1981:

Estava olhando a minha tia falar como se comportar quando estivesse manipulando e induzindo alguém a fazer algo que ela não iria querer fazer.

Era bem interessante a teoria, mas colocar em prática parecia algo impossível. Mas ela me disse que eu estava indo bem, não era uma lição rápida de qualquer maneira.

Eu tinha um dever de casa, eu sempre tinha que ir ao mercado dessa pequena comunidade e convencer os vendedores a baixarem os preços. Algumas vezes eu conseguia.

Sempre tinha que estar calma e com um sorriso no rosto para cumprimentar todos que eu pudesse ver.

As senhoras do bairro começaram a me chamar para tomar chá e as informações que eu ganhava em algumas dessas visitas eram interessantes e saborosas de ouvir.

Até mesmo ganhava livros que elas pensavam que não eram importantes, mas eram. Eu gostava desses dias, a tristeza dentro do meu peito não passou, mas eu estou caminhando devagar e acho que eu estou indo bem.

Meus nervos estão controlados na medida do possível e minha sede de vingança está calma, por enquanto.

_ Leesa, está prestando atenção? - Olhei para ela e concordei. _ Então o que eu estava dizendo?

_ Tia, antes de eu falar sobre as formas de manipular uma pessoa para matar outra, me diga uma coisa. Aquela profecia que o Dumbledore contou...

_ Ele não descobriu mais nada, mas ele pediu um inominável para verificar se tinha outra profecia.

_ Então nenhuma pista.

_ Bom, tudo por causa daquela vidente. Desde que a visão dela se concretizou, tudo que ela vê, seja um porco caindo e se esborrachando no chão. Vai ser enviado para o ministério, lá está um terror.

_ Você foi lá? - Ela discordou.

_ Não, felizmente. Mas tem pessoas que trabalham lá que moram por aqui. Pensei que aquelas senhoras iriam te contar sobre isso.

_ Acho que elas não souberam dessa informação privilegiada. - A mulher bufou e abanou o vento.

_ Informações. - Ela debochou. _ Isso são fofocas.

_ São informações, se fossem fofocas não seriam verídicas. - Revirou os olhos.

_ Tem uma coisa que até hoje eu não entendi. - Ela foi até a cozinha e eu a segui. _ Como é o seu juramento de ajudar o Lorde?

_ Quer saber se eu posso ficar nesse tempo e ajudá-lo aqui?

_ Sim, você pode manipular ele, não vai ser difícil.

_ Bom, essa é uma pergunta interessante, mas que eu já tenho uma resposta. Mamãe me fez jurar a salvá-lo e não, reerguê-lo. Isso quer dizer que preciso estar na sua infância e salvá-lo de sua própria destruição. Se fosse para reerguer, eu iria naquela floresta e iria fazer o ritual para ele ter um corpo de volta.

_ Sua mãe é louca, pedir para uma criança jurar pela magia, que coisa estúpida.

_ Concordo plenamente. Ela é tão louca que criou uma poção para engravidar mais rápido. - Ela me olhou surpresa. _ A poção de crescimento é para engravidar. É como fazer o esperma correr mais rápido e demora menos de cinco minutos para saber que está grávida.

_ Sua mãe tinha problemas mentais, bom que você não puxou isso dela.

_ Ainda bem que você me avisou para pesquisar sobre a poção, imagina se eu tomasse e tivesse alguma relação sexual com alguém? A maioria dos bruxos tomam poções anticoncepcionais depois do ato... - Olhei para a minha barriga e fiz uma careta. _ Eu estou na minha adolescência e já estaria grávida.

_Leesa.

_ Sim?

_ Você tem 28 anos.

_ Não, eu tenho 15 anos. - Ela me olhou e não dei para trás. _ A titia já está caducando?

_ Devo estar ou tem uma pirralha que se acha muito esperta.

_ Você me chamando de pirralha me faz realmente acreditar nas minhas palavras. - Ela riu. _ Mesmo você não me perguntando, eu consegui fazer uma poção que pode me fazer voltar a ser uma criança. Bom, fiz a fórmula, só tenho que fazê-la.

_ E essa vai fazer o quê? Te fazer infértil e fazer seus órgãos diminuírem?

_ Hahaha, engraçadinha. Vai apenas fazer meus ossos se tornarem de uma criança e serei uma criança com a mente de uma adulta.

_ Pensei que você fosse adolescente. - Ela zombou. _ Mas você consegue reverter isso? Se você não quiser ser mais uma criança.

_ Não, mas eu consigo crescer como uma pessoa normal, talvez eu até mesmo cresça mais. Espero chegar a 1,77 de altura.

_ E o vira-tempo?

_ Bom, qualquer minuto eu vou saber se ele realmente funcionou.

_ O que quer dizer?

_ Ontem peguei uma criança e a fiz usar o vira-tempo. Nas duas primeiras vezes ela voltou, mas até agora nada. Espero que ela volte com o meu vira-tempo intacto, demorou muito para fazê-lo.

_ Você é inacreditável, Leesa.

_ Não sei como responder a esse elogio. - Digo confusa.

_ Mas... Deixa para lá. - Concordei. _ Descobriu o que esse anel faz?

_ Já li mais de trezentas cartas, mas nada fala sobre o anel. Acho que eu só vou descobrir quando conhecer o meu avô.

_ Espero que você me visite quando chegar no passado.

_ Você quer que eu te irrite ainda mais? Que amor, titia. Merece até um abraço. - Vou até ela e a abracei de lado.

_ Sai, não gosto que me abracem e está me sufocando.

_ Nem estou te apertando, sua dramática.

_ Você conseguiu fazer uma poção para o seu sangue?

_ Tentei tudo, mas até o vidro não aguentou o meu sangue e não tive mais paciência para tentar fazer uma poção.

_ Leesa, você precisa descobrir uma poção, sangue amaldiçoado pode ser fatal.

_ Eu sei, mas já durei 28 anos, durar mais um pouco não vai me prejudicar.

_ Eu só quero o seu bem, Leesa. - Iria falar algo, mas acabamos escutando um barulho alto e eu olho para trás, era a criança e ela estava acabada.

_ Meu bebê! - Digo correndo até o vira-tempo.

_ Olhe a criança primeiro. - Falou vindo em nossa direção.

_ Eu não. - Falo tirando o vira-tempo do seu pescoço e vejo se tinha algum arranhão. _ Ainda bem que está intacto.

_ Você está bem? - Olho para o lado e vejo que a criança estava suja de carvão e seus cabelos estavam queimados.

_ Sim, mas esse troço é louco. - A criança comentou.

_ Ou você que não pensou direito no lugar que você queria ir?

_ Mas eu fiz exatamente o que você falou para fazer. Nas duas vezes consegui, mas na terceira ele começou a vibrar e fiquei presa em um lugar desconhecido.

_ Mas está viva e bem, agora tchau.

_ Eu quase morri, preciso de pelo menos dez galeões como recompensa. - A menina se levantou do chão e estendeu a sua mão.

_ Mas eu não tenho dez galeões. - Digo aflita.

_ Mas eu quero dez galeões. - Estava raivosa, mas era engraçado vê-la daquele jeito.

_ Tenho cinco, pode ser?

_ Não, eu quero dez.

_ Isso vai ser difícil, eu só tenho cinco e é as minhas últimas economias. Aceita um galeão? - Tento barganhar.

_ Então me dê os cinco galeões e nunca mais apareça na minha frente com esse troço idiota! - Finjo surpresa e chamo a minha bolsa do andar de cima e retiro dentro dela cinco galeões. _ Mas saiba que gostei muito de conhecer dragões.

Ela saiu da casa e fiquei olhando para a porta que se fechava devagar.

_ Você é má. - Olhei para a titia. _ Te ensinei muito bem.

_ Obrigada. - Sorri para ela e balancei o vira-tempo para ela ver. _ Acho que minha estadia em 1981 acaba hoje.

_ Faça uma boa viagem.

_ Quer colocar essa casa no meu nome? - Ela me olhou rindo.

_ Você odeia esse lugar e essa casa, não me faça rir. - Fiquei chateada. _ Agora suba e arrume suas coisas.

_ Já está me expulsando, titia?

_ Estou, você me deu muito trabalho e despesas extras.

_ Não tenho dinheiro, acabei de entregar os meus últimos galeões. Sou pobre agora, muito pobre.

_ Não se esqueça que antes de você aprender Oclumência, eu li seus pensamentos, sua diabinha.

_ Sou um anjo. - Sorri indo para o andar de cima. _ Prevejo que sentirá a minha falta. - Gritei.

_ Em seus sonhos. - Gritou de volta.

Sentiria falta dessa mulher rabugenta, mas eu sei que não posso ficar presa no passado, tenho que continuar seguindo em frente, mesmo que para isso eu tenha que dizer adeus para pessoas especiais para mim.

Pessoas vêm e vão em sua vida, e algumas delas podem lhe trazer muita felicidade e ficar para sempre contigo, sejam em memórias ou presencialmente, mas irá existir aquelas pessoas que apenas lhe trazem sofrimento, mas elas também podem te trazer ensinamentos bons ou ruins.

Perdi a minha família, mas talvez, talvez no passado eu possa encontrar pessoas que me façam esquecer desse vazio no peito. Mesmo eu sabendo que eles nunca irão sair dos meus pensamentos.

Entrei no meu quarto e olhei para ele, passei boas semanas nele. Mesmo quase o destruindo uma vez.

Vou até a minha mesa e coloco os meus livros, ferramentas e meu pó de vira-tempo dentro da bolsa. Era só isso que eu tinha que guardar, era só isso que eu tinha comigo.

_ Não vai trocar de roupa? - Olho para a porta.

Eu só estava vestindo uma calça jeans e uma blusa de frio. Nada muito elegante, mas confortável. E botinhas quentes nos meus pés, presente da titia.

_ Tenho tempo para isso, não vou aparecer no meio da rua e posso mudar quando eu chegar lá.

_ Se você está dizendo, só não se esqueça que quando você tomar a sua poção, você terá que diminuir as roupas que você tem. - Espera, o quê? Tinha me esquecido que eu seria uma criança e essas roupas que Dragon me deu eram para uma pessoa adulta...

Merda! O problema não era diminuir elas, mas eu só não queria fazer isso, por pura preguiça. Vejo titia vir até mim e me entregar algo

_ O que é isso? - Olho para o pano verde com um símbolo, era o símbolo de Grindelwald.

_ Um álbum de fotos, pedi a uma pessoa para tirar fotos suas quando você visitava aquelas velhas. Você vai perceber. - Ela me ajudou a retirar o pano aveludado e ela abriu o álbum. _ Que mesmo você estando machucada, você sabe sorrir e não é um sorriso falso, Leesa.

No álbum estava uma foto minha que me mostrava conversando com as senhoras.

_ Não é porque você quer a destruição do mundo que você precisa se destruir com ele. Você pode fazer isso sendo feliz, apenas depende de você. - Ri com essa frase.

_ Se depender de mim, eu vou acabar fazendo os dinossauros voltarem à vida.

_ Não faça isso, não quero competir com dinossauros por comida.

_ Vou tentar o meu melhor. - Eu fechei o álbum e coloquei ele dentro da bolsa.

Ela me abraçou e fiquei perplexa por alguns segundos, mas logo retribuo o abraço.

_ Agora vá, vou estar no andar de baixo para não ver você partindo. - Ela me deixou sozinha no quarto e olhei para ele mais uma vez.

Coloquei o vira-tempo no meu pescoço e toquei por alguns segundos o meu colar. Estou pronta, não estou?

Não, antes de ir, eu precisava ir em um lugar primeiro, antes que eu começasse a minha jornada, antes que eu começasse a mudar tudo.

Desaparato daquele lugar e me vejo no meio da rua dos Alfeneiros, estava escuro, mas a maioria das pessoas ainda não foram dormir. Talvez estivessem vendo televisão ou conversando enquanto estavam deitados na cama. Eu não sabia o que pessoas "normais" faziam, era estranho pensar assim.

Procuro a casa de número quatro e logo encontro depois de alguns minutos de caminhada.

Paro de frente da casa e fico olhando para as luzes acesas. Seria tão fácil matar essas pessoas e acabar com tudo.

Mas não posso fazer isso. Eu ainda não quero morrer, ainda mais por causa de um juramento tolo e por causa que Harry Potter era apenas um bebê indefeso que ainda não me fez nada. Não serei igual aquele homem que temeu um bebê, quero que esse bebê destrua a minha vida para que eu tenha sede de vingança o suficiente para matá-lo sem arrependimentos.

Mesmo sabendo que ele nunca iria fazer as coisas que fez comigo, já que não deixaria ninguém da luz ou das trevas sobreviver até 1998. Essa era a data limite. Era a data que eu impus ao mundo e a mim.

_ Espero ansiosamente para o dia que você irá morrer pelas minhas mãos, Harry Potter. - Puxei o vira-tempo para frente e girei cinco vezes e idealizei um beco em qualquer lugar em Londres.

Mas quem iria pensar que o vira-tempo que foi testado 3 vezes iria começar a girar sem a minha permissão? Quando eu iria tirar ele do meu pescoço, já era tarde demais.

Caio no chão e minha cabeça estava doendo e eu queria vomitar tudo que tinha comido hoje.

Sinto o vira-tempo começar a vibrar no meu pescoço e eu o tiro rapidamente do meu corpo. E foi uma ótima ideia ou seria esmagada por peças que ficaram gigantes.

_ Santo Merlim! - Digo me arrastando para trás para não ser esmagada por peças de vira-tempo.

Algumas peças caíram no precipício e outras caíram quase esmagando os meus pés. Eu deveria ter testado esse vira-tempo uma quarta vez, apenas por descargo de consciência. Bom, a culpa também é minha.

Aquela pirralha falou que o vira-tempo a levou para o lugar errado e a quase a matou. Mas pensei que ela apenas o usou errado... Deveria ter acreditado.

Tinha que ter comprado ouro, ouro é mais maleável do que metal e quase todos os vira-tempos são feitos de ouro. Só que eu, a idiota, não queria gastar dinheiro comprando ouro.

E também, eu confiei nas ferramentas que a titia me deu. Claro, elas não iriam fazer milagre, mas, elas eram feitas de pó de estrela e todas as peças se conectavam precisamente... Eu que era estúpida de acreditar em bobagens.

Talvez realmente tenha funcionado e a única coisa que estragou foi que não era ouro e sim, metal. Vou acreditar nisso em vez de acreditar que aquelas lindas ferramentas não funcionavam.

_ A senhorita está bem? - Olhei para o lado e vejo uma mão bonita, mas tinha alguns calos nela.

_ Sim, me perdoe. - Segurei a sua mão e me levantei com a sua ajuda.

Fiquei olhando o arco que quase esmagou os meus pés e olho para a pessoa que me ajudou, ele estava me encarando. Uau, ele é muito bonito.

Seus olhos azuis cinzentos eram deslumbrantes, suas vestes verdes e refinadas faziam aquele homem ser atraente para qualquer um que o olhasse, sua estatura alta e seus ombros largos fariam qualquer homem ou mulher o desejar, seus cabelos castanhos escuros eram medianos e batiam em seus ombros, mas pareciam sedosos e suaves ao toque.

Seu rosto era longo e fino, com os lábios volumosos e avermelhados, o nariz não era pequeno e nem grande, suas bochechas delineadas tinham certa protuberância. Ele era simplesmente bonito.

Vejo que nossas mãos ainda estavam unidas e retiro a minha mão da sua com delicadeza.

_ Perdoe-me por ser rude, mas...

_ Salazar, por Magic, não corra assim...- Vejo uma mulher segurando a barra do seu vestido azul escuro.

Seus cabelos eram grandes e negros, seus olhos negros eram como um céu escuro sem estrelas. Sua pele branca fazia um lindo contraste com o seu vestido. Ela parecia ser maior que eu alguns centímetros.

Mais duas pessoas chegaram com ela.

Um era um homem robusto com barba volumosa e ruiva, seus olhos castanhos ficavam vermelhos por causa da luz do sol. E ele usava vermelho, Dragon iria odiá-lo. E tinha uma mulher ao seu lado, um pouco menor do que eu, mas muita bonita.

Cabelos castanhos, olhos azuis e vestia amarelo...

Espera! Verde para Sonserina, azul para Corvinal, amarelo para Lufa-Lufa e vermelho para Grifinória...

Ah, não! Não me diga que estou em algum ano em 990? Eu poderia estar tirando fotos com os dinossauros, mas estou aqui com os fundadores de Hogwarts. Você é uma estúpida, Leesa. Estúpida.

_ Acho que ele encontrou uma pessoa, por isso que ele saiu correndo. - Provavelmente Godric falou.

Eu não deveria falar, não deveria nem estar na presenças deles, mas como já estou. Vamos ficar na chuva para se molhar ainda mais.

_ Desculpe-me, mas poderiam me dizer em que ano que estou? - Eu não daria uma de louca de tentar adivinhar o ano ou dizer que sou uma pessoa doida por andar de calças e não... O que seriam isso? Vestidos? Sem paciência para história.

_ 993. - Salazar respondeu primeiro. _ A senhorita poderia me dizer o seu nome? - Salazar era cortês? Livros de histórias eram realmente falsos, claro, tinha 90% de verdade, mas os 10% foram os mocinhos que escreveram...

_ Eu me chamo Leesa. - Não iria dizer o meu sobrenome. _ E vocês? - Vamos dar uma de sonsa.

Rowena olhou para a peça gigante do meu vira-tempo e ela me olhou desconfiada.

_ Acho que não precisamos dizer o nosso nome. - Disse a mulher. _ Essas runas são para viajar no tempo, sempre li em livros, mas nunca imaginei que daria certo.

_ A senhorita é bastante perspicaz. - Sorri para ela. _ Tentei fazer um vira-tempo e acabei errando algumas coisas.

_ Uma viajante do tempo, isso é fantástico. - Helga falou.

_ Mas perigoso, a senhorita acabará sumindo se falar algo que não deve. - Salazar estava certo.

_ Não pretendo falar coisas que não devo, senhor.

_ Pare de ser rabugento, Salazar. A menina parece assustada. - Olhei para o lado e vejo que estava em Hogwarts ou onde deveria ser ela, já que só tem algumas torres e a ponte.

_ Vocês estão quase construindo Hogwarts. - Falo empolgada, mas quando eles me olharam, tapei a minha boca. _ Finjam que não ouviram o que falei.

_ Hogwarts? - Me perguntaram.

_ O quê? Essa escola não vai se chamar Hogwarts? - Os homens olharam para as mulheres e elas pareciam envergonhadas.

_ Não contem sobre os nomes que demos. - Rowena olhou para o lado emburrada. _ Esse parece muito melhor.

_ Então está decidido, a nossa escola se chamará Hogwarts. - Godric parecia feliz e muito alegre.

_ A senhorita vai voltar? - Olhei para Salazar e ele me lembrou de algo importante.

_ Eu só fiz um vira-tempo e ele está naquele estado. - Apontei para a peça gigante. _ Então tenho que ficar aqui por um tempo. - Eles me olharam e olharam as minhas roupas. _ Eu vou trocar, ainda não quero ser morta por trouxas dizendo que sou uma bruxa. Mesmo sabendo que sou... Bom, vou indo, foi ótimo conhecer vocês.

Tento seguir o meu rumo, mas as quatro pessoas me impediram de continuar, espera, eles vão me sequestrar para saber mais do futuro? Sinto muito, mas eu só sei o básico sobre vocês.

_ Venha conosco, podemos nos ajudar e a senhorita nos ajuda com sua sabedoria do futuro. - Rowena parecia feliz, feliz demais.

_ A senhorita está dizendo para eu ir com vocês e ser usada?

_ Iremos nos usar. - Helga completou. _ A senhorita parece querer tempo para fazer aquilo. - Ela apontou para atrás de mim. _ E podemos te dar isso sem problemas, mas para construir aquela escola precisamos de paciência e de conhecimento e a senhorita...

_ A senhorita parece ter tudo isso. - Salazar terminou e ficou me encarando.

_ Preciso de um lugar para dormir, preciso ter refeições adequadas, ouro, talvez uma varinha e não quero ficar perto de um basilisco. - Digo a última frase olhando para Salazar e ele franziu a testa, parecia com raiva.

_ Por Magic, Salazar. Conversamos que não teríamos um basilisco entre nós. - Helga começou a discutir com Salazar.

Rowena e Godric ficaram cada um do meu lado e bateram as mãos bem na minha frente. Olhei para eles sem entender.

_ Apostamos que os dois iriam brigar novamente por causa do basilisco. - Godric riu, olhando a discussão.

_ Estávamos perdendo a esperança. - Rowena olhou para o céu e era quase o final de tarde. _ Mas a senhorita chegou e ganhamos a aposta.

_ O que vocês ganharam? - Pergunto vendo os dois brigando.

_ Nada, apenas a satisfação de ver essa cena acontecer. - Rowena deu de ombros. _ Fazemos apostas desde quando éramos crianças, mas Salazar está na nossa frente ainda, ele é quase invencível.

_ Ele ganhou tantas apostas assim?

_ Sim, infelizmente. - Disseram os dois.

Vejo os dois pararem de brigar e nos olharem. Salazar me olhou com raiva e pensei que meus dias aqui estavam contados. Helga parecia que iria azarar alguém, esperava que não fosse eu.

_ Bom, infelizmente a diversão acabou. Vamos, temos que ir ao mercado de céu aberto para comprar algumas coisas. - Godric me deu um tapinha nas costas. _ Vai ser divertido ter mais uma pessoa conosco, não acham?

_ Divertidíssimo... - Salazar me olhou enquanto dizia: _ Posso matá-la?

_ Salazar! - Disseram os três.

_ Pra quê? Para me dar de comida para o seu basilisco? Acho que ele não vai gostar do meu sangue. - Digo indo até ele afrontosa.

_ Não iremos descobrir até eu tentar. - Me olhou se aproximando. _ Você é minúscula. - Disse olhando para baixo.

_ E você é um idoso de quadro. - Ele me olhou irritado.

_ Pequena idiota.

_ Quadro falante irritante! - Queria ser mais alta alguns centímetros e dar um soco nesse idiota.

Retiro o que eu disse, ele não é cortês e os livros são 100% verdadeiros.

_ Pequena menina.

_ Isso não é tão ruim. - Digo duvidando de sua capacidade de insultar alguém. _ Ficou sem palavras, cobrinha irritante?

_ Olha aqui sua...

_ Sua o quê? - Digo querendo que ele continuasse.

_ Temos que ir. - Rowena veio até nós e nos empurrou para que andássemos. _ Infelizmente não podemos continuar construindo a nossa escola, mas por hoje já está bom, fizemos um corujal.

_ Falando em corujal, coloque um feitiço de limpeza, aquele lugar é um nojo. - Scorpius me contou em uma de suas memórias. Sim, eu vi as outras memórias. Só faltava do Dragon...

_ A pequena idiota queria o quê? São corujas e elas fazem suas necessidades.

_ Posso matá-lo? - Pergunto enquanto o olhava.

_ Vocês são idênticos. - Disseram os três.

_ Não sou igual a ele/ela. - Dissemos juntos e nós nos olhamos com raiva.

Já sentiu raiva de alguém depois de falar pelo menos meias palavras? Então, eu estou sentindo essa raiva nesse exato momento. Inferno, esse cara tinha que ser tão insuportável assim?

Claro, a culpa é minha. Mas eu lá ia saber que a Helga já tinha um problema com o basilisco que ele logicamente vai colocar na escola. Eu sou inocente e culpada.

Mas me declaro inocente de todas as acusações.

_ Ela precisa de roupas. - Salazar ficou olhando para o lado enquanto dizia isso. _ Ou poderá ser morta por alguém.

_ Está preocupado comigo? - Pergunto sorrindo.

_ Não, estou preocupado comigo e não quero morrer tão jovem. - Idiota.

_ Acho que podemos transfigurar as suas roupas para um vestido, e bom, os seus sapatos irão ser escondidos pela roupa. - Helga sorriu e apontou a sua varinha para mim e um vestido apareceu no meu corpo. _ Branco está bom?

_ Pode ser preto? - Ela concordou e o vestido simples ficou preto. _ Obrigada.

Salazar andou mais rápido e apenas revirei os meus olhos. Que idiota infantil. Minha bolsa ficou perfeitamente no meu lado e comecei a caminhar com eles, não sabia se iríamos aparatar ou se iríamos em Hogsmeade. Hogsmeade existe? Acho que não.

Olho para trás e vejo a peça do meu vira-tempo no chão.

_ Vamos deixar aquilo daquele jeito? - Pergunto para eles.

_ Talvez ele seja de algum uso para Hogwarts. - Rowena comentou.

_ Ok, então.

Antes que chegássemos em qualquer lugar, eu não aguentava mais segurar o meu vestido, não por estar com as mãos doendo, era por preguiça. Então fiz que o vestido fosse até a metade das minhas pernas. Muito melhor.

Ninguém percebeu e não iria ligar se percebessem, era confortável não ter algo para segurar.

Descemos uma ladeira e vi que no lugar em que deveria ser Hogsmeade tinha um mercado a céu aberto. Bom, eu acho que o fundador de Hogsmeade é apenas um pirralho ainda.

_ Quero encontrar um duende. - Godric disse animado.

_ Por quê? - Perguntei andando.

_ Quero que ele faça uma espada para mim, quero uma espada que represente a bravura e a coragem. Não é interessante?

_ Claro, mas por que um duende? Não poderia ser um bruxo?

_ Bruxos são preguiçosos, mas duendes sabem fazer algo perfeitamente se o derem uma boa peça de ouro. - Sorriu indo para algum lugar do mercado.

_ Também estou à procura de algo valioso. - Helga comentou observando cada barraca. _ Quero algo que faça todos entenderem que devemos brindar, celebrar algo que aconteceu na nossa vida, seja algo ruim ou bom. - Ela não me olhou e logo foi para outro lugar.

_ E a senhorita? - Pergunto para Rowena.

_ Quero algo que me mostre a personificação da sabedoria e da beleza. Quero algo que me faça entender o motivo da minha sede de conhecimento ser mais extrema do que dos meus amigos. Será que é tão difícil conseguir algo assim? - Perguntou indo até uma barraca de livros.

Fico olhando ao redor e acabei vendo que Salazar estava ao meu lado, era só o que me faltava.

_ Não vai me perguntar o que procuro?

_ Não, não estou interessada em sua vida.

_ É realmente uma irritante.

_ O que fiz para te irritar tanto? É por causa do basilisco?

_ Com toda a certeza, ninguém iria descobrir que coloquei um basilisco na escola.

_ Vai nessa, acha que descobri como? Sendo sua descendente? Com certeza não, descobri por causa que todos os livros de história contam que Salazar Slytherin colocou algo mortal na escola, ninguém sabia o que era, até que um idiota abriu o lugar que o senhor deixou o seu bichinho e matou uma pessoa.

_ Não tenho culpa que isso aconteceu ou vai acontecer. - Fico perplexa. _ Não vou colocar o basilisco para matar pessoas.

_ O quê?

_ É sério, quero colocar o basilisco para proteger os alunos. - Olho para ele e começo a rir. _ Por que a senhorita está rindo?

_ Que piada horrível. - Aí minha barriga. _ O senhor quer colocar na escola, algo que apenas com um olhar já mata. E o senhor está me dizendo que quer colocar um basilisco para proteger as crianças?

_ A senhorita falando desse jeito até parece que sou um assassino.

_ Mas... - Fico quieta e olho para uma barraca que vendia varinhas, talvez lá tenha uma varinha para mim.

_ A senhorita não tem uma varinha?

_ Ter eu tenho, mas ela não vai me obedecer para sempre. - Peguei a varinha na minha bolsa. _ Tive que ameaçá-la para ela fazer alguns feitiços.

Salazar pegou a varinha da minha mão e começou analisá-la. Pensei que ele só fosse bom em poções e feitiços. Mais alguns segundos de análise e ele pegou a minha mão, alguns olharam torto para nós, mas não liguei.

O homem colocou a ponta da minha varinha na palma da minha mão e um feitiço saiu dela e fez a minha mão coçar.

_ Sentiu isso?

_ Sim. - Peguei a minha mão e comecei arranhá-la para parar de coçar.

_ Essa varinha não sente que a senhorita é a dona dela ou tem respeito pela...

_ Me chame de Leesa ou você, isso de senhorita ou senhora é uma merda. - Ele me olhou surpreso e vejo os seus lábios curvarem um pouco.

_ Pequena menina. - Revirei os olhos. _ Continuando, essa varinha não tem respeito pela... Por você.

_ Isso eu já sabia.

_ Você não pode ficar com uma varinha que na primeira oportunidade que tiver poderá te matar.

_ Varinhas não matam sem um bruxo por trás.

_ Talvez essa varinha caia em mãos inimigas e você acabe falecendo por ela. - Ele segurou as duas extremidades da varinha e partiu ela no meio. _ Pronto, ela não vai te machucar.

_ Mas agora estou sem varinha e eu falei para ela que se ela não se comportasse eu iria tirar fibra por fibra... - Ele começou a rir e fico surpresa.

_ Você iria torturar uma varinha?

_ Com toda a certeza. - Sorri e ele me conduziu até a barraca de varinhas. _ Estou sem dinheiro.

_ Se você conseguir encontrar uma varinha adequada eu pago.

_ Obrigada. - Digo observando as varinhas que tinham ali.

_ Ah, senhor Slytherin. Veio comprar uma varinha nova? - Disse um homem barrigudo.

_ Não, hoje eu só estou a acompanhando para ver se ela encontra uma varinha adequada.

_ Ah, por favor, experimente qualquer uma.

_ Provavelmente elas irão se partir, queimar ou fugir de minhas mãos. Tem certeza de que os senhores querem que eu faça isso? - Eles ficaram me olhando e cada um respondeu de um modo.

Salazar concordou balançando a cabeça, mas o homem discordou enquanto balançava a cabeça.

_ Qualquer varinha quebrada irei pagar o prejuízo. - Ele está falando em rico, não entendo essa língua.

Mas já que ele se ofereceu para pagar, não vou me fazer de rogada e desperdiçar essa raridade.

Peguei uma varinha pequena e era lilás, que tipo de madeira faria uma varinha lilás?

Mas ela se partiu em três pedaços diferentes e os dois me olharam abismados. Avisei, não reclamem.

_ Isso é... - O homem tirou a varinha partida da minha mão. _ Tente essa.

_ Posso? - Pergunto para Salazar e ele olhou para a varinha quebrada e para essa que o homem estava me oferecendo.

_ Pode, ter uma varinha quebrada em três partes deve ser o seu limite.

_ Espero. - O homem sussurrou.

Peguei a varinha marrom e ela vibrou na minha mão e quase pulei de alegria, se ela não tivesse evaporado na minha mão.

_ Pensei que não podia piorar. - O homem parecia que iria desmaiar.

_ Eu avisei.

_ Você é uma assassina de varinhas. - Salazar sussurrou no meu ouvido. _ Isso é interessante, pequena menina.

_ Mas eu avisei, quadro velho. - Ele me olhou e revirou os olhos.

_ Tente...

_ Não, quero dizer, não acho que nenhuma varinha em minha pequena e humilde barraca poderá ser dessa adorável senhorita. - Era como dizer que não iria me entregar nenhuma varinha para experimentar, mesmo que ele fosse pago.

_ Tudo bem, tome dois galeões pelo ocorrido. - Salazar entregou dois galeões e me tirou daquela barraca. _ Assassina de varinhas.

_ Mas eu avisei que aquilo iria acontecer.

_ Não pensei que o seu núcleo fosse tão forte.

_ O que quer dizer?

_ A se... Você não sabe? - Saber eu sabia, mas vamos escutar a sua explicação. _ Bom, a varinha escolhe o bruxo, mas na verdade escolhe o núcleo e magia.

_ Então a minha magia...

_ É poderosa demais para varinhas comuns, você teve sorte com essa. - Ele ainda segurava a varinha que ele partiu ao meio.

_ Ou eu apenas tive a originalidade de ameaçá-la. - Ele concordou.

_ Você quer alguma coisa? - Fico surpresa e fico olhando para as barracas.

_ Você tem ouro?

_ Tenho. - Sorriu de lado. _ Muito.

_ Então eu preciso disso, preciso fazer um novo vira-tempo. - Ele concordou. _ Quantos anos você tem? Alguns livros diziam que você nasceu em 976, mas você não parece ter 17 anos.

_ Eu tenho 35. - Ele me olhou esperando por algo.

_ Ah, eu tenho 28.

_ Você parece ser mais velha. - Fico chocada com isso. _ Acho que posso ver algumas rugas... - Corri até uma bandeja que não era de prata e começo a me observar. _ Você tinha que ver o seu rosto, estava hilário.

_ Seu idiota, não diga para uma mulher que ela tem rugas. - Digo o observando pelo reflexo da bandeja e o vejo fazer a minha antiga varinha evaporar.

_ Me perdoe, mas foi engraçado. - Revirei os olhos e vejo os três fundadores olhando para nós. _ Eles devem estar apostando que a qualquer momento nós iremos começar a brigar novamente.

_ Talvez isso aconteça, não sabemos o futuro. - Ele me olhou. _ Nem mesmo eu.

_ Vamos, temos que ir para casa.

_ Pensei que ficaríamos em Hogwarts.

_ Não fizemos ainda onde as crianças irão dormir ou os quartos dos professores.

_ Entendo. - Chegamos perto dos três e eles sorriam. _ Nós percebemos que somos parecidíssimos e que devíamos nos tornar inimigos jurados. Mas, infelizmente não conseguimos nos matar nesse meio tempo, então acabamos sendo amigos, infelizmente.

Os três nos olharam e começaram a rir, até Salazar começou a rir e era estranho ver aquilo.

_ A senhorita é ótima para inventar histórias. - Helga secou uma lágrima.

_ Bom, me chamem de Leesa ou de você. É estranho chamar vocês de senhores ou senhoritas. - Eles se olharam e concordaram.

_ Então, vamos? Estou morrendo de fome. - Godric mostrou um pedaço de bife que estava em seus braços.

_ A gente vai aparatar? - Pergunto para o homem ao meu lado.

_ É esse o nome que deram? Que estranho. - Ele pegou a minha mão e sumimos do mercado e aparecemos em uma vila movimentada. _ Bem-vinda a minha humilde residência.

Olho para ele e depois para o lugar que ele dizia ser humilde... A casa tinha dois andares e era feita de pedra, isso era humilde?

_ Ele sempre fala que é humilde, mas olhe em volta, essa é a única casa que usou pedras para ser construída e não madeira. - Godric zombou e foi até a porta de entrada, mas foi repelido. _ Salazar! Mudou novamente a senha?

_ Sempre mudo. - Disse largando a minha mão e indo até o homem. _ Até parece que não me conhece.

_ Infelizmente não sei todas as espécies de cobras que existem neste mundo, fale logo a senha, quero comer.

_ E o que eu tenho a ver com isso? - Debochou.

_ Quer brigar? - Godric se aproximou do homem de vestes verdes.

_ Ganhamos. - As meninas bateram suas mãos sorrindo.

Os dois olharam para elas e reviraram os olhos. Eles gostavam muito de apostas, mas não ganhavam nada, apenas a felicidade e a satisfação de ver seus amigos irritados.

Olho em volta e todos andavam e conversavam entre si, era como Godric's Hollow, só que um pouco maior. Eu acho.

Pensei que Godric morasse em Godric's Hollow, mas vejo que ele ainda não morava lá.

_ Vem. - Helga me puxou pela mão e entramos dentro da casa.

Pensei que seria fria, mas tinha uma temperatura normal, nem muito fria e nem muito quente. A casa era bastante arejada e iluminada, bom, posso até dizer que era bem melhor que a casa da titia.

_ Vem, vou te mostrar o seu quarto. - Helga continuou me puxando e vejo que quem iria cozinhar era Godric. _ Salazar não gosta que vão no terceiro andar, lá é onde os pais dele morreram.

_ Devo falar meus pêsames? - Ela discordou.

_ Salazar não gostava dos seus pais, ele os odiava na verdade. - Compreendo você, Salazar.

Estávamos no segundo andar e só tinha um corredor cheio de portas que provavelmente eram os quartos. Deveria informar sobre encanamentos e banheiro para eles.

Helga parou na última porta do corredor e a abriu. Vi que era um quarto rústico, mas confortável e era bastante bonito se não fosse verde. Não posso reclamar, eu sou apaixonada por azul.

_ Bom, esse será o seu quarto. - Concordei deixando a bolsa em cima da cama.

_ Onde ficam os seus quartos?

_ Do Salazar fica no meio, a porta dele tem uma cobra. - Revirou os olhos. _ De Rowena é a primeira porta do corredor, ela diz que prefere assim para não acordar ninguém, ela acorda muito cedo ou fica a noite toda lendo.

_ Eu acredito na segunda opção.

_ Também. - Riu e continuou falando. _ O meu quarto é esse da frente. - Apontou para a porta. _ E Godric não dorme aqui, ele tem uma casa em Hollow. Mas a maioria das vezes ele está deitado no chão enquanto reclama da bebida "fraca" que ele tomou.

_ Preciso ver essa cena.

_ Bom, bem-vinda ao passado. - Ela saiu do quarto e me deixou sozinha.

E mais uma vez estou num lugar desconhecido que com toda certeza irei mudar por apenas estar aqui. É estranho estar mais uma vez em um lugar desconhecido e com pessoas desconhecidas.

Como se em 1935 eu tivesse pessoas conhecidas. Nem mesmo o Lorde conheço realmente, só sei sobre ele por causa de uma pasta contendo suas informações.

Vou até a cama e me sento nela, era confortável. Mas era um pouco solitário estar aqui sem ninguém. Eu sou uma intrusa que não deveria estar nesse tempo, sou apenas um fantasma que acabou aqui.

Queria o meu tempo, a minha realidade. Mas não posso, infelizmente.
Estou sozinha em um tempo que não pertenço e só espero que um dia eu possa a pertencer.