Mon petit:

Papai me contou algo e isso pode mudar um pouco sobre o que você pensa sobre o vovô. O vovô contou para o papai que ele tinha traído a vovó.

Você deve pensar, se ele sabe, por que nunca procurou sua avó ou sua mãe? Bom, isso é complicado...

O vovô pediu para o papai que se viesse uma pessoa dizendo que era uma Malfoy, era para dar toda a assistência.

O vovô sabia do seu erro e acho que ele sempre tentou procurar a sua avó, mas nunca conseguiu.

Se você o encontrar, não o mate, você precisa nascer para me atentar futuramente.

Sempre estarei com você, mon petit.

───※ ·❆· ※───

Não sabia quantas cartas já li e quantas vezes alisava as palavras escritas nos pergaminhos para tentar me consolar da falta que ele me fazia.

Faltavam poucas cartas para ler e isso me fazia sentir um vazio. Eu tentava ler o máximo possível, mas, agora, agora eu só queria ler o mínimo possível.

Coloquei essa carta na pilha de já lidas e vejo o pequeno montinho de cartas que ainda tinha para ler. Não leria mais nada hoje, não queria pensar no passado, mesmo sendo conduzida por ele.

Peguei o álbum de fotos da titia e vou para a última página, ali tinha algo que nunca pensei sobre, na verdade, eu não estava ligando muito para o Lorde das Trevas daquele tempo.

Mas saber que aquele homem era um vidente e só perdeu a guerra por idiotice, me fazia repensar se era certo ajudar o Lorde ao invés do Grindelwald.

Grindelwald já era um homem feito e tinha planos concretos e aliados fiéis a ele. Mas o que isso adiantou? Foi derrotado por Dumbledore em seu auge.

───※ ·❆· ※───

"Cuidado com Grindelwald, você pode tentar ficar o mais longe possível dele, mas ele irá te ver e irá querer você ao seu lado.

Suas palavras manipuladoras lhe fazem pensar se o que você sempre achou certo, está realmente certo.

Tome cuidado, Leesa."

───※ ·❆· ※───

Titia estava certa, eu tinha que tomar cuidado com esse homem e ele pode até me ver em suas visões, mas não poderá me encontrar. O que devo fazer? Criar um feitiço para tentar burlar suas visões? Um feitiço para que ele nunca me encontre?

Ou estou colocando muita credibilidade em mim? Talvez eu nem apareça em suas visões e estou criando um problema que nunca irá surgir, mas, e se surgir? Sempre tenho que pensar nesse "e se". Se eu tivesse pensado, não estaria aqui, já estaria em 1935.

E falando nesse ano, tenho que ver uma família trouxa, tenho que achar uma que no futuro seja da luz. A maioria é da luz, mas quero uma especial. Quero uma que eu não sinta remorso quando matar todos.

Poderia pegar uma família qualquer e no final ir embora quando eu recebesse a minha carta, mas assim não teria graça.

Tirei da minha bolsa pasta e mais pastas sobre famílias de nascidos trouxas e a primeira que estava no topo me chamou a atenção.

"Granger"

Isso seria interessante, muito interessante.

Peguei a pasta e comecei a lê-la, tinha coisas tão interessantes que eu só queria um copo de café para continuar a leitura de um modo relaxado.

Em 1935 só existia o casal Granger, não, não são os pais da sangue-ruim. Mas os avós. A mulher se chamava Lisandra e o seu marido Bastian Granger, em 1944 eles teriam uma filha chamada...

Tinha que ser esse nome? Por Merlin, poderia ser qualquer um, mas tinha que ser esse? O nome da filha era Byella Granger, mãe de Hermione Jean Granger.

Poderia muito bem matar essa família, mas não queria isso, queria que tudo fosse perfeitamente calculado e no futuro, eu pudesse fazer o que estou pensando há muito tempo. Matar cada um deles.

Claramente eles não iriam matar os meus pais, não iriam matar o Draco e nem iriam me capturar. Eu não queria esperar até 2019 para que isso tudo acontecesse.

Tudo iria terminar em 1998 e eu vou fazer de tudo para eles descobrirem que sou uma viajante do tempo. E com isso, com isso eu vou fazer que eles me procurem quando eu ainda for uma pirralha.

Farei eles andarem em círculos e no final quem irá dar o xeque-mate sou eu e não os meus pais ou essas pessoas da luz.

Estou criando o meu tabuleiro e colocando cada peça em seu devido lugar.

Em 1935, irei receber a minha carta de Hogwarts, em 36 irei para a maravilhosa escola de magia e bruxaria. Em 37, o little lord já deve ter recebido a sua carta e em 38 o verei em uma belíssima vestimenta da Sonserina.

Ele provavelmente irá à biblioteca da escola para ter mais conhecimento daquele mundo que acabou entrando e estarei lá, sentada no fundo da biblioteca e fazendo que ele escolha livros que quero que ele escolha.

Sairei de Hogwarts em 1943, esse ano que acontece a morte de Murta e da família do little lord. Mas, depois disso, eu não sei o que fazer.

Será que vou para 1981 e mato os pais do míope?

E se eu conseguir um emprego como professora e acabar roubando o cargo do little lord? Ele irá me odiar muito e todos irão ver que nós não combinamos. Que odiamos um ao outro, um sentimento recíproco.

Dumbledore iria me ver como a pessoa bondosa e da luz e o little lord também e ele nem iria pensar em mim como a pessoa que te ajudou em certas ocasiões.

Mas o que irei fazer em dois anos? Entre 1936 e 1938? Será que posso fazer amigos? Seria interessante ter alguns amigos, mesmo eles sendo apenas crianças, mas seria legal.

E o que vou fazer com a família Granger? Não quero ficar no mundo trouxa e vivenciar a guerra trouxa, mas também não queria viver a guerra bruxa.

Como vou convencer a família Granger de se mudar comigo? Bom, sou uma bruxa, não preciso convencê-los, só preciso usar um feitiço e eles estarão na minha mansão. Bem simples. Só que devo ficar alguns meses no mundo trouxa para que Dumbledore me entregue a minha carta.

Estou esquecendo de algo?

Ah, não! Eu vou ter que conviver com o vovô!

Merda...

Até namorar o Lorde parece algo menos sofrível do que conviver com aquele homem. Eu peço a você, Merlin. Que tire o meu avô de perto de mim ou eu acho que vou matá-lo e não estou brincando.

Ainda vou estudar com os Weasley's e com os Potter, dai-me paciência, senhor.

Paro de pensar nessas coisas e continuo lendo a pasta da família Granger, até que eles são bonitinhos para trouxas e eles são bem de vida, que inveja.

Mesmo que os meus pais tivessem dinheiro em seus cofres, eles nunca puderam sacar e o dinheiro que conseguíamos eram de roubo. Algumas vezes não conseguíamos nada e iríamos para algum lugar sem dinheiro, com frio e com fome.

Mas nunca foi tão extremo quanto a fome que passei no ministério. Não sinto saudades desse tempo e faria de tudo para fazer a pequena Leesa nunca ter que passar por isso. Sou capaz até mesmo de matá-la...

Fechei a pasta e pego outra sem olhar de quem era.

"Família Black"

Pelo menos eles ainda existem nesse tempo, talvez eu tenha um pouco de compaixão e acabe os salvando de sua destruição.

Bom, eles precisam continuar vivos até que a tia Cisa se case com o tio Lucius e faça o Dragon. Depois disso eles podem morrer, não me importava.

Alphard Black

Eu nem sabia que essa pessoa existia, bom, ele nasceu em 1926 e provavelmente estará no mesmo ano que o little lord.

Sorri e acabei pensando que chamar o Lorde de little lord, não era tão terrível assim.

Continuo lendo o arquivo e acabo descobrindo que esse Alphard era o tio de Sirius Black, o homem que deixou para o seu sobrinho uma quantia decente de ouro e foi tirado por sua irmã da tapeçaria Black.

Ele é o irmão do meio e era compassivo e um pouco rebelde. Mas em algum momento acabou morrendo em 76 ou 77.

Ele não teve relação com o little lord, na verdade, a maioria dos Black não tiveram relação com o little lord.
Talvez com a minha intervenção ele comece a fazer parte. Mas isso é apenas um talvez.

Walburga Black

A irmã mais velha de Alphard e Cygnus... Cygnus III, já que essa família não gostava de inovar em nomes.

Ela nasceu em 1925 e entrará no mesmo ano que eu. Não queria que ela fosse, escutei de várias pessoas que ela era uma banshee e seu grito era tão poderoso que nem mesmo o little lord queria ter ela ao seu lado.

Walburga foi uma mulher que sempre acreditou nos ensinamentos puristas e se casou com Orion Black e teve dois filhos. Sirius Black, que acabou entrando para Grifinória e trouxe desgosto para Walburga. E Regulus Black, um homem que acreditou nos ensinamentos, mas acabou morrendo em 1979.

Mas ela e o seu marido nunca tiveram nenhum contato com little lord, apenas acreditavam que seus ideais estavam corretos.

Devo mudar isso...

Cygnus Black III

Alguns registros diziam que ele nasceu em 1938, porém, meu magnífico tio Lucius, me trouxe o verdadeiro registro e Cygnus nasceu em 1927. Os três irmãos só tinham um ano de diferença e Cygnus iria entrar em Hogwarts em 1938, na mesma época que seu irmão do meio e o little lord.

Bom, apenas por causa da data de nascimento e se o little lord não tivesse nascido em dezembro, ele iria para Hogwarts em 1937 ao invés de 38. Isso aconteceu com Alphard e Cygnus.

Cygnus se casou com Druella Rosier e teve três filhas; minha tia Narcisa, a maravilhosa, Bellatrix, vulgo, a prostituta do Lorde e Andrômeda, a sensata.

Posso estar julgando uma pessoa sem saber, como sempre faço. Mas não acho que eu esteja errada e ela acabou tendo uma filha com o Lorde, enquanto ainda era casada com Rodolfo Lestrange.

Bom, vamos continuar, a família Black era muito extensa nessa época.

Druella Black nee Rosier

Não tem muito sobre ela, apenas que ela é uma purista e que se casou com Cygnus e teve três filhas. Mas ela deve ser parente da Rosier que se casou com Lupin naquela realidade que Scorpius foi.

Provavelmente estarei no mesmo ano que ela e espero que ela não me perturbe.

E aqui não diz se ela estava ao lado do little lord, mas era mais provável que não. Mais uma pessoa que tenho que trazer para perto do little lord. Ele era o quê? Antissocial?

Orion Black

Marido e primo de Walburga, vulgo, a banshee. Ele nasceu em 1929 e só entrará em Hogwarts em 1940 ou 41, já que não sei o dia de seu nascimento.

Na verdade, ele deve ser meu parente, já que a sua mãe era uma Macmillan, mas como meu odiável avô deixou bem claro que não sou uma Macmillan, ele não é meu parente e ponto final.

E se fosse, eu não saberia como eu deveria chamá-lo. Primo? Primo de que grau? Essas coisas de parentes eram tão confusas.

Mas Orion é uma pessoa muito inteligente e colocou vários feitiços e encantamentos em Grimmauld Place. O que posso dizer sobre essa pessoa? Ele é um purista inteligente e burro.

Dorea Potter nee Black

Alguns diziam que ela era a avó do Potter, mas que grande mentira, a avó do Potter se chama Euphemia e é casada com Fleamont. Mas continuando, ela é irmã de três irmãos. Pollux que gosta de assassinar pessoas, gente boa ele.

Cassiopeia Black, uma mulher que nunca se casou, ela teve visão. Não precisamos de homem para sermos felizes. Mas na época ela deve ter sofrido muito julgamento.

E Marius Black... Um aborto? Ele nasceu em 1918 e enfraqueceu sua mãe, Violetta Black, esposa de Cygnus Black II. Mas acabou descobrindo com seus sete anos que era um aborto e foi deserdado da família e jogado no mundo trouxa.

Isso era interessante, tenho a cura para isso e posso ganhar muito entregando isso para a família Black. Ganharia quatro pessoas a mais no meu tabuleiro de xadrez. Acho que antes de ir para 1935 devo passar em 1925.

Bom, posso salvar muitas pessoas se eu desejar, como a Violetta Black que acabou morrendo no parto de Dorea Potter nee Black. Mas isso eu devo pensar com calma.

Dorea não estudou com o little lord, mas irá estudar comigo. Ela estará no sexto ano, quando eu for para o primeiro, então eu terei que vê-la por dois anos. Em algum ano ela se casou com Charlus Potter e teve filhos, provavelmente.

Era só isso e só com isso a minha cabeça já estava doendo, essa família parece um formigueiro. Eu só queria saber de um, mas me trouxeram umas quinhentas pessoas.

Pelo menos ela não foi retirada da tapeçaria como aconteceu com alguns.

Passo a página e mais pessoas apareceram. Deveria ter pegado a pasta dos Malfoy, pelo menos o limite seria o meu bisavô.

Charis Crouch nee Black

E

Charis Black

Santo Merlin, existem dois?

Bom, a Charis Crouch se casou com Caspar Crouch, provavelmente ela é avó do Barty. Mas isso fica improvável por causa que Bartolomeu Crouch, pai do Barty, odiava pessoas das trevas, então eu acho que é improvável de Charis ser alguma coisa deles.

Ela nasceu em 1919 e saiu de Hogwarts em 1937, ela não estudou com little lord, mas estudará comigo por um ano.
Ela é a irmã mais nova de Cedrella e Callidora.

Provavelmente teve filhos, mas eu esperava que não fosse igual ao Pollux, que teve o seu primeiro filho com 13 anos.

Callidora Longbottom nee Black, irmã mais velha de Charis e Cedrella. Saiu de Hogwarts em 1933 e não participará da minha vida e nem do little lord.

Cedrella Weasley nee Black, segunda filha dessa família que é um formigueiro em vez de família... Acabou sendo deserdada da família Black e seu rosto nem mesmo estava mais na tapeçaria.
Ela nasceu em 1917 e saiu de Hogwarts em 1935, mais um Black que não fará parte da minha vida.

Mas ela é igual à Andrômeda, se casou contra vontade de sua família, uma pessoa sensata se for parar para pensar.

Eu não ligava para os outros Weasley's, mas eles irão me atacar e não vou ficar de braços cruzados.

Agora, vamos para o segundo Charis que eu nem sabia que existia. Charis Black nasceu em 1919 e...

Viro a página e não tinha mais nada, era como se ele nem deveria ter existido para começo de conversa. Só tinha o seu ano de nascimento e só. Não tinha quem eram os seus pais, se teve filhos ou se foi um aborto.

Bom, ele deve estar em Hogwarts e irei estudar com ele por um ano. Que alegria...

Lucretia Prewett nee Black

Irmã mais velha de Orion Black, nasceu em 1925 e estudará comigo e com o little lord. Se casou com Ignatius Prewett, a fazendo tia de Gideon, Fabian e Molly.

Não sei se ela tinha uma boa relação com a família de seu marido ou se ela se casou por amor ou algo parecido. Só sei que o nome dela é horrível.

Tinha mais pessoas para ler e tomar notas, mas eu estava com a paciência beirando ao zero. Que família gigante...

Joguei a pasta para o lado e me deitei em cima dessa pasta, talvez eu consiga sufocar todos esses Black até que eles parem de procriar. Eles quase conseguiram estabelecer uma nova comunidade bruxa. Impressionante.

Fechei os meus olhos e tento colocar tudo que li e descobri hoje em pastas. Eu precisava raciocinar corretamente ou iria acabar fazendo uma besteira e das grandes.

Tenho o sangue e Salazar tem o basilisco, eu esperava que sim. E eu tenho a fórmula da poção que faz o aborto conter a sua magia em seu núcleo, tenho a poção que Draco me mostrou naquele ano, se caso eu não conseguisse fabricar corretamente essa poção.

Mas o que eu pediria em troca? E realmente quero fazer uma curva em 1925? A família Black é bastante inteligente e poderosa, tanto financeiramente, quanto em magia. Mas eles não são burros, mas também não sou.

Posso pedir proteção, não, eu consigo me virar sozinha. Talvez eu peça que aquela família fique ao lado do little lord, mas eles irão querer saber o motivo desse meu pedido. Bom, posso pedir que eles fiquem do meu lado na inevitável guerra, acho que isso soa muito melhor e muito mais a ver comigo.

Só preciso fazer eles ficarem vivos e saudáveis para gerar mais pessoas para me ajudarem em 1998. Se não, tudo que irei fazer, será feito em vão.

Ok, já me decidi, irei para 1925 e irei salvar o Marius Black, não quero ir para 1920 e salvar uma mulher à beira da morte. Sinto muito, Violetta, mas a vida que segue... Quero dizer, a morte que segue.

Em 1925 também tinha outra pessoa que ficaria em perigo. Uma que morreu em 1926. Mérope Gaunt ou Mérope Riddle nee Gaunt.

Eu poderia salvá-la e usá-la como bem entender. Mas qual seria a serventia disso? Salvar uma mulher que parecia mais um aborto do que tudo? Claro, tenho a poção que pode ajudar os abortos, mas não pessoas que tem magia, mas apenas são fracos por natureza.

E se eu acabar fazendo-a beber a poção e ela acabar morrendo por falta de magia?

E mais, little Lord queria afeto e se ele tiver amor e carinho em sua infância, ele não será o little lord e nada iria acontecer como eu quero.

Então me perdoe, Mérope. Mas não quero e não vou salvar você. Não nessa realidade...

̶M̶é̶r̶o̶p̶e̶ ̶R̶i̶d̶d̶l̶e̶ ̶n̶e̶e̶ ̶G̶a̶u̶n̶t̶ ̶
̶V̶i̶o̶l̶e̶t̶t̶a̶ ̶B̶l̶a̶c̶k̶ ̶n̶e̶e̶ ̶B̶u̶l̶s̶t̶r̶o̶d̶e̶

Essas duas pessoas nunca conhecerão a salvação, já que me recuso a salvá-las.

Respiro fundo e fico mais confortável na minha cama, mas a minha cabeça estava a mil por hora, pensando em estratégias que poderia usar com todas essas pessoas.

Estou cansada, eu só queria dormir, mas nem isso estou conseguindo. Abro um dos meus olhos e pego duas pastas que estavam espalhadas pela minha cama. Uma era sobre a relação entre os abortos e os sangue-ruins e a outra pasta era sobre as imperdoáveis.

Draco tentou achar mais livros que diziam sobre aquela hipótese escrita no livro em que eu estava lendo, mas não achou muita coisa.

Mas se quero destruir o mundo que se virou contra mim, preciso destruir qualquer prova que comprove que os abortos e aquelas pessoas são farinha do mesmo saco. E para isso, preciso subornar muitas pessoas, destruir muitos livros e principalmente destruir essa pasta.

Não quero um mundo justo como aquele que vi nas memórias de Scorpius, quero ver o mundo queimar e não ligo se para isso eu tenha que me queimar junto. Se alguns anos mais tarde, o mundo bruxo acabar, o problema não será meu, será daquelas pessoas que destruíram tudo que eu tinha. Eles são os culpados, e eu...

Eu me declaro inocente de todas as acusações.

Sentei-me na cama e faço a primeira pasta começar a pegar fogo e a joguei no chão para vê-la queimar. Uma pequena demonstração do que eu irei fazer e a segunda, bom, vamos fazer um pequeno experimento, que tal?

Levantei-me da cama e vou até à mesa que tinha várias ferramentas espalhadas por ela. Jogo a pasta em cima da mesa e pego algo afiado o bastante para cortar o meu dedo.

Cortei o dedo e deixo uma gota do meu sangue cair e a pasta começou a queimar lentamente.
Algo mágico em contato direto queima e se...

Faço que uma gota do meu sangue caísse na mesa e nada aconteceu. Rasgo um pedaço da pasta e deixo cair no sangue e nada aconteceu. Isso era interessante e intrigante.

Sentei-me na cadeira e comecei a pensar em algumas hipóteses, mas nada vinha em mente. Mas e se eu tentasse comandar o sangue? Quando eu quis queimar o homem, estava pensando em fazer o meu sangue queimá-lo.

Mas quando eu estava sendo torturada, eu só queria que acabasse, não pedi que o meu sangue fizesse nada com Potter. Não pedi que o meu sangue machucasse o Dragon ou prejudicasse o duende que me arranhou.

E se tudo que eu tiver que fazer for pedir, ordenar que ele machuque ou cure?

_ Queime. - Falei baixinho e o sangue se mexeu quase imperceptível aos meus olhos e queimou o pedaço de pergaminho. _ Volte ao normal. - E o sangue mais uma vez se mexeu e refez o pergaminho. _ Eu controlo o meu sangue, mas isso não faz sentido nenhum.

Fico olhando para um lugar fixo para tentar pensar em algo coerente o suficiente para fazer esse sangue, o meu sangue, ser controlado por mim.

Sempre sofri com ele, ele sempre fazia minhas veias queimarem e a dor era insuportável. Mas desde que fiquei trancada no ministério ele não fez mais nada.

Ok, vamos lembrar de todas as ocasiões que o meu sangue me proporcionou dor. Ele sempre me fez sentir dor quando o vovô estava me punindo por ser desobediente. Me fazia sentir dor quando alguém me batia...

O meu sangue não queria me prejudicar, mas sim, ajudar. Ele queria ser usado, mas como ele não fala, ele tinha que reagir de algum modo, é como a minha magia. Ela ficou presa dentro de mim por anos e sempre fica agitada e animada quando eu a uso.

E o meu sangue também ficou preso por anos; na minha cela tinha runas de contenção mágica e o meu sangue é mágico. Então a cela e as algemas anularam a "dor".

E se o meu sangue for a mesma coisa? Apenas esperando para ser usado, usado por mim. Bom, já sabemos que ele odeia coisas mágicas, mas se colocar em algo que não contém magia, nada irá acontecer. Se eu soubesse disso, eu teria feito o meu sangue partir as algemas... Não, não daria certo por causa da cela.

Mas para coisas mágicas eu compreendi, mas para pessoas eu queria alguém para ser a minha cobaia e nada melhor que um ser humano.

E tenho a pessoa perfeita para isso.

Antes de me levantar, olhei para a pasta que continuava queimando e subindo fumaça em espiral. Eu a peguei e a fiz evaporar rapidamente e me levantei indo até à porta.

Provavelmente eu iria voltar, então deixei a vela acessa e abri à porta. Não me importei de ver se tinha alguém acordado, os meus amigos já sabiam que a maioria das vezes que saio do meu quarto de noite, era para implicar com Salazar.

E falando nele, ele realmente me levou para ver os elfos que ele retirou da casa daquele homem e eles sempre ficam felizes quando vê Salazar.

Debby preferiu ficar comigo em vez de seguir a sua jornada sozinha. Mas ela é livre, mas não quer se separar de mim. Uma fofa.

E se não fosse o bastante, Rowena e Helga estavam ensinando a Debby a ler e escrever. O porquê disso? Não sei.

E ainda não descobri onde ela estava naquele dia. Talvez um dia eu descubra ou nunca.

Abro a porta de Salazar, sem ao menos bater. Mas eu deveria ter feito isso, pelo menos eu não o veria se trocando.

_ Por Merlim, me descu... - Quando iria tapar os meus olhos, vejo algo que nunca percebi antes.

Nunca olhei para o corpo de Salazar, bom, menos o seu torso e rosto, mas tirando isso, nunca olhei para as suas costas. Um dos motivos era que eu não queria ser desrespeitosa com ele e o outro, bom, não queria olhar.

Minha mão morreu no meio do caminho e eu não pensei duas vezes em andar até ele e ver as suas costas marcadas por feridas antigas e avermelhadas. Eram quase iguais às minhas.

_ Está com pena de mim? - Me perguntou e não faço o que a minha mão queria fazer, ela queria tocar nas feridas já cicatrizadas.

_ Não, apenas estou curiosa. - Digo o olhando e o vejo indo até o seu armário para colocar uma roupa, já que ele só estava com uma toalha na cintura.

_ Pensei que você tivesse visto naquele dia da sua pequena bebedeira.

_ Não, eu só olhei para o seu rosto e não para o seu corpo. - Falei me virando de costas e faço a porta se fechar com a minha magia.

_ E você com toda a certeza quer saber, não é?

_ Minha curiosidade tem um certo grau de limite, Salazar.

_ Foram os meus pais. - Queria me virar, mas me contive. _ Eles me puniam com chicotes e... - O escuto suspirar. _ Outras coisas.

_ No terceiro andar? - Ele não falou por um bom tempo.

_ Sim, no terceiro andar. Lá não fica apenas o quarto principal, mas também a sala onde eu...

_ Foi por isso que você os matou?

_ Foi. - Escutei ele se aproximando. _ Agora eu não pareço mais um monstro malvado que adora prejudicar as pessoas. - Zombou de si.

_ Os monstros são criados, Salazar. Eles não nascem assim, eles são feitos e moldados para serem pessoas erradas da história. Me diga um livro que você leu que o monstro ficou com a mocinha? Me diga uma história que o vilão ganhou tudo que ele sempre almejou? Não existe. Porque precisamos de um vilão ou de um monstro para mostrar o quão grandioso o herói é.

_ Eu sou a causa perdida e o Godric o herói, não é? - Não concordo e nem discordo.

_ Somos todos uma causa perdida, apenas esperando alguém pegar um pedaço de papel e contar a sua própria versão dos fatos. Eu, por exemplo, posso muito bem ser a vilã, mas na visão da pessoa que irá escrever a minha história, posso ser a mocinha em busca de vingança.

_ O que muda é a perspectiva.

_ Sim. - O olhei e sua testa estava franzida. _ Pare de franzir a sua testa, vai ficar velho mais rápido. - Digo tocando o meio de sua testa e o fazendo relaxar. _ Salazar.

_ Sim? - Segurou a minha mão e a apertou.

_ A primeira coisa que quero perguntar é o porquê você pegou o núcleo mágico daquele homem? - Ele imediatamente largou a minha mão e foi para a janela.

_ Como descobriu?

_ Tem coisas que você não precisa saber.

_ Exatamente, existem coisas que você também não precisa saber. - Revirei os meus olhos.

_ Tenho uma marca nas minhas costas que me disse sobre o núcleo. Satisfeito? - Mas o motivo dela saber disso ou o porquê ela falou duas vezes, isso ainda não descobri.

_ Muito. - Ele cruzou os braços e disse: _ O lugar que consigo o meu dinheiro vem de um lupanar e de alguns bares que bruxos e trouxas pegam alguns serviços e matam a pessoa informada no anúncio em troca de dinheiro.

_ Você deve ter escondido isso muito bem, já que nenhum livro informou sobre isso.

_ As pessoas acham que consegui o meu dinheiro como? Matando pessoas e roubando os seus bens? Ou que eu era um fazendeiro muito feliz e que vendi as minhas terras em busca de realizar o sonho dos meus amigos?

_ Tecnicamente você mata as pessoas e pega o dinheiro delas.

_ Não, eu sou pago por pessoas que querem essas pessoas mortas...

_ O homem do elfo... - Fico surpresa. _ Tinha uma recompensa por ele? Por isso que você não queria que eu o matasse, porque já tinha uma pessoa para matá-lo. Por isso que você sabia o que tinha naquela sala... - Agora tudo fazia sentido.

_ Não sei o que... - Vou até ele e puxo o seu colarinho para baixo, odiava ser pequena.

_ Salazar. - Digo entredentes. _ Você me usou para ganhar mais dinheiro?

_ V-você está... - Solto a sua roupa e ele respira fundo. _ Você é o quê? Super forte e não estou sabendo?

_ Apenas uma mulher com raiva. - Digo o observando. _ Quero os meus galeões por essa morte.

_ Sinto muito, mas já usei esse dinheiro com seus elfos.

_ Meus? Ora essa, como isso é possível? E você pegou esses elfos e os colocou em Hogwarts e nem sou uma fundadora...

_ Você pode ser. - Minha boca abria e fechava. _ Você já mudou tantas coisas, mas não quer colocar mais uma casa em Hogwarts?

_ Não mudei tantas coisas assim.

_ Desde que você pisou com seus lindos pezinhos aqui, você já mudou tudo.

_ Obrigada pelos lindos pezinhos, também acho eles uma fofura. - Ele me olhou e começou a rir. _ Estamos fugindo do assunto, quero o meu dinheiro e quero saber para que serve o núcleo que você pegou daquele homem. - O vejo revirar os olhos e suspirar. _ E não revire os olhos.

_ E você pode? - Ergueu uma sobrancelha.

_ Com toda a certeza. - Sorri petulante.

_ Sobre o dinheiro, não posso te dar, mas sobre o núcleo. - Se sentou na cama. _ O núcleo é como uma droga para os bruxos, você parte o núcleo no meio e dentro dele tem um líquido.

_ Que é a magia.

_ Sim, e com esse líquido você pode fazer bebidas e quando um bruxo toma essa bebida... - Ficou me encarando.

_ O quê? Você me drogou e não estou sabendo?

_ Não, claro que não. Só que, a pessoa que bebe essa bebida se sente mais poderosa e por breves minutos sua magia cresce e você se sente muito bem.

_ Mas essa ilusão acaba e a pessoa se sente vazia e querendo mais dessa droga. E você, vende essa droga para consumo e ganha bastante dinheiro.

_ Sim.

_ Isso é bastante interessante, como você retira o núcleo?

_ Você está pensando em viciar alguém nessa droga?

_ Talvez, eu posso fazer a pessoa ficar tão viciada que no final ela só vire um cachorrinho estúpido que eu possa comandar.

_ Não vou falar.

_ Por que não?

_ Se você não conhecia essa droga, possivelmente ela parou de existir no futuro.

_ Ou talvez ela só seja muito bem comercializada em segredo. E também, fiquei anos presa, não posso dizer que não tinha essa droga no nosso mundo. - Ele provavelmente iria me perguntar sobre o meu passado, um passado que nunca os contei.

_ Mesmo assim, eu não vou te falar. - Ele não perguntou.

_ Ok, tudo bem. Vou descobrir sozinha. - Ele deu de ombros e ficou me olhando. _ Preciso de sua ajuda.

_ Sou completamente seu. - Sorriu de lado.

_ Salazar.

_ Para receber ordens. - Continuou sorrindo.

_ Salazar.

_ Por Magic, até isso é conotação sexual? - Perguntou se fazendo de cínico.

_ Sim. - Digo o óbvio e vou até a sua mesa e retiro de cima dela um estilete.

_ Para que o estilete? - Fiquei na sua frente e reabri o corte do meu dedo e faço que o sangue caísse nas costas da mão de Salazar. _ Olha, eu até...

_ Não, não quero ouvir. - Não aconteceu nada com as costas da mão dele. _ Queime. - O sangue começou a borbulhar e Salazar gritou.

Peguei a mão de Salazar e tentei mexer no sangue sem que eu o tocasse e ele se mexeu, mas continuou queimando. Salazar estava aguentando bem, talvez ele tenha percebido que eu estava fazendo um pequeno experimento.

_ Você já fez o que tinha que fazer? - Falou entredentes.

_ Aguente mais um pouco.

_ Por que não faz com você?

_ Talvez não funcione, já que o sangue é meu.

_ Você não testou para saber. - Ele tinha um bom ponto.

Sequei o sangue e o escuto suspirar em alívio. Bom, pelo menos descobri que posso controlar o meu sangue, algo bom tinha que vir desse experimento.

Mas ainda tenho algumas dúvidas, uma dessas dúvidas é o porquê de eu ter esse sangue e essa marca em minhas costas?

O que tudo isso significava?

Isso tudo era por causa da minha maldição de tempo? Mas o que significava essa maldição? Como eu a consegui? Por que eu a tenho?

E a cobra? Já tem dias que ela não girava mais, já tinha dias que ela não falava mais e o vira-tempo brilhava cada segundo que se passava. O que isso queria dizer? Eu estava morrendo? Meus dias aqui estavam acabando? Perguntas sem respostas.

_ Espero que você trate essa queimadura, boa noite. - Poderia curá-lo, mas não queria fazer isso.

_ Pensei que ficaria aqui, já tem dias que você...

_ Naquela noite. - Me virei para ele. _ Estava com preguiça de voltar para o meu quarto, mas agora, agora eu não estou, então, boa noite. - Girei a maçaneta.

_ Você ainda continua com raiva, não é? Pelas minhas palavras e da forma em que olhei para você.

_ Pensei que iria ser aceita do jeito que sou, Salazar. - Apertei a maçaneta. _ Mas ninguém, nem você, nem Dragon e nem mesmo a titia aceitaram o meu jeito de ser. Mas está tudo bem, acho que já me acostumei a não ser aceita pelas pessoas que eu mais prezo na minha vida.

Abro a porta e saio por ela.

Fiquei alguns segundos no corredor tentando colocar tudo em ordem para não surtar.

Eu não sei se a família Malfoy iria me aceitar, não, eu sei. Eles não iriam aceitar a pessoa que eu me tornei. Eles não iriam aceitar uma pessoa que está matando pessoas por vingança e prazer.

Eles aceitaram o jeito que eu era antes, mas nunca iriam me aceitar desse jeito, já que eles não aceitaram quando o Lorde estava enlouquecido.

Dragon até mesmo me olhou estranho quando eu disse que iria matar a família Rowle...

Fui aceita, mas não completamente. Mas na época eu me senti completa e feliz. Agora, agora eu só sinto um vazio que nunca pensei em sentir. Sinto falta, falta de alguém, mas de quem?

Voltei para o meu quarto e a vela continuava queimando. Fechei a porta e fiquei olhando a mesa, deveria continuar o feitiço de display, mas não estava com paciência para isso.

Então eu apenas mexo a minha mão e todas as coisas que estavam na minha cama foram colocadas dentro da bolsa.

Vou até a minha cama e me deito nela, puxo os cobertores e abraço a bolsa.

Ainda tenho que consertar essa mania, um dia, um dia eu conserto...

───※ ·❆· ※───

Todos estavam na mesa e o silêncio já estava me dando agonia. Eles estavam comendo e se olhavam de vez em quando, mas ninguém falava nada.

Já tinha uns bons minutos que estava sentada nessa mesa e os observava. Nem estou com vontade de repetir o café da manhã, a única coisa que eu queria saber, era o que estava acontecendo?

_ Tudo bem, estou cansada desses joguinhos. Poderiam me dizer o que está acontecendo?

_ Estamos há dias tentando fazer o núcleo da escola... - Rowena suspirou.

_ E também não temos nada que simbolize as nossas casas além dos nossos animais. - Helga encostou sua cabeça na mesa.

_ E por que não me perguntaram? - Eles se olharam e depois me olharam.

_ Boa pergunta. - Godric estalou os dedos e revirei os meus olhos.

_ Pensei que nós iríamos nos usar, foi isso que vocês queriam desde o começo e já estou usando vocês, não deveriam me usar?

_ Não pensamos mais... - Interrompo a Rowena.

_ Os símbolos, não é? Bom, peguem papel, pena e tinta. Vou começar a falar.

_ E o núcleo? - Salazar me perguntou. _ Uma escola de magia precisa ter um núcleo, ela precisa estar viva para ajudar os alunos.

_ Posso ver se existe alguma coisa comigo que me informe como vocês podem fazer esse núcleo. - Deve ter alguma pasta comigo para me informar isso.

_ Podemos ir para Hogwarts em vez de ficar aqui. - Helga voltou a vida e estava animada.

_ Ótima ideia, vamos lá. - Rowe se levantou, na verdade, todos se levantaram.

Eu só queria voltar para o meu quarto e continuar criando o feitiço, mas já que abri a minha boca e disse que iria ajudar, nada mais justo eu realmente fazer isso. Vamos lá, talvez eu descubra algo incrível.

Levantei-me da cadeira e vou até o segundo andar para pegar a minha bolsa, talvez, enquanto eu estiver fazendo vários nadas naquela escola, eu encontre algo que faça o núcleo.

Pego a minha bolsa e a coloco atravessada no meu corpo. Desço novamente para o primeiro andar e todos estavam me esperando, acho que eles sempre me esperam, nunca ao contrário.

_ A escola já está pronta? - Perguntei saindo de casa.

_ Não, ainda não. Mas falta pouco e Salazar comprou mais elfos, eles são tão disciplinados que Hogwarts irá demorar menos de um mês para ficar pronta. - Rowena estava empolgada.

_ Ele não comprou mais elfos. - Sussurrei. _ Vocês já têm a cor de suas casas? - Os perguntei.

_ Pensei que você soubesse. - Salazar cutucou a minha bochecha. _ Como sempre.

_ Saber, eu sei, mas quero saber o motivo dessas escolhas.

_ Eu gosto de verde.

_ E o prata? - O perguntei.

_ Tem prata? - Ele me olhou sem entender.

_ Vamos, não temos tempo a perder. - Godric estava muito animado e logo os vejo aparatar.

_ Vamos? - Salazar ofereceu o seu braço. _ Eu sei que você está com raiva de mim, pequena rata. Mas eu quero te recompensar por isso.

_ Visite Hollow comigo e compre um pedaço de terra para mim.

_ Faço até a casa que você eventualmente irá morar.

_ Não vou morar lá. - Peguei o seu braço e sumimos do bairro que a casa de Salazar ficava. _ É apenas um lugar que tenho um sentimento misto.

Ele me olhou e começamos a andar para dentro do castelo.

_ Que sentimento misto é esse?

_ Tristeza e alegria. - Apenas falei isso.

Entramos no castelo e uma sensação gostosa acariciou a minha magia e me senti muito bem aqui dentro. Era como se eu tivesse que estar aqui, como se tudo que fiz fosse para esse momento.

_ Encantador, não acha?

_ Sim. - Me distanciei dele e vou até à parede de pedra. _ Mágico. - Sussurrei, enquanto tocava a parede e ela vibrou ao meu toque. _ Tem certeza de que não tem magia nessas paredes?

_ Certamente, verifiquei várias e várias vezes. - Tocou a parede e não aconteceu nada. _ Por quê?

_ Eu a senti vibrar. - Falei.

_ Talvez essa escola sinta que você é mais que uma viajante do tempo, pequena rata.

_ E o que ela sente?

_ Que você é a quinta fundadora...

_ Uma fundadora fantasma? - O perguntei.

_ Podemos colocar dessa forma, já que você irá sumir por anos e irá retornar como um fantasma.

_ Não acho certo ser...

_ Você não tem que achar nada, a escola que tem. - Impressionante como ele é sempre cheio de si, ódio.

_ Você às vezes é insuportável e odeio essas horas.

_ Saiba que eu sempre amo a sua petulância e arrogância. - Aproximou de mim e beijou as minhas bochechas. _ Sou completamente rendido por você, pequena rata. - Fico surpresa. _ O gato comeu a sua língua?

_ Salazar, vamos. - Godric gritou. _ Venha, Leesa. Temos que fazer o nosso brasão.

_ Farei o melhor que puder. - Falo me distanciando de Salazar.

_ E um dia eu mato você, Godric. - Salazar gritou.

_ Irá me matar com amor? Adoraria. - Godric zombou e corri até ele. _ Venha, vamos para o Grande Salão, vamos conversar melhor sobre os símbolos e cores.

_ Claro. - Olhei para trás e Salazar falava alguma coisa baixinho. _ Venha, não fique resmungando como um velho.

Ele sorriu e ficou ao meu lado.

_ Ah, aí estão vocês, pensei que tivessem caído do precipício e morrido estrebuchados no chão. - Às vezes Helga me dava medo.

_ Eu já pensei que eles estivessem em outro lugar, fazendo outras coisas. - Rowe sorriu nada inocente. Essas leitoras ávidas me dão medo.

_ Vocês me dão medo. - Digo me sentando ao lado de Helga. _ Mas vamos lá, quem quer ser o primeiro? - Peguei as coisas dentro da minha bolsa, já que ninguém se lembrou de trazer.

_ Eu. - Helga levantou a mão. _ Eu só sei que quero o texugo como símbolo, mas quero algo a mais. Entende?

_ Irei falar o que tem em seu brasão e seus significados e você vê se quer mudar. - Ela concordou. _ Isso é muito estranho.

_ Por quê? - Godric perguntou.

_ Porque no final de tudo, vocês irão escolher o que eu lhes disser. Não faz sentido...

_ Mas quero saber o que o futuro realmente pensa sobre esses símbolos que criamos sem a sua intervenção. - Rowe me interrompeu.

_ Ok, vamos lá. - Pego dentro da minha bolsa a pasta de Hogwarts, essa bolsa tinha tudo, menos a minha felicidade. _ Helga Hufflepuff; casa da Lufa-Lufa; as pessoas que entrarão em sua casa serão nobres, leais, justos, honestos, corajosos e respeitosos.

_ Isso define tanto a Helga que me deu sono. - Salazar bocejou e revirei os olhos.

_ Existem seis animais em seu brasão. O texugo é o principal, é claro. - Mostro para todos o brasão. _ A abelha significa dinamismo e trabalho árduo, o caramujo...

_ Tem um caramujo? - Godric ficou olhando para Helga e ela deu de ombros.

_ Sim, tem um caramujo e significa perseverança. O cordeiro. - Apontei para o cordeiro no topo. _ Representa gentileza e paciência. O cão representa vigilância e lealdade.

_ Tudo do bom e do melhor é para ela, que coisa, não? - Salazar resmungou novamente.

_ Você está com inveja, Salazar? - Helga perguntou.

_ Estou me tremendo de inveja.

_ Não ligue para ele, ele está com sono. - Godric deu de ombros.

_ Pensei que tivesse dormido. - Falo o observando.

_ Certas palavras me incomodaram a noite toda, pequena rata. - Deitou sua cabeça na mesa e fechou os olhos. _ Quando for a minha vez, apenas me dê um beijo na bochecha, escutou, pequena rata?

_ Claro. - Pisquei para Godric e ele sorriu. _ Continuando, o javali sugere a resistência; as folhas de faia demonstram tolerância; os braços cruzados são o símbolo do trabalho duro; o losango é o símbolo da constância; a coluna é o símbolo da firmeza e por último, a mão. Que representa a fé e a justiça.

_ E as cores?

_ A sua casa tem duas cores, o preto e o amarelo; que representam o trigo e à terra. Geralmente o amarelo está relacionado a coisas alegres e divertidas, já na psicologia diz que é do pensador prático. A cor preta está associada à elegância. - Lembrei do Dragon. _ E mistério.

_ Posso ficar com essa folha e observar o brasão? Talvez eu mude alguma coisa. - Tirei a folha e a entreguei. _ Obrigada.

_ Quem é o próximo? - Godric olhou para Rowena e ela deu de ombros. _ Ok, Godric Gryffindor; casa da Grifinória; as pessoas que entrarão em sua casa serão corajosas, sinceras, controladoras, ciumentas...

_ Tem certeza de que não está falando características do Salazar? - Godric estava com as bochechas vermelhas.

_ Tenho. - Rowena segurou o riso. _ Continuando, eles são determinados, impulsivos, aventureiros, teimosos e competitivos.

_ Só falou coisa boa. - Salazar zombou e pensei que ele estivesse dormindo.

_ Durma antes que eu te dê um soco. - Godric deu um tapa na cabeça de Salazar.

_ Acho que esqueci de comentar que alguns podem ser briguentos - Salazar gargalhou e Godric ficou ainda mais vermelho. _ Sobre o seu brasão. - Mostrei a folha para Godric. _ O sol representa glória e esplendor; a cabeça de boi. - Mostrei o símbolo que estava quase no final do brasão. _ Representa bravura; o unicórnio é o símbolo da coragem e força; as folhas representam a superação de seus temores e por último. - Apontei para o grifo. _ O grifo é um símbolo de bravura e coragem de desafiar a morte. E claro, tem o leão como representante de sua casa.

_ E as cores? - Rowena perguntou interessada.

_ São vermelho e dourado, o vermelho está conectado com o elemento fogo, mas também representa paixão, movimento e energia. O dourado representa o sol, a abundância e ao poder. - Entrego a folha para ele.

_ Me deixem por último. - Em nenhum momento ele abriu os olhos.

_ Rowena Ravenclaw; casa da Corvinal; as pessoas que entrarão em sua casa serão inteligentes, conhecedores, criativos, mentes abertas, independentes, peculiares, tolerantes, curiosos e bons amigos.

_ Tão Rowena. - Salazar resmungou, mas Rowena estava empolgada demais para retrucar.

_ Sobre o seu brasão. - Pego a folha que tinha o brasão da Corvinal. _ A águia representa que você pode voar a alturas que ninguém consegue; o corvo é sinônimo de inteligência; a coruja representa a sabedoria; a raposa e o cisne representam animais sagazes e inteligentes. - Aponto para a última coisa do brasão. _ O livro aberto representa toda a importância dos estudos para os Corvinos, e eu particularmente adoro essa cor.

_ Tão linda, não?

_ Com toda a certeza, a cor de sua casa é azul e bronze, a casa do elemento ar. Na psicologia, o azul representa confiança, responsabilidade e lealdade. Mas também pode ser uma cor calmante e pode ser comparado ao nível mais alto da inteligência. E o bronze pode representar a independência e força. - Entreguei a folha e ela só faltava correr como uma louca pelo Grande Salão.

_ Leesa, eu te amo. Você sempre irá morar dentro do meu coração e isso é muito importante, não apenas para mim, mas, para todos nós. - Rowena fungou o nariz e abraçou a folha.

_ Isso me deixa muito feliz, Rowe. - Realmente me deixava.

Sorri de lado e olhei para Godric que estava preso em seus pensamentos, bom, acho que ele não poderá me ajudar a acordar o belo adormecido.

_ Salazar, vamos, preciso falar sobre o seu brasão.

_ Estou dormindo.

_ Então fique sem saber. - Ele abriu um olho e ficou me observando.

_ Eu sou sempre maltratado. - Bufou e levantou o seu corpo para observar melhor a sua folha.

_ Não, você que é dramático.

_ Sou o drama em pessoa.

_ Salazar Slytherin; casa da Sonserina; as pessoas que entrarão em sua casa serão extremamente inteligentes, ambiciosas, determinadas, senso de autopreservação, fofoqueiras, leais para apenas aqueles que merecem, raciocínio rápido, esforçadas, astutas, egoístas, dramáticas...

_ Ei, isso são qualidades? Por que parece que você está me insultando?

_ Mas não estou, são as qualidades de sua casa, e a maioria das pessoas de sua casa são ótimos líderes e só pensam em si mesmos.

_ Está me insultando.

_ Não, estou te elogiando. - Ele bufou e ficou olhando o seu brasão. _ O pavão representa poder, ressurreição e imortalidade. - Só consigo me lembrar dos pavões do tio Lucius. _ O basilisco...

_ Ah, não, você colocou um basilisco no seu brasão? - Helga perguntou incrédula e Salazar revirou os olhos.

_ Não comece, Helga. Você tem um caramujo no seu brasão.

_ Caramujo são inofensivos.

_ Tem alguns que matam. - Digo e eles me olharam. _ Vamos continuar, o basilisco representa o temor de todos que o contemplam; a lua crescente que representa a glória maior; a coroa. - Apontei para ela e vejo Salazar sorrir. _ É o símbolo da superioridade; o carvalho que representa força e antiguidade; o cisne é o símbolo da perfeição e o jaguar que representa ferocidade e poder. E claro, tem a sua cobra.

_ Eu gostei, acho que não mudarei nada, tem tudo que eu acho admirável.

_ Se você está dizendo. - Dou de ombros. _ As cores de sua casa são verde e prata, o elemento mais próximo de representar a sua casa é a água. O verde tem uma conexão sobrenatural, pode ter uma conexão com as fadas ou pode representar a desgraça e a morte.

_ Já entendi que a minha casa é a coisa mais perfeita do mundo. - Salazar sorria muito e fico encantada com o seu sorriso espontâneo.

_ Mas também pode representar energia e renascimento, mas no mundo bruxo a cor verde representa status social. Já o prateado representa prestígio e riqueza. - Ele pegou a folha e ficou olhando para ela. _ Bom, esses são os seus brasões e o que eles representam.

_ E o seu? Já pensou? - Rowena me perguntou.

_ Viu, eu disse para você fazer uma casa.

_ Não, não quero...

_ Você vai fazer. - Disseram os quatro.

_ Ok, mas eu não terei uma mesa no Grande Salão e nem mesmo alunos em minha casa.

_ Isso é tão triste. - Helga falou com pesar. _ Mas se essa é a sua decisão, não podemos falar muita coisa.

_ Obrigada. Mas ainda não sei como será o meu brasão ou se vai ter. Quero pensar primeiro. - Eles concordaram. _ Eu vou deixar vocês... - Sinto minha magia rodopiar no ar e o ar ficou muito mais poderoso do que a primeira vez que entrei aqui.

_ O que foi? - Salazar perguntou preocupado.

_ Vocês não estão sentindo isso?

_ Isso, isso o quê? - Godric olhou em volta.

_ Como se a magia do ambiente tivesse mudado e tivesse ficado mais pura e energética. Como se chamasse alguém. - Digo observando as paredes de pedras.

O Grande Salão só tinha algumas coisas, como as quatro mesas, a mesa dos professores e o teto enfeitiçado que foi ideia de Rowena e Helga. Era simples, mas perfeito, ainda mais por ter essa magia no ar.

_ A escola ainda não tem magia, um dos motivos...

_ Não, Godric. A escola tem magia... - Digo me levantando. _ Eu preciso ir, quero saber mais sobre isso e espero que vocês já comecem a fazer os seus salões comunais.

_ Mas não sabemos... - Helga iria falar.

_ Helga, seu salão fica no corredor da cozinha, Rowena, o seu fica no sétimo andar, apenas escolha a sua torre e Godric, você é a mesma coisa.

_ E eu? - Salazar apontou para si.

_ Masmorras. - Saio correndo.

Não me importei por deixar a pasta de Hogwarts na frente deles, eles saberão o que pode ou não fazer.

Não sabia para onde estava indo, mas eu confiava na minha magia para me ajudar, ela iria me guiar e me levaria para o lugar que eu precisava ir, para o lugar que estava me chamando desde que pisei os meus pés em Hogwarts.

Subo as escadarias e não me importava se meus pulmões estavam clamando por ar, eu só queria saber o que estava me chamando e quando cheguei no sétimo andar quase morrendo e caindo em meus próprios pés, olhei para a parede lisa que se mexia como se estivesse esperando para ser descoberta há muito tempo.

_ A sala precisa. - Digo me recompondo.

A Byella já tinha me dito que em seus anos em Hogwarts acabou encontrando essa parede, mas nunca pensei que essa parede poderia ser o núcleo de Hogwarts e a "coisa" que me chamava.

Fui até a parede e a toquei e toda a escola vibrou, ela realmente estava esperando alguém ou ela estava me esperando. Não saberia o motivo disso.

_ O que você quer que eu faça? - Pergunto para a parede e ela não me respondeu. _ Às vezes eu odeio coisas mágicas que não conseguem falar.

O que eu deveria fazer? Dar um nome à parede? Andar na sua frente três vezes? Fazer um feitiço? Não, não vou fazer nenhum feitiço, já basta o feitiço do display. Se eu tentar fazer outro, é bem capaz de acabar morrendo.

_ O que você quer que eu faça? Me dê qualquer dica, odeio enigmas e eu acho que odiaria estar na casa da Corvinal apenas por isso.

Encostei a minha testa na parede e ela ficou quente, ela estava realmente viva e isso era impressionante.

_ Não sei nenhum feitiço que faça algo ganhar vida, bom, você está viva, mas precisa de algo, um núcleo para que todos possam lhe sentir. - Sentei-me no chão e apoiei a minha cabeça na parede. _ Acho que na minha bolsa não terá uma pasta me contando sobre um feitiço ou algo desse tipo.

Olho para as minhas mãos e penso em algo totalmente improvável, mas e se?

_ Não, não vou fazer isso. Você pode acabar explodindo já que você é mágica. Tão complicado.

Deveria ter um manual de instruções para fazer uma escola ter um núcleo. Seria muito mais fácil do que ficar sentada no chão frio e pensar em coisas nada motivadoras.

Sinto algo caindo na minha cabeça e acabou no meu colo. Acho que tudo pode ser possível, até cair um livro na sua cabeça de sabe-se lá de onde veio.

_ Você já tem livros? - Perguntei para a parede e ela vibrou. _ Todos os tipos? - Vibrou novamente. _ Até sobre Horcrux? - Ela ficou quieta e pensei que ela não iria me responder, mas ela respondeu.

Tinha, tinha livros que falavam sobre as Horcrux que o Lorde fez. Talvez eu encontre algo que o faça imortal, mas sem perder a sua personalidade. Isso é para um futuro próximo.

Vejo que o livro era de couro, acho que foi por isso que não doeu tanto, se fosse de capa dura, eu estaria morta por traumatismo craniano.

O livro não tinha título, mas suas páginas já estavam amareladas pelo tempo e o cheiro não era ruim. Era um cheiro de poeira com mofo, gostava desse cheiro.
As páginas passaram sem o meu consentimento e vejo uma página explicando sobre um feitiço que eu nunca ouvi falar.

O nome do feitiço era Rursus e fazia com que uma bolinha preta de magia condensada entrasse em contato com a coisa mágica que você queria dar à vida. A bolinha seria o núcleo que faria toda a escola se tornar viva para as outras pessoas.

E talvez essa bolinha virasse um fantasma, mas isso não estava claro o suficiente para mim.

_ Espero que para fazer essa magia não precise de varinha, eu não tenho uma. - Digo me levantando com o livro em mãos. _ Ok, vamos lá. - Suspirei fundo e sinto minha barriga tremer de ansiedade. Eu consigo. _ Rursus.

Estalei os dedos e uma bolinha minúscula saiu dos meus dedos e pensei que tinha fracassado, mas a bolinha desapareceu quando se chocou com a parede e toda a escola tremeu.

Será que iria desabar? Eles iriam ficar tão putos comigo...

A escola parou de tremer e dou um suspiro de alívio, não queria ser soterrada.

_ Finalmente! - Escuto uma pessoa gritar e olho para a parede e nela tinha um fantasma de uma criança. _ Sabe quantos meses fiquei tentando chamar atenção daquelas pessoas? Muitos! Estou tão feliz, olha como estou bonita.

_ Hogwarts?

_ A escola é Hogwarts, mas eu sou a magia dela. Não quero ser confundida com as duas. - Falou irritada. _ Você pode me nomear? - Voou até mim e ela era incrivelmente bonita para uma criança.

_ Você sempre será uma criança? - Ela se olhou e ficou andando no ar.

_ Não, eu irei crescer à medida que a escola for ficando mais velha, no final serei uma adulta, como você, Leesa.

_ Eu não disse o meu nome. - Ela sorriu.

_ Mas não preciso que você me diga o seu nome, quinta fundadora. Afinal de contas, eu sou a magia de Hogwarts, tenho tudo que você precisa, e sei de tudo que você necessita.

_ Um dos motivos que seu nome é a Sala Precisa.

_ Que nome ridículo, me dê um melhor.

_ Mas você vai ser chamada assim.

_ Pelo menos não irão me chamar de encapuzada. - Do que ela estava falando?

_ Sala precisa... Requisitos... Melissa. Seu nome será Melissa.

_ Fraco, mas é o que temos para hoje, né?

_ Você quer outro? Talvez bolota seja melhor.

_ Não! Melissa está ótimo, é bem moderno e eu adorei. - Sorriu torto.

_ Bom, como eu já fiz o núcleo da escola, eu vou andar por aí, até...

_ Não quer me conhecer? Tenho uma sala especialmente para você, que tal?

_ Apenas eu poderei entrar?

_ Sim, se você quiser deixar outra pessoa entrar, você deve me falar antes. Será a sala secreta da quinta fundadora e eu também posso conectar o seu salão Comunal com essa sala. E claro, nenhum professor ou professora poderá entrar aqui sem seu consentimento. Mesmo que eles destruam essa parede, eles nunca irão achar essa sala e nem o seu salão Comunal.

_ Ainda não tenho...

_ Mas você terá. Em algum lugar deste castelo, mas vai ter.

_ Eu já estou cansada de escutar todos vocês dizendo que tenho que ser a quinta fundadora, que deveria ter um salão Comunal, que deveria ter isso e aquilo. - Fiquei irritada.

_ Não temos culpa que você não enxerga o óbvio. Bom, vamos lá? - Passou pela parede e uma porta apareceu.

Era uma porta ornamentada e não queria ir lá e conhecer a sala que ela fez especialmente para mim. Queria fazer outras coisas em vez de conhecer uma sala.

Que coisas eram essas? Passagens, passagens secretas para sair de Hogwarts ou entrar no castelo sem que as barreiras me impedissem. Preciso construir duas em cada canto desse castelo. Pelo menos duas.

Bom, ainda era cedo, poderia fazer isso mais tarde. Vou até à porta e a abro e fico espantada com tanto esplendor.

Eu não gosto de reparar em lugares desde que a titia me deu uma bronca sobre isso, mas, uau. Entrei na sala e fico maravilhada com o lugar, ok, retiro tudo que eu disse sobre essa sala.

A sala era muito bem iluminada com velas e algumas velas tinham chamas verdes. No meio da sala tinha uma mesa negra que flutuava e suas cadeiras ao redor faziam a mesma coisa.

Tinham outras mesas que estavam no fundo, mas elas não eram como a mesa central que flutuava.

A sala era de dois andares. O primeiro andar tinha estantes e prateleiras de livros.

_ Como tem livros aqui? - Perguntei enquanto colocava o livro de couro em uma prateleira qualquer.

_ Talvez eu tenha roubado alguns livros para suprir suas necessidades, mas não se preocupe, ninguém irá perceber esse roubo, já que fiz uma cópia.

_ Como você fez isso? - Alisei as lombadas dos livros. _ E essas são as cópias, não são?

_ Não, são os originais.

_ Você não me respondeu.

_ Eu não sei, apenas senti a necessidade de fazer isso. Então juntei o pouco de magia que eu tinha e comecei a viajar pelo mundo para conseguir esses livros.

_ Os livros que irão existir, eles também...

_ Sim, eles estarão aqui. - Ela olhou de esguelha e parecia estar mentindo, mas como eu sabia disso?

_ Isso é interessante. - Olhei para um tomo específico, era sobre Horcrux.

Deveria queimá-lo, mas não irei fazer isso. Não serei ruim com os seus desejos, se ele quer ser imortal, vou ajudá-lo sem ele perceber e ainda tenho o desejo de apenas ser uma sombra.

Não quero ser alguém importante, não almejo nada disso, apenas a minha vingança e talvez o mundo. Mas eu posso ser apenas a pessoa por trás de tudo e o little lord ser o comandante.

_ O segundo andar tem cinco portas, se você quiser trazer os seus amigos. - Voou para cima e percebo o segundo andar. _ E as cadeiras e a mesa flutuante irão mudar de acordo com a pessoa que está sentado nela. Então, ela pode ser um trono ou pode ser uma cadeira de couro... - Não continuou falando.

Vou até à escada que estava escondida por uma estante e começo a subi-la.

O corrimão era feito de ouro e eu queria saber de onde saiu esse ouro, se ela me falasse o lugar em que ela pegou esse ouro, eu poderia muito bem pegar um pouco. Afinal, eu sou apenas uma pessoa pobre vivendo de favor.

Vejo que no andar de cima só tinha cinco portas e a primeira que vejo é uma verde.

_ Aposto que é o quarto de Salazar.

Abro a porta e vejo que o quarto de Salazar era muito típico, ele era de cores de sua casa e tinha seu símbolo na maçaneta da porta, tão clichê, mas, ao mesmo tempo, belo.

Saio do quarto de Salazar e vejo que ao lado dele se encontrava o quarto de Godric com uma porta carmesim, o quarto era rústico e me lembrava a casa do meu avô. Só de pensar naquele homem me deu ódio, nada contra esse quarto, mas poderia ser menos significativo para mim.

Saio do quarto do Godric e vejo que o quarto ao lado era da Rowena e a porta era de um azul que me lembrava a noite, o quarto tinha uma decoração de céu noturno e era aconchegante.

Eu estava completamente apaixonada por esse quarto, com certeza era por causa da cor. Vejo que na mesa de cabeceira tinha uma pequena estátua de águia de bronze. Fofo.

Saio do quarto de Rowena e vou para o quarto da Helga.

A porta era de um amarelo-ouro e o quarto tinha cores escuras, tinha uma parede de plantas e outra cheia de livros. O quarto era iluminado por uma janela que mostrava algum lugar muito bonito por sinal.

Era como um quarto de família trouxa que tinha boas condições.

E ao lado do quarto de Helga se encontrava o meu.

A sua porta era negra e aquilo me fez estranhar um pouco, preferia azul do que uma cor escura para decoração. Eu não ligava em usar roupas escuras, mas a decoração já era um caso diferente.

Não estava com vontade de abrir a porta, então faço a minha magia abri-la. Dou alguns passos para trás e coloco a minha mão na minha boca para não gritar.

O guarda-corpo me impediu de continuar a andar para trás e minhas pernas desabaram no chão da sala.

_ Faça desaparecer! - Gritei para Melissa e a porta desapareceu, mas meu coração batendo fortemente na minha caixa torácica e o medo sacudindo meu corpo não se foram.

Era aquele lugar, era a minha cela, era aquele lugar que me prendeu por anos, eu podia me ver. Eu podia ver todos os dias que eu fiquei algemada, tendo apenas a música na minha cabeça como companhia.

Dos meus sonhos que viraram pó e dos gritos que abafei por tantos anos. Meu corpo tremia e minhas mãos apertavam o meu corpo como se pudesse acalentá-lo.

Eu não estou lá, não estou sendo torturada por aquelas pessoas e ninguém está me torturando.

Dragon...

Minha família... Eles se foram.

Estou sozinha, estou sozinha, estou sozinha, sozinha, sozinha, sozinha.

Estou com medo.

Alguém? Alguém pode me ajudar? Não quero mais me lembrar, não quero mais, estou com medo...

_ Leesa? - Olhei para o lado e vejo Melissa me olhando. _ O que foi? Por que você está parada olhando para a sua porta?

O quê? Olho para a frente e vejo que não tinha nenhuma porta escura. Era uma porta bege e ela estava entreaberta.

_ Não era... - Mas não era escura? Não era... O que estava acontecendo?

Estou alucinando? Belisquei o meu braço e sinto a dor do beliscão e a porta continuou bege. Mas, eu vi, eu senti meu coração batendo rápido no meu peito, senti tudo. Me senti perdida e com medo.

_ Você não parece bem.

_ Acho que você tem razão, não estou bem. - Abro a porta e era apenas um quarto comum, nada muito importante.

Mas tinha um símbolo, era um vira-tempo sendo atravessado por uma espada. O motivo de ter uma espada era um mistério para mim, mas até mesmo tinha um coelho ao lado do símbolo e outras coisas que não entendia muito bem o seu significado. Não naquele momento.

O quarto parecia aconchegante e bonito, mas a minha cabeça sempre mudava para o primeiro quarto que vi.

_ Irei precisar de outro lugar para dormir. - Como Hogwarts estava quase pronta, não pensava mais em ficar na casa de Salazar.

Acho que eu realmente preciso criar um salão comunal. Saio do quarto e olho em volta, essa sala era maravilhosa e eu a usaria muito bem.

_ Não gostou do quarto?

_ Acho que ele não serve para mim, obrigada por fazê-lo. - Ela ficou um pouco triste, mas não disse nada.

_ Você nunca está satisfeita... - Falou baixinho, mas escutei. O que ela queria dizer com isso?

Eu iria perguntá-la, mas a vejo sumir. Ela estava me escondendo alguma coisa e eu iria descobrir. Sempre descubro.

Desço para o primeiro andar e saio daquela sala exclusivamente minha.

Tenho que fazer as passagens, mas isso eu poderia fazer com a ajuda da minha magia, enquanto eu ia no segundo andar.

Enquanto descia a escadaria, começo a escutar uma discussão e só de pensar em uma discussão a minha cabeça doía.

_ Meus senhores, não podemos destruir essas paredes para colocar esses... O que seria isso?

_ Encanamento, precisamos disso, precisamos criar banheiros. - Rowena estava afobada enquanto falava para o elfo. _ Vamos, vocês conseguem.

_ Não podemos quebrar as paredes...

_ O que está acontecendo? - Pergunto indo até eles.

_ Ah, Leesa. Bem na hora, por favor, nos ajude. - Helga veio até mim e me puxou para que ficássemos mais próximas. _ Nós ficamos curiosos com sua pasta sobre a escola e vimos que existem encanamentos em Hogwarts e a gente queria colocar, mas...

_ Mas os elfos estão dizendo que não podem, porque eles não querem quebrar as paredes. - Rowena complementou.

_ Vocês estão esquecendo de algo importante, vocês não sentiram? Hogwarts está viva. - Salazar pontuou me observando. _ O que a minha pequena rata fez?

_ Só fiz o que me pediram, fiz o núcleo de Hogwarts.

_ Brilhante! - Rowena bateu suas mãos a unindo.

Ela iria falar mais alguma coisa, mas a parede que Godric estava encostado acabou se abrindo por causa da minha magia conectada a Hogwarts. Ele caiu dentro do buraco que se abriu na parede e Salazar gargalhou.

_ Eu vou guardar essa memória para sempre. - Salazar foi até Godric e o ajudou a se levantar.

_ Mas, o que aconteceu? - Helga foi até o buraco e olhou dentro. _ Está se formando uma passagem...

_ Isso é culpa minha, estou fazendo passagens secretas e a minha magia está me ajudando. - Eles me olharam. _ Eu acho que como fiz o núcleo de Hogwarts, acabei me conectando com ela.

_ Ou você já estava conectada há muito tempo e não sabia. Desde que pisou seus pés aqui, você já estava sentindo a magia de Hogwarts, algo que nós, não sentimos até que você fez o núcleo. - Salazar explicou e ele tinha razão.

_ Viu, você sempre será a quinta fundadora. - Helga apertou a minha mão.

_ Obrigada. - Sorri para ela. _ Irei ajudar vocês a colocarem os encanamentos, mas não estarei presente, tenho que ir em um lugar.

_ Fora de Hogwarts? - Salazar perguntou.

_ Não. - Ele concordou. _ Então eu já vou indo. - Olhei para a minha magia que estava cutucando a bochecha de Godric e a disse: _ Se comporte e os ajude, ok? - Ela concordou do seu jeito.

_ Eu lhe acompanho.

_ Pensei que iria terminar de fazer o seu salão. - Digo.

_ Eu posso passar essa missão para os elfos, eles já estão fazendo os símbolos da minha casa e não preciso ficar os importunando.

_ Se você está dizendo. - Me despedi dos outros três e fomos andando. _ Você já fez a sua câmara? - Ele olhou para o lado e não me respondeu. _ Você já fez.

_ Vai contar para os outros?

_ Só se você não me ajudar a fazer algumas poções, preciso do seu bichinho.

_ O meu bichinho é apenas um ovo.

_ Você não tem nenhum sangue de basilisco para me dar? - Ele franziu a testa. _ Eu preciso, na verdade, necessito do sangue.

_ Se eu der pelo menos dois litros, você promete que não irá contar sobre a câmara?

_ Eu prometo. - Mostrei as minhas mãos para ele e ele ficou sem entender.

_ Por que está me mostrando suas mãos?

_ Por nada. - As escondi e continuamos andando. _ Falta pouco para eu ir embora. - O observei.

_ Já sabe a data de sua partida?

_ Provavelmente mais dois meses e irei embora. - Ele não disse nada.

Parei de andar e vejo que o banheiro que a Murta iria morrer, era apenas uma sala com uma pilastra no meio. Salazar parou e ficou olhando para a pilastra.

_ Terá que mudar a pilastra, essa sala será um banheiro. Você deve ficar feliz por eu não ter escrito nada sobre a sua câmara naquela pasta ou a minha promessa de agora a pouco, não serviria para nada. - Entro na sala e ela era nada mais que uma sala vazia e ampla.

_ Um banheiro? - Me perguntou entrando na sala.

_ Sim. - Estalei os dedos e faço que uma ilusão do banheiro aparecesse e a sala mudou completamente. _ É isso que ela irá virar. - Agradecia muito o meu pequeno Scorpius por ter me dado a maioria de suas lembranças em apenas um vidrinho. E agredeço a titia por me incentivar a ver suas lembranças.

_ Um banheiro para homens?

_ Antigamente era para mulheres, mas, isso mudou quando uma pessoa morreu aqui. Então o banheiro passou a ser um refúgio para todos os alunos que não tinham medo do fantasma. - Vou até o "espelho" escondido atrás da pilastra.

_ O que você pensa em fazer aqui?

_ Talvez a entrada da minha sala comunal. - Dei de ombros. _ Porque não fazer algo secreto tendo outra coisa mais importante do que uma sala escondida atrás de um espelho, não acha?

_ Você vai usar a minha câmara como fachada?

_ Sua câmara vai ser descoberta uma hora ou outra e ela vai roubar toda a atenção. - Virei para olhá-lo. _ Claro, não vai ser por mim e sim, por um dos seus descendentes. - Volto a olhar a parede que tinha o espelho de ilusão.

_ Então vai ser aí? - Concordei. _ Vai abrir um buraco?

_ Abrir um buraco é fácil, mas criar uma sala é o difícil. - Vejo um livro caindo e eu o peguei antes que caísse no chão. _ Obrigada, Melissa.

_ Quem é Melissa? - Perguntou, enquanto me via abrir o livro.

_ O núcleo de Hogwarts. - Vejo as páginas passarem como antes e parou em uma página que falava sobre uma poção. _ Não tem um de feitiço?

_ Não. - Melissa apareceu e cumprimentou Salazar. _ Fundador, é um prazer conhecê-lo. Me chamo Melissa, a sala precisa ou núcleo de Hogwarts. - Fez uma mesura para o homem.

_ O prazer é meu. - Ele acenou com a cabeça e ela desapareceu.

_ Bom, terei que fazer uma poção, meus planos para fazer um salão hoje foram para o ralo. - Faço desaparecer a ilusão e saio do futuro banheiro.

_ Você vai voltar para casa? - Falou andando ao meu lado.

_ Não, eu vou voltar para o sétimo andar. Tenho que fazer essa poção, terminar um feitiço e tentar fazer mais um experimento, mas dessa vez comigo.

_ Tantas coisas. - Pior que era verdade.

_ Bom, estou indo. Boa sorte com seu salão comunal. - Ele iria falar alguma coisa, mas eu já estava entrando por uma passagem secreta que a escola fez.

Meus dias aqui, estavam acabando mais rápido do que pude imaginar. Estou ansiosa para finalmente conhecê-lo, little lord.

_ Melissa. - A chamei e ela voou na minha direção. _ Você só consegue livros, ouro e essas coisas ou consegue ingredientes para uma poção?

_ Consigo tudo que você desejar, só precisa me pedir.

_ Ótimo, quero que você ache essas coisas. - Começo a falar os ingredientes.

_ Está pensando em fazer uma poção da verdade?

_ Já existe nessa época?

_ Não, ainda não. Mas eu conheço esses ingredientes.

_ Como? - Ela não falou. _ Bom, eu não sabia usar Oclumência na época... - Parei de falar. _ Mas agora eu sei, mas preciso saber se sou forte o suficiente para aguentar essa poção com Oclumência. Mas se não for, eu preciso ser capaz de resistir a essa poção com outro jeito.

_ Fazendo seu organismo se acostumar com ela?

_ Não, se isso fosse possível, já teria me tornado autoimune há muito tempo e quero tentar usar magia negra para enfraquecer a poção, se eu não conseguir nem com isso, terei que fazer outra coisa.

_ Irei fazer o que foi ordenado.

_ Ah, antes de ir, quero que você procure algo. - Ela concordou. _ É isso aqui. - Entrego para ela um papel e o papel flutuou até o seu rosto, já que ela não podia tocar nas coisas.

_ Mas isso é...

_ Eu sei. Apenas ache, por favor.

_ Ok.

Agora eu só precisava esperar, já que a poção demorava um mês para ser feita perfeitamente. Tenho tempo, muito tempo.