10 de novembro de 1981:
"Tem um lugar que eu gostava de visitar antes do Lorde começar a viver na mansão."
" E onde é esse lugar?"
"O labirinto que tem no jardim de trás da mansão Malfoy, lá tem uma vista linda para a lua e um banco de cimento muito confortável."
"Um dia eu vou ver se esse banco é realmente confortável."
"Espero estar na sua presença quando você o testar."
Acordo me sentindo um pouco mal, queria trancar essas memórias para que nunca pudessem ser vistas novamente, mas parece que minha cabeça realmente não gostava de mim.
Levanto a minha cabeça da mesa de madeira e tento limpar a baba do canto da minha boca. Quantos dias que eu não dormia para conseguir fazer essa coisa chata chamada vira-tempo?
Mamãe fazia rapidamente, mas esse troço demorava demais para fazer. E colocar pó de vira-tempo dentro da ampulheta era algo irritante.
Esse vira-tempo já era o terceiro que tentava fazer, os outros dois não voltaram para contar história. Então eu presumi que não deram certo.
Ou talvez deveria ter testado em um humano para essa experiência funcionasse corretamente, em vez de usar ursinhos. Talvez o temporizador não tenha funcionado em vez de pensar que foi o vira-tempo que não fez o seu trabalho. Devo tirar o temporizador para um novo teste, mas dessa vez usando um humano como cobaia.
Bom, dessa vez irei tentar, talvez eu pegue uma criança e use o Imperius. Ou posso suborná-la com doces, seria muito melhor que um adulto.
Arrumo as engrenagens e ferramentas na mesa e olho para o diário que estava aberto. A tia disse que era bom ter um diário para comentar sobre as minhas experiências fracassadas ou bem-sucedidas. Mas até agora só foram escritas 99% por cento das fracassadas e 1% por cento das bem-sucedidas.
Eu só estava tentando fazer o vira-tempo e algumas vezes pegava o livro que estava escrito a poção de crescimento, algo que eu deveria modificar e só de pensar nisso me dá preguiça. Mamãe deveria ter feito as duas poções em vez de uma, seria tão mais fácil.
E quando estava com insônia ou os pesadelos me acordavam no meio da noite, eu lia os diários que a tia Cisa escreveu. Ainda não li as cartas que Draco escreveu, não por não querer, mas por temer os meus sentimentos e racionalidade.
Nem parece que tenho 28 anos, nem parece que vivi por mais de dez anos dentro do ministério. Eu deveria ter aprendido a controlar os meus sentimentos e a minha raiva. Talvez eu tenha aprendido, mas tenha apenas jogado esse aprendizado no lixo.
Faço muitas vezes isso. Mas consegui fazer algo bom nesse tempo, consegui modificar o feitiço da minha bolsa, só precisava de uma pessoa que confiava para testar. Mas até agora eu não tinha.
Escuto passos no corredor que se aproximava do meu quarto.
_ O que você quer? - Pergunto olhando para a porta e lá estava uma velhinha que tinha um rosto bondoso, mas a sua personalidade não era bondosa.
_ Você era mais educada.
_ Não estou com paciência para brincar com você, tia. Me diga o que quer e saia.
_ Encontrei ferramentas que podem resolver a sua falta de paciência. - Entrou no quarto e colocou uma caixinha transparente em cima da mesa. _ De nada.
_ Não agradeci. - Ela bufou e se sentou na minha cama.
Abro a caixinha e vejo que tinha minis ferramentas feitas... Feitas por pó de estrela, isso é uma raridade.
Essas pequenas ferramentas feitas por esse pó, era como eu ter ganhado diamantes preciosos e únicos. O que elas faziam? Qualquer peça iria se encaixar perfeitamente, sem precisar se estressar com elas.
_ Onde conseguiu isso?
_ Com um amigo meu.
_ Agradeça esse amigo por mim, isso é fantástico. - Digo enquanto pegava as pequenas ferramentas, elas não chegavam a ser do tamanho do meu dedinho.
_ Deveria agradecer a mim, eu que fui lá e pedi.
_ Ok, obrigada. - Ela sorriu e me observou. _ Você não vai conseguir.
_ Tem certeza? - Sinto uma dor de cabeça e respiro fundo e olho para a mulher.
_ Tenho. - Ela tentava invadir a minha cabeça a cada segundo que eu passava em sua casa e alguns dias atrás ela conseguiu escutar os meus pensamentos, mas nunca as memórias.
Até que cansei de sentir essa invasão na minha cabeça e comecei a praticar Oclumência. Algo doloroso, mas muito prazeroso quando essa velha não conseguia ler os meus pensamentos.
Segurei a minha cabeça com uma de minhas mãos e sorri para ela, ela me olhou surpresa.
_ Você melhorou, Leesa. Mas não seja esnobe, sou mais velha e experiente que você.
_ Idade e experiência não querem dizer nada. Veja a minha mãe, por exemplo, ela fez vários vira-tempos, mas nunca conseguiu fabricar um que pulava décadas. Mas eu... - Cutuquei o vira-tempo que não tinha todas as peças em seu corpo. _ Eu vou conseguir em menos de um mês.
_ Não adianta nada, você ainda é uma mulher adulta.
_ Não me lembre dessa poção. Ainda quero matar a minha mãe por não fazer uma poção com a função oposta. - Ela riu.
_ É melhor descobrir o real motivo dela ter criado essa poção.
_ O que quer dizer?
_ Sua mãe criou essa poção com um propósito, apenas descubra qual foi, antes de tomar essa poção.
_ Está dizendo que essa poção de crescimento pode ter outro objetivo? Tipo crescer cabelo ou coisa pior?
_ Qualquer poção feita ou feitiço criado tem um propósito. Às vezes mudamos a sua finalidade ou não.
_ Mas por que a mamãe iria criar uma poção de crescimento para outro propósito? Na verdade, você está certa, qual é o motivo dela ter criado essa poção em primeiro lugar? - Pergunto para mim. - A olhei e a vejo rindo.
_ Você realmente melhorou.
_ Tento sempre o meu melhor. - Ela concordou.
_ O que significa os cortes? Você nunca me deixou curá-los.
A olhei por alguns segundos e depois olhei para os quatro cortes no meu pulso. Um ainda estava negro como a escuridão que passei a odiar.
Minhas costas não tinham mais feridas e meu corpo está recuperando o peso que perdi pelo longo dos anos. Cocei a cabeça e voltei a olhá-la.
_ Cada corte representa a minha família, se estiver vermelho é que eles ainda vivem, mas se estiver preto...
_ A pessoa morreu. - Concordei.
_ Pensei que esse corte iria voltar a ficar vermelho, já que a pessoa vive nessa época. Mas eu estou em uma realidade alternativa e nada que eu faça irá trazê-lo de volta. Mas você está certa.
_ Sempre estou certa.
_ Ele morreu, mas não em minhas memórias ou sentimentos. Ele ainda vive.
_ Você aprende rápido demais ou eu sou uma excelente professora.
_ Talvez os dois. - Volto a mexer no vira-tempo.
_ Por que você não começa a sua vingança aqui? Por que quer ir para um passado tão distante?
_ Não é tão distante, mas eu quero poder ver o Lorde crescer e ver o que aconteceu com ele para ele perder a racionalidade. Não acha estranho? Um homem tão inteligente acabou indo atrás de uma profecia. - Não queria falar sobre o meu juramento.
_ Você não quer conhecê-lo, você quer manipulá-lo para conseguir sua vingança. - Não a olhei, apenas continuei colocando as peças no vira-tempo.
_ É estranho, não é? Se eu falasse que iria seguir o lado da luz, todos iriam me parabenizar e dizer que eu estou no caminho correto. - Digo com raiva. _ Mas se eu escolhesse o lado das trevas, todos iriam me repreender e me sentenciar a morte. As escolhas que eles impõem para a sociedade é tudo palavras de merda jogadas ao vento. Eles não te dão escolha. - Mordo os meus lábios. _ E quer saber? Eu espero que os dois lados se explodam e morram todos no inferno. - A olhei. _ Porque aí, eu terei o mundo para mim e poderei fazer o lado e a escolha que eu quiser, sem a interferência de opositores.
_ Está tentando criar o seu lado? E como ele se chamaria? Lado das cinzas?
_ Ah, não, não estou criando um lado, estou destruindo dois lados para não ter nenhum futuramente. Não quero mexer em tabuleiros e governar pessoas medíocres que não valem o meu tempo. - Comecei a sorrir sem perceber. _ Eu quero que o mundo seja apenas meu e nada me impeça de controlá-lo, nem mesmo o Lorde.
_ Se você não quer opositores não é melhor matar o Lorde, Dumbledore e o garoto? E mesmo você fazendo isso, nascerá uma pessoa que irá contra o seu governo.
_ Tem coisas que você desconhece, titia. Mas você não precisa saber disso. - Respiro fundo e digo. _ Que nasça, eu volto no tempo e mato essa pessoa. O tempo está nas minhas mãos e não eu. - Cutuquei a ampulheta do vira-tempo.
_ Então por que você não mata o Lorde? - Iria falar mais uma vez que ela não precisava entender os meus motivos, mas eu falo:
_ Porque ele será útil para mim, muito útil e não posso aparecer, não quero que as pessoas me conheçam, então eu preciso...
_ Você vai ser a sombra que manipula o Lorde e ele será odiado, enquanto você, é amada e adorada por todos. - Ela finalmente entendeu. _ Por isso que você não vai virar uma sangue puro ou mestiça, você vai virar uma sangue-ruim. - Olhei para ela e não aguentei, comecei a gargalhar.
_ Sim, não é fantástico? - Levanto-me da cadeira e fico girando pelo quarto com o vira-tempo em mãos. _ Eu, a pobre coitada de uma sangue-ruim sendo excluída por todos, sendo repreendida por todos, mas ninguém iria desconfiar de mim. Ninguém iria desconfiar de uma criança que nunca conheceu nada, uma criança que não fala com cobras ou que rouba brinquedos das pessoas em sua volta. - Olhei para ela com um sorriso imenso no rosto. _ Você não acreditaria em mim, titia? - Ela estava meio certa, já que no final eu iria fazer que eles descobrissem sobre mim.
_ Vejo que você passou por muitas coisas para pensar assim. - Ela suspirou e me olhou com pena, odiava esse olhar.
_ Não me olhe assim! - Gritei com ela. _ Não, não me olhe assim. - Cheguei perto dela. _ Eles que fizeram essa versão minha, eles que destruíram a Leesa que acreditava que a luz poderia ser a salvação. Eles destruíram os meus sonhos... Eu sou inocente, eles são os culpados. - Falei balançando a cabeça. _ Eu era uma boa pessoa, titia. Matei apenas algumas pessoas por ordens da mamãe...
_ Se você acredita nisso, não posso dizer o contrário. Mas saiba que tudo começa com a loucura e termina em morte e solidão.
_ Então irei abraçar a loucura como uma velha amiga. - Balancei o vira-tempo. _ E irei matar o tempo que me privou de muitas coisas...
_ E a morte?
_ A morte... Não sei, talvez a minha história não seja aquela que contará tudo sobre essa entidade. A minha contará sobre a loucura e o tempo. - Apertei o objeto na minha mão. _ Você acha que vou conseguir?
_ Já vi dois Lordes indo ao poder e perdendo pela sua ganância, mas nunca vi uma mulher... - Ela suspirou. _ Vai ser interessante, só espero que consiga a sua vingança e não se perca nela.
_ Eu ainda consigo enxergar o que devo e não fazer. - Voltei a me sentar na cadeira.
_ Espero que isso seja realmente verdade, Leesa. Não quero perdê-la como perdi Grindelwald.
_ Você não me conhece direito, não vai sentir falta e não sou Grindelwald.
_ Lembra o que eu disse quando te conheci?
_ Para não construir muros à minha volta?
_ Sim. Mas vejo que acabou construindo muros em sua volta e eles são altos, espero que quando esses muros desabarem, você tenha alguém para secar suas lágrimas. - A olhei com raiva.
_ Eu não preciso de ninguém, eles não irão ficar comigo para sempre. Irão me abandonar pela morte ou pelo tempo, não tenho ninguém e prefiro assim...
_ Para não sofrer? - Franzi a testa. _ Lembro-me que você chorou.
_ Foi um momento de fraqueza, não irá se repetir.
_ Pessoas precisam chorar, Leesa. Se não chorar ficará com uma dor no peito e na alma. Um gosto ruim na boca.
_ Era só isso?
_ Vejo que pessoas realmente mudam por causa do amor; outros se privam dele e outros precisam dele.
_ Eu precisei por muito tempo, mas percebi que não precisava necessariamente disso. Posso ter amor-próprio, é algo muito melhor. - Ela se levantou e me deu batidinhas no ombro.
_ Todos precisam ser amados, Leesa. Veja a lua e o sol, eles se amam, mas só se encontram algumas vezes, mas eles se amam como se fosse a primeira vez que se veem. Amar não precisa doer, o destino que não foi bom com você, mas talvez...
_ Talvez ele esteja preparando um grande amor para mim? Você realmente acredita que tudo que irei fazer, tudo que irei arriscar e de todas as pessoas que jirei matar. Vai existir uma pessoa que irá me amar? Que irá pegar na minha mão e dizer que estará lá para mim? - Meus olhos estavam ardendo e sinto algo quente escorrendo por eles.
_ Vejo que você só está machucada, muito machucada. Mas ainda contém sentimentos e sabe chorar, mesmo que negue. E sim, Leesa. Terá uma pessoa que irá te amar como se fosse a primeira vez por anos, apenas não seja uma rainha de gelo. - Ela saiu do quarto.
Rangi meus dentes e sequei com raiva o meu rosto, não posso demonstrar franqueza, isso pode me matar, isso poderá colocar tudo em perigo. Todos em minha volta querem me matar, não posso confiar, não posso confiar, não posso confiar...
Pego o vira-tempo e o jogo na parede. Levantei-me da cadeira e ela caiu para trás, fazendo tudo dentro de mim se romper como um vaso quebrado que estava sendo colado com durex. Começo a chorar e jogar tudo que estava na mesa no chão.
Isso dói, dói muito. Faça parar, me deixe voltar no tempo e ter a minha família, a família que me ensinou o calor que eu merecia ter. Que me ensinou que eu merecia ser amada e compreendida. Que tinham pessoas que se importavam comigo.
Meu peito doía tanto que senti falta de ar, tento respirar, tento clamar por ar, mas meus pulmões não reagiam. Eles não queriam sobreviver, eles não queriam sentir o ar entrando em seus brônquios. Eles apenas queriam me trazer dor como a minha cabeça e coração estavam me proporcionando nesse momento.
Caio de joelhos no chão e lágrimas e mais lágrimas saiam dos meus olhos. Eu não posso sentir, não posso ser fraca, não posso... Chamei a minha varinha e a coloco na minha têmpora.
Minhas mãos tremiam, o feitiço estava na ponta da minha língua, mas não queria sair.
Joguei a varinha do outro lado do quarto desarrumado e me arrastei pelo chão indo para trás, para ficar bem longe da varinha. Minhas costas bateram na parede e fiquei olhando para as minhas mãos.
O que eu estava tentando fazer? Esquecer deles? E qual seria o propósito da minha vingança? Qual seria a necessidade de fazer esse vira-tempo?
Juntei as minhas pernas e abracei o meu corpo enquanto me balançava para o lado e para o outro. Minha cabeça estava a mil por hora, fazendo cálculos e me dizendo para ser racional. Meu coração batia violentamente na minha caixa torácica e me dizia para sair daqui e matar aquele bebê de apenas um ano.
Eu realmente poderia acabar com tudo apenas indo naquela casa onde os tios trouxas daquele garoto moravam e matá-lo. Sem um feitiço tosco, mas com uma faca cega e ver a faca rasgar pouco a pouco a garganta do garoto enquanto ele chorava e se sufocava com o próprio sangue...
Mas ele era um bebê, ele não me fez nada ainda. Nada. Mesmo não fazendo, eu quero matá-lo, mesmo ele não sendo aquele Harry Potter, quero exterminá-lo. Quero ter sua cabeça numa bandeja de prata e quando me cansar de vê-la no mesmo lugar de sempre, vou colocá-la numa estaca de madeira para todos verem o que acontece quando consigo o que quero.
Ele vai pagar, vai pagar por me torturar por quase doze anos, quase doze malditos anos dentro daquela cela, sendo vista nua por pessoas que eu nem conhecia. Perdendo anos da vida de Scorpius, perdendo a oportunidade de ter uma vida feliz em alguma casa de campo.
Mas não é só ele que eu vou me vingar, não, eu vou me vingar da minha mãe. Aquela desgraçada que me fez jurar por magia. Vou me vingar, eu vou tirar tudo dela, tudo. Sou capaz de voltar nesse ano e matar o meu irmão que estava em seu ventre, sou capaz de me matar apenas por vingança. Não me importava se eu iria sumir depois.
Eu só queria ter o gostinho de vê-la chorar e implorar.
Também vou me vingar daquela sangue-ruim. Não por ter matado os meus pais, mas por ter ajudado Potter.
Vou torturar ela mil vezes pior que Bellatrix a torturou. E para limpar as minhas mãos, posso ter a cabeça do Weasley como algo dispensável.
Não, não será apenas eles que irei matar, irei matar todos que entrarem no meu caminho, vou matar e torturar todos... E também tem aquele idiota do Rowle, mas ele, ele eu vou destruir toda a sua família. Sua herança e seus bens serão meus.
Encostei a minha cabeça na parede de madeira e comecei a batê-la para que os meus pensamentos voltassem ao normal. Matar, era só isso que eu pensava há dias.
Preciso aprender a controlar a minha impulsividade, preciso controlar os meus sentimentos, mas principalmente a minha necessidade de vingança que está corrompendo a minha alma a cada segundo que se passava.
Eu preciso ficar normal, preciso saber agir como uma adolescente normal, mesmo eu não sendo mais. Mesmo eu nunca tenha sido uma adolescente ou criança normal.
Ok, eu só preciso contar até mil e ficarei calma. Essa personalidade tenho que esquecê-la, tenho que ser uma boa garota, preciso ser aquela menina que ninguém iria desconfiar de matar uma mosca sequer.
Eu consigo, sou capaz... Eu consigo?
Estalo os meus dedos e as coisas que joguei no chão começaram a ser colocadas no lugar. O vira-tempo flutuou até mim e eu vejo que a ampulheta dele estava quebrada e o pozinho tinha evaporado.
Realmente preciso controlar os meus nervos. Faço ele ir para a mesa e escuto passos no corredor, mas dessa vez eu não sou ríspida com a Batilda, apenas a espero entrar no meu quarto.
_ Fiz chá. - Ela me entregou uma caneca fumegante e o cheiro estava bom. _ Camomila, acalma os nervos.
_ Me perdoe, eu não queria surtar. - Bebi conteúdo quente.
_ Leesa, não sei exatamente o que você passou no seu futuro. Mas vejo que você sofreu muito e isso está te machucando por dentro.
_ Quando eu era apenas uma criança, jurei pela minha magia que iria salvar o Lorde das Trevas. - Ela se sentou na minha cama e continuou a me ouvir. _ Não tinha nem feito um ano direito da queda do Lorde. Na época eu não sabia o que eu estava me metendo.
_ Quem fez isso? Quem te fez jurar? - Olhei para a caneca e digo:
_ Minha mãe. - Bebo o chá. _ Então anos se passaram e eu tinha que fugir com os meus pais para um lado e para o outro. Recebi a carta de Hogwarts, mas fui proibida de frequentá-la. Não sei o motivo, sempre pensei que fosse medo dela me ver morta ou medo de eu ver outra visão desse mundo. Mas eu acho que ela só não queria perder o bichinho dócil que ela criou.
_ Vejo que o dócil está equivocado. - Ela riu.
_ Quando eu tinha 15 anos, eu e meus pais saímos da casa do meu avô. Tínhamos recebido uma carta de um dos Comensais, dizendo que ele tinha encontrado um lugar seguro na Albânia. Mas não conseguimos chegar nesse lugar, nem sei se realmente existiu esse lugar seguro. Provavelmente não, foi ele que deu a nossa localização para os aurores. - Começo a divagar.
Fiquei olhando para o nada quando me dei conta que não terminei de falar.
_ Então tecnicamente fui sequestrada e levada para o ministério, meus pais foram mortos por umas pessoas insignificantes...
_ Não acho que eles sejam insignificantes, você parece odiá-los. Você está quase quebrando a caneca com suas mãos. - Olhei para baixo e realmente eu estava quase fazendo isso.
_ Não percebi. - Relaxei as minhas mãos. _ Fui humilhada publicamente pelos bruxos que trabalhavam naquele lugar, mas...
_ Você se apaixonou? - Balancei a cabeça.
_ Não é paixão, mas é um amor puro entre irmãos. Conheci o meu primo e ele era medibruxo. Foi ali que a minha vida mudou, mas foi para melhor, ele não podia vir me visitar sempre, mas os dias que ele me visitava mudava tudo. Eu tinha uma família com problemas mentais e que tentou assassinar o mundo todo, mas era a minha família, imperfeita, mas era minha. Entende o porquê estou fazendo isso?
_ Você está fazendo por amor.
_ Amor e ódio andam realmente juntos. - Digo terminando de beber o chá. _ Mas em um ano qualquer nós fomos separados, não sei o porquê ele acatou a ordem, mas a partir daquele dia eu não tive descanso. Eu era torturada dia e noite, não comia ou bebia. - Coloco a caneca no chão. _ Eu era alguém insignificante que tinha coisas que eles queriam.
_ Então você não era insignificante, era bastante importante. Pensei que tivesse um pouco de autoestima. - Ri me lembrando de um loiro.
_ E eu tenho, aprendi com o melhor. Eu só preciso de tempo para colocar quase doze anos em ordem.
_ Ou você quer colocar 20 anos em ordem? - Ela gargalhou. _ Você ainda precisa ficar atenta aos seus pensamentos. Ainda é uma criança com falta de amor. - Ela se levantou e ficou olhando o quarto. _ Não destrua o quarto.
_ Vou tentar. - Vejo ela caminhar até a porta. _ Você teria uma penseira? - Ela parou e estalou os dedos e uma bacia apareceu.
_ Use-a com sabedoria. - Concordei e vejo a caneca desaparecer do meu lado.
Espero ouvi-la descer a escada e me levantei indo até a penseira que saia alguns fiapos prateados.
_ Accio memórias. - Quatro vidrinhos saíram da bolsa e ficaram em cima da cama.
Vou até às memórias e vejo que uma era do Draco. Quando eu procurei por mais coisas dentro da bolsa não tinha nada, será que ele colocou dentro da minha bolsa? Eu ainda não tinha coragem de ver essas memórias. Ainda não estava pronta.
Seguro o meu pulso e aliso a linha negra que tinha nele. Um dia eu vou ter coragem o suficiente para saber o que essas memórias guardavam, mas hoje eu não tinha cabeça para ver.
Então eu guardei a memória dentro da minha bolsa e peguei uma do Scorpius, queria saber como era a realidade que ele foi, a realidade que ele dizia que eu estava.
Vou até a penseira e destampei o vidrinho e mergulho nas memórias do garoto.
───※ ·❆· ※───
As sombras começaram a ganhar formas e eu me encontro dentro de Hogwarts. Scorpius estava com seu uniforme da Sonserina e ele ficava tão bonito com ele. Deveria guardar essa memória para sempre.
_ Aí está você, Copinho. - Copinho?
Olhei para o garoto que mudava os seus cabelos constantemente e ao seu lado tinha um garoto de olhos dourados intensos.
_ Não vi você no jogo de hoje, estava passando mal? Se quiser, a gente pode te acompanhar até a enfermaria.
_ Ahn? - Scorpius ficou confuso e eu quase dei um tapa na minha cara. _ Ah sim, eu não estava muito bem, mas já fui na Madame Pomfrey. - Os garotos se olharam e colocaram a mão no rosto do menino. _ O que foi?
_ Você deve estar doente, todos sabem que a tia fez que a Madame Pomfrey se aposentasse desde o nosso primeiro ano. - O de cabelos coloridos falou. _ Temos que levá-lo para um dos curandeiros.
Uns? Eu pensei que Hogwarts só tivesse um curandeiro. Mas essa é uma realidade alternativa e parece ser bem mais... Aquilo são sentinelas espirituais? Incrível.
_ Oi coisa fofa. - O de olhos dourados cutucou o sentinela que se parecia com uma cobra e ela alisava o seu rosto.
_ Você precisa ir em algum lugar, Copinho? Estávamos indo para o Salão Principal.
_ Não está cedo para isso? - Perguntou o meu garoto.
_ Fiquei sabendo que a tia vai fazer um discurso, mas provavelmente o tio vai atrasá-la como sempre.
_ Se o tio te pega falando desse jeito é crucius na certa. - De olhos dourados beliscou a bochecha do outro.
_ Como se a nossa tia o deixasse fazer isso com a gente, mamãe e papai me disseram que o tio é preso em uma coleira reforçada com vários feitiços.
_ Não se esqueça que ele é dono deste mundo. - Era tão estranho especificar ele como "o garoto de olhos dourados".
Os três começaram a andar e eu fiquei olhando em volta, tinha sentinelas espirituais por onde a gente passava, tinha até mesmo centauros e bruxos estudando magia... Esse mundo era inacreditável.
Como eles fizeram as criaturas mágicas terem magia?
_ E aí vem elas, as morceguinhas da Corvinal. - Seus cabelos ficaram no rosa. _ Olá, meu bem, tudo bem com vocês?
_ Olá, Rosier. - Elas sorriam e se foram.
_ Um dia eu vou me casar com aquela do meio, escute as minhas palavras.
_ Lobisomem e vampiro, que bela junção. - Scorpius riu e olhou para o de olhos dourados.
_ Na verdade, apenas meu pai é lobisomem, então, eu sou híbrido? Isso, sou híbrido.
_ E eu sou o Lorde. - Revirou os olhos.
_ Se o tio te pega dizendo isso...
_ Nem me lembre, os ciúmes dele está insuportável.
_ Está tão ruim assim? - Scorpius comentou.
_ Bom, na última vez os meus pais foram parabenizar a tia pela sua conquista por se sentar na cadeira do ministério... - De olhos dourados começou.
_ E o que ela está fazendo lá?
_ Ué? O tio Draco não te contou...
_ Meninos. - Olhamos para frente e tinha um homem de olhos verdes e cabelos pretos bagunçados.
_ Professor Riddle. - Disseram os dois garotos e eu fico surpresa.
Ele não parecia Tom Riddle, será que era filho dele? Mas ele odiava o sobrenome, o que esse mundo virou?
_Estamos a sós, papai e mamãe não estão por aqui. - Sorriu o homem. _ Bela vitória contra a Lufa-Lufa. - Os garotos sorriram.
_ Tio Arius, a tia ficou muito brava?
_ Sabe que a mamãe é apaixonada pela Lufa-Lufa, mesmo não sendo realmente a casa dela. - Olhou para Scorpius. _ Senti falta de você no jogo, está tudo bem?
_ Está sim. - Sorriu o meu bebê.
_ Se você está bem, isso é um alívio. Mas vamos para os recados. Tio Lupin está te chamando na sala dele.
_ Papai? - Os seus cabelos ficaram pretos. _ Eu fiz alguma coisa? Burlei alguma regra?
_ Que dia você não burlou uma regra? - O professor olhou para o garoto que zombou. _ Ah não, eu não tenho nada a ver com esse idiota que não consegue deixar os cabelos numa cor só.
_ Eu não tenho culpa que a mamãe passou isso para mim.
_ Parem. - Todos ficaram calados. _ Orion está te esperando no salão Comunal da Corvinal. - Presto atenção em suas vestes e realmente era um Corvino.
_ Papai quer me matar?
_ Se ele quisesse te matar, teria trazido o tio Cygnus. - Zombou Rosier.
_ Olha aqui seu...
_ O amor é lindo, mas vocês têm que ir.
_ Mas não quero perder o discurso da tia. - Rosier começou a espernear.
_ A mamãe vai se atrasar...
_ Como sempre. - Disse o Corvino. _ Estou indo antes que o papai chame o pai Cygnus. - Começou a correr.
_ E eu vou antes que o papai chame a mamãe, eu odeio vê-la brava. - Tremeu e começou a correr em direção oposta.
_ Bom, eu vou para...
_ Você precisa ir à sala do diretor.
_ Por quê?
_ Tem coisas que aquele homem não gosta de me dizer ou explicar. Infelizmente sempre foi assim. - Deu de ombros.
_ Então tá. - Deu tchau para o homem e as memórias mudaram para uma sala, provavelmente do diretor.
_ Ele não está, como sempre. - Disse um quadro.
_ Diretor Phineas, o que o senhor quer dizer?
_ Quero dizer que ele não está, mas se quiser encontrá-lo, provavelmente está naquela escola que a Lady inventou de construir.
_ Você não pode dizer que foi uma má ideia, Phineas. A Lady fez aquela escola com muita dedicação. - Esse eu conhecia, era Dippet. Sua foto estava em um dos diários da tia Cisa.
_ Não estou dizendo que foi uma má ideia, só sinto um pouco de inveja por estar morto. - Bufou e olhou para Scorpius. _ Diga-me a senha que o deixarei passar para a escola primária.
_ Senha?
_ Todos os alunos receberam uma senha, diga-me a sua. - Bom, o quadro tinha cobras e talvez seja bas...
_ Salazar?
_ Senha correta. - O quê? Era... Eu desisto.
A memória mudou novamente e eu vejo Scorpius atrás da porta escutando algo. Que coisa feia.
Fico ao seu lado e começo a escutar também, eu era uma pessoa curiosa e gostava de saber informações confidenciais.
_ Minha Lady, o que devo a honra de sua presença?
Escuto passos vindo e vejo Scorpius se arrumando e levantando a mão e quando ele iria bater na porta, a porta se abriu por uma mulher muito bonita, nossa, ela parecia uma Deusa.
Cabelos castanhos ondulados que iam até os seus ombros. Olhos violetas, mas que tinham runas em volta de suas írises e elas se mexiam. Ela usava óculos de grau, mas não fazia ela ser menos atraente.
Boca volumosa e nariz fino. Ela deveria ter a minha altura e ela usava calças e uma blusa de frio e em suas mãos tinham luvas de couro. Ela era linda e sua pele não era branca igual a minha, mas um moreno saudável e muito bonito.
_ Scorpius, tem tempo que eu não te vejo. - A voz da mulher era melodiosa e me dava arrepios.
_ Sim, muito tempo.
_ Scorpius, o que faz aqui? - Leesa dessa realidade perguntou.
_ O diretor me chamou, mas ele não estava lá.
_ Aquele idiota fugiu de novo? - A Lady riu e trouxe Scorpius para dentro da sala.
_ Não pegue tão pesado com ele. Você sabe como ele é.
_ Queria não saber como ele é. Ele é irritante. - Ela parou de reclamar e olhou para o meu bebê. _ Sinto muito, Scorpius, mas eu não sei o que aquele idiota queria com você.
_ Está tudo bem, tia Leesa. - As duas mulheres olharam estranho para ele. _ Desculpe-me.
_ Você nunca me chamou assim.
_ Pensei que iria gostar já que é uma Malfoy. - Ela fez uma careta e eu fico surpresa por isso.
_ Apenas considero um sobrenome e esse é Slytherin.
_ Também, olha quantos sobrenomes você tem. Você tem cinco ou seis sobrenomes. - A Lady zombou.
_ Não exagere. - Leesa revirou os olhos.
_ Então, eu posso voltar?
_ Claro, desculpe por tirar você do seu dia importante. Espero que a Sonserina tenha vencido.
_ Não me fale sobre isso, eu estou fugindo daquele idiota do meu marido por causa disso.
_ Ah, então a senhora está aqui para se esconder do terrível Lorde das Trevas?
_ Terrível só com vocês. - Sorriu de lado.
_ Eu lembro do dia que ele tentou me matar e tentou matar aquele idiota. - Ela tremeu e olhou para a mulher que se intitulava como Lady.
_ Scorpius, quando você voltar e ver o meu marido, diga para ele que eu morri.
_ Não, não diga isso. É bem capaz dele tentar matar todo mundo para te trazer de volta à vida. E dessa vez é bem capaz dele conseguir isso do que a última vez. - Leesa parecia aflita. _ Apenas diga que ela está aqui.
_ Sua malvada.
_ Apenas não quero morrer jovem.
_ Claro, se eu o encontrar. - Ele iria sair, mas olhou para a mulher. _ O pessoal aguarda a senhora para fazer o discurso.
_ Sabia que eu estava esquecendo de algo.
_ Você tem memória de peixe? - Leesa perguntou e eu ri.
_ Não, não sou o meu marido.
───※ ·❆· ※───
Levantei a minha cabeça e olhei para a parede de madeira, isso era tão estranho, imaginar que tinha uma versão minha que não gostava de usar Malfoy em seu sobrenome, mas sim Slytherin.
E essa mulher nem considerava o meu bebê como seu afilhado e como aquele mundo parecia tão vivo e bom de morar? Será que o Lorde era bom naquele lugar?
Não, não parecia ser o caso, mas era estranho ver um mundo tão pacífico e por Merlim, tinha criaturas mágicas estudando em Hogwarts. E sentinelas espirituais que brincavam com os alunos.
E Draco vivia naquele mundo, ele não morreu. A tia Cisa e o tio Lucius também devem estar vivos e felizes...
Mas eles não eram a minha família, eram apenas pessoas iguais tanto nas características e personalidades. Mas não era a minha família.
Retiro a memória dentro da bacia e a coloco novamente no vidrinho. Vou até a minha cama e me sento nela.
Não queria ver memórias uma atrás da outra, eu só queria organizar o que acabei de saber.
Cygnus e Orion Black são casados e têm um filho.
A filha da família Rosier acabou se casando com Remus Lupin, alguém que deveria estar morto há anos.
Existem curandeiros em Hogwarts e o diretor não fica muito tempo naquele lugar. Me joguei para trás e olhei para o teto.
Aquele lugar parecia o paraíso, o paraíso que esse mundo nunca conhecerá, não se eu ainda estiver respirando.
Esse mundo não merece paz, não merece a misericórdia. Só merece a destruição e eu vou fazer isso com gosto.
Mas vamos parar de pensar nisso por enquanto. Eu preciso refazer um vira-tempo e testá-lo quando ficasse pronto. Mas eu não estava com cabeça para isso, eu só queria me deitar aqui e ficar pensando em vários nadas.
_ Accio anel. - O anel voou para a minha barriga e ficou ali, me encarando e me julgando. _ Então? O que você é? Apenas um anel comum ou é um anel com proteções mágicas?
Como se o anel fosse me responder. Realmente já estou enlouquecendo e não sei a cura para isso, na verdade, eu não quero a cura para a minha loucura.
As torturas que sofri dentro daquele ministério não me enlouqueceu, mas perder aquela pessoa para a morte, fez tudo ruir. Me fez enlouquecer sem que eu percebesse, mas não ligo para isso, não mais. Acho que ser louca era muito melhor que ser sã e boazinha.
Sentei-me na cama e peguei o anel antes que ele caísse no chão. Fiquei o observando e no final, fiz aquilo que eu disse que não iria fazer.
Falei que eu não era a pessoa certa para esse anel, mas não estou mais me importando de ser a pessoa certa ou não.
Então eu o coloquei no meu dedinho e iria fazer um feitiço para ele diminuir e ficar perfeito no meu dedo, mas nem foi necessário. O anel diminuiu sozinho e mudou de forma.
Era apenas uma aliança lisa, mas continuava sendo de ouro negro. Pensei que teria algo a mais, talvez uma mensagem ou uma foto como o colar. Mas não tinha nada, não aconteceu nada.
_ Eu não sou inteligente o suficiente para entender os seus enigmas, Dragon.
Olho para a minha bolsa e talvez tivesse algo que pudesse me ajudar a desvendar esse pequeno e inútil mistério.
Pego o bolo de cartas e tento me decidir se leria as cartas que foram escritas primeiro ou a última.
Retirei da pilha de cartas a última carta que foi escrita e retirei o lacre, dessa vez não era um bilhete.
───※ ·❆· ※───
Mon petit:
Eu não sei como começar uma carta de despedida, achava isso tão estranho quando via as pessoas escrevendo e colocando todos os seus sentimentos em palavras.
Por que não podemos nos despedir com ações? Mas aí eu percebi que nem todas as formas de despedidas irão tirar o sentimento ruim do meu coração.
Já é a segunda vez que nós iremos nos despedir, isso deve significar alguma coisa?
Se para você tem algum significado, me diga quando me encontrar.
Quer saber o motivo de concordar em te deixar naquele dia? Tenho duas razões.
A primeira razão, foi porque eu descobri em 2008 pelo meu pai que você tinha um juramento. Ele realmente queria saber tudo sobre você e acabou encontrando o juramento em uma das salas trancadas para o público.
Você não poderia ter fugido comigo, ter vivido comigo e ter esquecido de todas as coisas loucas que planejamos. Mesmo que eu quisesse que você fizesse isso, eu não queria te perder por causa de um juramento.
Mas eu sabia o que eles faziam com você e tentei, eu juro que tentei pedir algum inominável para te dar comida e água, para te dar um pouco de paz.
Mas ninguém me ouviu ou acatou as minhas ordens. Sou um imprestável ainda, me perdoe.
Mas essa foi a primeira razão que fiz aquilo, a segunda foi porque eles ameaçaram Scorpius. O seu bebê iria morrer se eu não me distanciasse de você.
É estranho, não? A família Malfoy sendo ameaçada... Mamãe sentia que um dia isso iria acontecer, mas sempre pensamos positivo, você deve se lembrar quando você fez 17 anos que ela tentou falar sobre sermos ameaçados, mas papai a impediu de continuar.
Já sabíamos que alguma coisa poderia acontecer se continuássemos com você, mas não queríamos te abandonar, queríamos continuar vendo você...
Eu não queria perder a minha primeira razão de viver. Mas também não queria perder a minha segunda... Queria ter sido egoísta e ter escolhido os dois. Mas você iria me bater e dizer que não poderia ser assim.
Se o ministro não tivesse sido trocado, nada disso teria acontecido. Mas nada do que escrevi aqui vai tirar a dor e os traumas que você provavelmente adquiriu.
E mesmo assim, eu peço que me perdoe. Mas se não quiser, não tem problema, não sou mais um mimado e egoísta que não entende os sentimentos das pessoas em minha volta.
E felizmente, eu sei como se sentiria lendo isso aqui. Você está chorando e rindo, ao mesmo tempo? Queria ver isso, me perdoe por não estar aí.
Espero que o passado esteja sendo confortável para você.
Ou você pode se sentir um pouco solitária... Se estiver, veja as minhas memórias, tem até a memória que ganhei um soco no meu terceiro ano, fiz isso para te alegrar, pelo menos um pouco.
Scorpius sentiu muita falta de você nesses anos, ele acordava gritando por você. Você era e é muito especial para nós, mon petit.
Acho que sei escrever uma carta de despedida, só não queria fazer uma.
Saiba que todos esses anos que eu tive o prazer de conviver com você; de conhecer você e de ouvir suas ideias loucas e insanas. Me fez gostar de você e de admirá-la.
Você é especial, Leesa, e eu sou muito sortudo por ter tido a oportunidade de conhecê-la; de escutar sua risada estranha e de ver como seus olhos são lindos e fatais.
Você é tudo, você é maravilhosa e se quer destruir o mundo, faça, não irei impedi-la. Você tem motivos o suficiente para fazer isso. Saiba que mesmo eu não sabendo quem você é no meu passado, eu vou sentir que você é especial para mim.
Porque você é.
Sem despedidas, apenas fique bem.
───※ ·❆· ※───
Lágrimas caiam no papel e eu tentava segurar os meus soluços. Mas era impossível, pensei que eu estava preparada para tudo, tudo mesmo.
Mas era só aparecer uma carta que tudo voltava, principalmente a memória em que ele morria.
Alisei as letras perfeitas que estava no papel e senti o meu peito doer, mas não era muito ruim. Era só saudades. Saudades de alguém que nunca mais irei ver...
Eu tinha uma convicção, eu não poderia chorar já que isso não iria me ajudar nos meus problemas. Mas percebi que isso era apenas algo que eu dizia para mim, para que ninguém pudesse me ver chorando, para que ninguém me chantageasse com os meus sentimentos. Um ser humano precisa chorar, precisa desabafar.
E se não colocar os sentimentos ruins para fora, eles acabam trazendo sérios riscos a sua saúde e corpo. Então eu vou chorar, porque não sou feita de ferro, não sou incapacitada de sentir emoções.
Mas tudo isso irá me dar forças para continuar no meu caminho, na minha vingança contra a luz.
Guardei a carta e sequei as minhas lágrimas. Olho para a mesa que já estava toda arrumada e vou até ela.
Peguei o vira-tempo e mexi em seus arcos de metal. Um dia eu iria fazer um vira-tempo de ouro, mas até lá. O de metal estava de bom tamanho.
Fico o observando e algo veio na minha cabeça
Pessoas mudam e evoluem com o tempo ou retrocedem com ele. Mas eu sou diferente, não ando conforme ele dita, eu o mudo, faço o meu próprio tempo. Não porque eu preciso, mas porque eu posso.
Eu disse uma vez que sempre iria seguir o fluxo do destino. Posso me dar um tapa por isso. Agora eu faço o fluxo me seguir e não ao contrário.
Por favor, se preparem para a vingança.
