Notas do Autor

E aqui estou com mais um ep escrito com todo o meu coração, espero muito que apreciem.

Agradeço de coração à todos que comentaram, e favoritaram, fiquei muito feliz.

Peço antecipadamente minhas desculpas por muitas quebras de tempo, mas foi necessário para continuação da história.

Aproveitem a leitura! # os personagens não me pertencem e sim a Rumiko Takahashi. # as imagens não são de minha autoria.

Capítulo 9 - Vazio

INUYASHA

Assim que pulei naquele maldito poço, minha espada começou a vibrar intensamente, não entendia o porquê isso estava acontecendo, ela vibrava muito forte enquanto eu atravessava as eras dentro do poço e continuou nessa mesma oscilação constante até o momento em que saí do outro lado, em meu tempo. Então veio o silêncio, e com ele a insegurança e o arrependimento, pois apenas alguns segundos longe dela já me sufocavam e eu não sabia como iria viver de agora em diante…

(...)

Dois dias haviam se passado e ainda me encontrava no mesmo lugar úmido e frio. Cabisbaixo e sentado ao lado do poço, segurando minha espada, e mesmo com a chuva fina e constante que ocorreu nessas últimas horas, nem isso me fez sair de perto de minha maior esperança e também angústia, ver Kagome pular o poço para ficar ao meu lado. Estes eram meus mais íntimos anseios, havia depositado todo meu desejo nisso e não sabia como continuar.

– Inuyasha?

Escutei aquela voz conhecida, mas mesmo assim não me mexi.

– Diga o que quer Miroku.

– O que está fazendo aqui sentado nessa chuva? - disse, sentando-se ao meu lado, cobrindo-nos com um dos guarda-chuvas que Kagome havia deixado nessa era.

– Vamos amigo… você pode esperá-la em casa, limpo, seco e sem adquirir uma doença – observando meu silêncio, continuou – Sei que deve estar doendo, não estou tentando amenizar sua dor. Mas também sei que sempre resolvemos tudo juntos, a amizade sempre foi nosso elo, é isso que nos fortaleceu e cada vez mais próximos. Não tente se isolar e resolver tudo sozinho, juntos acharemos uma solução… Meu irmão – expôs seu ponto levantando-se me aguardando em pé.

– Keh! Você consegue ser insuportável quando quer monge - suspirando, me ergui e voltei caminhando ao lado daquele que era meu verdadeiro amigo, e por que não dizer, seu irmão.

– Melhore essa cara, Sango se esforçou muito para fazer um jantar digno de um senhor feudal somente para você. Disse que é para melhorar seu humor, mas sei que ela está feliz que você voltou, assim como todos nós – Miroku me olhou e soltei um pequeno bufo onde acabei sorrindo.

– Como sabiam que tinha voltado?

– Shippo…

– Aquele moleque! - ralhei, mas um calor se alojou em meu coração, meus amigos não haviam o esquecido.

KAGOME

– Filha, acorde…

Ouvi me chamarem… Abri meus olhos e notei estar em meu quarto, deitada em minha cama. Há quanto tempo estava aqui? Os pensamentos estavam nublados e confusos…

– Kagome, consegue me ouvir filha? - reconheci a voz de minha mãe me chamando, bem distante - respirei fundo e tentei focar na voz dela, olhei para o lado e a vi, parecia preocupada e cansada.

– Oi mamãe… – percebi que minha voz saiu trêmula.

– Até que enfim filha! – senti minha mãe me abraçando e suspirando aliviada – Achei que teria que te levar para o hospital novamente!

Arregalei meus olhos, hospital? Hospital de novo nem pensar! Não suportava hospitais, acho que por tudo que já vivi e as perdas que tive, não tinha boas lembranças de lá.

– Estou bem mamãe, minha cabeça só que dói um pouco - falei me sentando e tentando não transparecer minha confusão.

– Então já que você está bem, me diga o que aconteceu? Você deixou todos preocupados! Ontem à noite ouvimos um grito e depois encontrei você desmaiada perto da entrada do poço! - Enquanto minha mãe relatava o que havia acontecido, minhas lembranças começaram a voltar.

Poço? O poço! Inuyasha!

– Eu… - não sabia como descrever aquela sensação que senti quando Inuyasha pulou no poço – Dor, muita dor - disse apertando a mão em meu peito.

Vi os olhos de minha mãe tristes.

– Inuyasha se foi? - perguntou, mas notei que ela já sabia a resposta, então somente balancei a cabeça assentindo.

– Ele não me deixou falar, ele se declarou, falou um monte de coisas, e depois disse que me amava em seguida pulou no poço…

...

– Você sabe onde me encontrar, amor da minha vida…

– SEJA FELIZ! - desejou, logo após pulando no poço.

– Inuyashaaaa! – Corri até a entrada do poço e havia uma luz brilhante saindo de dentro e só pude ver seus cabelos sumindo… ele se foi.

Nesse exato momento senti uma dor terrível em minha cabeça me fazendo cair de joelhos ao chão, meu coração disparou, senti-me sufocar, coloquei as mãos em minha cabeça e dei um grito, depois disso minha vista escureceu e não vi mais nada.

...

– E como você está se sentindo agora filha?

– Ainda dói minha cabeça, me sinto estranha depois que ele foi embora. Porque mãe, porque ele fez aquilo? Por que ele tinha que ir?

– Kagome… - começou, enquanto fazia um carinho em meus cabelos – Você não é mais uma adolescente filha, já é uma adulta e adultos têm responsabilidades, suas decisões resultam em consequências.

– Mas mãe, estava tudo tão bem, nós nem brigávamos mais, éramos amigos.

– Veja o que você está falando, filha! Inuyasha te ama! Era seu companheiro na outra era, aqui seria considerado como seu marido, e você fica falando de amizade… Não viu o quanto estava sofrendo, a cada dia perto de você era uma tortura para ele, porque não podia estar com você.

– Mãe, como eu podia dar uma coisa que eu não tenho! Eu não tenho sentimentos por ele, eu… eu não sinto nada, pelo menos nada relacionado a ele e ao que vivi naquela época.

– Por isso mesmo, se coloque no lugar dele! Imagine-o vivendo aqui com você voltando a estudar, começando a trabalhar, refazendo sua vida e quem sabe no futuro namorando outra pessoa. Como ele ia suportar tudo isso?! E não se esqueça, ele não é humano, é um meio-youkai, um inu-youkai, ele tem instintos primitivos fortíssimos! Acho que tentava se controlar, mas não tenho certeza se conseguiria por mais muito tempo. Acredito que estava ficando insuportável para ele a cada dia que passava.

– Mas mãe…

– Kagome, agora ele se foi, vamos encarar a realidade! Você o ama? - Questionou encarando-me firmemente.

– Não… mas eu…

– Sem mas… se você não o ama, agora é seguir adiante, você tem um futuro todo à sua frente ainda para conquistá-lo, então respire fundo e recomece! - falou firme e não tive como argumentar contra isso.

– Agora, se você o ama, então eu vou ser a primeira a te ajudar a fazer sua mala e me despedir diante do poço, como já fiz da outra vez, mas antes você precisa ter certeza de seus sentimentos, porque é uma viagem somente de ida - pude sentir todo o peso de suas palavras, sei o quanto era difícil para ela falar em eu ir atrás dele e nunca mais voltar.

— Mãe eu não vou deixá-la novamente, fique tranquila - disse, abraçando-a.

— Só o tempo para dar a resposta ao seu coração - respondeu em meio ao meu abraço.

...

Nas semanas que seguiram eu fazia tudo automaticamente, nos primeiros dias fui à faculdade e fiz minha inscrição para a prova que aconteceria daqui a dois meses, também montei meu currículo e comecei a distribuí-lo nas agências, tanto virtuais como as mais próximas de minha casa. Como não tinha experiência, estava aceitando qualquer tipo de trabalho, desde que não fosse imoral e não muito pesado, como carregar cargas, pois sabia que não aguentaria.

Nesses dias "quase" não senti falta de Inuyasha, tudo estava muito corrido e exaustivo, só aquela dor de cabeça não me deixava de jeito nenhum, não havia remédio capaz disso, então resolvi voltar ao hospital, achando que poderia ser algo relacionado ao acidente e que minha cabeça estava com alguma sequela. Mas nada disso foi constatado, estava tudo normal, assim disse o médico que me acompanhava desde o acidente.

Tinha dias que a dor era pouca e dias como hoje, que chegava a ser insuportável, onde precisava ficar deitada e quieta em minha cama para minimizá-la. Eram nesses dias que mais me lembrava "dele" e sentia falta do amigo, mas sabia que era algo mais.

Não contei a minha mãe, mas desde o dia em que Inuyasha pulou no poço, um vazio se instalou em meu peito e em minha mente, era até difícil às vezes de raciocinar, principalmente quando estava no auge da dor, sentia meu peito comprimir e a minha mente nublava, uma sensação de estar oca e um sentimento de perda que não conseguia explicar.

Mas era a noite, quando deitava pra dormir que tudo piorava, os pesadelos eram diários, acordava sempre gritando e suando muito, deixando minha mãe angustiada. Não conseguia lembrar dos sonhos, não lembrava de nada!

– Filha, vai sair hoje? - perguntou minha mãe me vendo arrumada, enquanto pegava minha bolsa.

– Sim mamãe, hoje me sinto um pouco melhor, então combinei com minhas amigas, vamos naquele parque aqui perto, iremos almoçar juntas e tomar sorvete, quer vir junto?

– Não! Nem pensar em atrapalhar o programa de jovens, hahaha.

– Que é isso! A senhora é tão bonita e aparenta bem menos sua idade, vou adorar sua companhia.

– Outro dia tá filha, hoje tenho muita coisa pra fazer, e depois preciso ajudar seu avô a catalogar os novos objetos sagrados que chegaram para guardar em nosso depósito - respondeu, vi uma sombra passar por seus olhos, sabia que ela estava lembrando de Inuyasha e o quanto ele ajudava em casa.

– Está certo, até mais! - acenei enquanto saía e descia aquela imensidão de degraus.

Chegando ao parque encontrei minhas amigas, estavam me esperando em um banco próximo a um lindo lago, eu gostava muito de vir aqui com minha família desde pequena, transmitia uma paz em meu coração, mas hoje eu não conseguia sentir essa paz e isso me deixou agitada.

– Kagome aqui! - vi Eri acenando e me aproximei.

– Oi meninas, como estão? - disse, então abracei a todas, e resolvemos caminhar enquanto conversávamos, o dia estava lindo e o tempo fresco, excelente para caminhadas.

– Estamos bem Kah, e vc? Se recuperando bem? – perguntou Yuka.

– Estou bem, já fiz minha inscrição na faculdade e estou à procura de emprego – respondi sem muito entusiasmo.

– Nossa Kah, que ânimo! O que está acontecendo? Brigou com o Inuyasha? – perguntou desta vez Ayumi.

– Ele foi embora… – Respondi suspirando pesadamente.

– O queeeee? – Ouvi as três ao mesmo tempo.

– Olha, a gente não estava se dando bem e sem minhas memórias ficou tudo tão difícil… - foi o que consegui explicar, tinha tantos "poréns", mas não podia expor isso a elas.

– É realmente, você não parece bem, está abatida - respondeu Eri.

– Ahh deixa pra lá meninas, viemos aqui pra nos divertir e espairecer, então vamos jogar os problemas para o alto e somente hoje esquecê-los! - comentou entusiasmada Yuka.

E foi isso que fizemos, após caminharmos um pouco encontramos um restaurante no caminho e resolvemos almoçar, a comida era ótima, caseira e saborosa. Enquanto desfrutamos do delicioso almoço, eu escutava as meninas comentado de suas vidas. Yuka já estava trabalhando como estagiária na área que estudava, também começou a sair com um cara lá do trabalho e estavam se dando muito bem; já Eri disse por que enquanto não queria saber de namorar e estava focada nos estudos e a procura de um estágio em uma grande empresa também na sua área e tinha muitas expectativas para o futuro. E diferente de todas, Ayumi estava namorando e se dizia muito apaixonada e fazendo planos para ficarem juntos em um futuro próximo e se programando até para morarem juntos! Achei surpreendente como todas estavam seguindo suas vidas, com seus estudos e amores, e eu aqui, estagnada e presa aos meus problemas e dilemas interiores, me sentindo deslocada tanto desse lugar como desse tempo. Não sabia porque, mas sentia que já não me encaixava em tudo isso à minha volta, balancei a cabeça tentando me livrar desses pensamentos negativos.

– Kagome, o que você tem, está muito quieta? - ouvi Eri me perguntando, fazendo todas voltarem a atenção para mim.

– Amiga, estou bem, só preciso encontrar meu norte, sabe? O caminho que preciso percorrer…

– "Às vezes, o caminho que mais evitamos é o que está escrito no nosso fio do destino" - profetizou Ayumi.

Depois de alguns segundos de silêncio, Yuka se manifestou:

– Que tal tomarmos um delicioso milk shake agora ein? Faz tempo meninas, lembra do nosso primeiro? - e foi o que faltava para todas ficarmos mais descontraídas e relembramos nossa infância e como era bom não ser adulto e ter responsabilidades.

...

Cheguei um pouco mais tarde do que previa depois do passeio, estava tudo silencioso e escuro, então subi direto para meu quarto e após tomar um banho relaxante, me deitei.

Ainda conseguia sentir o cheiro dele em meu travesseiro, as lembranças da última noite que tivemos fez meu coração se apertar, e minha cabeça voltar latejar.

— Inuyasha… como você estará? - falei baixinho, enquanto olhava pela janela na esperança que pudesse vê-lo pulando dentro do meu quarto e ver aqueles olhos amarelos mais lindos que já vi em minha vida — Estou com saudades…

...

Dois meses se passaram, e tudo parecia acontecer em câmera lenta, havia conseguido fazer a maior do que estava em meus projetos futuros. Passei nas provas de inscrição da faculdade e minhas aulas irão começar daqui a um mês, também consegui emprego em uma biblioteca próximo ao centro da cidade, era um emprego bom de meio período, tinha que ajudar na organização dos livros e catalogar em seus respectivos assuntos. O salário era coerente com o que fazia, mas não era o que eu queria para ajudar minha mãe, mas assim que começasse a faculdade iria tentar algo na área que pretendia exercer, teria que ter paciência, porque sabia que no começo era assim mesmo.

Mas o que mais me surpreendeu, foi que os dias começavam e terminavam e eu nem me dava conta, se tornaram dias apáticos, eu conversava normalmente com todos, chegava até a sorrir para ninguém percebesse, mas por dentro não sentia nada, um vazio, um buraco em meu âmago, essa era a sensação. E a cada dia que passava iam minando minhas energias e minha vontade de viver. Não que eu pensasse em tirar minha vida, isso não! Mas gradativamente, não tinha mais vontade de me divertir, saía todos os dias para trabalhar, voltava, tomava meu banho e ia dormir, muitas das vezes nem apetite tinha para jantar.

Já tinha percebido que estava emagrecendo, mas evitava tocar nesse assunto, me sentia impotente, não tendo controle de meu corpo e de minhas emoções. As noites continuavam iguais, pesadelos que não conseguia me lembrar, acordava gritando e encharcada de suor, o coração disparado e com falta de ar, muitas dessas noites era minha mãe quem me acordava em meio desses pesadelos, e então eu chorava em seu colo, sem saber o que fazer para isso cessar.

– Filha, isso tem que parar, você precisa procurar ajuda, um profissional no assunto - disse abraçada a mim numa dessas madrugadas de terror.

– Ok mamãe, irei, prometo… - respondia ainda agarrada a ela, tremendo e com a respiração irregular.

...

Alguns dias depois, chegando do trabalho encontrei com minha mãe na cozinha, o jantar quase pronto.

– Tadaima!

– Okaeri filha! - colocando os alimentos na mesa – Que bom que chegou, me ajude a terminar de arrumar a mesa para conversarmos como foi hoje! Mas não esqueça de lavar as mãos antes!

– Sim mamãe… - após lavar minhas mãos me juntei a ela para ajudá-la - Então, fui à consulta, conforme a senhora me recomendou.

– Fiquei tão feliz que me ouvi, e então? - perguntou, me olhando ansiosa.

Olhei para minha mãe e vi o quanto ela estava preocupada comigo, percebi as olheiras em seu rosto, provavelmente não estava dormindo bem por minha causa.

– O doutor, a princípio não soube me explicar o que estava acontecendo, disse que vai me dar alguns medicamentos para dormir, e que irá me acompanhar pra ver se com o tempo melhoro, mas disse que provavelmente é algum trauma referente ao "acidente" que sofri e que causou minha perda de memórias.

– Nossa, só isso? - percebia a decepção no rosto dela – Agora ele vai te entupir de remédios como um paliativo?!

– Foi o que pensei também. Ah! Ele até tentou fazer uma sessão de hipnose, mas não funcionou comigo! Disse que isso é muito raro, que poucas pessoas não são suscetíveis à hipnose.

– Filha…

– Eu sei mãe… estou me esforçando! - respirei fundo – Mas não consigo, é mais forte do que eu! Eu… eu… não sinto nada! Um buraco aqui é só o que consigo sentir e que a cada dia fica maior, me consumindo - apontei para o meu coração.

Minha mãe me olhou e percebi que ela se sentia impotente assim como eu, sem uma resposta para o que precisava fazer, então, em silêncio, jantamos todos aquela noite.

Tomei um banho relaxante em minha banheira, que sempre me vinha a sensação de uma lembrança de um lugar que gostava muito de estar, com águas quentes…

Deitei e como sempre com aquela dor latejante em minha cabeça, pedia a Kami que me ajudasse a saber o que fazer, que me desse uma direção a ser tomada.

– Kami-sama me ajude, não suporto mais essa situação! - roguei aflita.

...

Madrugada adentro…

– Ahhhhhhhhhhhhhhh - gritei! Sentando na cama, enquanto lágrimas escorriam em minha face, em meio a minha respiração falha tentava me acalmar.

Ouvi passos correndo e minha porta sendo aberta com um empurrão, era minha mãe e meu irmão me olhando desesperados.

– Irmã! O que você tem? - disse Souta com lágrimas nos olhos.

– Souta, tudo bem, sua irmã teve somente um pesadelo, pode ir dormir filho, acalmou-o minha mãe, fazendo um carinho em sua cabeça, ele abaixou a cabeça e se foi.

– Pesadelo de novo filha? - questionou minha mãe, enquanto sentava ao meu lado na cama.

Olhei para ela, dessa vez meus olhos estavam brilhando e eu pude sorrir minimamente.

– Não mãe, dessa vez Kami-sama ouviu minhas preces… - olhando-a profundamente disse – Eu já sei o que tenho que fazer!

INUYASHA

– Ei moleque! O que você pensa que está fazendo? - gritei tentando me livrar daquela criatura que tinha grudado em minhas costas.

– Eu vou junto! - respondeu Shippo.

– E quem foi que te convidou?! - ralhei.

– Inuyasha… deixe ele ir, sabe como ele está se sentindo sozinho desde que Kagome se foi, ele precisa de nossa companhia - respondeu Miroku, massageando suas têmporas. — Esses dois não crescem nunca!

– Keh! Eu não sou obrigado a ser babá de criança em nossa viagem! - continuei caminhando com os braços cruzados e a face emburrada.

– Não é você quem decide! - Shippo respondeu pulando nos braços do monge, enquanto me dava língua – Quem mandava aqui antes era a Kagome, agora Miroku quem dita as regras, você nunca mandou nada!

– Como disse? Repete seu filhote de texugo! - gritei enquanto corria atrás de Shippo, após sair ligeiro dos braços do monge.

– É raposa, seu hanyou fracote! - respondeu o kitsune ainda fugindo de um Inuyasha raivoso.

– SENTA! - gritou Miroku, numa tentativa falha de parar essa discussão interminável. Quando se deu por conta, estavam os dois estáticos ainda atracados, mas percebi o semblante triste de ambos, o que resultou em se afastarem.

– Bom, vejo que todos já se acalmaram, então vamos continuar - avançou o monge segurando seu bastão sagrado.

– Miroku, já sabe o caminho para encontrarmos Toutousai?

– Não Shippo, mas Inuyasha diz que consegue achá-lo farejando com seu super nariz!

– Ei! Não é super nariz, é um olfato sensível!

– Certo, certo… - respondeu o monge, vendo o amigo cheirando o ar.

– Mestre Inuyasha! - Ouvimos uma vozinha e senti uma picada, logo após o som de algo sugando.

– Velho Myouga?! Quando chegou aqui? - perguntei, após esmagá-lo feito uma pulga.

– Sim mestre, cheguei agora! Fiquei sabendo que está atrás de Toutousai, estou certo? - respondeu se recuperando do esmagamento.

– Queria saber como fica sabendo dessas coisas? - murmurou Shippo.

– É verdade, velho, estamos indo procurá-lo, precisamos esclarecer algumas coisas a respeito da Tessaiga, você sabe como encontrá-lo? - Questionou o hanyou.

– Eu já me adiantei mestre, e Toutousai já está mandando sua vaca para vir buscá-lo.

Assim que mencionou o mamífero, um raio forte foi ouvido e uma vaca marrom com três olhos apareceu logo à nossa frente, fazendo todos pularem assustados.

– Muuuu!

– Errr… Inuyasha, acho que ela está te chamando - falou Miroku segurando um riso.

– Keh! Monge, pare com suas brincadeiras e suba aqui também, vamos todos falar com o velhote - chamou logo após acomodar-se no mamífero youkai.

– Cada situação que você me coloca… - resmungou Miroku, enquanto se ajeitava na traseira daquele animal esquisito.

– Ei! Não se esqueçam de mim! - disse Shippo se jogando e agarrando no rabo da vaca, que já estava levantando voo, se é que se podia chamar aquilo de voo.

...

Algum tempo depois todos desceram em frente a uma caverna, onde dentro já se podia ouvir a batida do martelo do Katana Kaji*.

– Ei Toutousai estamos entrando! - anunciou Inuyasha movendo-se caverna adentro, sendo seguido por todos.

– Inuyasha! O que o traz até aqui? - perguntou assim que os viu, parando com sua tarefa – Não me diga que quebrou a Tessaiga novamente? - reclamou, já puxando a espada e analisando seu estado.

– Keh velhote! A espada está ótima, nem tenho quase a usado ultimamente.

– Bom, se é assim, sentem-se e me digam o que vieram fazer neste fim de mundo? - perguntou enquanto olhava analiticamente a espada, agora com mais curiosidade, fazendo uma minuciosa inspeção.

Após todos se instalarem e vendo que Inuyasha não começava sua inquisição, Miroku iniciou:

– Toutousai-sama, precisamos de sua ajuda, já que conhece tão bem a espada Tessaiga, não sei se já é de seu conhecimento, mas Inuyasha travou uma batalha com um hanyou Tengu, a qual a mãe dele era uma sacerdotisa. Nesta batalha ele salvou Kagome de ser morta, mas quando ela conseguiu se recuperar, acordou sem suas memórias aqui do período Sengoku - fazendo seu relato, Miroku percebeu Inuyasha fechar seu rosto e trincar seus dentes, provavelmente relembrando o acontecido.

– Estou ouvindo, mas o que tem a espada a ver com tudo isso? - questionou o ferreiro.

– Eu matei aquele desgraçado! - rosnou o hanyou – Eu usei o golpe Ryuurin no Tessaiga (Tessaiga Escamas de Dragão) e no momento que a espada estava absorvendo a energia sinistra dele depois que cortei seu "Youketsu", eu pude sentir a espada vibrar intensamente, mas ela nunca fez isso quando eu precisei usar esse golpe - dessa vez fora Inuyasha que resolveu se manifestar e relatar sua batalha.

– Certo, certo… - divagou Toutousai enquanto analisava a espada – Me diga, o que esse hanyou estava fazendo no momento do seu golpe?

Inuyasha parou e começou a relembrar, não era nada fácil rever aquelas imagens em sua mente, de sua amada pairando no ar e aquele maldito extraindo sua vida.

– Ele... - engolindo em seco continuou – Ele parecia estar extraindo a Reikon* dela… eu pude ver uma energia sinistra envolta absorvendo-a, foi desesperador, eu não pensei direito e desferi o golpe - disse enquanto segurava sua cabeça entre as mãos – Se eu soubesse que iria causar isso, não teria sido tão impulsivo.

– Você salvou a vida dela, Inuyasha! - disse Toutousai, seu olhar muito sério.

– O que disse? - Inuyasha imediatamente levantou a cabeça e seu olhar era de esperança, necessitava de mais explicações.

– Pode explicar melhor Katana Kaji-sama! - pediu Miroku solenemente, percebia-se a ansiedade em sua voz.

– Agradeço seu respeito monge, voltando ao assunto, como Inuyasha relatou, enquanto o hanyou tentava absorver a energia da sacerdotisa, ele desferiu o golpe Ryuurin no Tessaiga, que absorve energias, e depois ele sentiu a espada vibrar. Provavelmente, mas estou somente especulando, a espada pode ter absorvido também as memórias de Kagome como uma maneira de protegê-la… é, eu acho que foi isso.

– Você acha?! Não tem certeza? E sabe como faço para que a espada devolva as memórias dela?! - num pulo, Inuyasha estava segurando o ferreiro em suas vestes próximo ao pescoço, levantando-o no ar e rosnando já sentindo seu descontrole.

– Calma mestre! - surgiu o youkai pulga, de onde é que ninguém sabe.

– Velho Myouga, estava aqui esse tempo todo?! Fale para seu amigo aqui me dizer como voltar as memórias dela, senão não responderei por meus atos! - rosnava enquanto o segurava balançando no ar.

– Inuyasha, solte ele! - gritou o monge – Se matá-lo, nunca saberemos o que fazer para salvar Kagome?! - falar o nome dela o fez estremecer, então soltou o velho no chão.

– Cof, cof, cof… - massageou a garganta - então como estava tentando lhes dizer… sobre o que a espada fez, provavelmente ela protegeu Kagome por perceber que ela era sua parceira, e como a espada está ligada a você e a seus sentimentos, então também tem o instinto de proteção para com Kagome. Mas você terá mais detalhes sobre isso somente com o sábio Rokono do Monte Kita*.

– Sábio Rokono? Nunca ouvi falar - respondeu o hanyou.

– Já ouvi muito sobre ele - comentou o monge - Meu avô sempre comentou que ele leva uma vida de benevolência e abnegação, que vive em um mosteiro, mas está sempre nos vilarejos próximos ajudando os doentes e necessitados.

– Isso mesmo! Vocês devem encontrá-lo e ele irá tirar todas as suas dúvidas - finalizou Toutousai.

– Argh… não poderia pelo menos dessa vez ser mais fácil?! - resmungou Inuyasha – Vamos então, estamos perdendo tempo aqui! - levantou-se encaminhando à saída da caverna.

– Inuyasha… - chamou o ferreiro.

Me virei para ouvir o que o ferreiro mais tinha a dizer, mas estranhei, tinha um brilho em seu olhar.

– Acho que você terá mais uma companhia em sua jornada - dito isso, me entregou a espada e virou-se adentrando a caverna – Meu transporte irá levá-los de volta.

Nisto surgiu o mamífero de três olhos à nossa frente.

– Keh! O que esse velhote maluco quis dizer com isso…

Em pouco tempo estávamos de volta ao vilarejo, próximo à casa de Miroku. Combinamos que iríamos arrumar algumas provisões, pois a viagem seria longa, mas de repente a espada começou a vibrar sem parar em minha cintura, olhei vendo Miroku, Sango e Shippo também percebendo a situação estranha.

Foi então quando o mais inebriante, envolvente e delicioso cheiro chegou até meu nariz, fazendo minhas orelhas ficarem em pé e meu corpo todo arrepiar, olhei para eles:

– Kagome… - no mesmo segundo saí em disparada, sem enxergar o que havia a minha frente, meu coração disparado e minha respiração falhando, mas eu não queria parar.

A espada vibrava ainda quando cheguei próximo ao poço, a mesma parou e eu não conseguia me mexer. E se fosse uma ilusão de minha mente? Espera! Toutousai sabia?

"– Acho que você terá mais uma companhia em sua jornada…"

Quando vejo uma mão segurando na beira do poço, e em seguida, ela, a razão de minha existência, pulando para fora…

Seus olhos se encontraram com os meus e senti a felicidade me inundar…

– Inuyasha…

*Katana Kaji - Significa "Criador de espadas", que é basicamente a função do ferreiro de espada Toutousai, ele carrega um grande martelo e é capaz de emitir uma rajada de lava vulcânica ao ser batida no chão, também é capaz de cuspir uma grande quantidade de chamas pela boca.

*Reikon - No Shintoísmo a alma e espírito se unem e são chamados de Reikon, sendo a alma composta de quatro partes é o espírito por quatro elementos, a Reikon também pode ser chamada de Ichirei Shikon ou espírito de quatro almas.

*Monte Kita - O Monte Kita (em japonês: 北岳, Kita-dake) é a uma montanha na ilha de Honshu e uma das 100 montanhas célebres do Japão, com uma altitude de 3193 metros e pertence às Montanhas de Akaishi, também conhecidos como "Alpes do Sul" (南アルプス Minami-Arupusu), sendo a segunda montanha mais alta do Japão, só ultrapassada pelo monte Fuji. É também chamada de "chefe dos Alpes do Sul". Integra o município de Minami-arupusu, na prefeitura de Yamanashi. A área montanhosa em redor do Kita-dake é uma das mais populares no Japão para escalada.

Notas Finais

Agradeço a leitura e continuem favoritando e comentando, beijos no coração!

*Katana Kaji - Significa "Criador de espadas", que é basicamente a função do ferreiro de espada Toutousai, ele carrega um grande martelo e é capaz de emitir uma rajada de lava vulcânica ao ser batida no chão, também é capaz de cuspir uma grande quantidade de chamas pela boca.

*Reikon - No Shintoísmo a alma e espírito se unem e são chamados de Reikon, sendo a alma composta de quatro partes é o espírito por quatro elementos, a Reikon também pode ser chamada de Ichirei Shikon ou espírito de quatro almas.

*Monte Kita - O Monte Kita (em japonês: 北岳, Kita-dake) é a uma montanha na ilha de Honshu e uma das 100 montanhas célebres do Japão, com uma altitude de 3193 metros e pertence às Montanhas de Akaishi, também conhecidos como "Alpes do Sul" (南アルプス Minami-Arupusu), sendo a segunda montanha mais alta do Japão, só ultrapassada pelo monte Fuji. É também chamada de "chefe dos Alpes do Sul". Integra o município de Minami-arupusu, na prefeitura de Yamanashi. A área montanhosa em redor do Kita-dake é uma das mais populares no Japão para escalada.