto realizava outro corte descendente com Kanshou. Izuku tentou bloqueá-lo com uma das suas espadas, mas ela se estilhaçou facilmente e a lâmina negra ainda conseguiu deixar um grande corte no lado direito do seu peito.

Izuku Midoriya nem sequer gritou pela dor que sentia enquanto caia para mais uma vez. Ele rolou enquanto continuava a cair pela colina de espadas, as palavras de Archer ecoando repetidamente dentro da sua mente toda vez que ele colidia contra o chão. E ele era capaz de pensar em apenas uma única resposta.

'Ele tem razão.' Seu coração já havia parado de resistir ao o que ele ouvia há muito tempo. Sua mente não queria continuar consciente. E o seu corpo já estava sucumbido a força dos seus ataques. Mas mesmo assim, esse mesmo corpo continuava desesperadamente tentando se mover.

Izuku parou de rolar quando ele chegou a uma parte um pouco mais plana da colina. Após alguns segundos parecendo estar morto. O jovem de pelo verde, sujo de terra e com roupas manchadas do seu próprio sangue, lentamente levantou um dos seus braços a agarrou o cabo de uma espada próxima enquanto ele ainda estava caído no chão. Durante o provável um minuto mais longo da sua vida, Izuku conseguiu dolorosamente se pôr de pé novamente usando a espada como uma bengala.

Após respirar com dificuldade por mais alguns segundos, o pequeno garoto levantou a cabeça e olhou com olhos sem vida até o topo da colina.

Archer estava lá, o olhando tão enojado que era como se a sua insistência de se manter de pé o fizesse querer vomitar, fazia sentido, ele realmente deveria se ver patético nesse momento. Com passou lentos, Izuku caminhou para a espada mais próxima a ele, a retirou do chão e se virou para o contra guardião mais uma vez. O qual apenas franziu o rosto como resposta.

"Izuku." Archer o chamou com uma voz fria.

"Esse ideal é falho. A ideia de colocar os outros acima de si mesmo e desejar a felicidade de todos é puro conto de fadas." Mesmo no estado nebuloso em que a sua mente se encontrava, Izuku ainda pode ouvir a súplica nas palavras de Archer para que ele desistisse.

"..." Izuku não disse nada, ele apenas se colocou em posição para começar a correr e esperou pelo próximo ataque.

"Muito bem então. Se você quer tanto viver esse sonho... ENTÃO MORRA AFOGADO NELE!" Archer gritou, e como se fosse um sinal, múltiplos raios de luz azuis brotaram do seu corpo e se estenderam para os lados.

Em menos de um segundo, dezessete espadas de diferentes designes apareceram flutuando no ar. Espadas tão afiadas que poderiam cortar o próprio aço com a força e técnica correta agora estava mirando a Izuku ameaçadoramente. Sem nem mesmo tomar um momento para respirar, o adolescente maltratado reforçou as suas pernas e braços ao máximo.

"AAAAAH!" Ele gritou enquanto, em um único impulso, gerava uma explosão de poeira onde ele estava antes e se movia a toda velocidade ao arqueiro de vermelho. No exato mesmo momento, todas as espadas flutuantes lançadas e se moveram mais rápido do que uma bala disparada por um rifle de precisão.

Izuku continuou avançando sem parar por um instante. As espadas voavam e foram até a sua direção. Ele as atacava e as espadas em suas mãos se destruíam, então ele pegava outras enquanto continuava correndo. Ele as esquivava, mas cada uma delas ainda acabava causando um corte no seu corpo. Mas todo o mundo parecia ficar em câmera lenta enquanto ele pensava na única coisa que ele ainda não entendia.

'Por quê? Por que ainda insisto em levantar? Eu já entendi que eu sou uma farsa. Que eu não passo de um sonhar idealista, hipócrita e egoísta. Então...'.

Izuku viu como Archer arguia dos seus braços e quatro espadas distintas com o dobro do tamanho de um homem adulto aparecia após uma pequena tempestade de raios azuis. Mas ele não parou de correr, continuou avançando.

'Por que...'.

As enormes espadas vieram até ele um instante ele aumentou o reforço nos seus braços. As duas primeiras vieram uma por vez e ele as redirecionou enquanto sacrificava as suas próprias espadas no processo. Izuku conseguiu retirar mais um par do chão quando as duas seguintes vinham simultaneamente uma ao lado da outra.

'Eu continuo...'

"AAAAAAH" Izuku gritou enquanto cruzava os braços e usava as armas em suas mãos para cessar o movimento das duas enormes espadas. As faíscas voaram como loucas enquanto as suas espadas colidiam com as latarias das grandes lâminas. Ele tentou usar toda a sua força, mas ele não conseguiu evitar ser empurrado quase todo o caminho de volta. Quando as grandes espadas finalmente perderam a velocidade. Elas caíram e se fixaram contra o chão, consequentemente fazendo Izuku cair de costas e causando uma grande explosão de poeira e pedaços de terra.

'Tentando..." Ele pensou enquanto se mantinha deitado de costas contra o chão de terra seca do mármore de realidade.

Ele olhou para o céu e viu como ambas as enormes espadas de antes começavam a cair em sua direção simultaneamente. Porém, as duas armas colidiram entre si e acabaram usando uma da outra para se manterem de pé.

Naquele momento, enquanto o seu corpo pedia a consciência e o mundo ao seu redor se escurecia, Izuku Midoriya aceitou praticamente tudo o que havia lhe dito. Ele viu o seu passado de Shirou Emiya. Ele escutou como o ex-sonhador criticava e condenava os seus sonhos e ideais enquanto tentava tirar a sua vida. Ele havia feito exatamente o que ele disse que faria. Ele conheceu a Archer melhor, ele descobriu quem era o espirito heroico Emiya, quem uma vez foi Shirou Emiya.

Mas mesmo assim, mesmo após aceitar todos os fatos, todas as verdades. Ele ainda não conseguia deixar de acreditar que algo estava faltando. Um único e central detalhe, algo que ele precisava perceber, mas não conseguia fazer isso sozinho. Izuku continuou pensando nisso mesmo quando tudo se tornava escuro.


Ele viu a verdade. Ele viu a verdade sobre o futuro que o aguardava. Ele sempre foi alguém que insistia em negar a verdade, então era claro que apenas vendo a mais pura e fria realidade o faria entendê-la. Mas a questão agora era outra. O que ele faria com essa verdade?


Quando Izuku havia voltado a si, ele estava de pé em meio ao mundo de armas mais uma vez, porém algo estava diferente. As espadas continuavam encravadas contra a terra, mas as engrenagens já não se viam entre as nuvens. As mesmas agora pareciam bem menos escuras, apesar de ainda nublarem todo o céu. Entre tanto, isso não era o que chamava a atenção do jovem de pelo verde.

Ele estava de pé em uma grande área plana do mármore de realidade, e a poucos metros a sua frente, Archer estava de costas para ele. O contra guardião estava sem o seu casaco e saia vermelha e se manteve parado sem dizer uma única palavra enquanto continuava encarando o nada. Izuku hesitou por um momento e então começou a falar.

"Eu... Bem... Sinto muito se eu te incomodei toda vez que falava sobre o meu sonho e... Você tem razão, sobre mim e você." Ele comentou triste enquanto continuava observando a Archer. O mesmo apenas virou um pouco a cabeça para lado, mas logo a virou para frente novamente antes que Izuku pudesse ver o seu rosto.

"Não fui bom o bastante. Poderia ter sido mais forte. Poderia ter sido melhor. E talvez assim, eu tivesse realizado o meu ideal como eu queria." Archer falou com um certo tom de melancolia na sua voz. Estando mais divagando para si mesmo do que respondendo o comentário de Izuku.

"Você realmente perdeu muita coisa, não é?" O jovem de pelo verde perguntou enquanto o seu olhar caia e observava estranhado o seu corpo aparentemente sem feridas.

"Pelo contrário. Eu nunca tive que sacrificar nada. Na verdade, eu sempre abandonei ou deixei de lado tudo e todos o que uma vez tive em prol do meu sonho e ideias. Não sofri nenhuma perda. Nunca se tratou de ter perdido algo." Archer disse soando vazio e Izuku levantou a cabeça enquanto os seus olhos se abriam ao notar isso. O seu cérebro parecendo voltar a funcionar enquanto sentia algo crescendo dentro de si.

"Emiya-san, alguma vez você se perdoou?" Izuku fez última pergunta que poderia lhe dar a peça final do quebra cabeça que era o seu sonho.

"Nunca!" O contra guardião respondeu secamente. E foi com essa palavra que todas as informações que Izuku havia juntado até agora se uniram em uma única resposta.

"Ah... Então era isso." Izuku comentou estando honestamente aliviado e assustado simultaneamente. Porém, ele sentiu cada fio de cabelo do seu corpo se arrepiar quando ele ouviu o som do que parecia risadas de crianças vindo de trás dele. Ele hesitou por apenas um segundo e se virou de costas.

'A primeira vez que vi a verdade.' Izuku pensou enquanto todo o mundo ao seu redor mudava em um instante e agora ele se via na entrada de um parque em meio a uma área residencial. E no centro do parque quase vazio, três crianças se destacavam enquanto uma quarta estava ajoelhada chorando na frente delas.

Izuku pode sentir o seu coração se apertado pela dor ao saber o que aconteceria logo em seguida. Uma pequena figura passou correndo do seu lado e continuou seguindo em frente até se colocar na frente da criança chorando. Um pequeno Izuku Midoriya, de apenas quatro anos, segurou a sua blusa com medo enquanto ele encarava os três garotos que ele costumava brincar.

"Pa... Pa-para com isso Kacchan. Ele está chorando! Se você continuar com isso, eu... EU NÃO VOU TE PERDOAR!" O pequeno garoto de pelo verde gritou apavorado enquanto se parava em uma posição de luta e fechava os olhos para não deixar as lagrimas caírem.

Um pequeno Katsuki Bakugou, de também quatro anos, encarou a outra criança na sua frente com um olhar honestamente confundido. Durante alguns segundo ninguém disse nada. Mas o silêncio foi quebrado por um suspiro debochado.

"Mesmo sem ter uma peculiaridade, você ainda quer tentar bancar de herói, Deku?" O pequeno loiro perguntou retoricamente enquanto batia um punho na sua mão aberta e causava uma pequena explosão. Um sorriso sádico de mais para uma criança se formando no seu rosto enquanto ele dizia isso.

O pequeno Izuku Midoriya deu um passo assustado ao ver como os outros dois garotos também começavam a suar as suas peculiaridades. Mas antes que ele pudesse fazer algo, Bakugou e os seus capangas avançaram contra ele.

Durante os três piores minutos da sua vida, Izuku observou inexpressivamente como aquela que ele via como o seu melhor amigo se divertia enquanto espancava o seu eu mais jovem. Após isso, os três garotos foram embora depois que perderam o interesse em espancar uma criança incapaz de se defender. Agora apenas restava o pequeno Izuku e o garoto que ele tentou salvar.

"Por... Por que você fez isso...?" O garoto perguntou enquanto se ajoelhava ao lado de um Izuku caindo de costas contra o chão.

"Porque... Era... O certo a se fazer...!" O pequeno Izuku respondeu com dificuldade devido à dor. E isso pareceu apenas irritar o garoto ao seu lado.

"Idiota! Eu não perdi a sua ajuda." O garoto disse enquanto se levantava e também ia embora do parque ainda chorando.

O pequeno Izuku não conseguiu mais aguentar e deixou que as lagrimas caíssem dos seus olhos. Depois de alguns minutos, o garoto se levantou e foi e direção a uma arvora próxima para se sentar contra ela. Esperar os seus olhos deixarem de ficar vermelhos para não preocupar a sua mãe caso ela já estivesse em casa. O Izuku Midoriya mais velho se lembrou instantaneamente enquanto continuava olhando o seu mais jovem.

'As pessoas não nascem iguais. Essa foi a verdade que me foi mostrada quando eu tinha apenas quatro anos.' Izuku pensou triste enquanto via a si mesmo chorando e um canto sozinho.

Repentinamente, uma estranha nuvem de poeira o cobriu por um segundo e logo após isso ele se encontrou novamente no deserto de espadas. O parque que antes estava na sua frente, agora era uma colina de terra sem nenhuma espada cravada nela. Mas o que realmente a destacava era a mesma arvore de antes que estava no topo da colina. Um som de choro ainda podia ser ouvido de lar.

"Desde o dia da consulta, você se culpou por tudo na sua vida. Você se odiou e se condenou por cada coisa de ruim que acontecia com você e com aqueles a sua volta. Por isso você queria ser feliz." A voz de Archer veio de trás dele e Izuku apenas respirou fundo uma única vez para caminhar em direção ao topo da colina logo em seguida.

"Ei! Daí para frente é o inferno." Izuku parou de caminhar ao ouvir o aviso de Archer.

"Eu encontrei o que faltava. Realmente tudo foi admiração misturada com obsessão até hoje. Mas agora, eu acredito ter encontrado um caminho diferente. Ele é nebuloso, cheio de buracos e eu não consigo ver um final. Entre tanto, essa nova estrada vai se tornar mais clara conforme eu for seguindo-a." Izuku comentou confiante enquanto sorria feliz e voltava a subir a colina.

"Você seguira essa vida, mesmo que seja a de uma máquina?" A voz de Archer de trás dele perguntou mais uma vez. Soando muito mais distante do que antes.

"Não. Mesmo que eu ainda não passe de um hipócrita. Mesmo que ainda cometa muitos erros. Graças a você, Emiya-san, eu descobri como talvez acabar de uma maneira diferente. Mas antes de qualquer coisa, eu preciso perdoar alguém. Então, obrigado." Izuku respondeu ao contra guardião, mesmo sabendo que aquele provavelmente não era o verdadeiro Archer. E sem que ele se desse conta, a figura que observava de longe desapareceu quando outra nuvem de poeira passou por ela.

Izuku continuou caminhando sem hesitar. Ele havia entendido as coisas bem melhores agora. O ódio direcionado si mesmo e a busca pela autossatisfação nunca poderiam conviver juntos. Então ele precisaria se livrar de um deles e ele sabia o que era necessário para fazer isso, ele precisava realmente aceitar a verdade.

Conforme ele foi andando, mais o som de choro ficava mais alto. O adolescente de pelo verde chegou ao topo da colina e viu a contrastante árvore. Ele olhou ao redor, mas não viu ninguém. Andando mais um pouco até dar a volta na árvore, ele sorriu tristemente ao encontrar quem procurava.

O pequeno Izuku Midoriya estava sentado contra a árvore enquanto apoiava o rosto nos seus joelhos, seu choro sendo deprimente o bastante para que qualquer um tivesse o coração partido ao vê-lo. O Izuku mais velho se aproximo silenciosamente e ajoelhou ao lado da criança abandonada.

"Olá." Ele cumprimentou o seu eu mais jovem e sentiu como o seu coração era esfaqueado por uma adaga ao ver como a criança na sua frente pulava assustada ao ouvir a sua voz. Ele o olhou confundido por um segundo e então o seu rosto tomou uma expressão de puro pânico e horror.

"Nã... Nã-não...! Po-po-por favor... Me desculpa... Eu... Eu não queria... Por favor, não...!" Sua fina voz de criança disse quase quebrou enquanto tentava se afastar para longe. Seus braços cobriam o seu rosto como se ele temesse ser atacado.

"Ei, ei! Calma. Estar tudo bem, eu..." Izuku falou enquanto erguia as mãos em sinal de passividade. Mas ele se engasgou nas suas próprias palavras ao se dar conta que ele não sabia o que dizer. Ele deixou as suas mãos caírem enquanto ele abaixava a cabeça.

"Eu sei que não mereço o seu perdão. Durante todos esses anos, eu te abandonei e descontei todas as minhas frustrações em você. E me sinto horrível por ter feito isso. Eu te deixei sozinho, sem ninguém para consolar a sua dor. Porque acreditava precisar ser forte, que All might não era fraco, então eu também não deveria ser. Mas apesar disso tudo. Mesmo eu sabendo que não mereço o seu perdão. Eu ainda preciso te perguntar." Izuku disse enquanto levanta o olhar e olhava para o seu eu mais jovem.

O pequeno Izuku havia parado de se afastar e agora estava sentado no chão a um metro de distância dele. Seus olhos arregalados de incredulidade e confusão. Ao ver isso, o Izuku mais velho levou a sua cabeça até o chão enquanto se curvava.

"Você... Ainda pode encontrar algum lugar do seu coração para me perdoar!?" Ele perguntou enquanto o seu par de olhos verdes e encharcava de lagrimas. Durantes alguns segundos ele não ouviu nada quanto mantinha a testa contra o chão. Mas ele pode começar ao ouvir algo se arrastando na terra. Ele esperou que o seu mais jovem fizesse qualquer coisa, gritasse, o chutasse ou até mesmo que amaldiçoasse a ele e seu maldito sonho, Izuku Midoriya esperou qualquer uma dessas coisas.

"Você... Promete não me abandonar...?" Ele esperava qualquer coisa, menos isso. Izuku lentamente levantou a cabeça e olho incrédulo para o rosto do garoto na sua frente. Seus olhos ainda vermelhos de chorar por tantos anos.

"Você não vai me deixar sozinho aqui de novo, vai...?" O pequeno menino perguntou enquanto encarava o seu eu mais velho nos olhos. E Izuku começou imediatamente a negar com a cabeça.

"Não. Não, não, não. Não! Eu nunca mais vou te trair de novo! Nunca!" Izuku Midoriya disse desesperado por não conseguir acreditar no que ele estava ouvindo.

"Você... Sniff... Você jura...?" O Izuku mais novo perguntou nervoso enquanto erguia uma mão.

"Sim! Eu prometo... Sniff... Prometo que sempre vou estar aqui para você. Sempre!" O adolescente disse enquanto tentava não gaguejar devido ao seu próprio choro e levantava a sua própria mão para apertar a da sua versão menor.

"ENTÃO É CLARO QUE EU TE PERDOO!" O pequeno menino disse enquanto voltava a chorar. Mas dessa vez de alívio. E sem nenhum aviso, a sua versão mais nova pulou para abraçar o seu eu mais alto. Izuku não conseguiu mais aguentar e começou a chorar como nunca enquanto devolvia o abraço.

"Obrigado... Obrigado... Muito obrigado..." Izuku agradeceu enquanto fechava os olhos e sorria de alegria. O Mundo ao seu redor se desfazes em luz enquanto Izuku aceitava a verdade que ele tentou afastar por tanto tempo.

O mundo não era um arco-íris que ele se forçou a enxergar durante dez anos. Ele era sujo, cruel e injusto com todos os que eram diferentes. E os que se encaixavam na definição de "normal", eram abrigados a serem da mesma forma. Quem ele via como um amigo, não o enxergava mais dessa mesma maneira.

Naquela hora. Izuku Midoriya não soube o que ele queria faze sobre isso. Afinal das contas, era necessário mais do que boas intenções para mudar o mundo. Mas, avia duas coisas que ele tinha certeza. Ele não mentiria mais para si mesmo sobre viver em uma realidade que não existia. E que mostraria o que faltava para o verdadeiro Archer.


'Então é assim que acaba? Bem, pelo menos eu o fiz entender.' Archer pensou no topo da colina enquanto olhava desinteressadamente para a nuvem de poeira que as suas duas últimas grandes espadas causaram ao colidirem contra o chão. O contra guardião estava preste finalmente acabar com tudo isso. Porém, ele travou quando viu o que só poderia ser descrito como uma piada a sua pessoa.

Com a sua visão melhorada, ele pode ver como silhueta de Izuku gradualmente levantava se colocava em uma posição ajoelhada com uma perna. Ao ver como o garoto parecia lutar para falar algo. O espirito heroico reforçou os seus ouvidos para melhorar a sua audição e escutar o que ele estava dizendo.

"...Obrigado... Emiya-san..." O jovem de pelo verde começou a murmurar enquanto respirava com dificuldade e tentava ignorar a dor das suas feridas.

"...Graças a você... Eu acho que finalmente entendi... O significado de..." Ele disse enquanto lentamente erguia as suas mãos e tocava a lateral das enormes espadas de ambos os seus lados com as palmas abertas. Ele esvaziou a sua mente enquanto se concentrava em um poema. Um poema usado sobre um encantamento. Ele o tomaria e o usaria da sua maneira.

"I am the bone of my sword." Izuku proferiu o encantamento. E como se estivessem o esperando, múltiplos grandes raios verdes brotaram dos seus braços. Os raios esmeraldas se moveram pelas lâminas das espadas em tamanha sincronia que era como se eles estivessem dançando. Conforme seguiam, eles deixavam um rastro de luz verde nas espadas semelhantes a circuitos mágicos. Porém quando os raios terminaram de percorrer as armas por completa. Todas as linhas luminosas desapareceram.

Archer arregalou os olhos quando ele sentiu a estranha de sensação de algo sendo tirado dele. Havia sido tão pequeno e rápido que era como se alguém tivesse repentinamente arrancado dois fios de cabelo da sua nuca. Mas avia algo a mais, seu instinto dizia isso. E seguindo tau instinto, ele tentou projetar novamente as mesas duas espadas que Izuku havia acabado tocar. Mas nada veio. Ele procurou no seu mármore de realidade. Mas não ouve resposta. Era como se ele tivesse tentando procurar um par de armas que nunca estiveram ali.

O contra guardião foi apenas capaz de sair da sua divagação devido a sua habilidade "Olha da mente" o avisando para evitar o ataque eminente. Quando ele voltou a si, o contra guardião pode ver como as mesmas espadas que ele tentou projetar novamente estavam voando a toda velocidade na sua direção, restando apenas dois metros de espaço restante para elas o acertarem.

Usado toda a sua força e melhorando o reforço sobre Kanshou e Bakuya. Archer golpeou as lâminas gêmeas contra as duas grandes espadas, elas foram partidas em vários grandes pedaços que voaram para longe do arqueiro de vermelho sem feri-lo.

Mas o mesmo nem se importou, toda a sua atenção estava direcionada ao adolescente de olhos esmeraldas que havia se colocado de pé novamente e o encarava. Toda o medo e pânico do seu rosto desaparecerão, deixando lugar apenas a seriedade e determinação. Por meio segundo a mente de Archer parou devido à confusão, mas no seguinte a realização do que havia acontecido atingiu a sua cabeça como um trem em movimento.

'Aquele pequeno bastardo! Ele estar usando a aceleração do processo de transferência para tomar o controle do mármore de realidade!' Archer pensou irritado enquanto apertava os cabos das suas espadas. O coro das lâminas casadas rangendo devido à pressão.

"Não existem palavras o suficiente para descrever a gratidão que eu sinto por você, Emiya-san! Graças a você e apenas a você, eu pude encontrar o que estava faltando." Izuku falou, erguendo a sua voz o suficiente para a fazer audível a todas mesmo sem estar gritando.

"Para não ser um herói da justiça e evitar me converter em um futuro miserável. Eu preciso parar de sonhar com um mundo perfeito... E CRESCER!" Izuku Midoriya proclamou com confiança e orgulho a resposta que ele havia encontrado enquanto levantava um punho até a altura do seu peito.


Jesus Cristo amado, vou ser honesto com vocês, mesmo que eu tenha praticamente narrador muito coisa que aconteceu na luta original de Shirou contra Archer no anime de Unlimited blade works. Eu realmente gostei de como ficou a luta ficou aqui :).

Mas antes de começamos a conversar, vamos para mais um...

*Respondendo comentários*

MorivatedGuy:

Oi gente, sou eu aqui, eu acabei de perceber que eu não deixei exatamente claro o meu nick no Twitter, não isso como eu escrevi errado também, hahaha...

Mas aqui estar o nick correto: Morivated_guy

Era só isso mesmo, sinto muito pelo vacilo.

Resposta:

Hahahaha. Olha só o meu do passado. Ele nem percebeu que o fanfiction não deixa ele colocar o arroba (O a diferente que sempre tem antes dos nomes no Twitter) antes do meu nome de usuário!

Hahahaha, troxa.

alejandromoreira00:

capítulo muito bom

Resposta:

Valeu (Joinha) ;).

Lucas-gilded:

Eu achei o capitulo okay. Eu ainda acho que vc exagera demais quando vc descreve as cenas, vc deixa muito pouca coisa pros seus leitores interpretarem e sentir o que está acontecendo (o que eu quero dizer é: Algo acontece e vc imediatamente explica por que, quando e como). Mas de qualquer jeito isso é minha preferência como leitor, vc faz o que vc se sente melhor fazendo.

P.S: VC QUE É

Resposta:

Concordo completamente com o seu ponto de vista cara. Isso é algo que eu notei desde que comecei a escrever o fanfic. Mas isso é algo mais meu mesmo, em quase tudo na minha vida eu sou detalhista de mais com tudo. E por isso que eu já passei noites acordados fazendo trabalhos da faculdade. Mas vou honestamente tentar mudar isso um pouco, ou o melhor que eu puder

KKKKKK! Caiu na minha pegadinha não é mesmo?

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!

Iorweth.22:

I meant to write this earlier but better late than none.

I wish you good luck with your writing, especially since you want to mix both versions of the Shirou vs Archer fight. It will be a beautiful battle between ideals and will.

The necklace idea is brilliant. Materializing Emiya requires a lot of mana and the necklace will work like a mage during the war and Izuku will not be negatively affected during the "final exam ". The scene in the jeweler itself was hilarious and at the same time that is part of Izuku's charm that we are exposed to and almost no character in the manga notices it. This is the domain of reation type fiction in anime or harem movies, nice to see here. Plus for the recreation of Rin's necklace.

The training in the desert was interesting and orginal, changing a bloody memory to a capture to match the heroes of Izuku's time is great training and evaluation for Emiya of his resolutions. Also the clash between ideals, both tired by different battles, Toshinori and Emiya. Emiya was always smart and felt what was coming.

The last test and also the full binding of Izuku to Emiya's soul. A fight in which Izuku (maybe also Toshinori) will see the fullness of the past of a man broken by his own ideals who only wants peace which Toshinori can disturb. I always imagine how AM fights using Heracles weapons.

For Izuku it will be an emotional rollercoaster with a turbo charge and maybe an extra ride when added to all this about the OFA namezis and the inexorable end of the Peace Symbol.

Resposta:

1º - Obrigado cara, eu realmente me esforcei para essa luta chegar minimamente perto de algo épico e espero ter cumprido com as suas expectativas :).

2º - AAAAH! Valeu mesmo cara! Você não tem ideia de como eu fiquei preocupado que essa parte do começo do capítulo anterior parecesse forçada ou fora de lugar. Eu fiz o Archer recriar o colar da Rin especificamente pelo fato de criar um corpo próprio, manifestar o Unlimited blade works, projetar várias armas e outras coisas que vamos ver futuramente precisa de muita mana mesmo. E eita caramba, no mesmo nível da ficção de filmes de anime!? Diz isso não amigo, se não o meu ego cresce muito, hahaha.

3º - Obrigado de novo. Essa parte do treino no deserto também me deixou preocupado que tivesse acabado ficando ruim. Em contrapartida, eu estava bastante confiante com a cena da conversa de Archer e All might. Eu gosto muito de escrever eles dois interagindo, é como o Shirou e Archer da minha história, hahaha.

4º - Pois é, eu fiz o All might se ver no Archer tanto quanto Izuku se via nele também, assim como a saber na rota UBW. Não sei se na tradução para o norueguês isso vai se manter, mas eu tentei escrever as falas de Archer de uma maneira que All might pudesse entendê-las como se elas também fossem direcionadas a ele, não só ao Izuku. E o que você me diria se eu te contar que tenho planejado algo muito semelhante ao All might usando a espada do Herácles para um futuro mais ou menos distante?

5º - Verdade. Tanto é que se eu tivesse que resumir esse capitulo em poucas palavras seria algo como: "Contra guardião puto para caralho destrói psicológico de adolescente no diálogo".

*Fim do respondendo comentários*

Eai pessoal? Seu garoto MorivatedGuy aqui e eu não morri. Trazendo mais um CAPÍTULO GRANDE PARA UMA DISGRAÇA! AAAAAAAAAAH!

(Respiração profunda.)

Ok...

Como podemos ver hoje, Izuku Midoriya de depressão para caralho, hahahaha, brincadeira... Mais ou menos.

Vimos como Archer se enxerga tanto em Izuku que ele não consegue evitar que parte do seu ódio a si mesmo acabe saindo contra o jovem de pelo verde, assim como ele faz bastante com All might.

Tivemos um grande desabafo por parte de Archer de como o desejo de salvar a todos é errado e como os heróis, não importa o mundo, nunca são tão bons como a sociedade tenta dizer que eles são, e por falar em sociedade.

Aquilo que Archer disse aquilo tudo sobre como o All might fez, na verdade, mais mal do que bem para o mundo é algo que eu sempre pensei. Mas eu me entenda errado, eu não ódio o All might, isso é praticamente impossível, o meu ponto é que eu sempre acreditei que um símbolo de alguém invencível que serve o protetor e único pilar da sociedade era algo extremamente perigoso caso fosse derrubado. Como vimos no arco da guerra no próprio manga de Boku no hero. O mundo praticamente foi pro inferno.

E eu também sempre acreditei que todo o lance de valorizar os heróis como pessoas perfeitas, maioria dos heróis serem mais celebridades e as pessoas odiarem outras pessoas sem peculiaridades teve muito influência do que o "O símbolo da paz" representava. Mas ei, esse é apenas o meu ponto de vista, me digam nos comentariam se vocês concordam ou discordam de mim. Acredito que podemos criar um debate bem interessante sobre esse tópico.

Infelizmente deve alguns diálogos de Archer que eu acabei tento de cortar fora da versão final do capítulo pois eu consegui fazê-los se encacharem direito no meio de tudo o que disse.

Agora eu quero aproveitar esse momento para dar uma notícia bem legal. Talvez alguns tenham descoberto isso, mas eu também estou postando essa história no Archive of Our Own (AO3). "Mas por que?" Você me pergunta. Porque eu fiquei com vontade, hahaha, brincadeira. Fiz isso, pois eu queria dar mais diversidade, dar mais variedade para quem tem preferência por algum site em específico.

Bem acho que disse tudo o que queria dizer, comentem e compartilhem o fanfic caso vocês queiram. Com tudo isso dito, tenham um bom dia e vejo vocês na segunda parte dessa luta.

Ps: Caramba, saiu um trailer de um novo jogo de Fate no Japão. #MiyamotoMusashibestgirl

Pss: Meu Deus! Saiu um trailer do anime de Fate/strange Fake, Enuma Elish contra Enuma Elish let's goooo!


1º dica: coloquem a música tema do Emiya no começo da primeira luta do capítulo.

2º dica: coloquem a música Last Stardust para tocar no momento em que o Izuku começa a subir a colina.