Novembro de 993:
Não tinha mais cartas do Dragon, todas já estavam abertas e isso me deixava chateada. Fiz de tudo para não as ler rapidamente, mas acabei as lendo sem mesmo perceber.
Todas as cartas estavam espalhas na minha cama, na minha nova cama. Já tinha semanas que eu estava no meu novo quarto.
Preferia ele, gostava dele e era meu, e não de Rowena.
Esse quarto tinha duas paredes que eram estantes de livros e os livros que eu queria sempre estavam lá. E as outras duas paredes eram neutras.
Brancas com detalhes em dourado e um candelabro médio no meio do quarto contendo velas que nunca se apagavam, algo que gostei bastante.
A cama era de casal e era bastante espaçosa, era minha... Eu tinha algo que poderia ser chamado de meu, sem ser a minha bolsa e as coisas que continham nela.
Também tinha um armário, mesas de cabeceira e uma mesa que tinha o meu vira-tempo. O segundo vira-tempo.
Consegui ouro na sala precisa, já que a Melissa sumiu já tem alguns meses e esse vira-tempo era um vira-tempo normal, ainda tinha que transfigurá-lo para outra coisa.
Cutuquei uma carta com o meu dedão do pé e ela amassou, elas eram frágeis, como os meus sentimentos e não tinha nada para me tirar desse estupor de sentimentos. Queria mais cartas, ele fez tantas, mas foram tão poucas...
Ele deveria ter feito pelo menos umas dez mil, não iria reclamar.
Já li todos os diários da tia Cisa, sei quem traiu e quem amou. Também já li os livros que o Dragon me deu, foram interessantes, me tirou um pouco do tédio. Sim, tédio.
Hogwarts já estava aberta desde setembro e todos estavam ocupados demais e eu não ligava muito para isso, só me sentia solitária. Eu acabei me acostumando a ter pessoas em minha volta e era estranho quando não tinha mais nada além de livros e meu diário.
Mas eu sabia que todas as crianças estavam em suas devidas casas e o chapéu era muito mais fofo do que pude imaginar. Adoro chamá-lo de "Senhor Seletor". Ele fica todo envergonhado.
Mas nenhum Merlim apareceu, isso era um pouco triste.
Juntei as cartas que estavam espalhadas na minha cama e as coloquei na bolsa novamente.
Meus dias aqui já estavam acabando e eu acho que era melhor assim.
Levantei-me da cama e fui até a minha mesa e vi a última coisa que escrevi no meu diário. Um diário que agora tem um feitiço que ninguém além de mim, pode tocar, aqui contém tudo. Até as minhas lágrimas.
Eu já tinha feito os meus experimentos e pedi ajuda dos duendes para me ajudarem e eles me ajudaram com muito prazer.
Claro, tive que pagar uns cinquenta galeões, mas isso não é nada. Pelo menos consegui completar tudo que eu queria fazer.
Fiz os experimentos com as imperdoáveis, apenas duas delas, já que a maldição da morte não precisava ser testada. Todos sabiam o que essa maldição podia fazer e eu sabia muito bem...
Aliso os cortes e fico lembrando de coisas que eu queria lembrar, mas tudo bem. São apenas lembranças, elas machucam, mas não podem mais me ferir como antes.
Sentei-me na cadeira e começo a me lembrar dos meus experimentos.
O primeiro experimento foi as imperdoáveis, na verdade, foi com crucius e ele me deu muita dificuldade.
Em apenas dois dias matei dez pessoas, a metade morreu e a outra metade ficou em estado vegetativo. Os duendes me ajudaram a entender que eu precisava achar a intensidade adequada.
Mas quem disse que consegui de primeira? Toda vez que proferia o feitiço, eu via Potter na minha frente e eu só queria matá-lo...
Acho que isso era normal, bom, consegui realizar o primeiro experimento e deu certo. Crucius realmente fazia os nervos voltarem ao normal.
Foi estranho ter que sequestrar pessoas para fazer essas coisas. Mas não me importei e ainda não me importo.
Para conseguir realizar o procedimento do crucius, precisava de pessoas com deficiência, mas isso era fácil. Apenas tinha que deixá-los deficientes e no final tudo deu certo. Menos os gritos, aqueles gritos eram horríveis.
Teve um que até tentou morder sua língua para se matar, mas não conseguiu e aquelas pessoas valeram um bom preço, já que tinha mais de 100 pessoas dentro daquele lugar que os duendes me emprestaram.
Era um galpão espaçoso e ficava em um lugar totalmente isolado. Era um lugar perfeito para fazer essas experiências.
As pessoas que consegui reabilitar os seus movimentos foram vendidas e as que morreram, bom, sua carne foi vendida. Nessa época, as pessoas comiam de tudo, tudo mesmo.
Bom, Imperius foi o mais fácil, eu só tinha que entrar na cabeça de qualquer pessoa e destruir a sua mente. E quando destruí, usei Imperius e a própria pessoa refez sua mente. Algo tão satisfatório.
Virei a página e alisei os desenhos dos homens. Queria uma câmera fotográfica, seria mais prazeroso do que os meus desenhos.
Mas, tudo bem, pelo menos irei lembrar de como eu os nomeei. Cada pessoa tinha um número em sua testa e os que tinham mais de dois números, eram os que gritavam mais. Foi divertido marcar aquelas pessoas como gado.
Gostei mais do número dez, ele era bastante comportado e não ligava para nada que fiz com ele. Não gritava, não chorava, ele me fazia lembrar de uma pessoa. De mim.
Acho que foi por isso que refiz suas memórias, o curei e o deixei ir e esperava que ele não se lembrasse de nada, mas se lembrar, nada vai acontecer comigo.
O segundo experimento que fiz foi com os abortos, tinha que testar algumas poções e bom que eu fiz isso, ou acabaria matando pessoas.
De dez poções que fiz, apenas duas estavam boas o suficiente, as outras pareciam ótimas, mas acabaram destruindo o núcleo de oito pessoas e elas acabaram morrendo por insuficiência mágica.
Os duendes me ajudaram a fazer novas poções e só tive que pedir mais sangue para Salazar e ele me deu sem perguntar o motivo daquele pedido.
Mostrei a fórmula para os duendes e eles me explicaram o que fiz de errado. Coloquei sangue do basilisco demais e meu sangue de menos. Eu nem tinha reparado nisso e bom, pelo menos fiz esse experimento antes.
E os dois abortos que conseguiram magia, fiquei com eles por algumas semanas para ver se acontecia alguma coisa. Não aconteceu e eu os matei depois de comprovar que nada iria acontecer.
Viro mais uma vez a página e lá estava o resultado dos novos experimentos. Depois que refiz as poções, tive que sequestrar mais abortos e nessa época eles quase não existiam, mas consegui achar alguns e eles ganharam sua tão aclamada magia...
Que pena que eles não puderam usufruir como sempre desejaram.
Pelo menos eles não foram vendidos e usados para algo que não quero nem imaginar. Sou uma boa pessoa.
Mas o mais interessante dessa poção, era que eu só podia fazer uma poção de cada vez. Por causa do sangue do basilisco. Ele é algo corrosivo e isso acabava com os caldeirões e por algum motivo, meu sangue gostava do sangue de basilisco, e por causa disso, o meu sangue não destruía os caldeirões.
Queria saber o motivo disso.
Viro mais uma vez a página e tinha os experimentos que fiz comigo. O crucius e o Veritaserum, já que não dava para testar aquele novo feitiço da Horcrux, já que se desse certo, eles iriam viver para sempre.
Tinha chances altas de fracassar, mas também tinha chances altas de acabar fazendo duas pessoas se tornarem imortais.
Algo trágico demais para mim e para os meus planos. Então não, não irei fazer esse feitiço. Irei na sorte, só esperava que o little lord realmente se apaixonasse e a outra pessoa também.
O primeiro teste foi com o crucius e induzi uma das pessoas que estavam presas a usar esse feitiço em mim. Nas primeiras vezes não deram muito certo, mas nas outras... Eu só queria que ele acabasse e me deixasse ali.
Foi torturante e queria dormir para esquecer a dor. Esquecer das lembranças de quando o vovô usava esse feitiço em mim. Odiava me lembrar dessas coisas, me fazia sufocar.
Mas, tudo bem, é passado e não vai acontecer mais. Assim eu espero.
Esse experimento deu certo e não sinto mais dor e isso era uma grande conquista. Os dias de dor valeram a pena.
E sobre a poção da verdade, foi gratificante não ter que vomitar sangue ou algo do tipo e para testar a poção, escrevi tudo que os duendes podiam me perguntar.
Nos primeiros dias tentei usar Oclumência, mas não deu certo e eu sempre falava. Então tentei usar magia negra, mas também não consegui e também, se eu estivesse no ministério, não poderia usar magia.
Então, depois de dias tentando o meu melhor, comecei a me drogar. Fiz seringas e com elas, apliquei a poção em minhas veias. Aquilo queimava tanto, era quase pior que levar crucius.
Teve dias que simplesmente apaguei e não acordei por dias ou horas. Ingerir era uma coisa totalmente diferente do que injetar essa poção diretamente na sua veia.
Era doloroso.
Mas não desisti, não podia desistir, não queria estar nas mãos daquelas pessoas novamente. Deveria proteger ainda mais as minhas memórias, mas não me importava muito, elas estavam protegidas por causa de minha mãe. Então ninguém seria capaz de acessá-las.
Bom, depois de semanas me drogando, consegui burlar a poção. Escrevi novas perguntas e todas elas eu fingia não poder falar ou falava mentiras que pareciam convincentes. Então, sim, consegui vencer essa poção da verdade, mas do meu jeito. Como sempre.
Fechei o diário e fiquei olhando para ele.
Também descobri que meu sangue não vai me matar, então não preciso de poções para desabilitá-lo e sobre ele ficar vermelho era bem simples. Só precisava pensar na cor que queria que ele ficasse e se eu desmaiasse, ele iria se adequar a melhor cor para o momento. Simples, não?
Mas se fosse simples, já teria o motivo do meu sangue ser assim, de ter essa marca nas minhas costas, da cobra ter falado ou de como ela sabia que Salazar roubou o núcleo. Tenho tantas perguntas ainda...
Um livro caiu no chão e levantei a minha cabeça para ver o que aconteceu para esse livro cair. Tinha colocado um feitiço nas estantes para que nenhum livro caísse. Será que o feitiço não deu certo?
Levantei-me da cadeira e fui até o livro e quando me abaixei para pegá-lo, ele se abriu e me mostrou algo que estava procurando há anos.
Era sobre minha marca ou tatuagem. Prefiro chamar de marca. Peguei o livro do chão e fui até a minha cama e me sentei nela, quase me deitando.
Sempre pensei que a minha maldição fosse algo que acabei tocando ou lendo algo amaldiçoado em alguma época da minha vida e acabei esquecendo por algum motivo. Mas, se eu for levar em consideração o que estava escrito aqui, então, não. Não foi minha culpa, necessariamente.
Foi da minha mãe.
Ela realmente traiu o papai? Devo chamá-lo de papai? Quem era o meu pai? Ou eu não sou filha de nenhum... Não, se eu não fosse filha de Byella Avery, o livro teria me falado quando escrevi o meu nome nele e ele mudou para o meu verdadeiro, quase verdadeiro.
Também não faz sentindo, posso ter sido adotada e não sei. Que confusão.
Será por isso que eu tinha aquelas barras oblíquas? Com certeza.
Isso parecia mais real do que tudo. Eu não sou filha do meu pai... Devo começar a chorar ou começar a procurar meu verdadeiro pai?
Será que realmente sou filha de Dumbledore? Não, mamãe odiava muito aquele velho e ela não iria para o passado e iria transar com ele. Então, quem? Mínima ideia.
Bom, o livro dizia que o vira-tempo em minhas costas era por causa de uma junção. Uma junção de uma pessoa do passado com uma do futuro e aí nasce uma criança com a maldição do tempo.
Então, se eu tiver uma família e acabar engravidando, os meus filhos também irão ter esse sangue e o vira-tempo em suas costas, como se fossem gados sendo marcados por uma maldição. Que alegria... Queria pegar o Deus ou Deusa do Tempo e matá-lo.
Respira e não pira, você só está na primeira página ainda, tem várias... Você não pode surtar como antes, você é uma pessoa mudada, com capacidade mental o suficiente para não destruir o seu quarto. Isso, boa garota. Você está indo bem, Leesa.
Voltando ao assunto, o vira-tempo era por causa da minha mãe que no final traiu o meu pai indo para o passado fazer alguma coisa. E o meu sangue negro era exatamente por isso, era por causa da minha mãe e porque fui gerada no passado. Sou uma pessoa amaldiçoada por causa dela.
Mas, a cobra era um assunto diferente e isso me deixava confusa e com dor de cabeça.
A cobra era do meu juramento, um juramento de herdeiro. O que isso significava? Que fiz um juramento com o próprio Lorde das Trevas e não, com a minha mãe... Mas, não lembro de ter feito isso e só me lembro de ter feito o juramento de magia com a minha mãe quando tinha oito anos.
Foi isso que fiz, não foi? Então por que aqui está dizendo que não? Até o motivo do meu sangue gostar do sangue basilisco era por causa desse juramento. O que não faz nenhum sentindo, já que o meu sangue não tem nada a ver com o juramento. Ou tem?
As páginas começaram a se virar e ela parou onde eu queria, na resposta da minha pergunta não falada.
A cobra precisava de sangue e ela gostava muito de sangue que era parecido com o de seu dono, vulgo Lorde das Trevas. Mas isso também não fazia sentido, já que o Lorde não tem sangue de basilisco em suas veias ou isso era por que ele falava com cobras?
Posso tentar isso com Salazar, já que ele é ancestral do little lord, e sempre uso Salazar para as coisas mais estranhas...
Volto a ler e percebo que meu juramento não era apenas por alma. Era por alma, magia, sangue e corpo. No final, estaria fodida se eu pensasse por um milésimo de segundo não fazer o que sou obrigada de verdade a fazer.
Nunca poderia ter fugido com Dragon, nunca poderia ter ficado com a titia e nunca, em hipótese nenhuma, poderia ficar aqui. Eu só podia seguir um caminho, nunca poderia seguir caminhos que nunca iriam me levar a uma pessoa. A ele. Ao Lorde das Trevas.
Posso fazer desvios, mas no final... Essa marca em minhas costas sabia que eu estava no caminho certo e sabia de minhas intenções, por isso que não morri ainda.
Queria chorar, mas isso não vai resolver que em algum momento da minha vida, um momento que não me lembro, acabei fazendo um juramento com o Lorde sem nariz e isso me impedia de tudo, mas, e se não impedisse?
O juramento dizia para salvá-lo, isso deve estar certo ainda, não é? Devo confiar nisso ainda ou não? Já nem sei mais, em poucos segundos descobri que não sou filha daquele homem e sofri por anos na minha infância por puro egoísmo da minha mãe de continuar acobertando sua traição.
Eu nem me parecia com aquelas pessoas, nem para fazer um feitiço ela conseguiu. Acho que estou entrando em uma crise existencial e eu as odiava.
Vamos lá, não comece um escândalo, Leesa. Você já sofreu coisa pior, saber que seu pai não é seu pai e seu avô que te maltratou da pior maneira que você se lembra, não é nada. Isso, boa garota.
Continuo lendo e vejo que o motivo do vira-tempo ter brilhado era por causa que estou no passado e estou fazendo tudo que... Que já fiz antes...
Peguei o livro e o joguei longe. Se eu não ler, quer dizer que não é verdade.
Estou em uma merda de loop temporal? Sempre irei morrer, renascer e esquecer que um dia já fiz tudo aquilo antes? Sempre irei ver Dragon morrer, me despedir do Scorpius, me despedir da titia e nunca dar uma chance a Salazar?
Então, o que preciso fazer? O que preciso fazer para não acontecer isso? O que fiz na minha vida passada que me fez voltar?
Não salvei o Lorde...
Tudo se resume a ele, tudo se resume a salvá-lo e desde o começo da minha vida é tudo ele. Ele, ele, ele, ele, ele, ele.
Eu quero que ele se exploda!
Pensa, por favor, pensa. Você só precisa salvá-lo e depois você pode ir embora. Isso, você só precisa que ele sobreviva até 1998 e depois... Depois você pode fazer o que você quiser, entendeu, Leesa? Sim, estou falando comigo em terceira pessoa, isso me relaxa.
Já era o meu terceiro surto em menos de trinta minutos. E olha, eu acho que estou melhorando nisso, não destruí um quarto, não tentei retirar as minhas memórias ou pensei em pessoas morrendo. Estou apenas chateada e brava. Isso é um bom sinal, não é?
Faço a minha magia pegar o livro e ele abriu onde eu tinha parado.
Agora iria ler sobre a cobra e o motivo dela não estar girando mais. Simples, era porque eu estava demorando no passado em vez de fazer o meu juramento. E ela não fala mais, porque ela precisa de sangue mágico para falar e prefere sangue ofidioglota para falar por mais dias.
Como eu disse, Salazar será uma ótima cobaia novamente.
As páginas se passaram novamente e lá estava a minha última pergunta, como a cobra sabia sobre o núcleo que Salazar roubou. E a resposta era. Sangue.
A cobra precisa de sangue mágico para falar e devido a isso, ela tem uma ligação com o corpo por pelo menos cinco minutos e ela saberia de tudo. Até mesmo se o núcleo da pessoa foi roubado.
E por causa disso, tudo se unia perfeitamente bem. A minha magia sentia saudades de uma pessoa, mas essa magia está ligada ao meu sangue e o meu sangue está ligado ao meu corpo e... O meu corpo está ligado ao juramento e o juramento está ligado a pessoa que a minha magia sente falta.
Tudo se resumia a ele. Ao little lord.
O livro se fechou e sumiu.
Era como se ele tivesse caído de propósito e não sou burra de acreditar que o livro que eu estava procurando, do nada caiu e ele estava bem no meu quarto. Não, isso foi obra de alguém e sei quem foi.
_ Foi você, não foi? - Olhei para o nada. _ Por isso que você falou que nunca gostava de nada que você fazia. Por isso que lembrei do quarto escuro que você fez para mim e é por isso que você sabia que meu Lorde partiu sua alma sete vezes... - Levantei-me da cama e continuei olhando em volta. _ Foi por isso, não foi, Melissa?
A menina apareceu e ela me olhou constrangida.
_ Você me fez jurar que nunca iria contar para você e que você tinha que descobrir sozinha. Estou vendo você pela segunda vez. Já que a magia e Hogwarts são como os duendes. - Ela iria falar algo a mais, mas mudou de ideia.
_ Então eu só morri uma vez? - Ela olhou para o lado e concordou. _ Diga-me a verdade, Melissa. - Ela se assustou.
_ Duas, você morreu duas vezes e essa é a sua terceira vida. - O quê? _ Na primeira vez você não me fez, mas contando com essa, são duas vezes. Por isso que eu disse que estou te vendo pela segunda vez.
_ Então eu mudo de realidade ou...
_ Você nunca muda de realidade quando viaja para esse tempo e é por isso que Hogwarts tem uma conexão forte com você. Já que você morreu duas vezes aqui e a construiu uma vez... Na verdade, contando com essa, foram duas vezes.
_ Mas você mesma disse que não lhe fiz na primeira vez, então, eu mudei de realidade e...
_ Mesmo se você tiver realmente mudado de realidade, nós, eu e Hogwarts ainda iríamos lembrar de você. Somos como os duendes, sabemos de tudo, mas não podemos dizer nada.
_ Você disse que foi criada por mim...
_ Sim, mas sou tecnicamente o núcleo de Hogwarts e você me criou rapidamente e na primeira vez, demorou anos para que eu tomasse forma. Com ou sem você, eu existiria. - Isso é tão confuso.
_ Como você sabe da minha primeira vida? E por que morri?
_ Você me mostrou suas memórias quando me fez pela primeira vez e você disse que era uma boa ideia ter uma confidente que nunca se esquece. - Era uma boa mesmo. _ E você morreu por causa do seu juramento e por causa de dor... Dor emocional. - Será que eu me matei por causa do Dragon?
_ Tem como me mostrar as minhas memórias? Eu não as tenho, acho que a minha mãe...
_ Não foi sua mãe que te privou de suas memórias. Foi você. Elas eram dolorosas demais para você aguentar, mais do que você aguentou no ministério e não posso te mostrar elas, só você pode. Já que você me disse que colocaria uma trava de segurança e percebo que você realmente fez isso.
_ Mais dolorosas que perder o Dragon? - Ela concordou. _ E pensar que xinguei a minha mãe por anos, e, na verdade, a culpa sempre foi minha.
_ Você criou falsas memórias para os seus pais e para você. Mas não sei o resto, já que você só me disse que faria isso.
_ Por que não consegui fazer o juramento? Por que fiz o juramento?
_ Isso é algo que não posso falar, já que você não estava em Hogwarts quando fez o juramento.
_ Devo ter contado...
_ Não, isso você nunca me contou e você não conseguiu concluir o juramento por causa que você entrou na frente do seu Lorde e a espada de Godric a atravessou...
_ Por isso que o meu brasão tem um vira-tempo atravessado.
_ Sim, essa foi a sua primeira vida, a segunda... A segunda você se suicidou e a terceira é essa.
_ Trágico. - Pensei que iria surtar em saber que estava na minha terceira tentativa, mas, na verdade, não.
As terceiras tentativas sempre são boas e sempre funcionam. Menos o meu vira-tempo, aquilo foi um caso perdido.
_ Todas às vezes retirei as minhas memórias? - Isso ainda era confuso.
_ Vamos por partes. Na sua primeira vida você veio, fez tudo que tinha que fazer. Fez o juramento e morreu com a espada. Na sua segunda vida, quando você voltou, você nasceu, cresceu e só se lembrou de sua vida passada com seus 15 anos. Mas, nessa vida, você provavelmente se lembrou mais cedo e fez isso com você.
_ Deve ter sido muito ruim para que eu fizesse isso comigo. - Estou levando isso muito na boa, estou doente? Ou eu acabei virando uma "Rainha de Gelo"?
_ Fiquei muito feliz quando você voltou, mas a minha boca fala mais do que deveria e eu só queria te ajudar, mas acabei estragando tudo. Me desculpe.
_ Não, está tudo bem. Você só queria me ajudar e obrigada pelo livro. - Ela sorriu.
_ Foi você quem fez na sua segunda vida e fez um feitiço para mudar sua letra.
_ Como descobri isso? Sobre o sangue, a marca e...
_ Duendes e experimentos com você. Você passou bastante tempo com eles e eu acho que é por isso que os duendes futuros são tão condescendentes com você.
_ Então nunca fiz a espada de Godric e nunca visitei os duendes dessa época.
_ Sim e sim, se tivesse feito ela, ela não teria lhe matado na sua primeira vida e na sua segunda vida... Bom, você queria sair o mais rápido daqui e nem se importou com a espada. E ela também não foi importante na sua segunda vida. - Deu de ombros.
_ Então, se o Lorde morrer, eu morro?
_ Bom, eu acho que sim, e mesmo ele ou você fazendo aquela Horcrux, você...
_ Irei voltar, por causa que preciso que ele fique vivo e se ele morrer, nem essa Horcrux irá me salvar. Nunca fiz essa Horcrux, não é?
_ Sim, aquele livro ainda não existia e você não estava preocupada com isso. - Não existia? O que isso quer dizer?
_ Mas, e se ele fizer essa Horcrux e quem morrer no final for eu? - Ela ficou me observando. _ Ele também morre? - Ela concordou.
_ Os dois precisam estar vivos, já que vocês dois estão ligados pelo juramento.
_ Será que devo injetar veneno de basi...
_ Não faça isso! - Ela gritou. _ Na sua primeira vida, você mexeu com sangue de basilisco e acabou ficando doente e você virou uma cobra... Foi estranho de ver, mas no final você voltou ao normal.
_ Você viu pelas paredes de Hogwarts. - Ela concordou. _ Como isso aconteceu?
_ Bom, você estava fazendo experimentos e acabou entornando o sangue em sua pele e ela penetrou em sua corrente sanguínea. E o sangue não gostou do seu sangue...
_ Mas no livro estava escrito que...
_ Por causa da cobra, na sua primeira vida você não a tinha, não que eu me lembre. A cobra faz seu sangue "gostar" do sangue de basilisco, por isso que você pode fazer essa poção de aborto.
_ Então sem a cobra, esse experimento daria errado? Ela é como um purificador? - Ela concordou. _ Bom, devo agradecer esse juramento por isso. - Dou de ombros. _ Mas, eu só preciso passar de 1998 e aí consigo cancelar o juramento?
_ Provavelmente. Como eu disse, não estava com você ou você me contou sobre esse juramento, só estou fazendo hipóteses.
_ Hm... Vamos fazer alguns cálculos, ok? - Ela concordou. _ Na minha primeira vida eu não fiz você, então por que fui para o passado? Eu queria vingança?
_ Sim e não, você prometeu a sua mãe que iria reerguer o Lorde e também que iria atrás de vingança.
_ Então, no final de contas, tinha a minha mãe no meio e ela meio que é culpada. Eu realmente era um bom cachorrinho da minha mãe. Bom, fui para o passado e não vim para esse tempo, mas sim, para? - A olhei e ela ficou me olhando.
_ 1938.
_ Cada ano eu diminuo ou algo assim? - Ela negou. _ Espera, estudei com o Lorde? Não, isso não faz sentindo, em 1938 ele estaria no primeiro ano e eu, no quinto ano.
_ Tem coisas que não posso dizer, você pode esperar até 1943 para descobrir. - Ela iria falar algo a mais e ficou olhando uma prateleira, o que tinha ali?
_ Ok, então fiquei até algum ano e morri em 1998? - Ela concordou. _ Pela espada do Godric.
_ Se você tivesse vindo para essa época e feito a espada como presente, ela nunca iria ser enfiada em você.
_ Mas como não vim, a espada pôde ser enfiada em mim. Ok, entendi isso. Eu tive família?
_ Não sei.
_ Você não quer me contar, não é? - Já estava pegando o jeito de tirar informações desse fantasma.
_ Talvez. Você me disse para não contar, já que talvez você não se apaixonasse pela mesma pessoa.
_ Mas eu me apaixonei? Quero dizer, eu me apaixonei pela mesma pessoa nessas duas vidas que perdi?
_ Não posso dizer.
_ Então, sim. Eu me apaixonei pela mesma pessoa e é tipo alma gêmea? Sempre irei me apaixonar por ele?
_ Não, essa fanfic não é sobre alma gêmeas.
_ Volta para o roteiro, Melissa.
_ Ah, sim. Não, você pode se apaixonar por qualquer outra pessoa, pode até ser pelo Salazar ou por um Black usando óculos e que consegue mudar seus cabelos de cor. Você, você se deu a chance de escolher uma nova pessoa para ser feliz. - Eu sou uma boa pessoa, comigo pelo menos.
Ela se sentou no ar e continuou me observando.
_ Como você não vai me dizer quem é, eu respeito isso e também não quero saber quem é essa pessoa, talvez eu realmente me apaixone por outro. Imagina eu me apaixonando pelo little lord? Ou até mesmo pelo meu tio? Nojento. - Ela riu concordando, ela parecia sincera, então não é nenhum desses dois. Ufa.
_ Você se casou com uma pessoa que realmente fazia o seu tipo... Ops.
_ Eu me casei? Tive filhos? Eles também eram marcados pela marca? Como eles se chamavam? Eu era feliz? - Fiz essa última pergunta baixinho.
_ Eu posso responder algumas dessas perguntas e sim, você era casada na sua segunda vida. Seus filhos eram marcados pela marca e eles não ligavam de ter aquilo em suas costas. Afinal, era apenas um vira-tempo e sangue negro.
_ Eles aprenderam a controlar?
_ Você os ensinou. - Pelo menos eles não sentiram dor por causa do sangue. Ainda bem... _ E eles se chamavam Lissa, Lion e Heron. E sim, você era feliz... Até que... A sua segunda vida você fez quase tudo que você já fez até agora. Mas nunca conheceu o seu primo, nunca foi para o ministério...
_ Mas, se nunca fui para o ministério, como eu vi o meu quarto como...
_ Você sempre vê algo naquele quarto, na primeira vez você viu a casa do seu avô e dessa vez você viu o ministério. Isso muda, não sei o motivo, mas sempre foi assim.
_ Talvez seja apenas a minha cabeça. Então nunca tive Dragon como uma pessoa importante na minha vida, que lástima.
_ Nessa segunda vida você também conseguiu fugir de Harry Potter e foi para o passado. Sua mãe pediu que você salvasse o Lorde e você fez isso, já que você já sabia que deveria fazer isso e você também queria encontrar o seu marido e reconquistá-lo novamente...
_ Ela já mudou? Na primeira vez ela pediu para reerguê-lo. Mas agora era salvá-lo... E por que eu tive que me lembrar de tudo com 15 anos? Bom, 15 é uma idade boa, meu ex/futuro marido é velho?
_ Não posso dizer isso.
_ Ele é velho. - Ela me olhou pasma. _ Talvez o destino e as minhas memórias só quisessem aparecer porque seria pedofilia...
_ Ou porque você foi para o passado com 15 anos. - Ela tinha um bom ponto.
_ Não recuperei as minhas memórias com 15 anos...
_ Você colocou uma trava e ela só vai se romper em 1943... Ou, quando algo muito ruim acontecer. Mas antes disso...
_ Antes disso, sou apenas uma idiota girando nos pés do destino e tempo? - Ri pela minha desgraça.
_ Infelizmente sim. Bom, você conseguiu fugir e deu muitas voltas no vira-tempo...
_ Eu sabia que faria isso, pelo menos não comi mamute ou algo pior. - Ela riu. _ Mas como consegui escapar dele?
_ Você correu e correu.
_ Então essas versões minhas tiveram sorte de não fraturarem as costelas, mas tiveram o azar de não conhecerem o Dragon... - Sorri triste.
_ Bom, você veio parar aqui e fez tudo isso, quase tudo. E depois foi para 1940.
_ Em vez de diminuir, eu aumentei, usei a poção da mamãe? Não, espera, devo ter feito uma poção contrária e...
_ Não, você foi para o quinto ano em 1940 e em 1943 acabou se apaixonando por seu marido novamente. - Eu tinha essa opção? De ir logo para o quinto ano? Bom, agora não tenho, já que estou velha... _ Só que...
_ O quê?
_ Você já tinha feito o juramento de herdeiro na sua primeira vida, então...
_ Então, nunca poderei ficar com meu "marido" até que eu consiga fazer aquele sem nariz, quero dizer, little lord, passar de 1998?
_ Sim. E você foi embora em 1943 e em 1998 você viu seu marido morrer na sua frente e quando foi salvar os seus filhos...
_ Uma pergunta básica, essas crianças foram uma a uma, não é?
_ Não...
_ Foi de uma vez? - Perguntei assustada.
_ Sim, e quando você foi salvá-los... Você os viu sendo mortos pelo Potter e Dumbledore...
_ O quê? - Tive que me sentar na minha cama, isso era horrível. Era como imaginar Scorpius morrendo. _ Potter... Sempre ele; ele matou Dragon, matou provavelmente o Lorde duas vezes e agora matou... - Meu peito subia e descia. _ Matou meus filhos? Isso é motivo o suficiente para fazer que eu vá para a minha antiga realidade para matá-lo.
_ Nós estamos na oitava realidade, na décima quarta dimensão. Você só precisa colocar isso no seu anel e provavelmente você era da sétima ou sexta realidade.
_ Mas se eu acabar indo para a minha verdadeira realidade, isso não quer dizer que tudo que passei e vivi aqui... Não será jogado no lixo? Eu sei que você e Hogwarts irão se lembrar de mim, mas, não terei ajudado a construir Hogwarts e nem terei conhecido os meus amigos. E bom, Dragon e a minha família serão os mesmos, mas, não será a mesma coisa...
_ Então fique nessa realidade, continue na décima quarta dimensão.
E pensar que fiz tanto alarde quando percebi que minha família não iria voltar, mas agora que tenho a oportunidade, não quero perder e fazer as pessoas que conheci de me esquecerem. Isso é confuso, estou fazendo essa vingança pelo Dragon, mas agora descubro que, na verdade, já venho tentando fazer essa vingança há anos.
Posso voltar e ir para aquela realidade, posso entregar as memórias de Dragon para o Dragon, em vez de guardá-las no fundo da minha bolsa.
Posso ver Scorpius nascendo e dando os seus primeiros passos, eu posso... Mas não quero, não mais. Eles me deram motivação para viajar no tempo, me deram motivação para fazer tudo que eu pudesse para destruir o mundo. E eu agradeço por isso.
Mas a dor e o luto já passaram e só restaram saudades e lembranças boas. Não quero viver no passado e fazer que àquelas pessoas tentem me encaixar na família novamente, apenas porque mostrei memórias para eles. Queria que fosse natural, queria que nunca tivesse saído do lado deles.
Sinto saudades, mas não vou ir para aquela realidade que tem um passado desconhecido. Nessa realidade eu tenho Hogwarts, Melissa, minha futura casa em Hollow, os meus amigos que irão virar fantasmas, talvez eu até faça amizade com a titia novamente.
Eu finalmente me sinto aceita nessa realidade e não quero abandonar isso.
Então não, não vou para aquela realidade. Ficarei aqui...
_ Preciso fazer um feitiço para isso e ainda nem testei o feitiço que já fiz, em vez disso, fiz outro vira-tempo. - Apontei para a minha mesa. _ Por que meu primo disse que tenho um juramento de alma e que meu tio achou esse juramento no ministério?
_ Existem muitos feitiços que podem prender um bruxo a outro. Pacto de sangue, selamento de almas, juramento de alma, juramento de magia e o seu, juramento de herdeiro. Eles são basicamente iguais, se você não cumprir você morre, mas o juramento de herdeiro só pode ser feito por um descendente dos fundadores e ele não é guardado por esse nome e sim, por juramento de alma. E qualquer juramento é registrado no ministério.
_ Mas não teria o meu nome?
_ Mas tem, só que só aparece para parentes de sangue ou matrimonial.
_ Como sabe disso?
_ Livros e você me explicou na sua segunda vida. - Entendi. _ E eu acho que seu feitiço já está perfeito, você só precisa criar coragem para lançá-lo.
_ E é por isso que não seria da Grifinória, não sou corajosa.
_ Mas você é, você aguentou até agora três vidas e você não surtou como pensei que surtaria.
_ Já estava surtando quando comecei a ler o livro, mas agora. Parece que esse surto foi tão banal. Ou eu apenas não ligo mais para nada e sou uma Rainha de Gelo. - Ela riu e voou até a prateleira mais alta e retirou de lá um livro.
_ Esse era o seu diário, ele contém a primeira e a segunda vida.
_ Espera, se existe um diário, por que você me fez raciocinar isso tudo? Eu só poderia ler esse diário e entender...
_ Esse diário não funciona assim, você poderá ler sobre as duas vidas, mas ele só poderá lhe mostrar as páginas de dias e meses que você já vivenciou.
_ Isso quer dizer que não poderei ler nada de 1935, já que as minhas duas vidas nunca fui para aquele ano?
_ Exatamente. Eu não iria mostrar isso a você, já que as suas memórias irão retornar em 1943. Mas, eu acho que eu seria maldosa demais com você. - Ela fez sua magia me entregar o diário, já que ela não podia me entregar com suas mãos. _ E apenas você pode ler, tem um feitiço nesse diário.
_ Terei que colocar um feitiço que apenas eu possa tocá-lo. - Ela concordou e vejo meus amigos entrando no meu salão.
Isso ainda era estranho.
_ Os seus amigos estão te procurando e acho que é importante. - Olhei para mim e estava de pijama... Não ligo.
Antes de ir, coloco o diário na minha cama e fico o observando por um tempo. A sua capa era azul, realmente é algo meu.
Saio do quarto e desço a escadaria e vejo que meus amigos estavam olhando para o meu salão. Tinha dado permissão para eles entrarem?
_ São seus amigos, então, eu os deixei entrar e de nada. - Melissa os cumprimentou e se foi para algum lugar.
_ Muito tempo sem nos ver, aconteceu algo? - Eles sorriram e me aproximei mais.
_ Temos que comemorar a inauguração de Hogwarts. - Helga falou feliz. _ Atrasada, é claro.
_ Já fizemos isso e Salazar vomitou na barba de Godric. - Estou brincando, nunca aconteceu isso, já que eles simplesmente pararam de vir me visitar e eu não sabia se podia interrompê-los em suas obrigações.
Mas Salazar era o único que ainda vinha me visitar, uma vez por semana, eu acho. Ou duas. Talvez três.
_ Sua imaginação é muito fértil, pequena rata. - Fez uma careta. _ Mas, como os alunos estão dormindo, a gente pensou que seria uma boa ideia...
_ Fazer o quadro, hoje, agora, neste exato momento. - Rowena sorriu alegremente. _ E comemorar também...
_ Ela está grávida. - Godric bocejou. _ Viva. - Animação dele era contagiante. _ E também, entregar esse papel a você, é sobre a casa. Pedi um daqueles duendes que me ajudasse nisso, perdi 10 galões...
Ainda bem que vou fazer o feitiço de realidade, não queria matar uma pessoa inocente ou ir aos tribunais e dizer: olha, essa casa é minha. Saia dela.
Ainda bem, ainda bem. Dou um suspiro de alívio.
_ Isso é maravilhoso. - Sorri pegando o papel e o fazendo desaparecer, mas provavelmente estava na minha bolsa. _ Rowena, você ficará linda de barriga e o pai deve estar orgulhoso e morrendo de amores.
_ Sim, ele está sim. - Rowena olhou para Salazar. _ Só que...
_ Salazar é o pai? - Pergunto estranhando e Salazar tossiu quase morrendo.
_ Por Magic, não iria fazer um filho na minha melhor amiga. - Ele me olhou pasmo. _ E apenas ameacei o pai da criança, com cobras e sangue e algo mais macabro que para você é apenas uma cantiga de ninar.
_ Você me conhece tão bem.
_ Sempre tento, já que você é caixinha de surpresa e iria adorar abri-la... - Godric deu um tapa na cabeça de Salazar. _ Ei!
_ Olha o respeito, é a minha irmã, seu idiota. - Ele veio até mim e me abraçou de lado. _ Minha. Irmã.
_ Rá, rá. - Salazar revirou os olhos.
_ Mas, não está de noite? Provavelmente ninguém irá querer vir aqui...
_ Criei um feitiço. - Helga disse sorrindo. _ Sou boa nisso, eu acho. - Deu de ombros. _ E esse feitiço será como um pintor e fará um quadro muito mais rápido e bonito, já tentei. - Olhou para Salazar.
_ O que ele pediu? Um quadro de cobras? - Perguntei e todos ficaram em silêncio. _ O quê?
_ Pedi uma flor de lótus. - Sorriu para mim. _ Acho que é bonito.
_ Sim, eu também acho. - Sorri para ele.
_ Então vamos? - Três cadeiras apareceram e as meninas se sentaram nas pontas e fiquei no meio. E elas bateram as mãos na minha frente, elas apostaram alguma coisa.
_ O que vocês apostaram? - Estava com saudades dessas apostas.
_ Nada de mais, apenas que... - Rowena sorriu. _ Que você se sentaria no meio.
_ Mas isso é óbvio, vocês pegaram as pontas, não dava para me sentar em outro lugar. - Elas ficaram emburradas.
_ Perdemos essa aposta... - Helga parecia triste.
_ Isso muda o vestido também? - Perguntei mudando de assunto.
_ Sim, acho que você terá um vestido preto com uma cordinha verde e os seus cabelos estarão soltos e apenas o seu sorriso irá aparecer. Como Godric pediu. - Helga disse enquanto ajeitava o seu cabelo. _ Todos prontos?
_ Sim. - Dissemos.
Os meninos ficaram atrás de nós e apoiaram suas mãos na cadeira e a Helga falou o feitiço e um quadro e pincel apareceram e começaram o seu trabalho.
_ Não precisa de tinta? - Perguntei.
_ Não, o pincel sabe qual cor que deve pintar cada mísera coisa.
_ Você quer mais algum detalhe, Leesa? - Rowena falou enquanto sorria. _ É só pensar no que você quer colocar e estalar os dedos, assim será uma surpresa para nós.
_ Ok. - Pensei nos presentes que fiz e para mim, o colar que eu usava há bastante tempo e um vira-tempo no meu pescoço.
O vira-tempo iria parecer um relógio, mas as pessoas iriam estranhar o porquê de ter um relógio no pescoço daquela mulher, não é? Esperava que sim.
E por fim, se estivesse pegando o meu dedinho, iria aparecer o anel. Ah, e a paisagem atrás de nós seria o castelo e não a minha sala. Estalei os dedos.
_ Você irá se casar, Rowena? - Ela ficou rubra.
_ Eu não aceito esse matrimônio. Ele é um trouxa imundo que talvez tenha matado bruxos como nós... - Parou de falar por alguns segundos. _ Apenas por prazer.
_ E você não faz isso também? Em vez de bruxos, faz isso com trouxas? - Rowena parecia irritada. _ E você não tem que aceitar nada, quem vai se casar sou eu.
_ Lhe considero a minha irmã, Rowe. E só quero o melhor para você e você não merece um trouxa.
_ Isso quem decide sou eu. - Ela falou emburrada.
_ Isso vai sair no quadro? - Perguntei.
_ Não. - Helga sorriu me tranquilizando.
_ Irei embora a qualquer momento desse mês ou outro. - Estava esperando os presentes.
Todos ficaram em silêncio e sinto a mão de alguém apertando meu ombro.
_ isso é... - Salazar parou de falar. _ Se é isso que você quer, não podemos... - Parou de falar.
_ Então, se você for se casar. Sinto muito, mas não poderei comparecer. - Rowena me olhou e ela estava quase chorando. _ Ei, por que essa cara triste? Você precisa ficar feliz, você vai se casar e será uma mãe maravilhosa.
_ Mas... Mas você... Você não estará aqui. - Ela deixou um soluço sair de sua boca e me abraçou.
_ O quadro vai pintar essa cena? - Abracei Rowena e a Helga disse não.
_ É o melhor para ela, Rowe. Se ela não for, ela poderá morrer. - Godric me ajudou. _ Ela vai sempre ficar com a gente, mas, em nossos corações.
_ Morrer? - Salazar me olhou e ele franziu a testa. _ Como assim morrer?
_ Eu fiz um juramento e se não o fizer, posso morrer.
_ Então... - Ele respirou fundo. _ Se, se você não tivesse esse juramento...
_ Eu ficaria aqui. - Ele não parou de me olhar.
_ Não, você nem iria vir pra cá. Você iria continuar com sua família e não precisaria construir vira-tempos. Você não iria ficar aqui.
_ Se eu tivesse descoberto que meu juramento não existia e estivesse naquele tempo ainda, sim, você está certo. Mas se eu descobrisse que esse juramento não serve para nada e é uma mentira, ficaria aqui, Salazar. Não acredita em mim?
_ Acredito, acredito até demais. - Ele parou de me olhar e voltou a olhar para frente. _ Desculpe-me.
_ Tudo bem. - Dei tapinhas nas costas de Rowena e ela voltou a se sentar normalmente. _ Sentirei saudades.
_ Também. - Todos disseram juntos.
_ Ah, eu consegui me comunicar com o Greengrass e ele disse que estaria aqui amanhã. - Godric falou.
_ Isso é uma ótima notícia. - Era ótima mesmo. _ Quanto tempo terei que ficar sentada aqui?
_ Por algumas horas... - Helga riu.
_ Você disse que seria rápido.
_ Mas é. Pelo menos não vai demorar semanas. - Dai-me paciência.
_ Salazar, preciso do seu sangue. - Olhei para cima e ele ficou me observando.
_ Para quê?
_ Cobras. - Ele sorriu feliz e levantou suas mangas.
_ Sou todo seu. - Fofo.
Mas como eu iria... Bom, vamos tentar.
Sentei um pouco de lado e coloquei a minha mão no seu pulso e pensei na cobra nas minhas costas. E a sinto se mexer.
Demorou alguns segundos para ela deslizar para o corpo de Salazar e ele apertou o meu pulso.
_ Pensei que fossem cobras... E não. O que é isso? - Disse cerrando os dentes, era doloroso?
_ Meu juramento, ela gosta de sangue e provavelmente vai gostar do seu. - Eu acho.
_ Ah! - Ele apertou ainda mais o meu pulso e vi uma das cabeças da cobra morder o pescoço de Salazar. _ Isso é necessário?
_ Sim. - Ele concordou suspirando.
A cobra não ficou por horas, mas por minutos e Salazar queria que aquilo acabasse o mais rápido. Mas não disse isso com palavras, mas sim, com ações.
A cobra voltou para o meu corpo e a sinto começar a girar, mas ela não falou. Por quê? Por que ela não estava falando?
_ Gostamooos do sangue, mas não é esse de quem nós procuramos. - Sinto a cabeça da cobra no meu pescoço.
_ Vocês querem do little lord? Vai ser um pouco difícil isso.
_ Iremos aguentar, até que seja possível. - Ela voltou para o seu lugar.
_ Acho que quero desmaiar. - Olhei para Salazar e ele estava pálido. _ E pensar que você fala língua de cobra, isso é legal. - Espera, o quê?
_ O quê?
_ É, a cobra estava falando em língua de cobra. Por que você não me contou?
_ Porque não sabia. - Ele compreendeu. _ Bom, fique bem e seu sangue me tirou uma dúvida, uma grande dúvida, obrigada.
_ De nada, sempre as suas ordens, mesmo que elas sejam absurdas.
_ Estamos sobrando. - Godric bocejou. _ Estou cansado de ficar parado. Helga, faça isso ser mais rápido.
_ Ok. - E foi mais rápido.
E fiquei pensando, eu consigo falar com cobras por causa do juramento?
_ Siimm. - A cobra falou na minha cabeça e agora, não tenho mais nenhuma dúvida.
───※ ·❆· ※───
_ Senhorita Helga, você continua me impressionando com seus feitiços incríveis. - Senhor Castle Greengrass falou sorrindo enquanto observava o quadro que ficamos até de madrugada para ser pintado.
Os meus amigos gostaram das coisas que estavam com eles. Godric surtou quando viu o cabo da espada na sua cintura e Helga falou que aquela taça era exatamente o que ela imaginou.
O quadro estava perfeito e ninguém percebeu o vira-tempo. Ou perceberam e não falaram.
_ E o mais interessante, senhor Greengrass. É que esse feitiço você pode apenas se sentar e pensar em algo sem realmente ter essa coisa ao seu alcance.
_ Inacreditável. - Estávamos no escritório do Godric e todos estavam ali.
Salazar importunava um quadro, Rowena olhava para os livros e os organizava medindo os tamanhos. Godric apenas estava sentado e lia alguns papéis e Helga, bom, ela estava mostrando o quadro e explicava o seu novo feitiço.
E eu estava sentada em cima da mesa do Godric e brincava com o peso de papel. Estava entediada, não deveria estar aqui e se um aluno chegasse?
Preciso sair daqui, mas não posso. Tão complicado.
_ Senhor Greengrass. - O chamei e ele me olhou. _ Preciso perguntar uma coisa para o senhor. - Ele concordou.
Sua família estava dando uma volta em Hogwarts, já que um dos seus filhos iria fazer 11 anos em poucos meses.
_ Sua família tem alguma maldição ou conheceu uma pessoa que por acaso disse que iria amaldiçoar vocês? - O sorriso no rosto do homem estagnou e ele me olhou com seus olhos negros intensos. Ele estava com raiva.
_ Quem é a senhorita? - Ele olhou para Godric. _ Godric, o que isso significa?
_ Significa que o senhor e sua família correm perigo e quero ajudar ou pode significar que isso já aconteceu e o senhor está escondendo isso. - Digo antes do Godric responder algo.
Todos pararam de fazer suas coisas e ficaram nos olhando.
_ Olha, eu só quero ajudar, não sou nenhuma estranha... Bom, sou, mas eu só quero ajudar. - Na verdade, fiquei tão ocupada com tudo que nem sei como devo ajudar esse homem.
Espero que tenha um livro com um feitiço na sala precisa, ou eu devo ficar mais tempo aqui e... Quanto mais eu fico aqui, mais eu quero ficar aqui.
_ Castle, apenas confie nela. - Salazar falou e veio ao meu auxílio. _ Eu confio a minha vida a ela, ela não vai te decepcionar. - O observei.
_ O rabugento do Salazar confia em uma mulher? Está chovendo e não estou sabendo? - O homem zombou.
_ Ela não é uma mulher qualquer, Castle. - Não me olhou. _ Apenas confie em mim.
_ Tudo bem. - Ele me olhou e disse: _ Meu filho, meu filho do meio foi pedido em casamento por uma mulher e ele não aceitou, disse que só iria se casar por amor. A mulher não gostou e jogou algo nele e... - O vejo franzir a testa. _ Uma pessoa forte e que me ajudava muito, ficou fraca e nem consegue sair da cama. Ele...
_ Tudo bem, apenas me leve até onde ele está e quero conhecer toda a sua família... - Só não prometo que vou curá-lo de imediato. Deveria ter falado.
_ Tudo bem, eu só vou esperar a minha esposa e meu filho caçula aqui e nós podemos ir. - Concordei.
_ Preciso ir em um lugar primeiro, já volto. - Saio da mesa e a parede se abre para mim.
Passo por ela e dou três batidinhas na parede e ela já sabia onde deveria me levar. Sala precisa.
Abro a porta e Melissa jogou um livro na minha direção e me abaixei para não ser atingida. E o barulho do livro caindo no chão foi tão alto que pensei que poderia ficar surda.
_ Você quer me matar? - Digo olhando para o livro grosso e pesado no chão.
_ Pensei que iria conseguir pegar o livro.
_ Claro, iria conseguir pegar um livro que estava vindo em minha direção na velocidade da luz. - A menina revirou os olhos e peguei o livro no chão.
Tão pesado. Poderia ter morrido com esse livro, poderia ter ido para minha quarta vida. Que tragédia.
_ Melissa, me diga, eu descobri quem era o meu verdadeiro pai? - Melissa ficou me olhando.
_ Sim. Não sei como, mas você sempre descobre. Talvez você deva conhecê-lo na sua viagem para o futuro.
_ Talvez, será que... Se eu o encontrar, o que devo falar? Oi, eu sou sua filha e você é meu pai e... Você sabia sobre mim?
_ Se ele não te procurou, não quer dizer exatamente que ele saiba sobre você, não se esqueça da sua vó. Ela nunca contou para o seu avô que tinha um filho dele. - Ela está certa.
_ Será que a mamãe, ela... Ela criou essa poção por causa dela ou... Criou essa poção para a minha vó? Porque não faz sentindo ela ter criado algo desse tipo. E por que ela...
Paro de falar e fico pensando a respeito. A mamãe sempre tentava criar novos vira-tempos, mas nunca pulava décadas ou anos. Então como ela foi para o passado e conseguiu engravidar de mim? E por que ela não ficou lá? E ela sempre falava para salvar o Lorde e me ensinou a fazer vira-tempos, mas nunca me deixou fazer um. Por quê?
_ Você tem essas respostas? - Ela discordou. _ Por quê? Eu não te contei?
_ Na verdade, você nunca ligou para isso. Então, nunca perguntei. - Eu era estranha.
_ Mamãe foi ensinada a fazer vira-tempos, mas com algum propósito... Ela me disse que iria para o passado salvar a mãe dela, talvez, ela conseguiu fazer esse vira-tempo, mas não caiu na época da minha vó e acabou acontecendo alguma coisa para ela desaparecer.
_ Isso é possível, mas, por que ela não ficou lá?
_ Por causa que estava grávida e ela era casada. Mas o papai... Asmus, descobriu que, talvez, aquele filho não fosse dele ou era, e ele descobriu que ela estava apaixonada por outro. - Coloco o livro na mesa, estava pesado demais. _ Ela perdeu o bebê e ficou arrasada, mas ela sempre ia para o passado sem que as pessoas descobrissem.
_ E teve você? - Concordei. _ Mas por que ela não ficou lá?
_ Aconteceu alguma coisa com o meu pai e ela não queria ir para o passado... Não faz sentido, ela criou um feitiço que cai na mesma realidade?
_ Você vai criar um, não é impossível.
_ Certo, então vamos continuar com essa linha de raciocínio. Ela engravidou de mim e meu pai morreu? Mas ela poderia voltar no passado e salvá-lo.
_ Mas ela não criaria um loop? Você conhece bem esse loop, já que vive em um. Quase em um.
_ Ou. - Sorri para ela. _ O pó de vira-tempo do seu vira-tempo só pudesse fazer mais uma viagem e ela deveria voltar para o futuro, já que ela era casada.
_ Não sabia que pó de vira-tempo tinha limite.
_ Tem, descobri isso fazendo o meu vira-tempo, aquele do quarto. Talvez tenha sido por causa disso que acabei parando aqui. Por causa desse pó e se eu soubesse disso quando ainda estava na casa da titia, teria aberto a ampulheta e colocado mais... Não, eu gostei de vir aqui, foi bom. - Eu só espero saber quantas viagens no tempo o meu anel consegue fazer com apenas um grão de pó de vira-tempo.
_ Então o seu pai morreu, sua mãe foi para o futuro e disse que estava grávida do seu... Asmus. E por que ela não voltou?
_ Talvez o vira-tempo que ela usava, não necessariamente foi ela quem fez e sim, alguém que ela conhecia e a deu. E o vira-tempo que ela usou tenha estragado e ela não conseguiu fazer outros e foi por isso que coloquei na minha cabeça que a minha mãe me fez jurar por magia para salvar o Lorde. - Nossa, eu sou demais. _ Porque o meu pai está na época do little lord.
_ Parabéns.
_ Mas por que ela não queria que eu fizesse vira-tempo? Ela apenas me mostrou como fazia.
_ Você era a única coisa que ainda restava do seu pai, talvez ela não quisesse te perder.
_ Não, não acho possível isso, ela pode ter sido a minha mãe, mas não era tão bondosa e flor que se cheire. Ela tinha um propósito. Mas qual? Se ela quisesse que eu realmente salvasse o Lorde, eu deveria saber fazer um vira-tempo, mas isso não é... Não, isso é verdade, já que tenho que pensar que na minha primeira vida ela queria que eu o reerguesse, e provavelmente ela disse para começar no ano que ele entrou na escola.
_ Provavelmente.
_ Na segunda vida, ela mudou para salvar, talvez... Isso é uma hipótese, mas, talvez, eu tenha falado para ela ou ela...
_ Ela se lembra do passado? - Concordei.
_ Então ela não iria me deixar mexer em vira-tempos...
_ Já pensou que você mexeu, mas você excluiu isso de sua cabeça?
_ Tinha me esquecido disso. Então, a Byella foi para o passado salvar a mãe, fez aquela poção para a minha vó, mas talvez ela tenha usado em si. Uma hipótese também. Aí ela não caiu onde ela queria e acabou conhecendo o meu pai, ela poderia ter tirado a memória dele. Porém, ele pode ter sido um seguidor de Grindelwald ou ela não tinha varinha. Aí ela se apaixonou, mas tinha o Asmus para voltar e ela estava grávida dele. Hm... Mas por que ela não voltou para o futuro... Minha cabeça está doendo de tanto pensar.
_ Talvez esse homem não a tenha deixado voltar e ele pegou o vira-tempo.
_ Certo, então por que os dois não foram para o futuro?
_ Por que ele deveria querer ficar com o seu mestre, já pensou nisso?
_ Mas e se ele não for seguidor de Grindelwald?
_ Talvez ele tivesse algo importante para fazer em sua linha temporal e a sua mãe ainda era casada, ele não podia aparecer no futuro. Loop temporal, Leesa.
_ Certo, bom, na primeira vida fui usada para que a minha mãe conseguisse ficar com o meu pai. Que felicidade. - Olhei para ela e lembrei de algo. _ Melissa, e se a minha mãe e Asmus forem casados por alma? - Ela me olhou chocada.
_ Isso iria explicar o motivo dela não ter voltado no tempo e sim, pedido a você para reerguer o Lorde na sua primeira vida.
_ E isso também explicaria muitas outras coisas. Mas também não explica. Como meu avô descobriu que não sou filha do Asmus?
_ Talvez ele tenha feito um teste de paternidade e descobriu que você não era sua neta.
_ Isso faz um pouco de sentindo. Mas, ele me chamava de cria do diabo...
_ Sua mãe era uma Avery e Malfoy, talvez ele esteja falando de sua linhagem e não do seu pai. - Melissa era muito inteligente.
_ E mais uma coisa, para terminar o assunto. - Ela prestou atenção em mim. _ Por que a minha mãe sempre falava que eu iria ter uma infância melhor se eu salvasse o Lorde? Não seria adulta? Na época eu tinha 15 anos.
_ Bom... - Flutuou pela sala. _ Você colocou memórias em suas cabeças, talvez, você tenha colocado algo na cabeça dela que dizia que isso era possível.
Bom, eram apenas hipóteses, só irei descobrir realmente a verdade quando eu a vê-la, ver meu verdadeiro pai ou ler o diário.
Abro o livro e ele começou a passar as páginas rapidamente.
Infirma Caritate
Era o nome do feitiço e espera, como que existia esse feitiço se Draco nem sabia qual era a maldição de sua esposa?
_ Esses livros são do futuro?
_ Bom, talvez. - Ela sorriu e apenas suspirei. _ Eu lhe disse, Hogwarts é igual os duendes, sabem sobre o futuro e o passado. Qualquer livro do futuro já está aqui, eu só não podia te contar, vai que você começasse a fazer perguntas que não poderia responder?
_ Mas eu poderia abrir o livro e ver a data de publicação dele. - Ela sorriu sapeca.
_ Acha que os livros vão logo para a página que você quer apenas por querer? Não, isso é uma maneira de você não descobrir.
_ Compreendo. - Vou até a primeira página do livro e vejo a data de lançamento dele era 2040.
Scorpius teria 34 anos.
Volto para onde o livro me levou e começo a ler o feitiço.
Falava sobre a maldição ou o feitiço, e claramente tinha um contrafeitiço para isso, mas não quero ler ele ainda, quero saber mais sobre essa maldição que fez a esposa do meu primo morrer. Deveria ter ido direto para o contrafeitiço.
Essa maldição era por um motivo bem simples.
Eu lhe amo, mas você não me ama e quando seu amor parar de te amar, você irá morrer e sofrer as consequências do meu amor por ti.
Então a bruxa que jogou essa maldição amava o filho da família Greengrass, mas ele não aceitou por talvez, amar outra pessoa. Mas essa pessoa o amou e o prometeu o mundo, mas essa pessoa começou a gostar de outro. Que lástima.
Mas... Por que a Astoria morreu? Draco amava a Astoria e ela também o amava...
Dou alguns passos para trás e fico olhando o livro que me fez entender tudo. Ele...
Por Merlim, ele me amava? Aquelas cartas dizendo que sempre estaria comigo, que eu era a primeira razão do seu viver e que não queria ter me perdido. Aquelas vezes que ele me olhava estranho, aquela vez que o Scorpius disse que o Dragon não queria me ver ou aquela vez que eu o abracei e ele ficou rígido, mas me abraçou de volta.
As promessas e o motivo dele ter parado de usar os dedinhos para fazer o nosso juramento. Ele me amava.
Eu matei Astoria. Não eu exatamente, mas por minha causa a Astoria não está viva. Astoria gostava do Draco e Draco gostava dela e ele me disse isso.
Também me disse que por causa da maldição ela ficou mais fraca, mas quando ela deu à luz, eu não existia na vida do Dragon, então, o que houve para isso acontecer?
Volto para o livro e a Melissa ficou me olhando sem entender. Tudo bem, nem mesmo eu me entendo às vezes.
Continuo lendo o livro e algo me chamou a atenção.
Não tenha filhos, em hipótese nenhuma. O amor que seu cônjuge irá dar para o seu filho irá fazer você enfraquecer.
Espero que Scorpius não tenha lido esse livro onde quer que ele esteja. Ele ficaria arrasado por descobrir que sua mãe ficou fraca por causa que Dragon começou amá-lo.
Bom, eu também tenho uma parcela de culpa, se não tivesse conhecido Dragon, a Astoria não teria morrido e eles seriam uma família feliz... Então, eu matei a Astoria. Sou uma aberração.
E também o amor é estúpido, nunca vou me apaixonar, nunca!
Olha o que acontece se me amar. Mato e rejeito pessoas.
_ O que houve?
_ Nada, apenas que sou uma pessoa com QE um pouco baixo da média. Pensar que eu o via como irmão e ele ali, me dando todos os tipos de ações e palavras que me queria... - Digo socando o livro. _ Pelo menos não fui burra o bastante para não perceber que Salazar gosta de mim. Mas o que adianta? Tenho essa coisa estúpida de juramento e não posso... - Meu peito doía, era algo suportável, mas era uma sensação que não gostava de sentir. _ Eu sou estúpida e não sei o motivo dessas duas pessoas gostarem de mim, o que eu fiz? Só fui amigável.
_ Não sei quem é a segunda pessoa, mas, Leesa. Você é uma mulher incrível, qualquer um iria gostar e amá-la. Tenha mais confiança em si, no seu charme.
_ Quero que esse charme vá se foder, destruí uma família, Melissa. E destruí o coração de Salazar.
_ Salazar escolheu continuar te amando, não é a sua culpa.
_ Mas... Tudo bem, não quero brigar ou pensar nessas coisas, não hoje. - Ela concordou.
Se seu cônjuge se apaixonar por outro, isso fará você enfraquecer até morrer e não tem salvação.
Agora tem. O livro passou as folhas e ali estava o contrafeitiço.
Reditus Amoris
Era um feitiço bem simples, era um feitiço que quebrava a maldição em segundos, mas a recuperação era um pouco demorada. Se o estado da maldição for elevado; em um ano a pessoa que foi amaldiçoada poderá voltar a se sentir bem, mas se for uma maldição que está nos estágios iniciais, em uma semana poderá ter novamente a sua vida.
Eu não tinha tempo para testar esse feitiço ou esperar semanas, ou meses para ter a resposta positiva. Então eu iria arriscar.
Poderia esperar até que os presentes que pedi o duende ficassem prontos, depois disso não poderia.
Mas tudo bem, se não funcionar, poderia fazer funcionar quando eu estivesse em 1935. Tudo daria certo.
Fecho o livro e vou para a passagem que me levaria até Greengrass. Minha cabeça está tentando organizar as novas informações que recebi nessas poucas horas e ela não queria fazer isso. Ela queria que eu parasse a minha vida para ficar remoendo o passado e tentando burlar o futuro.
Iria fazer isso, se eu ligasse para isso.
A única coisa que quero pensar com calma é se eu deveria ver as memórias do Dragon. Mas se for falar sobre as minhas duas vidas, meu pai e outras coisas. Eu só quero pegar essas coisas e enterrar bem fundo em algum lugar que eu possa esquecer que exista.
Claro, lembrar das minhas outras vidas seria muito bom e iria me ajudar. Mas, eu não quero me lembrar de pessoas e do meu ex/futuro marido. Talvez eu nem o queira e talvez se eu me lembrar dele, coloque na minha cabeça que eu deveria me apaixonar por ele novamente.
E não quero me apaixonar por ninguém. Não vim para o passado para me apaixonar, eu vim aqui atrás de vingança e fazer o juramento que a "burra" fez.
Então, não, não irei ler aquele maldito diário.
Saio da passagem e todos me olharam.
_ Demorei? - Eles negaram. _ Bom, vamos? - Greengrass concordou e vejo que tinha mais duas pessoas na sala.
_ Esse é meu filho mais novo. - Apontou para o garoto com bochechas rosadas.
_ Olá, me chamo Dabrian, é um prazer conhecê-la, senhorita. - Educado, a educação dessa família deve ser rigorosa.
_ Me chamo Leesa, um prazer conhecê-lo, Dabrian. - O garoto sorriu.
_ E essa é a minha esposa. - Vejo uma mulher de cabelos loiros e olhos azuis.
_ Como vai? Me chamo Nicolleys, mas pode me chamar Nelly. - Ela parecia uma mulher bondosa e destemida.
_ E eu você já sabe.
_ Sim, senhor Castle. - Ele sorriu e Godric abriu as alas de aparatação para nós. _ Vejo vocês mais tarde.
_ Tenha cuidado. - Salazar disse.
_ Ok. - Dei a mão Dabrian e sumimos daquele lugar.
Estava na sala da família Greengrass e ela era confortável e nada modesta. Mas não era feita de pedras e sim, de madeira.
_ Minha casa não é esplendorosa como o castelo, mas, sinta-se à vontade. - Nelly disse sorrindo.
_ Obrigada, a sua casa é linda. - Ela sorriu contente. _ Poderia...
_ Ah, desculpe. Vamos, eu lhe mostro o caminho. - Vejo Dabrian dar tchau e ir para algum lugar da casa. _ Dabrian gosta de ficar na biblioteca, ele diz que é o único lugar que ele se sente feliz. - Devo contar sobre a sala para ele.
_ Pessoas encontram em livros, mundos que não podem viver. Elas encontram conforto e carinho nas páginas que os acariciam com o poder da imaginação.
_ Belas palavras, senhorita. - Subimos uma escada lateral. _ Não tem sobrenome?
_ Ainda não. - Ela não continuou e chegamos a um corredor iluminado pela luz do sol. _ Aqui tem muita luz, acho isso agradável.
_ Julian tem medo do escuro. - Ela sorriu triste. _ Algumas coisas aconteceram e...
_ Não precisa falar, eu também tenho medo do escuro. - Nelly ficou me observando.
_ É casada?
_ Não e não pretendo. - O corredor era bem extenso e parecia um corredor de um castelo, mas um castelo pequeno.
_ Entendo. Isso é algo que pode ser inovador para a nossa sociedade, eu fui obrigada a me casar e tive três filhos. Dabrian, que você já conheceu, Julian, o do meio e Caron, o mais velho. Caron já se casou e irá tomar conta da família quando Castle passar o posto para ele.
_ Julian e Dabrian irão ter uma vida feliz. - Ela suspirou.
_ Acho que deveria ser a escolha dos três, talvez Julian queira tomar conta da família e Caron queira ter uma vida fora dos papéis. Ou pode ser Dabrian. Mas Castle não quer isso, ele quer seguir a educação que teve.
_ Isso deve ser horrível, talvez tenha até uma briga por causa disso. - Espera, se Caron é o mais velho e tomou conta da família. Como Julian passou a sua maldição para a família principal?
Traição? Incesto? Ou Nelly conseguiu fazer isso que ela está me dizendo? Não quero me meter nessa família, já basta ter me metido na vida dos fundadores.
_ Odeio brigas. - Ela bateu na porta de carvalho e olhei para as janelas que tinham no corredor. Não tinham cortinas. _ Julian? Sou eu, querido.
_ Entre. - Uma voz sedosa e dominadora diz por de trás da porta.
A mulher abriu a porta e entrou no quarto e eu logo a segui. O quarto era bastante espaçoso, tinha uma lareira em uma das paredes, janelas enormes e velas em alguns cantos que estavam apagadas.
Uma mesa, mesas de cabeceira e livros espalhados em alguns cantos. E em cima da cama de casal tinha um homem sentado lendo um livro.
O homem vestia uma camisa branca que estava com alguns botões abertos, seus cabelos negros estavam presos em duas tranças laterais e quando ele me olhou, eu não conseguia tirar os olhos dele.
Não pela sua beleza, mas pela cicatriz que atravessava o seu rosto. Seus olhos azuis vibrantes estavam me olhando com uma certa curiosidade. Suas sobrancelhas franziram e seus lábios crisparam.
_ Mamãe? Essa é a minha noiva? - A mulher riu.
_ Por Magic, Julian. A senhorita Leesa é apenas uma bruxa que irá lhe ajudar com a sua condição.
_ Ah. - Vejo suas bochechas ganharem um pouco de cor. _ Perdoe-me, não quis ser deselegante com a senhorita. Eu me chamo Julian, é um prazer conhecê-la, senhorita Leesa.
_ Igualmente.
_ O quarto do Julian é essa bagunça mesmo, mas, às vezes ele consegue deixar arrumado. - Nelly riu e Julian olhou para baixo ainda mais constrangido. _ Bom, fique à vontade, irei ver como anda a cozinha.
_ Ficará para o almoço? - Julian me perguntou.
_ Isso, fique, será uma forma de agradecimento. - Não tinha nada para fazer no castelo.
_ Claro.
_ A senhorita come de tudo? Ou tem uma preferência?
_ Gosto de comer de tudo, não sou exigente. - Não para comida.
_ Ok, estou no andar de baixo, qualquer coisa é só me gritar. - Concordamos e ela se foi fechando a porta.
_ Sua mãe parece que gosta de lhe constranger. - O olhei sorrindo e ele concordou.
_ Ela gosta, mas eu sei que ela não faz por maldade, e ela está certa. Não consigo deixar o meu quarto arrumado. Não por muito tempo. - Concordei e olhei para algo que não tinha reparado.
_ O senhor desenha? - Ele olhou para os papéis e o pedaço de carvão em cima do desenho.
_ Sim, nas horas que não me sinto tão indisposto. É relaxante e me faz sentir bem.
_ Também desenho. - Vou até os desenhos e o vejo mais de perto. _ São lindos, o senhor desenha muito bem. - Sorri para ele.
_ Obrigado. A senhorita desenha o quê?
_ Coisas, pessoas, objetos e essas coisas, mas não sou tão boa assim como o senhor. - Vou até a sua cama e me sento nela. _ O seu pai me disse sobre a sua condição, poderia me explicar como a ganhou?
_ Isso é meio constrangedor. - Olhou para a página do livro e o fechou. _ Comecei a conversar com uma bruxa e ela parecia me entender, e tudo que eu gostava, ela me dizia que também gostava. Até o dia que conheci a irmã dela. Uma bruxa linda, cabelos loiros e olhos tão verdes... - Ele me olhou. _ Como os seus olhos.
_ O senhor parece ainda gostar dessa bruxa.
_ Sim, ela é muito bonita e inteligente. Suas respostas são sagazes e... - Ele não parava de sorrir.
_ Se o senhor ainda gosta dela, por que pensou que eu fosse sua noiva?
_ Bom, o papai disse que iria arrumar uma para mim e pensei que ele já tivesse encontrado. Fiz um acordo com ele. - Olhou para fora. _ Pedi que ele arrumasse uma noiva para mim e deixasse o matrimônio de Dabrian de lado. O meu irmão merece conhecer uma pessoa que ele realmente queira se casar.
_ Uma ação nobre de sua parte.
_ Eu não acho, eu só quero que pelo menos um de nós tenha um casamento com a pessoa que a gente gosta. Já que não terei com aquela pessoa, já que ela se casou com outro e estou neste estado.
_ O senhor não é impotente, mas tudo bem.
_ A Vanessa queria que eu fosse apaixonado por ela, mas eu não sentia esse amor. Eu só a achava uma boa amiga, mas quando falei isso a ela, que eu não gostava dela e sim, de sua irmã. Ela me jogou um feitiço que não deu para entender e fiquei fraco.
_ E o senhor vem sofrendo disso há muito tempo?
_ Não, apenas três semanas. Nos primeiros dias não conseguia sair da cama e depois fiquei apenas indisposto. - Estranho.
_ O senhor ama a irmã da Vanessa? - Ele me olhou rindo.
_ Não, apenas gosto dela e pensei que eu poderia desenvolver um amor, mas não consegui e ela se casou. Então...
_ Menos mal. Pensei que eu já teria que dizer adeus para o senhor. - Ele me olhou e comecei a rir. _ Desculpe, é que essa maldição faz você morrer se estiver amando loucamente a pessoa e seu pai não explicou muito bem, apenas me disse que uma bruxa te pediu em casamento e você não aceitou.
_ Vanessa nunca me pediu em casamento. Não que eu me lembre.
_ Bom, menos mal. - Estalei os dedos e uma luz dourada surgiu no corpo de Julian. _ Acho que deve ter funcionado.
_ A senhorita acha? - Ele ficou pasmo, mas riu de lado.
_ Acabei de aprender esse feitiço, você não vai morrer. - Eu acho.
_ A senhorita já fez, e se eu morrer a culpa será sua. - Ele não parecia sério, ele estava sorrindo. _ Eu ainda não sei o seu sobrenome.
_ Ainda não tenho um.
_ Seus pais morreram antes...
_ Sim, mas não ligo muito. Mas o senhor pode me chamar de Leesa, esse negócio de senhorita e senhora é algo estressante. - Ele me olhou surpreso e riu.
_ Acho a mesma coisa. - Ele era uma pessoa legal e interessante. _ Então, por favor, me chame de Julian.
_ Ok, Julian. - Ele balançou a cabeça e alguns fios de seu cabelo caíram em seu rosto.
A porta foi aberta e uma pessoa entrou, na verdade, era Dabrian.
_ Irmão, você está um pouco melhor? - O garoto de dez anos subiu na cama e foi até o seu irmão. _ Papai e mamãe disseram que a senhorita Leesa iria curá-lo. - Julian sorriu e alisou o rosto de seu irmão.
Ainda continha gordura de bebê. Fofo.
Os cabelos loiros e olhos azuis eram algo que poderia chamar atenção de todos, ainda mais por tê-los amarrados em uma fita vermelha.
_ Estou, sim, a Leesa me ajudou e eu me sinto bem melhor que alguns minutos atrás. - O garotinho franziu a testa.
_ Leesa? Irmão, cadê a educação? - O garoto ficou emburrado e nós rimos.
_ Eu o deixei me chamar assim. Se quiser, também pode me chamar assim. - O garoto me olhou animado.
_ Bom, você já me chama de Dabrian, então não preciso de cordialidades, não é?
_ Claro. - Ele sorriu e começou a falar:
_ Hogwarts é muito grande e irei acabar me perdendo e não sei que casa eu deveria ir. E se a casa que eu for, a minha família não gostar? - Ficou me olhando.
_ Bom, eu também me perco naquela escola, ainda mais quando nós estávamos construindo aquele castelo.
_ Você também o construiu? - Julian me perguntou.
_ Talvez. - Sorri enigmática. _ E eu aposto que você irá para Sonserina ou Corvinal. - Dou de ombros.
_ São as casas dos ambiciosos e dos inteligentes. - Concordei. _ E se eu não for?
_ As outras duas casas são muito boas também. Não sinta medo, Dabrian.
_ Ok, não vou sentir medo, sou corajoso.
_ Isso. E quando estiver em Hogwarts vá até o sétimo andar e encontre o corredor da parede vazia. - Ainda não tem a tapeçaria. _ Mas vá sozinho.
_ Por quê?
_ Você vai descobrir, e quando estiver de frente para aquela parede diga: Melissa, abra para mim, Leesa me deixou entrar.
_ Entrar onde?
_ Você vai descobrir. - Preciso avisar a Melissa que deixei uma pessoa entrar na minha sala.
_ Você é tão misteriosa. - Se jogou em seu irmão e ficou deitado em cima dele.
_ Isso é o meu charme. - O charme que mandei se foder. _ Sua mãe me disse que você gosta de ler.
_ Sim, eu gosto. Julian que me ensinou a ler e me disse que eu deveria me apoiar na leitura. - Olho para Julian e ele olhava para o seu livro. _ Caron é meio idiota, mas sempre me traz livros novos quando viaja.
_ Isso é bom. Encontrará muitos livros em Hogwarts e espero que você goste deles. - Os dois me olharam estranho.
_ Você não estará lá? - Julian me perguntou.
_ Irei embora daqui a alguns dias.
_ Ah, por quê? - O garoto perguntou.
_ Tenho que fazer algo ou eu posso morrer se não fizer.
_ Que trágico. - Julian sussurrou. _ Se esse feitiço realmente me curou, eu devo ter tido sorte por você não ter ido embora.
Não falo, apenas me levanto e vou até a sua mesa e escrevo o nome da maldição e o nome do contrafeitiço.
_ Aqui. - Entreguei a folha. _ Aí está o nome da maldição e o nome do feitiço que te curou. Se algo acontecer novamente, você usa esse feitiço. - Apontei. _ Espero que você fique bem.
_ Também espero. - Sorriu. _ Desculpe a ousadia, mas quantos anos você tem?
_ Vinte e oito e você?
_ Você não parece ter 28. - Será que já tenho cabelos brancos e não estou sabendo? _ Você parece ter menos. Eu tenho 30 anos e o Dabrian...
_ Dez. - O garoto disse sorrindo.
Alguém bateu na porta e era Nelly.
_ Vamos almoçar? - Ela disse sorrindo e alguns elfos entraram carregando pratos. _ O seu pai e irmão estão conversando no escritório e não sairão de lá tão cedo, então, vamos almoçar aqui. Tem algum problema, senhorita Leesa?
_ De forma alguma. - O seu sorriso não desaparecia. Talvez seja a forma de mascarar a dor, cada pessoa tem um jeito de esconder os sentimentos. Era interessante pensar assim.
Os livros espalhados foram para o seu lugar e uma mesa apareceu no meio, mas para Julian que ficaria na cama, apareceu uma bandeja com pezinhos.
Dabrian se sentou na mesa e espero a Nelly se sentar.
_ Por favor. - Ela sorriu enquanto se sentava e me sentei. _ A senhorita precisa de alguma coisa para ajudar Julian?
_ Não, e eu já fiz o feitiço. Ele deve ficar bem melhor daqui a algumas semanas. - Segundo o livro.
Ela me olhou e olhou para o seu filho e ela não conseguia falar ou expressar alguma reação.
Eu não liguei, apenas peguei um prato e coloquei as coisas nele. Estava com fome.
_ Ele... - A vejo colocar a mão na boca e tentar secar os olhos lacrimejantes. _ Ele ficará bem novamente?
_ Tudo que indica sim. - Dou de ombros.
_ Mamãe, eu vou ficar bem e temos que acreditar no feitiço da Leesa.
_ Verdade, isso, temos que acreditar... Julian! Que falta de modos.
_ Eu o deixei falar o meu nome. - Ela me olhou sorrindo e começou a comer. _ Eu espero que vocês fiquem bem.
_ Ficaremos, e espero que você nos visite.
_ Ela não pode, mamãe. Ela vai embora. - Dabrian falou enquanto partia o bife.
_ Mas, por quê?
_ Tenho que fazer algo ou eu posso morrer. - Ela me olhou meio incerta. _ Mas não é nada que envolva dominação mundial ou matar pessoas. - Ela suspirou contente. _ Eu só preciso ajudar uma pessoa. - Que fará isso tudo por mim.
_ Essa pessoa deve estar muito grata pela sua ajuda.
_ Espero que esteja.
Meu coração estava batendo rapidamente no meu peito, iria encontrá-lo novamente. Isso era ódio acumulado? Deve ser, afinal, eu o odeio.
Odeio Tom Marvolo Riddle.
