Mon petit:

Espero que esteja aproveitando o passado, que esteja aproveitando o sol e tendo conversas interessantes com alguns alunos em Hogwarts.

Essa carta não vai explicar os meus dias problemáticos e como quase matei um paciente. Deveria ter contado isso quando eu descobri, mas não queria trazer algo tão pesado para os nossos dias de sossego.

Papai descobriu algo sobre você, mon petit. Ele descobriu que você tem um juramento por magia, mas eu nunca vi nenhuma tatuagem em você. Apenas a sua marca que você me disse que era por sua maldição.

Então eu descobri que o seu juramento não é por magia em si e sim, por alma. E juramento de alma não grava na pele e sim, a alma.

Mon petit, mesmo você morrendo, você teria que cumprir o seu juramento. É um círculo vicioso que no final você só pode fazer aquilo que jurou fazer. Salvar o Lorde das Trevas.

Eu tentei pesquisar algo sobre juramentos de alma, mas a única coisa que descobri foi que antigamente os bruxos se casavam por alma. Era algo que nem mesmo divórcio iria resolver.

Eles iriam ficar juntos para sempre, mesmo eles se odiando e querendo a morte um do outro. Eles deveriam estar juntos ou eles perderiam a sua magia e a sua vida.

Sinto muito por te dar essa notícia, mas eu não queria que você pensasse que se desistisse ou fizesse algo pior com você, isso iria resolver os seus problemas.

Então, mon petit. Não desista, mesmo que machuque, mesmo que isso lhe traga desesperança. Você não pode desistir.

Eu estarei sempre com você.

───※ ·❆· ※───

Coloquei a carta na minha barriga e fiquei olhando para o teto. Aqui não tinha abajur, mas tinha velas e eu podia fazer lumos quando a vela acabasse.

Acho que já tinha dois dias que eu estava aqui, parei de contar. Não estava me fazendo bem.

Mas descobri muitas coisas nesses dias.

Godric quer comprar Hollow e fazer que todos os seus amigos morassem naquele lugar, não vai conseguir. Salazar está noivo de Morgana e eu não a vi ainda.

Rowena está apaixonada por um trouxa, segundo Salazar. E Helga está tentando barganhar com um duende para ter a sua taça, mas não está dando certo.

Era só isso que eu sabia até agora, bom, dos fundadores.

Alisei o pergaminho e fico pensando em coisas estranhas. Ainda não comecei a fazer o vira-tempo, percebi que não posso apressar o tempo, mesmo querendo manipulá-lo para o meu próprio benefício.

Vou fazer o vira-tempo, mas com calma e paciência. Não quero comer mamute ou algo pior, se eu consegui voltar mil anos, voltar milhões não é nada.

Sentei-me na cama e guardo a carta na bolsa, olho para as minhas vestimentas e estava usando apenas uma camisola que ia até os meus tornozelos. Provavelmente não estava apresentável para essa época, mas não ligava muito. Já tinha muitas coisas que eu não ligava.

Calcei os meus sapatos e abri a porta do quarto, olhei para o corredor e tentei ver por debaixo da porta se tinha alguém acordado, eu esperava que apenas uma pessoa estivesse acordada.

Saio do quarto fechando a porta atrás de mim e vou na ponta do pé até a porta que eu queria ir. Agradecia muito por ter velas no corredor, essa casa ficava muito escura quando anoitecia.

Bati na porta devagar e esperei a pessoa me atender. Mas ninguém atendeu, bati novamente e nada.

Olhei para maçaneta e girei ela e a porta se abriu em um clique. Coloquei a minha cabeça para dentro e vi que a pessoa estava dormindo na banheira/barril de madeira.

Não queria ver um homem nu, mas eu queria saber de algo e isso estava me fazendo surtar já tem dois dias.

Entrei no quarto e fechei a porta devagar. Fui até a cadeira que tinha no quarto e a peguei... Era pesada, esse troço era feito de quê? Madeira maciça?

Coloquei a cadeira ao lado da banheira e me sentei nela, tirei os meus sapatos e levantei os meus pés, os colocando na beirada da banheira.

_ Eu devo estar alucinando. - Salazar sussurrou sem abrir os olhos. _ Queria saber o porquê de ter uma mulher no meu quarto?

_ Não é uma mulher qualquer, é...

_ Ah, sim, é a minha pequena rata. - Revirei os olhos.

_ Não sou uma rata. - Ele riu e abriu um dos olhos. _ Ainda não entendo esse apelido.

_ Pequena rata, você tem um diário apenas para escrever fofocas e você chegou há dias, mas já sabe quem morreu e quem está traindo. Por isso do rata.

_ Isso não são fofocas, são informações que coleto por diversão e se fossem fofocas não seriam verídicas.

_ Pequena rata, sempre fuxicando onde não é chamada. - Queria que as minhas pernas fossem um pouco mais longas para que eu chutasse o seu rosto. _ Mas o que faz no quarto de um homem comprometido? - Sorriu de lado e insinuou algo.

_ Por Me... Por Magic, Salazar. Não tenho nenhum interesse por um velho. - Ele riu.

_ Pequena rata, temos apenas sete anos de diferença. Você se intitula como velha. - Isso era ultrajante. _ Não concorda?

_ Com toda a certeza que não e sou apenas uma adolescente que entrou no seu quarto para saber de algumas coisas. - Ele se sentou mais confortavelmente na banheira e pude ver o seu peitoral.

Santo Merlim, deveria ter pensado duas vezes antes de entrar aqui dentro. Olho para o lado e tento não ficar imaginando besteiras. Ele é só um homem, não tem nada de anormal... Apenas o seu corpo atlético, robusto e atraente.

Pelos negros pelo peito e com certeza ele estava alisando os seus cabelos para trás enquanto me observava. Olhei para ele e era exatamente isso que ele estava fazendo.

_ O gato comeu a sua língua, pequena rata? - Apoiou a sua cabeça em sua mão e sorriu de lado.

_ Não, eu só estava pensando como começar esse assunto. - Digo mexendo os dedos dos pés. _ Fui muito rude com você...

_ Percebeu isso hoje? Tenho sentimentos, pequena rata.

_ Continuando, eu queria saber o que você...

_ Iria pedir ao duende? - Concordei sorrindo. _ Algo que representasse a nobreza e a pureza. Que seja pequeno e fácil de ser carregado, um objeto para me lembrar dos meus dias mais notáveis, algo que mostre minhas verdadeiras origens.

_ Tipo um medalhão? - Pergunto.

_ Você veio do futuro, já deve saber o que cada um de nós irá pedir ao duende para fazer.

_ Se encontrá-lo.

_ Provavelmente encontramos, já que você sabe o que seria ideal para mim. - Estalou os dedos e um copo de whisky apareceu. _ Aceita?

_ Não sei beber, provavelmente eu vou vomitar toda a comida que comi. - Ele riu e bebeu um pouco do conteúdo do seu copo. _ A única vez que coloquei álcool no meu estômago foi quando Dragon trouxe bombons de licor.

_ Esse seria o seu namorado? - Olho para ele rindo e nego.

_ Ele é o meu primo, ele me ajudou muito quando estava naquele lugar e devo muito a ele. - Fico olhando a água da banheira. _ Ele morreu me protegendo e se não fosse por ele, eu não estaria aqui.

_ Então que a Lady Magic o tenha. - Concordei sorrindo.

_ Você realmente quer se casar? Ou é um contrato feito pelos seus pais?

_ Não posso deixar a minha linhagem morrer, Leesa. Eu tenho que ter alguém para pelo menos compartilhar a vida comigo.

_ Você acha que vai ser feliz? Eu vi meus pais e sempre os invejei por ter um "bom" relacionamento. - Faço aspas com as mãos. _ Mas no final de tudo, acabei percebendo que eles não eram um casal feliz, só estavam juntos por algum motivo.

_ E qual é a sua definição de ser feliz com alguém?

_ Eu não sei, nunca estive em um relacionamento. Mas quando eu era apenas uma pirralha imatura, pedi que se eu encontrasse alguém, que pelo menos essa pessoa pudesse me entender e me aceitar do jeito errado que eu sou.

_ Conheci Morgana por causa dos meus pais, mas eles não me obrigaram a pedi-la em casamento. Foi apenas eu. - Seu copo encheu novamente e ele me entregou ele. _ Experimente.

_ Se eu ficar bêbada e vomitar em você...

_ Prometo que não vou te matar. - Olhei para o copo e bebo o conteúdo todo em apenas em um gole. _ Sua louca, era para tomar devagar.

_ Sempre vi pessoas bebendo isso como se fosse água. - Digo fazendo careta. _ Isso é horrível, tem gosto de árvore.

_ Então você provou uma árvore muito gostosa. - Vi o copo se encher. _ O segundo copo fica melhor.

_ Se o primeiro já é péssimo, imagina o segundo.

_ Mas dessa vez...

_ Vou beber devagar. - Dou um gole e fico tentando decifrar o gosto ruim da minha boca.

Engoli o conteúdo da minha boca e bebo o restante que tinha no copo. Funguei o nariz e Salazar parecia rir de mim.

_ Por que você está rindo? - Pergunto tombando a cabeça.

_ Suas bochechas estão avermelhadas e seu nariz parece um pimentão. - Toquei o meu nariz e tento escondê-lo. _ Não me diga que com dois copos você já ficou bêbada? - Tomou o copo da minha mão.

_ Não fiquei, estou bem e sei contar até mil. - Mostrei as minhas mãos para ele. _ Mil. - Ele olhou para as minhas mãos e depois para mim e começou a rir. _ Mas eu contei certo.

_ Sim, você contou super certo e estou impressionado com sua sabedoria.

_ Obrigada. - Digo rindo. _ Sinto falta dele.

_ De quem?

_ Do meu primo, ele era um bom marido e pai. Sempre cuidando de tudo, mas ninguém cuidando dele. - Fecho meus olhos e fico lembrando de tudo. _ Ele me ensinou a dançar, pisei muitas vezes em seu pé. - Ri comigo.

_ Por que não volta no...

_ Não dá, a minha realidade... - Arroto e abano o ar com a minha mão. _ A realidade onde eu vivia, ele não existe mais. - Subi a manga da minha camisola e mostro para ele o corte. _ Viu, está preto, quando está preto quer dizer que morreu... - Olhei para ele.

_ Leesa. - A água se mexeu na banheira e molhou os meus dedos do pé.

Ele se aproximou das minhas pernas e fico tentando saber o que ele iria falar.

_ Sim? Esse é o meu nome. - Ri para ele.

_ Você já pensou em ficar? Ficar no passado e tentar recomeçar. - Retiro os meus pés da beirada da banheira e me curvo para frente.

_ Já pensei em ficar em 1981. - Apoio meus braços na beirada da banheira e me deito neles. _ Ficar naquele ano com a titia e cuidando dela. Mesmo ela sempre me irritando, eu queria conviver com ela. - Sinto um carinho em meus cabelos. _ Também queria ter ficado com a minha família, a família que me aceitou sem me julgar.

_ E você já pensou em ficar aqui?

_ Ainda não pensei, mas quando cheguei, eu me senti perdida e eu não pertenço a esse ano, Sly.

_ Posso fazer você pertencer, eu posso te mostrar as belezas que existem nesse mundo...

_ Você pode me mostrar, não vou reclamar de ter um pouco de companhia. Sinto falta de pessoas ao meu redor e sinto falta de poder ser um pouquinho normal.

_ Pequena rata, você é normal. - Ri pelo apelido. _ Acho que você precisa dormir, você consegue ir para o seu quarto?

_ Não estou com sono. - Digo emburrada.

_ Nem um pouco cansada? - Continuou me fazendo carinho.

_ Não, eu estou bem. - Digo fungando o nariz. _ E respondendo a sua pergunta, eu não quero ficar aqui, quero ter a minha vingança... - O carinho parou por breves segundos.

_ Tudo bem, você vai conseguir. - Beijou a minha cabeça. _ Eu acredito em você.

_ Obrigada. - Falei baixinho.

_ Leesa.

_ Sim?

_ Quero me trocar, a água já está ficando fria. - Levantei a minha cabeça e fiquei o observando. _ Poderia...

_ Eu vou para cama dormir e acho que você está certo. - Ele sorriu e concordou.

Eu me levantei devagar e deixo o meu sapato ali. Vou em direção a cama de casal do Salazar e me jogo nela.

_ Leesa.

_ Sim? - Minha voz saiu abafada por conta do travesseiro.

_ Essa é a minha cama. - Escutei ele saindo da água.

_ Sério? Não percebi. - Me cobri com os cobertores que estavam na cama e eles eram macios e cheirosos. _ Quem arruma a casa e essas coisas?

_ Elfos e falando neles, tenho que ir ao mercado para comprar mais, você deve precisar de um para te ajudar em certas coisas. - Franzi a testa e levantei um pouco a minha cabeça.

_ Não preciso de elfos. - Ele me olhou e andou até o seu armário.

Deitei-me novamente e olhei para os lençóis verdes. Sério, tão Sonserino.
Escuto ele se trocando e fecho os meus olhos, não queria ser desrespeitosa com ele.

Quando estava seminua na frente daquelas pessoas, eu só queria que eles olhassem para o outro lado ou me deixassem sozinha. Mas eles nunca fizeram isso, só continuaram me olhando. Tão desagradável.

_ Vai dormir comigo? - Abri um dos olhos e o vejo com suas roupas de dormir e tinha que ser verde.

_ Se eu já estou aqui, não vejo problema. Por quê? Vai me expulsar? - Ele riu e negou.

_ Só, por favor, não ronque como Godric. - Salazar deitou-se na cama e se cobriu. _ Tenho nervoso de escutar as pessoas roncando e não consigo dormir. - Disse enquanto tentava apagar a chama da vela, mas me curvei para a frente e o parei. _ O que foi?

_ Deixa-a acessa. - Minhas mãos tremiam enquanto apertava a sua mão. _ Não apague. - Falei nervosa.

_ Ok, vou deixá-la acessa. - Ele falou baixinho e segurou a minha mão e me deitei novamente. _ Viu, ela está acessa.

_ Obrigada. - Ele não disse nada, apenas continuou segurando a minha mão. _ Não quer saber o motivo?

_ Não acho que você está bem o suficiente para me contar algo tão pessoal. Quando você se sentir bem e confortável, me conte. Estarei aqui para te escutar. - Beijou a minha mão e concordei.

_ E é sério, eu não preciso de elfos.

_ Então apenas me acompanhe no mercado. Você está enfurnada nesse bairro há dias.

_ Ele é bem agradável e eu não acho que ir para outros lugares seja o ideal. As pessoas podem desconfiar.

_ Leesa, não ligue para as pessoas, elas são triviais.

_ Você fala isso porque você é como o presidente desse mundo. - Ele franziu a testa. _ Como o rei.

_ Eu não acho que seja para tanto.

_ Claro. - Revirei os meus olhos e os fechei. _ Boa noite.

_ Boa. - Ficamos com as mãos unidas e até que foi bom, nem me lembrei da mania que eu adquiri nesses anos.

A mania de dormir agarrada com a minha bolsa.

───※ ·❆· ※───

Acordei sentindo um carinho bom em meus cabelos e tento me aproximar da mão da pessoa para ter mais contato.

_ Ratinha, você precisa se trocar. - Não queria e finjo que estou dormindo ainda. _ Eu sei que você acordou.

_ Você está vendo coisas. - Digo me virando para o outro lado e me cobrindo até a cabeça.

_ Agora uma pessoa dormindo conversa?

_ Sou sonâmbula.

_ Você vai perder o café da manhã? - Antes que eu falasse algo, alguém bateu na porta.

_ Salazar? Está acordado?

_ Estou, Helga. O que houve? - Abaixei o cobertor e fico observando a porta.

_ A Morgana está aqui. - Olho para Salazar e o vejo revirar os olhos. _ Você sabe onde está a Leesa? - Salazar me olhou e sorriu de lado.

_ Não, eu não a vi hoje. Já procurou no bairro?

_ Não, ainda não e se apronte, ela não parece muito amigável.

_ E que dia ela foi amigável? - Salazar perguntou.

_ Você tem razão. - Escuto ela sair da porta.

_ Onde a Leesa deve estar... - Me olhou e dei de ombros.

_ Na sua cama que não está, eu sou apenas um fantasma. - Sentei-me na cama e ele já estava impecável.

_ Que fantasma mais bonito, nunca vi um desse... - Ele parou de falar e coçou a bochecha. _ Melhor você ir. - O que ele iria falar?

_ Obrigada pela noite, dormi muito bem. - Me levantei da cama e coloco os meus sapatos. Vou até à porta. _ Se você não gosta da Morgana, encontre outra, não fique com alguém que você não gosta. - Ele me olhou e iria falar algo, mas ele se calou. _ Te encontro no andar de baixo.

_ Ok. - Disse olhando para a janela.

Saio do seu quarto e olho para os lados, não tinha ninguém no corredor.

Entrei no meu quarto fechando a porta e vou até o meu armário e lá tinha vários vestidos. As meninas compraram em algum lugar, não fui com elas, mas elas me trouxeram de várias cores.

Peguei um vestido azul-escuro e simples, bom, para essa época era simples. Eu acho.

Tirei a minha camisola e fico me observando, meu corpo é tão estranho. Cheio de cicatrizes e uma marca horrível nas costas, não acho que quero usar vestidos quando eu for para 1935.

Talvez eu use calças, sim, acho que seria mais confortável e iria... Mas eu serei uma criança...

Depois penso nisso.

Coloquei o vestido e amarrei a cordinha que vinha com ele. Faço que meus cabelos se arrumassem sozinhos em um coque com duas tranças laterais e vou até a minha bolsa, nessa época eles não tinham pasta e escova de dentes. E por anos eu não tive a oportunidade de fazer a minha higiene todos os dias, mas como estou livre, não posso ficar com bafo.

Peguei a escova e a pasta de dente e começo a escovar os dentes enquanto ia para a bacia de água que tinha no quarto.

Limpei a minha boca e o meu rosto e troquei de sapato enquanto observava a vela que tinha derretido na madrugada. Tinha me esquecido de apagá-la, mas eu também não sabia que não iria dormir aqui.

Saio do quarto e alisei o colar no meu pescoço, sentia falta deles...

Desço a escadaria e vou até à sala e vejo a mulher que deveria se casar com Salazar.

A mulher usava um vestido longo e negro, sem nenhum tipo de detalhes e as mangas eram longas e escondia as mãos pálidas da mulher, era o vestido perfeito para essa época. Ela tinha uma pinta perto da boca carnuda e ela era bela e elegante.

Parecia uma pessoa de boa índole... Apenas parecia.

Morgana estava falando algo com Salazar, mas quando ela me viu, ela se calou.

_ Quem é ela? - Pensei que todos me conhecessem, bom, esse bairro me conhece.

_ Prazer em conhecê-la, me chamo Leesa. - Estendi a minha mão e as cinco pessoas ficaram a olhando. _ Bom. - Abaixei a minha mão. _ Estou com fome.

_ Isso é ótimo, acabei de fazer o café da manhã. - Godric disse e me levou até a mesa que estava repleta de comida. _ Eu não gosto dela. - Sussurrou.

_ Não gostamos. - Helga e Rowena falaram baixinho.

Sorri me sentando e começo a comer. Salazar continuava falando com a sua noiva e não parecia que iria comer tão cedo.

_ Ela sempre vem aqui quando algumas informações acabam chegando nela. - Helga falou enquanto partia o pão. _ Não sei o motivo de sua chegada dessa vez.

_ Ela é insuportável. - Rowena falou baixinho e nós vimos os dois chegando. _ Venham, comam conosco. - Sorriu educada.

_ Não posso, tenho que ver o vestido do meu casamento. - Falou me olhando. Mulher estranha. _ Salazar quer se casar o mais rápido...

_ Ou é você? - Perguntei. _ Que eu saiba, Salazar não parece querer se casar o mais rápido com você.

_ Como ousa?

_ Ousando. - Não olhei para ninguém e continuei comendo.

Rowena tossiu e a Helga colocou a mão na boca. Godric não foi nada discreto e começou a rir. Visão periférica era ótima, às vezes.

_ Acho que não sou bem-vinda aqui. - Ela se foi sem se despedir.

_ Ela percebeu isso agora? - Helga perguntou para nós. _ Salazar, você merece alguém melhor.

Salazar me olhou e se sentou na cabeceira da mesa e começou a comer sem falar nada.

_ Desculpe-me, não queria ter sido rude com a sua noiva. Eu posso...

_ Não, você está certa. - E só foi isso que ele falou.

_ Leesa, você irá precisar comprar coisas para... - Insinuou alguma coisa com os olhos.

_ O quê? - Perguntei a olhando.

_ Para aqueles dias. - Rowena me ajudou.

_ Ah! Não, eu não menstruo. Sangue amaldiçoado tem os seus benefícios. - Elas me olharam com as bochechas coradas. _ Desculpe-me. - Esqueci que nessa época essas coisas eram como tabu ou vergonhosas.

_ Estou pensando em ir ao mercado, vocês quererem alguma coisa? - Salazar os olhou.

_ Me traga uma galinha, quero fazer ensopado hoje. - Godric era um ótimo cozinheiro. _ Leesa, eu estava pensando em te levar para...

_ Eu a levo, prometi mostrá-la alguns lugares.

_ E que lugar seria esse? - Perguntei terminando de comer.

_ Hollow. - Responderam os dois.

_ Ah, onde você mora, não é? - Godric confirmou. _ Quero comprar um terreno e fazer uma casa lá, tem como...

_ Eu te ajudo. - Salazar me interrompeu.

Franzi a testa e pisquei algumas vezes e concordei. Rowena e Helga olharam para nós e sorriram, mas não disseram nada.

_ O dia está muito bonito hoje, eu acho que podemos ir para algum lugar e fazer uma fogueira e ver as estrelas, o que acham? - Rowena perguntou sorrindo.

_ Acho essa ideia perfeita, Rowe. - Helga estava empolgada. _ Não acham?

_ Claro. - Dissemos.

_ Vocês são estraga prazeres, cadê a animação?

_ Helga, você que é muito animada. Não temos esse pique todo. - Godric se levantou falando. _ Vocês conseguiram dormir? - Olhou para mim e para Salazar.

_ O que quer dizer? - Salazar perguntou erguendo uma sobrancelha.

_ Acabei dormindo no sofá de novo e eu queria uma cama dessa vez para dormir e vi que vocês estavam acordados. Mas o mais interessante é que vocês estavam acordados, mas Rowena não.

_ Estava muito cansada. - A mulher respondeu.

_ Não gosto de dormir no escuro, então eu acendo a vela para conseguir dormir. - Godric compreendeu e olhou Salazar.

_ Estava lendo, era um livro muito interessante de um rato que entra no quarto de uma pessoa e bebe a sua bebida e acaba ficando bêbado. Devo te emprestar esse livro, Godric?

_ Parece ser chato e nada interessante.

_ Mas eu aceito. - Rowena sorriu. _ Parece interessante.

_ Quando terminar de lê-lo, eu te empresto, Rowe. - A mulher sorriu feliz.

Agora eu sou um livro, que interessante. Terminamos de comer e Salazar estendeu a sua mão para mim e aceitei.

_ Bom passeio. - Disseram eles e saímos da casa.

_ Onde fica esse mercado?

_ Não fica longe, mas também não fica perto. - Adiantou muita coisa. _ Teremos que andar um pouco, se importa?

_ Não. - Ele concordou e largou a minha mão enquanto andávamos. _ Agora eu virei um livro? - Ele riu.

_ Pensei que você não quisesse que ninguém soubesse que você invadiu o meu quarto.

_ Não invadi o seu quarto, eu só tinha algo para perguntar.

_ E ficou no meu quarto.

_ Estava bêbada.

_ Eu duvido muito que você realmente estivesse. - Ele tinha razão, eu não estava bêbada. _ Você fica bem com essa cor. - Coçou a bochecha.

_ Obrigada. - Sorri para ele. _ Esse mercado tem varinhas? Preciso de uma, uma pessoa quebrou a minha e a fez evaporar.

_ Não fiz por mal, eu só não queria que aquela varinha te assassinasse. E sim, tem varinhas, mas eu não acho que elas irão satisfazer a sua magia.

_ Então eu preciso de ingredientes para fazer uma varinha.

_ Você vai pedir alguém para fabricá-la?

_ Não, eu sei fazer varinhas. - Ele me olhou impressionado. _ Não é tão difícil, tive que consertar e fazer muitas vezes as varinhas dos meus pais. Mas nunca consegui fazer uma para mim.

_ Podemos ver isso. - Concordei. _ Você acha estranho?

_ O quê?

_ Ficar aqui, você acha estranho?

_ Sou de uma época diferente, então eu acho estranho. Mas é legal viver em um lugar que só li em livros.

_ O que eles diziam sobre mim? - Vi ao longe várias barracas, ali deve ser o mercado.

_ Que você odiava tudo que não era puro e que acabou tendo uma discussão com os outros três fundadores e viveu em algum lugar.

_ Eles me retrataram tão obsessivo. - Ele tinha razão. _ Mas eu também não posso julgá-los, matei os meus pais. - Parei de andar e fiquei o olhando. _ O que foi?

_ Isso de matar os pais é genético? - Ele franziu a testa. _ Seu descendente também matou a família. - Dou de ombros.

_ Não acha estranho?

_ Só irei achar estranho se você tiver preservado os corpos dos seus pais no terceiro andar. - Ele começou a rir sem parar.

_ Não, eu não fiz isso. Mas as suas cinzas estão no subsolo, junto com os meus avós, bisavós e assim por diante.

_ Tão macabro. - Fiz a barra do meu vestido diminuir como sempre faço, mas dessa vez Salazar percebeu.

_ As pessoas irão estranhar.

_ Que estranhem, o que eles irão fazer? Me prender na fogueira e tacar fogo? - Ele não riu. _ Foi mal, sempre me esqueço que isso realmente aconteceu e às vezes eu concordo com a ideologia de Grindelwald.

_ E qual era a ideologia dele?

_ Bom, ele disse que os trouxas não são inúteis e tem sua própria função nesse mundo, mas eles deveriam se submeter a nós. Deveríamos parar de fugir e nos esconder.

_ Mas não seríamos atacados? Mais do que já somos?

_ Aí que entra a questão, iríamos matá-los, como eles nos matam.

_ Acho que concordo com ele, ele parece ser uma pessoa inteligente.

_ Mas fez muitas coisas e acabou sendo preso e morto.

_ Acho que se ele tivesse tido ajuda, talvez o que ele planejou pudesse ter sido concluído. - Chegamos no mercado. _ Não me deixe esquecer da galinha ou terei bafo de cerveja por uma semana sempre que eu acordar.

_ Por quê? Godric vai dormir com você por uma semana?

_ Por Magic, Leesa. Ele sempre vai entrar no meu quarto e soltar aquele hálito horroroso que ele tem.

_ Que coisa horrível. - Ele concordou e parei perto de uma tenda.

_ Elfos são vendidos assim, presos em gaiolas e levados à exaustão. Gostou de algum? - Franzi a testa e fiquei observando aqueles elfos que só usavam panos sujos.

_ Salazar, isso é pior que escravidão. Eles têm magia, não deveriam ser bem-tratados? Eu sei como é ficar dentro de uma gaiola e ser vista como nada, é um sentimento horrível e só quero proporcionar isso para certas pessoas. - Todas as pessoas que forem contra mim.

_ No futuro, eles...

_ Eles são bem-tratados, existe até uma lei para eles. - Não conseguia parar de observar.

Pareciam animais e estavam em uma situação horrorosa e o mau cheiro era incomodo. Paro de olhar e saio andando para parar de ver aquilo.

_ Não quer...

_ Depois. - Digo tentando não voltar e matar aquele homem. _ Depois eu escolho um. - Infelizmente não poderia tirar todos aqueles elfos dali.

_ Leesa. - Ele segurou o meu braço e isso me fez parar. _ Você quer salvá-los?

_ Não posso matar aquele homem na frente de toda essa gente.

_ Eu não estou falando de assassinar aquele homem...

_ Mas eu quero. - Ele me olhou rindo. _ Não ria de mim.

_ Ok, perdoe-me, mas você quer salvar aquelas criaturas?

_ Mas é claro que sim. - Espera. _ O que você está pensando em fazer?

_ Eu sei onde ele mora e sei que em sua casa existem mais elfos na mesma situação.

_ Você está insinuando de invadirmos uma casa e matar aquele homem?

_ Eu só estou dizendo que podemos tirar os elfos daquela situação.

_ E depois podemos matar aquele homem?

_ Santa Magic, Leesa. Nem eu sou tão sanguinário assim.

_ Só estou perguntando algo essencial para essa missão.

_ Primeiro temos que saber se os elfos estão presos em contratos, se estiver, temos que insinuar que eles foram livres e eles irão embora...

_ E onde eles irão ficar? Olha para eles, Sly. Acho que não conseguem nem andar.

_ Eles podem ficar em Hogwarts, a cozinha já está pronta e ter mais mão de obra será de bom tamanho, todos os meus elfos estão lá. - Por isso que não vi nenhum até agora. _ O que acha?

_ E depois posso matá-lo? - Salazar suspirou e me fez voltar a andar.

_ Claro, libere a sua sede de sangue e mate-o do jeito que você quiser.

_ Obrigada, gostei muito desse nosso plano.

_ Eu só espero que ele dê certo.

_ Acho que vai dar.

_ Você não tem uma varinha para se defender.

_ E quem disse que preciso de uma varinha para fazer magia? Salazar, fiquei anos sem uma varinha, acha que eu não aprendi a canalizar a minha magia pelas minhas mãos? Algo tão fácil.

_ Você sempre me impressiona. - Sorri para ele e começamos a ver as coisas. _ Concordo com o que você me disse antes de sair do quarto.

_ E por que você não fez o que eu disse?

_ Porque a pessoa que eu gosto vai embora e não quero ser egoísta de privá-la de fazer o que ela deseja.

_ Talvez se você contar sobre os seus sentimentos, ela fique.

_ Duvido muito, mas eu só a aprecio e não acho que possa evoluir para o amor.

_ E se evoluir? Você vai sofrer, não é melhor dizer o que você sente de uma vez? - Fui até uma barraca de livros. _ E você não sendo egoísta é novo.

_ Sou ambicioso e não egoísta. - Concordei lendo alguns títulos. _ E ela é a coisa mais bela e adorável que já vi e conheci em toda a minha vida, mas não quero prendê-la.

_ Você é bom demais, se fosse eu, teria a sequestrado e a trancado em algum lugar. - O homem da barraca me olhou assustado. _ Estou brincando, senhor.

_ Pequena rata, não sou esse tipo de pessoa que você pensa que eu sou.

_ Não estou dizendo que você é assim, só estou dizendo algo que várias pessoas fariam. Você é bom, Sly. E isso que é a coisa mais impressionante. - Deixo os livros para lá e comecei a andar novamente. _ Todos retratam você como um demônio.

_ E você acreditou? - Talvez.

_ Não, não gosto de julgar livro pela capa e nem pela sinopse.

_ Eu ainda não te dei o seu ouro, me perdoe, esqueci completamente. - Olhei para o meu anel e discordei.

_ Acho que posso fazer algo sem usar o seu ouro, Sly. Só preciso aprender a manipular ouro negro, mas bem pequeno. - Mostrei o meu dedinho.

_ Quem te deu? - Segurou a minha mão e alisou o anel e logo ele retirou os seus dedos no meu anel. _ Tem um feitiço poderoso no seu anel.

_ Sério? Nunca senti nada. - Digo olhando para o anel.

_ E eu também não, mas quando eu o toquei, senti como se pudesse morrer em questões de segundos. Mas eu não sei qual é o feitiço.

_ Bom, isso só me faz ter mais vontade de ter esse anel como o meu vira-tempo e um dia eu vou saber tudo sobre ele, um dia. - Ele concordou e tirou a sua mão da minha. _ Mas quem é a mulher?

_ Você não a conhece.

_ Talvez eu já tenha lido algo sobre ela.

_ Acho que não. - Ele não queria falar e eu não queria insistir. _ Vamos pegar a galinha daquele idiota.

_ Sim, senhor.

_ Depois podemos comprar o elfo e ver se ele está livre ou não.

_ Se eles estivessem livres, eles não poderiam aparatar?

_ Não se sua magia foi contida. - Algemas de contenção de magia.

_ Mas eles não tinham algemas.

_ Mas tinham coleiras, talvez sejam elas.

_ Talvez. - Paramos na barraca e tinha várias galinhas, galos e pintinhos.

_ Ah, senhor Slytherin, tanto tempo sem ver o senhor.

_ Realmente é muito tempo, Lenny. - O homem me olhou.

_ O senhor arrumou uma esposa tão bonita, não fiquei sabendo que já tinha se casado. - Oi?

Olhei para os lados e tentei achar Morgana ou outra pessoa, mas só tinha eu e Salazar nessa barraca.

_ Ah, sim. Ela quis que o nosso casamento fosse escondido da população. - Salazar me abraçou de lado e eu só queria saber o que estava acontecendo. _ E hoje ela cismou que queria ensopado de galinha. - Sou Godric agora?

_ Já posso ver a barriga crescendo. - Barriga? Santo Merlim, essas pessoas inventam cada coisa. _ Como não quero ser a pessoa que negou uma galinha a senhora Slytherin, eu vou te dar a melhor que tenho e não precisa pagar. É um presente de casamento atrasado.

Salazar é rico, ele não vai aceitar essa galinha de graça.

_ Eu não sei como agradecer a sua bondade, Lenny. - Fico chocada, ele acabou de aceitar aquela galinha? E de graça?

_ O que acha dessa galinha? Eu acho que dará mais sustância para a sua barriga crescer sem riscos. - Eu já posso rir?

Olhei a galinha e olhei para Salazar e sorri educada pada o homem.

_ Isso é adorável de sua parte, senhor. Meu filho ficará imensamente grato pela sua bondade. - É de graça, temos que aproveitar.

_ Que mulher educada, você escolheu bem, senhor Slytherin. - Agora sou mercadoria para ser escolhida?

_ Na verdade, foi ela quem me escolheu. Não iria conseguir ter o seu coração se ela não tivesse me escolhido.

_ Você é um romântico, senhor Slytherin. - Entregou a galinha para Salazar. _ Quando nascer, me conte e lhe darei mais uma galinha como presente.

_ Claro. - Sorrimos e fomos embora levando aquela galinha que não parava de se mexer.

_ Agora eu estou grávida e casada. - Ele tirou o braço dos meus ombros e riu. _ O que mais eu terei que mentir?

_ Talvez... - Ele balançou a cabeça discordando do que ele iria falar. _ Você ficaria fofa estando grávida.

_ Sério? - Olhei para baixo e tento me imaginar. _ Não consigo ver essa cena, parece tão irreal. E não consigo imaginar ninguém ao meu lado.

_ Pensa em ficar sozinha para sempre?

_ Com vários gatos na minha casa e comendo sorvete enquanto assisto algo na TV trouxa.

_ Os gatos eu entendi.

_ Um dia explico tudo. - Voltamos para o homem que vendia os elfos.

_ Senhor Slytherin, veio comprar mais um elfo?

_ Sim, mas dessa vez é para a minha esposa e acho que ela irá precisar de um ou dois.

_ Não sabia que era casado, mas, meus parabéns. - Dessa vez não teremos elfos de graça. _ Por favor, senhora. Escolha o que mais lhe agrada.

_ Obrigada. - Sorri e só imaginava o matando.

Eu sei que não sou uma santa e as coisas que irei fazer deve ser pior que torturar e vender elfos como mercadoria. Mas eu farei com pessoas que me machucaram, farei com pessoas que se opõem a mim.

Não farei nada com criaturas mágicas, bom, se elas ficarem do meu lado ou ficarem quietas em seu canto. Não faço isso por maldade ou crueldade, mas farei por prazer e vingança.

Fiquei observando os elfos que tremiam apenas por me olharem e vejo uma elfa. Seus olhos grandes e verdes me lembravam os meus olhos, me lembravam quando estava quase na mesma situação que ela, mas também me lembravam das vestes de Salazar.

_ Ela. - Apontei para a elfa. _ Eu a quero.

_ Ótima escolha, senhora. - Sorriu o homem. _ Eles já estão livres, só tenho que tirar esse colar e você pode fazer o contrato.

_ Que ótima notícia. - Sorri amplamente. _ E todos os elfos são livres?

_ Sim, bom, menos os elfos que tem contrato comigo. - Falou e puxou a elfa pelo braço e a jogou aos meus pés. _ Ela é um pouco malcriada, mas nada que um pouco de disciplina não resolva.

_ Claro. - Suspiro fundo e tento me agachar no chão, mas Salazar me impediu.

_ Querida, você está grávida. Não pode fazer isso e se você tiver alguma complicação?

_ Mas você está com a galinha em mãos, como eu vou tirar o colar? - Claramente ele poderia levitar a galinha, mas eu acho que ele não queria fazer isso. Nós nos olhamos e olhamos para o homem.

_ Claro, eu tiro. Não sabia que teríamos um herdeiro da família Slytherin a caminho. - Ele se aproximou da elfa e tirou o colar dela e me olhou. _ Faça o contrato, antes que ela recupere um pouco de sua magia.

_ Ah, sim. - O homem a levantou e seguro a sua mão ossuda e começo a proferir o feitiço de ligamento e isso me lembrou o meu juramento.

Eu vou libertar ela quando eu me for e ela poderá ser um elfo livre, como Dobby.

_ Tome. - Salazar entregou cinco galeões ao homem e o vejo morder as moedas.

_ Muito rico, senhor Slytherin. Como sempre. - Sorriu maldoso e fico desconfiada sobre isso.

De onde vinha o dinheiro de Salazar? De onde estava vindo o dinheiro que estava fazendo Hogwarts ser erguida?

Eu nunca parei para pensar nisso, mas era algo que me deixou intrigada agora.

Vejo Salazar levitar a elfa e fomos andando.

_ O que está pensando?

_ De onde você arrumou tanto dinheiro.

_ Acha que eu matei várias famílias e roubei os cofres?

_ É uma boa alternativa, mas aquele homem não iria falar daquele jeito.

_ Um dia eu te falo onde sai o meu dinheiro. Mas não hoje, hoje temos que ver o céu. - Sorriu de lado e concordei.

_ Acabamos não vendo ingredientes para a minha varinha. - Digo me distanciando do mercado.

_ Está tudo bem, podemos voltar outro dia. - Concordei.

Andamos um pouco e logo eu podia ver a casa de Salazar. Algumas mulheres me cumprimentaram e pediram que eu as visitasse a qualquer dia. Elas eram uns amores.

Chegamos no nosso destino e falo a senha para a porta e a abro. Mas logo a fechei novamente para não ser atingida por uma faca. Salazar olhou para a lâmina que atravessou a porta assustado.

_ Você está bem? Se machucou em algum lugar? - Largou a galinha flutuando ao nosso lado e começou a tocar o meu rosto com preocupação.

_ Sim, eu estou bem. - Mas ele não acreditou e olhou cada centímetro do meu rosto. _ Salazar... - Ele não escutou.

Peguei as suas mãos e as apertei.

_ Está sentindo dor? - Seus olhos estavam aflitos, na verdade, ele estava muito preocupado. _ Precisa que eu chame um curandeiro?

_ Salazar, eu estou bem. Senti a faca sendo arremessada por magia e por causa disso que pude reagir rapidamente. Estou bem. - Tento falar o mais calma possível e vejo a porta se abrir.

_ Você está bem, Leesa? - Helga me olhou apreensiva. _ Estava tentando ajudar Godric a cortar os legumes, mas eu sou um desastre na cozinha e acabei usando magia para me ajudar...

_ Mas ela acabou se cortando e a sua magia reagiu jogando a faca para o mais longe dela. - Rowena complementou e me olhou. _ Você está bem? - Ela olhou para as mãos de Salazar no meu rosto e sorriu de lado.

_ Não vê que ela está pálida? Acho que devemos...

_ Eu estou bem e sou pálida por natureza, ainda mais que não tenho mais manchas vermelhas e... - Paro de falar e tiro as mãos de Salazar do meu rosto. _ Obrigada pela preocupação de vocês, mas eu estou bem e viva. - Sorri.

Vejo todos respirarem em alívio e nós entramos na casa. Salazar fez que a galinha fosse até a cozinha e me levou para o andar de cima. Vejo Rowena tirando a faca da porta e sorriu para mim.

Abro a porta do meu quarto e me sento na minha cama, vendo Salazar colocar a elfa no chão e tirar o feitiço de levitação. Ele fechou a porta e se sentou ao meu lado.

_ A elfa maldita não tem nome, mestra...

_ Não lhe chame assim, você não é maldita. - Os olhos da elfa brilharam e tentou se punir batendo a sua cabeça no chão de pedra.

Mas me levantei, me ajoelhando no chão e segurei a sua cabeça.

_ Não se machuque, eu não estou te repreendendo e você não precisa fazer nada que foi ensinada por aquele homem. Ok?

_ A elfa ma... A elfa não sabe como agradecer a mestra.

_ Apenas me chame de Leesa e aquele ali é Salazar.

_ São os meus mestres. - Iria falar que não, mas tecnicamente era.

_ Como você não tem um nome, que tal eu te chamar de Debby?

_ Debby gostou do nome, Debby está feliz pelo nome que a mestra me deu.

_ Fico feliz por isso. - Sorri e alisei seu rostinho e faço uma magia de limpeza em seu corpo.

A elfa ficou maravilhada e quase chorou.
Transfigurei uma roupa minha e a entreguei, ela me olhou sem entender.

_ Não quero que você não viva livremente, Debby. Então, eu estou te presenteando com uma roupa e te libertando do contrato. - Pensei em ficar com ela e apenas a libertá-la quando eu fosse embora.

Mas não seria justo, eu sei como é se sentir presa e é horrível.

_ Debby não foi do agrado da minha mestra?

_ Não é nada disso, Debby. Mas eu irei embora algum dia e acho que ser livre é muito melhor do que ficar trabalhando para alguém. Mas se você quiser, você pode ficar aqui. - Olhei para Salazar e ele concordou.

_ Por que a mestra vai embora?

_ É uma longa história, mas um dia eu te conto. - Ela concordou e aceitou a roupa que eu fiz para ela.

_ Debby agradece.

_ De nada. - Me levantei e me sentei ao lado de Salazar e ele pegou o meu braço e começou observá-lo. _ O que foi?

_ Você é destra.

_ Sim, por quê?

_ Por nada...- Disse tirando de sua manga a sua varinha e sussurrou algo para ela.

Sua varinha era bonita, tinha algumas lascas verdes em algumas partes, tão Sonserino.
Ele colocou a sua varinha na minha mão e eu a apertei para ela não cair, ele ficou analisando e fazendo que os meus dedos apertassem a base arredondada de sua varinha.

_ O que você está tentando saber?

_ Nada. - Sei...

Não falo nada, só o deixo fazer o que ele queria fazer com o meu braço e não demorou muito para ele se levantar, pegar a sua varinha e sair do quarto.

_ Você entendeu alguma coisa? - Perguntei para a Debby que girava com o seu vestido.

_ Não, mestra. - Concordei e apoiei a minha cabeça na mão e fiquei pensando em tudo e, ao mesmo tempo, em nada.

Peguei a minha bolsa e tiro os meus materiais para fazer o vira-tempo. Antes de ir para a mesa que tinha no quarto, eu olho para o meu anel e penso se era sensato usá-lo para aquele propósito.

Esperava que Dragon não se importasse desse anel ter outra função.

Levantei-me da minha cama, levando os materiais comigo e os coloquei na mesa. Sentei-me na cadeira e retirei o anel do meu dedo e ele voltou a ser como era antes, vai ser mais difícil assim.

Mas vamos lá, não posso ficar colocando defeito em algo que nem comecei.

_ Mestra, a Debby pode ajudar... - Olhei para trás e a chamei.

_ Estou tentando fazer algo que me faça ir embora, mas vai ser um pouco difícil.

_ Difícil quanto? - Se sentou na mesa.

_ Não sei como comparar essa dificuldade. - Ela concordou e comecei a tentar manipular o ouro.

Eu tinha que ter paciência, ouro era maleável, leve e poderia formar qualquer coisa. Só precisava de concentração e muita, muita paciência.

Algo que aos longos dos anos eu perdi em vez de ganhar.

O anel ficou flutuando no meio das minhas mãos e algo que estava em um círculo quase perfeito, se tornou espinhoso e uma bolinha pequena, mas era maior que uma ervilha e menor que um grão de arroz.

Fechei um olho e canalizei um pouco de magia dentro da bolinha e ela ficou em uma bolinha perfeita. Ok, vamos com calma.

O que eu estou tentando criar é algo totalmente diferente dos vira-tempos que já foram criados. Ele não terá o formato de um relógio, mas de um anel. Como ele irá funcionar?

Isso é algo que vou pensar ainda. Primeiro vamos ver se consigo fazer várias formas com o ouro, se eu conseguir, já penso no que eu posso fazer.

Coloco mais um pouco de magia e a bolinha começou a ficar espinhosa novamente. Então eu vou tirando a minha magia aos poucos e quase retirando tudo que coloquei, ela voltou ao normal.

Então esse anel aguenta feitiços poderosos, mas não aguenta magia pura. Isso vai ser difícil, eu não sei nenhum feitiço de tempo, nem sei se existe esse tipo de feitiço, sem ser o feitiço de ver horas.

Terei que criar um e isso me faz pensar que não vou ficar algumas semanas aqui e sim, meses, talvez anos. Mas não ligo muito para isso, posso controlar o tempo e controlar a minha forma física.

Não tenho o porquê de ficar impaciente para ir para o futuro que nem é o futuro de fato. Não tem nada lá para mim, nada que valha o tempo que irei perder lá.

Bom, apenas um garoto sem saúde mental e que só precisava de um abraço e de terapia extensiva. Mas não posso julgá-lo, estou no mesmo caminho e olha que ele só quer a destruição da minoria, eu quero a destruição de tudo.

Paro de manipular o ouro e ele voltou a ser um anel normal. Abro o olho e fico emburrada.

_ Não deu certo, mestra?

_ Não, tenho que inventar outra coisa. - Deixo o anel em cima da mesa e peguei as coisas que precisava para inventar um feitiço.

Talvez um canalizador de magia pura em vez de feitiço resolvesse. Mas um canalizador tem que ser adequado para a minha magia e não para o anel.

E se as varinhas me odeiam, canalizador me odeia duas vezes mais. Então não posso ir para o lado mais rápido e fácil, tenho que ir para o mais difícil.

Primeiro, tenho que imaginar o que eu realmente quero.

Quero que o anel seja apenas usado por mim, então ele tem que ter uma trava de segurança para terceiros e isso ele já tem, mas o vira-tempo não.
Quero um display que dê para mudar a data com a minha magia, para não ter o erro que ele mude sozinho sem o meu consentimento.

Talvez eu também queira que esse feitiço contenha a possibilidade de continuar na mesma realidade, não quero mudar de novo. Mas qual é o nome dessa realidade? Será que é número? E se for? Qual seria o número? Tenho que ver sobre isso.

Mas esse anel precisa aguentar a minha magia e o pó de vira-tempo. Se ele não aguenta um, imagina o outro. É bem capaz dele sumir no mesmo segundo que eu colocar um grão do pó dentro dele.

Vira-tempo era algo mais fácil quando eu apenas observava a mamãe. Queria saber como ela era tão boa fazendo vira-tempo, ela aprendeu com alguém? Provavelmente, mas quem?

Isso é algo que também deveria descobrir, mas só quando eu estivesse naquele tempo.

Começo a fazer cálculos para um feitiço que pudesse fazer tudo isso que imaginei e um pouco mais. Faço uns desenhos pequenos embaixo dos cálculos, sobre o modelo do display que eu estava pensando.

Alguns cálculos deram errados, outros se aproximavam daquilo que eu queria. Mas nenhum eram exatos, mas eu não desisti.

Continuei escrevendo e desenhando, mas eu vi quando a elfa dormiu sentada e eu a coloquei na minha cama e a cobri. E depois continuei fazendo o que eu tinha que fazer.

Ninguém entrou aqui para me chamar ou algo do tipo e eu agradecia por isso. A titia sempre me atrapalhava nas melhores horas.

Às horas começaram a se passar sem que eu percebesse e o sol bateu nos meus olhos, o que me incomodou bastante e tive que colocar minha mão na frente da luz para que eu pudesse olhar para o lado de fora.

_ Tempus. - Falo e vejo que já era quase cinco da tarde.

Meu estômago roncou e comecei a arrumar todos os papéis e ferramentas que tirei para fora. Coloco o meu anel no meu dedinho e ele se transformou no anel simples. Levantei da cadeira e olho para a elfa que continuava dormindo, ela deve estar cansada.

Eu a entendo, quando saí do ministério eu só queria dormir, mas não pude dormir muito por causa da titia.

Saio do quarto e vejo que a porta do quarto de Salazar estava aberta e ele estava fazendo alguma coisa, não queria o atrapalhar. Então saio dali antes que ele me percebesse.

Sinto um forte cheiro de comida e não era enjoativo, só aumentou a minha fome. Godric era um cozinheiro de mão cheia e sempre fazia o meu estômago implorar por mais.

_ Já ia subir para chamar vocês. - Rowena falou sorrindo. _ Godric acabou de cozinhar.

_ Pelo cheiro deve estar divino.

_ Eu provei um pouco do caldo e está mais que divino. - Sorriu subindo, acho que ela iria chamar Salazar.

Desço os últimos degraus da escada e vou para a cozinha e dessa vez todas as facas estavam bem longe de Helga, para a minha sorte.

_ Pensei que você tinha morrido no seu quarto. - Godric me sentou na cadeira.

_ Só estava fazendo alguns experimentos. - Sorri vendo-o colocar o prato de ensopado na minha frente.

_ Espero que esteja do seu agrado. - Sorriu. _ Salazar, eu achei que você tivesse morrido.

_ Estava fazendo alguns experimentos. - Deu de ombros e se sentou ao meu lado em vez de sua cadeira costumeira. _ Isso ficou bom? - Me perguntou, enquanto colocava o ensopado no seu prato.

_ Está divino, Godric nunca erra. - Salazar me olhou e riu.

_ É porque você não tinha que provar aquelas comidas feitas de barro e dizer que estavam ótimas.

_ Eu era uma criança, seu idiota. - Godric deu um tapa em sua cabeça. _ E por causa dessas comidas que sou muito bom em cozinhar.

_ Você deveria ter aprendido a cozinhar sem precisar me usar como cobaia. - Provou o ensopado. _ Está faltando tempero.

_ Enfia esse tempero... - O homem bufou e jogou a pimenta para Salazar. _ Está bom assim?

_ Não sei, ainda não provei novamente. - Salazar gostava muito de irritar os seus amigos e isso era divertido.

Não sendo comigo, era muito divertido. Continuei comendo e as meninas logo apareceram e começaram a comer. Godric se sentou por último e sempre elogiava a sua comida. Realmente estava ótima.

_ Você deveria ter colocado mais tempero, mas está bom. - Godric olhou para Salazar que limpava a boca e seu olho esquerdo estava sofrendo de um tique.

_ Posso matá-lo?

_ Godric! - Dissemos rindo.

_ Ele é uma pessoa irritante, odeio ele. - Falou emburrado. _ Estava faltando tempero?

_ Não. - Dissemos e até mesmo Salazar falou rindo.

_ Seu idiota. - Jogou a colher, mas Salazar desviou. _ Você vai ficar sem comer a minha comida por uma semana.

_ Eu morrerei de fome. - Disse perplexo. _ Vamos lá, Godric. Não seja ranzinza.

_ Quem é ranzinza não sou eu, é você.

_ Ele está certo. - Digo colocando mais lenha na fogueira.

_ Pequena rata! - Ele me olhou magoado.

_ Você é o melhor ranzinza que já conheci. - Dei um joinha para ele.

_ Tento fazer o meu melhor. - Sorriu e revirei os olhos. _ Vem, eu preciso te mostrar algo. - Ele se levantou e mais uma vez ele estendeu a mão para mim e aceitei.

_ A gente vai arrumar as coisas para irmos para a montanha. - Rowena gritou quando já estávamos subindo a escadaria correndo.

Parecíamos duas crianças que iriam aprontar alguma coisa e era algo tão divertido. Ele me levou para o seu quarto e me fez sentar na cadeira que arrastei ontem.

Fiquei o olhando e ele pegou dois potinhos e me olhou.

_ O quê?

_ Passe apenas o seu dedo por cima desse potinho e depois no outro. - Franzi a testa, mas não fui malvada e logo fiz o que ele me pediu.

Passei o meu dedo indicador no primeiro potinho e o conteúdo do potinho se encolheu e se não fosse pela tampa teria fugido para bem longe.

_ O senhor está fazendo uma varinha?

_ Sim, eu quero tentar fabricar uma varinha para mim.

_ E sou a cobaia por qual motivo?

_ Bom, sua magia requer um núcleo e madeira altamente fortes, e quero uma varinha poderosa o bastante para aguentar feitiços por um longo tempo.

_ Por isso que sou a cobaia perfeita.

_ Sim.

_ Mas você não...

_ Se eu testar, acabarei com uma varinha fraca e talvez igual à minha. Eu quero algo potente.

_ Mas a varinha não vai te respeitar.

_ Eu posso criar uma que me respeite, apenas usando o melhor dos ingredientes. Agora, continue.

_ Tudo bem. - Passei o dedo pelo último potinho e aconteceu exatamente a mesma coisa que o outro potinho. _ Seu experimento acabou de fracassar.

_ Tenho tempo para achar outros núcleos. Agora vamos para essas madeiras. - Deixou os potinhos em cima da mesa e entregou uma madeira como marfim, mas ela começou a pegar fogo e a entreguei rapidamente.

_ Acho que nada gosta da minha magia.

_ Eu gosto. - Disse colocando a madeira na mesa. _ Ela é intrigante como você.

_ Levarei isso como um elogio. - O vejo sorrir de lado.

Olho para fora e a luz do dia já estava se indo e meus pés começaram a bater rapidamente no chão, Salazar percebeu e logo fez as velas do quarto se acenderem.

_ Só precisamos acender as velas e tudo ficará bem.

_ Mesmo as acendendo, as memórias e as marcas não irão embora com a luz trêmula dessas velas. - Ele largou a madeira que estava em sua mão, se agachou no chão e segurou as minhas mãos.

_ Leesa, eu não sei exatamente o que aconteceu no seu passado, mas saiba que mesmo eu estando morto em seu futuro, sempre irei querer o seu bem e irei te proteger de qualquer mal. Até que você tenha uma pessoa que seu coração, corpo e alma escolheu confiar.

_ Não terá essa pessoa, nunca mais. - Alisou minhas mãos.

_ Nunca diga nunca, Leesa. - Beijou as minhas mãos. _ Eu queria que você ficasse para sempre, mas não acho que você irá abandonar tudo por causa de um pedido egoísta e idiota. E eu respeito isso, tenho que respeitar... - Encostou sua testa na minha mão e ficamos assim.

_ Você é uma pessoa maravilhosa, Salazar. E você merece o mundo, mas o mundo não merece você.

_ Não, o mundo me merece, eu que não mereço o mundo... - Sussurrou.

_ Antigamente eu pensava que você tinha criado pessoas apenas para serem vilãs. - Ele me olhou sem entender.

_ O que quer dizer?

_ Salazar, no futuro, a sua casa vai ser retratada como a casa dos vilões. Todas as pessoas que vão para a sua casa se tornam vilões. Bom, a grande maioria.

_ E isso é mal? Não vejo problema nenhum nisso.

_ A Sonserina é a casa dos gloriosos, são das lendas... - Peguei o seu rosto para que ele me olhasse. _ Você criou pessoas poderosas, Salazar. E você merece o mundo apenas por ser você. Seja egoísta e queira o mundo e depois pise-o como se ele não fosse nada do que um grão de areia em seus sapatos caros. É isso que eu estou tentando dizer.

_ O mundo que você quer que eu pise, não merece isso. Mas o mundo real, sim. Ele merece que eu o esmague até não sobrar nada. - Ele se levantou e olhou a vela que queimava. _ Eu matei os meus pais apenas por puro egoísmo e capricho... - Ele me olhou e me levantei. _ Sou um monstro por isso?

_ Um dos mais belos que já conheci. - Fui até ele e alisei o seu rosto. _ As pessoas julgam aquilo que elas acham errado, mas elas sempre dizem que errar é humano. Mas quando nós erramos, elas apontam seus dedos imundos para nós. - Ele segurou a minha cintura e pegou uma de minhas mãos e começou a dançar comigo pelo quarto.

_ Ou quando você está no lado deles, eles te chamam de herói, te glorificam e dizem que os meios que você usou não foram errados se para isso acabou com a maldade do mundo. - Me girou no lugar.

_ Mas no momento em que sua opinião muda, os seus conceitos e ideais diferem daquelas mentes pequenas e retrógradas. Eles começam a dizer que você enlouqueceu, te chamam de débil mental e que está no caminho errado da salvação. - Completei. _ Somos um bando de vilões perante o mundo, mas eu prefiro ser a vilã do que sorrir para aqueles que me machucaram.

_ O mundo poderia explodir...

_ Eu farei isso, que pena que você não poderá ver e rir comigo. - Rimos enquanto continuávamos dançando. _ Irei ver todos como traidores, Salazar. Verei todos como os meus inimigos quando eu pisar naquele futuro.

_ Estarei com você, mesmo que eu seja apenas um fantasma.

_ Eu vou ser a destruição, Sly. Vou ser a vilã daquele mundo em vez da pessoa que sou obrigada a salvar. Você ainda ficará comigo? - Perguntei apertando a sua mão.

_ Sempre. - Sorriu e continuamos dançando.

Eu não sabia o motivo dele querer dançar comigo, mas não era tão ruim assim. Era bom, era como se estivéssemos pisando nos destinos de cada pessoa que eu iria manipular e matar.

Essa dança não tinha música, mas eu poderia escutar uma bela melodia na minha cabeça. Não aquela que aquele homem colocou em todas as minhas torturas e fez que a minha cabeça só pensasse naquela música. Era outra, uma mais melódica e envolvente e que fazia meu corpo ansiar pelo futuro e de me desconectar do meu passado.

_ Salazar? - Rowena bateu na porta e paramos de dançar. _ Já está tudo pronto, só faltam vocês.

_ Já estamos indo. - Disse me olhando. _ Depois podemos continuar com o meu experimento.

_ Adoraria. - Sorri me distanciando dele. _ Essa dança será uma memória inesquecível, obrigada. - Faço uma mesura para ele.

_ Me conceda mais danças enquanto você estiver aqui.

_ Claro. - Sorri para ele e fui até a porta, mas ele me chamou antes que eu saísse.

_ Você é incrível, Leesa. Não se esqueça disso nem por um segundo.

_ Com você me dizendo isso, sou incapaz de esquecer. Te vejo no andar de baixo.

_Ok. - Saio do seu quarto e vou para o primeiro andar.

Rowena estava carregando uma cesta e Godric estava carregando pelo menos três cestas. Helga não estava aqui ainda, mas provavelmente ela também levaria uma cesta.

_ Eu posso ajudar? - Pergunto chegando perto deles.

_ Preferimos que você tome conta do nosso rabugento favorito. Às vezes ele some do nada e quando vamos ver, ele já está no terceiro sono em sua cama. - Rowena riu enquanto falava.

_ Eu não sei o motivo dele concordar em querer ir com a gente, ele sempre some. - Godric resmungou.

_ Eu fico cansado e não aguento como vocês. - Salazar disse enquanto descia a escadaria. _ Sou um velho que gosta da minha casa ao invés de sair e beber como idiotas. - Ri e ele me olhou. _ Não concorda comigo?

_ Claro. - Ele revirou os olhos.

_ Estou pronta, vamos. - Helga apareceu carregando uma cesta.

Saímos de casa e fomos andando na direção oposta do mercado que, na verdade, não era tão longe ou era e não reparei.

_ Devo pedir desculpas por usá-la para ganhar a galinha de graça.

_ Está tudo bem, eu me diverti. Apenas não sei como você vai reverter essa situação quando eu me for.

_ Posso falar que você morreu no parto e o bebê também. Ou posso dizer que alguém assassinou você.

_ Todas as suas escolhas me envolvem morrendo.

_ Preciso ganhar condolências e mais coisas de graça. - Por Merlim.

_ Vou usar isso futuramente. - Ele concordou.

_ E eu não quero falar coisas que podem acabar com sua reputação, então não falarei que você fugiu ou encontrou outra pessoa.

_ Agradeço.

_ Eu odeio subir esse morro. - Gritou Rowena. _ Godric, me carregue.

_ Estou carregando nem a mim, imagina você. - Ele entregou uma cesta para cada uma delas e só ficou com uma. _ Suba. - Se agachou no chão e vejo Rowena e Helga se sentando nos braços de Godric. _ Foi mal, Leesa. Não dá para te levar.

_ Está tudo bem, eu prefiro andar. - Ele concordou e subiu o morro com elas em seus braços. _ Ele é tão forte.

_ Quer que eu te carregue também? - Olhei para ele rindo.

_ Não, obrigada. Eu prefiro andar. - Olhei para o céu que já estava completamente escuro e faço um lumos sair dos meus dedos. _ Odeio a escuridão por causa dos meus dias de tortura. Às vezes eu via pessoas e elas tentavam me matar, não conseguia dormir e uma música sempre tocava dentro da minha cabeça.

_ E você com certeza quer vingança dessas pessoas, não é? - Concordei sorrindo.

_ Mas se ele não tivesse morrido, eu não iria pensar nisso. Perdi um grande amigo para a morte e perdi a minha família para o tempo. Eu tenho que ficar com raiva, não é?

_ Você não tem que justificar nada, Leesa. Se você quer matar e destruir o mundo, eu só posso concordar e te apoiar. - Segurou a minha mão e a apertou.

_ Isso me deixa mais confortável e aceita nessa era.

_ Tento fazer o meu melhor. - Continuamos subindo, mas sinto-o alisar o meu dedo anelar. _ Seu dedo é tão pequeno e fino.

_ Nunca pensei por esse lado.

_ Você muitas vezes não pensa por muitos lados.

_ Acho mais fácil. Pensar cansa e dói a cabeça, prefiro fazer uma coisa de cada vez.

_ Mas sempre do seu jeito.

_ Exatamente, acha que eu sou muito controladora?

_ Não. - Ele iria dizer algo, mas preferiu não falar.

_ Vocês são lerdos demais. - Godric já estava sentado no chão comendo um cacho de uva.

As meninas também estavam ao seu lado e as coisas flutuavam e se colocavam no lugar com magia. Salazar largou a minha mão e disse:

_ Somos pessoas que não gostam de correr, ao contrário de certas pessoas. - Salazar alfinetou.

_ Não, isso se chama velhice. - As meninas riram.

_ Você também está velho. - Salazar sorriu enquanto provocava.

_ Todo mundo que está aqui é velho, menos eu, eu tenho apenas 15 anos. - Sorri enquanto terminava de subir o morro.

_ Mas você é a mais nova de nós. - Helga falou enquanto se deitava na grama. _ O céu está realmente impecável e você nunca decepciona, Rowe.

_ Tento o meu melhor. - Fico observando o céu e era tão bonito.

Fiquei tanto tempo olhando para um teto preto, que me esqueci das belezas que esse mundo possui. Tão mágico, tão meu.

_ Está olhando para o céu imaginando todos caídos aos seus pés? - Salazar sussurrou no meu ouvido e me arrepiei.

_ Você me conhece tão bem. - Continuei olhando para o céu. _ Se você visse agora uma estrela cadente, o que você pediria?

_ Que a pessoa que passei admirar ficasse para sempre ao meu lado e você?

_ Não sei. - Escuto os três começarem a bater palmas e os pés. _ O que eles estão fazendo?

_ Dançando. - Riu e me puxou para a pequena roda que se formou.

Não sabia onde estava saindo o som da flauta ou como eles sabiam perfeitamente quando bater os pés e as mãos. Mas era algo intenso e interessante.

Não sabia o ritmo da música, mas logo peguei o jeito, um pouco desengonçado, mas peguei. Todos estavam rindo tão contentes que meu peito inflou de felicidade e pensei se eu poderia ficar aqui, se eu poderia parar esse momento para sempre.

Rodamos as saias dos nossos vestidos em nossos corpos e fizemos várias caras e bocas para os dois que batiam palmas e nos viam rodar envolta deles.

A música se acalmou, mas meu coração não. Ele queria mais dessa sensação, desse sentimento entorpecente.

Salazar fez uma mesura e fiz outra. Ele me puxou pela cintura e começamos a dançar como dois loucos e os três batiam palmas no ritmo. Meus pés tentavam acompanhar aquela dança maluca, mas envolvente.

Giramos e quase pisei em seus pés umas milhares de vezes, mas nada me impedia de continuar sorrindo. Godric me retirou do aperto de Salazar e dançou comigo.

Ele ria enquanto me girava no lugar e ria enquanto Salazar falava alguma coisa com sua face rabugenta de sempre. Eu me soltei de Godric e puxei Rowena para a dança e começamos a dançar.

Eu a conduzia e ela ria tanto que pensei que ela pudesse ter dores em suas bochechas. As palmas batiam no ritmo do meu coração e logo soltei a Rowena e puxei Helga.

A melodia ficou feroz e meus pés se alegraram por algum motivo. A lufana era uma dançarina maravilhosa e ela me conduziu na dança. Eu agradecia muito por Draco ter tido a paciência de me ensinar a dançar.

Vejo pelo canto do olho Salazar e Godric dançando juntos e queria uma câmera para guardar essa memória maravilhosa. A dança estava terminando e as risadas não paravam.

Era assim que era ser livre? Essa felicidade era tão boa, era mágica. Era um sentimento inesquecível.

A música acabou e eu respirava rapidamente, meu peito subia e descia e a Helga estava vermelha, mas era algo fofo.

_ Nunca me diverti tanto. - Sorri empolgada. _ Isso foi tão maravilhoso.

_ Devemos fazer mais se você gostou. - Helga sorriu e fez uma mesura e logo fiz outra. _ Você dança super bem.

_ E você também. - Ela sorriu e foi se sentar na grama.

_ Vejo que se divertiu. - Salazar ficou ao meu lado e concordei sorrindo. _ Você fica muito bonita quando você está se divertindo, você fica linda quando sorri. - Colocou uma mecha do meu cabelo atrás de minha orelha. _ Você é a coisa mais...

_ Salazar, venha, tome um pouco de rum comigo. - Godric o levou para longe de mim e fico imaginando o que mais ele iria falar.

Ele gostava de mim? Eu não sou tão estúpida com o QE baixo. Mas o que fiz para ele gostar de mim? Eu não fiz nada, apenas fui simpática com ele e se ele gosta de mim, então a pessoa que ele queria que ficasse aqui, provavelmente sou eu.

Mas eu não poderia ficar, não vou largar a minha vingança para ficar aqui. Eu não sirvo para ficar aqui, não sirvo para ter alguém ao meu lado.

Eu sou egoísta, sou extremamente controladora e tudo tem que ser do meu jeito.

Olhei para Salazar que sorria feliz...

Eu sou bem melhor sozinha e assim não machuco ninguém com o meu jeito egoísta. O amor me anestesiou de tal forma, que tenho medo de me machucar novamente e tenho medo de perder as pessoas novamente, eu tenho medo.

Romance não vai entrar em meu corpo e no meu coração, eu vou pegar esse amor e destruí-lo com os meus próprios dedos. Mesmo que isso doa na pessoa que disse que iria ficar sempre comigo.

Ninguém fica para sempre...

_ Leesa, prove um pouco de vinho. - Rowena gritou e vou até ela.

_ Bom, nunca provei vinho. - Me sentei ao seu lado.

_ Se ela ficar bêbada, você que vai cuidar dela. - Salazar gritou enquanto engolia todo o conteúdo do seu copo.

_ Como você sabe que ela vai ficar bêbada apenas com uma taça? - Helga perguntou desconfiada.

_ Sabendo. - Não disse mais nada e pego a taça e provo o conteúdo.

O gosto doce da uva era algo que me fazia querer beber todo o conteúdo da taça, mas quando engoli o líquido completamente, veio aquele toque amargo do álcool. Não era ruim, era muito melhor do que aquele whisky que provei.

_ Gostou? - Rowena perguntou colocando a mão na boca.

_ Sim, é muito bom. Bem melhor que whisky. - Elas riram e concordaram.

Ficamos conversando e Godric inventou que iria montar uma fogueira e com ajuda do meu lumos, ele montou rapidamente. Deixo o lumos morrer aos poucos e fico aquecendo as minhas mãos na fogueira.

Os três estavam bêbados e diziam coisas com coisas. Olhei para Salazar que olhava a fogueira sem nenhum propósito aparente e acho que ele percebeu o meu olhar.

Ele veio até mim e estendeu a sua mão e mais uma vez eu aceitei. Levantei com sua ajuda e olhei para o lado vendo os três rindo de algo e saímos sem que eles percebessem.

_ Eles irão falar muito amanhã quando eles acordarem, mas não ligue muito.

_ Eu estarei dormindo quando eles gritarem com você. - Ele riu. _ Salazar, eu... - Ele parou e apertou os meus braços.

_ Não quero escutar isso.

_ Mas você nem sabe o que vou falar.

_ Sei, porque eu sei que você percebeu. Mas eu sou um idiota dos infernos e não quero escutar essas palavras saindo de sua boca. Deixe-me iludir com os meus sentimentos e pensamentos.

_ Salazar, mas isso...

_ Não me importo. - Ele estava tão sério, que não consegui dizer para ele que eu agradecia os seus sentimentos por mim, mas eu não os aceitava por puro medo dele ir embora como todas as pessoas que se foram. _ Temos que libertar alguns elfos, vamos. - Ele foi na frente e fiquei alguns segundos vendo-o caminhar.

Espero que em outra realidade eu tenha o escolhido. Ele era perfeito demais para não ser escolhido.

Corri até ele e fico ao seu lado. Não falamos e do nada ele pegou o meu braço e aparatamos em outro lugar, um lugar desconhecido por mim.

_ Não se preocupe, não estou te sequestrando para vender os seus órgãos. - Ele falou brincalhão. _ Só estamos no bairro que aquele homem mora.

_ Nunca iria pensar algo tão mórbido sobre você. - Ele não disse nada e me conduziu até a frente de uma casa, ela não era simples, mas não era grandiosa como a de Salazar.

_ Ele ganha muito dinheiro, mas não gasta um pouco para aumentar a casa. - Salazar fez uma careta. _ Tão pequena.

_ Não vamos entrar em um debate de como ele deveria gastar o dinheiro dele. Temos uma pequena missão.

_ Pequena? Só vamos tirar todos os elfos dentro dessa casa e matar o homem. - Revirou os olhos e olhei em volta.

Agradecia imensamente por essa rua ter iluminação, mesmo sendo apenas fogo.

_ Vamos entrar pela frente ou por trás?

_ Você quer bater na porta e dizer: olá, estou batendo na sua porta, porque vou te matar, por favor, não grite. - Salazar disse.

_ Ranzinza.

_ Realista.

_ Godric iria amar escutar você falando assim. - Ele não falou nada e fomos para a porta dos fundos.

Ele abriu a porta devagar e ela rangeu um pouco, mas não ativou nada e ninguém gritou perguntando quem era. Eu acho que eles ainda não tinham barreiras para evitar um caso de assassinato ou algo do tipo. Não que eu esteja reclamando, assim está ótimo, poupa muito tempo e o trabalho fica mais fácil assim.

Entramos na casa e tento não roer as minhas unhas pelo ambiente escuro. Sinto Salazar segurar a minha mão e fomos primeiro para o subsolo. Só iríamos ver quantos elfos tinham naquele lugar.

Descemos a escadaria de pedra e o cheiro daqui era muito pior do que do mercado. Escutei resmungos e aqui tinha um pouco de iluminação, mas era bem fraca.

Olho para as celas e alguns elfos pareciam estar desmaiados e outros nem conseguiam olhar para nós ou falar algo.

Vejo uma porta que estava meio fechada e largo a mão de Salazar e vou até ela, talvez tivessem mais elfos ali. Abro a porta e antes que eu conseguisse ver o que tinha ali, os meus olhos foram tapados por Salazar.

_ O que você está fazendo? - Pergunto colocando minha mão em cima da sua.

_ Não acho que você queira ver isso. - Franzi a testa e fico tentando imaginar o que teria naquele lugar. _ Vamos sair daqui...

_ Salazar, me deixe ver.

_ Não. - Disse sério e nenhum tom de brincadeira pôde se escutado. _ Você não merece ver isso.

_ Vou pedir novamente. - Estalei os meus dedos e faço um lumos flutuar entre os meus dedos e escuto ele dar um suspiro. _ Tire.

_ Você promete ficar calma?

_ Prometo. - Cruzei os meus dedos.

Ele retirou a sua mão em cima dos meus olhos e vejo o que ele estava tentando me esconder...

Ali era uma sala com várias prateleiras e nelas tinham cabeças e mais cabeças de elfos. Algumas com todos os orifícios costurados e outras com os olhos esbugalhados. Mas o que ele estava tentando me impedir de ver não eram essas cabeças e sim, o que estava na cama que tinha no meio da sala.

Caminho até o pé da cama e fico observando a elfa morta e estirada no colchão. Ela foi estuprada e pelo estado da cama, foi recente o ato violento e imoral.

_ Era isso? - Perguntei o olhando. _ Sly, já vi muitas coisas nessa vida e ver um estupro não é a coisa mais tosca e macabra que já vi. - Voltei a olhar a elfa. _ Você deve imaginar que existem híbridos de elfos por aí e até mesmo existem híbridos de gigantes. Alguns podem ter sido com consentimento dos dois, mas tem alguns casos...

_ Leesa, você falando assim até parece que não tem sentimentos.

_ O que mais tenho são sentimentos, Sly. Alguns mais densos do que os outros e tento esconder, tento mascarar esses sentimentos para não enlouquecer de vez e é difícil, mas estou praticando.

_ O que você vai fazer? - Veio até mim e apertou os meus ombros.

_ Liberte os elfos, todos eles, sem nenhuma exceção. - Eu o olhei e ele franziu a testa. _ Eu, eu irei atrás do homem que fez isso, vou me deliciar com os gritos e fazer ele se rastejar no chão com as tripas saindo de si. Acha que isso é bom o suficiente para ele?

_ Leesa, você não é... - Tentou alisar o meu rosto e agarrei o seu pulso.

_ Não, Salazar. Eu sou exatamente desse jeito, você que apenas viu o lado que eu quis que você visse. Sou completamente insana e não vou parar até que tudo seja destruído e se você não está comigo, está contra mim.

_ Leesa, eu estou com você, mas eu não acho que você...

_ Então é mentira? Eu disse que iria destruir o mundo, falei que iria fazer todas aquelas pessoas que me fizeram mal, morrerem. E você. - Apertei o seu pulso. _ Você me prometeu que sempre iria ficar comigo.

_ E vou cumprir.

_ Então por que me olha assim? Como se eu fosse alguém totalmente diferente da pessoa que você idealizou na sua cabeça? Salazar, eu mato pessoas e isso não são palavras jogadas ao vento, é a realidade. - Suspirei. _ Você está me olhando do mesmo jeito que a minha mãe me olhou, está me olhando do mesmo jeito que o meu primo me olhou... Você tem medo de mim. - Larguei o seu pulso e saio da sala.

Subo os degraus e faço o lumos desaparecer e a escuridão tomou conta do ambiente novamente. Fecho os meus olhos e respiro fundo, os barulhos se foram e eu só podia sentir minha pele se arrepiar pelo vento que passava por algum lugar.

Abro os meus olhos e meu coração acelerou. Meu sangue ferveu em minhas veias e isso me deu mais vontade de perseguir a minha presa, de ver o sangue vermelho deslizar pelo seu corpo enquanto perdia a vida.

Dei alguns passos e sinto com a minha magia se ele estava no quarto e estava.
Passei a minha língua pelos meus lábios e sinto eles rachados por algum motivo. Subo os degraus devagar, não estava com pressa.

Minha magia não era densa e impura como de outras pessoas que estavam no caminho das trevas, a minha era calma e límpida. Apenas fazia o que eu queria e sempre me acariciava quando gostava dos meus pedidos absurdos.

Ela nunca mudou, mesmo eu matando pessoas e as torturando. Ela nunca mudou enquanto eu sofria naquele lugar, nunca mudou.

Deslizo os meus dedos pela parede de pedra e sinto tudo ao meu redor, seja um grão de poeira ou até mesmo um rato passando no andar de baixo.

Parei na frente da porta do homem que eu não me importava de saber o nome e faço a minha magia abrir a porta devagar.
O medo da escuridão estava se tornando excitação e a minha boca tinha um sorriso amplo, mas era sem o meu consentimento.

Entrei no quarto e deixei a minha magia me redirecionar e saber se era realmente o homem que conheci no mercado de hoje. Eu não queria matar uma pessoa inocente.

Minha magia identificou o homem, era realmente ele. Vamos nos divertir...

Estalei os meus dedos e faço aquele cômodo ter o feitiço Abaffiato. Antes de começar a me divertir, eu queria observá-lo, mesmo não o enxergando perfeitamente.

Sinto algo me cutucando e olhei para baixo e vejo a minha magia, ela tinha me trazido uma faca. Ela era tão fofa.

_ Você me entende tão bem. - Alisei aquela massa esbranquiçada. _ Você sabe o que fazer, não sabe? - Ela subiu na cama como uma cobra e começou a enforcar o homem.

Ele ficou suspenso no ar e subi na cama e fiquei o observando de perto, mesmo no escuro, eu podia ver suas veias do pescoço sobressalentes.

Seus pés tentavam alcançar o chão que não existia e eles chutavam o ar para tentar sair do aperto da minha magia.

Suas mãos agarravam a minha magia com força, mas o ar em seus pulmões já estava se esvaindo, ele tinha pouco tempo antes de desmaiar por falta de ar.

Balancei os dedos e minha magia o prendeu pelos pulsos, soltando a sua garganta. Escuto ele tossir e falo:

_ Como vai? Eu vi que você teve uma noite excelente. - Escuto ele respirar fortemente.

_ Quem é você? O que quer comigo?

_ E alguém iria querer algo com você? Claro, além de te matar? Você se acha muito especial, não é? - Senti o fio da lâmina em meus dedos e eles acabaram se rasgando. _ Nunca tentei usar meu sangue para me divertir. - Uso um feitiço de visão noturna.

Rasgo a sua roupa e aliso meus dedos em seu torso e vejo o meu sangue queimar o homem, o cheiro de carne preencheu o quarto.

_ Interessante. - Digo ouvindo-o gritar por ajuda. _ E se você bebesse o meu sangue? O que o meu sangue faria dentro de você?

Minha magia o abaixou alguns centímetros e agarrei sua mandíbula o fazendo abrir a boca. Mordi os meus dedos e os pingos se transformaram em uma cachoeira, faço o sangue cair em sua boca e uma fumaça começou a sair de sua boca.

Sua língua tentava sair de sua cavidade bucal para não sentir a queimação, mas isso só iria acontecer se eu a arrancasse. Aliso a lâmina nas queimaduras e o seu sangue começou a fluir pelos cortes que deveriam ser rasos, mas não eram.

_ Eu poderia fazer você morrer muito facilmente e poderia enfiar essa faca entre as suas costelas e privar os seus pulmões de conseguirem oxigênio. Poderia te matar por hemorragia, tenho muitos meios para fazer isso, mas não acho justo acabar isso tão rapidamente. Não concorda?

Ele não falou, mas tentou mais uma vez sair do aperto da minha magia. Ele poderia tentar, não iria conseguir. Minha pequena e adorável magia passou muitos anos presa dentro de mim, ela evoluiu, cresceu e se tornou perfeita para esse tipo de ocasião.

Ela era tão pura que me dava pena às vezes de usá-la.

Sinto minhas costas coçarem e arderem, como se algo quisesse passar pela minha pele. Meus braços formigaram e vejo a cobra que deveria estar em minhas costas; saindo do meu corpo. Ela se dividiu em duas e elas entraram nos olhos do homem.

Os olhos explodiram e o homem parou de reagir por breves segundos, mas logo continuou a se debater, mas com mais força dessa vez.

Finquei a faca no seu ombro e dou alguns passos para trás para ver aquela cena acontecer. Era tão maravilhosamente deliciosa que fez minhas pernas tremerem por puro êxtase.

Mordi meus dedos para tentar abafar a minha alegria e sentimentos estranhos dentro do meu corpo. Era tão maravilhoso, tão mágico e surreal.

Não sabia o que as cobras estavam fazendo no corpo daquele homem, mas eu podia sentir à vontade, a necessidade de matar e destruir tudo que elas viam. Tento dar mais um passo para trás, mas acabo caindo sentada na cama.

Não tinha o porquê de me levantar, eu só queria continuar assistindo aquela obra de arte.

As cobras apareceram e rodearam a barriga do homem, eu podia ver através de suas roupas rasgadas e ensanguentadas. No segundo seguinte, elas partiram o homem no meio e o sangue espirrou para todos os lados, até mesmo no meu rosto.

_ Obrigado pelo lanche, mestraaa. - Disseram as cobras que voltaram para mim e possivelmente elas voltaram a ser apenas uma.

Ela nunca falou, nunca saiu do meu corpo. Mas dessa vez ela saiu...

_ Demônio... - Disse antes de falecer.

_ Já fui chamada de coisa pior. - Tento limpar o meu rosto com a minha mão e sinto a minha magia me acariciar antes de voltar para dentro de mim. _ Isso foi bom, eu acho. - Me levanto da cama e saio do quarto e acabo batendo de cara com Salazar.

_ Você parece ter se divertido. - Salazar alisou a minha bochecha e me mostrou o seu dedo manchado de sangue. _ Já mandei os elfos para Hogwarts e pedi que os outros elfos que estão lá ajudassem...

_ Pensei que não iria mais falar comigo e iria me chamar de...

_ Leesa, eu só achei que você não era daquele modo. Nunca falei que iria te abandonar e se você é assim, eu não posso fazer nada, apenas te apoiar. - Disse e foi para o quarto onde eu estava.

Estalei os meus dedos e um lumos apareceu e se dividiu em dois, um ficou comigo e outro seguiu Salazar. O feitiço de visão noturna se desativou e me sentei no degrau da escada.

Acho que ninguém realmente me compreende, todos irão me olhar torto quando eu falar o jeito que irei assassinar alguém.

Nem parece que eles já mataram.

Eles se chamam de monstros, mas quando conhece um de verdade, o julga com os seus olhos e o repreende com suas palavras... Eu também não sou assim? Julguei tantas vezes aquele homem, julguei e o chamei de tantos nomes.

Tom Riddle... Voldemort... São dois monstros completamente diferentes e, ao mesmo tempo, iguais.

Tom Riddle usava o seu belo rosto para conseguir o que queria, usava tudo ao seu alcance para alcançar o topo do mundo e conseguiu.

Voldemort usou o medo e a tortura para conseguir tudo, mas esse não conseguiu muita coisa, apenas escuridão.

Mas, se eu juntasse os dois? Se eu juntasse a inteligência, o rosto atraente, a manipulação que o segue, o medo e a tortura que o persegue em cada passo? O que sairia disso? O que sairia dessa fusão? O maior bruxo das trevas ou o fracasso?

Isso me deixou curiosa, me deixou propensa a não apenas observá-lo e ajudá-lo ao longe. Mas, estar ao seu lado para ver o que iria acontecer com seus inimigos... Mas isso era apenas um pensamento bobo, isso nunca iria acontecer.

Alisei o meu anel e o limpei na minha roupa, ele tinha alguns respingos de sangue carmesim... Sangue? E se eu tentasse...

Tirei o anel do meu dedo e ele virou novamente um belíssimo anel, mas uma de suas pedras estavam nebulosas.

Mordi o meu dedo indicador e ele se abriu novamente. Deixo uma gota do meu sangue cair no chão de pedra e coloco o anel virado com o diamante para baixo no meu sangue.

Eu o peguei do chão e vejo que o diamante que estava turvo, se tornou algo brilhante que continha magia pura...

O anel tinha magia pura e não era pouca. Eu consegui... Consegui!

Santo Merlim, como eu não pensei nisso? Como sou tão burra? Sangue bruxo tem magia contida nele, por que eu nunca pensei nisso? Ah, lembrei, porque meu sangue destrói coisas mágicas e isso aqui, é mágico.

Mas agora eu só preciso colocar o pó de vira-tempo dentro desse anel e configurar um feitiço de display.

E finalmente poderei fazer aquilo que sou obrigada a fazer, mas pelo menos vou estudar em Hogwarts. Algo bom tinha que sair disso tudo.

Mas por que o meu sangue ajudou nisso? Meu sangue é amaldiçoado, não deveria conter uma maldição altamente poderosa e corromper esse anel? Olha o estrago que fiz com aquele homem.

Às vezes eu me perguntava, meu sangue era amaldiçoado ou não? Eu ajudei abortos a terem magia, consegui colocar magia pura dentro desse anel. Mas eu também sinto dor por causa desse sangue, consigo fazer coisas queimarem apenas por deixar uma gota de sangue cair em objetos ou pessoas. Um dos motivos que deixei cair uma gota do meu sangue no chão e não no anel diretamente.

Mas, era muito estranho. Se eu consegui fazer aquele homem se queimar por causa do meu sangue, eu não deveria ter queimado o Dragon? Não deveria ter queimado o Potter? Bom, quando a titia estava me curando, não tinha sangue, só feridas. Então ela não conta.

Um dia eu vou descobrir tudo isso, só espero que eu não me arrependa de descobrir isso.

_ Vamos? - Olhei para cima e concordei. _ Quer queimar o lugar? - Coloquei o anel no meu dedinho e sinto ele se encaixar perfeitamente.

_ Não, vamos deixar assim. Não me importo de ser acusada por assassinato. Eles não têm nenhuma prova que fui eu. - Desci a escadaria e o olhei. _ Ou você vai me dedurar? - O lumos se tornou um novamente e sumiu.

_ Eu sou seu cúmplice, por que iria te dedurar? - Apertou a minha bochecha. _ Vamos para casa, vou te dar um pouco de vinho quente. - Limpo meus dedos no meu vestido.

Gostava que meus cortes em meus dedos sempre se curavam rapidamente, isso era muito bom.

_ Deve ser horrível. - Ele riu e saímos da casa. _ Os elfos ficarão bem?

_ Sim, podemos ver eles daqui alguns dias.

_ Por que não agora?

_ Você precisa tomar um banho e precisa dormir. Hoje o dia foi muito agitado, você não acha?

_ Se você está dizendo. - Ele pegou o meu braço e aparatamos dali. _ Acha que eles já chegaram?

_ Duvido muito. - Entramos em casa e tudo estava apagado, mas Salazar estalou os dedos e todas as velas se acenderam. _ Quer que eu prepare o seu banho? Um pouco de vinho?

_ Não, obrigada. - Subo a escadaria. _ Obrigada por hoje.

_ Sempre as suas ordens.

_ O que você fez...

_ Você não precisa saber sobre isso. - Disse sério.

_ Mas estou curiosa, qual foi o motivo de você ter entrado no quarto?

_ Um dia você vai saber, mas não hoje.

_ Tão misterioso. - Digo subindo até o segundo andar.

_ Ele pegou o núcleo mágico dele, mestraaa. - Paro de andar até o meu quarto e aliso o meu pescoço.

Núcleo mágico tinha algum valor? Sempre pensei que o núcleo parava de existir quando a pessoa morria, mas vejo que eu estava errada.

Por que essa cobra começou a falar? Será que é por que estou viajando no tempo? A titia falou que o vira-tempo estava girando, mas não quis ver para confirmar.

Continuo andando até o meu quarto e entro nele, fechando a porta atrás de mim.

Debby não estava aqui, então onde ela estava? Bom, eu esperava que ela estivesse bem.

Vou até a minha bolsa e pego um espelho e tiro o meu vestido para observar as minhas costas. Faço o espelho flutuar e ficar numa posição favorável para mim e vejo as minhas costas e a cobra-de-duas-cabeças estavam girando em volta do vira-tempo e ele... Ele não estava girando, mas estava brilhando.

_ FALTA POUCO... - A cobra gritou dentro da minha cabeça e fico sem entender.

O que faltava pouco?

Mas logo entendi, faltava pouco para sair daqui e encontrar aquele homem.

Espero que me receba com muita alegria, Tom Marvolo Riddle.