25 de outubro de 2007:
Cair em um lugar desconhecido e rolar pela terra não foi a parte ruim, a parte ruim foi que mesmo batendo todo o meu corpo no chão e sofrendo fraturas que pela dor que sentia eram graves; eu não consegui morrer. Eu não era uma viciada em tentar me matar ou uma pessoa suicida, eu só ia com o fluxo do tempo e se esse fluxo estava dizendo que eu iria morrer, o problema não era eu e sim, o fluxo.
Coloquei minha mão na costela e senti a dor que fazia meus pulmões perderem o oxigênio apenas por esse toque, eu já quebrei muitas coisas, mas a costela era a primeira vez. Fico por algum tempo tentando saber a gravidade da fratura, mas eu ainda não tinha visão de raio x para isso, infelizmente.
Iria me sentar, mesmo com toda a dor do mundo estivesse me afligindo, eu não poderia parar agora apenas por causa de uma dorzinha qualquer. Tinha que fugir, não poderia mais estar aqui ou eu seria encontrada e isso seria uma morte horrorosa.
E não quero morrer pelo inimigo, eu aceitava tudo, menos ser zombada, ser morta pelo inimigo, ver olhares de pena e perder a dignidade.
Apoio o meu cotovelo no chão e vou tentando me levantar devagar, mesmo que meu corpo reclamasse, não poderia ficar deitada nesse chão para sempre.
_ Achei ela! - Gritou um homem. _ Como vai? Alguém me disse que você estaria morta e seria mais fácil de pegar essa bolsa, mas quem diria que você iria sobreviver depois de ser jogada de uma altura impressionante. - Cabelos ruivos, vestes feitas sob medida; ele deve ser um Weasley.
_ Também queria ter morrido, pelo menos não veria essa sua cara horrível. - Digo em um suspiro e ele apenas ficou sério e me puxou para cima, e quase desmaiei pela dor que apenas esse movimento me causou.
_ Espero que continue com essa personalidade horrível, vai ser melhor para a minha sanidade quando ele te matar.
Não conseguia mais retrucar, eu só queria pensar em uma maneira de destruir essa bolsa, essa bolsa continha coisas valiosas para mim e essas coisas poderiam ajudar muito o lado das trevas ou prejudicá-lo se fosse parar em mãos erradas.
A bolsa continha um feitiço de expansão, sim, um feitiço ilegal que só pode ser usado com a permissão do ministério por escrito. Mas não estou me importando com algo tão banal, estava preocupada com os livros que tinha nessa bolsa, livros das trevas, arquivos sobre todos os Comensais e aliados; dinheiro e tinha duas coisas muito preciosas para mim. Um livro escrito pela minha mãe dizendo como se fazia o seu próprio vira-tempo e uma poção de crescimento que ficava nas últimas páginas do livro.
Sobre o livro ensinando sobre o vira-tempo, seria necessário caso eu fosse realmente para o passado ajudar aquele sem nariz. E sobre a poção, era uma perda de tempo, não quero ficar mais velha, queria retroceder, queria ter onze anos e ter fugido para algum lugar e ter aceitado a carta de Hogwarts.
Meus pensamentos foram interrompidos por ser simplesmente jogada no chão. Um pouco de grama morta entrou em minha boca e tento tirar com a mão, mas ela estava suja e isso piorou a situação.
_ Eu perdi a aposta. - Essa voz.
Olhei para cima e vejo Harry Potter bem na minha frente, que maravilhoso. Antes dele me matar, eu poderia pedir um autógrafo? Talvez no submundo valesse algum trocado.
_ Meu bebê. - Olho para o lado e vejo mamãe sendo rendida por uma mulher de cabelos indomáveis.
_ Fique quieta. - A mulher falou.
_ Ela não tem nada a ver com isso, deixa-a em paz. - Mamãe suplicou, mas não adiantou.
_ Deixá-la em paz? - Ele sorriu. _ Claro, só se ela me entregar essa bolsa, procuramos essa bolsa por muito tempo.
Alguns Comensais que conheceram a mamãe e que sabiam o que tinha nessa bolsa, foram capturados algum tempo atrás e eles delataram para alguns aurores sobre nós.
_ Se você pegar essa bolsa, com certeza seremos mortos por vocês em menos de cinco segundos. - Digo o observando. _ Não vou te dar essa bolsa, pegue-a se conseguir, seu testa rachada. - A mulher segurou o riso, mas o Weasley não se segurou e gargalhou.
_ Ela me lembra o Malfoy. - Weasley comentou e eu pensei que essa comparação não era tão absurda assim, já que ele era o meu primo.
Harry veio até mim e chutou o meu corpo me fazendo ficar de barriga para cima e a dor que eu pensava ter esquecido, apareceu novamente, mas mil vezes pior. A minha visão ficou turva por alguns segundos e meus ouvidos ficaram surdos para o exterior, eu só conseguia escutar o meu coração batendo rapidamente dentro da minha caixa torácica. Podia sentir o meu sangue amaldiçoado correndo pelas minhas veias e esquentando todo o meu corpo.
Ardendo e me fazendo ranger os dentes para não gritar, esse sangue... Eu o odiava, queria que ele fosse normal.
_ Sangue amaldiçoado, quem diria. - Harry se agachou e cutucou a minha pele que estava aparecendo veias negras e não roxas ou verdes. _ Quem te amaldiçoou?
_ O capeta que não foi. - Zombei e ele me deu um tapa. _ Acha que isso vai me privar de falar? Pensei que os Grifinórios fossem bonzinhos, mas vejo que me enganei, você é pior que os Sonserinos e acho que fui muito preconceituosa com a casa verde e prata.
Harry me chutou mais uma vez e meu rosto ficou colado no chão, mas não por muito tempo. Logo ele puxou o meu cabelo e isso fez que meu rosto desencostasse do chão e apontou sua varinha para o meu rosto, eu não escutava mais a mamãe gritando. Talvez tenham calado a sua boca para que ela não continuasse fazendo os seus escândalos.
_ Pegue a bolsa e vamos embora. - A mulher falou vindo até nós.
Meus cabelos foram deixados e minha cabeça caiu com tudo no chão. Ele me virou de barriga para cima e meu sangue não gostou dessa posição. Ele me fez arquear as costas e tensionar a mandíbula, aquele sangue era horrível.
_ Parece que seu corpo está te matando aos poucos por não tomar a poção. - Não queria responder que essa maldição não tinha poção.
Meus olhos se encheram de lágrimas enquanto sentia alguém tentando tirar a bolsa de mim.
_ Desgraçada. - Ri enquanto sentia a dor se alastrar pelo meu corpo. _ Essa bolsa está com um feitiço, consegue fazer um contrafeitiço para isso, Mione?
_ Posso tentar. - Tente o que você quiser, eu mesma fiz esse feitiço, seus idiotas.
Fecho meus olhos por alguns segundos para regularizar a minha respiração e o sangue. Sinto vários feitiços sendo direcionados para a bolsa, mas alguns caiam em mim e não faziam nada, apenas me faziam olhar para aquela mulher.
_ Hermione não sabendo fazer algo é novidade. - Weasley zombou e a mulher lhe deu o dedo do meio. _ Agressiva como sempre.
_ Quero o divórcio. - O homem riu.
_ Claro, eu te dou em fevereiro.
_ Sério? - Ela ficou surpresa.
_ Sim, 31 de fevereiro. - Riu e foi para algum lugar. _ Vamos parar de fazer gracinhas e vamos levá-la para o ministério, talvez o ministro saiba como resolver isso.
_ Mate os pais, eles não são necessários e não tem nada em suas cabeças que nos digam a solução para essa pequena guerra interminável. Mas você. - Potter me olhou sorrindo. _ Você tem o que estou procurando há nove anos. - Tento me levantar para correr, mas ele fala algo que me faz gritar de dor. _ Destruccio.
Mordo meus lábios fortemente para não desmaiar e sinto ele se abrir. Olho para o lado com a visão embaçada pelas lágrimas que não paravam de sair e vejo meus pais perecer...
Deveria sentir alguma coisa vendo isso? Sei que foram eles que me criaram, que são meus pais biológicos, mas não sinto nada por eles e nem mesmo sinto vontade de amaldiçoar esses dois que falaram a maldição da morte. Mas eu senti um pouco de inveja, eles conseguiram escapar do sofrimento e eu, eu tenho que sentir meu corpo todo destroçado, sentir o sangue negro na minha boca e sentir a minha cabeça doer como se sempre fosse assim.
Não queria chorar porque não adiantava nada, mas meu corpo não entendia isso e se entendesse ele não me ouviria.
Minhas pernas e minhas costelas estavam quebradas, e eu só podia desistir, já que ninguém iria vir ao meu auxílio, como sempre.
Harry agarrou o meu braço e sinto aquela desconfortável sensação de enjoo, tínhamos acabado de aparatar. Senti o chão gelado e o piso era negro; era tão bonito.
_ Eles chegaram. - Alguém gritou e a falação do ambiente parou, todos estavam mudos e esperavam alguém falar alguma coisa.
_ Não poderiam ter apenas pegado a bolsa? - Um homem negro com estatura alta e vestes coloridas perguntou para os três. _ Mesmo assim, bem-vindos de volta, como foram esses meses de busca?
_ Acho que devem ter chegado algumas cabeças. - Weasley zombou e viu a sua esposa ir para algum lugar. _ Eu vou indo, foi ótimo voltar por alguns meses como auror, mas tenho que voltar para o meu irmão. - Ele me olhou e não disse nada.
_ A bolsa tem algum feitiço que nos impede de tirá-la do seu corpo e de tirar alguma coisa dentro dela. - Harry acenou para o seu amigo e ficou olhando para o homem à sua frente. _ Então tivemos que trazê-la, ministro.
_ Tudo bem, colocaremos ela em uma cela e iremos vasculhar as suas memórias, ela é apenas uma garota, não pode ter tanto poder para criar barreiras capazes de nos impedir de entrar. - Ele fez um sinal para alguém e sinto os meus braços sendo levantados e meu corpo sendo arrastado pelo chão do ministério.
Escuto salvas de palmas e aquilo me fez pensar, sempre foi assim? Eu era a peça principal de tantos tabuleiros de xadrez que estou ficando chateada de não ter ninguém no meu, nem mesmo eu.
Eles não me levaram para o elevador, mas usaram a escada e meus pés batiam nos degraus me fazendo arrepiar e morder os meus lábios com mais força que antes. Eles poderiam ter me levitado, mas acho que isso era como uma tortura psicológica e não está funcionando.
O ar daqui de baixo era frio, doía os meus pulmões apenas por respirá-lo e se eu não soubesse que os Dementadores não existiam mais no ministério, falaria que tinha vários aqui. Era a mesma sensação, só que um pouco melhor.
Paramos e vejo um dos homens apontar a sua varinha para um azulejo específico e o azulejo começou a fundar para dentro, era como a entrada do Beco diagonal, mas um pouco sem graça. A parede começou a deslizar para o lado e me foi mostrado um lugar escuro, não dava para ver o seu interior.
_ Tenha uma boa estadia, escória. - Um dos bruxos disse antes dos dois me jogarem dentro daquele lugar.
Eles têm alguma coisa contra o meu corpo? Quantas vezes fui jogada no chão? Saiba que isso dói e ainda mais por ter fraturas pelo corpo. Apenas continuo no chão, talvez ele fosse um lugar melhor, ou eu apenas liguei o foda-se.
_ Um medibruxo vai te avaliar, não queremos uma doença voando por aí. - Foi a última coisa que um dos bruxos falou antes que a parede voltasse para o seu lugar.
Isso me ajudaria muito, principalmente destruir essa bolsa, não preciso de varinha para fazer magia, até alguns anos atrás eu nem mesmo tinha varinha para fazer um lumos. Só ganhei uma quando matamos uma bruxa da luz e a sua varinha voou para a minha mão como se eu fosse sua dona ou ela não queria ser destruída.
Tento lançar um lumos para o ar, mas nenhuma faísca saiu dos meus dedos, só o que me faltava, eles ficaram inteligentes. Ala de anti feitiço, bem interessante e eram feitas por pedras de runas e devem estar por pelo menos 10 metros onde a pessoa queria que funcionassem.
Então deve estar em algum lugar do outro lado daquela porta. Sem magia não iria conseguir fazer nada, pelo menos a bolsa continuava funcionando, pelo menos eles não fizeram melhorias nesse tipo de encantamento.
Puxo a minha bolsa para cima e a abraço, não tinha nada nela que pudesse me ajudar a escapar daqui, nem mesmo um vira-tempo. Eu só tinha uma pequena determinação de ficar aqui e esperar que meus ossos se curassem sozinhos, mesmo que eles se curassem para o lado errado e no futuro eu tivesse que quebrá-los novamente para que eles crescessem no lugar certo, eu sairia daqui.
Mamãe poderia ter pensado um pouco e ter me deixado fazer um vira-tempo, em vez de apenas me ensinar como fazê-los e modificá-los. Ou ela poderia não ter destruído os três vira-tempos que ela fez durante a minha infância e mesmo que ele apenas voltasse algumas horas, eu teria conseguido fugir.
Mas não posso pensar assim, pensar nas coisas que eu poderia ter feito. Isso iria virar um ciclo e eu iria ficar imaginando, ao invés de fazer de fato algo que poderia me ajudar e eu iria cair na rotina monótona da minha vida.
A parede começou a se mexer e presto atenção na pessoa do lado de fora; cabelos loiros, olhos cinzas e postura excepcional, um Malfoy, especificamente, Draco Malfoy, o meu primo.
_ Muito escuro para o meu gosto. - Disse para si e fez um lumos e o feitiço ficou iluminando o ambiente.
_ Pensei que tivessem runas...
_ E tem, mas só para prisioneiros que a sala é especificamente ordenada a prender, como você, Leesa.- Ele entrou na sala e a porta se fechou atrás de si.
_ Já descobriram até o meu nome. Como descobriram?
_ Sabíamos o nome de sua mãe e olhamos os registros que ela tinha uma filha que se chamava Leesa Avery.- Então eles sabem que a minha mãe é uma Malfoy? Ou a vovó conseguiu burlar os documentos e dizer que fez a minha mãe com o dedo? Porque o dedo é muito melhor que Abraxas Malfoy.
Sinto sendo levitada e vejo que eu estava sendo colocada no colchão daquele lugar, posso chamar aquilo de colchão? Estava mais para espuma extrafina, preferia o chão.
_ Você não parece ter gostado.
_ Deita-se aqui para ver se é bom. - Ele riu e fez a espuma virar uma cama com um colchão macio. _ O que você vai ganhar me proporcionando um bom lugar para dormir?
_ Não vou ter dores nas costas. - Fico sem falar nada e ele apontou a sua varinha para mim. _ Por que não está chorando? Pelo pergaminho você tem duas costelas quebradas, pernas quebradas, queimaduras de segundo grau, sangue amaldiçoado, ossos malformados e anemia.
_ Iria resolver os meus problemas se eu chorasse? - Ele me olhou por um tempo e continuou vendo o pergaminho com o diagnóstico. _ Você gostava de estar ao lado do Lorde?
_ Não e isso não diz respeito a você.
Ele estava certo, mas queria a opinião de outra pessoa, mamãe e papai sempre endeusavam o Lorde e dizia que ele fez o que tinha que fazer, mas se era a verdade, por que a metade do mundo queria nos matar por apenas segui-lo?
_ Mamãe e papai achavam que o mundo seria melhor com ele. - Não me importava se ele estava escutando ou não. _ Queria saber a opinião de outras pessoas que compactuavam com suas ideias, afinal, eu era apenas uma criança que não entendia muito do mundo em que vivia. - Ele me olhou.
_ Cresci com os meus pais e eles me ensinaram os costumes puristas, então eu acreditei e aceitei os costumes. Eu me arrependo de ter chamado a Granger de sangue-ruim, mas se o Lorde tivesse ganhado, eu não teria esses pensamentos, então é meio nebuloso o que eu iria pensar se ele tivesse ganhado. Afinal, ele estava louco.
_ Louco? Que tipo de loucura estamos falando?
_ Das piores. - Ele tirou do seu bolso e ali tinha uma pequena maleta. _ Vou te dar algumas poções para a sua anemia e queimaduras, mas para os ossos, eu preciso pegar mais algumas poções, não sabia de seu estado.
_ Eu não preciso disso, sei que se eu não falar nada, vou morrer e se eles pegarem o que eles querem, também vou morrer.
_ Talvez fique em Azkaban.
_ Não é preferível morrer? Sei que não existem mais Dementadores naquele lugar, mas não quer dizer que ficou um mar de rosas.
_ Você é estranha, alguns que seguiam a palavra, preferiam delatar os seus iguais para ser inocentado e ter a sua aclamada liberdade.
_ Karkaroff. - Ele concordou.
_ E tem outros que preferiram ficar calados e seguir aquele homem até a sua morte.
_ Os Lestrange. - Falei.
_ Sim, mas você. Você quer saber a opinião de um ex Comensal e sabe que vai morrer e prefere isso. Eu não sei se você é burra ou se faz.- Não dou a minha opinião, já que eu não tinha uma para começo de conversa. _ Aqui, vou te ajudar a tomar as suas poções. Quando eu voltar, espero que você esteja um pouco melhor.
_ Se eles me mostrarem os benefícios de ficar nesse lugar, estarei muito melhor.
_ Zombar das coisas é sua mania de fugir um pouco da realidade?
_ Virou psicobruxo e não estou sabendo?
_ Ou pode ser para fugir de certas perguntas. - Ele não me respondeu e nem mesmo eu o respondi.
O homem destampou o vidrinho e me ajudou a beber o líquido. O gosto era horrível, parecia que estava bebendo creolina.
_ Não cuspa.
_ Bebe isso no meu lugar. - Falo depois de ter engolido o conteúdo do primeiro frasco.
_ Não sou eu que está doente. - Zombou, depois fala de mim.
Ele iria falar mais alguma coisa, mas a parede começou a se mexer e alguém estava do lado de fora.
_ Malfoy. - Era Harry.
_ Potter. - Draco não parou de me ajudar a beber o outro vidrinho para olhar para o homem atrás de si.
_ Pedimos para você vir para ver se ela tinha alguma doença transmissível e não para você tratá-la.
_ E eu que pensei que sua testa tinha se curado quando derrotou aquele homem, mas vejo que apenas piorou a sua inteligência. Claro, se você tivesse um pouco de QI.
_ Malfoy!
_ Sim, esse é o meu sobrenome, caso tenha se esquecido. - Tenho que concordar com o Weasley, somos parecidos. _ Sou médico e é meu dever tratar qualquer um que venha precisar do meu auxílio, seja a pessoa das trevas ou não.
_ Então seus serviços não serão mais...
_ Você não me dá ordens, Potter. Não sou um dos seus aurores para você falar qualquer coisa e eu apenas calar a minha boca. - Ele terminou de me dar as poções e se virou para trás. _ Só vou parar de vir aqui se o próprio ministro me pedir. Mas fora isso, vou continuar vindo para tratar essa criança.
_ Isso é o que veremos. - Ele se aproximou e ficou me olhando. _ Está na hora de você contar o que sabe. - Ele estalou os dedos e dois bruxos entraram na sala e vieram até mim. _ Leve-a para a sala.
Já vou ter um interrogatório, que maravilha.
Eles pegaram os meus braços e puxaram para fora da cama e vejo ela voltar o que era antes, apenas um colchão fino.
_ A levite, suas pernas estão quebradas...
_ E você acha que me importo em dar um tratamento especial para uma Comensal?
_ Ela não tem a marca.
_ Vários não tinham, mas sabemos que eram. - Ele saiu da sala e os dois bruxos o seguiram enquanto me arrastavam pelo braço.
Não quis olhar para trás e encontrar um olhar de pena, odiava esses olhares. Eram cansativos e punitivos para a minha alma. Eram como se tudo que aprendi e vivi, fossem nada, apenas um grão de areia.
Não prestei atenção em minha volta, já dava para saber pelo barulho que tinha muitas pessoas no lugar em que eu estava. Sou colocada em uma cadeira e meus braços e pernas foram algemados.
Olhei para cima e vi várias pessoas me olhando, tinha o ministro, o chefe dos aurores, chefe de algum departamento e mais algumas pessoas que tinha chefe como título. Alguns vestiam roupas pretas e outros vermelhas.
_ Isso é um julgamento? Meus leitores precisam saber exatamente o real motivo dessa convocação de última hora. - Sua voz era sedosa, aveludada e tinha um bom timbre. Sua voz acariciava os sentimentos de quem a ouvia, era uma sensação boa.
_ E você seria? - O ministro perguntou.
_ Desculpe-me a apresentação tardia, me chamo Annelise Skeeter e estou aqui para apurar os fatos para O Pasquim. - Alguns riram e outros fizeram sons de surpresa, eu não poderia ver as pessoas de trás, mas o que estavam à minha frente pareciam em dúvida e chocados.
_ O Pasquim? O antigo jornal de loucos? - Alguém zombou.
_ Isso não importa. - O ministro começou a falar. _ Hoje convoquei vocês para uma grande notícia para o Mundo Bruxo, conseguimos capturar a pessoa que pode nos trazer a verdadeira paz. Essa menina que vocês estão vendo, é a pessoa que pode nos dar as informações que tanto buscamos.
_ Ela tem informações que podem nos levar para os Comensais sem marca e tem informações dos aliados daquele homem. - Harry falou e a confusão se instaurou no ambiente.
_ Traga o Veritaserum. - Alguém gritou e várias pessoas começaram a concordar.
_ Eu iria pedir para vasculhar as memórias...
_ Memórias podem ser falsificadas. - Aquela pessoa gritou.
_ E Veritaserum pode ser burlado se a pessoa tiver convicção em sua inocência. - A mulher que matou a minha mãe falou. _ Todos esses jeitos que os senhores estão pensando, nos darão informações falsas, talvez até mesmo o seu nome venha cair por uma palavra dessa garota.
_ Absurdo! - Continuaram a gritar suas opiniões fúteis. _ Então a torture-a, essa gentinha não merece um tratamento piedoso, temos que fazer o que eles sempre fizeram.
_ Mas ela é apenas uma criança. - A jornalista respondeu. _ Talvez ela não tenha culpa.
_ Todos tem culpa.
_ Vocês irão prejudicar uma criança? - Em sua voz dava para saber sobre seus sentimentos, ela parecia triste.
_ Entregue a bolsa e podemos te libertar com uma contenção mágica. - Eles iriam retirar a minha magia.
_ Não. - Falei e alguns tentaram vir até mim para roubar a bolsa, mas foram parados por alguns aurores.
A sala era tão escura; não era aconchegante, mas a cor até que era bonita. Mas eu preferia azul, era uma boa cor.
_ Aberração! Ela não merece opção de escolha, vamos, andem logo e a torture. - Alguém pode calar a boca desse homem?
_ Não sejam tão extremos, temos tempo para decidirmos o destino da criança. - O ministro tentou apaziguar as coisas, mas não funcionou.
_ Vamos começar pelas informações que conseguimos dessa menina. - O subsecretário falou e organizou o papel que leria. _ Estamos na presença de Leesa Avery, nascida em 1991, não temos o dia do seu nascimento ou mês. Mas provavelmente tem 15 anos; seus pais são Byella Avery e Asmus Macmillan; mortos algumas horas atrás. Seu avô se chama Canopulous Macmillan e ele já foi notificado sobre a morte do seu filho.
_ Como eles foram mortos? - A jornalista perguntou.
_ Duelo, a senhora Weasley e seu marido estavam lutando contra eles e acabaram fazendo que os dois tivessem traumatismo craniano, aqui está a autópsia. - Ele fez que alguns papéis fossem distribuídos.
Queria dizer para todos que ele estava mentindo, mas para que eu faria isso? Para eles se lembrarem que existo e começarem a discutir novamente o que iria fazer comigo? Era melhor ficar quieta e apenas escutar o que esses idiotas estavam falando.
_ Foram tarde, menos gente idiota no mundo. - Eu só queria saber quem era ele, talvez em um dos meus ataques de raiva, eu conseguisse adrenalina o suficiente para conseguir andar e pular no seu pescoço e arrancar um pedaço da sua garganta com os dentes. Parecia uma cena maravilhosa para mim.
Vejo o ministro começar conversar com alguns homens que eram do júri e fico pensando qual seria a tortura. Eu estava preparada para elas? Talvez.
_ Antes de decidirem o meu destino, eu quero que saibam que nunca fiz nenhum mal para vocês, não achava certo as palavras puristas dos meus pais, mas fui criada com essa educação e não posso mudar o que já está gravado em minha alma e só não entrego essa bolsa por puro egoísmo. Essas são as minhas palavras finais.
_ Dê a ela dez gotas de Veritaserum. - A maioria comemorou, ninguém sobreviveria 3 gotas dessa poção, nem mesmo o Lorde.
_ Isso é um absurdo, apenas 3 gotas iriam fazer aquele-que-não-deve-ser-nomeado falar seus segredos mais íntimos. - Gostei dessa jornalista. _ Vocês não podem fazer isso, o mundo vai culpar vocês.
_ Ou vai nos agradecer, senhorita Skeeter. - Harry falou ríspido.
Um inominável veio até mim com um vidrinho em mãos e agarrou fortemente a minha mandíbula para que eu abrisse a minha boca.
Tento algumas vezes escapar, mas não consegui resultado positivo. Poderia suportar a tortura, mas Veritaserum eu não iria conseguir.
Sinto a poção sendo colocada na minha boca gota por gota e comecei a contar quantas gotas conseguia sentir com a língua. Mas foi difícil, contei 25, mas ele não iria colocar quinze a mais ou iria?
Ele saiu de perto de mim e sinto a necessidade de contar tudo, até mesmo a minha pequena paixonite por ambientes na cor azul.
_ Qual é o seu nome? - Não sou uma Malfoy, não sou uma Malfoy, e tenho certeza de minhas palavras.
_ Leesa Avery... - Mordo a língua, mas a dor não adiantou. _ Malfoy.
Escutei suspiros de surpresa e eles diziam que a poção não estava funcionando. Então eles analisaram que perguntas fariam para me testar, perguntas essas que colocariam tudo em risco. Até mesmo a minha dignidade.
_ Nome de sua mãe.
_ Byella Avery Malfoy.
_ Poderia me explicar como meu sobrenome foi parar na boca dessa criança? - Essa voz.
_ Lucius, está um pouco atrasado. - Ministro não parecia aborrecido. _ Conhece essa menina?
_ Não. - Ele se sentou em um lugar que eu conseguia vê-lo. _ O senhor deve saber que a minha família só pode ter um filho por geração.
_ Então a poção não está funcionando. Aumente a dose.
E dessa vez nem mesmo consegui mexer a cabeça, eu só conseguia sentir a minha boca sendo aberta e a poção sendo pingada na minha língua, essa poção parecia imperius, podia pensar e ver, mas minhas ações não pareciam corretas.
Não prestei atenção na quantidade de gotas que caíram na minha boca, mas me senti doente, queria vomitar, mesmo sabendo que não sairia nada.
_ Qual é o seu nome?
_ Leesa Avery Malfoy. - Dessa vez, nem tive o pensamento de tentar não falar, a poção não estava me deixando fazer isso.
_ De novo, dê o vidro todo. - Aquele homem gritou e foi concedido o inominável a fazer isso.
Mais uma vez ele veio até mim e jogou todo o conteúdo do vidrinho na minha boca. Alguns diziam que já era demais para uma pessoa aguentar e outros estavam rindo. Eu não sabia de mais nada.
_ Nome?
_ Leesa Avery Malfoy. - Enquanto estava falando, a minha boca encheu com gosto de sangue e escutei alguém gritando.
_ Aquilo não parece sangue. - As pessoas começaram a dizer, mas ninguém ligou para o sangue que saia da minha boca.
_ Talvez ela realmente esteja falando a verdade, vocês já pensaram nisso? - Draco entrou na sala e me olhou sem expressão. _ Papai, se eu não traí a Astoria...
_ Eu não traí a sua mãe. - Era casos de família ao vivo.
_ E o vovô? - Lucius me olhou e fez uma pergunta sem autorização do ministro.
_ Quem são os pais de sua mãe?
_ Laverne Avery e Abraxas Malfoy.
O sangue que saiu da minha boca não parava de escorrer pelo meu queixo e ele caia em algum lugar da minha roupa.
_ Laverne? A filha que foi expulsa e apagada dos registros da família Avery em 1952? - Alguém perguntou e concordei. _ Incrível.
_ Mas isso não irá fazer a família Malfoy proteger essa garota, nos registros ela só tem Avery e a família Avery foi extinta. Então ninguém tem o direito de tirar essa garota daqui. - O ministro bateu o martelo e todos se perguntavam se aquilo estava certo, afinal, eu era de três famílias do "Sagrados Vinte e Oito". Contando a família do meu avô.
_ Isso está indo longe demais, ela só tem 15 anos e ainda é uma criança perante a lei trouxa e bruxa. - A jornalista falou e alguns concordaram.
_ Você não poderia ser um pouco como a sua mãe? Ficando quieta para depois publicar meias verdades? - Aquele homem deveria morrer.
_ Não sou igual a minha mãe, só quero escrever a verdade e os meus leitores irão saber de cada detalhe desse "julgamento" de uma de menor.
_ É sobre ela ser de menor? Podemos resolver isso. - O ministro disse e olhou para o subsecretário. _ Peça a emancipação dessa garota.
_ Irei fazer isso imediatamente.
_ Mas isso é crime! - Ela gritou e foi puxada pelos braços pelos aurores que estavam ali.
E pude vê-la, ela era bonita e interessante de um modo estranho.
_ Meus leitores irão ficar sabendo dos crimes que estão acontecendo aqui. - Foi a última coisa que ela falou antes de ser expulsa à força.
_ Qualquer coisa que aquela mulher publicar será retirado do ar, escutaram? - Pensei que a luz defendia opiniões, mas eu estava errada novamente.
Será que o Lorde estava certo em querer dominar o Reino Unido e matar todos que não eram puros? Ele realmente estava certo em querer matar todos da luz? Antigamente eu não tinha opinião sobre esse assunto, porque eu queria ver os dois lados, queria saber seus motivos, opiniões e ideais.
E agora que eu sei um pouco sobre as pessoas que se intitulavam de luz, eu acho que as trevas não seja tão mal assim, ela foi criada por opiniões divergentes e sua ideologia não parecia ruim. Matar trouxas e nascidos trouxas não parece uma má ideia, ou talvez seja.
_ Vamos voltar ao assunto. O que tem na bolsa de sua posse? - Olhei para o ministro e minha boca abria e fechava e mais sangue fluía dela.
Eu não podia contar, mesmo com uma poção forte como essa ou até mesmo se eles quiserem despejar dois frascos dentro da minha boca, eu não conseguiria falar. Mamãe colocou um feitiço em mim que nunca, em hipótese nenhuma, eu poderia contar certas coisas, coisas relacionadas às trevas.
Acho que esse também era um dos motivos que eu sempre odiei as trevas e o Lorde.
Mamãe me fazia jurar pela magia e me colocava feitiços que eu poderia morrer se eles continuassem me forçando a falar. Será que ela fez isso para o meu bem? Claramente não.
Porque eu sentia que ela nunca me amou e apenas me fez seguir seus passos como um bom cãozinho. Nunca ouvindo as minhas opiniões sobre essa guerra.
Sobre não querer salvar um Lorde idiota, burro, imbecil e babaca. Sempre me controlando em cordas apertadas e ásperas, eu não sinto raiva daquelas pessoas que mataram os meus pais, talvez um dia eu os agradeça.
_ Por que ela não está falando? - Perguntou para a Hermione.
_ Tem um feitiço a impedindo.
_ Isso vai ser mais difícil do que imaginei. - O ministro disse exausto. _ Você sabe o nome do feitiço que foi colocado em você?
_ Não. - Certas coisas eu conseguia falar.
_ Você já ajudou ou matou alguém?
_ Sim.
_ A leve-a para Azkaban quando essa audiência terminar. - Essa voz era nova.
_ Não podemos fazer isso, ainda devemos pegar as coisas dentro daquela bolsa, mas nem mesmo a Mione conseguiu lançar um contrafeitiço.
_ O feitiço é desconhecido para mim, preciso estudar a bolsa, mas será difícil, já que ela queima quem a toca.
_ Quem são os Comensais que ainda estão soltos? - Mais uma vez a minha boca se enche de sangue negro e escorre pela minha boca. Parecia que cada pergunta que eu não pudesse responder, seria punida pela poção.
_ Ministro, isso não vai resolver. As perguntas que queremos saber, ela não consegue falar. Que tal invadirmos a sua cabeça? - Pensei que ele tivesse morrido de tanta merda que falava.
_ Provavelmente as suas memórias também estão protegidas. - Hermione falou e ela estava certa, tinha memórias que estavam tão bem protegidas que nem mesmo eu podia acessá-las. _ Mas tem algo que eu quero saber, qual é sua maldição de sangue?
_ Maldição de sangue? - As pessoas começaram a se perguntar.
_ Esse sangue negro não é pela poção? - Ministro a perguntou.
_ Se ela não tivesse falado que tinha sangue amaldiçoado, também iria pensar que esse sangue negro fosse da poção. Mas não é. - Hermione falou.
_ Maldição do Tempo. - Falei.
_ Poderia explicar melhor?
_ Eu não sei, só nasci com essa maldição.
_ Mas como sabe que é do tempo?
_ Por causa da marca em minhas costas. - O ministro parecia interessado e pediu com os olhos que dois homens viessem até mim.
Antes que eles me colocassem as mãos, vejo dois loiros segurando os braços dos bruxos. Todos ficaram observando as ações dos dois.
_ Não faça isso se não quiser se arrepender. - Draco disse ríspido. _ Vocês podem tentar tudo, mas tirar as roupas de uma pessoa incapacitada e que não consegue nem mesmo usar magia, já passa muito dos limites.
_ Malfoy, não se meta.
_ E quem vai me impedir? Você, Potter? Ela tem o meu sangue. - Empurrou o bruxo para o lado e ficou na minha frente me protegendo. _ Um Malfoy salva a própria pele, mas não toque em sua família se não quiser morrer.
_ Você nem sabia que ela era alguma coisa sua, pare de chilique, deixe-os verificar a marca.
_ E eu faria a mesma coisa para um estranho, diferente de certas pessoas, tenho decência e inteligência emocional e intelectual. Acho que priorizar fama em vez de competência e inteligência, é um dos maiores erros do ministério.
_ Você deveria ter ido embora, o que faz aqui? - Harry apenas mudou de assunto.
_ Mudar de assunto é bastante fácil. - Disse baixinho. _ Vou leva...
_ Ela é uma prisioneira, cometeu crimes e precisa ser punida perante a lei. - O ministro não parecia confortável com o rumo dessa pequena reunião.
_ Pelo menos deixa-me continuar cuidando dela e quando tiver uma nova audiência, eu possa vir e defendê-la. - Se fosse antigamente, ele nem perguntaria se poderia fazer isso, apenas tiraria a pessoa dali sem comentar uma palavra. Isso era quando a família Malfoy ainda era agraciada e aclamada, agora era apenas a família que tentou destruir o mundo.
_ Ok. - O ministro concordou tão rápido. _ Leve-a para a sala e a reunião de hoje está encerrada. - Bateu o martelinho e se levantou.
Draco e Lucius tiraram as algemas de contenção mágica e Draco me levitou, era muito melhor que ser arrastada. Eles não falaram nada enquanto íamos para a sala sendo escoltados por quatro aurores e dois inomináveis. Limpei minha boca com a manga da blusa e retiro o coldre do pulso e o levo na mão. Iria guardá-lo na bolsa.
Todos nos olhavam e alguns já espalhavam os acontecimentos da reunião. Mas eu não ligava, não me importava de ser o centro das atenções, a única coisa que me importava era com os olhares de pena. O que a pessoa dizia, fazia e demonstrava não me fazia sentir nada. Mas os olhares de pena me faziam sentir um nada, uma inútil que só veio ao mundo para ser usada.
Um dia eu teria o meu próprio tabuleiro?
Chegamos na minha nova moradia e sou colocada no colchão que acabou se tornando mais uma vez em uma cama confortável. Lucius fez lumos e pude finalmente observar a sala em que eu estava. Tinha azulejos negros até o teto e isso dava a impressão de que o lugar era maior, mas só conseguia conter pelo menos cinco pessoas.
_ Saiam e esperem ao lado de fora. - Lucius ordenou e mesmo não sendo o superior desses bruxos, ele conseguia o que queria. _ Eu não sabia de sua existência até alguns minutos atrás. - Ele me olhou e ficou me analisando. _ Ainda quero uma comprovação de suas palavras e por causa disso, vou pegar um pouco do seu sangue para fazermos um teste de herança.
_ Não ligue para ele, ele ainda acha que está em seu pequeno reinado de sonhos e crenças idiotas. - Draco se sentou na cama e começou a limpar o meu rosto com um pano úmido, talvez eu não tenha limpado muito bem o sangue.
_ Eu só quero confirmar.
_ Então fique sem confirmar. - Ele pegou alguma coisa do bolso e me fez engolir. _ Isso vai melhorar as dores de suas pernas e costelas.
_ Você voltou para me entregar isso? - Perguntei confusa, o que ele queria em troca disso?
_ Pensei que seria desconfortável para você passar a noite e como eu sabia que você tinha ido para a sala de audiência, fui até lá. - Ele tirou mais alguma coisa do bolso e me fez beber o conteúdo que tinha gosto de chocolate. _ Isso é para amenizar os efeitos colaterais do Veritaserum, foi uma coisa boa trazer isso.
_ Obrigada.
_ Família faz isso e vejo você quando eu conseguir as poções para os seus ossos, quando cheguei no meu consultório não tinha mais nada. Tenho que preparar mais. - Ele se levantou e ficou ao lado do seu pai. _ Eu não posso fazer muito...
_ Entendo.
_ Você não parece nada conosco, mas sua personalidade me faz enxergar a nossa família em você. - Ele deu uma batidinha na minha testa. _ Na próxima vez, me fale o seu apelido, te chamar de Leesa me faz ter preguiça.
_ Chame ele de Dragãozinho. - Lucius zombou e Draco revirou os olhos.
_ Chame ele de Barbie Loira. - Apelido estranho. _ É um desenho trouxa. - Deu de ombros.
Ele apenas me olhou mais uma vez e eles saíram me deixando sozinha. Ninguém entrou e o lumos foi ficando cada vez mais fraco. A porta se fechou e a escuridão tomou conta do cômodo. Puxei as minhas pernas para cima para que eu ficasse em uma posição confortável. Coloquei o coldre na bolsa e abracei novamente a única coisa que poderia me trazer um pouco de paz, a bolsa.
Eu só queria que tudo fosse um pesadelo, um daqueles que você só percebe que estava sonhando quando acordasse.
Fechei os meus olhos e organizei as minhas memórias em pastas. Tinha pasta para tudo e algumas delas estavam tão cheias que tinham que ser divididas, mas tinha uma que nunca foi preenchida. Era aquela com nome "Felicidade".
Não tinha nenhuma memória que tivesse essa essência, não que eu me lembrasse, já que algumas memórias estavam bloqueadas. Não sabia o motivo dessas memórias estarem bloqueadas, era um mistério para mim.
_ Desejo que tudo isso seja um sonho e quando eu acordar, isso tudo desapareça. - Sussurrei apenas para o nada.
