27 de outubro de 2007:
Dois dias se passaram e continuo pedindo que tudo o que eu estava vivendo fosse apenas um pesadelo. Um pesadelo que você não sabe muito bem o que estava acontecendo, mas sente em seu ser que você está vivendo em um estado de medo, mas quando você achasse que tudo estava perdido, que você pensasse que não aguentaria mais. O pesadelo acabaria e você descobriria que tudo que você viveu, era apenas algo criado pela sua cabeça.
Queria essa sensação de alívio e queria ir embora daqui, só queria sair daqui...
Estou cansada de tomar Veritaserum, estou cansada de cuspir baldes de sangue pela superdosagem que eles estão me dando. Tentando destruir a barreira que minha mãe fez em meu corpo para impedir que eu falasse coisas perigosas de outros Comensais...
Outros Comensais. Ela nem mesmo pensou em mim, não pensou em como eu estaria tendo essa barreira, esse feitiço dentro de mim. Ela só pensou neles, só viu eles e sua causa desgraçada.
Será que eu sou a filha dela? Será que ela não me roubou de alguém e me fez ser assim, ter uma vida assim por puro egoísmo? Ela realmente me amou?
E meu pai? Ele viu todas as coisas que o vovô fez, mas nunca disse nada. Sempre se calou. Ele realmente me amou como dizia quando eu era criança?
Eu sei o que é ser amada? Eu sei a sensação de calor que eu sempre li em livros? Sei o que é ter liberdade? Não, não sei nada dessas coisas, não fui ensinada a ser livre; fui ensinada a seguir, obedecer e agradecer pelas coisas que aconteceram comigo. Sou uma marionete com cordas bem apertadas.
Escuto meu estômago roncar e apenas fecho os olhos tentando não pensar na fome que sentia, na sede que me afligia e no frio que me fazia arrepiar.
Afofei a bolsa que estava sendo usada de travesseiro e tentei mais uma vez me beliscar, mas não voltei para alguns dias atrás ou anos. Continuei aqui, presa em um lugar escuro que me causava uma sensação de sufocamento.
Tinha dois dias que eu não via a família Malfoy, seja o pai ou o filho. Nenhum deles veio aqui e talvez eles só estivessem tirando sarro de mim, não duvidaria disso, afinal, a família Malfoy não tinha uma boa reputação, sempre passavam a perna nos outros.
E eu acreditei nas suas palavras, pensei que eu pudesse finalmente ter um pouco de calor, um calor que nunca senti pela minha família. Mas eu acho que estava apenas me iludindo, sou boa em fazer isso.
Mas eu sabia que o Draco entregava as poções que ele me disse que eu tinha que tomar, mas quem vinha em seu lugar era um inominável. O homem entrava no meu pequeno e não aconchegante "quarto" e me fazia engolir a poção. Às vezes eu me engasgava e outras vezes pensava que ele estava me dando tudo, menos as poções que eu deveria tomar.
Essa era a minha vida e essa foi a vida que a minha família escolheu para mim.
Mas sempre fico pensando no que eu iria ser, se eu não fosse de uma família purista, com pensamentos puristas. Nunca tenho a resposta para isso, além de poder estudar em Hogwarts, nada vinha na minha cabeça.
Escuto a porta se abrir e abro os meus olhos, mas logo fecho eles novamente, a luz do lado de for a me incomodou por não estar acostumada.
_ Hoje iremos fazer algo diferente, espero que goste. - Abri os meus olhos e vejo Harry, ele parecia tudo, menos o menino bondoso da luz, nem parecia que era ele.
Um auror veio até mim e puxou o meu cabelo me tirando da cama, a dor dos meus quadris batendo no chão foi suportável. Eu era um pedaço de na visão de todos que entravam ali, eu não era nada.
Um dia eu iria pensar assim também? Espero que não.
Vejo Harry tentar tocar na bolsa, mas sua mão é queimada e repelida. Bem feito.
Sou arrastada para for a da cela em que eu estava e meus cabelos doíam e eu tentava fazer que ele os largasse. Mas ele só fazia doer ainda mais. Saímos do corredor que tinha a minha cela e fomos para outro e nesse era mais escuro que a minha própria moradia.
Entramos dentro de uma sala e tinha...
Era uma sala de tortura.
O auror largou os meus cabelos e foi até as algemas que estavam presas em correntes grossas. Ele as pegou e as colocou nos meus pulsos.
Ele estalou os dedos e as correntes começaram a levantar e com elas o meu corpo. As correntes pararam quando eu já estava alguns metros for a do chão.
_ Dei essa ideia por causa da tortura que minha amiga teve, quando só tentava me ajudar. Mas você não é a Bella, mas pode ser você também. É farinha do mesmo saco, não faz diferença.
_ Não quero saber se sua amiga foi torturada ou não.
Ele concordou e estalou os dedos e minha blusa sumiu, me deixando apenas de sutiã e calça. Meu tênis já tinha sumido nesses dois dias.
_ Até que é bonitinha. - Escutei o auror falar baixinho.
_ Alguns me pediram para usar um chicote, mas aí não seria igual a tortura da minha amiga. - Ele veio para trás de mim e não disse nada por alguns minutos. _ Isso é interessante. Uma cobra com duas cabeças mordendo um relógio. É essa a sua marca?
_ Você está vendo outra nas minhas costas? - Sinto a dor do feitiço cruciatus e era pior que quebrar os ossos do corpo todo.
_ Você realmente é uma Malfoy. - Parou o feitiço e puxou o meu cabelo para baixo e minha cabeça ficou virada para o teto. _ Precisamos cortar os seus cabelos para termos uma boa sessão de tortura, não acha?
_ Acha que cortando os meus cabelos você irá conseguir os segredos do mundo? Você está me dando muita credibilidade.
Ele não disse nada, mas sinto a sua varinha passando pelos meus cabelos. Ele realmente os cortou, deveria ficar com raiva, não é? Mas é apenas cabelo, não é algo que eu sentiria falta, já que vai crescer.
Ele largou os meus cabelos que sobraram e voltei a olhar para frente, mas abaixei o meu olhar e vi um amontoado de cabelos negros no chão. Esperava que a mamãe estivesse vendo isso e estivesse pensando em suas ações que me colocaram aqui.
Claro, tenho uma parcela de culpa, mas só porque não queria entregar a bolsa.
_ Gosta de música? Eu adoro, me deixa mais à vontade. Por que não começamos a escutar um pouco? - Ele foi até uma vitrola e colocou a agulha no disco e de lá saiu uma melodia. _ Istambul (não Constantinopla). Já escutou?
_ Não. - Ele sorriu e voltou a ficar atrás de mim.
_ Agora conhece. - A música não era ruim, era uma música envolvente dizendo coisas sobre Istambul.
Eu até mesmo poderia começar a cantar se prestasse atenção na sua letra. Sinto a varinha do homem alisar a minha marca e ele cutucou o relógio.
_ Já pensou que isso não é um relógio e sim, um vira-tempo?
_ Já e não faz sentido. Nunca usei um vira-tempo. - Apenas observei a mamãe criando.
_ Vamos descobrir isso juntos. - Tremi quando o primeiro feitiço acertou as minhas costas e sinto o sutiã sendo cortado.
Olho para baixo e vejo o sutiã no chão, não gostava de usar sutiã com alça, mas agora devo me dar um tapa por pensar assim.
Eu só queria abrir uma cova bem funda e me jogar dentro dela e esperar ser enterrada viva. Era muito melhor que ficar quase nua na frente de duas pessoas que só queriam o seu mal.
Escuto uma risadinha e eu sabia que era o auror, mas não queria olhar para ele e ver seus olhos cheio de prazer ou algo pior. Só quero pensar que não tem ninguém aqui, apenas eu e uma varinha que mais uma vez cortava as minhas costas.
Mordo meus lábios para tentar abafar o grito, não queria dar mais esse gostinho para essas pessoas, não queria chorar. Não queria fazer nada, isso não era nada comparado ao vovô. Nada.
Começo a sentir o sangue escorrendo e escuto os pingos no chão. E a música só continuava tocando, como se fosse uma festa e as coisas que estavam acontecendo eram coisas felizes.
Mais um corte foi desferido e outro, mais outro e mais. E mesmo assim, eles não escutaram nada de mim.
O sangue pingando no chão estava me dando agonia, parecia o tique-taque do relógio, parecia as batidas do meu coração. Parecia tanta coisa, menos a salvação para a minha vida.
A música estava me enlouquecendo, eu só queria destruir aquele aparelho e jogá-lo na cabeça de alguém. As algemas já estavam cortando a minha pele e sangue estava saindo da minha boca.
Odiava gosto de sangue. Ainda mais o meu.
Os meus pensamentos continuaram enquanto eles me privavam de sentir a dor. Mas não me privavam de escutar a música e o sangue pingando no chão.
Não me privavam de sentir agonia e medo.
Sentia a minha carne rasgando e se abrindo, apenas por causa de uma varinha e um feitiço proferido pela boca de um homem que não sabia mais o que era certo e o que era errado. Já que as Trevas praticamente não existiam mais.
Não, existia sim. Só que eles tiraram a palavra "trevas" do dicionário, mas colocaram "luz" em seu lugar. Luz deveria ser algo bom, mas eles estão usando isso apenas para ter mais pessoas ao seu lado.
Eles irão mostrar um belo sorriso no rosto e dizer que tudo que fizeram foi para uma boa causa. Porque não existem mais opositores à sua causa, tudo que eles fizerem será bem-visto. Será glorificado e aclamado pela população.
_ Você não parece estar se divertindo. Por que não grita?
_ Não quero dar esse gostinho a vocês. - Saiu sangue pela minha boca e deslizou pelo meu queixo, às vezes pingava no chão e a maioria deslizava pelo meu corpo.
_ Então vamos continuar, hoje só estamos aquecendo.
Estou com fome... Não quero saber de qual forma punitiva estarei amanhã, eu só quero comer alguma coisa.
Pode ser terra, eu não sou uma pessoa difícil para comer. Só quero algo que encha o meu estômago e me faça parar de escutar esse barulho irritante.
A porta foi aberta e vejo quem era, era...
_ Malfoy, o que faz aqui? - Perguntou Harry secando uma gota de sangue do seu rosto.
Malfoy veio até mim e me segurou pela cintura e apontou sua varinha para as minhas algemas. Caio em seu corpo e sua mão acaba deslizando pelas minhas costas, me fazendo tremer.
Ele me colocou sentada no chão e tirou seu paletó e colocou ele nos meus ombros. Tremi um pouco, mas dava para aguentar algo encostando na minha pele machucada.
_ Você, como você entrou aqui? - Draco me levitou e olhou para Harry.
_ Você acha que a minha família perdeu prestígio depois de tudo que aconteceu? Eu ainda tenho olhos por aí. - Ele chegou perto do míope e disse: _ Você era uma pessoa melhor, Potter. Eu tinha inveja de você. Mas agora eu vejo que sou muito melhor que você.
_ Você ainda pode ter prestígio, mas não tem autoridade para tirá-la daqui. - Limpou a varinha em um pano que o auror lhe deu. _ Ainda não terminamos e ele. - Apontou para o meu primo. _ Nem sempre vai ser o seu príncipe encantado vindo em uma armadura brilhante para te salvar.
Vejo ele sair e o auror foi logo atrás. Dou um suspiro de alívio e tento fazer magia, mas nada. Não conseguia fazer nada. Mas eles podiam, isso é injusto.
_ Você pode desligar aquela música ali?
Draco apontou sua varinha para o aparelho e ele explodiu. Gostei de ver isso.
_ Eu não vou te pegar no colo para não doer mais as suas costas. - Concordei.
Saímos daquele lugar e um inominável correu vindo até nós. E lá se foi a minha chance de escapar... Como se eu conseguisse sem magia, minhas pernas estão fodidas e Draco não iria me tirar daqui.
A parede se abriu e Draco fez um lumos para ficar flutuando naquele lugar. Ele me deitou de barriga para baixo na cama e fez a porta se fechar na cara do inominável.
_ Desculpe por chegar tarde e eu queria vir quando já tivesse a poção para os seus ossos.
_ Tudo bem, fiquei bem por esses dois dias. - Afofei a bolsa e coloquei meus braços embaixo dela. Estou pouco me fodendo se eu estava sujando a minha cama com o meu sangue.
_ Eu sei que é uma mentira, mas não vou dizer muita coisa. - Tirou o seu paletó e olhou para as feridas. _ Pense por um lado positivo, não foi chicote.
_ Devo agradecer aquele homem quando ele vier me visitar. - Ele riu.
_ Não sei se você sabe, mas tenho um filho. - Fiquei surpresa. _ Ele tem um aninho.
_ Qual é o nome?
_ Scorpius Malfoy, ele é uma coisinha tão pequena.
_ Você parece gostar muito dele. - Ele tirou a maleta do seu bolso e a transfigurou.
_ Eu o amo, ele é muito importante para mim. Mamãe e papai são aqueles avós babões, mas eu tento não o mimar muito.
_ Ele é só um bebê.
_ Mas pode ficar chorando apenas para ganhar colo. - Interessante.
Ele pegou alguns panos e passou algo neles e começou a limpar as minhas feridas.
_ Então é essa a marca? É bastante bonita.
_ Bonita ela é, mas me faz ter um sangue negro.
_ Isso é verdade. - Mostrou o pano que não estava vermelho e sim, negro. _ Eu não acho que seja tóxico.
_ E não é, é apenas para mim. Ele faz as minhas veias ferverem e dói, dói muito.
_ Já tentou fazer algum experimento com ele? Ou tentou fazer uma poção?
_ Não, nunca tive curiosidade. E não existe poção para o meu sangue, já tentei, mas tudo fracassou. - Ele concordou e continuou fazendo o que tinha que fazer. _ Você acha que o pequeno vai estar na Sonserina?
_ Nunca vi um Malfoy não indo para outro lugar se não Sonserina. E você?
_ Nunca estive em Hogwarts, mas eu recebi a carta. Mamãe me proibiu e me fez prometer que nunca iria pra lá.
_ Sabe o motivo? - Passou algo gelado, nas minhas feridas.
_ Acho que ela não queria que eu tivesse uma segunda opinião sobre a causa que ela seguia. Ou outra coisa.
_ Então você não sabe fazer nenhuma magia?
_ Sei, não é porque não fui para Hogwarts que não sei fazer magia.
_ E você pensa em qual casa você seria?
_ Não sei, qualquer uma está bom. Eu só queria ir para lá.
_ Hogwarts é um lugar maravilhoso, passei coisas boas e ruins naquele lugar. Eu era o Rei da Sonserina. Mas era muito estúpido e egoísta, mas aprendi com os meus erros.
Ele parou de passar a pomada e sinto um formigamento nas feridas. Era estranho, mas não desconfortável.
_ Algumas podem acabar virando cicatrizes, outras podem apenas sumir. - Concordei e ele alisou as pontas desniveladas dos meus cabelos. _ Potter realmente não sabe fazer nada, nem mesmo para cortar reto ele consegue.
Ele pegou sua varinha e deu alguns retoques no meu cabelo. Ele fazia tudo, era impressionante.
_ Eu vou ter que te virar para que você tome as poções para os ossos.
_ Quantos meses vai demorar para voltar ao normal?
_ Alguns dias, fiz essa poção para que fosse rápido, para que você pudesse dar um chute nas partes íntimas daquele idiota. - Ri e concordei. _ Tenho que estar aqui para ver isso.
_ Você acha que eles conseguirão o que eles querem?
_ Muito difícil. Fiquei sabendo que eles estão aumentando a sua dose, pedi uma pessoa que viesse aqui para te dar uma poção para tirar os efeitos da poção da verdade. Não posso vir todos os dias, mesmo eu querendo muito.
Então ele sabia... Todos sabiam. Mas não posso culpá-lo, ele tem sua vida, a sua família. Eu sou alguém dispensável.
_ Você sabe fazer a sua própria varinha? - Fiquei confusa.
_ O que você...
_ Nada importante, só queria saber se você sabe fazer a sua varinha. Nunca encontrei ninguém que saiba. Bom, além do Olívaras, não encontrei ninguém.
_ Mas respondendo, eu sei. Só não encontrei ainda os materiais que a minha magia requer.
_ Posso levar esse pano para uma pesquisa? - Mostrou o pano cheio de sangue.
_ O sangue vai secar.
_ Isso não é problema, posso tirar o sangue seco do pano sem o destruir.
_ Bom, se você conseguir algo com ele, então faça bom uso. Às vezes ele queima coisas mágicas, como pergaminhos e essas coisas.
_ Pensei que não tivesse feito nenhum experimento.
_ E não fiz, mas às vezes eu me cortava com o pergaminho e ele pegava fogo. Por isso que descobri esse pequeno detalhe.
_ Não se preocupe, não vou usar isso para fins científicos, é apenas para uma pesquisa que pode te beneficiar. - Ele se levantou e guardou o pano dentro da maleta e veio até mim. _ Vou te virar.
_ Ok. - Ele fez a sua magia me virar e escondi os meus seios com os braços, mas ele nem mesmo os olhou. _ Não tenho nenhuma blusa comigo, mas posso te dar o paletó. - Ele fez um feitiço de limpeza nele.
Concordei e ele fez mais dois feitiços de limpeza, um pelo meu corpo e outro na cama. Vejo ele pegar mais algumas poções e me ajudou a beber.
_ Você pediu alguém para me dar poções? Aquelas que você me fez tomar. - Ele franziu a testa e negou. _ Já tem dois dias que um inominável vem aqui e me faz beber poções.
_ Como eu disse, pedi uma pessoa para vir e te dar uma poção para o Veritaserum, que é apenas uma poção. E provavelmente ele a faz beber na sala de audiência e não aqui. E as poções que dei a você naquele dia, duram uma semana no seu corpo. Então não, não pedi a ninguém para te entregar poções. Mas primeiro vamos tomar essas e depois eu vou te diagnosticar novamente, ok?
_ Ok.
Sinto minhas pernas formigando e a sensação era parecida com a da pomada. A minha costela também tinha essa sensação, mas não era igual à da perna. Meus pulsos que estavam em carne viva, começaram a cicatrizar e voltaram ao normal.
Quando ele terminou de me dar todas as poções, ele apontou sua varinha para mim e fez um feitiço. No mesmo instante um pergaminho apareceu e começou a aparecer as coisas nele.
_ Bom, a poção que ele está te entregando é para desfazer as barreiras de sua cabeça. Cada dia ele está aumentando um pouco a dosagem, mas abarreiras são muito fortes.
_ Isso vai me fazer mal?
_ Qualquer poção ou medicamento fazem mal se forem dado uma superdosagem. Eu não sei como posso te ajudar nisso e se eu começar a te dar poções demais, isso vai acabar com seu estômago. - Meu estômago roncou e ele olhou para a minha barriga. _ Está com fome?
_ Sim. - Digo olhando para a parede.
_ Vou pedir a um elfo da minha família que faça um pouco de comida para você.
_ Pensei que os elfos fossem livres. - Ele me olhou rindo e colocou o dedo indicador na boca.
_ Segredo. - Ri concordando. _ Mas não maltratamos os elfos, acho que por causa disso eles podem até se colocar entre um Avada por nós. - Falou pensativo.
_ Aconteceu algo assim?
_ Talvez. - Deu de ombros. _ Não por um Avada, mas aconteceu.
_ Está falando do Dobby? - Ele me olhou surpreso. _ Escutei isso da mamãe, mas ela nunca me disse a causa da morte.
_ Foi pela tia Bella. - Ele parou de falar e chamou um elfo chamado Poppy e pediu comida. _ Elfos podem entrar em qualquer lugar, mesmo tendo barreiras, sabe o motivo disso?
_ Porque as barreiras são feitas para impedir bruxos e não criaturas mágicas. Se eles quiserem que não entrem uma criatura mágica em sua casa ou aqui, tem que mudar o feitiço e incluir criaturas. Mas as barreiras do ministério impedem que o elfo entre e retire uma pessoa trancada em suas celas.
_ Certa resposta, 10 pontos para Sonserina. - Rimos. _ Acha que eu deveria mudar de profissão e virar um professor?
_ Não, aí não teria ninguém para me curar.
_ Verdade, posso ser professor em outra realidade. Talvez eu seja até ministro em algum mundo. - Isso era interessante de se pensar, será que existem outras Leesa's?
_ Acho que você combina com sua profissão. - Ele agradeceu e me ajudou a sentar na cama e colocar o paletó.
Fecho os botões e vejo um prato de comida ser entregue para mim. A elfa sorria e até colocou um copo de suco para flutuar perto de mim.
_ Obrigada.
_ Espero que a senhorita goste. - Ela sumiu e não perdi tempo, comecei a comer em uma velocidade alarmante.
_ Coma devagar, se comer correndo vai entrar ar e você vai se sentir cheia, mesmo não estando. - Olho para ele e paro de comer. _ Não estou dizendo para parar, coma devagar.
Continuo comendo, mas dessa vez devagar.
_ A única pessoa que teve um túmulo foi o seu pai... - Olhei para ele e ele parecia triste, não pela notícia, mas por mim. Era estranho, ele estava fingindo?
_ E o que é que tem? - Ele franziu a testa.
_ Você quer que eu dê um enterro digno a sua mãe?
_ Não, se quiser colocar ela em uma cova sem nome ou dá-la para os porcos, que dê.
_ Pensei que a amasse. - Olhei para a comida e continuei comendo.
_ Amar é uma palavra muito forte, você deve amar os seus pais. Mas eu não sei se sinto isso, não senti nada perdendo-os e foi por causa deles que estou aqui. - Falei comendo a comida. _ Você colocaria seu filho aqui? Espero que não, aqui é horrível.
_ Poderia me explicar?
_ Não.
_ Você acha que sou uma pessoa que vai contar tudo que você me disser para o ministro?
_ Já fui traída pela pessoa que eu mais confiava, não quero fazer exatamente o que fiz naquele dia. - Confiei na mamãe e ela me prendeu nessas cordas.
_ Quer que eu jure pela magia?
_ Não, isso é apenas um peso para a vida de uma pessoa. As pessoas mudam, Draco, e uma promessa pode acabar se tornando um tormento.
_ Você falando assim nem parece que é apenas uma adolescente. Parece que viveu várias vidas. - Ele se sentou ao meu lado. _ Mas eu não estaria sendo atormentado por esse juramento.
_ Então eu agradeço, mas não quero que você faça isso. - Ele ficou me olhando, mas não disse nada.
_ O que você queria ser?
_ Professora? - Fiz uma pergunta. _ Não sei, não tenho vocação para nada. - Ele riu.
_ Você sabe fazer varinhas, sabe explicar coisas difíceis apenas em algumas frases. Leesa, você precisa ter mais credibilidade em você.
_ Mesmo você me elogiando, eu não consigo realmente acreditar em nenhuma de suas palavras.
_ Você não tem autoestima? Vou te ensinar a ser narcisista e ter autoestima elevada. Segue o primo Draco que você vai longe. - Ri e minha barriga doeu por rir tanto em um dia. _ Você tem um sorriso muito bonito, deveria sorrir mais, bom, para as pessoas que merecem vê-lo.
_ Você é um?
_ Sou. - Piscou e balancei a cabeça. _ Vou te ensinar coisas que você nunca imaginou aprender. - Ele estendeu a mão e coloquei o prato no colo e apertei a sua mão. _ Você fez um contrato vitalício com o Rei da Sonserina.
_ Estou com muito medo disso. - Sorrimos.
Ele me mostrou o seu dedo mindinho e mostrei o meu, ele juntou os dois e fez o seu dedão beijar o meu.
_ Uma promessa sem ser pela magia, já que você não gosta de juramentos e promessas feitas por magia, mon petit. - Uma promessa sem magia... Gosto disso.
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29 de novembro de 2007:
Hoje era o dia que escolhi para ser o meu aniversário, mamãe nunca me contou o dia em que nasci. Então em cada ano, eu mudo a data do meu aniversário. Às vezes faço em setembro, outras vezes em janeiro e isso depende do meu humor para aquele dia.
E hoje o dia estava me deixando ansiosa, já andei por essa cela milhares de vezes, meus pés já doíam de tanto andar. Mas era um dia importante, eu finalmente iria conhecer o pequeno Scorpius Malfoy.
Draco já me trouxe várias coisas, fotos e vídeos do pequeno garotinho que parecia muito com ele. Ele ficou me prometendo e prometendo, e no final ele escolheu hoje. Então escolhi esse dia para ser definitivo, nasci em 29 de novembro de 1991. Se não acontecesse nenhum imprevisto.
Uma data perfeita, para uma ocasião perfeita.
Minhas pernas já estavam melhores e minha costela também, mas se tudo fosse mil maravilhas eu poderia há muito tempo estar fora daqui.
Ainda tenho que participar de julgamentos, mas esses são fechados para o público e depois que a senhorita Skeeter disse naquele dia, o público estava proibido de ir. Até mesmo o Draco.
Mas isso não impediu a fofoca de se proliferar. Todos sabiam e segundo Draco, o jornal também sabia e foram publicadas muitas coisas sobre mim. Eu era a mancha da Luz e alguns até vieram me matar.
Felizmente a sala não deixou eles encostarem um dedo em mim ou de conseguirem lançar um feitiço, porque se tivessem conseguido, veu não poderia ver a coisa mais perfeita desse mundo.
Draco ainda não me disse o resultado do meu sangue ou se ele conseguiu fazer algo com aquilo. Mas eu não me importava muito, se ele quisesse fazer algo, que fizesse.
E sobre as torturas, algumas semanas tenho todos os dias sem parar e outras semanas não tem.
Eles ficaram surpresos com a minha força mental, mas isso é o básico para não enlouquecer no mundo das trevas. Já vi e escutei cada coisa, que essas torturas não são nada. Posso dizer que isso está virando um hotel de três estrelas.
E aquela mulher realmente tentou fazer experimentos com a minha bolsa, mas ela não teve nenhum resultado efetivo, então ela parou de vir aqui e apenas pediu a Harry que continuasse o que eles estavam fazendo. Como se fosse adiantar alguma coisa.
A porta se abriu e um lumos voou e ficou flutuando no meio da sala. Meu coração batia tão rápido e minhas mãos suavam, o que deveria dizer? Oi? Olá? Como vai?
Ele é apenas um bebê, não deve saber falar ainda. Olhei para a minha cama e ela estava perfeita, mesmo estando em um lugar como esse.
Eu não tinha travesseiros ou cobertores e quando Draco tentou trazer para mim, ele foi impedido.
A primeira coisa que vejo era um garotinho de macacão e com os bracinhos gordinhos e pernas que me davam vontade de morder. Seus olhos eram cinzentos como do Draco, eles são muito parecidos, na verdade, toda a família Malfoy era parecida, menos a minha mãe e eu.
O garotinho olhou para os lados e me olhou e me deu um sorriso cheio de dentinhos branquinhos. Que coisa fofa.
_ Mon petit, te apresento o meu pequeno Scorpius. - Nem vi que Draco estava com ele. _ Você nem me viu, não foi?
_ Que isso, Dragon. Eu vi, foi a primeira coisa... - O garotinho entrou e veio até mim. _ Estou com as mãos sujas, não sei que dia tomei banho. Não posso...
Sinto um ar gelado pelo meu corpo e cheiro a minha pele e ela cheirava talco de bebê.
_ De nada. - Ele se sentou na cama e peguei o bebê no colo e o vejo sorrir.
_ Como vai, pequeno? Sou sua prima, somos primos, não somos?
_ Não vamos entrar no nível de parentesco entre vocês, me dá dor de cabeça só de pensar que tenho parentesco com os Weasley's e o Potter. Talvez eu seja até mesmo parente de algum dos fundadores.
_ Se for, eu também sou. - Comecei a cutucar as bochechas do garoto. _ Você é mais bonito que o seu pai, vai ter várias pessoas atrás de você, isso parte o meu coração.
_ Volta a ser um bebê, que você pode se casar com ele. Afinal de contas, o mundo bruxo é uma mistura de primos se casando com primos que no final todo mundo é primo.
_ Ou irmãos.
_ Um dia eu vou saber de um caso de pai e filha. - Faço uma careta. _ É comum. - Deu de ombros.
_ Eu aceito tudo, menos pai e filha ou mãe com filho.
_ Se você está dizendo. - Fui até ele e me sentei com o bebê no colo.
Ele se levantou e ficou em pé em meu colo e começou a mexer no meu rosto, meu cabelo ainda estava pequeno, então ele não estava bom o suficiente para chamar atenção dessa coisa linda.
_ Eu estava pensando, já pensou em vingança? - Não olhei para ele, apenas continuei brincando com o pequeno.
_ Não, para que eu iria pensar nisso? Existe algo que preciso me vingar? Se você falar dos meus pais, eu não acho que isso acenda a minha raiva e a minha sede de vingança. Eles morreram e deve estar em algum lugar.
_ Eu não iria me vingar, mas talvez eu voltasse para o passado e mudaria algumas coisas.
_ Isso iria prejudicar a linha do tempo, talvez Scorpius nem viesse a nascer se você mudasse algo do passado. Mexer com o passado é perigoso, você até pode parar de existir.
_ Você parece saber demais. - O olhei é iria falar, mas deixo para lá. _ Meu pai pediu a um amigo meu que criasse um vira-tempo.
_ E ele pula quantas horas?
_ Ele pode pular anos, mas tem uma contagem regressiva de cinco minutos, mas ele disse que vai melhorar o objeto. Mas tenho as minhas dúvidas.
_ Anos... - Sussurro. _ E para que ele quer um vira-tempo?
_ Não faça perguntas difíceis ejh imaginei que ele iria voltar para o passado e ajudar o Lorde, mas ele nunca fez isso, talvez ele goste dessa vida.
_ E você está me falando para ir para o passado e me vingar de quem?
_ Talvez, Potter?
_ Dragon, ele não me faz nada que eu tenha sentido muita raiva. Me torturar é o menor dos meus traumas e problemas.
_ Talvez eu voltasse no tempo e ajudasse um ancestral da minha esposa, ele acabou ganhando uma maldição de sangue.
_ Que tipo de maldição.
_ Não sei, só sei que a minha esposa foi a sortuda e ela já era muito frágil antes do Scorpius nascer e ficou ainda mais depois dele nascer. Pedi para que ela não engravidasse para apenas ter mais um Malfoy na linhagem, mas ela não me escutou e disse que queria dar um filho a mim e não ao meu sobrenome.
_ Sua esposa é muito corajosa.
_ Também acho.
_ Se um dia eu voltar no passado, algo que não vai acontecer, retiro a maldição de sua esposa. Só tenho que saber o ano desse ancestral.
_ Isso é uma coisa difícil de se conseguir, não sei a data do ocorrido. Mas eu sei que você vai conseguir, se for para o passado.
_ Eu prometo. - Sentei o pequeno no meu colo e mostrei o meu mindinho para o seu pai.
Ele cruza os nossos dedinhos e faz que o seu dedão beijasse o meu.
_ Eu tenho uma dúvida, por favor me tire ela.
_ Pergunte.
_ Por que você não tem Macmillan no sobrenome?
_ Meu avô pensa que eu não sou a neta dele e proibiu a mamãe de colocar o sobrenome dele no meu. Mas eu prefiro ter apenas Avery no nome.
_ Não se esqueça do Malfoy.
_ Não tenho realmente Malfoy no nome, eu só uso de vez em quando. Você se esqueceu que o ministro até falou isso para todos no meu primeiro julgamento? - Ele me olhou surpreso e disse:
_ Eu tinha me esquecido, mas vamos mudar isso agora e você terá Malfoy no sobrenome...
_ Dragon, mesmo se isso acontecesse, eu não poderia sair daqui. O que adi...
_ Não ligo, você terá Malfoy no sobrenome e será madrinha do Scorpius. - Fico surpresa e não sabia o que dizer. _ Agradeça ou eu vou pensar que você odeia o meu filho.
_ Isso é golpe baixo, não pode usar o pequeno Scorpius para me chantagear. - Encostei meu rosto no do garotinho.
_ Vocês não se parecem em nada.
_ Parecemos sim.
_ O que vocês têm em comum?
_ O branco dos olhos. - Ele me olhou e tive rir. O garotinho bateu palmas. _ Se você for falar algo, por favor me chame de tia...
_ Prima.
_ Tia, sou sua tia.
_ Madrinha.
_ Não aceitei. - Ele me olhou perplexo. _ Não acho que ele vá querer uma madrinha como eu.
_ Você não decide isso e você está praticamente presa por injusta causa.
_ Matei pessoas.
_ Para se proteger, foi legítima defesa.
_ Torturei pessoas.
_ Já disse, legítima defesa. - Balancei a cabeça negando suas palavras.
_ Dragon. - O chamei e ele ficou me observando. _ Se eu voltar, como você vai se lembrar de mim?
_ Então você pensa em voltar, isso é bom. Só não ressuscite o Lorde ou sei lá.
_ Claro. - Sorri cruzando os dedos.
_ Bom, se você voltar, eu vou te dar as minhas memórias.
_ Mas você vai me esquecer.
_ Existe um feitiço que apenas retira suas memórias para ser observadas e inseridas em alguém, mas você, a pessoa que entregou suas memórias não as perde.
_ Isso é interessante. - Ele concordou.
_ Eu vou fazer a papelada para colocar o seu sobrenome como Malfoy e madrinha do Scorpius. Espero que não diga palavras negativas e de oposição.
_ Não prometo. - Lembrei de algo. _ Se a sua esposa tem uma maldição de sangue, isso...
_ Não, eu acho que não. Se tiver, eu só espero que o meu amigo consiga criar um que pule anos e que não tenha limite de tempo, não aguentaria perder a minha família para uma maldição.
_ Não sei como é esse sentimento, mas eu não deixarei nada acontecer a vocês. E mesmo que eu esteja trancada aqui, eu vou dar um jeito de saber sobre vocês.
_ Você iria me ajudar?
_ Você foi o único que estendeu sua mão para mim e acho que devo retribuir.
_ Leesa. - Ele pegou a minha mão e a beijou. _ Não pense que o que estou fazendo é apenas algo banal e sem sentimentos. - Eu iria falar, mas ele não deixou. _ Não, não estou fazendo isso só porque você é uma Malfoy.
_ Então diga-me, qual é o motivo? - Sinto o pequeno Scorpius deitar a sua cabeça no meu peito.
_ Eu gostei de você, acho que às vezes me vejo em você. Só quero o seu bem e farei de tudo para fazer o que eu puder por você. Eu e a família Malfoy. Sempre conte com eles, sempre.
Eu realmente podia confiar? O que eles iriam ganhar em troca?
Tenho que tirar esses pensamentos da minha cabeça, nem todos são como a mamãe e nem todos querem me usar. Eu aprenderia isso.
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30 de dezembro de 2007:
Estava frio, mas eu não sentia nada, apenas o calor entrando pelo meu corpo e o suor caindo pela minha testa e mais uma vez o Draco gemeu. Ele me olhou e seus olhos não demonstravam carinho como sempre.
_ Se você pisar mais uma vez nos meus pés, eu vou fazer você massageá-los por três horas.
_ Não tenho culpa que não sei dançar e você inventou moda. Eu não sirvo para isso.
Dragon chegou hoje com um pequeno rádio e disse que a aula de hoje seria dança. Ele já me ensinou a como me comportar na mesa, como andar como uma verdadeira sangue puro e como escolher as melhores roupas para certas ocasiões.
Sempre escolha preto, preto nunca vai sair da moda e a cor é maravilhosa, segundo Dragon.
Para essa ocasião, ele teve que fazer pequenas tranças nos meus cabelos para que eles não caíssem nos meus olhos. Eles ainda estavam curtos e estariam por bastante tempo.
Eu ainda era punida, mas isso eu não me importava mais. As visitas do Draco estavam me fazendo apreciar minha estadia aqui e às vezes ele trazia o pequeno Scorpius.
Tio Lucius também vinha me ver de vez em quando. Mas ele era sério, algumas vezes ele brincava e tirava sarro de nós e me chamava de filha sem querer. Ele era uma pessoa boa e nada idiota como eu o chamei.
Gostava dele.
_ Mon petit, não preste atenção nos meus pés e sim, em mim.
_ Mas os pés são seus. - Ele revirou os olhos e apertou a minha mão. _ Eu ainda quero mexer a minha mão, não quero ela quebrada.
_ Ok, vamos com calma. Apenas sinta a música, sinta o ritmo. Você pelo menos consegue isso? Mon petit, você conseguiu várias outras coisas tão difíceis, não consegue mais essa? Eu acredito em você.
_ Se acreditasse não estaria brigando comigo.
_ Isso é para o seu bem, vamos novamente? - Concordei e começamos novamente a dançar.
Tentei não olhar para baixo e apenas prestar atenção em seus olhos cinzas, eram tão bonitos e me lembravam do pequeno Scorpius.
Enquanto eu pensava em coisas sem nenhum sentido, Draco sorria cada vez mais e era bastante bonito o seu sorriso, Astoria deve amar.
_ Dragon. - Ele não falou, mas eu sei que ele iria me escutar. _ Por que existem pavões na mansão Malfoy?
_ Papai gostava, mas agora não tem mais. Foram apreendidos e colocados na natureza novamente.
_ Ainda bem.
_ Ele ficou bem triste na época. Foi presente do vovô.
_ Você o conheceu?
_ O vovô Abraxas? - Concordei. _ Bom, sim, mas ele não era muito de conversa e morreu por varíola de dragão.
_ Mas tem cura.
_ Sim, mas o vovô já estava muito debilitado e com certa idade.
_ Que eu saiba ele tinha 70 anos. - Ele parou de dançar e me olhou. _ O que foi?
_ Você realmente sabe muitas coisas, mas finge que não sabe.
_ Eu só disse a idade dele, não falei nada de importante. - Dei de ombros. _ E se eu soubesse de muitas coisas eu saberia que ele pegou a varíola de dragão e que ele deu os pavões como presente.
_ Mas você sabe informações pessoais e talvez essas informações estejam desatualizadas. - Realmente estavam, nem sabia que Abraxas tinha pegado varíola de dragão.
_ E se essa informação estiver correta? O que você vai fazer? - Ele começou a dançar novamente e fiquei confusa.
_ Dançar conforme o destino se desenrola e se você tiver tudo sobre certas pessoas, então você precisa de algo atualizado, não acha?
_ Dragon, o que você está pensando em fazer? Não se esqueça que estou presa aqui. - Ele me girou e me puxou para o seu corpo.
_ Quando você não pensa, você é muito boa na dança, mon petit. - Dei a língua para ele.
_ Você não me respondeu.
_ Mas você acha que vou deixá-la aqui para sempre? Só quero achar uma oportunidade e pode levar meses ou anos, eu vou te tirar daqui. Confie em mim.
_ Estou aprendendo a confiar. - Ele sorriu. _ Só não quero me arrepender disso.
_ E não vai. Mas continuando o assunto, eu trabalho no e posso pegar documentos sobre os pacientes, posso pegar tudo sobre os Comensais e aliados para você.
_ Você conheceu todos?
_ Mon petit, eu fui Comensal e participei até mesmo da reunião do Círculo Íntimo, então eu conheço todos e todos me conhecem.
_ Pensei que odiasse o Lorde e até mesmo me fez prometer que não iria revivê-lo. - Ele riu, na verdade gargalhou.
_ Mas eu não disse para você revivê-lo e nem o ajudar a governar esse mundo, estou dizendo para você pegar essas pessoas e chantageá-las ou melhor, usá-las.
_ Um verdadeiro Sonserino, tenho medo de você às vezes.
_ Sinta-se segura, mon petit. Eu não gosto de prejudicar a minha família.
_ Ok, vamos levar o seu plano louco como certo, você só vai conseguir os seus prontuários e não sua vida.
_ Por isso que entra o meu pai, ele conhece muito bem o ministério e vai nos ajudar a pegar tudo. E se quiser saber de fofoca de primeira, teremos a minha mãe.
_ Não se chama fofoca, chama-se coletor de informações.
_ Você esteve com a minha mãe e não estou sabendo? Ela falou exatamente isso. - Ri e continuamos a dançar. _ A única coisa que eu não vou conseguir é a ficha do Lorde.
_ Isso é porque ele a queimou, mas eu a tenho. - Sorri e ele me acompanhou. _ Será que consigo chantagear um psicopata?
_ Mon petit, você pode conseguir o mundo, apenas depende de você.
_ Essa coisa de depender de mim não vai dar muito certo, posso acabar virando o vira-tempo demais e acabar comendo mamute junto com os dinossauros. - Ele me girou mais uma vez e riu.
_ Acho que você está exagerando, você não iria errar quantas voltas dar no vira-tempo.
_ Se você está dizendo. Cinquenta voltas, está bom?
_ Nem pense, você vai acabar realmente com os dinossauros.
_ Adoraria tirar umas fotos e vender para alguns arqueólogos. Vai dar muito dinheiro.
_ Eu não vou comentar sobre isso, vai que é doença.
_ Ei. - Pisei no seu pé e ele me olhou com raiva. _ Bem feito.
_ Pirralha atrevida.
_ Sou sua mon petit e priminha querida do coração. - Mandei beijinho para ele. _ Ah, me responda algo.
_ Não.
_ Quer que eu te dê um soco como a Granger deu? - Ele fez uma careta.
_ Pra que eu te contei isso? Que vexame.
_ Mesmo sendo ela, eu achei hilário. Mas a minha pergunta é como o Potter e companhia me acharam?
_ Achei que soubesse. Bom, segundo algumas fontes do meu pai, a cabeça rachada te achou porque uma pessoa delatou a sua localização.
_ Quem?
_ Ernesto Rowle. - O Comensal que disse que encontrou um lugar seguro.
_ Sério? - Sorri e ele apertou a minha mão. _ Acho que se eu voltar para o passado tenho que desfazer uma família inteira, não acha, Dragon? - Ele parou de dançar e ficou me observando.
_ Leesa.
_ Sim?
_ Você sente prazer quando mata?
_ Não sei, nunca pensei em como me comporto quando estou matando. Eu não acho que sinto. Por quê?
_ Você estava sorrindo quando falou em matar a família Rowle...
_ Você não se sentiria feliz? Eu posso matar todos daquela família ou torturá-los e fazê-los sentir o que eu sinto aqui. Isso não é nada mais que uma retribuição. - Minha cabeça tomba para o lado.
_ Se você está dizendo, não vou falar mais. Apenas me prometa que sempre que for fazer algo...
_ Ter alguém comigo? - Ele franziu a testa e concordou. _ Mamãe disse exatamente isso quando matei a primeira pessoa.
_ Deve ter um motivo. - Ele largou a minha mão e fui me sentar.
_ Eu não sei se tem, eu apenas me desligo do mundo e só vejo um pedaço de carne na minha frente e preciso, não, eu necessito acabar com ele. Até que sobre apenas migalhas pelo chão.
_ Eu espero nunca ser esse pedaço de carne.
_ Eu também.
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31 de janeiro de 2008
A porta foi aberta e um loiro entrou afobado dentro da minha moradia, ele entrou e esperou que a porta se fechasse e me olhou confuso.
_ Como você tem luz?
_ Barganhei com um inominável. Disse que iria fazer o relatório dele, se ele me deixasse ler qualquer livro do ministério e tivesse lumos. - Balancei o livro de capa de couro. _ Sabia que eles guardam livros antigos sobre as artes das trevas? Depois falam por aí que queimaram tudo.
_ E esses papéis e você. - Ele veio até mim. _ Isso é tinta em seu rosto?
_ Bom, não tenho memória fotográfica e não posso fazer um feitiço de memorização. Então eu preciso escrever coisas importantes e eu tenho bastante tinta e papéis. Devo agradecer o inominável.
Ele se sentou ao meu lado e bufou, parecia chateado.
_ O que foi?
_ E eu aqui pensando que era o único que poderia trazer paz a você. - Ri e bati em seu ombro.
_ Você é meu Dragon, meu priminho que levou um soco da Granger. - Revirou os olhos. _ E minha família. Você é especial para mim, Draco. Apenas saiba disso.
_ Não gosto de abraços sentimentais, mas você merece um de lado. - Ele me abraçou e cutuquei a minha pena no seu terno. _ Se você sujar esse terno, eu vou fazer você limpá-lo com a língua.
_ Que nojo. - Ele se desgrudou de mim e tirou alguns papéis do seu terno e fez que eles ficassem no seu tamanho normal.
_ Acho que podemos usar o Lorde, mesmo ele sendo um bruxo muito inteligente, se você for para o ano que ele começou Hogwarts, você pode dar pequenos empurrões na direção correta.
_ O que você quer dizer?
_ Eu sou amigo dos duendes, você consegue ser se tiver as três bênçãos dos duendes. Primeiro pelos guardas, segundo pelo o duende que vai te atender e por último o chefe dos duendes. Se você receber a benção, eles podem ser usados e você será usada por eles.
_ Isso é interessante. - Ele concordou e tirou um livro do seu bolso.
_ Isso é as frases que você deve falar para se tornar amiga deles. Bom, seja cortês e nunca, em hipótese nenhuma, os olhe de cima, você é uma ninguém perante a eles.
_ Isso é fácil. Mas ainda não entendi sobre o Lorde.
_ Mon petit, essas folhas são sobre algo que os duendes descobriram, mas que temem a repreensão dos puristas e do ministério. Eles descobriram que abortos e sang... Nascidos trouxas, são parentes distantes. Pode ter um bruxo por aí que seja meu primo de sei lá quantos graus. Hermione Granger pode ser parente de Bellatrix Lestrange. - Sussurrou a última parte. _ Não sabemos os riscos que podem ocorrer se tornarmos isso público.
_ Imensuráveis. Acreditamos quase a vida toda que a Lady Magic dava sua bênção para aqueles que tinham aptidão. Mas isso. - Falo das folhas. _ Isso só mostra que abortos contém magia no seu sangue, apenas não conseguem usá-la.
_ Eles fizeram um teste usando o seu sangue. - Fiquei atenta o que ele iria dizer. _ Eles curaram um aborto de 50 anos, mon petit. - As folhas se esparramaram no chão. _ O que estou dizendo é que o seu sangue pode não ser uma maldição, mas uma benção. - Juntou as folhas com magia e as segurou.
_ Para os outros e não para mim. - Bom, ele concordou.
_ Descobrimos também o motivo dos abortos não conseguirem usar magia, mesmo a tendo. O núcleo mágico deles está trincado e a magia está vazando em vez de contê-la. Mas com uma gota do seu sangue diluído no sangue de um basilisco, os dois retiraram as suas toxinas imediatamente e. - Ele me mostrou algo. _ Essa poção translúcida é feita.
A peguei de sua mão e fico a balançando, ela não parecia líquida, parecia sólida, mas quando você a balançava, parecia areia. Eram comparações estranhas, mas na minha cabeça faziam sentido.
_ Onde conseguiram um basilisco?
_ Potter matou um, então alguns anos depois, quando Hogwarts estava sendo erguida novamente...
_ Eles acabaram encontrando a carcaça intacta. - Ele concordou. _ Basilisco não se decompõe rápido, demora anos, porque as bactérias e certas criaturas não gostam de sua carne venenosa.
_ Sim, você é uma sabe tudo, mas não é irritante. Mas não foi isso que pedi para os duendes fazerem, eles só acharam o seu sangue interessante e começaram a fazer certas experiências.
_ E o que você pediu?
_ Pedi para eles tentarem fazer uma poção para você, mon petit. Uma poção que possa desabilitar o seu sangue amaldiçoado. - Um dorzinha no meu coração se fez presente.
_ E você não conseguiu.
_ Sim, infelizmente. Mas eu espero que um dia eu consiga isso ou eu espero que outra pessoa faça isso por você. - Segurou a minha mão e a apertou. Ele encostou sua cabeça na parede e ficou pensativo. _ Estamos esquecendo de algo importante.
_ E o que estamos esquecendo?
_ Se você não sair daqui nesse ano, você já estará velha e não poderá entrar em Hogwarts com sua idade para conseguir converter o Lorde.
_ Isso, meu caro senhor, eu tenho a solução. Mas eu tenho que mexer na fórmula. Em vez de me fazer crescer, tenho que diminuir.
_ Você é extraordinária. - Riu feliz e beijou a minha bochecha. _ Somos incríveis. Podemos até dominar o mundo se quisermos.
_ Não gosto de comandar pessoas, prefiro paz e liberdade. Não sirvo para ser Lady das Trevas ou Lady da Luz.
_ Você vai ser a garota de Voldemort? - Faço uma careta.
_ Não, que nojo.
_ O Vovô me contou que ele era muito bonito. Talvez você acabe se...- Tapei sua boca.
_ Vá falar merda na casa da sua vó e não vou ser a garota de Voldemort. - E nem a garota de Tom Riddle. Por Merlim, que visão horrível. _ Eu quero ser a minha garota e garota dos meus livros.
_ Que pensamento adorável. - Bato no seu ombro e rimos.
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27 de fevereiro de 2008:
Abro a boca e um chocolate é colocado dentro dela, o chocolate era de licor, mas Draco estava pouco se fodendo se eu era uma menor de idade.
Ele disse que eu já era uma prisioneira, comer ou beber coisas alcoólicas não fará os meus crimes desaparecerem e ele está certo. Os bombons são muito bons, meus preferidos eram os de cereja. Delícia.
_ Como foi sua vida em Hogwarts? - Ele me olhou e abaixei o livro que estava lendo. _ Se não quiser...
_ Meus cinco anos em Hogwarts foram normais. Aprontei muito, beijei muito, fui mimado, egoísta e idiota. Mas a partir do sexto ano... - Ele comeu um bombom. _ No quarto ano ele voltou e no sexto me deu uma missão.
_ Uma missão? - Fico surpresa. _ Foi de colocar os Comensais em Hogwarts?
_ Se fosse só isso. - Ele me olhou. _ Eu tinha que matar Dumbledore, mas não consegui e fiquei tão perturbado naquele ano que vi um passarinho morrer, e chorei como um idiota. E quase fui morto por Potter. - Sentei-me e o observei.
_ O quê? Você, você quase foi morto por aquele idiota com miopia?
_ Sim. Patético, não?
_ Não, você... Você só estava precisando de ajuda.
_ Fiz que os Comensais entrassem em Hogwarts, mas ajudei o Potter em algumas coisas.
_ Você se arrepende?
_ De ter ajudado aquele idiota? Sim. Mas antes eu não me arrependia. - Ele segurou a minha mão e a apertou. _ Fiz até amizade com um fantasma. - Riu.
_ E por que você se arrepende agora?
_ Não é óbvio, mon petit? Se o Lorde tivesse vencido, você... - Apertei sua mão com força.
_ Talvez não teríamos essa conexão, Dragon. Então não se arrependa de fazer algo e apenas se arrependa de não ter me conhecido antes. - Rimos e olhei para o livro. _ Sabe o que esse livro está dizendo?
_ Diga-me.
_ Sobre as imperdoáveis e suas verdadeiras funções.
_ Verdadeiras?
_ As imperdoáveis foram feitas para serem usadas para a medicina. - Entrego o livro a ele. _ Cruciatus para reabilitar pacientes com deficiência, Avada para dar uma morte indolor para aqueles pacientes que querem morrer sem sentir dor pela sua doença e Imperius para acabar com traumas, ainda não entendi muito bem o último.
_ O último é apenas uma experiência, não foi comprovado muita coisa. - Apontou para a parte que dizia isso. _ Mas é interessante pensar que por causa de certas pessoas, esses feitiços foram banidos.
_ Bom, podemos levar esse livro como uma hipótese, afinal esse livro só foi escrito em 1900. - Retiro o livro de sua mão e o fecho.
_ Mamãe quer te conhecer. - Fiquei o observando. _ O que acha?
_ De conhecer a Narcisa Malfoy? A pessoa que mentiu para o Lorde? - Riu e concordou. _ O que ela pensaria de mim? Eu, uma garota que está convertendo o seu bom filho.
_ Não, mon petit, eu que estou te convertendo e se não fosse por mim. - Ele pegou o meu livro. _ Isso aqui. _ Balançou o livro. _ Não estaria em suas mãos.
_ Sou uma pessoa culta, gosto de ler coisas que irão agregar a minha vida.
_ Se você está dizendo.
_ Sobre a sua pergunta, eu acho que ficaria encantada a conhecendo e só espero que eu seja adequada para conhecê-la.
_ Minha mãe odiou a Astoria, mas nem isso me fez desistir dela e não vou desistir de você, mon petit.
_ E nem eu de você.
Estendi o meu dedinho e ele balançou a cabeça negando e fico surpresa. Ele se aproximou de mim e beijou a minha testa.
_ Chega de dedinhos, mon petit. - Ele se levantou e fiquei meio desnorteada.
Toquei minha testa e ela estava quente e tinha uma sensação boa. Isso... O que é isso?
_ O que foi? Meu beijo é mortal? Mato qualquer um que beijar?
_ Não, eu só...- Me levanto e vejo ele jogar o livro na minha cama. _ Achei estranho, não estou acostumada com o toque físico. Bom, tinha a minha mãe, mas ela apenas me abraçava rapidamente e mexia nos meus cabelos.
_ Sua carência às vezes me assusta. Quer que eu leia sobre os três irmãos para você dormir? - Vou até ele e piso em seu sapato social.
_ Depois que você massacrou o meu pé, fiz um feitiço que nada pudesse me machucar. - Sorri de lado e apertei sua bochecha. _ Isso dói.
_ Você não fez um feitiço para que nada pudesse te machucar? Pensei que fosse para o corpo todo, devo estar enganada. - Digo cínica.
_ Sua pirralha atrevida. - Dou de ombros e largo a sua bochecha. _ Já fiz os papéis. - Franzi a testa. _ Você é uma Malfoy. - Entregou-me um pergaminho envelhecido. _ E madrinha do meu filho. - Me mostrou outro pergaminho.
_ Isso... - Minhas mãos tremiam, Draco colocou suas mãos nas minhas e isso me confortou. _ Draco...
_ Bem-vinda a família que todo mundo odeia, mas no fundo depende de nós. - Sorri e o abracei.
Eu tinha uma família, não era perfeita, não tinha pessoas civilizadas e com saúde mental em dia, mas era perfeita. Para mim era.
_ Eu não sei o que dizer. - Fungo o nariz e Draco diz:
_ Espero que não esteja sujando o meu terno, gosto muito dele, é edição limitada e só existem cinco no mundo. - Eu me desgrudei dele e fiquei o encarando. _ O que foi? Eu sei que sou bonito, mas sou casado e muito bem casado.
_ Não quero você para a minha vida inteira. Não aguentaria sua chatice. Mas poderia me contar o motivo de você vir aqui usando um terno caro? E se sujar? Manchar?
_ Compro outro? - Perguntou confuso. _ Dinheiro existe para gastar.
_ Se você está dizendo, não vou reclamar. - Girei em um pé no mesmo lugar. _ Você conseguiu?
_ Alguns, tem vários ainda para conseguir e quando tiver a metade, eu lhe entrego e você coloca naquela bolsa ilegal que você usa de travesseiro.
_ É bastante útil.
_ Mas é ilegal ter feitiço expansivo dentro dela.
_ Já estou presa, isso na minha ficha é quase nada.
_ Eu vou convidar um duende para vir aqui. - Fiquei confusa. _ Mon petit, você sabe qual ano você quer ir? Se você realmente for para o passado e mudar tudo, você precisa de documentos, não tem como fazer em poucos meses.
_ Você quer um duende não apenas para fazer os documentos, mas porque os duendes podem se lembrar do futuro que aconteceu, mas para eles não aconteceu. Do passado que virou presente e...
_ Sim, eles têm memórias de tudo que aconteceu e o que vai acontecer. Mas eles não podem falar e não podem fazer nada para lhes salvar. Triste, não?
_ Sim. - Dou de ombros.
_ Bom, talvez seja em algum mês deste ano, ainda tenho que ter tempo para ir lá.
_ Tudo bem, não vou fugir daqui mesmo. - Bato na parede e ela repele a minha mão.
_ Seu cabelo está crescendo. - Peguei a ponta do meu cabelo, mas ele ainda estava curto.
_ Para mim continua exatamente igual.
_ Se você acha.
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31 de março de 2008:
Novamente estava ansiosa para conhecer uma pessoa, isso era tão estranho. Eu até mesmo arrumei os meus cabelos, mesmo não tendo um pente ou algo do tipo e já subornei um inominável para ele me deixar tomar banho e escovar os dentes.
Até mesmo roubei uma peça de roupa nova e cheirosa.
Eu só estava esperando aquela porta/parede se abrir e mostrar uma mulher de cabelos loiros e de postura intimidadora. Ah, isso vai me enlouquecer.
Sem perceber, eu já estava mais uma vez andando pela minha sala e o chão frio era a única coisa que me impedia de surtar.
Escuto a porta abrir e tinha três pessoas falando alguma coisa, mas era difícil compreender.
_ Eu iria vir sozinho com a minha mãe. - Draco entrou dizendo e no seu colo estava o pequeno Scorpius e ao seu lado estavam os seus pais. _ Mas papai queria vir e Scorpius nos viu e começou a chorar.
_ E esse idiota queria deixar o meu bebezinho chorando. - Tio Lucius deu um tapa na cabeça do Dragon.
_ Ei! - Ri e todo o nervosismo sumiu do meu corpo. _ Não ria, mon petit.
_ Calem a boca. - Olhei assustada para a mulher à minha frente. _ Você deve ser a Leesa, você é tão bonita, meu bem. - Sorriu vindo até mim. _ Esses olhos verdes são lindos, me lembram a maldição Avada.
_ Eu agradeço. - Ela emoldurou o meu rosto com suas mãos.
_ Não precisa, fiquei sabendo que você é a nossa parenta e sua mãe deveria ter nos contado.
_ Mamãe, por Merlim. - Tirou a mulher de perto de mim e me entregou o pequeno Scorpius que me olhava com os olhinhos vermelhos. _ Toma que o afilhado é teu.
_ Oi, meu amor. - O garotinho riu.
_ Eu gostei dela. - Narcisa sussurrou. _ Querida, você pode me chamar de tia, se você quiser.
_ Tia Cisa. - Ela sorriu.
_ Se a gente cancelar o casamento do Draco dá para ela...- Lucius sussurrou e começou a conversar no canto da sala com a sua esposa.
_ Eles querem nos casar. - Olhei para o Dragon. _ Não aceite, não quero me casar com uma pirralha.
_ E eu não quero me casar com um idoso. - Ele colocou a mão no coração.
_ Isso me machucou, eu só tenho 27 anos.
_ Mas já posso ver suas entradas. Vai ficar calvo. - Ele me olhou horrorizado. _ Viu, meu amor, papai está ficando calvo e não vai ter mais cabelo quando você estiver em Hogwarts indo pra Corvinal.
_ Nunca. - Disseram os três da sala.
_ Eu pensei que odiassem a Grifinória e não as outras casas.
_ Temos um legado a preservar, minha querida. Não podemos ter um Malfoy em outro lugar. - Tia Cisa falou sorrindo.
_ E loiro não combina com outras cores. - Tio Lucius respondeu.
_ Se vocês estão dizendo. - Me sentei na cama com o bebê no meu colo. _ Draco contou a vocês?
_ Sobre mudar tudo? Sim, contou e eu acho que ele enlouqueceu de vez. Mas eu sei o motivo que ele quer fazer isso. - Olhou para o Dragon. _ Eu estou pesquisando ainda mais sobre todos e...
_ E eu estou descobrindo informações que você possa subornar os outros.
_ Fofoca. - Disseram os dois homens.
_ Eles não entendem que informações não são fofocas, são apenas informações privilegiadas que escutei de alguém conversando com outro.
_ E as informações são confiáveis?
_ Tenho até a data da conversa e a data do ocorrido dessa informação. São tudo muito confiáveis.
_ Fofoqueira. - Disseram os dois novamente.
_ Se não quiserem ficar de joelhos no milho por duas horas...
_ Desculpe. - Abaixaram a cabeça em rendição.
_ Tem que ser firme, ou eles irão ficar escorregadios em sua mão.
_ Eu gosto de ficar escorregadio em sua mão. - Olhamos para o Lucius e Draco fez cara de nojo.
_ Papai, isso é nojento. Não quero saber de sua vida privada com a minha mãe e temos uma criança entre nós.
_ Leesa já tem 15 anos.
_ 16. - Digo e eles me olharam.
_ Que dia? - Draco perguntou
_ Quando você trouxe o Scorpius para me ver pela primeira vez. Como eu não sei a minha data de nascimento, apenas o ano, eu invento um dia. Ano passado foi em 29 de novembro e no ano retrasado fiz no dia 2 de abril.
_ Por que não me disse? Eu poderia comprar um bolo e...
_ Não gosto de comemorar o meu aniversário, apenas saber que fiz está de bom tamanho.
_ Então hoje você vai fazer 17. - Narcisa disse e chamou um elfo e pediu um bolo com velas e uma câmera fotográfica.
O elfo não demorou e trouxe o bolo de chocolate e as velas. Scorpius começou a bater palmas pensando que era para ele.
Eu me levantei e fui até o bolo que estava flutuando.
_ Vocês são incríveis. - Sorri para todos.
Agora eu sei o que é me sentir amada, sei a sensação de calor e não preciso sair daqui para ser livre. Sou livre estando com essa família, a minha família. As pessoas que me aceitaram do jeito que eu sou. Eu me sinto pela primeira vez realmente viva e feliz.
_ Antes de você fazer um pedido, vamos tirar uma foto. - Tia Cisa fez a câmera ficar flutuando no meio e fez que Draco e eu ficássemos na frente deles. E eles estavam atrás de nós.
A mão da tia Cisa estava no meu ombro e a do tio Lucius em seu filho. Sentei Scorpius no meu braço e digo para ele ficar olhando a câmera.
_ 1. - Ela fez a contagem regressiva. _ 2 e...
_ Malfoy! - Dissemos sorrindo.
A câmera tirou a foto e a tia Cisa foi ver se ficou boa. A foto saia na hora, já que a câmera era desse tipo.
_ Ficou boa? - Tio Lucius perguntou.
_ Sim. - Sacudiu a foto. _ Tire vocês três, acho que ficará bom.
Tio Lucius com sua mão no meu ombro e do Draco e mais uma vez dissemos Malfoy.
_ Perfeito. Agora só os três e depois só os dois. - Draco me olhou e revirou os olhos. _ Não revire os olhos, mocinho.
_ Mas eu não fiz nada.
_ Só foram os seus olhos. - Ele riu de lado e fiquei olhando para ele e mais uma vez a foto foi tirada.
Tio Lucius pegou o pequeno dos meus braços e a tia pediu que nós nos abraçássemos de lado.
_ Não gostamos de contato físico. - Dissemos juntos.
_ Que bobagem, andem logo. - Draco começou a andar na sala. _ Vou te colocar de joelhos...
Draco voltou para o meu lado e colocou sua mão na minha cintura me trazendo para mais perto de si e coloquei a minha mão na sua cintura e dissemos sorrindo:
_ Malfoy. - Retiro minha mão rapidamente e vou atrás do meu pequeno. _ Vem com a tia...
_ Madrinha. - Os meus tios o olharam. _ Esqueci de contar? Leesa é madrinha do Scorpius e é uma verdadeira Malfoy.
_ Isso é... - Esperei a repreensão, mas eles estavam sorrindo. _ Isso é maravilhoso, querida. Mais um motivo para comemorarmos.
_ Eu pensei...
_ Que eles iriam brigar? - Concordei o olhando. _ Não, eles não se importam com muita coisa, e às vezes é muito bom. Mas às vezes é muito ruim. Você é a nossa família, mon petit. E ninguém pode falar o oposto disso. - Beijou a minha testa. _ Vamos? Você precisa fazer um pedido e eu quero comer bolo.
Ele era inacreditável. Fui até o bolo e os meus tios pararam de ver as fotos e vieram até mim. Não teve uma canção de parabéns, mas eu também não queria, olhei para todos e fiz o pequeno Scorpius soprar as velas que estavam ali.
_ Ei, você precisa fazer um pedido.
_ Ele já fez por mim. - Sorri para o Dragon. _ Ele sabe o que eu iria pedir.
_ E o que é? - Me perguntaram.
_ Vocês não podem saber.
Eles começaram a partir o bolo e me sentei novamente na cama para brincar com o garotinho.
_ Mamãe está pensando em fazer um álbum de fotos e te entregar quando ela terminar de fazer. - Draco se sentou e pegou o pequeno e o sentou na cama.
_ Isso vai ser bom para quando vocês não puderem vir me visitar.
_ Queria vir te visitar todos os dias, mas não posso.
_ Está tudo bem. - Tia Cisa me entregou um pedaço de bolo. _ Eu entendo.
Vejo eles transfigurarem um pratinho de bolo em um sofá de dois lugares. Parecia tão confortável.
_ Eu ainda não entendo como vocês conseguem entrar aqui e fazer tudo isso.
_ Querida, nossa família é muito antiga e a maioria dessas pessoas nos devem favores e suas vidas. Eles não podem nos privar de vir aqui, só se...
_ Nada vai acontecer. - Tio Lucius deu batidinhas na mão de sua esposa.
_ Qual foi o pedido?
_ Não vou falar, vai que não se realiza.
_ Bom, se eu tivesse pedido algo, pediria que mesmo você voltando para o passado que essa família continuasse sendo sua. - Fico surpresa e pisco meus olhos sem parar. _ O que foi? Entrou algo no seu olho?
_ Não, eu só... - Era exatamente isso que pedi. _ Eu só fiquei surpresa. - Falo terminando o bolo.
Sinto ele me olhando, mas não o olhei de volta.
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30 de abril de 2008:
Estava alisando as fotos que estavam no álbum azul, sim, a tia Cisa pediu para o Dragon me perguntar a minha cor favorita e ele a contou.
Ele queria que fosse preto, mas eu o olhei e apertei sua bochecha até elas ficarem tão doloridas que ele tivesse que colocar gelo.
Tinha fotos de todos e até mesmo do meu avô. Pensei que ele fosse feio pelas fotos que eu tinha visto. Mas ele era muito bonito, cabelos grandes presos em uma fita preta e exatamente igual Lucius ou Draco. Posso dizer que são irmãos.
Mas se não fosse o bastante tinha foto de uma pessoa que eu odiava com tanta força que eu podia sentir o gosto de sangue na minha boca.
Era o Lorde ou como ele se chamava, Tom Riddle. Ele não sorria para foto, apenas olhava para a lente da câmera como se soubesse que eu estava o olhando, como se estivesse rasgando a minha alma apenas pelo olhar.
Ele não era feio, era muito bonito e charmoso. Mas essa beleza era um veneno para nós, meros mortais. Ele tinha cabelos pretos quase castanhos, as pontas de seus cabelos eram cacheadas, mas talvez ele passasse gel e ficavam bem-comportados.
Seus olhos castanhos eram tão lindos e seu comportamento até mesmo para tirar uma foto transmitia poder. Ele era lindo, mas perigoso.
Eu deveria ficar longe dessa foto e dessa pessoa.
Passei a pagina e a porta se abriu, hoje não era o dia da minha tortura, então quem era? Draco disse que não poderia vir nessa semana, estava atarefado. E os meus tios estavam cuidando da Astoria que adoeceu.
Fecho o álbum rapidamente e o coloco dentro da minha bolsa, ela estava ficando cheia. Já tinha alguns arquivos aqui.
Queria ter uma varinha, pelo menos eu poderia me defender e mesmo não tendo magia, eu poderia furar um olho de alguém.
_ Desculpe-me a reunião tardia, senhorita Avery. - Entrou um duende e me levantei.
_ Saudações, senhor, espero que se sinta confortável e que tenha feito uma boa viagem até a aqui. - Ele me analisou com seus olhos escuros que eu não enxergava o branco deles e sua boca mostrava seus dentes pontiagudos.
_ Eu não posso dar a benção se é...
_ Não faço isso para conseguir uma benção, faço isso por respeito e admiração pelos duendes. - Mostro a minha cama e ele vai até ela e se senta.
_ Eu vim aqui para dizer algumas coisas, espero que não tenha atrapalhado algo importante. - Eu me sentei ao seu lado.
_ Não, essa semana Draco não pode vir e minha tortura foi na semana passada.
_ Ainda acontece a sua tortura?
_ Sim. - Sorri. _ Mas está tudo bem, elas se curam rapidamente.
_ Se a senhorita está dizendo. Vim aqui por ordem do ministério dizer que a senhorita está emancipada e se conseguir sair daqui poderá usar magia sem ser rastreada pela sua varinha.
_ Nunca aconteceu comigo isso, acho que é por causa que a varinha que eu usava era de outra pessoa.
_ Sim, as varinhas do senhor Olívaras tem o rastreador nelas e quando o bruxo faz 17 anos, o rastreador some. Mas se você fizer a varinha na Travessa do Tranco ou se roubar de uma pessoa...
_ O rastreador não vai te achar.
_ Exatamente, vejo que é muito prendada.
_ Tento ser. Mas isso não é bom?
_ Bom, é e não é. Como a senhorita é uma Avery e pegando os documentos que o senhor Malfoy veio me pedir, você tem dois sobrenomes muito bons e em um deles você tem uma herança exorbitante. Mas...
_ Se eu estou presa aqui o dinheiro vai para o ministério.
_ Sim, infelizmente. E pelas provas, você tem que permanecer aqui, já que matou pessoas e essas pessoas foram identificadas.
_ Deveria ter feito virar cinzas. - Ele riu.
_ Mesmo assim, a senhorita seria presa por negar informações ao ministério.
_ Tem como resolver isso? Passar o meu cofre para uma pessoa de confiança.
_ Ter tem, mas tem certeza? A pessoa que for nomeada poderá nunca mais te devolver...
_ Não acho que saio daqui, provavelmente só tenho mais alguns anos antes deles me condenarem à morte.
_ Não posso dizer que a senhorita está mentindo, porque não está. O senhor Malfoy ficará muito arrasado quando essa decisão for tomada.
_ Espero que ele fique bem. - Ele concordou. _ Se eu puder, eu quero passar...
_ Ele me contou que a senhorita está pensando em ir para o passado. O que pretende mudar?
_ Certas coisas, talvez o mundo seja um pouco melhor do que esse.
_ Vai reviver o Lorde?
_ Se eu não tivesse um juramento, diria não. Mas eu tenho e não posso dizer que não posso.
_ Tempos sombrios irão retornar e a tempestade vai surgir com duas pessoas no trono. - Disse me olhando. _ Quando a senhorita for para...
_ Eu não sei se vou, como eu falei, eu posso morrer a qualquer minuto.
_ Tem pessoas que não deixariam isso acontecer. Confie neles.
_ Se o senhor está dizendo.
_ Se a senhorita for para o passado passe em Gringotts, iremos te ajudar e espero que nos ajude. - Estendeu a mão.
_ Igualmente. - Apertei a sua mão e sua unha arranhou a minha pele e acabou saindo uma gota de sangue negro.
_ Perdoe-me. - Não me importei e sequei o sangue na minha roupa. _ Seu sangue é algo misterioso até mesmo para nós, duendes.
_ É para todos, mas eu gostei de descobrir que posso curar pessoas.
_ É uma pesquisa que ajudou mais de dez pessoas. Ainda estamos monitorando, mas até agora nada de errado.
_ Espero que continue assim e sobre o cofre, passe para Scorpius Malfoy.
_ Um bebê?
_ Sim, a família Malfoy pode ser rica, mas o garoto pode usar esse cofre como troco de bala. - Ele olhou para mim perplexo. _ Eu disse algo de errado?
_ A senhorita acabou de dizer que mais 1 bilhão de galeões pode ser troco de bala?
_ Retiro o que disse.
_ A senhorita ainda tem as propriedades, artefatos, livros, joias e outras coisas.
_ Passe tudo para ele, quando ele fizer 11 anos, dê a ele o anel de herdeiro Avery.
_ Como a senhorita desejar. Mas saiba que se você realmente voltar, esse cofre será da família Avery e do herdeiro daquela família.
_ Sim, do meu tio-avô, Alucard Avery.
_ Exatamente, espero que antes que faça essa transferência, pegue alguns galeões para se sustentar durante os anos.
_ O dinheiro não vai sumir?
_ Não.
_ Então retire 500 milhões e o resto deixe tudo com Scorpius.
_ Uma casa?
_ Posso pegar uma casa também?
_ Vou te explicar como funciona a herança para as pessoas que viajam no tempo, você não é a primeira que faz isso e também não vai ser a única. Você tem o direito aos cofres da família Avery, mas se você voltar ao passado esse cofre para de existir para você, porém, se você retirar coisas no seu presente, o que estamos fazendo neste exato momento. Essas coisas param de existir no passado se eu fizer elas pararem de existir.
_ Então o senhor vai fazer que esses milhões e essa casa parem de existir para a família Avery, mas para mim eles continuam existindo.
_ Exatamente, vai ser sua propriedade, propriedade da família de Leesa e não dos seus sobrenomes. Agora, me diga a data que você pretende ir.
_ 1935. Se eu realmente for, será em algum mês de 1935.
_ Excelente, tirarei os galões e irei lhe entregar a chave da casa em algum mês.
_ Obrigada, senhor. Ainda não sei o seu nome.
_ Me chamo Caspra Gringotts. É um prazer conhecer a mulher que mudará tudo, até mesmo a si mesma. - Ele se levantou e apenas me entregou o papel de emancipação. _ Sua emancipação ainda vai valer em 1935, mas não terá Avery e nem Malfoy no sobrenome. Apenas... - Ele se calou. _ Até algum dia, senhorita Avery.
_ Eu prefiro Malfoy. - Ele sorriu e concordou. _ Espera. - Ele parou. _ Eu preciso de documentos para estudar em Hogwarts...
_ Em 1935, farei tudo isso, irei lhe aguardar ansiosamente.
_ Pensei que esses documentos demorassem para serem feitos.
_ Nada que um pouco de galeões não resolva. - Ele acenou e se foi.
Espero a porta se fechar novamente e pego o álbum de fotos, o abrindo em uma página qualquer, mas acabei me levando para aquela página que eu não queria abrir.
_ Espero te encontrar, Riddle. Mas eu vou te matar se fizer algo comigo. Não sou Bellatrix para aceitar suas ordens e não sou sua Comensal para abaixar a cabeça. Você vai sofrer comigo e não eu com você. - Passo a página e vejo Draco abraçando a minha cintura.
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28 de março de 2008:
Estava encarando Draco e ele me encarava. Eu não piscava e nem mesmo ele. Meus olhos ardiam, mas eu não queria perder, não deixaria esse loiro oxigenado vencer.
E uma observação importante, não estávamos brincando. Ele só entrou na sala e parou na minha frente.
_ Meus olhos estão ardendo, fale logo o que fiz de errado.
_ Recebi uma carta dizendo que meu filho é herdeiro Avery. - Ele piscou e agradeci mentalmente.
_ E o que é que tem? - Pelo menos ele não sabe que pedi 500 milhões de galeões e uma casa. E tudo estava dentro dessa bolsinha.
_ O que é que tem? Isso está dizendo que você está preparada para... - Ele parecia nervoso e bagunçou os cabelos. _ Você parece querer isso.
_ Querer o quê? Morrer? Não, Draco, não quero morrer. Mas eu sei que eles não vão me deixar aqui pela eternidade e só não quero que o dinheiro fique com o ministério.
_ Eu não vou deixar você morrer, está me ouvindo? - Veio até mim e segurou os meus ombros fortemente. _ Você é a minha família, mon petit. E eu odeio ver a minha família morrer.
_ Você só perdeu o avô Abraxas.
_ Mas foi a minha família. Leesa, escute, eu...
_ Eu sei, eu agradeço por me considerar da sua família, mesmo o vovô tendo traído a sua vó.
_ Que se dane, não estou... - Ele me olhou e suspirou. _ Vou tirar você daqui...
_ Não, não vai. Você vai me deixar aqui e continuar com a sua vida. Tudo vai se resolver, você vai ver. - Ele fez uma careta e concordou.
_ Eu achei um feitiço que pode me dizer se você morreu ou se está viva. E eu quero fazer isso e espero que você também faça.
_ Mas eu não tenho magia.
_ Eu faço o feitiço para você. - Concordei.
Eu me levantei e fiquei a sua frente, ele me olhou e olhou para a sua manga.
_ Você poderia falar, não sou advinha ainda. - Digo desabotoando o pulso de sua camisa e a levantando até o seu cotovelo. _ E você tem mão, poderia fazer isso sozinho.
_ Não, eu queria que você fizesse as honras. - Ele ficou olhando um lugar específico do seu pulso e eu olhei. Era a marca que mamãe e papai também tinham. _ Acha nojenta essa marca? - Perguntou-me, enquanto eu tocava a marca e uma vibração gostosa fez meus dedos acariciarem a sua pele.
_ Não, acho bastante bonita. - Ele colocou a sua mão em cima da minha e fiquei o observando. _ O que foi?
_ Nada. - Ele pegou sua varinha e tirei a minha mão do seu antebraço.
Vejo ele rasgar a sua pele alguns centímetros abaixo da marca que estava esbranquiçada. Draco começou a sussurrar um feitiço e a ferida que deveria sair sangue, apenas se abriu e saiu de lá uma bolinha cristalizada de sangue.
Draco a pegou e me olhou. Abri a boca e a bolinha que era sólida virou líquida e o sangue dele desceu pela minha garganta e sinto uma pequena dor na minha cabeça.
_ Ei! - Digo enquanto via um fio do meu cabelo entrando na ferida do Draco. _ Poderia me dizer que precisava de um fio de cabelo e que esse troço iria virar líquido. - Queria vomitar.
_ Mon petit, eu vou precisar de um fio de cabelo seu. - Ele sorriu debochado e bati em seu braço.
_ Idiota. - Olho para a ferida que se cicatrizou e apenas ficou uma linha avermelhada em seu pulso.
_ Vermelho significa que você está viva e bem, preto significa que você... - Ele não conseguiu falar.
_ Morri. - Concordou.
Ele pegou o meu braço e subiu a manga para fazer o corte.
_ Não será apenas um. - Fico confusa. _ Foi a mamãe que me mostrou esse feitiço e me disse para colocar a família toda. Então será quatro cortes.
_ Mas eles não têm que...
_ Não, a bolinha era apenas para recordação, eu poderia ter jogado fora. - Desgraçado.
_ Seu idiota! Eu odeio o gosto de sangue e você me fez... - Começo a bater nele, mas ele segura os meus braços. _ Me solta! Eu vou te matar enfiando a sua varinha no seu crânio.
_ Você sentiria a minha falta, mon petit.
_ Não, não sentiria. - Fico emburrada.
_ O seu sangue também é amaldiçoado, não podemos bebê-lo. Ainda não quero morrer. - Não falo nada e ele abaixou os meus braços e sinto o primeiro corte acontecer.
Ele tirou um fio de cabelo dele e colocou na minha ferida e guardou a bolinha em seu bolso.
_ Ficarei com as bolinhas como recordação.
_ Faça o que você quiser. - Ele riu e fez mais um corte.
_ Esse é do Scorpius, vou fazer um x em cima desse corte para você diferenciar. - Ele retira um saquinho do seu bolso que tinha um fio de cabelo e o colocou na ferida e fez um x pequeno em cima do corte. _ Agora vou fazer do meu pai.
E mais um corte é feito, eles não devem medir mais do que cinco centímetros. E eu não sabia que feitiço que ele estava usando, mas era interessante.
_ Depois poderia me dizer o feitiço?
_ Vai fazer com alguém?
_ Não, eu só acho que é um feitiço interessante. Não acha?
_ Acho. - E fez o último corte.
Para Scorpius ele fez um x, para tia Cisa uma bolinha e para o tio Lucius uma cruz. E para ele nada.
_ Espero que nenhuma desses cortes venha ficar negros. - Digo o abraçando e ele ficou surpreso. _ Não concorda?
_ Sim. - Tirou alguns fios dos meus cabelos da minha testa.
Ele se aproximou do meu rosto e ficou me olhando, sorri e sinto seus lábios na minha testa e fechei meus olhos para apreciar o ato.
Ficamos ali, abraçados por bastante tempo. Era uma sensação boa.
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20 de agosto de 2012:
Estava meditando e organizando as minhas memórias. A pasta de felicidade precisava ser expandida, não iria aguentar mais nada que colocasse nela.
E tinha a pasta de tortura, não queria expandi-la, mas era preciso. Infelizmente.
Já se passaram quase cinco anos e ainda continuo no mesmo lugar. Meus cabelos já tinham crescido e estavam presos em um coque. Cresci alguns centímetros segundo Draco, pouco, mas eu cresci.
Mas também emagreci bastante, odiava ver a minha pele aparecendo os ossos, mas não poderia fazer muita coisa. A minha família não poderia vir aqui todos os dias para me dar comida e entregar comida para algum inominável poderia acabar me matando.
Claro, tem alguns que me deixavam usar o banheiro para tomar banho e fazer as minhas necessidades, e até me davam roupas e me emprestavam livros. Algo que praticamente já li tudo e anotei tudo que eu precisava.
Mas eles não iriam fazer serviço de babá, não mesmo.
Escuto a porta se abrir e fico confusa, Draco veio ontem, ele não iria vir por pelo meno dias. Abro meus olhos e vejo uma pessoa pequena correndo até mim e se jogando no meu corpo.
_ Segunda mãe! - Gritou a criança e olhei para baixo e a criança tinha cabelos loiros.
_ Meu pequeno. - Abraço o meu bebezinho que cresceu. _ Como você está?
Ele se desgrudou de mim e se sentou ao meu lado sorrindo como sempre. Adorava apertar suas bochechas que ainda continham gordura de bebê. Coisa fofa.
_ Segunda mãe, eu senti muita saudade e pedi ao papai que me trouxesse para te ver. - Baguncei seus cabelos e o abracei apertado. _ Está me sufocando, segunda mãe.
_ Me perdoe, meu bebê. A tia não queria te sufocar. Mas me conte...
_ Ei! - Olhei para frente e vi Draco vindo até nós todo descabelado. _ Na próxima vez que correr de mim, você vai ficar de castigo.
_ Mas você estava muito lerdo, papai. Até parece que não queria ver a segunda mãe. - Esse garoto era terrível, adorava ele.
_ Não queria me ver, Dragon? - Sorri para ele e ele mordeu os lábios e se sentou perto do garotinho.
_ Nunca disse isso. - A porta se fechou.
_ Se você está dizendo. - Parei de olhar para ele e fiquei olhando para o meu garotinho de seis anos, já tinha dois dentinhos faltando em sua boca.
_ A primeira mãe me disse que para fazermos amigos temos que oferecer um doce para quebrar o gelo. Ela está certa, segunda mãe?
_ Bom, ela está certa, mas...
_ Nem pense. - Draco não me permitiu falar.
_ Mas eu não iria falar nada. - Ele me olhou como se soubesse de tudo, provavelmente sabia.
_ Eu sei que você iria falar, não fale.
_ Continuando, sua mãe está certa. Ela é uma pessoa muito inteligente.
_ Segunda mãe, você vai me levar até a estação? Eu quero você lá.
_ Sinto muito, bebê, mas não posso prometer isso, infelizmente. Mas o seu pai vai colocar você por mim e vai me contar qual casa você ficou. - Ele ficou triste.
_ Queria que você estivesse lá comigo, segunda mãe. Eu queria que toda a minha família estivesse comigo nesse dia.
_ Mas eu vou estar. - Coloco a minha mão no seu peito e sinto seu coração batendo. _ Sempre vou estar aqui, ok?
_ Ok. - Ele me mostrou o seu dedinho e ri e me lembrei do Draco quando ele ainda usava dedinhos como promessa.
Mostrei o meu mindinho e selamos o nosso acordo.
_ Papai quer que eu vá para Sonserina, na verdade todo mundo quer que eu vá para lá. - Ele deitou sua cabeça no meu colo e colocou seus pés no colo do seu pai.
_ Seu pai é idiota.
_ Pirralha arrogante. - Me deu um peteleco na testa.
_ Velho. - Eu dei um peteleco na sua testa e ele ficou irritado. _ Acho que já posso ver cabelos brancos. Coitado, nem chegou direito na meia idade.
_ Eu só tenho 32 anos.
_ E eu 21. - Sorri para ele e o vejo revirar os olhos. _ Continuando, meu bebê. Você pode ser de qualquer casa, ninguém vai brigar com você e se brigarem, vem até a mim que eu te protejo, você sabe que eu protejo.
_ Sim. - Riu se lembrando de algo. _ Ainda me lembro quando eu vim pela primeira vez sozinho. Papai ficou uma fera.
_ Mas é claro que fiquei, do nada você sumiu da minha frente quando falei para você que aquele vaso que você quebrou era muito importante para a sua vó.
_ Mas eu não tinha culpa que o vaso quebrou sozinho. - Ele tinha feito a primeira magia dele com 4 anos.
_ Mas você não deveria... Tudo bem, você não sabia que foi sua magia e se sentiu ameaçado. - Draco era um bom pai.
_ Então eu corri para a segunda mãe.
_ Lembro que naquele dia fiquei bastante surpresa de você ter vindo até aqui sozinho. Você chorava tanto.
_ Não chorei. - Ficou emburrado. _ Sou um homem e não choro. - Belisquei a sua bochecha.
_ Homens podem chorar, Scorpius. Isso não quer dizer que você é fraco, apenas que você tem sentimentos e todos respeitam eles. Entendeu, meu homenzinho? - Faço cosquinhas em sua barriga.
_ S-sim! - Conseguiu falar enquanto ria.
_ Seu pai já chorou, seu avô já chorou, todos já choraram.
_ Chorei por um passarinho. - Draco disse e Scorpius o olhou. _ Sua tia está certa.
_ Segunda mãe. - Falou emburrado.
_ Não vou discutir. - Draco encostou sua cabeça no meu ombro e disse em um sussurro. _ Tive plantão e não consegui dormir, deixa-me dormir por alguns segundos.
_ Ok. - Brinquei com a mãozinha de Scorpius e apoiei a minha cabeça no loiro que fazia meu ombro de travesseiro.
Em algum momento todos dormiram naquela posição desconfortável, bom, confortável apenas para uma pessoa.
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1 de setembro de 2017:
Mais uma vez eu estava ansiosa, odiava essa sensação de mãos tremendo, palpitação, formigamento pelo corpo e boca seca. Eu queria bater a minha cabeça na parede para parar de sentir essa sensação.
Hoje era o dia que o meu bebezinho iria para Hogwarts, ele iria para que casa? Sonserina? Ai meu Merlim, eu não sei o que pensar nesse momento.
Poderia ter feito um buraco no chão pela tamanha ansiedade que sentia. Não aguentava mais e acabei me sentando na cama e comecei a roer as minhas unhas.
Cadê aquele loiro oxigenado? Ele esqueceu que eu posso ser uma pessoa cardíaca? Por Merlim, quando eu vê-lo, eu vou matá-lo, estou avisando.
A porta se abriu e eu nem consegui me levantar, minhas pernas tremiam como uma árvore fina que se balançava pelo vento.
_ Aqui! - Draco entrou na sala e me mostrou a carta que estava na sua mão.
_ Por que você parece mais ansioso que eu? Você não leu? - Ele se sentou ao meu lado.
_ A primeira coisa que fiz depois de pegar a carta foi vir aqui. - Fiquei irritada e comecei a bater nele.
_ Seu idiota! Você nem mesmo contou para a mãe do garoto, você é um marido irresponsável.
_ Ah, não quer ler? Pensei que quisesse, se não quer, eu...- Ele tentou se levantar para ir embora e não deixei. _ O que foi? Vai me bater mais?
_ Não, anda logo e abre. Você já está aqui mesmo.
Ele abriu a carta e fiquei bisbilhotando para ver se conseguia ler alguma coisa. Vejo ele franzir a testa e fiquei preocupada, será que ele foi para Grifinória?
_ Anda logo, quer me matar de...
_ Ele foi...
_ Foi? - Cheguei mais perto dele para ler a carta.
_ Grifinória. - O quê?
_ Quê? Não, espera, não faz sentido. Scorpius não é idiota de ser corajoso e destemido e qual das outras não qualidades da Grifinória que existem? Que são bonzinhos? Eu lembro de ver o meu bebê negando um doce para você, ele é malvado. E eu lembro dele ser muito ambicioso, ele queria... - Ele começou a rir e fiquei surpresa.
_ Você tinha que ver a sua cara, estava hilária. - Ele me entregou a carta e eu a li.
_ Seu desgraçado sem coração, quer me matar de ataque cardíaco? Grifinória, que idiota.
_ Mas foi engraçado, e eu já disse para você, nenhum Malfoy foi para outra casa se não Sonserina.
_ Vou mudar isso. - Ele me olhou sorrindo e concordou. _ Não acredita?
_ Não. - Ele riu e a porta se abriu.
_ Malfoy. - Era o Harry e ele não estava sozinho.
_ Hoje não é meu dia de depoimento ou tortura. - Digo colocando a carta dentro da minha bolsa.
_ Ah, hoje é um dia muito especial para nós. - Vejo Draco se levantar e apontar a sua varinha para Harry. _ Está me ameaçando, Malfoy?
_ Encoste um dedo nela que você morre. - O que estava acontecendo? Eu já estava aqui há mais de nove anos, eles queriam me matar?
_ Segure-o. - Me levantei e fiquei na frente dos dois.
_ Apenas me digam o que está acontecendo? - Digo tentando ficar calma.
_ Granger se tornou a ministra alguns anos mais cedo, estava programado para ela se tornar ministra em 2019, mas alguns idiotas como Potter fizeram a cabeça da população e do ministro.
_ Não fizemos nada, apenas dissemos a eles que seria melhor para a população a Mione se tornar a ministra alguns anos mais cedo.
_ Isso quer dizer que vocês irão me matar? Depois de sei lá quantos anos?
_ Não, vamos fazer algo pior.
_ Vocês já me torturaram por mais de nove anos...
_ E não resolveu. - Vejo aurores entrando na sala e fiquei atenta.
_ O que vocês querem fazer? - Sinto uma dor forte no meu peito e uma falta de ar.
_ Leesa? - Escutei Draco me chamando. _ Vocês mudaram as runas dessa sala? - Draco perguntou tentando me ajudar a me levantar. _ Faça parar.
_ Eu não recebo ordens de você, Malfoy.
_ Você quer morrer? - Apontou sua varinha para ele, mas ela saiu de sua mão. _ A deixe em paz.
_ Não, tire essa pessoa daqui e impeça que a família Malfoy venha visitar a prisioneira a partir de hoje.
Vejo Draco tentando sair dos apertos de dois aurores. Eu me levanto e tento chegar perto dele, mas sou segurada por um auror. Retiro meu braço de seu aperto e dou uma cotovelada em seu rosto.
_ Draco! - Ele saiu do aperto dos aurores e estava quase perto de mim.
Mas acabou que mais dois aurores o suprimiu e parecia que meu coração estava sendo esmagado, minha alma sendo dilacerada. Era uma dor insuportável que nem mesmo essa sala conseguiu me fazer sentir.
Tento correr para ele, mas algumas mãos me impediram. Começo a gritar e tentar morder e arranhar aquelas mãos.
_ O quê? - Não prestei atenção em nada, eu só queria que todos morressem, queria a minha família e só queria o meu irmão. _ A contenha! Essa sala vai desabar por causa dela.
Soltei-me das garras desses homens e corri saindo dessa sala, alguns feitiços quase me acertaram, mas não me importei.
Minha magia tirou aquelas pessoas de perto do meu irmão e me joguei em seus braços.
_ Me tire daqui, não quero ficar aqui. Eles querem me tirar de você, irmão. - Ele me apertou fortemente.
_ Eu vou tirá-la daqui, você sabe que vou. - Sinto-me sendo agarrada, mas eu não queria me soltar. _ Eu prometi, e eu sempre cumpro as minhas promessas, especialmente se for para você.
_ Não! Não me deixe, não quero ficar aqui, por favor, nos tire daqui. - Comecei a chorar.
_ Como não conseguem pegar uma mulher? - Escutei Harry.
_ Anda, vamos logo, vamos embora.
_ Mon petit, você não está com sua bolsa.
_ Eu não ligo para ela, não ligo. Vamos embora. Apenas me leve e não me deixe. - Vejo a minha magia fazer uma cúpula para nós.
_ Você acha que eu não descobri que você tem um juramento por magia? Você precisa daquela bolsa. - Comecei a sacudir a cabeça. _ Vou sempre estar com você, você sabe disso, não sabe?
_ Não! - A cúpula se desfez. _ Não quero fazer mais nada. - Sou tirada do aperto do loiro e meus pulsos são colocados algemas de contenção mágica. _ Draco! Você me prometeu! Seu mentiroso.
_ Sei contar muitas mentiras. - Ele foi tirado da minha frente.
Minha magia estava revoltada, ela queria sair, eu a permitia sair e foi isso que ela fez.
Os aurores foram jogados para longe e comecei a flutuar pelo ar. As algemas se partiram e todo o ministério começou a tremer. Iria morrer aqui e levaria uma boa parte comigo.
As paredes do ministério começaram a trincar e eu sentia pessoas sendo sufocadas pela minha magia, e quando eu iria matá-las. Sou atordoada e acabo caindo com tudo no chão do ministério.
_ Obrigado, Mione. - Fechei os meus olhos fingindo que tinha desmaiado.
_ Não queria morrer soterrada e ainda me pergunto o porquê não a matamos? Eu sei que a bolsa e suas memórias são importantes, mas já se passaram quase dez anos, Harry. Ela não é necessária.
_ É aí que você se engana, ela é mais necessária do que imaginávamos. Olhe em sua volta, quase destruiu o ministério com magia pura, nem mesmo as algemas a contiveram. Se mudássemos a sua percepção das trevas e da família Malfoy...
_ Você quer trazê-la para o nosso lado?
_ Sim, e depois podemos apenas descartá-la. Vamos partir sua alma e fazê-la se arrepender por confiar nos Malfoy.
_ Harry, apenas tome cuidado. A magia dela foi contida por tantos anos e agora... Agora olhe em sua volta, ela poderia ter matado todos dentro desse ministério se eu não estivesse aqui. Ela é perigosa.
_ A magia dela só ficou descontrolada, ela não tem tanta magia para acabar conosco. Acabar com o mundo mágico.
_ Se você está dizendo. Apenas tome cuidado, você ainda precisa virar o chefe de execução das leis da magia e eu acho que pode ser esse ano.
_ Agradeço a oportunidade, ministra. - Escutei a mulher indo embora. _ A leve-a para a sala de tortura, ninguém mais vai vir salvá-la, vamos dilacerar uma mente e uma alma.
_ Sim, chefe.
Por quê? Por que eu não posso apenas...
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Agosto de 2019:
Lá, lá, lá... Tenho uma música na minha cabeça, ela não para de cantarolar e já pedi para parar. Mas ela nunca me escuta, sempre cantando as mesmas notas musicais, cantando até que minha cabeça exploda de agonia e eu grite pedindo para parar.
Mas ninguém vem aqui para parar essa música, eles não me deixavam mais dormir. Eu tenho que ver tudo passar tão lentamente que penso que nunca saí de 2007. Mas eu sabia que saí, ele não estava aqui me chamando... Me chamando de quê?
Agarrei a espuma fina e um pedaço saiu em meus dedos. Hoje parecia que ninguém iria vir, hoje era um dia solitário. Não teria chicotes em meu corpo, afogamento e queimaduras por fogo. Era tão sem graça.
Não tinha mais luz nesse lugar, eu sentia medo e sentia vontade de pegar essas correntes prendendo os meus tornozelos e me enforcar com elas. A música continuava tocando, me fazendo tapar os ouvidos, mas não adiantou. Ela cantava ainda dentro da minha cabeça, me impedindo de me sentir um pouco melhor.
Impedindo-me de ficar sã. Estou enlouquecendo, não sei exatamente quem eu sou, não sei o motivo de estar aqui... Não, eu sei, apenas quero esquecer. Quero esquecer que minha família apenas me largou aqui, apenas me iludiu com um falso calor.
Já estava cansada de chorar e gritar por eles, já estava cansada de fazer essa sala tremer e trincar. Estava cansada de tentar fugir e sempre ser capturada e ser torturada cada vez pior. Estou cansada.
Estou cansada de escutar eles me xingando e dizendo tanta merda que meus ouvidos doem. Todos me esqueceram, menos aquelas pessoas que me torturavam. Menos Harry Potter.
Eu não tinha mais o prazer de tomar banho e comer uma comida gostosa, já tinha algumas semanas que não sabia o que era comida e a água era uma raridade.
Não tinha mais livros para ler e não tinha mais ninguém para me abraçar e dizer que eu sou sua família. Não tinha mais uma criança correndo e me chamando de segunda mãe. Não tinha mais ninguém, era tão solitário.
Quando eu podia sonhar, quando eu podia dormir, sonhava com eles, ficávamos em um lindo jardim e iríamos comer coisas gostosas. Eles iriam rir e eu iria rir junto. Mas eu sempre acordava nessa escuridão que doía os meus ossos.
Ninguém me dava a morte, nem mesmo eu. Queria dormir para esquecer um pouco da vida. Mas como eu faria isso se a vida e o cotidiano não queriam me deixar ir?
A porta se abriu e eu me preparava mentalmente para ser arrastada daqui.
_ Mon petit. - Meu coração pulou no meu peito e mordi os meus lábios quebradiços.
Vejo o lumos iluminar a sala e eu vejo um loiro. Era Draco ou era apenas a minha imaginação me pregando peças novamente.
A pessoa se agachou no chão, próximo a mim e eu não me esquivei, o que iria adiantar? Estava presa.
O homem apontou sua varinha para os meus tornozelos e fez que as algemas se soltassem deles.
_ Onde está a sua bolsa? - Ele me perguntou e eu não respondi.
O vejo franzir a testa, mas começou a procurar a bolsa que estava atrás de mim. Ele colocou outra bolsa dentro dela e olhou para mim.
_ Você acha que não sou eu? Bom, provavelmente é isso que você está pensando. Mas, mon petit, você se lembra da nossa ação de juramento? - Ele pegou a minha mão ossuda e começou a falar novamente: _ Eu estendi o meu dedinho e você o seu, entrelaçamos os nossos dedinhos e fiz que os nossos dedões se beijassem como uma promessa.
Eu não acreditava nele, talvez alguém tenha conseguido acessar as minhas memórias ou isso era apenas uma alucinação.
_ Quando nós fomos separados, você me chamou de mentiroso e eu disse que eu sei contar muitas mentiras. Mas eu nunca pude terminar a frase, eu já contei muitas mentiras, menos para você, mon petit. Scorpius sente sua falta e ele precisa da segunda mãe dele. Ele está preso no passado e a única pessoa que eu sei que vai me ajudar nisso é você. - Tirou do bolso um relógio de ouro, não, era um vira-tempo. _ Nott fez mais um em 2018, só não pensava que meu filho iria ficar preso no passado, ele te puxou, não é possível.
_ Ele está bem? - Minha voz estava estranha, talvez seja porque eu não a usava há bastante tempo.
_ Vai estar, não sabia que a tia Bella e o Lorde tiveram uma filha. Ela quer reviver o pai. - Ele me estendeu a mão e eu a peguei. _ Vamos sair daqui. - Eu me levantei do colchão e ficamos em pé.
Era estranho estar em pé mais uma vez, minhas pernas doíam um pouco, mas eu tinha que aguentar para sair.
Draco me entregou a bolsa e colocou o vira-tempo no meu pescoço.
_ Você diminuiu, depois me chama de velho.
_ Você é velho. - Ele me olhou sorrindo e segurou a minha mão e saímos da minha sala.
_ Temos pouco tempo para sair daqui. Granger, Potter e o Weasley estão me esperando em algum lugar. E o ministério está vazio nesse horário. Uma hora perfeita para você ir embora.
_ Por que Scorpius está no passado?
_ Eu contei tudo em uma carta, não tenho tempo para te dizer tudo.
_ Draco, isso não faz sentido, por que você me entregou o vira-tempo? - Ele me olhou sorrindo de lado e chegamos no átrio do ministério.
Ainda continuava igual alguns anos atrás, a única coisa que mudou é que eu não estou sendo arrastada e sim andando como gente.
Paramos em uma das lareiras e eu puxo Draco para ir comigo, mas ele não vem.
_ O que foi?
_ Eu tenho que voltar, aquelas pessoas estão me esperando para tentarmos salvar as crianças.
_ Pensei... - Não terminei de falar quando vejo Harry vindo até nós. Minhas mãos tremiam e meu coração se apertou. Estou com medo.
Draco olhou para trás e me olhou. Ele beijou a minha testa e comecei a escutar as grades das lareiras se fechando rapidamente.
_ Seja onde você estiver, lembre-se que você sempre será a minha família, mon petit.
_Draco? O que... - Ele me empurrou para a lareira e a última coisa que eu vejo antes das chamas verdes me engolirem...
Foi...
Um jato verde fazendo Draco Malfoy perder a vida enquanto sorria para mim. O feitiço veio de Harry Potter, a pessoa que nunca pensei que lançaria um crucius alguns anos atrás.
As chamas me engoliram e saí dali.
