Mon petit:
Lembra daquela vez que lhe perguntei sobre se você conseguia fazer uma varinha? Naquela hora eu só queria saber se você conseguia fazer uma, apenas por curiosidade. Você parecia ser tão inteligente, que apenas veio uma coisa na minha cabeça.
"Essa garota sabe fazer uma varinha."
Mas primeiro fui saber se seu sangue realmente não tinha poção ou cura, e descobri que não tinha nada para ele.
No mesmo dia tentei achar ingredientes que poderiam gostar de sua magia. Naquele dia usei um pouco do seu sangue, porque qualquer sangue bruxo tem magia.
Mas acabei descobrindo algo que talvez você não saiba.
Você nunca vai encontrar uma varinha por causa do seu sangue. O motivo é simples, o seu núcleo mágico é "normal", mas a magia que contém em suas veias amaldiçoadas é tão pura que ela quer o melhor.
O seu sangue é um pouco chato, igual à dona.
Mas eu acho que você já sabia disso.
Eu não encontrei nada e a única coisa que poderia fazer, era comprar essa varinha que você provavelmente encontrou dentro de sua bolsa. Ela não gostou de sua magia, mas se você a ameaçá-la, ela vai te obedecer.
Desculpe-me por não conseguir te ajudar com seu sangue. Tentei de tudo, até procurei os duendes e foi aí que descobri que o seu sangue era poderoso o suficiente para ajudar os abortos.
Tente fazer alguns experimentos com ele, eu sei que você consegue.
Lembre-se, sempre estarei com você.
───※ ·❆· ※───
Pateta - Beliscão - Chorão - Desbocado.
_ Você poderia por Magic me dizer o que essas quatro palavras significam? Você já fez isso nos três salões comunais. - Salazar estava sentado no sofá de couro do seu Salão Comunal.
E eu, bom, eu estava escrevendo essas palavras no lado da lareira do seu salão. Fiz isso nos outros três salões e todos me fizeram a mesma pergunta e nunca respondi. As palavras não iriam apagar com o tempo e queria saber se os alunos iriam descobrir o seu significado.
_ São palavras que os alunos das quatro casas poderão usar contra os outros alunos. - Me virei para ele.
_ Agora, me explique corretamente o que significa as quatro palavras?
_ Pateta será usado pela Corvinal, já que seus membros são inteligentes e de mente aberta. Eles usarão essa palavra para descrever as pessoas das outras três casas por não possuírem grande sabedoria. Eles arrumaram uma palavra "bonitinha" para não chamar as outras casas de burras.
_ Que alunos adoráveis que a Rowena irá ter. - Salazar zombou. _ Hum, deixe-me ver, chorão é do Godric?
_ Acertou. Como a casa do Godric é dos atletas e corajosos, os alunos poderão usar essa palavra para descrever os alunos das outras casas ao invés de chamá-los de covardes.
_ Prefiro a palavra covarde em vez de chorão. - Sentei-me ao seu lado e fiquei olhando a lareira aberta, minha magia estava fazendo mais uma passagem.
_ Desbocado é o que a sua casa irá usar para falar sobre os outros alunos. Essa palavra tem muitos significados, mas para nós, significa resto de roupa ou retalho. O que significa que as pessoas que não forem da Sonserina serão insignificantes.
_ Meus alunos sabem das coisas.
_ E por último, o beliscão. Será usado pela Lufa-Lufa, por causa que é a casa que são mais realistas, que tem os pés no chão. Eles irão achar que os outros alunos são irrealistas e precisarão de um beliscão para acordá-los de seus sonhos.
_ Acho que prefiro viver no sonho em vez de enxergar o mundo do jeito que ele é. - Salazar confessou. _ Conseguiu fazer suas poções?
_ Apenas duas delas, mas devo lhe agradecer, aqueles dois litros de sangue foram bastante úteis. - Fiz mais de dez poções de recuperação de magia e fiz a poção que irá fazer o meu salão Comunal.
A poção da verdade ainda precisa de três semanas para ficar pronta.
_ E sobre...
_ Já fiz o feitiço e preciso testá-lo. Mas eu acho que irá funcionar e se tudo der certo, só irá faltar colocar algo dentro do meu vira-tempo e poderei ir embora. - Ele me olhou e fiquei o olhando.
_ Sim, eu realmente prefiro viver na minha imaginação. - Se levantou e foi para os dormitórios de seu salão.
Pensei que iria demorar mais de dois meses para ir embora dessa época, mas pelo andar da carruagem, irei embora no mês que vem. Bom, se eu não tivesse uma poção da verdade em andamento.
Preciso ficar imune a essa poção e preciso criar uma resistência a crucius, mesmo não gritando ou chorando para o prazer dos meus inimigos, eu precisava criar uma resistência.
Mesmo o vovô fazendo de tudo para tirar aqueles livros das minhas mãos, eu não consegui a resistência adequada. Preciso ficar mais forte e vou ficar, mesmo que para isso eu deva me prejudicar.
Então, não, não vou embora em um mês. Deveria ter explicado melhor para Salazar e isso ainda é tão confuso, ele gosta de mim, mas não me deixa acabar com suas ilusões e parece que fica cada dia mais irritado quando falo que vou embora.
Ele é uma pessoa maravilhosa, mas odeia que lhe diga a verdade. Não posso dizer que não sou assim também.
Bom, vamos lá, não posso perder tempo. Me levanto do sofá e pego a minha bolsa que estava nele, a coloquei atravessada no meu corpo e saí do salão da Sonserina. Minha magia iria continuar fazendo a passagem, ela era apenas uma parte da minha magia, já que descobri que nunca usei a magia do meu núcleo.
Sempre usei a magia do meu sangue, um dos motivos que ela não mudou, sempre foi pura. Agradecia imensamente aquela carta do Dragon.
Agora preciso me acostumar a usar a magia do meu núcleo, algo que não está sendo tão difícil. Só preciso lembrar de usar o meu núcleo em vez do meu sangue.
Mas agora, agora eu tinha que fazer o meu salão comunal, não queria mais dormir no quarto da Rowena, mesmo ele sendo lindo.
Meus amigos estranharam o porquê de não estar mais indo para casa, mas eu expliquei a eles que não queria mais ficar de favor na casa de Salazar. Salazar ficou bastante irritado no começo, mas uma hora depois todos já tinham pegado suas coisas para se mudar para Hogwarts.
Eles estão ficando em seus Salões Comunais até que seus quartos estejam prontos, não contei a eles sobre a sala precisa e que lá tinha seus quartos. Porque se eu contasse, teria que dormir no quarto que foi feito para mim e não queria isso. Sim, eu sou egoísta.
Apenas contei sobre a Melissa e que quando eu partisse, ela iria ajudá-los no que fosse necessário. Mas o mais estranho era que Godric queria que todos morassem em Hollow algumas semanas atrás, mas agora, agora ele apenas quer que todos tivessem os seus quartos em Hogwarts o mais rápido possível.
A escola estava pronta tecnicamente, só tinha que arrumar os quartos dos professores e achar professores. Isso era trabalho para Rowena.
Eu sou apenas uma pessoa que não pode ajudar em mais nada, já que não quero que ninguém escreva sobre mim.
Entro no banheiro, sim, agora é um banheiro. Os elfos estão trabalhando muito rapidamente e até eu estou impressionada com a rapidez dessas criaturinhas.
E falando em elfos, a Debby não aparece já tem bastante tempo. Não quero chamá-la, talvez ela esteja fazendo algo importante.
Fico na frente do espelho e pego dentro da minha bolsa a poção e a joguei no espelho, o espelho se iluminou e pensei que ele iria se quebrar ou algo pior acontecesse.
Mas a única coisa que aconteceu foi aparecer uma porta de madeira com galhos de árvores feitas de ferro.
Aproximei da porta e toquei o coelho que estava no meio como um símbolo. O mesmo coelho que tinha naquele quarto, o que representava esse coelho? Ele se mexeu e mordeu o meu dedo.
_ Aí. - Retiro meus dedos da porta e ela se abriu para mim. _ Se você queria meu sangue, deveria ter pedido em vez de ter roubado. - Limpo o sangue no meu vestido e entro na sala.
Ela era uma sala espaçosa, talvez maior que todas as salas que existiam nesse castelo, não, estou mentindo. A sala precisa ainda é a maior sala que tem nesse castelo.
Mas a sala estava branca, não tinha nada a decorando e não sabia se eu me sentia irritada por isso ou empolgada, não queria ter trabalho, mas parece que cada minuto que passava, eu tinha mais trabalho para fazer.
Não sabia como iria começar a decorar essa sala. Será que coloco todas as cores de Hogwarts? Mas não vai ser a minha sala, vai ser apenas uma sala comum.
Não sabia como começar, então eu simplesmente me sento no chão e ele fez dois degraus, mas continuaram brancos. O que eu iria colocar aqui?
Tomar decisões não era comigo, nunca sei o que fazer e sempre penso em planos do que em soluções. Tenho vários planos para 1935, mas se acontecer alguma coisa fora do normal, irei me sentar e ficar olhando para o nada como estou fazendo.
Minha cabeça não vai descansar até encontrar um plano para reverter essa confusão. E para não acontecer isso de novo, irei fazer mais planos e assim sucessivamente.
Sou um fracasso para isso.
Bom, minha sala deve ter o meu gosto, não quero que a sala seja azul, já basta a sala da Rowena, mas a cor é tão bonita que eu acho que não tem nada a ver colocar ela novamente.
Talvez tenha que ter algum vira-tempo ou ampulheta como símbolo.
E eu acho que um azul como o céu noturno e uma cúpula para ver as estrelas seria muito bonito. Talvez em vez de dois andares, deveria ter três.
O segundo andar poderia ser apenas para livros para estudar ou ler algo divertido. Teria mesas, poltronas, sofás e divã.
Com uma ótima iluminação tanto de janelas e velas.
As paredes poderiam ser de pedra lisa e claras, não queria nenhuma decoração escura, já bastavam as minhas roupas...
Aliso os cortes e demoro meus dedos no corte negro. Sinto tanta saudade, queria pelo menos escutar suas vozes novamente sem ser por memórias.
Ainda não fui capaz de ver as memórias do Dragon, por causa de dois motivos. O primeiro que aqui não tem penseira e a segunda é que tenho medo de ver.
Não quero me lembrar de momentos que me senti livre sem mesmo saber o significado correto disso. Não sou um pássaro para estar algemado, só não tenho mais as minhas asas para voar, porque pessoas as quebraram me impedindo de alcançar o céu.
Estou tentando curá-las, mas demora, leva tempo e paciência. Quero tanto ser aceita, mas primeiro eu devo me aceitar, o que adianta ter uma pessoa que te aceita, mas não me aceitar?
Preciso ser mais confiante. Só preciso de tempo.
Bom, no primeiro andar poderia ser onde todos poderiam se sentar e se divertir. Teria a lareira com um pequeno símbolo nela, que ainda não sei qual vai ser.
O chão iria ser de pedra, mas uma pedra tão lisa e bonita que daria para ver o seu reflexo. Teria pilastras de madeira para sustentar os andares e elas iriam ser em formato de troncos retorcidos.
No terceiro andar deveria ter os quartos, mas cada um teria o seu, não seria como da Grifinória. Eu acho que as pessoas mereciam privacidade e minha sala parece ser bem espaçosa para ter quartos individuais.
Era o salão que eu queria, mas não sabia como fazer. Talvez eu devesse pedir alguns elfos para me ajudar.
Meus olhos ficaram embaçados e vejo Godric me procurando em cada sala existente no segundo andar.
Escuto ele chamando a Melissa para saber se ela sabia onde eu estava e tudo volta ao normal.
O que acabou de acontecer?
_ Leesa? - Vejo Melissa aparecer.
_ Você pode explicar o que acabou de acontecer? - Ela olhou para os lados e se aproximou de mim.
_ Hogwarts está ligada a sua magia, então você pode escutar e ver tudo que quiser, só precisa pedir. E bom, como você não sabia disso ainda, a escola quis te avisar que Godric está te chamando.
_ Mas isso funcionária se eu saísse de Hogwarts? - Ela ficou pensativa.
_ Acho que você ainda não tem uma ligação tão forte que seja capaz disso, mas talvez consiga isso. - Entendo.
_ Bom, vou indo, Godric deve querer falar sobre o chapéu. - Levanto do chão e saio da minha sala.
Arrumo a minha bolsa e vou andando até encontrar Godric que parecia empolgado e nervoso.
_ Está me procurando? - Ele levou um susto e colocou a sua mão no coração.
_ Quase tive um treco. - Sorri me aproximando. _ Quero te mostrar algumas coisas, talvez você consiga me ajudar.
_ Estou as suas ordens. - Ele sorriu e começamos a andar. _ O que posso te ajudar?
_ Como você bem sabe, eu e os outros lemos a sua pasta. E fiquei bastante chocado e impressionado que consegui fazer um chapéu que seleciona as crianças. Mas não sei como fazer isso.
_ Então você se lembrou de mim e quer que eu te ensine o feitiço que deu vida a Hogwarts, não é?
_ Você é sempre tão inteligente que sempre penso que você é filha da Rowena. - Isso seria estranho. _ Mas isso não faz o menor sentindo, não acha?
_ Sim, não faz sentido. - Continuamos andando e a escola abriu uma passagem para nós.
_ Sempre irei ficar impressionado com a escola abrindo caminhos do nada. - Disse enquanto entravamos na passagem.
_ Eu também. - O caminho sempre está iluminado, não sei se a escola sabia do meu medo ou se ela só colocou iluminação para ninguém cair. _ Eu posso te dizer o nome do feitiço que fará o chapéu ganhar vida, mas não sei nenhum feitiço que dê para colocar as características dos fundadores dentro dele.
_ Para isso eu já tenho a solução, só não sabia como dar vida o chapéu.
_ Fico feliz por ajudar. - Saímos no gabinete do diretor e o lugar era exatamente igual às memórias do Scorpius, apenas mudava os quadros. _ E qual é as outras coisas?
_ Fiz uma penseira e ela será da escola e não minha. Colocarei uma lembrança nessa cristaleira e cada diretor que vier depois de mim, irá colocar uma lembrança.
_ Eu realmente deveria ter pegado a pasta antes de ir embora. Você até mesmo fez a penseira de pedra com runas tão antigas quanto o tempo. - Falo alisando a penseira.
_ Uma hora ou outra iria fazer essa penseira, eu só fiz mais rápido. - Concordei e olhei em volta.
O lugar era pequeno, mas amplo. Tinha dois andares e uma bela vista. Já tinha livros e mais livros nas prateleiras e alguns quadros que não tinham ninguém.
A mesa do diretor já estava cheia de papéis e penas.
_ Pensei que teria uma votação para saber quem seria o diretor.
_ Eu queria ser professor de transfiguração antes de ver a pasta e estava muito empolgado para isso. Mas eu acho que será bom ser o diretor e os outros concordaram.
_ Você pode arrumar outra pessoa para ser o diretor, não precisa ser você.
_ Não acho coerente deixar a nossa escola nas mãos de uma pessoa desconhecida e se eu pudesse, queria que os meus descendentes ou dos meus amigos fossem os diretores, mas isso não vai acontecer. - Ele ficou me observando. _ Se você ficasse, eu daria esse lugar a você. - Fico surpresa.
_ Prefiro ser professora. - Ele sorriu concordando. _ Mas eu aceitaria, se isso pudesse te fazer um pouco feliz.
_ Leesa. - Ele veio até a mim e deu um tapinha no meu ombro. _ Você vê mais os outros do que a si mesma, mas às vezes, você vê mais a si mesma do que os outros. Você é um poço de contradição e Salazar é louco para desvendar cada mistério por trás de você.
_ Você sabe que não posso ficar.
_ Ou você que não quer ficar? Leesa, podemos tudo, só depende de nós. - Franzi os lábios.
_ Eu posso morrer, Godric. Posso morrer se eu não for para aquele futuro que, na verdade, é o passado. Fiz um juramento e esse juramento me impede de tudo. Esse... - Respiro fundo. _ Eu perdi a oportunidade de ir embora, de escapar do lugar que eu estava presa por causa dele. Então, não, não depende de mim, nunca dependeu.
_ Você nunca nos contou sobre isso.
_ Não queria, acho que me lembrar desse juramento é como um castigo, eu poderia ter feito tanta coisa e poderia ter escapado com Dragon, poderia ter ficado com a titia e...
_ Poderia ficar aqui. - Concordei.
_ Eu odeio ter que viajar no tempo e pensar que todas as pessoas que estou convivendo... - Mordi os meus lábios. _ irão morrer, que tudo que estou vivendo aqui, não passará de uma lembrança. Então, me desculpe... - Ele me abraçou e não reagi por alguns segundos.
_ Você está carregando o mundo nas suas costas, mas ninguém percebe isso e está tudo bem, terá pessoas que irão compartilhar esse peso com você. - Disse baixinho e eu o abracei fortemente. _ Queria que fossemos capazes de te ajudar, Leesa. Mas não somos fortes o suficiente para isso, não podemos ir com você.
_ Está tudo bem, já me acostumei. - Minha voz saiu abafada.
_ Ninguém está acostumado com a solidão do tempo. Você pode controlá-lo, mas isso não impede de você sofrer as consequências e não impede de você ver aquelas pessoas que você chama de amigos e de família desaparecer.
_ Eu tenho que ser forte...
_ Mas você já é, apenas não reconhece isso. Mas um dia, um belíssimo dia, você vai reconhecer a pessoa maravilhosa que você é. Você acha que Salazar te ama apenas por você ter um rostinho bonito? Não, ele te ama por seu caráter, por seu nariz em pé, por seu jeito mandão e implicante de ser.
_ Você está me elogiando ou me insultando? - Ri o olhando e ele abaixou a sua cabeça para me olhar.
_ Estou elogiando. - Secou as minhas lágrimas com seu dedão. _ Você é especial, Leesa. E eu agradeço muito por você ter aparecido em nosso caminho, mas também fico triste por pensar na nossa despedida. Para mim, você é a minha irmãzinha. - Beijou a minha testa. _ Sempre será lembrada por nós.
_ Vocês também, para sempre. - Sorri tentando não deixar as lágrimas caírem. _ Vocês são os meus primeiros amigos.
_ E você terá muito mais.
_ Espero...
_ Você será feliz, Leesa. E irei aplaudir sua felicidade de onde eu estiver.
_ Obrigada, Godric. - Abracei ele novamente. _ Obrigada, de verdade.
_ Agora chega de melancolia, quero te mostrar algo legal que a Helga criou há muito tempo. - Concordei me distanciando dele.
Sequei as minhas lágrimas e o segui até a sua mesa, me sentei na cadeira disposta e fiquei observando tudo que estava ali. Tinha até mesmo balinhas de caramelo.
_ Posso pegar uma? - Pergunto sobre as balas.
_ Fique à vontade. - Sorri pegando uma e a colocando na boca. _ Aqui, esse livro vai ficar numa torre trancada e apenas será tocado por cinco pessoas durante todo o milênio.
_ E por quê? - Mordi a bala, não tinha paciência para chupá-la.
_ Esse é o livro que dirá se uma criança mágica é capaz de entrar para a nossa escola. O livro ficará numa torre com apenas uma pena. - Me mostrou a pena.
_ Nunca ouvi falar desse livro.
_ Fiquei surpreso por não ler nada sobre ele na sua pasta. Mas fico contente por isso, isso quer dizer que ninguém sabe sobre esse livro. O livro se chama "livro da admissão" e a pena de "pena da aceitação".
_ Então à pena vai pegar um pouco de tinta...
_ Não precisa de tinta. Essa pena é puramente mágica e não precisa de nada para escrever no livro. Só de uma demonstração de magia em algum lugar desse mundo e, ela vai flutuar até o livro e escrever o nome, porém, o livro pode simplesmente fechar e não aceitar o nome que a pena quer colocar.
_ Isso quer dizer que a criança não foi aceita.
_ Exatamente.
_ Posso tentar escrever um nome?
_ Fique à vontade, esse livro, como eu disse, só será tocado por cinco pessoas antes de ser trancando em alguma torre de Hogwarts. - Concordei e peguei o livro.
Ele era grande, mas não era imenso. Suas páginas eram amareladas e eu podia sentir um pouco de magia nele, mas nada avassalador quanto Hogwarts; era calmo, como o silêncio da noite.
Peguei a pena e fui passando as páginas, elas não tinham numeração, mas eu sabia que pelo menos as 100 páginas seriam apenas para aquele ano ou para os próximos.
Quando senti um puxão, eu parei e observei uma data aparecer.
Alunos de 1936:
Era essa a página que estava procurando, era com ela que eu iria incluir meu nome e só esperava que o livro me aceitasse, se não, tudo que fiz foi por nada. Escrevi meu nome e espero algo acontecer.
Leesa Granger
As letras sumiram e apareceram outras no lugar e eu fiquei um pouco irritada.
Leesa Avery Malfoy /
_ Por que esse livro não aceita o sobrenome que estou tentando colocar?
_ Ele não aceita sobrenome que não é realmente seu.
_ Mas se eu trocar no futuro?
_ Você nasceu naquela família?
_ Não.
_ Então não. - Que idiotice.
_ E se a pessoa for adotada? - Ele ficou pensativo.
_ Eu acho que se a pessoa souber que é adotada, irá aparecer o verdadeiro nome, mas, se não souber, terá o nome dos pais adotivos. - Era apenas uma hipótese, será que devo tirar algumas memórias? Não, não faria isso.
_ Mas não faz sentido, o little lord deveria ter descoberto então que era um Slytherin ou um Gaunt. - Não pensei na minha mãe, pelo que me lembro, ela não tinha Malfoy, apenas Avery. E se tivesse, eu não teria tomado um vidro de Veritaserum.
_ Mas a família colocou esse sobrenome nele?
_ Não.
_ Então o livro não vai considerar. Ele só vai colocar o sobrenome que a família colocou.
_ Então, como o Dragon me fez uma Malfoy e ele é a minha família, tenho Malfoy. - Ele concordou. _ Então me explica isso aqui, agora eu tenho um sobrenome de barras oblíquas e não estou sabendo? - Mostrei a ele e ele ficou confuso.
_ Mínima ideia, talvez você tenha outro sobrenome, mas ainda não saiba.
_ Agora esse livro não gosta de dar spoiler? - Ele me olhou rindo. _ Estou falando sério, qual é, tenho Dumbledore no nome e não sei? Imagina, filha de Dumbledore, que tragédia.
_ Quem é Dumbledore?
_ Ninguém importante. - Deixo a pena na mesa. _ Então na minha seleção terá Avery e Malfoy, perfeito. - Faço uma careta. _ Sofrerei bullying por causa desse livro.
_ Por que tenho a impressão de que você gostou muito de saber disso? - Meus lábios começaram a subir e sorri amplamente.
_ Porque estou feliz de saber disso e meus planos de ser a rejeitada irá funcionar perfeitamente, talvez até melhor.
_ Vou fingir que eu sei do que você está falando.
_ Me tire mais uma dúvida. - Ele ficou esperando. _ Se esse livro tiver o nome de uma criança e do nada ela morre, o que acontece?
_ O livro vai riscar o nome da criança. - Entendi...
_ Melissa, me traga o livro que você jogou na minha cabeça, por favor. - Falo para o nada e logo um livro apareceu caindo. _ Obrigada. - Falei pegando o livro antes que ele caísse no chão. _ Aqui, o feitiço se chama Rursus.
_ Obrigado. - Pegou o livro e me levantei.
_ Espero que a lembrança que você for colocar na cristaleira não contenha...
_ Você. - Ele falou primeiro.
_ Sim, não posso correr o risco de eles descobrirem sobre mim antes da hora.
_ Como você quiser. - Sorriu desanimado. _ Mas você irá aparecer no quadro, pedirei que eles cubram o seu rosto, apenas mostre o seu sorriso.
_ Godric...
_ Eu insisto.
_ Tudo bem. - A parede ao lado se abriu, a escola já sabia que eu já estava de saída da sala do Godric. _ A família Greengrass existe?
_ Ela existe, quer que eu chame o patriarca da família?
_ Gostaria muito disso, na verdade, chame todas as pessoas que você conhece que tem o sobrenome Greengrass. Preciso salvar uma pessoa importante.
_ Não mexa tanto no tempo.
_ O que pode acontecer de ruim? Acabar desaparecendo? Não me importo muito com isso, Godric. Talvez seja até melhor que eu suma. - Entro na passagem. _ Sala precisa, ok? - A parede abriu para a direita e uma pequena escadaria surgiu. _ Obrigada.
Começo a subir e abro a porta de madeira e vejo Melissa voando pela sala como uma doida.
_ O que houve?
_ Estava esperando por você, já fiz aquilo que me pediu. - A pedi para procurar formas diferentes de uma pessoa se tornar imortal e de proteger suas Horcrux se não tiver outra forma de imortalidade.
_ Encontrou algo bom?
_ Mais ou menos. Vem, eu te mostro. - Ela me levou até uma das mesas dos fundos e tinha vários livros abertos. _ Primeiro, sim, tem outro jeito de ser imortal, mas é estranho. A pessoa tem que ter matado e se matou uma pessoa, só pode partir a alma em um pedaço. - Apontou para o livro.
_ Mas tem um limite de quanto você pode partir sua alma. - Apontei para o número. _ Dez, se ultrapassar você ficará deformado e sua sanidade perdida.
_ Eu acho que esse feitiço é uma melhoria do feitiço original, já que o seu Lorde repartiu 7 vezes sua alma da última vez. - Espera.
_ Como você sabe disso? Eu não te contei isso. - Ela me olhou assustada. _ Melissa, como você sabe dessas coisas? Eu não deixei você entrar na minha cabeça e...
_ Você falou comigo, não se lembra?
_ Não me coloque como a louca da história. - Digo irritada. _ Como você sabe sobre essas coisas?
_ Acho que estou escutando alguém me chamar. Adeus. - Ela desapareceu e fiquei aqui, olhando para o nada como uma idiota.
_ Ela pensa que vou esquecer sobre isso? Está muito enganada, posso não descobrir hoje, mas vou descobrir, seja por bem ou por mal. - Começo a ler novamente o livro.
O feitiço realmente é uma melhoria do feitiço original e nele você precisa de objetos que geram sentimentos a você. Pode ser uma pena ou até mesmo um anel. Mas esse feitiço só funciona dez vezes, passou disso você se tornará uma pessoa totalmente diferente, como o Voldemort. Ou pode até mesmo virar uma cobra para sempre, algo terrível.
Mas será que funciona? Ou eram apenas hipóteses jogadas num livro idiota? Precisava de alguém para testar, mas quem?
Bom, continuando. Esse feitiço tem reações quando está sendo executado, um mestiço terá olhos vermelhos quando o fizer, e um puro se tornará uma cobra... Às vezes eu preferia ser uma mestiça.
O feitiço era muito doloroso e deveria ter uma pausa de pelo menos cinco minutos para que a alma que sobrou em seu corpo não quebrasse.
Virei a página e algo me chamou a atenção, na verdade, me fez lembrar de uma carta do Dragon. Ele me disse que meu juramento foi de alma, então estou tecnicamente presa nas mãos do little lord. Pelo menos não estou ligada a ele como esse feitiço.
Esperava que quando eu o ajudasse, o meu juramento anulasse e pudesse viver bem e bem longe dele.
Ligação de alma
Era isso que estava escrito naquela página e o seu conteúdo me surpreendeu um pouco. Era para criar uma Horcrux humana e talvez o little lord queira criar uma.
Bom, se ele pudesse amar...
"A ligação de alma só poderá ser feita tendo algum sentimento pela pessoa que deseja se unir"
Unir em que sentindo? Carnal ou em matrimônio? E por que uma pessoa iria criar esse feitiço?
"A Horcrux mais forte só poderá ser feita tendo o amor retribuído, as almas irão se partir e irão se unir se tornando apenas uma."
Ah, agora eu sei o porquê desse feitiço ser criado. Essa é uma Horcrux altamente forte e não será destruída por espadas contendo sangue de basilisco ou um dente de basilisco. Isso é uma boa.
"Não será gravado ou mapeado por ninguém, apenas será sentido por seu companheiro(a)"
Obs: Se o cônjuge acabar se apaixonando por outro(a), o feitiço de selamento por alma irá ser quebrado e a alma irá retornar para seus devidos donos.
Obs²: Se o parceiro estiver sob a poção Amortentia, o feitiço de ligação de alma irá se anular e a alma irá para os seus devidos donos.
Obs³: Mas, para as almas não voltarem para as pessoas que fizeram o feitiço, a pessoa que envenenou o seu "amado" com Amortentia, deverá dar doses contínuas ou as almas irão voltar para as pessoas que deveriam estar e eles continuarão imortais.
Virei a página e lá tinha mais alguns parágrafos explicando sobre esse feitiço. O little lord não ama, então ele não poderá usar esse feitiço, mas e se ele amar alguém?
Tudo pode acontecer, nada é impossível, se é possível ter várias outras realidades e ter outras Leesa's, por que o little lord não pode amar? Claro, a pessoa que ficar com ele terá alguns miolos a menos, mas que amor não tem um pingo de loucura? Bom, os saudáveis... Continuando.
"A alma irá se partir e entrará no corpo da pessoa que escolheu amar, mas, tudo que sentir, o seu amado também irá sentir. Seja angústia, felicidade ou excitação.
Mas se fizer sem amar o seu par, os dois irão sofrer as consequências da junção de almas. A morte.
Mesmo tendo Horcrux, elas irão se partir e sua alma irá ser queimada até não sobrar nada."
Simplificando, você está fodido se trair a pessoa ou se apenas tentar fazer esse feitiço para ser imortal. Bom, esse é um feitiço que não será usado por bastante tempo.
Passo a página e vejo que tinha um feitiço que iria fazer as suas Horcrux desaparecerem para todos, menos para você.
Você teria a localização de sua Horcrux em seu pulso em uma tatuagem e apenas seus filhos e cônjuge poderiam ver a tatuagem. Fora eles, ninguém mais poderia ver.
Era algo interessante, muito interessante. Deveria jogar esse livro na cabeça do little lord, quando ele estivesse em Hogwarts, já que não quero me aproximar dele.
Quero estar bem longe daquela pessoa, quero viver uma vida tranquila, se pode considerar manipular pessoas e o mundo como uma vida tranquila.
Fecho o livro e respiro fundo, estou cansada. Quero férias, quero me sentar na praia e ver as ondas se quebrar. Só quero fazer essa "missão" o mais rápido, mas, ao mesmo tempo. Quero que demore.
Vai entender.
Faço que o livro volte para o seu lugar e fico pensando no que faria agora. Já fiz minhas poções, mas preciso fazer meu salão Comunal, só que não tenho a menor ideia de como começar. Posso deixar isso para mais tarde.
Preciso arrumar cobaias, mas não posso raptar pessoas quando o sol ainda está no céu. Preciso fazer isso de noite, será mais fácil.
Não vou pedir ajuda a Salazar, não quero que ele brigue comigo pelas coisas que irei fazer e preciso de abortos e bruxos.
Abortos para testar a minha poção e bruxos...
Bom, posso ter queimado aquelas pastas, mas ainda quero saber se aquela hipótese está correta. Quero saber se as imperdoáveis podem ser usadas para a medicina e se for, apenas esconderei essas informações do mundo.
Preciso de uma pessoa para usar crucius contra mim e eu sei que a pessoa não irá usar de boa vontade, uma que esse feitiço ainda não existe e segundo que poderá acabar assustando a pessoa. Então, usarei Imperius e a pessoa irá virar um bom cachorrinho.
Também preciso testar o meu sangue de várias formas, preciso saber se futuramente ele poderá me matar e se posso mudar sua cor. Imagina se eu me machucar enquanto estiver naquele futuro? O que irei falar sobre o sangue negro do meu corpo?
E por último, mas não menos importante. Preciso de alguns bruxos para testar esse novo feitiço da Horcrux e preciso confirmar que nada vai dar errado se o little lord se apaixonar e quiser fazer esse feitiço.
Quase me esqueci, preciso testar o feitiço que fiz para o meu vira-tempo. E talvez, eu deva ter mais um vira-tempo, para não acontecer mais um imprevisto como esse.
E tinha o Grindelwald, o que faria com ele? Bom, talvez eu apenas deixe ele me encontrar. Acho que teremos uma bela conversa e será algo encantador.
Preciso fazer muitos experimentos, mas não posso fazer nada agora. Então o que irei fazer?
Talvez eu deva procurar aquelas criaturas, mesmo não sendo o ano certo, eles podem me ajudar a conseguir um presente de despedida e tenho coisas que podem interessar aquelas criaturas.
Então é isso, iria atrás daquelas criaturase e só precisava saber onde elas ficavam. Não tenho nada falando sobre isso.
Talvez tenha um feitiço de localização em algum livro. Esperava que sim.
Vou em direção das estantes e começo a ler os títulos, não queria chamar a Melissa e provavelmente ela não iria aparecer. Então eu tinha que ler título por título para achar sobre feitiços de localização.
E depois de alguns minutos, acabo achando na quinta estante. Pego o livro que tinha um título amarelado e era exatamente isso que eu queria. O livro se chamava "localização forçada".
Abro o livro e começo a ler o sumário
Localizar locais... pág 39.
Passo as páginas rapidamente e leio sobre o pequeno feitiço e ele era bastante fácil, eu só deveria estar longe de barreiras e idealizar sobre o local que queria ir em apenas uma palavra. Fácil.
Eu acho, espero que os duendes fiquem apenas em um lugar, porque se não, irei parar no lugar errado.
Mas o mais interessante é que a barreira já foi criada, mas não era usada.
E falando em barreiras, deveria fazer algumas em Hogwarts. Preciso conversar com os outros sobre isso e explicar o quão importante eram as barreiras, talvez eu nem precise explicar, talvez eles já saibam sobre elas. Mas agora eu estava com pressa.
Fecho o livro e o coloco no lugar e saio da sala por uma passagem. Arrumei novamente a bolsa no meu corpo e continuei a minha caminhada para sair do castelo. Mesmo o castelo não tendo barreira ainda, não queria fazer o feitiço aqui dentro.
E eu era estranha e contraditória, disse que eu só iria prejudicar pessoas que fizeram algo ou se opõe a mim. Mas agora, não verei mais isso, qualquer pessoa pode ser usável, podem ser úteis.
Minhas palavras no passado morreram e outras foram colocadas no lugar. Apenas espero não me arrepender disso depois.
Do nada uma passagem se abriu na esquerda e uma pessoa saiu dela e fiquei surpresa.
_ Aonde vai?
_ Merlim, Salazar, um dia você vai me matar do coração. - Dei batidinhas no meu peito.
_ Não fiz por mal, eu só queria vê-la. - Olhou para o lado coçando a bochecha. _ Mas você não me respondeu.
_ Vou ver o terreno em Hollow. - Não iria dizer para ele sobre os duendes. _ Já que o senhor se esqueceu de me levar.
_ Não esqueci, apenas não achei um dia adequado para te levar naquele lugar.
_ Sei.
_ E eu prometi a você em levá-la e comprar um terreno para você...
_ E também de construir a minha casa. - Ele sorriu concordando. _ Mas não quero a sua companhia. - Ele franziu os lábios.
_ Por que não posso lhe acompanhar? - Franzi a testa.
_ Você é bipolar? Uma hora me odeia e outra hora está...
_ Já te disse, prefiro seguir em um sonho.
_ Salazar, você não pode ficar nesse sonho para sempre. - Ele ficou irritado.
_ E o que você quer que eu faça? Te esqueça? Impossível. - Fico surpresa. _ Queria que você ficasse, mas você não vai e respeito isso...
_ Não, não respeita. - Ele me olhou ainda mais irritado e veio até mim.
_ Não respeito? - Ele segurou meus ombros e disse: _ Se eu não respeitasse, iria tirar suas memórias para você nunca se lembrar da ideia de voltar. Mas eu não faço isso porque gosto de você assim; implicante, rabugenta e toda dona de si.
_ Você ainda tem tempo, você não me ama, você me disse que apenas gosta de mim...
_ Eu a amo. - Seus olhos estavam tristes. _ Amo tanto que dói, queria ter uma família com você, queria viver até os meus últimos segundos de vida com você, queria conhecer o mundo com você e queria sempre ter oportunidade de te tocar. Leesa, você é a coisa mais perfeita desse mundo e eu amo tanto você.
_ Você ama algo que você idealizou de mim, isso não é real.
_ Não, eu realmente a amo e posso ter sido um idiota por pensar que você não seria daquele jeito, mas mesmo você sendo assim, você é sensacional. Eu queria que você ficasse. - Me abraçou. _ Queria ser o suficiente para você, só queria você.
_ Salazar... - Alisei seus cabelos.
_ Você é absurdamente perfeita, Leesa. É a coisa mais bela que já vi em toda a minha vida e até as estrelas deveriam se curvar perante a sua magnitude. Você deveria ter o mundo. - Fungou e sinto suas lágrimas na minha pele. _ Desculpe.
_ Está tudo bem. - O abracei.
_ Queria poder realizar tudo que você deseja e já desejou, mas não sou capaz disso, me perdoe.
_ Não tem como você realizar meus sonhos, Salazar.
_ Eu queria. - Ele continuou me abraçando. _ Quando você se for, irei me casar, já conversei com a Morgana. - Ele se desgrudou de mim e me olhou. _ Seja feliz, sim?
_ Mas você não será...
_ Está tudo bem, pelo menos um de nós poderá ser feliz e estou tão feliz por ser você e não eu. Já fui tão egoísta nesta vida, já passei a perna em tantas pessoas. Mas nunca iria machucar você, nunca iria te privar do mundo e nunca, em hipótese nenhuma, iria te trancar em uma torre para apenas ter você. - Alisei seu rosto e tento secar suas lágrimas.
_ Amar não precisa doer, Salazar.
_ Mas não dói, o amor que sinto por você é algo tão magnífico que só sinto o prazer de ter te conhecido. - Se aproximou de mim. _ Queria muito beijá-la, queria muito sentir o calor de sua pele... - Ele beijou a minha testa. _ Mas não quero fazer isso sem sua permissão... - Ele me olhou. _ Onde eu estiver, estarei com você, ok? - Olhei para ele.
_ Existem outras Leesa's, poderá existir uma que...
_ Nenhuma delas será você.
_ Mas elas são...
_ Você? - Concordei. _ Não, elas podem se parecer com você, falar como você, mas nunca será você. Eu amo você e não as outras que existem em alguma realidade. Quero você e não outra que pode parecer com você.
_ Você continua egoísta. - Ele riu secando suas lágrimas. _ Obrigada. - Fiquei na ponta dos pés e beijo sua bochecha. _ Por me amar e me perdoe por não poder correspondê-lo.
_ Está tudo bem. - Sorriu. _ Vamos? Irei lhe mostrar o melhor terreno que existe naquele lugar. - Sorri de lado e concordei o seguindo para a saída da passagem.
_ Acho que Hogwarts já poderá abrir as suas portas, não concorda?
_ Vamos esperar Godric finalizar o chapéu, depois disso podemos abrir as portas.
_ Godric disse que se eu não fosse embora, ele iria dar o cargo de diretor para mim. - Salazar sorriu e me olhou.
_ Seria uma visão e tanto. - Saímos da passagem e vejo que saímos em um pequeno bosque. Estava longe do mercado ao céu aberto. _ Aqui vai ser alguma coisa, não vai? Por isso que você fez uma passagem aqui.
_ Sim, aqui vai ser uma vila e os alunos poderão vir passear aqui nos finais de semana e se chamará Hogsmeade. - Peguei o seu braço e aparatamos.
_ Todos poderão ir? - Neguei e olhei em volta, não mudou quase nada.
_ Os alunos do terceiro ao sétimo que poderão ir, antes disso não. - Concordou.
_ Fujam, é ele. - Gritaram as crianças e Salazar bufou.
_ Por que eles estão fugindo? - O perguntei e ainda segurava o seu braço.
_ É que em uma das minhas visitas a Godric, transformei um garoto em porco. - Parei de andar e ele também parou e comecei a rir.
_ Um porco? - Ele ficou me olhando e não consegui parar de rir. _ Ah, não, e depois? - Tento me recompor.
_ Eu disse que iria levar o garoto porco para o Godric cozinhar.
_ Você traumatizou crianças, Salazar. - Ele deu de ombros e continuamos caminhando. _ E quem foi a criança?
_ Um Peverell, eles me odeiam. - Será por quê?
_ Não se preocupe, eles param de te odiar e até mesmo terão filhos com algum descendente seu. - Salazar fez careta.
_ Meu descendente não tem bons olhos, tem tanta gente melhor no mundo.
_ Você tentou transformar o garoto em um porco, você não tem direito nenhum em falar isso. - Ele me olhou chocado. _ E falou que iria cozinhá-lo.
_ Não seria eu.
_ Mas foi você quem falou. - Ele revirou os olhos. _ Não sei como que compra um terreno aqui. - Digo observando Hollow. _ E Godric disse que iria comprar Hollow...
_ Ele ainda não desistiu da ideia, mas ele está mais empenhando em finalizar Hogwarts.
_ Você irá morar aqui? - Ele riu.
_ As pessoas daqui me odeiam, então, não. Não vou morar aqui. Vou morar na minha antiga casa ou fazer uma melhor.
_ Prefiro a segunda opção. - Ele concordou
As casas eram exatamente iguais de 1981, acho que só mudou que nessa época ainda eram casas modernas e de classe alta. Paro de andar e vejo a casa que a titia futuramente irá morar.
_ Minha tia vai morar aqui. - Falo me recordando de alguns momentos. _ Ela era divertida e me ensinou muitas coisas, espero reencontrá-la.
_ Por isso que você quer um terreno aqui?
_ Não, eu só quero uma coisa para chamar de meu e tenho uma mansão quando eu me for, mas, não é meu e sim, dos meus parentes.
_ Você vai morar aqui? - Ri dessa pergunta e neguei.
_ Eu já lhe disse, tenho sentimentos mistos por esse lugar, só quero mesmo um pedaço de terra e pedir alguém para construir uma boa casa para mim. Mas não irei morar aqui, posso vir visitar, mas morar é algo que nunca farei.
_ Por que não compra uma casa em vez de um terreno?
_ Poderei demolir a casa para construir uma melhor? Quero dizer, para você construir uma casa melhor para mim.
_ Pode. - Disse rindo.
_ Então vamos procurar casas. - Ele concordou e começamos a observar algumas casas que estavam desocupadas.
_ Senhor Slytherin. - Olhamos para o lado e Salazar bufou baixinho.
_ Senhor Peverell. - Ah, não, tinha que ser logo um Peverell. Não posso rir. _ Como que está o porquinho... Quero dizer, o seu filho? - Salazar! Eu não posso rir.
_ Está bem, na medida do possível. - Disse que com raiva e me observou. _ Pensei que sua noiva fosse a senhorita Le Fay.
_ Eu só estou ajudando minha amiga a comprar uma casa. - Sorriu para o homem. _ Ainda estou noiva da Morgana.
_ Que bom, felicidades ao casal, se me dão licença, tenho que ir. - Espero ele ficar alguns metros de distância e começo a rir.
_ Você chamando o filho dele de porquinho. - Não consigo parar de rir e Salazar me acompanhou na risada. _ Você é tão mal, Salazar.
_ Tento o meu melhor. Vamos? - Concordei. _ Você quer uma casa espaçosa ou...
_ Tanto faz, vou acabar destruindo-a no final. - Dou de ombros e vejo a casa dos Potter.
_ É aí que mora os Peverell. - Fez uma careta. _ Poderia pegar fogo com todos eles dentro.
_ Tão extremo. - Continuamos andando. _ Aqui se chamará Godric's Hollow. - Salazar me olhou surpreso. _ Acho que essa está perfeita. - Digo apontando para uma casa e ela é maior que dá titia e dos Peverell.
_ Sim, ela é perfeita, apenas que essa casa é do Godric.
_ Será que ele a vende para mim?
_ Mínima ideia, podemos perguntá-lo.
A casa era de dois andares e o terreno era muito amplo, era um bom lugar.
_ Vamos ver outra então, talvez Godric não aceite.
_ Eu acho que ele aceitaria.
_ Por que você acha isso?
_ Porque ele pensa que você é da família e não acho que ele irá se importar de dar a casa dele para você. A única coisa que ele vai pedir é que depois dele se aposentar, que ele possa morar na casa. Já que provavelmente ele terá filhos e uma esposa.
_ Mas quero uma casa melhor.
_ Posso pedir que antes dele morar nessa casa novamente, que eu construa outra no lugar. - Concordei.
_ Iremos compartilhar uma casa? - Salazar franziu a testa. _ Vai ficar velho se continuar franzindo a testa.
_ Já estou velho.
_ Não acho. - Vejo ele sorrir de lado. _ E se Godric pedir apenas isso, eu aceito. Darei ouro a ele e pedirei alguém para fazer um contrato. Imagina, a casa que comprei tendo outro morador no futuro, que lástima.
_ Eu já te disse, irei comprar essa casa e se quiser, posso comprar outras como um presente de despedida. - Sorri e fiquei na sua frente e me curvei na sua direção.
_ Você pode me dar outra coisa como despedida. - Ele se curvou para frente e nossos rostos estavam próximos, seu perfume era muito bom, era sândalo.
_ O que posso lhe dar?
_ A fórmula da droga. - Ele suspirou e revirou os olhos. _ Ou pode me mostrar onde fica o prostíbulo.
_ Não. - Chato. _ Comprarei a casa para você e não informarei nada sobre a droga e nem vou te levar para aquele lugar.
_ Tão chato. - Volto ao normal. _ Então eu aceito o presente. - Ele concordou.
_ E também quero que você me prometa que nunca irá tentar refazer a droga. - Fico o observando e pensando se poderia prometer isso.
_ Ok, eu prometo. - Mostrei as minhas mãos.
Eu não preciso de uma droga para fazer as pessoas me obedecerem. Mas seria interessante ter a fórmula da droga, mas nem tudo eu posso e estou bem com isso.
_ Por que você está mostrando suas mãos?
_ Por nada. - Abaixei as minhas mãos. _ Então, você volta para Hogwarts e pergunta ao Godric e se ele concordar, a gente fecha o contrato, mas, se não...
_ Ele vai concordar.
_ Se você está dizendo. - Dou de ombros. _ Tenho que ir em um lugar, te vejo em Hogwarts. - Pego dentro da minha bolsa uma pasta. _ E leve isso com você, é sobre algumas barreiras e alas que poderão ser úteis para Hogwarts, está explicando tudo. - Modifiquei e fiz essas barreiras, mas ninguém precisa saber disso.
_ Não voltará hoje?
_ Vou, apenas quero que você leve isso e estude com os outros. A escola está quase pronta e quando ela estiver, não poderei ser vista pelos alunos...
_ Por quê? Você já está sendo vista por todos, mas não pode ser vista pelos alunos?
_ Essas pessoas irão se lembrar de mim e apenas irá contar para seus familiares que em um ano qualquer apareceu uma mulher estranha. Mas os alunos poderão escrever sobre mim e dizer que existiu uma mulher misteriosa que zanzava pelos corredores do castelo.
_ Tudo bem. - Pegou a pasta da minha mão. _ Espero você para o almoço.
_ Ok. - Vejo ele aparatar.
Olho para os lados e falo o feitiço e idealizo o lugar em que os duendes deveriam morar nesse tempo. Sinto um pouco de vertigem, como se eu estivesse aparatando pela primeira vez.
Odiava essa sensação, sempre me dava vontade de vomitar depois de alguns segundos. Fecho meus olhos e me agacho no chão tentando recuperar os sentidos.
Minha boca estava salivando excessivamente e já conseguia sentir o gosto do meu vômito. Coloco meus cabelos para trás e começo a respirar fundo, não quero vomitar, você é meu corpo e deve me obedecer.
Vamos lá, me obedeça pelo menos uma vez. Não deu certo, no segundo seguinte já estava vomitando tudo que tinha comido.
_ Ninguém me obedece nessa vida, nem mesmo o meu corpo. - Abro meus olhos e fungo o nariz tentando me recompor. _ Odeio o mundo.
Depois de alguns segundos, me levantei e fiquei bem longe daquele local que vomitei, que nojo. Faço um feitiço de limpeza no meu corpo e boca, e me sinto muito melhor. Olho em volta e era tudo estranho.
Um lado tinha apenas vegetação verde e o outro tinha apenas terra avermelhada, toda a vegetação daquele lado estava morta.
Tento sentir o ar para saber se tinha algum feitiço e tinha. Uma barreira para que bruxos e trouxas não pudessem ver o verdadeiro lugar que se encontrava a casa dos goblins. Eles são tão engenhosos que me dava arrepios.
Vou em direção da terra morta e paro poucos centímetros de ultrapassar a linha que separava as duas terras. Levanto minha mão e toco a barreira com a minha magia e ela começou a tremer.
_ Abra. - Sussurrei e a barreira abriu um buraco que dava para passar duas pessoas.
Passo por ela e vejo várias casas feitas de um material que não sabia o nome, mas era prateado e parecia muito resistente. Algumas casas estavam coladas umas nas outras e tinham até mesmo prédios. Tão moderno.
Começo a vaguear pelas pequenas ruas de paralelepípedos e percebo que os goblins eram ótimos em construir coisas e organizar seu mundo.
_ Um humano conseguiu entrar. - Gritou um goblin ao longe.
Todos os goblins saíram de suas casas e começaram a me observar. Que ótimo, sou a atração do dia.
_ Saudações, senhores goblins. Venho para encomendar algo a vocês. - Eles se olharam e não disseram nada. _ Tenho ouro e algo que poderá lhes ajudar a serem reconhecidos pelo mundo bruxo. - Aproximei deles.
_ Que coisas são essas? - Um goblin robusto apareceu.
_ É o rei! - Gritaram alguns goblins.
_ Saúdam o rei. - Disseram outros.
_ Meus cumprimentos ao rei dos goblins. - Faço uma mesura. _ Que sua prata e ouro nunca se esgote, mas que sempre transborde. - Alguns goblins suspiraram.
_ Nunca vi um bruxo sendo educado. - Disse vindo até mim. _ O que quer conosco?
_ O senhor deve ser o rei Ragnuk, o primeiro. - Ele ficou surpreso. _ Ouvi muito sobre o senhor, me chamo Leesa. - Estendi a minha mão para ele e ele ficou a olhando, mas não hesitou em apertá-la.
_ Uma bênção dos goblins... - Sussurrou, mas todos ouviram. _ Venha, se você tem uma bênção, deve ser uma pessoa importante para nós. - Ele começou a me puxar e só queria entender como ganhei uma bênção...
Será que foi naquele dia que o senhor Caspra foi na minha cela? Mas não senti nada de diferente, ele apenas me arranhou sem querer... Será que foi assim que ganhei a bênção?
Entramos dentro de uma casa formosa e era bem melhor do que aquelas casas de Hollow.
_ Por favor, se sente. - Me sentei na cadeira e fiquei observando o lugar.
Parecia uma casa de um humano, não era pequena e nem muito grande, era um tamanho ideal. Sempre pensei que as casas dos goblins seriam minúsculas por causa de seu tamanho. Mas vejo que me enganei.
_ O que posso ajudar? - Sentou-se na minha frente.
_ Venho pedir que faça quatro coisas para mim e claramente irei lhe dar ouro para essas coisas, mas só peço que não tente roubar essas coisas no final ou diga para os seus goblins que foi roubado. - Ele parou de sorrir. _ Venho do futuro, senhor. Então eu sei do que estou falando.
Tiro da minha bolsa uma pasta e o entrego. Nela dizia tudo sobre ele.
_ Isso é...
_ Tudo que sei sobre o senhor e tudo que você fez e fará. - Outro goblin entrou e ficou me observando.
_ Ah, aí está você. Venha, Gringotts. - Então esse deve ser o goblin que irá construir Gringotts. _ Esse é meu filho, se tornará o próximo rei quando eu me for. - Disse enquanto lia a pasta.
_ Prazer em conhecê-lo, senhor Gringotts. - O goblin acenou e se sentou ao nosso lado.
_ Então foi você que deixou um buraco na nossa barreira...
_ Posso consertar quando eu estiver indo.
_ Espero que faça isso.
_ Vejo que fui muito egoísta, mas, me diga. O que posso fazer para a senhorita? - Pego outra pasta e o entrego.
_ Quero que faça esses quatro objetos com a prata e o ouro mais puro que você tiver e que essas joias sejam da mais alta qualidade. - O goblin sorriu e pegou a pasta.
_ Isso custará um bom preço, está disposta a pagar quinhentos galeões? - Continuou sorrindo.
_ Senhor, estou disposta a pagar dois mil galeões para você. - Os dois ficaram chocados. _ Eu só peço que não fale nada e me entregue os objetos sem dizer que foram roubados. - Retiro da minha bolsa um saquinho contendo mil galões. _ Aqui tem mil galões, os outros mil serão entregues quando você terminar essas coisas.
Joguei o saquinho na mesa e o rei pegou um galeão que saiu do saquinho e o mordeu.
_ Verdadeiro. - Sorriu contente. _ Farei o melhor possível.
_ Confio nas suas mãos talentosas e apenas espero que essas coisas não demorem tanto, tenho urgência.
_ Em menos de seis meses você terá essas coisas e fique tranquila. - Seis meses... Tudo bem.
_ Isso me tranquiliza. - Olhei para Gringotts. _ Tome. - Retiro outra pasta de dentro da minha bolsa. _ Você ou algum de seus descendentes fez um banco chamado Gringotts em 1474, mas você pode fazê-lo antes. Isso é um presente.
Os dois me olharam animados e me levantei.
_ Estarei indo, não posso me atrasar. - Eles se levantaram e deixaram as pastas em cima da mesa.
_ Sua entrada sempre será permitida e sua bênção nunca irá desaparecer por causa de sua generosidade.
_ Agradeço imensamente por isso. - Eles sorriram e me levaram até o buraco da barreira.
_ Mandarei um dos meus para lhe entregar a sua encomenda.
_ Estarei em Hogwarts. - O rei concordou.
_ Mas saiba que nós só aceitamos sua visita por causa de sua educação e principalmente...
_ A bênção. - Gringotts completou.
_ Eu sei, obrigada por tudo. - Estalo meus dedos e a barreira começou a se fechar. _ Até algum dia. - Desaparato dali.
_ Não demorou tanto. - Por Merlim.
_ Você realmente quer me matar, Salazar. - Ele riu e veio até mim.
_ Estava lhe esperando, pensei que iria demorar mais.
_ E por que você está me esperando? Você deveria estar dentro do castelo e não fora dele.
_ Encontrei alguns ingredientes para a minha varinha e queria a sua ajuda. - Tinha me esquecido que ele queria fazer uma varinha.
_ Tudo bem, mas, e se eu não chegasse agora? Você iria ficar esperando até anoitecer? - Ele deu de ombros enquanto começamos a andar. _ Você entregou a pasta para os outros? - Ele concordou. _ Isso é bom.
_ Eu tinha duas chances, uma você iria voltar rapidamente e eu não iria me cansar e a outra eu iria esperar até anoitecer e iria me cansar.
_ Pelo menos voltei cedo. - Ele concordou.
Entramos dentro do castelo e ele vibrou por causa da minha chegada, ele gostava bastante de mim. Não poderia dizer que eu não gostava dele.
Fui até a parede e dei leves batidinhas nela e ela ficou quente.
_ Eu sei que você sentiu saudades, está tudo bem. - Alisei ela.
_ Ainda fico impressionado com o castelo gostando mais de você do que de nós quatro. - Ri com essa informação.
_ O castelo gosta de todo mundo, mas tem uma conexão comigo, entende?
_ E continuo achando impressionante. - Sorri para ele e escuto Melissa falar de algum lugar.
_ Sua sala ficou pronta.
_ Minha sala? - Que sala? Eu não...
Começo a correr em direção da escadaria que me levaria ao segundo andar e Salazar gritava correndo atrás de mim. Minha sala... Minha sala Comunal? Mas como?
Vejo a parede se abrir e era uma passagem, a escola percebeu minha euforia e estava tentando me ajudar, ela sabia de tudo, era impressionante.
Entro na passagem e continuo correndo, agradecia muito por ter feito todos os meus vestidos baterem até as pernas, não iria aguentar segurar a barra do vestido para correr.
Saio da passagem e estava no segundo andar de frente para a porta do banheiro. Meu coração batia forte no meu peito e não sabia se era pela corrida ou se era por causa da ansiedade.
Minha sala...
Entro no banheiro e a porta com o coelho apareceu e eu não tinha coragem de entrar.
_ O que aconteceu? - Salazar me perguntou sem fôlego. _ Que sala?
_ Acho que é a minha sala comunal, eu só fiz a poção e iria pedir aos elfos para me ajudarem a decorá-la. Mas acabei sendo chamada por Godric e acabei esquecendo.
_ Então vamos entrar. - Ele pegou a minha mão e nos levou até a frente da porta. _ O que significa o coelho?
_ Mínima ideia. - Salazar tentou abrir a porta, mas o coelho o mordeu.
_ Aí. - Soltou a maçaneta e ficou olhando para o pequeno corte em sua mão. _ Ele me odeia.
_ Ele também me mordeu, mas ele abriu a porta, diferente de hoje.
_ Talvez só você consiga abrir. - Concordei e fui até a maçaneta e a girei.
Empurro a porta devagar e fico impressionada pelo que tinha dentro da sala. Antes ela era branca, mas agora, agora ela era exatamente aquilo que eu pensei.
Puxei Salazar para entrar e ele ofegou surpreso. Tinha a cúpula de vidro no teto que me mostrava uma visão encantadora do céu azul.
Tinha até um pequeno bar do lado direito do primeiro andar. Sofás e poltronas de couro e pareciam confortáveis. Tinha uma passagem que provavelmente me levaria para a sala precisa, como Melissa disse que poderia fazer.
Armários para algum propósito, um quadro que poderia colocar avisos ou algo do tipo e uma lareira espaçosa com um coelho pulando nos tijolinhos da lareira.
Era lindo.
_ Por que o seu salão tem 3 andares? Isso é meio injusto. - Não o respondo e fico encarando um símbolo. O meu brasão. Era o mesmo do meu quarto e eu sabia exatamente o que ele representava, bom, quase. Já que não sabia o que representava o coelho.
Mas a cor do brasão era estranha, era quase como se fosse transparente. Era algo surreal.
O coelho estava no meio do brasão, ele era o animal da minha casa e ele parecia estar dançando. Era o coelho da entrada. Fofo.
Em cima do coelho tinha um pequeno vira-tempo, na primeira vez pensei que fosse um relógio, mas não tinha engrenagens para isso. E atravessando o vira-tempo tinha a espada do Godric.
Sim, a espada do Godric. O motivo dela estar ali? Mínima ideia. Pensei que era uma espada comum, até que fiquei observando aquela espada ao longe. A base era exatamente igual a espada de Godric.
E por causa que o brasão estava em um tamanho maior que do quarto, deu para decifrar de quem era a espada em questão de segundos.
E eu pensando que o símbolo ao lado do coelho fosse apenas algo insignificante, mas não era. Eram duas flores.
Gostava de saber de significados de flores, era um passatempo. A flor de lótus representa recomeço, já que elas nasciam em lodo ou um lugar menos provável de nascer algo.
Em seu caule tinha uma borboleta e isso representava recomeço e um novo começo. Como se dissesse para deixar o passado para trás e recomeçar e era bem a minha cara para ter esse símbolo. Do outro lado também tinha uma libélula, pequena, mas tinha.
_ Sabe o que significa a libélula? - Pergunto para Salazar que olhava para tudo, menos para o brasão.
_ Libélula? - Aponto para o meu brasão. _ Nem tinha visto. - Revirei os olhos. _ Simboliza poder de adaptação às circunstâncias.
E o último símbolo tinha uma ampulheta. Tudo no brasão dizia que eu não era desse tempo, dizia que eu estou recomeçando e mesmo caindo, eu iria me levantar. Era tão eu.
_ Se tudo que pensei estiver aqui, no segundo andar deve estar cheio de livros e no terceiro andar é os dormitórios. - Falo largando a mão de Salazar.
_ Espera. - Parei e o olhei. _ Antes de você começar a correr novamente, quero que você teste essas coisas. - Tirou do seu bolso dois potinhos e fui até ele.
_ Minha magia vem do meu sangue e não do meu núcleo, acha que isso vai dar certo?
_ Isso é algo interessante, mas, não iremos saber se vai dar certo se não tentarmos. - Suspirei e passei a mão no primeiro potinho.
_ Isso é pó de estrela? - Ele sorriu e concordou. _ Isso é tão raro, só consegue quando uma estrela morre e ela acaba caindo na terra. Tenho ferramentas com esse pó e sempre pensei que foi esse pó que me fez parar aqui. - Mas não foi, foi o pó de vira-tempo.
_ O pó de estrela tem a função de conectar coisas com perfeição, mas isso não quer dizer que não vai dar errado. - Ele tinha razão. _ E isso era da minha mãe. - Entendi.
Era bastante bonito as pequenas estrelas voando no potinho. Mas elas acabaram morrendo ou elas acabaram dormindo.
_ Acho que também não deu certo. - Salazar me olhou e franziu a testa, mas não falou.
_ É, tem razão. Não deu certo, vamos tentar isso aqui. - Ele me mostrou o segundo potinho e tinha apenas uma lasca de madeira. _ É uma experiência da minha mãe, encontrei quando estava esvaziando a casa.
_ Mas é lindo. - A madeira era azulada com manchas pretas e lilases. Eu jurava que tinha estrelas serpenteando a madeira. _ Isso são estrelas? - Me lembrei da primeira varinha que eu experimentei nessa época. Era uma madeira lilás.
_ Sim, essa madeira tem pó de estrela, madeira queimada por um feitiço das trevas, sangue cristalizado de basilisco e... - Ele parou de falar.
_ O quê? O que tem o lilás?
_ Uma memória ou um sentimento. - Franzi a testa sem saber o que isso deveria significar.
_ Como assim?
_ Também não sei. - Deu de ombros.
_ Ou você sabe e não quer me contar?
_ Um dia você vai descobrir.
_ Poderia me contar agora. - Ele balançou a cabeça negando.
_ Gosto do mistério. Agora passe a mão. - Bufo contragosto.
Passo a mão e a pequena lasca começou a vibrar e ela começou a crescer e saiu do potinho. Ela virou um galho de árvore.
_ De novo, essas coisas me odeiam. - Salazar estava sorrindo. _ Por que você está sorrindo?
_ Nada, só achei interessante. - Deu de ombros. _ Bom, vai se divertir com seu salão, vou procurar mais coisas para testar e lhe vejo no almoço. - Ele correu para fora da minha sala.
Ele parecia ansioso e afobado, mas por quê? Deu errado o seu experimento, ele não deveria estar irritado?
Vai saber.
Olho em volta e dou um gritinho de felicidade, isso era incrível. Eu amei.
Sinto-me feliz, muito feliz.
