Oiiii, boa leitura!
Capítulo Dezessete
Meu Vizinho e o Restaurante
Tudo que eu queria era dormir, mas querer certamente não era poder. Teria uma prova no dia seguinte e a matéria era extensa e complicada, o que estava me enlouquecendo de medo, com receio de tirar nota baixa que só prejudicaria minha formatura em alguns meses.
Para completar, tinha sido um longo dia, com meu estágio estressante, aulas longas e ainda trabalho na lanchonete tendo de aguentar clientes chatos. Eu não tinha parado por um segundo naquela quarta-feira, tudo que tinha comido foi um donut e um pedaço de queijo, talvez nem precisasse fazer a prova, pois desmaiaria antes de entrar na sala.
— Você não quer sair dessa caverna e ir se distrair um pouco, não? — Rosalie entrou no meu quarto e foi logo perguntando, era por volta de nove da noite e eu só estava cedo assim em casa pós trabalho porque chorei para meu chefe me liberar antes do horário.
— Não posso — murmurei, relendo o mesmo parágrafo pela terceira vez, querendo morrer por conta daquele texto infernal sobre literatura e filosofia.
— Você tá trancada aqui desde que chegou.
— Rose. — Olhei para ela. — Eu preciso mesmo estudar, pode me deixar sozinha? — pedi, minha fala soando como uma súplica.
— Ok, mas você jantou algo no trabalho?
— Sim — menti descaradamente, ocultando que tudo que eu tinha comido na lanchonete tinha sido uma fatia de queijo.
— Certo, qualquer coisa me chama.
— Beleza, tchau. — Voltei a me concentrar no texto e ela saiu do meu quarto por fim.
Algum tempo depois, não sabia precisar quantos minutos, uma batida na minha porta me distraiu dos estudos e das lágrimas se acumulando em meus olhos. De alguma forma consegui dizer para quem quer que fosse entrar, mas continuei encarando o livro, conseguindo também conter o choro.
— Bella? — Era Edward, olhei em direção a ele e o vi parado junto a minha porta, em suas mãos uma sacola preta que parecia de presente.
— O que você tá fazendo aqui? — perguntei irritada por estar sendo atrapalhada. — Falei que precisava estudar hoje e não ia conseguir te ver — resmunguei, puxando a caneta que prendia meus cabelos para refazer o coque. Edward, como eu, estava usando calça moletom e camiseta. A dele era uma do Green Day, a minha da Lady Gaga que eu usava como pijama.
— Foi mal, é que eu acabei de voltar do treino e chegou uma encomenda pra você.
— Quê? — Arqueei a sobrancelha, extremamente confusa, além de cansada. — Mas eu não encomendei nada.
— Na verdade, eu encomendei. — Se aproximou e colocou a sacola preta em meu colo.
— O que é isso? Uma bomba?
— Abre logo, Isabella — ordenou.
— Irritante — resmunguei, mas abri a sacola, tirando lá de dentro uma caixinha de câmera. Sim, uma câmera, mas precisamente uma Kodak Ektralite 10, uma belezinha dos anos 70. — Ai meu Deus — murmurei. — É mesmo minha? Por que você está me dando? — perguntei sem acreditar.
— Porque no feriado de Ação de Graças você falou que gostava de fotografia, aí eu estava comprando algumas coisas em um antiquário online e vi essa câmera, tô te dando pois aparentemente o espírito Robin Hood me dominou — ele disse e eu ri, levantando da cadeira e olhando que dentro da sacola ainda tinha uma caixa com dois rolos de filme.
— Espera aí, ela ainda funciona? — A empolgação me dominou de vez.
— Sim, se o vendedor não me enganou com um vídeo falso, eu ainda não testei, acabei de voltar do treino, só troquei de roupa e vim te trazer ela.
Rapidamente mexi nela e coloquei o filme, quando estava tudo pronto apontei a câmera em direção a Edward. Meu vizinho maldito, que naquele momento tinha sido muito legal pelo presente, colocou a mão na frente do rosto, mas ainda assim o fotografei e o flash iluminou meu quarto.
— Preciso revelar logo e ver se ficou bom!
— Vai gastar todo o rolo de uma vez?
— Mas eu estou ansiosa pra ver, não que eu vá sair pra revelar agora, ainda preciso estudar. — Apontei para minha mesinha de estudos. — Tenho um teste difícil amanhã e sou burra — me queixei.
— Teste de?
— Literatura e Filosofia.
— Ainda bem que não sou você — ele falou, me fazendo revirar os olhos. — Bom, vou indo, preciso pedir algo pra comer, estou faminto.
Ouvir aquilo fez meu estômago roncar, eu estava faminta também. E o pior de tudo, Edward escutou meu órgão protestando por estar sendo negligenciado.
— Isabella? Esse som veio de você?
— Eu estou com muita fome — sussurrei, colocando a câmera na mesinha. — E tão cansada. — Quando me dei conta, não consegui mais conter o choro como antes e estava ali choramingando na frente do Masen.
— Ei, ei calma. — Ele segurou em meus ombros. — O que foi?
— Eu disse, estou cansada e com fome. — Solucei. — Tudo que comi o dia inteiro foi um donut e uma fatia de queijo, mas não consigo nem parar pra comer, preciso estudar ou vou me dar mal no teste.
— Claro que você pode parar para comer, Bella. Na real, você deve parar para isso, tá maluca de passar o dia todo sem se alimentar?
— Meu dia foi uma merda. — Solucei outra vez, inclinando a cabeça para baixo, encarando meus pés calçados em pantufas de unicórnios. — O professor com quem trabalho no estágio só me critica, eu recebi a nota de outro teste e adivinha, fui péssima e para completar um cliente derramou milkshake por todo o balcão na lanchonete, foi terrível limpar. Então, não, eu não posso parar agora, porque preciso me dar bem no teste de amanhã e fazer o dia ser melhor do que hoje.
— Nem pensar, nós vamos sair. — Edward tirou as mãos de mim.
— O quê? — Eu ergui o olhar para ver seu rosto decidido após proferir aquelas palavras que pareciam tão sem sentido para mim.
— Nós vamos sair — repetiu. — Pega uma jaqueta, vamos ir comer em algum lugar.
— Edward…
— Já tá tarde, você está cansada, com fome e irritada, não adianta continuar estudando agora ou amanhã estará um caco e irá fazer o teste esgotada.
— M-Mas…
— Vamos sair, você não tem escolha, ou eu te sequestro. — Andou até meu armário e tirou de lá uma jaqueta. — Vai comer algo, distrair sua cabeça e quando voltar irá dormir.
— E amanhã vou tirar um zero.
— Você não vai tirar um zero, é inteligente.
— Até parece… Edward, para! — gritei quando ele tentou me vestir com a jaqueta. — Eu não vou a lugar algum.
— Ok, não posso te sequestrar, mas posso ligar para o treinador e falar que você não comeu nada o dia inteiro, quer que eu faça isso?
— Você é um ótario — declarei, mas peguei a jaqueta das mãos dele e me vesti. Sabia que se meus pais soubessem que eu estava o dia inteiro sem comer iriam surtar, e eu não queria isso, os preocupar, eles não precisavam de mais problemas vindo de mim. — Aonde vamos comer?
— O que você quer comer?
— Coxinhas — respondi sem pensar muito e ele riu.
— Não vou fazer coxinhas agora, também tô cansado.
— Então vai pra sua casa e me deixa estudar.
— Nem pensar, pega sua câmera e vamos, escolhemos algo no carro.
Sabendo que eu estava sob ameaça dele ligar para meu pai, eu peguei minha câmera, minha carteira, meu celular e fui com ele. Nem me dei ao trabalho de tirar as pantufas e colocar tênis, iríamos acabar parando em algum drive thru e não sairíamos do carro do Emo.
— Onde estão indo? — Rosalie perguntou quando passamos por ela na sala, minha amiga estava pintando suas unhas e assistindo TV.
— Estou sendo sequestrada!
— Tô levando ela pra comer, não comeu nada o dia inteiro — Edward me dedurou e Rosalie me lançou um olhar feio.
— Você disse que tinha jantado na lanchonete, Isabella.
— Ops — foi tudo que disse, peguei minha chave no suporte perto da porta e saí do apartamento seguindo Edward.
— Vou pegar minha carteira e meu celular, espera aí — mandou como se eu fosse mesmo sua refém, me deixou no corredor e entrou no apartamento 505 para pegar suas coisas.
Logo saiu, adicionando ao seu visual tênis e uma jaqueta do time e seguimos até o carro dele no estacionamento. Edward não dirigiu logo de cara, ficou mexendo no seu celular para decidir onde iríamos pegar comida, até que decidiu e largou seu celular para dirigir.
— E aí? McDonald's?
— Você verá! — Seu sorrisinho malicioso fez um arrepio cruzar minha espinha e bom, outros lugares também.
Me distraí com minha câmera, tirando outra foto de Edward. Obviamente ele reclamou:
— Gasta seu filme com outra pessoa, Volturi.
— Deixa de ser chato, quero curtir minha câmera.
E tirei mais uma foto dele.
X
Eu iria matar aquele Emo, me tornaria a assassina dos podcasts de true crime que consumia, mas o mataria pra valer. Ele era um escroto, não era possível que estava mesmo fazendo aquilo comigo.
— Bella, você precisa sair do carro — ele insistiu, segurando a porta do passageiro. Enquanto isso eu encarava o painel do carro, pensando em formas de matar meu sequestrador e torturador.
— Não vou jantar nesse lugar, não vestida assim. Tem uma mancha na barra da minha calça, essa camiseta tem uns cinco anos de existência, meu cabelo tá uma bosta e eu estou de pantufas.
— Ninguém vai reparar em como você está vestida.
— Claro que vão!
— Sei lá, finge que é alguma tendência nova de Hollywood. Algo que Lady Gaga usaria.
— Edward, você sabe que vou te matar, não sabe?
— Isabella, Emmett vive falando que a comida daqui é uma delícia, agora quero provar. Então, colabora e sai desse carro pra gente ir comer logo.
Eu salivei, estava com mais fome ainda e para completar lembrando de Rosalie sempre falando de como a comida dali era maravilhosa. Ok, tinha estado naquele restaurante com Collin, mas foi um grande fracasso e mal aproveitei a comida.
— Ratinha?
— Eu vou comer e depois matar você — decidi e tirei o cinto.
Deixei o carro e Edward fechou a porta, passando as chaves para o manobrista. Meu estômago revirou, de fome e ansiedade.
Eu não estava mesmo bem vestida para aquele restaurante francês direcionado para pessoas ricas, até quando fui ali com Collin minha roupa era anos luz melhor. Mas, pelo menos eu não era a única mal vestida, Edward também estava vestido com uma calça moletom preta claramente velha, uma camiseta preta da mesma cor que também parecia antiga e seus tênis estavam imundos.
— Parecemos dois sobreviventes de um apocalipse zumbi.
Ele riu e o segurança, olhando desconfiado para a gente, abriu a porta para entrarmos. A recepcionista lá dentro também torceu o nariz, mas forçou um sorriso e perguntou:
— Boa noite, vocês tem reserva?
— Não, mas meu amigo é um frequentador assíduo — Edward falou. — Você deve conhecer ele, Emmett McCarty.
— Senhor, nós…
— Sério, sou mesmo amigo do McCarty. — Edward tirou a carteira do bolso de seu moletom e de lá uma nota de cem que não muito discretamente passou para a recepcionista. — Conseguimos uma mesa agora?
Ela sorriu, como se ele e eu não estivéssemos vestidos com a moda lixão, e nos guiou até o salão do restaurante. Lá todos os olhares se voltaram para a gente e eu ignorei graças ao cheiro da comida, foda-se aqueles ricos eu iria sentar e comer, precisava disso com urgência.
— Muito obrigado — Edward agradeceu quando ela nos acomodou em uma mesa.
Eu nem falei nada, logo comecei a comer os pãezinhos que estavam ali. O garçom chegou logo depois, trazendo o cardápio e uma cartela de vinho que tive de ignorar, não iria beber na véspera do meu teste.
— Quero esse bisque de lagosta pra começar — pedi.
— O mesmo para mim — Edward disse logo em seguida.
— E para beber?
— Coca-Cola — respondemos juntos.
— Vocês fazem parte de alguma banda?
Eu não poderia culpar o pobre garçom, estávamos vestidos como se fizéssemos parte de alguma banda de rock descolada, mas que nadava em dinheiro. E a recepcionista tinha levado nossas jaquetas, deixando as camisetas antigas que ambos usávamos aparentes demais.
— Sim, somos da banda Robin Hood — Edward falou em um tom meio de saco cheio e eu sabia que ele estava atuando aquela chateação, mas o garçom não.
— Oh, eu sou um grande fã — o garçom proclamou. — É uma honra tê-los aqui.
Quando ele se afastou, eu ri e Edward sorriu, pegando um pãozinho para si também.
— Você ainda quer me matar?
— Sim, mas só depois de você pagar a conta.
— Justo.
— Poderíamos ter ido ao McDonald's, Masen.
— Ah, sei lá, olhei restaurantes no Google e esse apareceu, fiquei com vontade. — Deu de ombros, esticou o braço e pegou minha máquina sobre a mesa. A apontou para mim, eu automaticamente sorri e ele me fotografou.
— Bom, já que estamos pagando todo esse mico, vamos fazer pra valer.
— O quê? — perguntou sem entender.
Chamei outro garçom que estava perto e pedi para ele tirar uma foto nossa em minha câmera, mas obriguei Edward a ficar de pé. Ficamos ali, parados no meio do salão, entre os clientes ricos e metidos, lado a lado. Eu apontava para minhas pantufas e Edward fez um sinal de positivo com o polegar, na foto seguinte também apontou para minhas pantufas e caiu numa gargalhada quando percebeu como eu estava ridícula em público.
— Eu deveria publicar essa foto no jornal da universidade — ele falou, se inclinando sobre a mesa e dando uma mordida num pedaço do meu pão.
— Ei, minha comida.
— Quando casarmos o que é seu também será meu, querida — debochou.
— Por isso vou te matar logo depois do casamento e ficar com toda a fortuna, meu bem — debochei de volta.
— Eles irão descobrir que você me assassinou com suas pantufas horrendas, noiva.
— Está errado, irei te matar com essa sua camiseta feia do Green Day, Emo.
— Mais cuidado ao falar do Green Day, Ratinha.
— Não me chama assim!
— Estamos num restaurante francês, é bem a sua cara, Ratatouille.
— Sabe que o nome do rato não era esse, né?
— Não?
— Não! Era o nome da comida, aliás deveríamos pedir.
— Ei, questionamento importante, Ratinha.
— Morra!
— É sério, me escuta.
— Tá, fala.
— Quem ganharia numa briga, o Stuart Little ou o Ratatouille?
— Ele não se chama Ratatouille, já falei.
— Tanto faz, responda.
— Você viu isso no Twitter?
— Sim, ainda não tomei partido.
— Obviamente o Stuart Little, ele é forte como todas crianças crescidas em abrigos.
— Ok, você tem um ponto. Tá bom, está certa, eu voto no Stuart Little também.
— Ele quebraria o Ratatouille no soco facilmente.
— Vocês ratos se conhecem bem, né?
— Edward, eu te odeio.
Mas estava feliz que ele tinha me levado para comer, era bom distrair a cabeça do teste e do meu dia terrível.
X
Já era tarde quando deixamos o restaurante, mas ainda assim não voltamos direto para o prédio, no caminho até lá cruzamos por um parque e vimos que estava tendo um festival de hip hop. E mesmo tendo acabado de comer um monte de comida maravilhosa no restaurante, assim que avistei uma venda de algodão doce sabia que precisava daquilo antes de voltar a estudar, seria minha energia para a madrugada.
— Você não quer um? — perguntei para Edward quando paguei pelo meu, logo pegando um pedaço e colocando na boca, era tão gostoso.
— Não, tem algo melhor aqui. — Ele tirou do bolso de sua jaqueta um pacote de M&M's.
— Você é viciado.
— Quer um pouco?
— Com certeza. — Edward riu e separou alguns amarelos para mim.
— Vamos lá, tenta pegar! — Atirou um em minha direção, acertando minha testa.
— Idiota.
— É sério, vamos treinar sua capacidade de captura com a boca.
— Você sabe que tenho uma boa capacidade de captura com a boca.
Ele ficou vermelho, mas riu e atirou outro para mim, eu tentei capturar, mas deixei cair no chão. No terceiro consegui e fiquei tão animada que pulei em minhas pantufas, só chamando mais atenção do pessoal que circulava pelo parque. Entretanto, aquela altura já não estava mais envergonhada de nada.
— Agora me deixa pegar normal. — Me aproximei dele e peguei os outros amarelos de sua mão. — Aliás, fica muito bom com algodão doce.
— Fica?
Assenti com um aceno de cabeça, Edward se inclinou e me beijou. Um beijo rápido, de fato bem doce por conta de todo algodão doce e M&M's. Quando ele acabou com meus lábios os seus tocaram em meu pescoço, fazendo com que meu corpo ficasse todo arrepiado e meu coração disparasse.
No entanto, eu o afastei e olhei para os lados, tremendo que alguém nos reconhecesse ali, mas ninguém parecia estar prestando atenção na gente, deixando para lá a idiota em patufas dançando no meio da noite. Voltei a olhar para Edward e murmurei:
— Melhor a gente ir, né?
— Sim, claro, você precisa dormir para seu teste — ele pigarreou e abriu caminho até seu carro.
Logo ele colocou em uma rádio qualquer para tocar e dirigiu em silêncio até nosso prédio, enquanto eu terminava meu algodão doce. Estava distraída olhando pela janela, temendo que realmente alguém tivesse nos visto, não queria que aquilo se espalhasse por Berkeley, como também temi na festa pós Ação de Graças que meus avós ou a família de Edward brotassem na balada do nada e o vissem beijando a loira.
Claro, meus avós não estariam em uma balada daquela e a família dele tinha viajado, mas ainda assim temi que nosso disfarce fosse pelo ralo. Eu não falei sobre meu temor para Edward, não iria controlar a vida dele, mas aquele beijo tinha me incomodado.
Entretanto, só por isso, medo do plano Robin Hood fracassar. Eu não estava com ciúmes como Alice sugeriu e Rosalie depois quando também soube do beijo, apenas ignorei as duas amigas irritantes que tinha.
E tinha sido apenas um beijo, logo ele e a garota se afastaram e Edward sequer falou nela. Não que eu tivesse perguntado sobre, preferi realmente não tocar no assunto.
Até aquela noite:
— Você ainda tá falando com a menina da boate em São Francisco? — perguntei após comer meu último pedaço de algodão doce.
— Quê? — indagou confuso e eu o olhei, sua sobrancelha estava arqueada ressaltando sua confusão, ele nem lembrava da garota? Era esse tipo de cara? Eca!
— Da balada que fomos com o pessoal no final de semana, Masen.
— Ah não, não trocamos número nem nada.
— Entendi, fiquei meio receosa com aquele beijo.
— Por quê? — Olhou para mim rapidamente, mas logo voltou a focar na direção, só que notei ele esfregando uma mão em sua camiseta.
— Sei lá, alguém que acha que estamos realmente noivos poderia ver e acabar com tudo.
— É, faz sentido. Foi mal, eu não quis colocar o plano em risco.
— Beleza, da próxima vez que for pegar alguma menina só faz isso em um lugar mais privado. — Dei de ombros e o vi apertar com força o volante, provavelmente puto por ter que se privar de sair por aí beijando desconhecidas loiras.
— Ok — foi tudo que falou e voltamos ao silêncio embalado apenas pelo rádio.
Estávamos quase chegando ao estacionamento junto ao prédio quando começou a tocar Vienna do Billy Joel, uma das canções que tocava em De Repente 30. Eu amava aquela música, então aproveitei os últimos momentos de calmaria antes de voltar ao estresse dos estudos, encostei a cabeça na janela e fechei os olhos, sentindo a letra e melodia tomarem conta de mim, cantei baixinho junto, sentindo toda a emoção que canção me causava por conta do filme.
A primeira vez que o assisti ainda morava com Renata, a vida ainda era bem caótica por conta das mudanças constantes e fiquei obcecada pela casa de bonecas que o Matt fazia para Jenna. Eu queria ter aquela casinha e brincar de bonecas com ela, mas também queria viver naquela casa rosa, meu próprio lar, ser feliz ali ao lado do meu príncipe encantado, um amigo como Matt era para Jenna.
Quando o carro parou a música ainda tocava, mas ainda assim eu fiquei ali de olhos fechados mesmo após ela chegar ao seu fim. Até que senti Edward mexer em uma mecha de cabelo meu que se soltou do coque frouxo feito com caneta, eu o olhei, seus olhos verdes estavam fixos em mim.
— Tudo bem? — perguntou.
— Eu estava pensando em De Repente 30 — sussurrei, a voz enrouquecida pela vontade de chorar.
Ainda não morava na minha casa dos sonhos, com meu marido melhor amigo. Esperava viver aquilo com Demetri, mal via hora de ele voltar para os Estados Unidos. Entretanto tinha aquele receio em mim, o que me acompanhava desde sempre, o medo de ser abandonada e que Demetri também fosse fazer isso.
— Por quê?
— Estava tocando a música do filme. — Dei de ombros novamente e tirei o cinto. — Sei lá, amo Vienna, é uma música linda, apesar de dura. E o filme não é apenas uma comédia romântica boba para mim, ele me lembra muito da minha infância e… — parei de falar, me interrompendo de contar sobre a casinha.
— E? — Edward insistiu.
E eu falei, as palavras saíram de mim sem controle.
— Você já assistiu ao filme?
— Já, uma vez com Tanya.
— Bom, lembra da casinha que o Matt dá de presente para a Jenna? Eu sempre sonhei com aquela casinha. Sabe, em ter ela para brincar com bonecas, eu nunca tive uma casa da Barbie, ou qualquer coisa assim. No entanto, também queria a versão real daquela casa, como a Jenna e o Matt tem no final do filme. — Meus olhos se encheram de lágrimas, Edward me observava atentamente. — Eu queria brincar, não ter tido uma infância tão difícil. — Uma a uma as lágrimas tomaram conta do meu rosto. — E para meu futuro, bom, eu queria um lar com alguém que amasse. Um lugar confortável, acolhedor e talvez amarelo e não rosa, porque é minha cor favorita.
Pensei em contar a ele sobre Demetri, mas ali as palavras desapareceram, não consegui as proferir. Talvez antes de Demetri voltar eu contasse a Edward sobre ele, mas não naquela noite.
— Eu queria ter um peixe palhaço — Edward falou com seriedade, mas o rosto pegando fogo de vergonha ao contar aquilo. Eu logo entendi, e soltei um gritinho:
— Você é fã de Procurando Nemo!
Não sei como foi possível, mas ele ficou ainda mais vermelho.
— Vai dizer que você não gosta?
— Amo, apesar de não ser meu favorito da Pixar. Por que você nunca teve o peixe?
— Mamãe achava crueldade ter peixes, dizia que eles não foram feitos para aquário e deveriam ser livres. E depois que ela, bom, eu acho que estava vivendo preso no meu aquário, né? — Forçou um sorriso e me vi o confortando, compreendendo totalmente a sensação de estar no aquário, afagando seus cabelos por alguns segundos, até ele anunciar:
— Você precisa ir dormir.
Eu tirei minha mão dele e enxuguei cada uma das minhas lágrimas. Nós deixamos o carro, em um novo silêncio seguimos até o nosso andar no prédio. E enquanto ele abria a porta dele e eu a minha, cometi o erro de falar:
— Valeu, estou mais relaxada agora para voltar a estudar.
— Você o que? Já tá tarde e ainda vai estudar? Puta que pariu, Isabella. — Trancou de novo sua porta e veio até a minha, estava realmente irritado. — Vou ter que te sequestrar de novo?
— Não estudei o suficiente…
— Você estava faminta, chorando, cansada e desesperada quando te tirei do seu quarto mais cedo. Agora está tarde e vai dormir, não voltar a estudar e ficar novamente daquele jeito.
— Mas…
— Vai dormir! — Terminou de abrir a minha porta e entrou no meu apartamento primeiro.
— Você tá realmente me sequestrando de novo?
— Sim, quantas vezes for necessário para você não se matar por conta de um teste.
Segurou minha mão livre e me fez entrar, trancou a porta e fez com que andássemos até o banheiro. No automático, entrei ali e fiz o que tinha de fazer, quando saí, Edward disse em meu ouvido:
— Vai pra sua cama.
Ele se afastou e entrou no banheiro, meio desnorteada por estar realmente deixando meu sequestrador mandar em mim, fui para meu quarto. Guardei minhas coisas, troquei de roupas, tirei a caneta dos cabelos os deixando livres e quando estava quase me libertando e sentando para estudar, Edward apareceu, segurou meus ombros e me guiou até minha cama, fazendo com que eu deitasse.
— Agora você dorme — falou, sentando ao meu lado, mas nossos corpos ainda distantes. Ainda mais quando virei, dando as costas para Edward.
Fechei os olhos, sentindo o sono cada vez mais perto. Enquanto tentava dormir, imagens do restaurante, da câmera e de algodão doce dançavam em minha mente. Estava muito perto de pegar no sono de vez, mas estiquei uma mão e puxei Edward pelo o braço, fazendo com que ele acabasse deitando também.
— Não vou dormir a… — ele começou a falar, mas o interrompi.
— Cala a boca.
Edward parou de falar, e daquela vez eu fui a conchinha menor. Minhas costas estavam grudadas em seu peito, seu rosto entre meus cabelos, nossas mãos entrelaçadas.
Eu dormi e sonhei com uma casa amarela.
X
Toquei a campainha e Edward abriu a porta, estava pronto para sair de casa e ir se encontrar com o resto do time e comissão para a preparação do jogo daquela noite. Entretanto, eu lhe mandei uma mensagem e o fiz esperar por mim, pois tinha algo para mostrar.
— O que foi? — perguntou quando entrei no apartamento 505, por mensagem ele tinha dito que Peter não estava e Benjamin já tinha saído para o jogo, então estava sozinho ali.
— Olha só! — Entreguei para ele o envelope que carregava em minhas mãos.
Desconfiado Edward o abriu, tirando lá de dentro minha nota do teste realizado no dia anterior. Ele levou alguns segundos para compreender, mas quando entendeu, exclamou empolgado:
— Você tirou um A-!
— Eu tirei um A-! — gritei animada, não tinha gabaritado o teste, mas a nota foi melhor do que esperava e estava muito feliz com ela.
— Viu? E nem precisou ficar com fome e estudando a madrugada inteira pra isso. — Devolveu para mim a nota impressa e o envelope. — Por que você imprimiu mesmo?
— Porque quando vi no portal da universidade nem acreditei, precisava ter ela impressa. Talvez eu compre um quadro para emoldurar. Aliás, isso me lembra que o primeiro filme da câmera tá quase acabando, logo vou poder revelar as fotos. — Fiquei ainda mais animada ao pensar naquilo.
— Você vai ao jogo? Pode terminar o filme lá.
— Vou — confirmei. — Era pra eu ficar de babá, mas dispensei, preciso descansar um pouco.
— Ok, te vejo depois do jogo. Provavelmente vai ter alguma festa.
— Sim, tô pretendo ir. Até depois, Masen. — Antes que eu pudesse ir embora do apartamento dele, Edward segurou minha mão e se aproximou de mim.
— Espera aí.
— O que foi?
— Os últimos jogos foram uma merda — ele disse e beijou meu queixo, eu suspirei e concordei.
— Foram.
— E acho que criei uma superstição para me dar sorte.
— Do que tá falando? — consegui perguntar enquanto seus lábios seguiam caminho por minha bochecha.
— Acho que quando a gente se beija logo antes dos jogos eu ganho.
— Bom, então é melhor seguirmos a superstição. — Segurei o rosto dele e fiz com que Edward me beijasse pra valer.
Agarrei seus cabelos, soltando o envelope com minha nota no chão, enquanto ele me segurava pela cintura e bunda. E desejei que a superstição não fosse apenas beijo, mas o pacote completo.
— Agora sim — Edward proclamou quando o beijo acabou, eu queria mais, porém sabia que ele precisava ir.
— Vamos pular a festa pós jogo? — perguntei ainda segurando seus cabelos entre meus dedos ansiosos.
— O que você tem em mente?
— Você, eu e a minha cama. Que tal?
— Eu topo.
X
O beijo estava dando certo, o time começou ganhando e Edward parecia estar muito à vontade no jogo. Da arquibancada, com meus amigos, Jake e meu pai, eu gritava junto ao resto dos torcedores incentivando os jogadores de Berkeley, mas precisava admitir que era o Masen para quem estava mandando mais energias positivas.
— Encontrei você! — gelei ao escutar a voz, olhei em direção ao som e vi Eleazar Masen afastar a garota no assento ao lado para o ocupar.
— O-Oi — gaguejei, Edward não tinha contado que o pai dele iria ao jogo e aquele parecia um déjà vu terrível de quando os tios dele apareceram.
Eleazar falou com meu pai e Jake que estavam atrás de nós, e com meus amigos do meu outro lado. Todos também surpresos com a aparição do homem, tirando meu irmão e bom, papai Aro estava mais irritado com a presença do Masen.
— Edward não me disse que você viria — comentei, apertando uma mão na outra, completamente tensa.
— Ele não sabe, é uma surpresa. O garoto joga bem, não é? Terá um futuro brilhante no futebol.
Nisso ele estava certo, Edward era incrível no futebol americano e com certeza entraria para um bom time profissional após a universidade.
— Aro, vamos jantar depois daqui? — Eleazar perguntou para meu pai. — Você, Charlie, eu e as crianças.
— Infelizmente não poderei, Charlie e eu temos compromisso.
Sabia que meu pai estava mentindo, ele tinha me convidado para ir comer algo depois do jogo. Só queria se livrar do Eleazar, não poderia julgar ele por isso.
— Bella, você vem, certo? — Eleazar me questionou.
— Hum, Edward talvez…
— Ele com certeza vai aceitar! — Eleazar exclamou em um tom de quem estava encerrando o assunto.
Tirou o celular do bolso e começou a filmar o filho, também tirou fotos do campo, das arquibancadas e me fez posar para uma selfie com ele. Educadamente o lembrei que o noivado ainda estava sendo preservado, e o homem disse que sabia, que não iria publicar nada sobre aquilo.
— Você vai fingir dor de barriga de novo? — Rose perguntou no meu ouvido, rindo quando eu resmunguei.
O jogo continuou e eu ignorei Eleazar o máximo que pude, voltando a me concentrar na partida. Ficando novamente animada e menos tensa sempre que o time se dava bem, e surtando de felicidade quando ganhamos.
— Vai se preparando, Bella — Eleazar falou para mim enquanto todos gritavam comemorando a vitória. — Edward vai ser disputado pelos times e você terá de segui-lo por aí.
Aquilo me deu ânsia de vômito, ele achava mesmo que mulheres deveriam seguir homens por aí? Machista de merda, minha carreira não tinha importância, era isso? Eu só deveria abaixar a cabeça, fazer as malas e caminhar atrás do homem no comando?
Por sorte meu pai não escutou aquele absurdo, ou iria discutir com Eleazar. Eu também queria gritar e apontar para a cara do Masen, talvez dar uns tapas, mas me contive.
— Vamos direto para o restaurante, Isabella? Edward nos encontra lá.
Ali meu pai tentou intervir que talvez fosse melhor esperar Edward para irmos juntos, mas eu disse que tudo bem irmos logo. Apesar de tudo, eu ainda queria a grana de Eleazar para meu plano dar certo, precisava jogar o jogo dele.
Sendo assim, fui para um restaurante italiano com o Masen. Outro restaurante de gente rica, daquela vez vestindo calça jeans, camiseta do time, um boné da universidade e tênis.
No caminho até lá tinha mandado mensagem para Edward avisando para ele nos encontrar ali, ele respondeu com um ok e fiquei mais tempo do que gostaria bebendo vinho e escutando Eleazar contar sobre sua carreira fantástica. Por algum tempo até achei que Edward nunca fosse aparecer, mas ele apareceu e não estava nada contente.
— Ei, tudo bem? — foi logo perguntando para mim, antes mesmo de se sentar, uma mão em meu braço e a outra ajustando meu boné, que tinha me recusado a tirar, para poder ver meu rosto melhor.
— Sim, tudo bem. Você tá bem? Calma — sussurrei o final, vendo como ele estava bravo.
— Poderia ter me esperado, não vindo na frente com a Bella. — Se voltou para o pai.
— Oi, filho, estou bem e você? — Eleazar debochou. — Bella está ótima, relaxe! — Apontou para a cadeira ao meu lado. — Sente-se e vamos jantar, precisamos comemorar sua vitória. Foi um grande jogo, estou orgulhoso, você jogou muito bem.
Edward desmontou um pouco ao escutar aquilo, sua raiva se tornou expectativa.
— Acha mesmo?
— Claro que acho, eu estava mesmo falando para Bella que os times irão guerrear por você, garoto.
Meu vizinho primeiro engoliu em seco, depois sorriu e sentou ao meu lado. Pegou minha taça de vinho e bebeu um gole.
— Pode beber mais — falei, apesar do sorriso, ele ainda parecia nervoso.
— Eu vou te levar pra casa depois, não vou beber e dirigir.
— Certo.
Era meio sexy isso, ele sempre ser tão certinho e não beber quando iria dirigir. Ainda queria aquela noite terminando com nós dois em minha cama, mesmo com aquele jantar inesperado atrapalhando o caminho até lá.
— Agora que Edward chegou precisamos tirar uma foto todos juntos — Eleazar declarou, já chamando um garçom para nos fotografar.
— Você não pode…
— Eu não vou postar, Edward. Sério, relaxe!
Edward suspirou e nos levantamos para a foto.
X
Eu estava no meio de um sonho muito bom, envolvia a pré estreia mundial da série de Percy Jackson, limusine, autógrafos e fotos com famosos, mas despertei no momento que iriam começar a exibir o primeiro episódio. Abri meus olhos, me deparando com o escuro do meu quarto, mas também vi a silhueta de Edward sentada na minha cama.
— Emo? — Ele estava com meu Kindle em mãos?
— Oi. — Olhou para mim e com a baixa iluminação do Kindle vi o vislumbre de um sorriso em seu rosto.
— O que você tá lendo? Que horas são?
— Quatro da manhã, tô lendo um livrinho cheio de putaria que encontrei aqui envolvendo uma médica e um enfermeiro. Você já leu? Eles acabaram de…
— Não, não, eu ainda não li esse! — protestei, me sentando também e pegando a garrafinha com água que deixei perto da cama. — Quem te deu autorização pra mexer nas minhas coisas mesmo?
— Tava aí, eu peguei. — Deu de ombros e voltou a ler. — Já tô na metade, estranhamente estou gostando — confessou.
— Por que você não dormiu? — Voltei a deitar depois de beber minha água.
— Estava muito agitado e não quis ir pro meu apartamento porque Peter levou um pessoal pra lá. — Edward deslizou na cama e deitou também, mas não largou o Kindle. — Não é possível que as pessoas façam esse tipo de coisa num hospital.
— Estou sentida com isso, quer dizer que toda minha performance de sexo pós jogo ganho não foi suficiente para te derrubar, quarterback? — Ele riu e me olhou. — Eu fui bem pra caramba.
— Você foi, mas não consigo parar de pensar no que rolou antes.
Fiz uma careta.
— Jantar com seu pai?
— Sim, e ele aparecer no meu jogo. Isso não acontece desde o ensino médio.
— O seu pai não assistia a um jogo seu desde o ensino médio? — indaguei incrédula.
— Pessoalmente não — respondeu e a luz do Kindle era fraca, mas o suficiente para eu ver a decepção no seu olhar. — Ele viria, para meu primeiro jogo, mas…
— Mas eu te atropelei e você ficou de fora por conta da sua mão machucada — falei baixinho, ali compreendendo tudo. Edward começou a me odiar não só por o tirar do primeiro jogo na universidade, mas porque fiz com que o pai dele não fosse o ver jogar.
— É, isso. E ele ficou mandando um milhão de mensagens, falando que eu já estava começando a universidade machucado, que iria acabar fora do time e nunca alcançar uma posição nos profissionais no futuro. — Respirou fundo.
— Edward, eu sinto muito. Você sabe que não te machuquei de propósito, foi um acidente.
— Eu sei. — Ele fechou a capa do Kindle e o quarto ficou no mais profundo escuro. — Foi mal, por ter sido um grande idiota, não deveria ter descontado em você por estar bravo com meu pai babaca.
— Mas ele veio te ver agora, foi meio legal? Ele aparentemente ficou mesmo orgulhoso de te ver jogar.
— Talvez… Acho que vou pro meu apartamento, ainda tô sem sono e você deve querer voltar a dormir.
— Não, fica aqui. — Passei uma mão por cima da barriga dele, sem querer que Edward fosse no meio da noite ficar sozinho no quarto dele com todos aqueles pensamentos na cabeça. — Me conta sobre o livro — pedi.
— Quer mesmo spoiler?
— Quero.
— Ok, o livro começa com a protagonista fazendo uma cirurgia, mas aí ela começa a dançar.
— Como? — perguntei chocada e ele riu, se movendo na cama até ficar de frente pra mim, nossos rostos quase se tocando.
— Era um sonho e ela gosta de musicais.
— Ok, estou bem curiosa agora, não vi nada disso na sinopse. Vai, pode ir falando mais.
X
Na manhã de sábado Edward e eu ficamos pelo meu apartamento, mais precisamente na minha cama. Porém, não estávamos transando e sim lendo o resto do livro.
Dormimos por volta de cinco da manhã, depois dele me resumir até a parte que tinha lido e acordamos às 10. Saímos do quarto só para ir ao banheiro e pegar café na cozinha, depois ficamos ali revezando a leitura em voz alta.
— Não, ela não vai transar com o enfermeiro na sala do chefe dela! — Edward ficou horrorizado quando comecei a ler aquela parte, eu ri da cara dele.
— Você ainda não viu nada, o pessoal nesses livros transam em qualquer lugar. A sala do chefe é até normal.
— Bella, Bella, Bella! — Edward e eu nos assustamos quando escutamos Rosalie gritar por mim e começar a bater na minha porta.
Rapidamente larguei o Kindle e fui abrir a porta do quarto, vendo minha amiga pálida do lado de fora. Em suas mãos, seu celular.
— O que foi, Rose?
— Hum, o Instagram do programa do Eleazar postou sobre o jogo de ontem. E postou também sobre o noivado de vocês, aí a conta da universidade repostou. Basicamente, todos agora sabem que vocês estão noivos.
Beijo, beijo!
Lola Royal.
28.07.23
