31 de dezembro de 993:

O diário não mostrou mais nenhuma página e não estava me importando muito, tinha coisas mais relevantes do que prestar atenção em um diário de pessoas mortas.

Como, por exemplo, o dia de hoje.

Hoje era um dia especial, iria embora e deixaria todos para trás e iria embora, deveria estar feliz, finalmente iria começar a fazer a minha vingança, mas não sentia isso.

Queria ficar, Queria ficar aqui, mas não posso. Era estranho.

Olho para a minha cama e lá estava a minha roupa, uma roupa totalmente diferente dessa época; do que eu me acostumei a vestir por um ano.

Encosto a minha cabeça na banheira e dou um suspiro. Não queria me vestir ainda, não queria ter que colocar um vestido, acessórios, sapatos com salto médio, chapéu, luvas e outras coisas.

Queria colocar um vestido longo com uma cordinha verde na cintura, sapatos confortáveis e usar qualquer tipo de penteado nos meus cabelos.

A água balança na banheira e fico a observando ondular.

_ Você não parece bem, o que houve? Você repensou na ideia de entregar a espada para o Godric? - Olho para cima e a Melissa flutuava na minha direção. _ Ou você está preocupada com a Debby? Ela vai voltar antes que você tenha se ido. - Não iria perguntar como ela sabia daquilo.

_ Não quero ir, quero ficar. - A menina sorriu triste.

_ Se realmente quisesse ficar, o seu Juramento iria te causar dor. - Ela não sabia sobre o feitiço, não a contei e nem vou. _ Você só não quer ir para um lugar que você desconhece, e está tudo bem, mas lembre-se que sempre estaremos com você, Leesa. - Ela voou até o meu vestido. _ Vestido preto, você gosta de preto?

_ Não, mas não consigo parar de usar.

Mesmo não aceitando os sentimentos do Dragon, vestir roupas de tonalidade escura, virou um vício. Ou pode ser apenas uma mania inútil.

_ Acho que vou trocar, vestido dessa época são tão estranhos.

_ Mas esse vestido não parece ser de 1935, ou 1938, ou 1940.

_ Porque não é. É de algum ano em 1920 a 1930. - Ela ficou pensativa. _ Eu não vou para 1935 agora, tenho que resolver algumas coisas. - Planos foram mudados.

_ Entendo. Você quer que eu mude o seu nome no livro? Para facilitar a sua vida.

_ Por que não me disse que poderia fazer isso? - Ela deu de ombros.

_ Pensei que seria um pouco inteligente e iria ligar o fato de eu ser a magia de Hogwarts e o livro ser de Hogwarts, e que posso mudar coisas nele.

_ Não vou para a Corvinal por causa disso. Bom, não precisa mudar e quero que seja assim, sofrer um pouquinho não será tão ruim.

_ Ok.

_ A única coisa que quero que você faça é que pegue esses presentes e coloque na cama dos meus amigos. Não quero me despedir.

_ Nem de Salazar? Ele ficará chateado.

_ Que dia ele não ficou chateado comigo?

_ Ele nunca ficou chateado com você, não que eu me lembre. Mas tudo bem, farei o que me pediu. - Estalou os dedos e os presentes sumiram. _ Não use algo que não goste, estarei na sala precisa.

_ Tem algum livro de insuficiência mágica? - Ela ficou pensativa. _ Uma pessoa engravidou e quando deu à luz ficou fraca...

_ Ah, sim, tenho. Colocarei na sua bolsa. - Ela pegou um livro na minha estante usando a sua magia e foi até a minha bolsa e foi aí que me toquei.

_ Não... - Tarde demais.

O livro caiu na cama e ela voou alguns metros e me olhou assustada.

_ O que foi isso? Jurei que iria sumir.

_ Um feitiço que faz que ninguém toque nessa bolsa e acho que tenho que transfigurá-la para uma bolsinha bonita, ela já está toda destruída e feia.

_ Deveria ter me avisado que tinha um feitiço na sua bolsa. Vou embora. - E ela realmente foi.

Eu não confio na Melissa, não muito. Então não sei se o feitiço está funcionando e nunca iria pedir isso ao Salazar, não sei se confio ou desconfio dele. Acho que desde daquele dia que discutimos parei de ir atrás dele.

Parei até de chamá-lo de Sly...

Vamos lá, Leesa. Você precisa colocar a roupa e colocar o anel em seu dedinho, já que o feitiço já foi colocado no anel e o pó de vira-tempo também.

Está tudo pronto, tudo pronto para que eu fosse embora.

Levantei-me da banheira e a água do meu corpo começou a deslizar para baixo. Saio da banheira e estalo os meus dedos e faço que o meu corpo seque rapidamente.

Em vez de usar roupas de baixo daquela época, usaria as de minha época, muito mais confortáveis e mesmo sentindo um pouco de vergonha por ter calcinha e sutiã comprados por Dragon.

Não poderia parar de usá-las, e desde o começo só usava elas e só porque descobri que ele me amava, não vou parar de usar essas coisas. Só não posso pensar no Draco Malfoy indo até uma loja de lingerie e comprando essas coisas e pensando em mim.

Ah, que vergonha.

Abano meu rosto e tento não me sentir quente pela vergonha que sentia. Tudo bem, já passou.

Coloco a lingerie que não era preta, felizmente e nem azul. Era apenas vinho. Pego a cinta-liga da mesma cor e fico observando o vestido.

Ele não era lindo de morrer, era simples. Mas para aquela época seria magnífico, só que eu deveria ver que dia eu iria para aquele tempo, imagina, ir para um tempo que está frio. Vou morrer congelada.

Então coloco na bolsa novamente o vestido e o chapéu, não vou usar chapéu.

Retiro da bolsa uma blusa de frio branca, mas tinha uma listra marrom dos ombros até o pulso, e a manga era frisada e na cor marrom.

Pelo menos a blusa não era transparente, ou deveria trocar de lingerie e não estava com paciência para isso.

Pego na bolsa um vestido cinza que batia nos meus joelhos, o vestido tinha um decote em V na frente e era um pouco frisado na cintura e para não mostrar esses frisados, retiro da bolsa um cinto branco.

Coloco a roupa e fico me observando, estava estranho? Espero que não.

Coloco a meia e a prendo nos ganchinhos da cinta-liga. Só faltava o cabelo, luvas e o sapato.

Não sabia o que deveria fazer no meu cabelo, ele não estava mais batendo nos meus ombros, estava batendo alguns centímetros abaixo dos ombros. Talvez eu só devesse deixá-los soltos. Isso, não me daria trabalho.

Agora o sapato. Não tenho.

Draco só comprou roupas e não sapatos. Deveria ter comprado, Dragon.

Tudo bem, posso transfigurar um. Pego a minha botinha que ganhei da titia e a transfiguro para uma botinha marrom de cano médio, seu salto não era grande, era médio. Tinha que me acostumar a andar de salto.

Coloco o sapato no pé e me sinto um pouquinho maior. É assim que pessoas de 1,72 enxergam? Nossa, mudou nada.

Tenho que ver que mês aquela pessoa nasceu, eu esqueci. Vou na minha mesa e começo a revirar as páginas do meu diário e encontro. Era novembro. Um mês frio, mas não chuvoso. Perfeito para me vestir assim.

Volto para a minha cama e coloco a luva de renda, poderia ser algo mais quente. Mas é só eu fazer um feitiço de aquecimento. Simples.

Estalo os meus dedos e as minhas coisas começaram a voar para dentro da bolsa. Sejam pastas, papéis, diário, roupas, alguns livros.

Tive que aumentar o feitiço de expansão ou essas coisas nunca entrariam nela.

Bom, já tinha escovado os meus dentes antes de tomar banho, então só falta transfigurar essa bolsa feia em algo bonito. Bom, não tenho muito tempo para detalhes, vamos fazer uma bolsa redonda com uma cor que combine com tudo. Preto.

Dragon tinha razão, preto combina com tudo. Tudo mesmo. Coloco a bolsa atravessada no meu corpo e vejo se eu estava esquecendo algo.

E sim, estava esquecendo algo. Meus vira-tempos. Vou até à mesa e pego o meu anel e o coloco no meu dedinho. E o vira-tempo de ouro, bom, não sabia qual forma eu poderia dá-lo. Então apenas o peguei em cima da mesa e o coloco na bolsa.

Fecho a bolsa e olho em volta e tudo estava no lugar. Acho que a Melissa estava errada, Debby não irá vir. Acho que ela está curtindo a vida, tem tanto tempo que não a vejo.

Bom, tudo bem. Fico feliz por ela.

Ok, vamos lá.

Ativo o feitiço de data, hora e realidade do meu anel e antes que eu colocasse a data e a realidade, a porta foi aberta com uma agressividade que levei um susto.

Olho para trás e ali estava a pessoa que não queria ver. Salazar.

Ele estava ofegante e descabelado e me olhava com raiva, ele veio até mim e sacudiu meus ombros.

_ Você iria embora sem se despedir? Você iria embora sem falar nada? - O barítono de sua voz me fez tremer e tentar recuar.

_ Salazar, eu...

_ Você é tão egoísta que não quer nem mesmo se despedir de nós? - Egoísta? Eu? Estou tentando ser uma, mas...

_ Eu não sou egoísta, só não queria me despedir de vocês, não queria chorar. - Digo irritada.

_ Egoísta. - Disse mais irritado ainda. _ Egoísta e egoísta.

_ Não me chame de egoísta, seu idiota, eu não sou! - Bato em seu peito e ele pega as minhas mãos. _ Me solte.

_ Se não fosse pela Melissa, nunca mais iria vê-la, nunca mais iria escutar você e implicar com você. Sabe como eu me sentiria? - Apertou as minhas mãos.

_ E você sabe como eu vou me sentir me despedindo de vocês? - Não quero chorar. _ Quando eu me for, vocês já estarão mortos...

_ Mas estaremos lá para você, como fantasmas, como quadros ou como você quiser. Porque nós queremos estar com você...

_ Está falando que não quero estar com vocês?

_ Não, eu só estou tentando dizer que você pode se despedir de nós, a gente irá se ver novamente. - Ele se acalmou. _ Mas nós nunca mais iremos te ver por pelo menos mil anos. Nós merecíamos pelo menos um abraço de despedida.

_ Por isso que me chamou de egoísta?

_ Sim. - Ele respirou fundo. _ Estaremos lá, Leesa. Mas você não vai estar aqui, não estará aqui para me irritar e te amar como se fosse a primeira vez que ofereci a minha mão para a mulher mais linda que já tinha visto.

_ Salazar...

_ Não, não vou deixar você falar.

_ Você faz isso muitas vezes.

_ Porque se eu deixar, você sempre irá se perguntar o porquê de eu te amar. Seus cabelos que me chamaram atenção, sabia que na luz do sol eles ficam azulados? Eles são perfeitos e sedosos. - Segurou as minhas mãos com apenas uma mão e alisou meus cabelos. _ Sua pele fica rosada quando está contente e você sempre parece estar contente.

_ E você é um rabugento.

_ Sim, eu sou. Seus pés são fofos e seu dedinho é torto. - Bufo.

_ Não é.

_ Seu nariz é arrebitad segunda coisa mais fofa que eu já vi.

_ Qual é a primeira? - Pergunto em dúvida.

_ Seu pé. - Ri com isso.

_ Seus olhos são belíssimos e sempre me perco neles, sua risada é assustadoramente contagiante, sabia que tem covinhas? São lindas e gosto quando você teima comigo, gosto quando é petulante e quando tudo tem que ser do seu jeito mandão.

_ Isso são elogios?

_ Não, são os motivos que me fez amar você. Leesa... - Ele soltou a minha mão e se distanciou. _ Me conceda a nossa última dança? - Ele estendeu a mão e a peguei, seria a última vez que a pegaria, que eu a aceitaria.

_ Não temos música.

_ Temos. - Ele estalou os dedos e um piano começou a tocar. _ Viu?

Ele me puxou para mais perto de si e ficamos nos olhando por alguns minutos. Até que o violino que parecia triste começou a tocar e nós começamos a dançar. O quarto era espaçoso para isso.

Por que eu estava com vontade de chorar? Não podia chorar.

Nós giramos no quarto e a música era calma, mas trazia tantos sentimentos dentro do meu peito.

_ Queria ficar. - Digo perto de si. _ Eu quero ficar. - Meu rosto deve estar lamentável, já que ele soltou a minha mão e alisou minha bochecha.

_ Você não pode, minha pequena rata. - Meu coração doeu. _ Sempre será minha, ok? Minha pequena e idiota rata.

_ Quadro velho. - Meus lábios tremiam. _ Vou sentir tantas saudades de você e dos outros.

_ Sentirei mais. - Beijou minha testa. _ Sempre irei sentir sua falta, porque você sempre e para sempre será o meu grande amor. - Aperto sua mão e continuamos dançando. _ Espero que encontre o seu.

_ Não quero. - Ele riu e me distanciou de si, ele me girou e me puxou novamente. _ Não quero sofrer, amor dói, machuca e olha o que estou fazendo com você.

_ Você pode não ter me amado como eu queria, mas me amou como ninguém. Você foi gentil, atenciosa e muito boa com as palavras. Você é a coisa mais bela e estranha que já conheci.

_ Por que estranha? - Meus pés não paravam de dançar e não queria parar.

_ Porque você cuidou do meu coração tão perfeitamente...

_ Sou estranha por cuidar dos meus amigos? Quero ser tratada daquele modo, Salazar.

_ Não me chame de Salazar, por favor. Só dessa vez, esqueça aquele dia e me chame do apelido mais tosco que você já me deu ou me chame...

_ Sly. - Ele sorriu triste e concordou.

_ Você é a coisa mais perfeita que existiu na minha vida, e eu queria guardar você para sempre, mas aí, você não seria mais perfeita.

_ Não sou perfeita, sou quebrada, minhas asas estão deformadas e...

_ E aí que está, isso tudo te deixa mais humana, mais perfeita. Leesa, você não fez nada para que eu me apaixonasse por você. Mas foi esse nada, que me fez apaixonar por você. Por amá-la.

_ Tão confuso.

_ Sim, essa confusão é o meu amor. É como eu me sinto na sua presença. Eu quero te colocar num pedestal, quero falar seu nome por anos e escutar sua voz por gerações. Mas fico confuso e as palavras não saem perfeitamente como penso, e sai uma confusão.

_ Tudo bem. - Sorri, alisando o seu rosto. _ Eu entendo, mesmo sendo confuso.

Paramos de dançar e ele encostou sua testa na minha. Olhei para os seus olhos e me perdi neles, eles eram tão belos e únicos.

_ Leesa, você me disse que tem várias outras realidades e isso me deixou um pouco confuso. Mas, quando você terminar de fazer tudo que você tem que fazer e se quiser...

_ Respira. - Ele concordou.

_ Se você não tiver se casado ou se apaixonado por ninguém e... - Ele fechou os olhos. _ E quiser voltar, por favor volte. Ok? Irei lhe esperar por um dia, não, um dia é muito pouco. Espero você por uma semana, talvez um mês ou um ano...

_ E a Morgana?

_ Não ligo, por você vale a pena esperar. - Ele pegou a minha mão e a beijou. _ Seus dedos são lindos, você é linda, e eu queria tanto lhe beijar. - Ele riu choroso. _ Eu queria saber se seus lábios têm gosto daquele morango que você comeu no café da manhã de ontem, queria tanto te despir e ver a perfeição que você é debaixo dessas roupas estranhas. Mas estou bem apenas com isso. - Beijou a minha testa mais uma vez. _ Eu te amo, minha pequena rata.

Ele me abraçou e eu ao abracei sem pensar duas vezes.

_ Você foi a coisa mais significativa da minha vida e se você não puder voltar. Espero que em outra vida eu possa ter a oportunidade de tê-la e fazê-la feliz, já que nesses meses que passamos juntos você me fez.

_ Sly. - Funguei meu nariz e ele riu.

Ele me distanciou de si e ficou me olhando, ele secou as minhas lágrimas e beijou minhas bochechas.

_ Seja feliz, pequena rata. Estarei torcendo por você. - Ele me olhou mais uma vez e saiu do quarto.

_ Terceira vez. Terceira vez que eu deixava pessoas que eu gostava para trás. - Olho para o anel e ativo ele novamente.

A data apareceu e deslizo os dias, os meses, anos e às horas. E a última coisa que faço é colocar a dimensão e a realidade.

_ Debby? - A chamei, mas ninguém apareceu. _ Fique bem. - Olho para o nada e falo: _ Meli, espero que me receba em 1936 com muita felicidade. - Sorri triste.

Adeus, 993 e...

Fecho meus olhos e escuto buzinas e o cheiro de poluição pelo ar, não sentia saudades disso. Abro meus olhos e estava em um beco qualquer da Inglaterra. Não sabia o nome da rua ou o bairro, mas posso ver isso se eu andar mais um pouco.

Vejo se tudo estava bem e estava. Meu coração ainda não estava doendo por saudades, minha cabeça não estava vacilando. Ela ainda não compreendeu que eu não estou mais lá.

Então no final está tudo perfeito.

Arrumo meus cabelos e saio do beco e vejo as roupas das pessoas que passavam por mim, eu não estava tão diferente assim e ainda bem que coloquei algo quente, estava frio.

_ Os Anos Loucos chegaram! - Um garoto que carregava um jornal gritava para chamar atenção dos outros.

_ Que grande tragédia, as mulheres e crianças estão perdidas. Olha essas roupas. - Um homem dizia enquanto tomava o seu café.

_ Agora elas têm o direito de votar em alguns países. Grande perda para nós. - Se eu revirar os olhos é bem capaz de ficar vesga.

Continuo andando e observando os lugares. Precisava achar a casa daquelas pessoas e não sabia onde eles moravam, isso não estava na pasta, infelizmente.

A única localização que estava na pasta era sobre A Mui Antiga e Nobre Casa dos Black. E fazendo as contas, quem morava naquele lugar junto com o Monstro, era Phineas Black, pai de Cygnus II.

Bom, será que consigo chamar o Nôitibus sem varinha? Bom, posso tentar.

Continuo andando e algumas mulheres me olhavam e cochichavam, não ligava para isso. Só quero chegar o mais rápido na família Black.

E eu poderia muito bem-fazer aquele feitiço de localização, mas talvez ele não me levasse para a pessoa que eu queria e não queria vomitar de novo.

Vamos para o jeito mais difícil.

Entro em alguns becos e saio em outra rua e ela estava deserta, ótimo.

Levanto o meu braço e torço para que desse certo e deu. Viva!

O ônibus louco parou na minha frente e a porta se abriu.

_ Bom dia, senhorita. - Foi galanteador.

_ Bom dia. - Entro no ônibus e me sento em um dos lugares vagos.

_ Para onde? - A porta se fechou e começou a corrida e eu só tive que me segurar antes que eu voasse para frente.

_ Família Black. - Ele franziu a testa.

_ Qual delas? - Certo, essa família era imensa.

_ Aquela que tem Cygnus Black II e Violetta Black. - Ele fez um "A" com a boca.

_ Não podemos passar naquela rua, mas, podemos te deixar na rua de baixo.

_ Tudo bem. - Ele gritou o meu destino e a cabeça falante começou a alfinetar a família Black.

_ Bando de idiotas puristas, tomara que morram todos.

_ Vai acabar sendo partido no meio se eles te pegarem falando assim da família deles. - Gritou o homem para a cabeça.

_ Que partam, assim poderei gritar umas verdades para eles. - Riu alto. _ Caldeirão Furado! Grita aí, otário.

_ Caldeirão Furado. - O ônibus freou e quase bati o meu rosto no vidro.

_ Obrigado. - Disse um senhor e ele me olhou. _ Nos vemos mais tarde, senhorita Leesa. - O quê?

Ele desceu do ônibus e fiquei o olhando e ele mais uma vez acenou a cabeça para mim. O que acabou de acontecer?

Santo Merlim, estou em livros de histórias e essas coisas? Vou ser presa? Vou ser partida ao meio? Como ele me conhece? E se... Grindelwald? Ele ainda tinha o crânio dele e estava aumentando os seus seguidores para começar a guerra.

Bom, vamos esperar. Pressa é inimiga da perfeição.

_ Taca o pau, doido! - O Nôitibus começou a andar e estava mais rápido que a primeira vez. _ E aí, pra que tu quer ir na casa daqueles esquisitos? - A cabeça me perguntou.

_ Sou uma amiga da senhora Black e acabei de saber que ela está esperando o quarto filho. Então, queria ir lá, dar os meus parabéns. - Sorri enquanto me segurava.

_ Grande merda. - Gritou a cabeça.

_ Vocês vão em todos os lugares? - Pergunto.

_ Qual lugar que você quer ir? - O homem me perguntou.

_ Orfanato Wool. - O homem ficou pensativo.

_ Um lugar trouxa, bom, vamos sim, é só chamar.

_ Ok, obrigada.

_ Próxima parada, rua abaixo da casa do Satanás. - Santo Merlim, não posso rir.

Deixo o Nôitibus parar e me levanto e agradeço as duas pessoas e a cabeça.

_ Até mais. - O homem deu tchau e o Nôitibus sumiu da minha vista.

Vamos lá, arrumo a minha bolsa no meu corpo e começo a andar em direção do final da rua, queria saber o motivo deles não poderem ir à rua da casa Black.

Bom, um dia descubro.

Continuo arrumando minhas roupas que estavam um pouco amassadas pela condução estranha, mas muito rápida.

_ Fiquei sabendo que vai esfriar ainda mais esse ano. - Uma senhora disse enquanto passeava com seu cachorro. _ Bom dia. - Me cumprimentou.

_ Bom dia. - Falo para as duas e iria continuar a minha caminhada, mas a mulher ao lado da senhora fez uma pergunta.

_ Onde comprou essa roupa? É tão bonita. - Talvez seja a neta.

_ Eu fiz, não comprei. - Que mentira. _ E obrigada, achei que as pessoas iriam me repreender.

_ Bobagem, esses homens com pensamentos primitivos que não gostam que nós, mulheres, evoluam. - A senhora sorriu. _ Prefiro esse vestido do que usar espartilhos. Odiava aquilo na minha juventude.

_ Desconfortável. - Nunca usei. _ Como vocês ficaram na guerra? - Perguntei.

_ A guerra foi assustadora, pelo menos estamos bem. E... - A neta olhou para sua avó. _ Espero que nada de ruim aconteça novamente.

_ Não vamos falar de guerra e homens com cérebros pequenos demais para entender que podem dialogar ao invés de causar uma guerra...

_ Talvez eles tenham dialogado, mas não conseguiram ser ouvidos e entendidos. Compreendidos por seus iguais e por causa disso, eles usaram a guerra como o meio de oprimir e se rebelar. - Falo as olhando. _ Não se preocupe, não é como se tivesse nascido há muito tempo um homem que iria começar a Segunda Guerra Mundial. - Coitados.

_ Você está certa. Bom, não vamos lhe prender em uma conversa, mas a sua roupa é linda. Parabéns. - Agradeci e continuei a minha caminhada.

Poderia matar o Hitler, mas não quero e não quero mudar o mundo trouxa, estou pouco me fodendo com ele. Mesmo ele sendo essencial para o mundo bruxo.

Parei de andar e olho para o motivo que Nôitibus não podia vir nessa rua. Uma barreira e era uma bem forte, mais forte que a barreira dos duendes, mas perdia para a barreira que criei para Hogwarts.

Que pena, consigo entrar.

Toco na barreira e me concentro em abrir uma abertura sem alarmar os Black. Não era tão difícil, poderia estar fazendo polichinelo enquanto abria a barreira.

A barreira começou a se abrir e em poucos segundos já estava passando pela abertura e indo em direção da mansão Black. Era apenas uma rua inteira para aquela família, ricos.

Mas era bonito, não era uma rua qualquer, era uma rua com árvores nos lados que formavam a rua. As folhas que caíram das árvores estavam no chão e elas faziam um barulho quando elas se arrastavam pelo vento.

Olho para trás e a barreira ficou normal, sem buracos. Perfeito. Não ligava muito pela ideia de estar presa na mansão Black, tenho o meu vira-tempo e apenas posso matar todo mundo, bem simples.

O vento frio passou por mim e minhas roupas e cabelo balançaram, frio. Quero chocolate quente.

Quero dormir e esquecer que nessa época não existe um rabugento chamado Salazar.

Saudades mata.

Paro no portão de ferro e olho para os lados, uma parede de pedra com um portão. Bom, até que é bem bonito.

Dou pequenas batidinhas na fechadura e o portão se abriu. Ah, magia, coisa linda.

A casa era feita de tijolinhos vermelhos. Não ligava muito, mas era bonita, com muitas janelas e nenhum grito, apenas paz. Achei conceito.

O jardim precisava de cuidados, talvez eu diga isso aos anfitriões ou eu apenas posso calar a minha boca.

Subo as três escadinhas e paro na porta negra e bato na porta. Ainda sou educada.

A porta se abriu e eu olho para baixo, um elfo maltrapilho e que me olhava com raiva falou:

_ Não podemos aceitar visitas, saia antes que eu te chute. - Que amor, e pensar que matei uma pessoa para libertar elfos como ele.

_ Não ligo, e com licença. - Empurro a porta e o elfo começou a gritar comigo enquanto eu entrava na casa.

Bom, se eu não fizesse isso, era bem capaz dele fechar a porta no meu rosto. Não posso ser condescendente com todos os elfos, tenho que ser uma vadia do mal. Infelizmente.

Olho para os lados e vejo um garoto sentado no sofá e ele parou de ler para me observar.

Ele tinha olhos tão negros quanto piche, seus cabelos estavam escovados para trás como um adulto.

_ Você deve ser o Pollux, o mais velho. - Ele franziu a testa e antes que falasse, um homem apareceu.

Seus cabelos eram negros ondulados e seus olhos negros e a pele de porcelana com algumas sardas era tendência nessa época. Eu acho.

_ Quem seria você? - Adoro que não preciso usar cordialidades.

_ Leesa, e eu vim salvar a sua esposa, se hoje não for dia 14 de novembro de 1920. - Ele levantou uma sobrancelha e uma mulher saiu de um corredor e sua barriga estava enorme.

Seus cabelos loiros como o ouro eram lindos. Seus olhos azuis me lembravam da Nelly.

_ Como? Como assim?

_ A senhora deve ser Violetta Black. - A pessoa que eu disse bem claro que não iria salvar, mas aqui estou. _ E na sua barriga deve estar a Dorea Black.

Preciso que eles saibam que vim do futuro, se não, eles me acharão uma louca. Então, vamos parar de teatro e vamos falar de coisas essenciais.

_ Eu vim do futuro. - Passado. _ Para ajudar a família Black, já que ela é muito importante para mim. - Apenas uma pessoa.

_ Não estou entendendo. - A mulher foi até o seu marido e abraçou o seu braço. _ Querido, o que ela está tentando dizer?

_ Que você morre amanhã. - Sorri enquanto todos me olhavam assustados. Fui muito abrupta.

_ Tire essa mulher daqui! - Gritou o Black.

_ Por Merlim, vamos lá, eu tenho provas concretas sobre isso que acabei de dizer. O que você quer? Quer que eu diga quem irá vencer a Segunda Guerra Mundial? Quem irá vencer a guerra que Grindelwald está fazendo? Qual ano Dumbledore vai morrer? Que seu filho Marius vai virar um aborto em 1925 e tenho a cura para isso? Vamos, me digam?

_ Marius? - Será que bati na casa errada? Será que estou no ano errado mais uma vez?

_ Espera, que ano estamos?

_ 13 de novembro de 1920. - Pollux respondeu me olhando.

_ Isso, obrigada. Consegui acertar pelo menos isso. - Olhei para o casal. _ Vocês são Cygnus e Violetta, não são?

_ Segundo, Cygnus segundo. - Que se dane.

_ Então estou na casa certa. Vamos conversar com calma? - Eles se olharam e se sentaram.

Eu me sentei no sofá vazio e um bule de chá apareceu na minha frente e o elfo começou a prepará-lo para mim.

Mesmo estando incomodada com essa situação, não posso falar nada. Tenho que ser uma vaca purista, e isso faço muito bem.

_ Aqui, madame. - O elfo me entregou a minha xícara e bebo um pouco do líquido.

_ Podemos voltar ao motivo de sua visita? - Cygnus falou.

_ Eu vim para salvar Violetta Black, mas tenho minhas condições. - Olho para Pollux e ele se levantou e deu adeus aos seus pais. _ Ele é um garoto inteligente.

_ Sim, ele é. - Violetta sorriu.

Que pena que não foi tão inteligente para se safar da prisão. Bom, vamos lá.

_ Por que a minha esposa vai morrer?

_ Por causa da terceira gravidez que ela teve em 1918.

_ Na gravidez de Marius realmente foi uma gravidez complicada, mas por quê? - Violetta me perguntou.

_ Insuficiência mágica, o bebê roubou mais do que devia de você e você não conseguiu repor isso antes de engravidar novamente. - Vejo os dois apertarem suas mãos. Pensei que os Black não conhecessem a palavra amor.

_ Mas insuficiência mágica não tem cura e... - A mulher começou a chorar.

_ Tem cura e estou aqui para isso, mas...

_ Qual é a sua condição?

_ Que todos os seus filhos, netos, bisnetos e assim por diante. Fiquem comigo e lutem comigo na guerra que vai surgir. - Não vou dizer o ano.

_ Isso... - Eles se olharam.

_ Eu não irei pegar essas crianças e mandar para uma guerra, vou perguntar antes se eles querem aquilo e nem os pais ou algo do tipo irão induzir essas pessoas para lutar ao meu lado. - Eu acho que nem todas as minhas memórias foram forjadas, então, eu ainda me lembro o terror de estar em uma guerra que não queria.

Ainda consigo sentir todo o caos... O caos que eu disse antes de ser sequestrada que não queria mais vivenciar, o caos que eu queria me distanciar. Mas olha onde estou, estou fazendo a minha guerra. Sou uma pessoa hipócrita e contraditória.

Mas afinal, as pessoas mudam com o passar dos anos. E eu, eu não teria mais os mesmos pensamentos quando tinha 15 anos.

_ E se ninguém quiser? - Cygnus perguntou me retirando dos meus pensamentos.

Mas eu já sabia a resposta para aquilo.

_ Então, quero uma casa e apenas 100 milhões de galeões. - Sorri para eles. _ Vocês conseguem isso, não conseguem?

_ É um absurdo.

_ Você está fazendo esse escândalo por que acha que a sua esposa não vale esse pouco de dinheiro? Olha, fui generosa. Mas tudo bem, eu posso aumentar para 500 milhões, o que acha? Infla o seu ego um pouco? - Ele abria e fechava a boca.

_ Querido...

_ Não se esqueça, que isso apenas cobre a sua esposa e não o seu filho. Ou você não quer salvar o seu filho? Quer ter uma mancha na parede, não, espera. Você quer que o seu pai queime o rosto de seu filho na tapeçaria? Que vergonha para a família Black.

Vejo ele respirar fundo e apenas bebo mais um pouco do chá. Estava bom. A Violetta me olhava como se eu fosse um monstro, olha, talvez eu seja.

Parei de me importar com muitas coisas, perdi muitas coisas para esse olhar me preocupar. Mas se fosse aquele olhar de pena... Ainda odiava aquele olhar.

Ainda odiava me lembrar daquele dia que saí da casa daquele velho, que abaixei a cabeça para ele, que estúpida. Poderia tê-lo matado, poderia ter falado para a gente seguir na direção que Byella queria seguir. Mas não teria conhecido as pessoas que deixei para trás.

Não quero mudar o meu passado, mas quero mudar o passado dos outros.

_ Como saberei que o que você está dizendo é verdade? - Cygnus me perguntou.

_ O que você quer saber? - Ele não tinha uma reposta pronta para isso. _ Olha, vamos fazer o seguinte, vamos fazer um contrato. Se a sua esposa passar de amanhã, você irá fazer que seus filhos, netos, bisnetos e assim por diante sejam meus aliados e se eles não quiserem ser meus aliados, você me dará 500 milhões e uma casa. Mas, se sua esposa morrer amanhã, o contrato não será válido e só voltarei aqui em 1925 para ajudar o seu filho, Marius. Se assim desejar.

_ Preciso pensar pri...

_ Desculpe, mas não tenho tempo para isso, e é pegar ou largar, a escolha é sua.

_ Você está brincando com vidas alheias apenas por diversão.

_ Se a sua esposa morrer ou você deserdar Marius, isso vai me prejudicar de alguma forma? Não, não vai. Então não me importo se você vai fazer o contrato ou não. - Perderia pessoas ou dinheiro, mas tudo bem.

_ Dalack, chame um duende e diga que é urgente, pagarei o quanto ele quiser. - Cygnus mandou o elfo ir e eu queria muito sorrir.

Devo trocar esse chá por vinho e brindar comigo? Iria adorar, e obrigada, titia. Por me ensinar a manipular pessoas a fazerem o que quero.

Segunda lição: dê opções, mas pressione a pessoa para que ela escolha aquela opção que você deseja.

Um dia eu lhe procuro e conto tudo para a senhora, agora, tenho que ficar sentada enquanto espero um duende.

_ Mamãe? - Olhamos para uma menina e seus cabelos castanhos estavam trançados. _ Onde está Dalack? Preciso da ajuda dele.

_ Ele foi fazer algo para o seu pai, ele já vai voltar. - Ela chamou a filha e ela me apresentou. _ Essa é a Cassiopeia e essa é... - Ela não sabia o meu nome.

_ Eu me chamo Leesa e é um prazer conhecê-la, senhorita Cassiopeia. - A menina sorriu para mim.

_ Gostei da sua roupa. - Suas bochechas coraram. _ Ela é bonita, como você. - Entrelaçou as mãos.

_ Fico feliz por isso, o que você gosta?

_ De brincar ou de comer? - A menina se sentou ao meu lado.

_ Pode ser os dois, talvez, quando você tiver dez anos, eu possa trazer algo para você e seus irmãos, o que acha?

_ Isso é... - Ela sorriu, mas olhou para os seus pais.

_ Tudo bem, minha flor. - Violetta parecia uma boa mãe, mas a minha também parecia. Aparências enganam.

_ Eu gosto de bonecas, também gosto de ver meu irmão lendo e ele lê aquelas coisas chatas para mim. Mas eu acho legal. - Sussurrou. _ Também gosto de ver o pequeno Marius andando, e fico pensando: fui assim?

_ E o que mais? - Ela me olhou empolgada.

_ Gosto das roupas bonitas que a mamãe compra, mas não se compara a sua. - Suas bochechas estavam rosadas pela empolgação. _ Gosto de fazer tranças nos cabelos da minha mãe, às vezes irmão Pollux me deixa fazer em seus cabelos ou o papai. - Olho para Cygnus e ele estava vermelho de vergonha. _ Mas não posso fazer com o irmão Marius, mamãe disse que ele é muito pequeno ainda.

_ Sua mãe está certa, deixe ele crescer mais um pouco e aí você poderá fazer.

_ Gosto de brincar no jardim quando não está frio, irmão Pollux sempre vai comigo e ele diz que é para não me perder.

_ Falando em jardim, vocês precisam dar um jeito naquele jardim, a casa é linda, mas o jardim. - Os dois me olharam pasmos. _ Continue.

_ Fico conversando com meu irmão sobre Hogwarts, existe uma lenda que existe uma quinta fundadora. - O quê?

_ Sério?

_ Sim, diz que quem encontrar o fantasma dela, será seu protegido e ninguém nunca a encontrou. Alguns dizem que existe um salão Comunal secreto, mas ninguém achou e também falaram que quando a descendente da quinta fundadora chegar, os fantasmas dos quatro fundadores darão boas-vindas.

_ Isso é incrível. - Quem passou isso para os outros? _ Mas como começaram essas suposições?

_ Acho que foi pela família Greengrass. - Violetta disse. _ Não foi? - Olhou para o marido.

_ Sim, não sei como começou, mas desde os tempos antigos, dizia que se os alunos fossem no sétimo andar e dissessem o nome certo de uma pessoa, algo iria acontecer e um mundo mágico iria aparecer.

_ Então as pessoas começaram a supor que tinha um quinto fundador, um homem. Mas isso foi tirado de circulação quando Phineas disse que encontrou um quadro atrás da cristaleira de memórias, e claramente, Phineas queria saber mais sobre o quadro e ele viu as memórias de Godric. - Cygnus a interrompeu e continuou.

_ Papai disse que a memória tinha uma quinta pessoa, uma mulher. Mas não mostrava o seu rosto ou sua voz, apenas o seu sorriso, e que era um belo sorriso.

_ Também disse que o quadro tinha três mulheres e dois homens. Então, os alunos começaram a dizer que existia uma quinta fundadora, uma fundadora fantasma ou a fundadora sorridente.

Pedi Godric para não ter nada sobre mim em suas memórias... Tudo bem, vou relevar, já que está morto e não posso matá-lo novamente.

Dragon estava certo, zombo das coisas para fugir da realidade ou das perguntas que não quero responder.

_ E o que ele achou mais curioso era o segundo colar que a mulher estava usando. - Fiquei interessada.

_ Papai achou que era um relógio, mas ele disse que poderia ser um vira-tempo. Mas não faz muito sentindo ter isso, já que relógios não existiam.

_ E temos uma suposição. - Violetta comentou sorrindo. _ A mulher, a quinta fundadora, é uma viajante do tempo. - Sim, vocês acertaram.

_ Isso é inacreditável. - Digo tentando transparecer surpresa.

_ Queria ter encontrado algo sobre a fundadora quando ainda estava em Hogwarts, mas a única coisa que encontramos foram quatro palavras. - Violetta ficou chateada.

_ Nunca soubemos o que significavam e espero que eles consigam. - Falava de seus filhos.

_ Eu sei que vamos. - A menina disse feliz. _ Eu ou Pollux, também tem o irmão Marius e agora tem a irmã Dorea. Alguém vai encontrar alguma coisa.

_ Sim, vocês vão. - Sorri para ela.

_ Meus senhores, Dalack trouxe o duende. - Dalack retornou e eu vejo quem era.

_ Senhorita Leesa, quanto tempo. - Era Caspra Gringotts, e ele não cumprimentou a família Black, mas veio até mim.

_ Senhor Caspra, realmente é muito tempo sem nos ver. - Levantei-me e o cumprimentei. _ Ainda não sei de nada sobre essa época, mas não ficarei por muito tempo. Mas, como tem passado?

Ele apertou a minha mão e ficou muito feliz por isso.

_ A senhorita conheceu os meus ancestrais e eles ampliaram a bênção que coloquei, e isso é bom. Obrigado pela contribuição e generosidade que teve com os meus ancestrais.

_ Só quis retribuir o que o senhor fez por mim naquele tempo. - Ele sorriu e soltou a minha mão.

_ Que eu me lembre, você deveria estar em algum ano em 1930, e não em 1920.

_ Mudança de plano. - Ele concordou e foi se sentar em outro sofá. _ Em vez de Gringotts abrir em 1400 e pouco, abriu antes?

_ Sim, em 995, e o dinheiro que a senhorita nos deu naquela época foi fundamental para a construção de Gringotts.

_ Fico feliz.

_ Vejo que já se conhecem. - Cygnus olhou para a filha e ela se despediu de mim.

_ Como não posso conhecer a mulher que ajudou tanto o meu povo? Seria uma lástima se não conhecêssemos a Leesa... Desculpe, não posso falar seu sobrenome ainda.

_ O sobrenome dela é importante?

_ Talvez um pouco mais novo que a família Black, mas tão antigo quanto. Ou devo colocar os outros sobrenomes? Que eu me lembre, você tinha dois.

_ Provavelmente tenho três, mas o terceiro eu preciso descobrir qual é.

_ Entendo, que pena que você não pode fazer um teste de herança.

_ Na verdade, eu posso. Devo fazer um em 1930? - E 5?

_ Estarei no aguardo. - Sorri para ele. _ Vamos começar?

_ Estava esperando por isso. - Cygnus reclamou, mas nós não importamos.

_ Esse contrato irá valer mesmo se você não colocar o seu sobrenome? - Violetta tinha uma ótima pergunta.

_ Senhor Caspra?

_ Você ainda não nasceu nesse tempo, mas, nos registros de Gringotts existe você. - Tão estranho. Eu nem existo nessa realidade, mas por causa da magia dos duendes, existo para eles, como existo para Hogwarts. _ Será melhor colocar o seu sobrenome, senhorita Leesa. Todos eles.

_ Mas o terceiro ainda não sei.

_ Coloque apenas os dois, irá valer. - Concordei.

_ Tenho uma casa em Hollow, e quero realmente tê-la conforme a todas as leis do nosso mundo.

_ Me procure quando realmente ficar naquele tempo. - Concordei. _ Vamos começar?

_ Claro. - Começo a falar sobre o contrato e as minhas condições.

Cygnus não falou nada, apenas escutou. Era o que pensava, até ele falar:

_ Coloque que em 1925, se a Leesa não voltar para salvar o meu filho e minha família da desgraça, que esse contrato será anulado e ela só receberá 250 milhões de galões e nenhuma casa. - Concordei.

_ Por favor, assine. - Caspra me entregou os três papéis e assinei todos eles e passei para o casal.

_ Leesa Avery Malfoy? Isso... Como é possível? - O casal estava um pouco pasmo.

_ Traição? - Dou de ombros.

_ Isso deve ser um engano, um Malfoy só pode ter um filho por geração, e é a maldição deles. - O quê?

_ O que quer dizer com maldição? - Fico sem entender, Dragon nunca...

───※ ·❆· ※───

_ Lucius, está um pouco atrasado. - Ministro não parecia aborrecido. _ Conhece essa menina?

_ Não. - Ele se sentou em um lugar que eu conseguia vê-lo. _ O senhor deve saber que a minha família só pode ter um filho por geração.

───※ ·❆· ※───

Mas Dragon perguntou para o tio Lucius se ele tinha traído a tia Narcisa e me lembro muito bem daquela conversa e os casos de família.

Então por que essa mulher está me dizendo que a família Malfoy só pode ter um filho por geração?

Eu não sou uma Malfoy? Não, isso deve estar errado, sou uma Malfoy.

_ Caspra... - Ele me olhou.

_ Você é uma Malfoy, mas não posso dizer qual é a maldição de sua família, já que não sei.

_ Vocês sabem?

_ Infelizmente não, só sabemos que eles não podem ter mais de um filho, e bom, nenhum Malfoy tem o sobrenome da mãe, por isso que deduzi que você não era uma Malfoy. - Violetta disse assinando os pergaminhos e passou para o duende.

Caspra assinou e me entregou uma cópia e coloquei dentro da minha bolsa.

Bom, a minha mãe só tinha Avery, então é compreensível esse questionamento.

_ Bom, tenha uma boa manhã, irei voltar. - Caspra se levantou e entregou uma das cópias ao casal. _ Pegarei mil galões no seu cofre, senhor Black.

_ Tudo bem. - Caspra foi embora e o casal me olharam. _ Agora é a sua vez.

Peguei o livro dentro da minha bolsa e comecei a folhear ele. Não tinha lido aquilo ainda e deveria ter feito isso antes de ter vindo para cá.

Mas tudo bem, encontrei e espero que dê tudo certo.

_ Vamos lá. - Levantei-me e fui até a mulher e fiz um símbolo na sua testa e ela desmaiou. _ Ela vai dormir por algumas horas, e tenham uma boa manhã, Black. - Guardei o livro.

_ Mas... - Eu não o deixei continuar a falar e saí da casa.

Deveria estar correndo, mas apenas estava andando rapidamente, e também deveria girar o meu vira-tempo aqui e sumir desse ano, mas queria saber se aquele velho era...

_ Estou aguardando por bastante tempo, senhorita Leesa. - Passei pela barreira e lá estava ele. Grindelwald.

_ Não irei perguntar como me conhece, seu crânio ou suas visões devem ter contado. - Ele sorriu e estendeu seu braço, e aceitei. _ O que quer de mim?

_ Fiquei curioso quando passei a ter a mesma visão. Uma mulher caindo em cima da mesa de uma das minhas reuniões com meus seguidores e ela dizia que deveria voltar para o seu tempo. - Sua voz era melodiosa e seus cabelos loiros eram excêntricos demais.

_ Fui eu? - Ele me olhou com aqueles olhos bicolores e riu.

_ Não, não foi. Foi uma mulher chamada Byella. - Paro de andar e o olho. _ O que foi?

_ Que lástima, você é o meu pai? - Ele me olhou surpreso, pasmo, na verdade.

_ O quê?

_ Devemos fazer um teste de DNA? Acho que nossas sobrancelhas se parecem, somos pálidos também, mas se fosse antigamente. - Bufei. _ A gente não iria se parecer em absolutamente nada.

_ Não entendi muito bem como a senhorita chegou nessa suposição surreal. - Estávamos parados na calçada, e também me perguntava o porquê de ter falado isso.

_ Tenho uma maldição do tempo, minha mãe é do futuro e meu pai é do passado. Não sei quem é meu pai, e você disse que a minha mãe, a mulher que caiu na sua mesa... Só liguei os fatos.

_ Mas ela já está grávida...

_ Ela perde o bebê em 1981, meu padrasto pensa que ela está traindo-o e a faz ter um aborto. - Se isso também não for feito por mim. As memórias e não a morte do meu irmão.

E o que ele pensaria se eu dissesse que quero matar a minha mãe?

_ Quando você nasceu?

_ Dez anos depois, em 1991. - Ele estava completamente pasmo e absorto em pensamentos. _ Não deveria estar contando isso ao senhor, mas, parecia plausível.

_ Vamos tomar um café, temos que conversar, filha. - O olhei sem entender muito bem como ele aceitou isso sem querer provas concretas que sou sua filha.

_ Ok. Mas saiba, que não estou no passado para lhe ajudar. - Às vezes meu QI é algo que me surpreende.

Consegui ligar os fatos sobre a minha paternidade rapidamente, mas para saber que Draco Malfoy gostava de mim... Não liguei os fatos.

Pensei que ele me via como irmã e também, ele era casado e tinha até filho. Por Merlim.

_ O que lhe traz aqui? Ainda mais visitando a família Black.

_ Por que quer saber? Para me manipular depois? - Ele sorriu e estalou os dedos e seus cabelos mudaram de cor.

_ Preto combina mais com os seus cabelos, não acha, narizinho? - Agora tenho até apelido.

_ Concordo, papai. - Sorri e continuamos a nossa caminhada. _ Minha mãe já foi embora?

_ Não, ela está na minha casa, tirei o vira-tempo dela e ela não pode fugir.

_ Por quê?

_ Por que o quê?

_ Por que tirou o vira-tempo dela?

_ Bom, se uma mulher do nada cai em sua mesa, na sua casa, em um lugar que ninguém mais poderia ter acesso além de você e seus seguidores. Você não iria prendê-la e privá-la da liberdade até conseguir tudo que deseja?

_ Sim, você tem um bom ponto. Mas por que está aqui?

_ Vi você chegando em uma das minhas visões e sempre me perguntei quem seria você. Mas nunca tive curiosidade para te procurar, até que as visões sobre você ficaram mais frequentes e isso me irritou um pouco.

_ Sou uma pessoa que irrita muitas pessoas.

_ Mas o que mais me irritou foi aquela profecia e nunca fui de fazer profecias, isso era coisa da titia...

_ Batilda? - Ele me olhou e concordou. _ Ela consegue fazer profecias? - Será que foi por isso que Dumbledore foi atrás dela para falar da profecia ao invés de procurar outras pessoas?

_ Sim, desde muito nova.

Por isso que ela disse aquelas coisas sobre profecias. Santo Merlim! Cada vez que piso no passado descubro mais coisas. Impressionante.

_ Ela não me contou isso. - Fico emburrada. _ Mas, que profecia?

_ "A garota que seria a ruína e a derrota, virou a salvação, saiu do futuro e irá reerguer o passado nebuloso e catastrófico que tantos queriam dizimar. As mortes estão presentes em sua caminhada pela destruição e a linha do destino irá se unificar com a junção. O fracasso da luz é iminente e nem com o sacrifício daqueles que os amam, será páreo para contê-la... O bem e o mal irão ser derrotados e a grande rebelião irá ser encerrada quando uma risada for ouvida e salvas de palmas forem batidas."

Ah, a profecia que Dumbledore contou para a titia. E bom, naquela realidade foi a professora Trelawney que a teve, mas aqui foi o Grindelwald. E mais, a profecia era sobre mim, que piada de mau gosto.

_ Ela está mais completa do que a última vez que a escutei. - Ele me olhou sem entender. _ Uma pessoa a teve e contou algumas partes sobre ela.

_ Bom, sinto que está faltando uma parte nessa profecia, mas nunca vi mais nada. - Ele parou de falar quando entramos em uma cafeteria e era trouxa, ele não odiava trouxas?

_ Bom dia, tem uma sala privativa? - A mocinha me olhou e olhou para o meu possível pai. O quê? Ele não está me sequestrando.

_ Pai, vou querer alguns doces para comer enquanto falamos. - Digo pegando o cardápio.

_ Claro, pegue o que você quiser. - Rico.

_ Ah, tem, tem sim. - Realmente, ela pensou que eu estava sendo sequestrada. _ É no segundo andar na sala 7. - Entregou a chave.

_ Vou querer isso. - Aponto para o doce. _ Isso, isso e isso aqui. Talvez isso aqui também, e chocolate quente. - Ela concordou e anotou. _ E você? - Perguntei para o meu possível pai.

_ Apenas um chá de hortelã com algumas gotinhas de mel. - Ele sorriu educado e a mocinha corou.

Fico o observando e ele era bastante bonito, não poderia negar. Cabelos pretos, olhos bicolores, nariz fino e lábios charmosos. É, minha mãe tinha bons olhos.

_ Ok, levarei quando ficar pronto. - Concordamos e fomos para o segundo andar.

_ Pensei que odiasse os trouxas. - Digo abrindo a porta e entrando no cômodo.

Era aconchegante, mas nada tão luxuoso ou algo do tipo. Sentei-me no sofá e fico olhando para o homem que se sentou na minha frente.

_ Não gosto, mas também não desgosto, eles são essenciais para nós e você deve querer saber sobre a profecia, eu presumo.

_ Não me importo com essa profecia. Como a titia me disse uma vez, elas são mutáveis.

_ Como conheceu a titia?

_ Ela me ofereceu chocolate quente quando estava na pior e me deu conselhos incríveis que na época eu era muito teimosa para escutar. - Dou de ombros. _ O que você quer de mim?

_ Que me ajude, quero unificar o nosso mundo...

_ E eu quero destruí-lo, não dará certo e temos opiniões divergentes. - Ele franziu a testa.

_ Por quê? Por que quer destruir o nosso mundo?

_ Quando você ficar preso por mais de dez anos e ser torturado pela pessoa que todos glorificam como a luz e a salvação. Você entenderá o motivo. - Sorri para ele. Ele só iria ficar preso e morreria nas mãos de Voldemort, mas não iria ser torturado.

_ O que posso fazer para convencê-la? - Ele está me perguntando isso? Ele poderia apenas tentar me manipular. _ Não acho que posso usar a voz passiva e compassiva com você.

_ Mas você não tentou.

_ Iria ser uma tentativa falha, você é a minha filha e tem meu sangue, com certeza sabe quando estão te manipulando.

_ Ainda estou aprendendo e talvez você conseguisse o que tanto deseja.

_ Não faria isso com você. - Alguém bateu na porta e demos a permissão para entrar.

_ Os seus doces, seu chocolate quente. - Colocou na mesinha de centro. _ E o seu chá. Querem mais alguma coisa? - A mocinha perguntou.

_ Não, obrigada. - Sorri e ela se foi. _ Você não faz isso por que sou sua filha? Bom, como eu disse, é apenas uma teoria.

_ Se eu ligasse para o sangue e parentesco, não teria matado alguns dos meus parentes. - Me olhou sorrindo. _ Isso não é nada para mim, narizinho.

_ Acho que a titia sabia sobre o nosso parentesco, já que quando Dumbledore estava na casa dela, ela me apresentou como Leesa Grindelwald. - Ele me olhou. _ Você gosta dele?

_ Gostar é uma palavra interessante, talvez eu o tenha amado e não é desse jeito que você está pensando.

_ Se não é romântico, qual jeito eu deveria pensar?

_ Eu o amava pela pessoa que ele era, pela forma que ele pensava, pelo jeito que ele me tratava. O amava por ele ser quem ele era e o amava por ele me deixar ser quem sou. - Ele bebeu o seu chá. _ Amar não tem quer ser romântico e sexual, Leesa. Você pode amar conversar com uma pessoa ou amar estar na presença de alguém. Existem muitas definições para a palavra amor, você só precisa saber qual é a sua.

_ Não quero me apaixonar e não amo ninguém. Apenas gosto. Já quis muito ser amada e amar alguém, mas...

_ Isso te machucou e você criou uma barreira de defesa, típico. - Sorriu.

_ Sim, típico. - Começo a comer os meus doces, estava com saudades. _ Não posso ajudá-lo na sua guerra, então me perdoe.

_ Por quê? Estou apenas curioso.

_ Tenho um juramento e tenho que salvar o futuro Lorde das Trevas. - Ele levantou uma sobrancelha. _ Sim, você perde. - Sorri abertamente. _ Que pena, papai.

_ Pirralha atrevida. - Comecei a rir.

_ Já fui chamada de tanta coisa, que isso até é fofo.

_ Você quer fazer um teste de herança?

_ Hoje não, tenho que partir em poucos minutos. Talvez em 1935, o que acha?

_ Não irei ver você por mais de 15 anos?

_ Você colocando assim, parece que não quero lhe ver. - Ele riu de lado. _ Irei voltar em 1925 e você provavelmente estará em Nova York, mas posso lhe encontrar se isso for possível.

_ Por que eu... Deixa pra lá.

_ Irei para Nova York quando eu tiver feito o que tenho que fazer em 1925. Mas talvez você possa me ajudar e irei lhe dar uma ajudinha. - Sorrimos.

_ O que posso fazer pela minha querida filha?

_ Você aceitou isso muito de boa, tenho medo. - Ele riu.

_ Não me leve a mal, mas ter uma filha de 30 anos é meio que engraçado...

_ Vinte e oito, tenho 28 anos. Não aumente mais dois anos. - Sempre terei 28 e não 31...

_ Ok, me perdoe. Eu só acho que você não iria mentir para mim e só quero me adaptar a ideia de sermos parentes.

_ Entendo. Bom, em 1925, quero que você sequestre uma criança e leve para esse endereço. - Estalei os meus dedos e um papel com o endereço e os nomes apareceu entre os meus dedos. _ Quero que o bebê tenha cabelos pretos, olhos verdes e...

_ Você quer uma cópia sua. - Ele pegou o papel dos meus dedos e leu. _ Trouxas?

_ Sim, preciso estar perfeitamente disfarçada para as coisas que devo fazer. - Ele concordou. _ E se tiver uma criança, será bem melhor para fazer os papéis em Gringotts e não irei precisar manipular uma comunidade inteira. Então, quero que coloque no cesto da criança um bilhete colocando o meu nome.

_ Inteligente. Mas e se essas pessoas não aceitarem o bebê? Tenho permissão de usar Imperius? - Ele balançou o papel em seus dedos.

_ Sempre tento o meu melhor, e claro, faça o quiser. Só não mate eles. - Ele riu e bebeu o seu chá.

_ Mas como você irá tomar o lugar dessa futura criança? Você irá usar poção Polissuco?

_ Não, tenho algo muito melhor que isso.

_ Que seria?

_ Não posso contar. - Ele olhou para sua xícara e não disse nada. _ Agora, quando for para Nova York, tome cuidado com Credence, ele é o que você procura.

_ E o que procuro? - Colocou o papel no bolso.

_ Eu não sei, não sou você. - Termino o meu chocolate quente e meus doces.

Limpo a minha boca com o guardanapo e me levanto.

_ Gostei da nossa conversa, e lhe vejo em 1925.

_ Irá assim para 1925? - Olho para a minha roupa e concordei.

_ Não quero vestir aqueles vestidos que não tem cintura e são horríveis. E não quero usar aquelas calças com boca larga. Já disse, são horríveis.

_ Se você está dizendo.

_ Você disse que pagaria, então já estou indo e até mais. - Antes que eu chegasse na porta, ele falou:

_ E se não formos pai e filha? Você está me contando coisas que podem te prejudicar. - Ri e ele tinha um pouco de razão.

Mas, o little lord não queria se tornar Lorde depois que Grindelwald foi derrotado, ele queria quando o "papai" ainda estava no poder e se esse homem subir ao poder, estarei ao lado do little lord para derrotar o meu pai.

Que engraçado, não?

_ Em nenhuma das minhas hipóteses e teorias errei e não será dessa vez que irei errar, e até mais tarde, papai. - Antes que eu fosse embora, pergunto-o: _ O que você fazia no Nôitibus?

_ Vi que você entraria naquele ônibus estranho e achei que seria uma boa ideia de ver como você era.

_ Então deu um destino qualquer?

_ Sim. - Concordei e saí da sala.

Despedi da mocinha e agora me perguntava onde iria achar um lugar tranquilo para viajar no tempo novamente.

Bom, vamos procurar um beco, não posso sumir na frente de várias pessoas. Ainda não quero ser descoberta pelo mundo todo.

Atravesso a rua que não estava movimentada e alguns carros passavam por passar. Olho para os lados e entro no beco e começo a mexer no display do anel.

Mas antes de ir para 1925, confiro se estava tudo certo com o grão de pó de vira-tempo. E sim, estava tudo bem.

Agora vamos para 1925.

Os barulhos ficaram mais altos e eu só queria entender o motivo disso. Só se passaram cinco anos, mas a poluição tinha crescido ainda mais, que horror.

Pelo menos não precisaria pegar o Nôitibus, ainda estava no mesmo bairro que a família Black morava.

E onde tomei café com o meu possível pai.

O bairro que a família Black morava era silencioso antigamente. Mas parece que alguém viu oportunidade de ganhar dinheiro e aqui virou quase um centro comercial.

Vamos parar de tentar entender como em menos de cinco anos mudou muita coisa. Acabarei sofrendo uma crise existencial.

Saio do beco; enquanto me arrumava e andei em direção da rua que a família Black decidiu ser dela e apenas dela.

Olho para os lados e tinha muitas mulheres rindo e comprando doces. Pessoas gostavam de doces.

E mais uma vez as pessoas olhavam para o que eu estava vestindo e mais uma vez eu não ligava. Se ligasse para tudo, teria me isolado.

Paro antes de fazer a curva para entrar na rua dos Black. Esqueci de comprar presentes. Nossa, como sou burra.

Vamos voltar e fazer alguns cálculos matemáticos. Cassiopeia tem 10 anos agora e ela me disse que gostava de roupas bonitas e ainda deve gostar. Pollux tem 13 anos e está na escola e vi que ele gostava de ler, talvez eu tenha um livro raro na minha bolsa.

Marius era um bebê e não sei o que ele deve gostar. E Dorea é apenas uma criança de cinco anos, o que ela deve gostar? Será que se eu der dinheiro para todos os quatro eles me perdoam?

Para que fui dizer que iria comprar um presente? Posso voltar no passado e me dá um tapa?

A roupa e o livro eu tenho. É só diminuir um vestido e estará perfeito. Mas e para os outros dois?

Um menino de 7 e uma menina de 5 anos...

A menina deve gostar de bonecas ou ursos de pelúcia. Mas e o garoto? Ele ainda não tem magia, mas vai ter. Talvez uma vassoura?

Devo ir ao Beco Diagonal? Bom, vamos lá, pelo menos já faço o teste de herança.

Paro no meio fio e levanto o meu braço e o Nôitibus aparece na esquina e para lá. Esqueci que eles não podiam passar por aqui.

Corro até o ônibus e entro nele.

_ Acho que eu te conheço. - O homem me olhou enquanto me sentava. _ Não conhecemos ela, cabeça de bagre?

_ Eu sei lá, não tenho olhos e sou cego, seu idiota. - Ele continuava adorável.

_ Bom, eu acho que eu te conheço. Mas sei lá, conheço todo mundo, mas também não conheço ninguém.

_ Faço de suas palavras as minhas. - Falo sorrindo e me segurando para não morrer.

_ Qual lugar?

_ Caldeirão Furado. - Ele concordou e gritou para o motorista.

Ele abriu o jornal e vejo Grindelwald, o que ele aprontou dessa vez?

_ O que esse homem fez? - Aponto para o jornal.

_ Ah, Grindelwald...

_ Gente boa, ele. Gosto dele e me casaria com ele, se ele falar para latir, eu falaria: au-au. - A cabeça gritou e começo a rir.

_ Não ligue para ele, deve ser a demência chegando mais cedo. - Concordei rindo. _ Grindelwald está chamando os seus seguidores para uma reunião. Não sei o motivo e nem a impressa sabe, mas parece ser sério.

Talvez ele tenha visto a Segunda Guerra Mundial chegando, ou ele viu o little lord nascendo...

_ E essa coisa preta, é o quê?

_ Não tem um nome, mas todos os bruxos conseguem ver, menos os trouxas e dizem que quando você toca o símbolo, essa névoa preta lhe reconhece como seguidor e você é teletransportado para o lugar da reunião. São hipóteses. - Deu de ombros.

_ Se eu pudesse sair daqui... - Disse a cabeça e ela estava chorosa. _ Seria um seguidor. Ah, que mundo cruel que vivemos.

_ Mas você não odiava os Black, pensei que odiasse também Grindelwald. - Ele começou a gritar enquanto fingia chorar.

_ Os Black... São um bando de filhos da...

_ Olha a boca.

_ Odeio eles, mas o senhor Grindelwald... Ele é um homem lindo, sensato, esbanja poder e eu daria o meu cérebro para ele. Já que não posso dar o meu...

_ Olha a boca e não acho que ele aceitaria o seu cérebro. - O homem falou e ri concordando.

_ Chegamos. - Gritou o homem e vejo que já estávamos no Caldeirão Furado.

_ Obrigada. - Levantei-me e saio do ônibus.

Poderia ter aparatado, seria mais rápido, mas a pressa é inimiga da perfeição. Vamos lá, não foi tão ruim.

Olho em volta e estava bem agitado, acho que vivi por muito tempo em um lugar que não existia a maioria dessas coisas e preciso me acostumar novamente.

Entro no estabelecimento e o cheiro de cerveja até que era confortável. Acostumei-me com as bebedeiras dos meus amigos e álcool não faltava na casa de Salazar.

A ficha não caiu ainda, mas quando cair, tenho que ter chocolate quente e cobertas quentinhas. Vou chorar até virar um panda.

Fico de frente para a parede e tento me lembrar a combinação. Tem tanto tempo que não venho aqui.

_ Precisa de ajuda? - Olhei para o lado e vejo uma mulher com seus filhos.

_ Acabei esquecendo a combinação e tem muitos anos que não venho em Londres. - Ela sorriu e ficou ao meu lado.

_ Não tem problema, também esqueço sempre e preciso ter um bloquinho para saber a combinação. - Mostrou o bloquinho de notas.

_ Isso seria muito útil. - Ela sorriu e fez a combinação. _ Eles irão para Hogwarts ano que vem? - Pergunto enquanto passávamos pela passagem.

_ Sim, eles não querem ir para Sonserina, mas aposto que vão. - Ela riu e olhou para os seus filhos. _ Esse é Luca. - Era o maior. _ E esse é Claudian.

_ Olha, Sonserina não é ruim, apenas mal compreendida. - Sorri para eles. _ Eu já vou, obrigada por me ajudar.

_ De nada. - Deu tchau e continuo a minha caminhada.

Primeiro vou ao Gringotts e depois vou para as lojas e para a Travessa do Tranco, precisava de uma chave de portal que me levaria para Nova York.

Não sabia que vassoura estava na moda nessa época, ou que cor deveria ser a boneca ou ursinho. Crianças são difíceis.

Subo os degrauzinhos e vejo que não tinha nenhum guarda, será que ainda não existem ou eles preferiram não colocar guardas aqui? Bom, tanto faz.

Entro no banco e ele vibrou e todos os duendes pararam o que estavam fazendo para me olhar. Que legal, isso deveria acontecer?

_ É ela? - Começaram os cochichos.

_ Sim, é ela, e ela finalmente chegou.

Aceno para os duendes e vou até o duende que me chamava.

_ Bom dia, queria ver o senhor Caspra. Ele está disponível no momento? - Ele me olhou de cima a baixo.

_ Pensei que seria maior.

_ Eu serei, um dia. - Sorri para ele.

_ Tudo bem, vamos, eu levo você. - Ele não parecia muito contente comigo. Mas tudo bem, não posso agradar todo mundo.

Ele saiu do seu lugar e pegou a minha mão. Fomos para o interior do banco e era um pouco escuro, mas tinha velas.

_ Essas velas não irão se apagar, então não precisa ter medo. - Eles devem saber disso por causa das perguntas que mandei eles me fazerem. _ Fomos ensinados sobre a senhorita. Entediante, mas foi interessante. - Tocou na porta ornamentada de joias. _ Ela está aqui. - A porta se abriu. _ Entre.

_ Obrigada por me trazer aqui.

_ Hm. - Muito simpático.

Entro na sala e vejo Caspra sorrindo para mim e faço uma pequena reverência.

_ Senhorita Leesa, pensei que fosse vir em 1935 e não dez anos antes do planejado. - Ele me mostrou a cadeira e me sentei.

_ Tenho que ajudar a família Black como está dizendo o contrato.

_ Isso, bem lembrado. Pensei que apenas iria pegar os 250 milhões e fugiria.

_ Não sou tão mesquinha assim, se prometi e assinei meu nome em um contrato, vou honrar com ele.

_ Isso que me deixa impressionado, você sempre faz aquilo que não quer fazer. - Isso era verdade. Mas queria fazer o garoto ter magia. _ Bom, o que faz aqui?

_ Quero fazer um teste de herança.

_ Mas o seu sangue...

_ Consigo controlá-lo. - Que estranho, Caspra não conhecia a Leesa que conseguia controlar o seu sangue? Será que ela procurou outros duendes? Ou aconteceu alguma coisa com Caspra?

Bom, talvez ele só tenha esquecido ou nunca falei sobre o meu sangue para os duendes de Gringotts. Uma ótima hipótese.

_ Só me diga uma coisa, essa mesa é feita de magia?

_ Não, foi feita manualmente. - Bom, isso é bom. _ Aqui, corte o seu dedo.

_ A adaga é feita de magia?

_ Não. - Ok, devo estar parecendo uma estranha.

Corto meu dedo e deixo pingar na mesa e ele me olhou sem entender. Entrego a adaga e ele a limpa.

Pego o pergaminho e pressiono ele no meu sangue.

───※ ·❆· ※───

Teste de herança:

Nome: Leesa Avery Malfoy - esperando a confirmação do terceiro sobrenome.

Data de nascimento: 17/ 07/1991

Mãe: Byella Avery Macmillan - esperando confirmação do quarto sobrenome.

Pai: Gellert Grindelwald

Herança de criatura: -

Alma gêmea: -

Alma: -

Número do cofre: 1231

Herança: -

Acordos: -

Cônjuge: -

───※ ·❆· ※───

Ah, deveria ficar feliz por saber a minha data de nascimento? Era estranho pensar que nunca fiz meu aniversário no dia certo, e nunca iria fazer.

Bom, devo parar de pensar em aniversário, não irei envelhecer mesmo.

_ O que quer dizer esperando confirmação de sobrenome? - Mostro o pergaminho para ele.

_ Bom, sua mãe lhe deu o sobrenome do seu pai, mas para isso acontecer, o seu pai precisa confirmar que aceita você e não podemos ficar colocando sobrenomes em qualquer pessoa.

Então o livro de Hogwarts não era um fofoqueiro, ele apenas não podia confirmar o meu terceiro sobrenome, e isso era bom.

_ E se ele vier aqui e confirmar.

_ Você terá Grindelwald em seu nome. - Mas aí Hogwarts iria colocar Grindelwald e todos iriam suspeitar e não queria isso.

Vamos deixar que ele confirme que sou a filha dele em 1936. Ainda quero seguir o que planejei por esses anos todos.

_ O sobrenome que minha mãe precisava de confirmação era Malfoy, mas para isso o meu avô precisaria reconhecê-la. - Caspra concordou. _ Mas Dragon...

_ Ele é a sua família e você não tinha Malfoy, sua mãe não colocou esse nome em você. Apenas colocou Avery e Grindelwald, mas Grindelwald precisa de confirmação. - Ele sorriu. _ Mas se você não fosse uma Malfoy, o seu primo não iria conseguir colocar o sobrenome dele no seu.

_ Por isso que você tem tanta certeza de que sou uma Malfoy. - Ele sorriu concordando. _ Bom, não quero ter Grindelwald ainda, então, vou deixar isso para outra hora.

_ Já vai?

_ Tenho que comprar algumas coisas e ir à mansão Black. Então, sim, já vou.

_ Seu pai veio aqui. - Fico confusa.

_ Por quê?

_ A criança que ele pegou tem magia e ele roubou de uma família. Ele queria fazer a criança sumir do mapa.

_ Como sabe se a criança tem magia? - O duende sorriu.

_ Conseguimos saber disso se fomos sensitivos e seu pai é um.

_ Que maravilha. - Digo brincalhona.

_ Os seus pais te aceitaram sem precisar de manipulações, eles te colocaram o nome de Leesa, como estava escrito no bilhete.

_ Pelo menos isso está certo, a criança só não pode morrer, não antes de eu ir para aquele tempo. - Ele franziu a testa. _ O que foi? Falei algo de errado?

_ Você mudou, senhorita Leesa.

_ Não irei perguntar se é para melhor, eu sei que não é. Antigamente eu tinha medo de tanta coisa, mas fiz desses medos o pavio para me movimentar.

_ Você irá matar uma criança? Irá matar uma criança que poderia ser seu afilhado? - Meu sorriso despencou.

_ Não fale coisas que não compreende, Caspra. Não estou matando meu afilhado. - Levantei-me. _ E se mais uma vez sair de sua boca essa estupidez, posso reverter tudo que o banco Gringotts adquiriu, tenha isso como aviso. - Peguei o pergaminho e o coloquei na minha bolsa.

_ Está ameaçando...

_ É surdo? Falei que é um aviso, até 1935, Caspra. - Saio da sala e caminho para sair do banco.

Ele tremia enquanto eu andava para sair dele e alguns duendes me olhavam temerosos.

Saio do banco e não sabia para qual lugar ir primeiro, devo ir à Travessa do Tranco? Ou comprar os presentes?

Olho para o lado e sigo aquela direção, Travessa do Tranco estava mais perto.

_ Olá, gracinha. - Continuo andando.

_ Venha aqui, vamos nos divertir. - Tomara que morra engasgado.

_ Sua carinha está séria, o que houve? O namorado brigou com você? - Riu um dos homens que me seguia.

_ Se continuarem me seguindo, vocês não irão gostar. - Olhei para eles e eles riram. _ Cuidem deles, bebê. - Minha magia saiu de mim e começou a brincar com aquelas pessoas.

Idiotas.

Continuo andando e olhando para as lojas, estava procurando uma em específica... Achei.

Utilidades Nada Úteis

Na verdade, tem bastante coisa útil nessa loja, tipo, muita coisa mesmo.

Dou três batidinhas na porta e a porta se abriu, mas uma varinha apareceu.

_ Senha? - Disse uma voz rouca.

_ Hitler vai se foder, Grindelwald faça chover, Dumbledore morra e com ele renasça a juventude das trevas. - Espero que seja a mesma senha, não queria ser expulsa daqui.

_ Gostei, as pessoas só falam do Grindelwald, um bando de otários. - Abriu a porta e um garoto com um cachimbo lesepfeife sorriu. _ Ainda não perdi o olho. - O quê? _ Vamos, entre.

Quando comprava as coisas aqui com a mamãe era um senhor, mas ele também tinha os olhos perfeitos. Então por que ele falou que ainda não o perdeu? Estranho.

_ O que vai querer?

_ Uma chave de portal que me leve para Nova York. Ida e volta. - Ele sorriu abertamente.

_ Vai custar uma grana, sabe, Londres e Nova York são quase polos opostos.

_ Pago 100 galões. - Ele gargalhou.

_ Coitada, estava vivendo na era da pedra? Cem galões não valem nem o meu esforço para trazer... - Ele tragou o conteúdo do cachimbo e jogou no meu rosto. _ A chave de portal até você.

_ Mas não tenho muito dinheiro. - Digo ansiosa.

_ Querida, acha que sou estupido? Não, talvez eu seja até um Deus que ama infortunar as pessoas. Agora, quero que me dê mil galões.

_ Mas...

_ Nada de lamentações, sei que isso não é nada comparado o que você tem. - Sorriu e eu odiava o seu sorriso.

_ Então, muito obrigada, mas lamento informar que não posso comprar nada da sua loja. Até mais. - Ele continuou sorrindo e saio de sua loja.

Essa foi a primeira vez que não consegui comprar algo no menor preço, acho que nem todos caem como patinhos nas minhas lamentações de pobre moça.

Tudo bem, posso ir naquele cara. Eu acho que ele já existia nessa época, e como não sou uma pessoa conhecida, será mais barato.

Mas agora o problema é: o que vou comprar?

Desisto, não sei o que comprar para crianças, sou horrível. Seria muito mais fácil se aquelas coisinhas fossem um pouco maiores para conversar e perguntar o que elas gostavam.

Sinto um formigamento nos dedos e a minha magia volta para o meu corpo. Fofa.

O que eu gostava quando era criança?

Encostei-me na parede e fico olhando para o céu. Não consigo responder essa pergunta, já que a minha infância não foi regada de regalias. Era tão pacato e torturante.

Acho que posso dar doces, será que é chato dar doces para uma criança? Ela não poderá brincar e só poderá comer algumas vezes.

Talvez eu compre doces, pelúcias, uma vassoura e um kit infantil de fazer poções. Bom, espero que elas gostem disso.

Volto a andar e olho em volta. Isso seria cansativo...

O primeiro ato da fanfic termina aqui. O segundo ato começa no ano 1925 até 1981. E o terceiro de 1991/92 até 1998.