Não sou o autor das histórias ou personagens de Fate/stay night ou de Boku no hero academia, todos os direitos reservados aos seus respectivos criadores
"Falando"
"GRITANDO"
'Pensando'
"GOLPE ESPECIAL/FANTASMA NOBRE"
"Acredito que temos muito para colocar em dia, não concorda, Izuku Midoriya?" Disse o estranho homem de cabelo albino.
Izuku não tinha ideia do que estava acontecendo. Por alguma razão ele acordou no topo de uma colina rodeado por, aparentemente, infinitas espadas cravadas no chão no meio de um deserto com engrenagens gigantes flutuando entre as nuvens e uma pessoa completamente desconhecida estava sentada na sua frente, com uma postura estranhamente calma para uma situação como essa, se dirigia a ele como se o conhecesse.
Poderiam existir muitas maneiras diferentes de reagir a essa situação, mas o celebro de Izuku escolheu a que mais aparentava ser plausível, entrar em pânico.
"A-A-AONDE EU ESTOU?! QUEM É VOCÊ?! O QUE VOCÊ QUE COMIGO?!" Izuku gritou assustado enquanto levantava os braços em uma posição de luta e se afasta alguns passos, se não fosse pela sua expressão de completo pânico e o tremor das suas pernas, poderia até se pensar que Izuku estava pronto para se defender. Vendo a reação já esperada de Izuku, o homem de vermelho suspirou e fechou os olhos.
"Me escuta, eu sei exatamente como você estar se sentido agora. Então, primeiramente, respire fundo e tente..." O estranho não pode continuar quando Izuku o interrompeu.
"Meu Deus... Como eu não percebi isso antes...?" O estranho ficou confundido ao ouvir essas palavras.
"Humn?" O estranho levantou a cabeça para ver como Izuku o olhava de volta com uma expressão de realização e terro no seu rosto.
'Ok, ele com certeza confundiu as coisas.' Ele estava preste a falar quando percebeu que os braços de Izuku pedia a força e se abaixavam.
"E-eu..." O jovem de pelo verde murmurou enquanto as suas pernas perdiam a força, deixando-o de joelhos no chão e colocou as mãos sobre a sua cabeça, sua voz isenta de qualquer emoção.
"Eu... Eu morri...!" O estranho de vermelho se endireito um pouco exaltado no seu lugar sentado pelas palavras de Izuku, o mesmo agora estava começando a chorar.
"Como eu não percebi isso antes, despertar uma peculiaridade enquanto lutava contra um vilão!? All might se desculpar comigo e me oferecer o seu poder!? ONE FOR ALL!? Apenas eu para fantasiar com algo tão idiota assim, não é...?" Izuku não pode continuar divagando quando o seu choro se tornou tão forte que ele começou a soluçar, ele apoiou as mãos no chão para evitar cair por completo.
'De onde raios ele tirou a ideia de estar morto!?' O estranho de vermelho pensou enquanto ele tentava levantar as mãos em um sinal de amistosidade.
"E-ei, vai com calma aí garoto, você está tirando algumas conclusões bem precipita..." Ele não terminou de fala de falar quando Izuku o interrompeu novamente.
"Eu... Eu... Eu devo ter ficando alucinando durante tudo esse tempo depois que..." Suas palavras eram quase inaudíveis por sua voz está quebrada devido a sua suposta realização e os soluços do seu choro.
"Depois que o vilão de lodo me atacou no túnel...!".
'Ah! Foi daí.' O estranho de vermelho refletiu apenas por um segundo para intender do que Izuku estava se referindo para logo em seguida o seu rosto ficar em branco devido à realização. Ele estava preste a tentar se explicar para acalmar a Izuku quando o mesmo começou a falar de novo.
"Então... Isso quer dizer..." O estranho levantou uma sobrancelha ao ver que Izuku voltava a uma posição ajoelhada e encarava o chão com um olhar pensativo que aos poucos se volvia ao medo.
"Eu estou no inferno!?" Izuku levantou a sua cabeça rapidamente para olhar o estranho de vermelho com uma expressão de completo terro.
"E você..." O estranho de vermelho já podia sentir como uma dor de cabeça no sentido figural começava a surgir.
'Por favor, não.' O rosto do estranho se arrugou pela frustração de já imaginar qual era a conclusão que o jovem de pelo verde tinha chegado e ele amaldiçoava a sua sorte por isso. Izuku levantou em um salto e apontou com o seu braço tremendo para o homem na sua frente.
"VOCÊ É O DIABO!" Ele gritou de pânico, já com forças o suficiente para começar a correr, mesmo que isso não fizesse diferença se ele estivesse realmente morto. O agora proclamado como "diabo" resmungava enquanto levava uma das suas mãos até o rosto e suspirava.
'Sinceramente, quais eram as chances de ele chegar logo nessa conclusão? Hoje realmente não estava sendo um bom dia no mais mínimo,'.
"Agora é sério, você realmente precisa se acalmar e ouvir..." E mais uma vez ele foi interrompido quando Izuku começou a falar novamente, agora ele estava começando perder a paciência.
"Essanão,essanão,essenão,essanão,seeurealmentefiqueitodoessetempoalucinadoantesdemorrer,issoquerdizerqueovilãodegosmaconseguiutomarocontroleomeucorpoeseelefezissoelepodeusalodamaneiraquequiser,atécometermaiscrimesnomeunome,eseeledescobriuomeuendereçoefoiatéaminhacasaparaseesconder?AimeuDeus,MAMÃE!SEELEFIZERALGUMACOISACOMELAPORMINHACULPAEUVOUMEPERDO..." Com sua paciência finalmente chegando ao limite por perceber que Izuku não iria parar falar, o suposto diabo levando do seu lugar e levantou a sua voz alto o bastante para tirar Izuku da sua divagação.
"MUITO BEM, JÁ CHEGA!" O garoto de olhos esmeraldas parou de falar e se encolheu de medo ao lembrar de quem ele achava que estava em frente.
"VOCÊ VAI PARAR DE MURMURAR IGUAL A UM MALUCO AGORA MESMO E VAI ME OUVIR!" Sua voz irritada assustou Izuku o suficiente para até as suas extremidades pararem de tremer nesse instante, não querendo incomodar mais o suposto "diabo" na sua frente e assentiu com a cabeça o mais rápido que pode.
"PRIMEIRO, VOCÊ NÃO ESTÁ MORTO! SEGUNDO, AQUI NÃO É O INFERNO! E TERCEIRO, EU NÃO SOU O DIABO, SATANÁS, LÚCIFER OU QUALQUER OUTRA IDEIA RIDÍCULA QUE ESTEJA PASSANDO PELA SUA MENTE!" O estranho de vermelho gritou irritado, mas ao ver como Izuku estava encolhido, assustado e tremendo no seu lugar, ele se arrependeu instantaneamente do que havia feito.
"Não, não era isso. Sinto muito, eu não queria gritar. É só que..." Ele disse dessa vez com um tom de voz muito mais baixo, soando até como se estivesse preocupado por cometer um grande erro. O estranho de cabelo albino apertou a ponta do nariz e suspirou com força.
"Eu sei que você está assustado, confuso e tudo que você menos quer é estar aqui. Mas poderíamos esquecer essa má primeira impressão e tentar começar de novo?" Ele disse enquanto acenava para outra roxa que poderia ser usada de assento a um metro à direita da sua.
"Entendo se você não quiser conversar, mas pelo menos me dê um minuto para explicar tudo. Por favor." Ele complementou enquanto levantava novamente os braços em sinal amistosidade.
Sua voz agora estava muito tranquila e gentil, o suficiente para diminuir um pouco o pânico de Izuku, ele não estava segurado do que estava acontecendo. Mas sem nenhuma outra alternativa além de tentar se afastar do estranho homem na sua frente correndo e gritar pela ajuda de um herói, Izuku foi obrigado a assentir com a cabeça em concordância.
O agora "ex-diabo" também assentiu em respostar e voltou no seu lugar de antes, Izuku foi hesitantemente até o seu lugar a passo lento e se sentou desconfortavelmente na sua própria roxa. Os dois ficaram ali sentados durantes longos dez segundos em um silêncio incomodo, o único ruído audível era a pequena brisa que batia contra as espadas e arrastava a areia do deserto. Nenhum dos dois sabia como continuar a partir desse ponto.
Então o estranho de vermelho foi quem quebrou o silêncio com outro suspiro enquanto apoiava a mão em sua testa.
"Você pode fazer as suas perguntas se quiser. Apenas tente se limitar uma ou duas por vez." Izuku se estremeceu quando o estranho homem falou repentinamente, mas ele logo tentou respirar fundo para se acalmar. Fazendo isso por mais alguns segundos, ele sentiu como a sua ansiedade diminuía aos poucos, até chegar um ponto em que ele conseguiria falar coerentemente.
"Quem é você? E que lugar é esse?" Sua voz estava mais calma, mas o medo ainda se fazia presente nela, o estranho uma vez chamado de "diabo" assentiu com a cabeça lentamente agradecido pelo jovem de pelo verde ter finalmente se acalmado.
"Falando de forma direta, sou um espírito heroico da classe Archer, não possuo nada como um nome para ter sido recordado por alguém, então pode se referir a mim pelo nome da minha classe." O agora conhecido como Archer disse enquanto não parava de olhar para o horizonte desse mundo. Izuku piscou algumas vezes em confusão pelas palavras do homem ao seu lado.
"Espera... Quê!? Como assim Archer? Você quer dizer um arqueiro? E o que você quis dizer com espírito heroico? Você é um fantasma!?" Izuku perguntou confundido enquanto gesticulava com os seus braços e falava.
"Vamos chegar nessa parte da explicação logo, agora o que você precisa saber é que o meu "nome" é Archer. Entendeu?" Archer perguntou e finalmente desviou a sua mirada para o garoto ao seu lado, Izuku imediatamente parou de gesticular e endireitou a sua postura.
"S-sim se-senhor, Archer-san!" Ele comentou claramente assustado e Archer suspirou novamente enquanto apoiava os cotovelos nos joelhos.
"Não precisa ficar tão tenso garoto, você não está em perigo e não vou te machucar, eu juro." Archer disse tranquilamente e Izuku respirou fundo para relaxar um pouco a sua postura logo em seguida.
"O-ok." Ele estava assustado, mas se o homem autoproclamado Archer estava disposto a responder as suas dúvidas, então ele tentaria se acalmar o melhor possível. Archer assentiu com a sua resposta e continuou.
"E em relação a sua segunda pergunta, aqui é o interior da sua mente." Os olhos de Izuku se abriram um pouco ao ouvirem essas palavras e ele olhou ao seu redor.
"O interior da minha mente... É um deserto com espadas e engrenagens gigantes?" Por mais estranho que a seu dia estivesse sendo, pensar que a sua mente por dentro, entre todas as coisas, era uma paisagem tirada diretamente de uma pintura surrealista, foi impressionantemente a parte mais fácil de aceitar. Archer desviou o olhar para outra direção enquanto respondia.
"Bem, não exatamente. Por nossas almas estarem de certa forma conectadas, a maneira que a sua mente se molda para criar um espaço interno acaba sendo influenciada por minha causa e toma uma aparência idêntica ao meu mármore de realidade". Quando Archer se virou novamente para Izuku por não ouvir nenhuma resposta a sua declaração depois de alguns segundos. Ele viu como o garoto o encarava de uma maneira que era como se uma segunda cabeça acabasse de crescer ao lado da sua.
"Eu vou chegar nessa parte. Em algum momento." Archer voltou a sua posição apoiada e continuou.
"Acho melhor eu continuar explicando as coisas a minha maneira, ficar nisso de pergunta e resposta só vai acabar te deixando ainda mais confuso, o que você acha?" Archer perguntou enquanto erguia uma mão na direção de Izuku pedindo sua opinião. O mesmo apenas assentiu calmamente com a cabeça, sua ansiedade e medo diminuindo gradualmente conforme a sua confusão aumentava.
"Tudo bem então." Archer disse enquanto endireitava um pouco a sua postura e levantava um dedo.
"Primeiramente, você precisa intender que os conceitos de linhas do tempo alternativas e realidades paralelas são reais." Vendo que o rosto confusão de Izuku começava a apresentar sinais de incredulidade e choque, Archer suspirou mais uma vez e decidiu tentar explicar melhor.
"Tudo bem, olha aqui." Izuku viu como Archer levantava a sua mão esquerda e em um flash de Luz azul surgiu o segando temporariamente. Quando Izuku recuperou a visão, ele viu que agora uma espada medieval do tipo rapieira aparecia na mão de Archer, se a sua mandíbula não estivesse presa ao restante da sua cabeça, ela com certeza estaria no chão nesse instante.
"E-e-espera um pouco, isso agora não foi a minha...?" Dessa vez Izuku é quem foi interrompido enquanto Archer abaixava a espada.
"De novo, vou chegar nessa parte da explicação. Posso continuar?" O arqueiro de vermelho perguntou um pouco impaciente, anos de planejamento não serviriam de nada que o pequeno garoto de pelo verde o interrompesse o tempo todo.
"Si-sim Archer-san, sinto muito." Izuku se desculpou enquanto fazendo uma breve reverência.
'Se estamos na minha mente, isso quer dizer que ele usou a minha peculiaridade?' Izuku não tinha certeza, mas ele esperava que a explicação de Archer pudesse explicar isso em algum momento.
"Muito bem, então, preste bastante atenção agora." Archer disse enquanto usava a espada na sua mão para de desenhar um círculo do tamanho de uma moeda no chão.
"Imagine que isso é uma versão da terra que você conhece." Ele viu Izuku acenar com a cabeça em compreensão e continuou.
"Agora que essas outras são diferentes linhas o tempo ligadas a essa mesma versão da terra." Archer explicou enquanto desenhava mais quatro círculos no chão, dois em cima e dois em baixo do primeiro e cruzava uma linha entre todos.
"Todos esses mundos diferentes estão existindo ao mesmo tempo, em suas respectivas linhas do tempo, que variam das mais diversas formas possíveis. Em algumas, uma pessoa só escolheu uma refeição diferente para o café da manhã, em outras, um conflito político acabou resultando em uma guerra civil em um país. Mas mesmo assim, eles ainda compartilharem a mesma origem, princípios e semelhanças, estando de certa forma conectados." Vendo como Izuku parecia estar conseguindo seguir com o seu raciocino, ele continuou.
"E esse conjunto de diferentes linhas do tempo infinitas, ligadas a essa versão da terra, pode ser chamado de uma realidade." Archer parou apenas por um instante enquanto fazia um desenho similar ao lado do de antes, porém ao invés de círculos, agora eram triângulos ligados por uma linha que atravessava cada um deles.
"Agora esse é um conjunto diferente de infinitas linhas do tempo de outra versão da terra, outra realidade." Archer fez uma pausa para ver se Izuku tinha algum comentário para fazer, o mesmo pareceu perceber a deixa e decidiu falar algo para manter a sua presença na conversa.
"Isso quer dizer... Que elas ainda são semelhantes por serem diferentes versões da terra, mas estão separadas umas das outras...?" Izuku se preocupou um pouco por talvez ter se equivocado em algo, mas logo se acalmou quando Archer assentiu com a cabeça.
"Isso mesmo, é bom que você esteja conseguindo acompanhar tudo até aqui." Izuku coçou a parte de trás da cabeça envergonhado pelo elogio e Archer continuou explicando.
"Agora..." Archer comentou e Izuku voltou a sua atenção ao que realmente importava no momento para ver como ele circulava o primeiro desenho com os pequenos círculos cruzados por uma linha.
"Essa aqui é a sua realidade." O jovem de olhos esmeraldas assentiu em compreensão.
"E essa aqui é a minha." Archer afirmou enquanto também circulava o segundo desenho com os triângulos.
Ele parou por alguns segundos enquanto olhava para os seus rabiscos no chão. Uma explicação sobre a existência do multiverso como essa não era a mais correta ortodoxamente falando e ele tinha quase certeza que qualquer especialista no assunto o encararia com os olhos em branco e o perguntaria quem foi o idiota responsável por ensiná-lo sobre os conceitos dos mistérios. Mas para Archer era uma explicação boa o suficiente para que uma pessoa não acostumada com tais conceitos pudesse intender o básico, provavelmente.
Archer girou um pouco a cabeça para ver que Izuku estava com uma expressão de confusão misturada com estranheza no rosto e alternava entre encarar a ele e o seu desenho no chão.
"Bem..." Ele parecia ter dificuldade de encontra as palavras, mas de alguma maneira ele tentou resumir tudo o que Archer havia dito até agora.
"O que você está tentando me dizer é... Você veio de outra realidade e está dentro da minha cabeça...?" Izuku disse a sua oração com uma voz inexistente de qualquer emoção, mas pelos seus olhos estarem extremamente arregalados e sua boca continuar levemente aberta quando ele terminou de falar, eram claros sinais de como ele se sentia nesse momento.
Archer só pode ficar parado ali, olhando como um garoto de quatorze parecia estar lutando entre acreditar no que ele dizia e se levantar nesse exato mesmo momento e começar a corre do homem maluco que o dizia coisas sem sentido.
"Sim." Foi o único que ele disse.
Izuku encarou Archer por mais alguns segundos e então abaixou a cabeça derrotado enquanto cobria o rosto com as mãos.
"Eu realmente fiquei maluco de vez." O jovem de pelo verde comentou cansado enquanto abaixava cabeça e a apoiava sobre as suas mãos.
Mesmo que ele não pudesse vê-lo agora, Archer negou com a cabeça e suspirou mais uma vez, algo o dizia que ele começaria a fazer isso com muita mais frequência a partir de hoje.
"Não, você não está. Pelo menos não ainda" Izuku girou um pouco a cabeça e deu a Archer um olhar que expressava que ele não acreditava nisso.
"Eu sei como pode ser difícil tentar compreender tanta informação, sem sentido aparente, sendo jogada para você de uma vez." Archer disse enquanto levantava a mão para a apoiar no ombro de Izuku para consolá-lo. Mas ele parou no meio do caminho enquanto o garoto de olhos esmeraldas se mostrou assustado por não intender o que ele pretendia fazer. Archer abaixou um pouco o olhar e apoiou sua mão no seu próprio colo.
"Eu só preciso explicar mais algumas coisas e tudo vai fazer um pouco mais de sentido, provavelmente. Depois disso você pode esquecer que tivemos essa conversa em primeiro lugar se quiser." Izuku viu como uma das mãos de Archer fechava em punho e a outra apertava o cabo da espada que segurava.
"Mas... Por favor. Ao menos escute tudo que eu tenho a dizer até o fim." A sua voz parecia estar no mesmo estado calma e sem qualquer emoção ela esteve desde que eles começaram a conversar.
Entre tanto, Izuku não tinha a menor ideia do porquê, mas, alguma coisa o dizia que havia algo há mais nessas palavras. Como um pedido de ajuda de uma pessoa que durante muito tempo acreditou que ela não tinha mais nenhuma chance de ser salva.
Porém, esses sentimos estavam sendo reprimidos com toda a sua força, seja por uma pequena faísca de orgulho ainda presente ou simplesmente porque ele não queria que alguém sentisse pena dele. Independentemente de qual fosse a razão, ainda era um pedido de socorro grande o suficiente para Izuku notar e ele não poderia simplesmente ignorar isso.
"Tudo bem, eu acho que posso ouvir o que você tem a dizer, Archer-san." Izuku se surpreendeu um pouco quando os olhos de Archer abriram levemente e um pequeno brilho de vida parecia surgir neles.
O arqueiro de vermelho assentiu com a cabeça e voltou a olhar a paisagens sem fim do deserto de espadas ao seu redor, a força do seu agarre na espada diminuiu e até ela abrir completamente. Em vez da espada cair no chão devido à gravidade, a espada simplesmente e se transformou em energia azul que instantaneamente se desfez em pequenas partículas de luz, as quais foram levadas pelo vento e se desfizeram conforme se afastavam.
Izuku arregalou os olhos pelo que acaba de ver, ele estava preste a pergunta sobre o que Archer tinha feito quando o próprio levantou a mão em sinal para que ele nem começasse a falar.
"Não se preocupe, eu vou falar sobre isso, mas já acalmando um pouco a sua curiosidade. Sim, isso que acabei de fazer está relacionado com o que você fez mais cedo contra aquele vilão de lodo." Izuku teve ainda mais dúvidas em sua mente com essa última declaração, mas ele preferiu permanecer em silêncio por enquanto e esperar que as suas perguntas fossem respondidas.
"Bem, já que essa conversa é apenas para explicar o mais essencial no momento, eu vou dar apenas algumas breves explicações sobre alguns tópicos para podemos chegar no que realmente importa. Qualquer coisa que não pareça muito bem explicada podemos nos aprofundar em outra ocasião, tudo bem para você?" Quando Izuku assentiu com a cabeça, Archer fez o mesmo em resposta.
Mesmo que ele focasse apenas no que era importante para essa primeira reunião entre eles, ainda seria muita informação para uma pessoa normal tentar absorver de uma vez e tudo que ele menos queria era que uma mente sobrecarregada pudesse afetar na decisão que Izuku precisaria fazer no final disso tudo.
"Começando pelo princípio, sabe aqueles animes sobre magos e garotas magicas que de vez em quando passam na TV?" O arqueiro de vermelho perguntou e Izuku ficou um pouco confuso com essa pergunta enquanto inclinava a cabeça para o lago, mas acenou logo em seguida.
"Bem... Sim. Mas o que isso tem haver?".
"É que esse tipo de coisa existe na minha realidade. Mais ou menos." Archer viu como Izuku o encarou por alguns segundos com um rosto inexpressivo.
"Desculpa, o quê?" O jovem de pelo verde perguntou totalmente incrédulo e Archer sorriu internamente pela reação esperado de Izuku, mas por fora a sua expressão se manteve a mesma.
"A realidade de aonde eu venho é muito semelhante à sua em vários aspectos, tirando o fato de as pessoas desenvolverem peculiaridades, o equivalente a isso seria a magecraft, e isso não só é algo praticado por um número consideravelmente pequeno de pessoas, como também é mantido em segredo ao resto de todas as demais não relacionadas de alguma maneira com o mundo iluminado pela lua." Archer comentou enquanto algumas lembranças passavam pela sua mente.
"Espera... O que...? Mas como?" Izuku perguntou cada entendendo menos do que Archer estava falando. Ele sentia novamente como a opção de ter simplesmente enlouquecido se tornava cada vez mais plausível, mas ele reconheceu como isso era algo complicado e confuso demais até mesmo a sua mente criar por conta própria.
"Pelo que eu sei, a teoria mais aceita entre os magos historiadores é que tudo isso tenha se originado com a queda do meteoro que matou os dinossauros. Mas não sei ao certo, nunca me aprofundei nem me importei o suficiente sobre esse assunto para pesquisar mais ao respeito." Archer viu como Izuku o encava com um olhar que dizia 'Você está brincando ou o quê?' e apenas fechou os olhos e apoiou a cabeça em umas das suas mãos.
"Olha, eu sei como isso parece um monte de estupidez inventada por um escritor de histórias de fantasias, mas apenas tente me acompanhar, ok?" Izuku pareceu duvidar por um segundo, então ele mudou o seu rosto para uma expressão mais séria e acenou com a cabeça.
"Continuando de onde eu parei." Archer retirou a sua cabeça da sua mão e voltou a encarrar o horizonte. Sem saber ao certo o porquê, Izuku começou a fazer o mesmo.
"De onde eu venho a magia é real e, por consequência, os seus praticantes, os magos, também existem. E independentemente de qual área do estudo da magia um mago se especialize, quase todos eles compartilham do mesmo objetivo, alcançar a raiz, ou Akasha para alguns outros." Archer começou explicar, mas parou por um momento ao ver como Izuku parecia querer dizer algo.
"A quê?" O jovem de pelo verde perguntou, se referindo ao nome estranho usado para o principal objetivo de um mago.
"Em resumo, é uma localização metafísica que existe no topo de todas as teorias sobre dimensões, é a localização dos registros akáshicos, que é a fonte de todos os eventos e fenômenos no universo. Existindo fora do tempo, ela armazena e arquiva informações de todas as possibilidades e eventos, passados, presentes e futuros do mundo." Archer explicou brevemente.
Izuku não compreendia ao certo tudo que ele estava escutando, mas ele acreditava que estava pelo menos pegando o que poderia talvez se o essencial, então uma dúvida surgiu na sua cabeça.
"Mas, por que isso seria algo tão buscado pelas pessoas de onde você vem?" Os lábios de Archer tremeram levemente pelo impulso involuntário de sorrir de diversão pelo quão simples a resposta dessa pergunta poderia ser, mas ele se conseguiu se conter.
"Porque chegar até a raiz significa transcender a um novo nível de existência e poder, e acredite em mim, um mago é praticamente ser uma pessoa obcecada em ter mais poder. Ao ponto de alguns achar que podem até se tornarem Deuses ou algo do tipo. Ha! Que estupidez." Dessa vez Archer não foi forte o bastante a acabou soltando uma pequena risada devido ao seu próprio comentário.
Para uma pessoa como ele, chegava até ser cômico como muitos magos perdiam todo a sua vida achando que alcançaria o pináculo do poder absoluto para apenas falharem miseravelmente e não terem outra escolha a não ser deixar o seu trabalho para as gerações futuras ou se submeterem aos mais repulsivos métodos de prolongamento de vida que existiam. Ele podia lembrar do maldito som de zumbidos de insetos e a risada de um velho bastado misturados em uma sinfonia horrenda.
Ao não ouvir nenhuma resposta de Izuku, Archer se virou para vê-lo com um olhar pensativo enquanto encarava o chão com uma das suas mãos cobrindo a sua boca. Ele parecia está se acostumando com as loucuras que estavam sendo jogas para ele de maneira rápida e isso chegou a surpreender um pouco Archer. O arqueiro de vermelho sábia que Izuku podia ser facilmente considerado um garoto bastante inteligente, com uma grande capacidade de análise e dedução surpreendente para alguém da sua idade quando ele não estava praticamente morrendo de nervosismo devido a sua fobia social.
Então, para ele já poder ter começado a raciocinar com certa clareza sobre o que lhe era dito, ele deveria ter acalmado a sua mente a um nível minimamente controlado. O que era consideravelmente impressionante para Archer, ele sempre achou que Izuku ficaria um logo tempo em choque tentando entender o que estava acontecendo. Bem, deste que isso não o fizesse perguntar assuntos difíceis de manipular levemente a verdade, ele estaria bem.
"Por acaso... Você é um mago Archer-san?" Izuku perguntou um pouco curioso e desconfiado apôs ter chegado ao fim da sua linha de raciocínio. Ele parou e engoliu em seco por estar incerto sobre como essa pergunta poderia fazer Archer reagir.
Por fora Archer não reagiu no mais mínimo, mas internamente ele estalou a língua.
'Merda!' Ele sabia que teria que tocar no assunto sobre o seu passado em algum momento, mas Archer queria poder evitar que Izuku desenvolvesse qualquer curiosidade sobre a sua história até o fim da sua estadia aqui se fosse possível.
"Sim, um mago de terceira categoria. Mas não se preocupe, não estudei e pratiquei magecraft por motivos tontos como esses." Ele respondeu calmamente, mas Izuku continuou o olhando sem ter muita certeza em confiar nas palavras de Archer.
"E por que o senhor quis se tornar um mago, Archer-san?" Dessa vez Archer permitiu que o seu rosto franzisse um pouco para deixar claro que esse assunto não o seu agrado.
"Por razões." Sua voz ainda estava calma, mas havia perdido toda a gentileza de antes, agora ela muito mais fria e seria do antes, e essa mudança repentina foi o bastante para fazer Izuku se estremecer um pouco no seu lugar.
O rosto de Archer voltou a sua forma inexpressiva de antes e ele desviou o seu olhar novamente para o horizonte.
"Razões as quais eu realmente não quero ter que falar no momento, mas não nada realmente sério para se preocupar sobre." Sua voz, apesar de continuar praticamente a mesma, sua clara incomodidade de antes havia se desvanecido um pouco.
"Tu-tudo bem, si-sinto muito... Archer-san." Izuku respondeu nervoso, era claro que a sua pergunta tinha irritado a Archer e ele estava fazendo todo o possível para não se tornar uma pilha de nervos nesse momento.
Archer negou com a cabeça, um sinal de desaprovação mais para si mesmo do que para o adolescente ao seu lado. Deixar que os seus sentimentos em relação a si mesmo atrapalhassem à sua maneira de decidir as suas ações era um erro idiota de mais para alguém como ele. Izuku ainda era apenas um garoto com o mesmo número, ou talvez mesmo mais, de problemas que ele, assustá-lo só iria arruinar qualquer chance de convencê-lo.
"Você não precisa se desculpar, é apenas um assunto pessoal." Quando Izuku assentiu com a cabeça e aparentou haver se acalmado, Archer decidiu abandonar esse tópico o mais rápido o possível.
"Bem... aonde estávamos mesmo?".
"Magos tentando chegar em uma raiz mágica, eu acho." Izuku respondeu e o seu rosto ficou levemente avermelhado de vergonha por como essas palavras pareciam muito mais idiotas saindo da sua boca.
"Isso mesmo, foram testados vários métodos na tentativa de alcançá-la, geralmente envolvendo atingir o ápice de um determinado conceito de uma área específica da taumaturgia. Existem também métodos destinados a alcançar através da manipulação de certos sistemas, como a Guerra do Santo Graal usando o sistema Espíritos Heroicos retornando ao Graal como uma maneira de fazer um buraco nela e abrindo uma passagem." Archer explicou, mas Izuku o interrompeu novamente.
"Espera um pouco, Guerra Do Santo Graal? O que é isso? E isso sobre espíritos heróis? Você tinha comentado sobre eles antes, você até disse ser um!" Izuku parou por um instante e levou as suas mãos até a cabeça e seus olhos se abriram desesperados.
"ESPERA, ELES SÃO FANTASMAS!? VOCÊ REALMENTE É UM FANTASMA!?" Ok, talvez Izuku está começando a lidar com calma com a situação fosse uma suposição equivocada de Archer, o mesmo suportou a vontade de suspirar mais uma vez e respondeu
"Na visão geral das coisas e pela maioria dos pontos de vista... Sim." Ele disse simplesmente enquanto dava os ombros.
"Mas não tire nenhuma conclusão precipitada, não estou tentando roubar o seu corpo nem nada do tipo." O arqueiro de vermelho comentou enquanto franzia o seu rosto levemente.
Izuku se obrigou a se acalmar o melhor que ele pode, ele sabia que entrar em desespero agora só acabaria gastando mais da paciência de Archer e ele realmente não queria saber o que poderia acontecer que ele o fizesse desistir de conversar com ele.
Archer realmente não aparentava querer prejudicá-lo de nenhuma forma, mas ele talvez ainda pudesse simplesmente desistir de dialogar e expulsar Izuku do interior da sua própria mente, e ele queria saber qual poderia ser o problema que o arqueiro de vermelho tinha para poder ajudá-lo.
Ele praticamente assumiu que era um fantasma, então talvez ele queira que Izuku entendesse a sua situação para fazer com que ele conseguisse seguir em frente para o outro lado? Mesmo que ele pudesse descobrir se era realmente isso, ele primeiro precisava encontrar uma maneira de parar de tremer assustado por ter um fantasma dentro dele. Archer desfez o seu rosto franzido e viu como Izuku havia voltado a tremer por receber essa nova informação sobre ele.
"Você... precisa de um minuto para assimilar tudo isso?" Archer perguntou com uma voz genuinamente preocupada, o que contribuiu em fazer Izuku conseguir arrumar um pouco os seus pensamentos.
"Si-si-sim... Por favor..." Ele respondeu nervosamente e Archer assentiu enquanto virou a sua cabeça de volta para o horizonte. Izuku continuou fazendo o seu melhor para não cair em mais um mar de murmúrios e lembrar para si mesmo que Archer não iria fazer nada de ruim com ele, provavelmente.
Um pouco mais de um minuto depois, Izuku conseguiu se controlar o suficiente para fazer o seu corpo parar de tremer e acalmar a sua respiração, mas agora as roupas que ele tinha colocado antes de dormir estavam molhadas devido ao suor.
'Como eu estou suando se estou dentro da minha própria cabeça?' Agora que ele parava para pensar uma pouco, era realmente estranho como tudo ao seu redor era tão realista, a sensação da areia e rochas contra os seus pés descalços, o som do vento batendo contra as inumeráveis espadas e como o ar que ele respirava parecia ser mais seco do que ele estava acostumado devido a eles estarem no meio de um de deserto.
Izuku saiu da sua divagação quando um flash de luz azul chamou a sua atenção, ele se virou para ver a mão de Archer estendida na sua direção segurando uma toalha de rosto.
"Aqui, pode usar." O homem de pelo branco disse quando Izuku ficou alguns segundos encarando a sua mão sem entender o que ele queria dizer com essa ação.
"AH! SIM! Muito obrigado!" Izuku tomou rapidamente a toalha e se apreçou para se secar o melhor possível.
"Você pode continuar se quiser Archer-san." Izuku comentou enquanto ainda se limpava, Archer o olhou por um segundo e então assentiu concordando.
"De maneira resumida, a guerra do santo graal, normalmente, é um ritual mágico aonde sete magos invocam sete servos para lutarem entre si até restar apenas uma última dupla de mestre e servo no final, tudo isso pela promessa que o próprio santo graal irar conceder qualquer desejo aos ganhadores." Archer disse enquanto o seu rosto conseguia ficar em uma expressão mais inexpressiva do que antes.
"Uau, um desejo? Sério mesmo!?" Izuku perguntou enquanto os seus olhos brilhavam pela ideia de um objeto magico que pudesse realizar qualquer desejo.
"Só que não." Archer disse enquanto um pequeno sorriso irônico divertido aparecia no seu rosto.
"Esse papo de realizar um desejo é apenas uma mentira para motivar os servos e os mestres a matarem uns aos outros. Os criadores da guerra praticamente já deixavam todo programado para o santo graal fazer uma ação específica quando ele conseguisse a quantidade suficiente de mana." Para Archer nunca deixava de achar divertido como praticamente todos os participantes de uma guerra sempre admiravam o santo graal como a oportunidade perfeita para realizar os seus sonhos.
Apenas para se darem conta que eles só serviram para realizar as ambições de um grupo velhos magos, bem isso em guerra do santo graal normal, o que já fazia muito tempo que não acontecia nas suas convocações anteriores. Por que quase sempre um mago maluco tinha que inventar de ter alguma ideia idiota de fazer a guerra do santo graal se tornasse desnecessariamente mais complicada do que já era?
Izuku olhou confundido para Archer durante alguns segundos até que a sua mente lembrou de um detalhe que Archer havia comentado antes.
"Isso é porque ela foi criada para alcançar a raiz que você comentou antes, certo Archer-san?" Archer se virou e olhou levemente surpreendido para Izuku
"Isso mesmo, está começando a intender sobre assunto, não é mesmo?" Ele perguntou de maneira burlona e o jovem de pelo verde ao seu lado imediatamente se virou para o outro lado envergonhado enquanto coçava a parte da cabeça.
"Be-bem, na-na verdade, não, v-veja... É só que você comentou sobre isso antes e... E-e eu pensei que poderia ser relacionado, hehehe..." Impressionando até a si mesmo, a atitude sempre nervosa e tonta de Izuku foi o suficiente para fazer Archer soltar uma pena, mas genuína, risada, percebendo o que acabava de fazer, o arqueiro de vermelho imediatamente forçou o seu rosto de volta a sua característica inexpressividade.
"Mas você está certo." Archer disse enquanto Izuku terminava de se secar e colocava a toalha em volta do seu pescoço.
"A guerra do santo graal foi criada para utilizar o método de invocação dos servos como uma maneira de abrir um caminho até a raiz." Izuku assentiu com a cabeça sinalando que entendia o que Archer estava dizendo.
"E os servos, na verdade, são espíritos heroicos invocados diretamente do trono dos heróis, e trono em si é uma parte da raiz responsável por armazenar as almas de qualquer pessoa que tenho conseguido fazer o seu nome ficar lembrado na história da humanidade, independente do que elas tenham feito para conseguir isso." Archer parou por um instante e voltou o seu olhar novamente para Izuku, o qual estava com expressão séria de concentração e de genuína confusão enquanto apoiava umas das mãos no seu queixo.
Archer aproveitou esse momento deixar que o cérebro de Izuku pudesse assimilar a nova informação, apesar de que o garoto de olhos esmeraldas ainda estava um pouco confuso como ele esperava, era consideravelmente impressionante que ele tenha conseguido seguir o seu ritmo até agora sem pedir que ele voltasse deste o princípio e explicasse tudo novamente. Isso ou a sua mente estava tão cansada de todo o estresse do dia que ela simplesmente nem se dava mais o trabalho de tentar questionar a maioria das coisas que ele estava dizendo, talvez tentar aliviar a tensão entre eles pudesse ajudá-lo um pouco.
"Tudo bem aí, garoto? Você ainda está comigo?" Archer perguntou com um sorriso debochado no rosto enquanto estalava os dedos na frente do rosto de Izuku. O qual acabou se assustando e pulando um pouco do seu lugar sentado na rocha.
"AH! SIM, EU ESTOU! ARCHER-SAN!" Instantaneamente Izuku percebeu a sua grosseria por gritar, ele arrumou a sua postura no seu acento improvisado e abaixou a cabeça envergonhado.
"Sinto muito, quero dizer... Sim, eu estou Archer-san, é só que..." Izuku parou por um instante enquanto gesticulava nervosamente as mãos tentando achar as palavras certas para se explicar.
"Isso tudo parece ser um aglomerado de informação conceitualmente muito alto para intender tão rápido." Ele comentou um pouco nervoso e Archer permitiu que um suspiro divertido saísse dos seus lábios.
"Você acha que isso é um conceito alto? O que você acha de falamos sobre a lua então?" Archer perguntou com um pequeno sorriso no rosto. Mas ele imediatamente se desfez quando ele viu como Izuku deixava a sua postura envergonhada e se endireitava para encará-lo inexpressivamente.
"O que tem a lua?" Essa foram as únicas palavras que ele conseguiu proferir. Vendo a sua brincadeira afetou negativamente a mente já abalada de Izuku, Archer decidiu ser melhor deixar o assunto sobre a lua para outro momento.
"Nada, na verdade, apenas... Vamos deixar isso para outra ocasião, ok?" Archer perguntou enquanto sentia uma leve sensação de vergonha e balançava a mão para que Izuku esquecesse esse assunto.
"Tudo bem..." Izuku concordou depois de mais alguns segundos e eles voltaram mais uma vez a um silencio incomodo. Archer esperava Izuku conseguir organizar os seus pensamentos e o outro tentava intender aonde essa conversa iria parar, após mais cinco minutos de reflexão, Izuku conseguiu pensar em tópico em que eles poderiam continuar conversando.
"O senhor disse que para entrar nesse trono, uma pessoa precisa fazer algo para ela ser lembrada, não é mesmo, Archer-san?" Archer assentiu com a cabeça, mas não disse nada, então Izuku tomou a oportunidade para continuar.
"Então..." Izuku engoliu em seco pela incerteza.
"O que... O que foi que você fez?" Para o seu alívio, a pergunta não pareceu afetar a Archer no mais mínimo, na verdade, Archer estava estranhamente parado na exata mesma posição sem mexer um único músculo. Izuku poderia não saber muito bem como ler uma pessoa através da maneira que o seu corpo reagia a certos estímulos, mas ele tinha quase certeza que a maneira que Archer estava tentando expressar indiferença a sua pergunta era forçada.
Já dentro da sua própria mente, Archer estava gastando o mínimo de tempo possível para se preparar, o que estava preste a vir seria o ponto mais crucial de todo essa conversa.
'Não preciso me preocupar, já havia previsto que essa pergunta poderia acontecer há muito tempo. E já pratiquei o suficiente para estar preparado para qualquer possível desfecho.' Isso era verdade, contar meias verdades e dizer coisas que eram tecnicamente certas até certo ponto havia se tornado como quase uma segunda natureza sua. O importante agora seria escolher sabiamente as suas próximas palavras, qualquer deslize e ele nunca mais teria uma oportunidade como essa novamente.
"Eu posso ser considerado um caso especial." Archer disse enquanto levantava um pouco a sua vista para olhar o céu do seu mundo interno.
"Hein? Como assim especial?" Izuku inclinou um pouco a cabeça para o lado em sinal de confusão e Archer encarou o céu por mais alguns segundos.
"Para poder explicar isso, antes eu vou ter que te contar sobre uma coisa chamada Alaya." Archer estava com um tom de voz neutro, mas Izuku estranhamente sentiu um pouco de amargura nas suas palavras.
"Alaya? Quem é ela?" Izuku perguntou bastante curioso, agora que ele parava para pensar, conversar com Archer havia estranhamente se tornado bem mais fácil do que antes, ele praticamente já não tinha mais nenhum medo a pessoa ao seu lado e falar com ele, por alguma razão, parecia ser como conversar com uma pessoa que ele conhecia há muito tempo e pudesse confiar.
'Quem estranho.' O pensamento passou rapidamente pela sua cabeça antes de Archer continuar.
"Não exatamente quem, mas sim o que." Archer viu como Izuku ficava com um rosto confuso devido a sua resposta, mas se mantinha em silêncio para ele continuar.
"A Alaya faz parte de algo chamado de contra força, a qual é formada por ela e Gaia. Ela seria a personificação imaterial da vontade da terra que o planeta sobreviva e prospere a todo a custo, mesmo que a humanidade tenha que ser extinta para isso." Os olhos de Izuku se abriram de medo ao ouvir essas palavras e Archer viu como ele se começava a se agitar, então tomou a iniciativa para o acalmar.
"Mas não há nada com se preocupar. Teoricamente, a contra força deveria existir somente na minha realidade e em suas respectivas linhas do tempo, então não acho que você deveria deixar isso esquentar a sua cabeça por agora." Sua voz era calma, porém firme, e isso foi o suficiente para fazer Izuku deixar esse assunto para outra ocasião.
"Si-sim, sinto muito." Izuku disse enquanto abaixa a cabeça e seu rosto assumia um tom levemente vermelho pela vergonha de deixar o seu pensamento acelerado e sua ansiedade o fizesse começar a se preocupar antecipadamente pelas coisas. Archer negou com a cabeça e continuou.
"Tudo bem, mas continuando. Em contra partido a isso, temos Alaya, que é a consciência coletiva de toda a humanidade em uma única entidade." Archer começou a explicar, mas agora a sua voz parecia estar em tom muito mais mecânico e sem vida do que antes. Era como se ele tentasse reprimir qualquer emoção o máximo possível na tentativa evitar que os seus reais sentimentos sobre o assunto viessem à tona, Izuku suspeito do porquê disso, mas preferiu não comentar sobre.
"Enquanto Gaia utiliza de espíritos da natureza e criaturas magicas da terra, Alaya por sua parte propõem contratos. Primeiro ela espera até que a pessoa que ela escolheu como o seu próximo alvo esteja em uma situação de extremo desespero ou de quase morte. Assim ela vai até essa pessoa e oferece um trato, ela lhe oferecera o poder para sobreviver ou realizar uma meta em específico enquanto essa pessoa estiver viva. Porém, como pagamento, ela deverá concordar em abdicar do seu descanso no pós-vida e se tornar um dos seus soldados, um contra guardião." Quanto mais Archer falava, mais Izuku podia sentir como a sua voz se tornava cada vez mais fria, e isso estava começando a preocupar Izuku.
"E foi isso... Que aconteceu com você...?" Izuku perguntou vacilante, após alguns segundo Archer assentiu com a cabeça, e depois que do pareceram horas de um silêncio extremamente desconfortável, Archer finalmente voltou a falar.
"Sim..." Sua voz parecia ríspida e, ao mesmo tempo, seca, mas de alguma maneira a sua calma atual parecia muito mais genuína do que antes.
"...Houve um momento quando estava vivo que me encontrei em uma situação em que era certo que, não apenas eu, mas muitas mais pessoas morreriam. Então Alaya apareceu e me ofereceu uma maneira de sobreviver e eu aceitei sem nem sequer duvidar. Por consequência, eu acabei ganhado um lugar no trono dos heróis devido a meu estado de contra guardião, eu não porque fiz algo para merecer isso." Agora o olhar de Archer estava focado nos seus pés.
Mesmo que sua voz ou seu rosto não demonstrassem, Izuku sentia como uma grande tristeza e remorso emanavam dele por ter que falar sobre isso. Ele não poderia saber os detalhes de como foi a vida de Archer depois disso, mas se ele podia ter certeza de algo, era que não havia sido nada agradável.
"Sinto muito..." Izuku não pode continuar falando quando Archer levantou um pouco a mão sinalando para ele parasse.
"Não há nada para se desculpar, o que veio em seguida é apenas as consequências das minhas escolas e sou eu quem devo lidar com elas. Mas é só que..." As palavras de Archer foram morrendo aos poucos quando ele chegou nessa parte, ele desviou o olhar para evitar ver Izuku o olhava preocupado.
"É só que...?" Izuku sabia melhor do que ninguém que quando uma pessoa não queria falar sobre algo, o certo seria respeitar isso e parar de tentar pressioná-la. Mas algo dentro de si o dizia que ele tinha que saber mais sobre Archer, principalmente essa parte da sua história, e que ele nunca mais poderia ter a chance de ouvir sobre isso se não fosse agora.
"É só que..." A voz de Archer finalmente estava começando a falhar na tentativa de esconder os seus sentimentos, uma pena tristeza tomou conta da sua voz e foi o suficiente para Izuku saber que algo de bom não estava por vir. Após mais um longo minuto Archer voltou a falar.
"É só que eu estou cansado." Mais uma vez a sua voz tinha retornado a sua calmaria de antes, uma calma que consegui ser expressiva o suficiente para Izuku saber que Archer já havia podido arrumar as suas emoções o suficiente para pode continuar.
"Cansado...?" Ele perguntou.
"Sim, o trabalho de um contra guardião é ser invocando por Alaya em uma linha do tempo aonde a humanidade está preste a ser destruída, então chegamos em meio ao caos e tentamos resolver a situação da melhor maneira possível." Archer disse olhando novamente para o céu, lembrando precisamente o dia em que ele vendeu a sua alma em prol do seu sonho.
"Mas isso não é algo bom? Digo... Vocês literalmente salvam o mundo e as pessoas. Isso não faz você um herói?" Izuku perguntou e se arrependeu imediatamente quando o rosto de Archer franziu em claro incomodo, ele respirou profundamente por alguns segundos e então respondeu.
"Essa é a ideia que a maioria das pessoas tem quando elas ouvem sobre os contra guardiões, mas a nossa rotina, ou melhor, nossa existência se baseia em ser invocado, achar a causa da possível extinção da humanidade, lutar, terminar a missão, ser imediatamente chamado de volta por Alaya e repetir tudo isso de novo e de novo até o fim dos tempos. As únicas exceções sendo quando somos invocados em uma guerra do santo graal, mas mesmo nesses casos ainda precisamos lutar pela vontade de outros e quando terminamos, somos chamados de volta por Alaya para continuar o nosso trabalho." Archer disse com voz monótona enquanto se virava para olhar Izuku, o qual os poucos abrias os olhos em realização e espanto por intender o porquê Archer estar farto de ser um contra guardião.
"Durante muito tempo tentei achar uma maneira de desfazer o meu contrato com Alaya, até cheguei a utilizar algo semelhante à viagem no tempo para criar um paradoxo e fazer o meu eu do passado intender que aceitar um acordo com Alaya seria um erro não importando em que situação ele estivesse. Mas no fim fui inútil, é impossível para alguém quebrar o acordo de vender a sua alma para a consciência coletiva da humanidade." Archer disse enquanto voltava a encarar o horizonte.
A cabeça de Izuku caiu em decepção por intender qual era a real situação de Archer e não conseguir fazer nada, isso tudo era tão complicado e confuso, mas o que ele pode intender foi que não havia nada que ele pudesse fazer.
'A quanto tempo ele está fazendo isso?' Ele se questionou.
Archer não parecia ter muito mais do que trinta anos, mas ele era um fantasma, ou um espírito, na verdade, isso significava que ele poderia ser muito mais velho do que a sua aparência o fazia parecer e Archer aparentava que nunca quis está nessa situação em primeiro lugar. Ele aceitou o acordo de Alaya para poder viver por mais tempo e qualquer um aceitaria isso se estivesse em uma situação aonde uma fosse incapaz racionar direito sobre o real peso das suas ações.
"Pelo menos era isso que eu achava." O arqueiro de vermelho repentinamente disse em meio ao silêncio que mal havia se formado entre eles.
"Hein!?" Izuku virou a cabeça bruscamente a processar o que Archer acabava de dizer, o mesmo também voltou a sua cabeça para direção do jovem de pelo verde e continuou.
"Ouça com atenção, tudo o que eu disse até agora foi para chegamos nesse momento. Então eu preciso que você tenha o máximo de foco no que vou dizer, Entendido?" O contra guardião perguntou seriamente. Izuku ficou quieto por apenas um segundo, então assentiu com a cabeça firmemente em entendimento, Archer fez o mesmo em sinal de aprovação e começou a falar as palavras mais importantes na sua existência nesses últimos quatorze anos.
"Há um pouco mais de quatorze anos, certas pessoas que conheci em umas das minhas invocações em uma guerra do santo graal acabaram me invocando novamente, porém sem outra guerra ou uma catástrofe iminente para ser resolvida." Antes que Izuku pudesse fazer perguntas sobre essas pessoas e o porquê elas fizeram isso, Archer continuou.
"No começo eu também não intendi bem o que estava acontecendo, mas foi então quando eles explicaram que por saberem da minha situação de contra guardião, eles, talvez, tivessem achado uma possível forma de me liberar do meu contrato com Alaya apôs vários anos de pesquisa." Imediatamente após Archer contar essa parte, Izuku levantou da sua rocha em um salto e encarou Archer com os olhos arregalados e com um grande sorriso no rosto.
"SÉRIO MESMO!? É POSSÍVEL!? COMO FAZEMOS ISSO!?" Izuku acabou gritando inconscientemente. Mas quando ele percebeu o que acabava de fazer, Izuku voltou a se sentar envergonhado enquanto abaixava a cabeça e coçava a parte de trás dela.
"De-desculpa, E-eu não, quero dizer, na verdade... Pode continuar..." Archer suspirou divertido pela situação, então continuou.
"Essa é a parte mais difícil agora. Veja bem, um contrato entre mestre e servo seria o mais fácil a se fazer, mas também o mais fácil de se desfazer com o tempo. Colocar o meu núcleo espiritual em um corpo físico também não seria uma opção, seja ele orgânico ou não, pois eu ainda estaria ligado a Alaya pelo nosso contrato. Independentemente da linha do tempo paralela na minha realidade que eu fosse invocado, quando minha alma eventualmente acabasse desvanecendo do mundo físico, Alaya simplesmente viria até mim e me faria voltar ao meu trabalho." Archer explicou e Izuku acenou hesitantemente com a cabeça.
Ele não intendia bem como, magicamente falando, o contrato de Archer e Alaya funcionava, mas deveria ser poderoso o suficiente para ainda poder encontrá-lo mesmo sendo invocado em qualquer linha do tempo. Mas uma pequena ideia passou na sua mente quando ele pensou um pouco nesse detalhe.
'Espera, ele disse na realidade dele, isso quer dizer..." Izuku não pode continuar a sua linha de pensamento quando Archer continuou a explicar.
"Por isso as pessoas que me invocaram arquitetaram um plano extremamente complicado, porém, o com a maior probabilidade de sucesso." Izuku se inclinou para frente curioso sobre o que Archer iria lhe informar em seguida, ficando até mesmo sentado no limite da sua rocha, toda a tenção de antes praticamente não existia mais, tirando o local aonde eles se encontravam, se uma pessoa os visses nesse instante, ela pensaria que eles eram apenas um adolescente e um adulto que se conheciam conversando.
"Era necessário me enviar para um lugar aonde Alaya não fosse capaz de me encontrar por bastante tempo e garantir que se algo acontecesse comigo eu não fosse enviando de volta para o trono dos heróis, porque se não Alaya poderia usar isso como um caminho para me achar. Após bastante pesquisa e investigação, eles descobriram que uma organização cujo objetivo era preservar o reinado da ordem humana, Chaldea, começou a ser criada há alguns anos antes da minha invocação, mas o que realmente importa era que eles estavam estudando e experimento com o sistema de invocação de servos com o intuito de poder criar algo chamado Demi-servos." Nesse momento Izuku não pode se conter e acabou interrompendo a Archer novamente.
"Demi o quê?" Ele perguntou enquanto inclinava a cabeça para um lado em sinal de confusão.
"Em resumo, é como a invocação comum de um espírito heroico, só que invés de colocar o seu núcleo espiritual dentro de um corpo feito de mana concentrada, eles o colocam dentro do corpo de um ser humano. Assim, essa pessoa poderia utilizar as habilidades do espírito heroico armazenado dentro de si como se fossem suas. Isso seria, teoricamente, mais "fácil" e "seguro" do que invocar um servo sem a ajuda de um santo graal." Archer explicou da maneira mais resumida e entendível possível. Mas então os seus olhos abriram levemente quando ele lembrou de algo importante.
"Ah! E isso é o que você é agora, foi por causa disso que você conseguiu projetar aquelas espadas antes. Bem, aquilo também foi um pouco de mim, mas você intendeu o que eu quis dizer." Archer explicou, mas ele não ouviu nem sequer um único ruído proveniente de Izuku como resposta.
O arqueiro de vermelho se virou apenas para ver que Izuku o encarava com os olhos arregalados, sua boca estava levemente aberta e seus ombros estavam completamente caídos como se tivesse perdido a força por completo. Sua boca começou a se mexer um pouco depois de alguns segundos, internamente Archer se preocupou com o que havia acontecido, mas sua mente precisou de apenas meio segundo para descobrir o que era, antes que Archer pudesse fazer algo, Izuku começou a falar.
"I-i-isso quer Di-dizer... que..." Era difícil dizer as palavras que ele estava se forçando a falar quando ele mesmo estava se concentrado tanto em evitar chorar nesse exato instante. Mas parte dos seus esforços estavam sendo inúteis quando algumas lagrimas surgiam nos cantos dos seus olhos.
"Que... Eu não tenho... Uma peculiaridade...?" Dizer essas palavras mesmo foi mais doloroso do que nunca.
Tudo parecia tão perfeito, como um sonho, despertar um poder enquanto lutava contra um vilão, ter seus esforços reconhecidos pelo próprio All might e ainda ser escolhido o próximo a herdar a sua peculiaridade. Era claro que algo assim deveria acontecer eventualmente, em algum momento o universo tinha que notar que ele havia se equivocado em deixar tantas coisas boas acontecerem na sua vida sucessivamente. Izuku não conseguiu aguentar mais e as lagrimas começaram a cair sem controle dos seus olhos, ele abaixou a cabeça tentando evitar que Archer o visse nesse estado.
Vendo essa situação, o contra guardião não conseguiu dizer uma única palavra. Por um lado, ele queria confortar o garoto que estava chorando ao seu lado, mas por outro, ele era incapaz de fazer isso por saber qual era razão de Izuku está quebrando mais do que nunca.
Não por perceber que ele não tinha conseguido uma peculiaridade, não pela continuação do bullying que ele sofria a anos, muito menos pela esperança morta de finalmente poder ter amigos reais. Mas sim pelo seu sonho, um sonho o qual Archer podia reconhecer a beleza nele, mas nunca conseguiria aceitá-lo devido a suas próprias experiências de vida.
Apesar disso, ele ergueu a sua mão e a apoiou no ombro de Izuku, esse pequeno ato de conforto era a única ação que ele tinha o direito de fazer. Ele deixaria os principais traumas e problemas de do garoto sentado ao seu lado nas mãos de All might, apesar de ele não saber bem porque, algo o dizia que essa talvez não era a melhor ideia.
E durante quase dez minutos, um garoto de pelo verde e um espírito heroico/contra guardião continuaram sentados no topo daquela colina em completo silêncio. Sendo as únicas testemunhas deste evento as incontáveis espadas cravadas no chão ao seu redor, Archer virou um pouco a cabeça e viu como Izuku começava a recuperar a compostura.
"Sniff... Me desculpa... Sniff... É só que... Sniff... Eu sempre quis ter tanto um poder só meu... E... E descobrir isso agora... É... É frustrante..." Izuku disse com a cabeça ainda abaixada e enquanto esfregava os olhos secando as lagrimas, Archer decidiu que esse já era o momento de soltar o seu ombro e dizer algo.
"Eu posso entender como você se sente, em até certo ponto. É verdade que a capacidade de projetar espadas é minha, ela ainda pode ser sua se quiser." No exato mesmo instante que Archer terminou a sua oração, a cabeça de Izuku girou na sua direção em uma velocidade sobre-humana. Archer viu como os olhos de Izuku estavam completamente vermelhos de tanto chorar, mas seu rosto estava com uma expressão idêntica à quando um certo loiro disse algo muito semelhante a ele a algumas horas.
"Ah... Eh...!? Eu. Mas! Como? O. Você... QUÊÊÊ!?" Izuku exclamou estupefato, não devia ser possível que duas pessoas diferentes o oferecessem os seus poderes para ele em único dia, ou podia?
"Isso estar relacionado com sua situação especial de demi-servo, se você estiver com a mente clara o suficiente agora, eu possa explicar porque e como isso pode acontecer." Archer comentou calmamente, sem se incomodar nem um pouco com essa última exclamação de Izuku.
Ele já sabia como o garoto era e já estava um pouco acostumado com seu jeito de ser, apesar de ter que lidar com ele presencialmente era bem diferente do que simplesmente expor levemente a sua opinião em certos momentos sem se revelar. Então ele provavelmente não chegaria a se irritar com qualquer coisa deste que ele não fosse chamado de Satanás ou qualquer sinônimo relacionado. Izuku respirou fundo mais algumas vezes e depois assentiu com a cabeça, Archer viu essa oportunidade e continuou.
"As pessoas que me ajudaram entraram em contato com Chaldea e formaram um acordo com ela, elas os ajudariam na sua pesquisa de Demi-servo da melhor maneira que eles pudessem e em troca eles deveriam fornecer os recursos e equipamentos para poder invocar o seu próprio espírito heroico, eu no caso." Archer disse enquanto apontava para si mesmo com o polegar.
"Mas eles fizeram certas modificações para fazer uma invocação especial.".
"E-especial?" Izuku fungou o nariz e perguntou.
"Sim, primeiramente eles me invocaram e explicaram como tudo isso funcionária. Como eu expliquei antes, apesar de nossa atual conexão, ela ainda pode ser rompida de algumas maneirasse e se isso acontecer, Alaya poderia facilmente me encontrar. Então eles acharam uma forma teoricamente permanente de me libertar do meu contrato.".
"Primeiro seria necessário me enviar para um lugar aonde Alaya não pudesse me encontrar, uma realidade diferente parecia ser opção com mais garantia de funcionar. Para isso eles tiveram que fazer alguns favores a um certo mago que sabia como utilizar uma magia verdadeira, a qual o dava a habilidade de viajar entre mundos. E as pessoas que ajudaram também disseram que ele os ajudou distraindo Alaya por alguns minutos enquanto eles me invocaram." Archer nunca admitiria isso para ninguém sobre hipótese alguma, mas apesar de Zelretch ter sido uma das suas maiores dores de cabeça quando ele ainda estava vivo. Ele sentia uma pequena, minúscula, quase inexistente, gratidão microscópica ao apóstolo morto, praticamente nula.
Os olhos de Izuku, agora um pouco menos vermelhos, abriram levemente por essa informação, ele não fazia ideia do que poderia ser considerado um mago poderoso de onde Archer vinha, mas para alguém conseguir atrapalhar que uma entidade magica, aparentemente super poderosa, como Alaya, ele deveria ser alguém muito forte, Izuku parou de divagar quando Archer soltou um suspiro levemente cansado.
"Mas não se preocupe, ok? Eles me garantiram que conseguiram o fazer prometer não tentaria te encontrar e fazer de você a sua nova fonte de entretenimento." Archer viu como Izuku ficava confuso com suas palavras e ele o olhou com uma expressão cansada que dizia 'Mais tarde.', Izuku intendeu a mensagem e assentiu com a cabeça.
"Com isso feito e com a ajuda de alguns equipamentos disponibilizados por Chaldea que facilitariam a minha invocação, foram precisas apenas mais algumas alterações. O feitiço me invocaria, mas não criaria um vínculo entre mestre e servo de imediato, um feitiço que permitiria me enviar para outra realidade e por último, um feitiço para encontrar me colocar dentro da pessoa mais "semelhante" a mim que existia naquele momento." Agora um pouco mais calma, Izuku tentou dizer algo para que a conversa não fosse unilateral.
"Por isso... Sniff... Que eles decidiram usar o método de Demi-servo?" Archer olhou para Izuku um pouco surpreso por ele já poder raciocinar o suficiente para poder ligar as coisas e intender aonde ele estava indo. Ele assentiu com a cabeça e continuou.
"Exatamente, mas não unicamente isso." O contra guardião Izuku agora olhava para Archer com curiosidade, seus olhos quase voltando a sua cor natural,
"As pessoas que me ajudaram fizeram a sua própria pesquisa independente, e acharam uma forma que fosse possível que um servo dentro de uma pessoa possa passar todas as suas habilidades como espirito heroico caso ele queira. Mas isso faria com que os seus registros no trono dos heróis fossem perdidos e sua alma seria considerada uma completamente nova. Então quando o seu vínculo com a pessoa que ele foi colocado dentro acabasse, a sua alma iria para a raiz como qualquer outra.".
Archer terminou de falar e Izuku ficou pensativo em silêncio, sua mente trabalhando para chegar ao ponto aonde Archer queria chegar nisso tudo, então, metaforicamente, uma lâmpada se acendeu em cima da sua cabeça.
"Isso quer dizer que você estaria livre do seu contrato!" Ele supôs enquanto seus olhos abriam em compreensão.
"Sim, teoricamente na verdade, nós somos o primeiro e provavelmente único caso de um Demi-servo desse tipo até aonde eu sei, então ainda existe a possibilidade que nada disso faça diferença no final para mim." Archer parou por um momento e olhou para o céu nublado desse mundo, as engrenagens continuavam flutuando entre as nuvens.
Ele já havia perdido a esperança em conseguir se livrar de Alaya e do seu trabalho como contra guardião. E ele havia finalmente aprendido a lidar um pouco melhor com isso graças uma invocação anterior. Por isso ele conseguiria voltar ao seu trabalho por mais que o odiasse com todo o seu ser, então mesmo que isso não mudasse nada no fim, ele pelo menos queria poder garantir que o garoto de pelo verde sentado ao seu lado não cometesse o mesmo erro que ele.
"Mas deixando isso de lado por agora." Archer comentou repentinamente enquanto se virava para Izuku e o encarou com a expressão mais seria que ele poderia fazer.
"Tudo isso até agora foi apenas para chagamos nesse ponto." Archer comentou seriamente enquanto encarava a Izuku, o qual ficou um pouco estranhado pela mudança repentina da postura do arqueiro de vermelho. Chegando até a sentir um pequeno frio na espinha devido à tensão, mas ele conseguiu assentir com a cabeça demonstrando que ele compreendia a seriedade do momento.
"Você está de acordo com tudo isso?" Ele perguntou com uma voz completamente isenta de emoções enquanto seus olhos cinza perdiam o pequeno e quase inexistente brilho de vida que neles.
"O que...!? MAS É CLARO QUE EU...!".
"Pense bem nas suas próximas palavras, Izuku Midoriya." Archer interrompeu Izuku antes mesmo que ele pudesse completar a sua frase. Agora a sua voz estava com um pequeno, porem presente, sentimento de raiva, suas palavras pareciam soar como se estivessem embainhadas em veneno.
"Eu não pude deixar clara a minha opinião antes quando o idiota loiro fez aquela proposta, mas quero que você pense bem em todos os detalhes, assim como você sempre faz. Reflita sobre todos os pros e contras, não só sobre a minha proposta, mas também a que All might fez para você. Tome o tempo que precisar, eu vou esperar." Ao terminar, o contra guardião voltou o seu olhar novamente para o horizonte, indisposto a dizer mais nada até que Izuku desse uma resposta.
Izuku ficou perplexo por alguns segundos pela repentina mudança de ação de Archer, ele pensou em dizer algo, perguntar algo, mas ele não pode, o arqueiro de vermelho havia conseguido deixá-lo sem palavras. Tudo que Izuku fez em resposta foi se manter sentado incomodamente na sua própria rocha e olhar para o horizonte.
'O que foi isso?' O jovem de pelo verde não intendia porque Archer passou da sua postura estranhamente calma para uma irritada.
'Tem algo errado em querer aceitar a proposta? Mas isso não é o que ele quer?' Ele se sentia sinceramente confuso, ainda mais do que antes. Archer queria se livrar do seu contrato, mas não queria que ele aceitasse a sua proposta de imediato.
'Isso é contraditório! Por quê?' Mas ele sentia que tinha algo há mais por trás disso, algo que o espirito heroico estava ocultando de proposito. Os olhos de Izuku tomaram um olhar mais pensativo enquanto, ao mesmo tempo, o seu rosto se franzia pensativo.
'Ele também comentou sobre a proposta do All might, o que isso significa? Por que eu deveria pensar sobre isso? O herói número do mundo um está oferecendo a minha provável única oportunidade de poder se tornar um herói tão grande quanto ele. Eu poderia ajudar tantas pessoas! Então. o que tem para eu pensar?' Izuku refletiu por mais alguns segundos, primeiro pensando sobre o All might, o que ele poderia ter haver com a sua resposta. Então ele se lembrou de um pequenino detalhe que ele mesmo estava se obrigando a não recordar, a razão de All might está procurando um sucessor tão obstinadamente em primeiro lugar.
'Essa é uma ferida causada por um vilão há cinco anos. Metade do meu sistema respiratório foi destruído e meu estomago foi arrancado por completo. Me desgastei muito após inúmeras cirurgias e suas sequelas. Como resultado, fui limitado a passar, no máximo, três horas de cada dia como herói.' O rosto de Izuku tomou uma expressão de horror ao se lembrar.
All might queria tanto um sucessor porque ele mesmo não conseguia mais ser um herói por muito tempo. Porque um vilão conseguiu deixá-lo em um estado tão delicado. O mesmo herói que poderia carregar um arranha-céu nas costas como se fosse nada também poderia morrer. E se até próprio All might poderia se ferir de tau maneira, então...
'E... E eu!?' Mesmo se ele pudesse ter a forçar do All might com a sua peculiaridade, ele não era corajoso como todos os outros, ele não tinha nenhum talento, ele não tinha nada de especial.
'Eu só vou conseguir congelar de medo na primeira oportunidade!' Era Bakugou tinha dito, ter um poder não faria diferença para alguém como ele, nada faria.
Mas foi então que uma luz surgiu em meio todo essa escuridão de dúvidas e incertezas que nublavam a sua mente. Ele se lembrou das palavras do próprio All might quando foi salvo pela segunda vez no mesmo dia.
'UM HERÓI SEMPRE PÕE A VIDA EM JOGO PELOS DEMAIS!'
Era isso. Era isso o que ele queria ser.
Um herói. Um herói que ajudava as pessoas, que ia até quando elas estavam em perigo. Mas não somente isso, ele queria ser aquele que estivesse lá para ajudar até aqueles que não estivessem em perigo. Ele queria ser aquele que ajudaria aquela criança chorando em meio a um parque após ter sido espancada por ser diferente dos demais. Então não havia mais dúvidas, tudo o que ele tinha era uma resposta.
Archer estava tão irritado nesse instante que se ele encontrasse consigo mesmo aqui e agora, ele faria chover uma tempestade de espadas em si mesmo sem pensar duas vezes.
'Um trabalho. Eu só tinha um maldito trabalho. E EU FALHEI MISERAVELMENTE!' Ele só precisava ter uma simples e calma conversa com Izuku sem deixar os seus sentimentos em relação a todo o restante atrapalhassem, e o que acontece?
'CONSIGO FAZER O COMPLETO OPOSTO!' O arqueiro de vermelho, por fora, estava tão estoico como sempre, mas por dentro, ele estava quase explodindo de raiva por cometer um erro tão estupido.
'Eu sei que o processo de sincronia e possessão iriam me colocar junto a alguém semelhante a mim mesmo em essência, mas... PORQUE TÍNHAMOS QUE PRATICAMENTE SER IDÊNTICOS?!" Ele já tinha o pressentimento que as coisas não acabariam bem deste o momento que descobriu que a realidade que ele tinha parado, ser um super-herói era uma profissão comum.
Mas não apenas isso, como também a pessoa que o seu núcleo espiritual acabou parando era um maldito fanboy de heróis e que queria ser um como se a sua vida dependesse disso. Archer sabia que sua sorte era péssima, mas quais eram as chances de algo assim acontecer?
'Bem... Eu ferrei com tudo! Quatorze anos de trabalho duro criando circuitos mágicos lentamente dentro de um corpo humano jogados no lixo! MARAVILHA!' Ele conhecia Izuku tão bem quanto ele conhecia a si próprio. Então Archer sabia que a sua estupidez de antes faria ele se fechar de medo por sentir tanta pressão.
'Ele é só um garoto, ele não sou eu, mas mesmo assim eu tratei como se fosse. Ele não me conhece, então não há nenhuma razão para ele acreditar em mim, eu deveria saber que seria assim, não há motivos para confiar em mim, o mais sensato agora seria recursa a oferta, exigir para sair daqui, acordar na sua cama e seguir em frente como se nada tivesse acontecido.' Ele pensou enquanto os seus olhos se escureciam mais ainda.
'Sim, seria melhor deixar tudo isso de lado, terminar de transferir as minhas habilidades e selá-las para que ele nunca pudesse as usar. Seria melhor assim, sumir da sua vida e deixá-lo em paz. Eu sempre fui assim de qualquer maneira, um hipócrita que apenas serve para trazer o pior para aqueles que me rodeiam. É melhor assim, antes que eu piore as coisas...'.
"Eu aceito.".
A mente de Archer demorou menos de um milionésimo de segundo para processar as palavras de Izuku. E no mesmo momento em que isso aconteceu ele sentiu como uma pequena raiva surgia dentro de si.
'Mas é claro.' Ele pensou irritado para si mesmo. O contra guardião havia esquecido que eles também eram iguais em tomar decisões precipitadas sem pensar direito nas consequências.
Ele se virou pronto para dar a Izuku a sua mirada mais intimidante possível, ele já tinha feito toda a situação ir para o inferno de qualquer maneira, então não fazia mais diferença. Mas quando seus olhos viram o rosto de Izuku, Archer descartou a sua última ideia de imediato. Em vez de rosto composto por uma mistura de nervosismo, medo e súplica para que ele pudesse ter mais chances de se tornar um herói, todo que ele viu nesse momento foi apenas um rosto serio que exalava pura determinação. Apensar das suas mãos e queixo tremendo levemente, Archer podia facilmente perceber que Izuku estava falando absolutamente em sério.
"Ha! De onde foi você tirou toda essa coragem?" Apesar do comentário provocativo, não tinha nenhuma diversão nas suas palavras.
"Mas eu não deveria estar surpreso, afinal, se for pelo seu sonho tão incrível, é claro que você vai aceitar a ajuda de qualquer um." Archer comentou ironicamente enquanto cruzava os braços sobre o seu peito e dava o seu melhor esforço para simular um sorriso debochado. Se Izuku queria expor a sua opinião sobre algo, então ele deveria aprender a fazer isso mesmo sobre a pressão de outra pessoa que não levava o que ele dizia a sério.
"NÃO É ISSO!" Izuku exclamou levemente irritado sem querem, o que lhe rendeu um pequeno olhar severo de Archer, que conseguia ser intimidante mesmo sem ter nenhum sinal aparente de raiva nele. De alguma maneira Izuku conseguiu evitar abaixar a cabeça e se desculpar por reflexo, em vez disso ele apenas engoliu em seco e continuou mais calmo dessa vez.
"Não é apenas isso. Eu estaria mentindo se eu dissesse que eu não quero me aproveitar disso para poder me tornar um herói, mas eu também quero te ajudar!" Izuku disse enquanto encarava o rosto de Archer por alguns segundos, o qual não expressou a mais mínima reação, seu olhar severo permaneceu igual a antes, mas Izuku quis elaborar mais a sua resposta.
"Tudo isso que você me contou sobre você, Alaya, contra guardiões, simplesmente... Não parece justo! Ela foi até você porque ela sabia que podia se aproveitar da situação, você não queria morrer e ela te deu a oportunidade de continuar vivo. E ela se aproveitou disso para te forçar a aceitar o contrato." O seu olhar abaixou um pouco e suas mãos se fecharam em punhos apoiados sobre os seus joelhos enquanto ele seguia falando.
"Eu não intendo bem sobre tudo isso, mas imagino que ela não tenha feito isso apenas com você, eu acredito que ela já abusou da situação frágil de muitas pessoas para as transformar em seus "fieis" soldados que lutam por toda a eternidade. E mesmo que seja pelo bem da humanidade, fazer isso dessa maneira é simplesmente errado! Ninguém deveria ser forçado a lutar por algo que não quer ou acredita." Então os olhos de Izuku tomarão uma mirada muita mais determinada do que antes, ele ergueu a cabeça e encarou com extrema intensidade a Archer. O qual não havia mexido um único músculo ou mudado a expressão severa no seu rosto.
"Por isso que eu aceito, mesmo que não possa usar as suas habilidades, isso não importa! Eu não quero te ajudar devido ao meu sonho, eu quero ajudar você porque isso é o que eu quero fazer, ARCHER-SAN!" Izuku gritou enquanto reunia toda a coragem de uma vida para não se transformar em uma pilha de nervos nesse instante.
Archer apenas continuou o encarando por um minuto inteiro, o que para Izuku pareceu ter sido uma eternidade se manter firme e não ceder ao nervosismo. Então, após esse minuto infernal para Izuku, o rosto de Archer se suavizou, ele descruzou os braços enquanto uma mão ia até a ponta do seu nariz e a outra se apoiava sobre uma das suas pernas. Ele fechou os olhos e soltou um suspiro que parecia liberar uma abundância de estresse.
"Vou te falar uma coisa, garoto, você realmente é uma verdadeira dor de cabeça as vezes, sabia disso?" Archer perguntou em um tom mais calmo e a postura determinada de Izuku se desfez por completo pela resposta. Nesse momento ele se sentiu decepcionado e ofendido simultaneamente, mas antes dar qualquer resposta, Archer tirou a sua mão do nariz e suspirou mais uma vez.
"Tudo bem, acho que vamos continuar com isso então." Archer disse com um tom de voz derrotado aceitando a sua situação, então o rosto de Izuku passou para espanto, logo em seguida incredulidade e por fim alegria.
"SÉRIO MESMO?!" Ele exclamou em pura animação pela ideia de poder fazer com que Archer não tivesse mais que ser um contra guardião.
"Quando você coloca uma ideia na sua cabeça nada vai te fazer mudar de ideia, não importa o que. Então o que adianta eu tentar te impedir?" O arqueiro de vermelho disse enquanto abria apenas um olho para olhar para Izuku, o qual corou um pouco de vergonha e começou a coçar a parte de trás da cabeça nervosamente enquanto desviava o olhar para outro lado.
Vendo essa reação, Archer apenas pode negar com a cabeça em reprovação pela atitude do garoto que ele acabou tendo que ter o seu núcleo espiritual sincronizado. Mas sem nem mesmo ele perceber, um pequeno, mas genuíno sorriso de alegria teve lugar no seu rosto por alguns instantes.
Izuku saiu da sua vergonha quando ele viu Archer apoiou as mãos nos seus joelhos e se levantou do seu lugar sentado, inconscientemente Izuku também levantou do seu lugar, estando um pouco confundido pela repentina ação.
"Bem, com isso resolvido, acho que podemos encerrar nossa conversa por hoje." Archer disse tranquilamente enquanto apoiava as mãos na sua cintura e suspirava novamente, parecendo consideravelmente menos sério do que antes e até mesmo aliviado.
"ESPERA! O QUÊ!? MAS JÁ!?" Izuku exclamou exaltado com a resposta de Archer, o qual apenas se virou e o olhou com um olhar pensativo.
"Bem, sim. Hoje foi um dia bem estressante para você em vários aspectos e acredito que amanhã a sua agenda vai estar consideravelmente cheia. Então acho que por hoje foi o bastante." O arqueiro de vermelho disse casualmente enquanto colocava uma mão no queixo e dava os ombros.
"MAS EU TENHO TANTAS PERGUNTAS AINDA! COMO FUNCIONA ESSA SUA MAGIA!? COMO ELA TEM ALGO HAVER COM AQUELAS ESPADAS DE ANTES E COM ESSE LUGAR!?" Izuku perguntou enquanto balançava os braços para todas as direções, sinalando ao deserto de espadas em que eles se encontravam.
"E O QUE FOI AQUILO SOBRE A LUA!?" O jovem de pelo verde exclamou a sua dúvida indignado por Archer simplesmente querer acabar com isso dessa maneira tão abrupta e com tantas coisas a serem explicar.
"Essa são perguntas que vão precisar de longas respostas que podem ser dadas outro momento. Agora você deveria descansar." Archer podia entender um pouco a comoção de Izuku por querer saber de mais do que raios estava passando com a sua vida.
Afinal, não era qualquer um e nem em qualquer dia que alguém descobria que possuía um espírito heroico dentro do seu corpo. Mas ele iria precisar de mais tempo para pelo menos processar o básico do que ele havia o contado, e ao seu ver, Izuku realmente tinha algumas coisas mais urgentes para lidar amanhã.
"MAS..." Ele tentou argumentar mais uma vez apenas para ser interrompido por Archer.
"Não. Sem mas. Agora vai dormir." Archer falou rapidamente e, sem que Izuku pudesse reagir a tempo, ele deu um leve tapinha no seu ombro, praticamente não houve nenhuma força no seu movimento contra ele, mas por alguma razão Izuku sentiu que o seu corpo perdia toda a força quando Archer o encostou e ele começou a cair de costas contra o chão, mas ao em vez de sentir como ele chocava contra o solo, ele continuou caindo e caindo sem para, como se ele tivesse sido jogado dentro de um poço, com a silhueta de Archer diminuído e desaparecendo da sua vista cada vez mais enquanto a escuridão tomava conta da sua visão, então, tudo ficou escuro.
Quando Izuku começou a recobrar a consciência, a primeira sensação que o seu corpo sentiu foi uma familiar macieis contra as suas costas. Ao abrir os olhos, a primeira coisa que ele viu foi um dos seus postes de All might pendurado no teto com da frase 'COMECE A SUA MANHÃ COM UM GRANDE PLUS ULTRA' escrito nele.
A mente do jovem garoto de pelo verde foi aos poucos saindo do seu estado de sono conforme os segundos passavam. Ele se ergueu um pouco na sua cama para ficar em uma posição sentado. Olhando ao redor e a si mesmo, Izuku pode ver que ele realmente estava no seu quarto, vestindo as mesmas roupas que ele colocou para dormir no dia anterior. Não havia um deserto de espadas com engrenagens flutuando no céu, nem um homem vestido de vermelho que dizia ser um fantasma dentro da sua cabeça pedindo por sua ajuda, era apenas ele em seu quarto de fanboy de heróis.
Izuku cruzou as pernas, estendeu as mãos e as encarou por alguns segundos, então as deixo cair e olhou ao seu redor mais uma vez, esperando que algo acontecesse para mostrar que ele simplesmente não tinha tido o sonho mais louco e complexo da sua vida. Mas após esperar por quase cinco minutos e nada acontecer, ele suspirou enquanto deixava o seu corpo cair novamente na sua confortável cama.
"Então... Foi realmente tudo só um sonho...?" Izuku disse a ninguém em particular, apenas permitindo os seus pensamentos saíssem em voz alta como ele sempre fazia sem se dar conta.
'Por mais que eu quisesse, infelizmente a vida tende a não atender as nossas expectativas, garoto.' Mas para a sua surpresa realmente houve uma resposta.
Izuku se sobressaltou em sua cama, voltando a sua posição sentada ao ouvir uma voz que não era a dele ecoar dentro da sua cabeça, uma voz que ele tinha recentemente conhecido. Antes que ele pudesse entrar em pânico é perguntar quem estava falando, apesar de ele já ter uma ideai, uma luz azulada apareceu no canto direito da sua visão.
O que o fez virar a cabeça para o lado imediatamente, e ele viu como pequenas esferas de luz azul começavam a surgir bem encima na sua cadeira da sua escrivaninha, elas se moveram e uniram de maneira que pareciam formar a silhueta de uma pessoa.
"Bom dia, bela adormecida, já estava começando a pensar que eu tinha te colocado em um coma induzido sem querer." Voz falou novamente, agora parecendo vir da direção em que ele olhava em vez da sua cabeça.
Quando a luz terminou de se moldar, ela se apagou para revelar a figura de Archer, o qual o olhava sentado na sua cadeira, com uma perna apoiada sobre a outra, os braços cruzados e com um sorriso divertido no rosto. Ninguém fora ele mesmo tinha ideia do tamanho da sua felicidade por finalmente poder a voltar a fazer os seus comentários sarcásticos.
Tendo recebido a resposta da pergunta que Izuku tinha feito inconscientemente, só havia uma única atitude possível para ele tomar nesse instante.
"AAAH...! AI!" gritar de susto ao ponto de perder o equilíbrio e cair da sua cama.
O jovem de pelo verde passou a mão pelo seu tórax tentando aliviar a dor das suas costelas, mas ele imediatamente ignorou a dor e se levantou rapidamente quando ele lembrou do porquê de ele haver caído em primeiro lugar. Ele voltou o seu olhar para a sua escrivaninha e se surpreendeu ao ver como Archer ainda estava sentado lá, na mesma posição de antes, mas agora com olhar estranhado no rosto.
"Sinceramente, me surpreende mais o fato de eu não ter pensado que isso poderia acontecer do que isso ter realmente acontecido em primeiro lugar." O arqueiro de vermelho comentou e Izuku continuou de pé congelado aonde estava com a boca aberta por alguns segundos pelo que seus olhos e ouvidos estavam o mostrando. Quando ele estava preste a murmurar uma sequência de palavras incompreensíveis, a porta do seu quarto foi repentinamente aberta a todo força.
"IZUKU, ESTAR TUDO BEM!? EU OUVI UM GRITO E FIQUEI PREOCUPADA!" Inko gritou assustada apôs entrar no quarto de Izuku, seu cabelo verde desarrumado e o seu roupão rosa eram indícios que ela havia levantado às pressas.
"Ah... Ah... Ah..." Izuku tentou falar alguma, mas falhando no processo enquanto o seu olhar desesperado alternava entre sua mãe e o homem alto de vermelho no seu quarto.
Seu pavor aumentou ainda mais quando a sua mãe se virou e olhou para diretamente para onde Archer estava, o qual só devolveu o olhar despreocupadamente, mas para sua confusão, Inko simplesmente voltar a olhar para ele com uma expressão levemente preocupada.
"Bebê, o que foi que aconteceu? Você se sente bem?" Ela disse gentilmente enquanto andava na sua direção e colocava a sua mão sobre a cabeça de Izuku.
O garoto de olhos esmeraldas encarou a sua mãe sem saber o que dizer, ele o olhou para Archer com olhos arregalados pedindo por algum conselho e o arqueiro de vermelho simplesmente deu os ombros em resposta. Izuku voltou o olhar para a sua mãe e respondeu a primeira coisa que eu a mente.
"Eu... Tive câimbra no pé... Tropecei... E cai?" Ele respondeu incerto enquanto Inko ainda o olhava preocupada.
"Tem certeza que foi só isso? Sua peculiaridade não se ativou por acidente e você se assustou?" Ela perguntou enquanto acariciava a cabeça de Izuku e em resposta ele simplesmente negou com a cabeça, o que necessariamente não era uma mentira. Inko encarou o seu filho por mais alguns segundos, ainda não totalmente convencida com sua resposta, então ela tirou a sua mão da sua cabeça e suspirou.
"Tudo bem, mas qualquer coisa você pode falar comigo, ok?" Inko disse enquanto o seu olhar de preocupação aumentava.
Izuku abaixou a vista se sentindo culpado por esconder o que realmente estava acontecendo da sua mãe, mas antes de dizer qualquer coisa ele precisava ter certeza que tudo isso era real e não apenas fruto da sua imaginação. Ele levantou a cabeça, olhou para a sua mãe e sorriu.
"Eu sei mamãe, prometo ir falar com a senhora caso algo aconteça." Ao dizer isso, Izuku puxou a sua mãe para um abraço, o que ele fez ficar muito vermelho quando ele percebeu que Archer ainda estava os assistindo, o mesmo percebeu isso e desviou o olhar tentando dar mais privacidade para os dois.
Quando ambos os Midoriya se separam, sua mãe parecia muito mais calma agora, ela olhou para o relógio com temática All might preso na parede. Ele também se virou e viu que já havia passado muito da hora que ele deveria ter acordado para escola, antes que ele pudesse entrar em pânico a sua mãe levantou a sua mão para tranquilizá-lo.
"Não se preocupe bebê, eu já liguei para sua escola ontem dizendo que você não iria hoje porque vamos ao hospital para vemos sobre a sua peculiaridade." A repentina tenção que ele sentia nas suas costas desapareceu tão rápido quanto surgiu, Izuku se apoiou nos seus próprios joelhos e suspirou de alívio.
"Graças a Deus, obrigado mãe." Izuku respondeu apôs ter quase tido uma parada cardíaca, Inko riu e assentiu com a cabeça em resposta. Ela arrumou o seu roupão meio desajeitado e andou em direção a porta, com sua mão na maçaneta ela se lembrou de comentar uma última coisa.
"Ah! E não se preocupe, ok? Eu marquei a sua consulta para depois do almoço." Desajeitadamente, Izuku assentiu com a cabeça e ergueu uma mão com o polegar levantado. Sua mãe riu pela sua resposta e saiu do seu quarto enquanto fechava a porta.
Izuku permaneceu em pé no meio do seu quarto escuro enquanto ouvia os passos da sua mãe diminuírem aos poucos, quando ele finalmente ouviu o som da porta do seu quarto fechando, ele correu em direção ao interrompido de luz. Acendendo as luzes do seu quarto, Izuku viu que Archer ainda estava sentado na sua cadeira, não apenas isso. Como ele também parecia desconfortável enquanto encarava todos os seus itens colecionáveis de heróis, sendo grande parte deles com o mesmo esquema de cores do atual traje de herói do All might.
"O que tá acontecendo!? Como ela não te viu!?" Apesar de sua expressão e postura, Izuku conseguiu proferir as suas palavras em um cochichando extremamente baixo. Isso fez Archer sair do seu transe aterrorizado o voltar a prestar atenção nele.
"Ah, sim, sinto muito. É que esse lugar nunca me dar calafrios." O contra guardião comentou enquanto fingia ter um arrepio para logo em seguida passar para uma postura mais séria.
"Bem, primeiramente, eu acredito que você se lembra do que conversamos dentro da sua mente." Archer perguntou enquanto erguia uma mão, dando a oportunidade de Izuku responder. Mas ele apenas assentiu em resposta, algumas memórias não estavam completamente claras, mas ele conseguia se lembrar da essência do que eles haviam discutido.
"Bom, já sua outra pergunta..." O arqueiro de vermelho comentou e Izuku viu como ele desaparecia e reaparecia agora apoiado contra a porta do seu quarto perto dele.
"Como eu disse antes, não possuo um corpo feito de mana para me manifestar fisicamente, então o máximo que consigo é alterar levemente os seus sentidos para parecer que eu estou aqui falando com você, mas na verdade, eu continuo aí dentro." Archer disse enquanto apontava para a cabeça de Izuku.
"Então sou invisível e inaudível para todos, exceto para você, é claro." O contra guardião explicou e Izuku assentiu com a cabeça em sinal de compreensão.
"En-então... E agora?" Izuku perguntou enquanto coçava o queixo, estando um pouco confuso, ele havia concordado em absorver os poderes de Archer para libertá-lo do seu contrato com Alaya, mas ele não tinha a menor ideia de como fazer isso.
"E agora?" Archer disse enquanto o encarava com um olhar inquisitivo. E por um instante Izuku se assustou e engoliu em seco pensado haver dito algo ruim de alguma maneira.
"Você vai trocar de roupas, escovar os dentes e tomar café da manhã, obviamente." Archer disse enquanto parava de se apoiar na parede, apoiava uma mão no seu quadril e encarava a Izuku comum olhar confundido.
"...Quê!?" Izuku exclamou quase voltando a gritar, e ao se dar conta disso, ambos pararam por segundo e olharam para a porta, esperando para ver se Inko voltaria. Quando eles não escutaram o som de uma porta se abrindo, Izuku continuou.
"Quero dizer, sim, é claro, mas... Por que você apareceu aqui?" O jovem de pelo verde perguntou confundido e arqueiro de vermelho suspirou enquanto cruzava os braços.
"Só queria ter certeza que você não pensaria que tudo que conversamos não passou de um sonho. E com isso feito, me retiro." Ao dizer isso, Archer desapareceu em partículas de luz, deixando um Izuku bastante confuso sozinho no seu.
"E-espera! Eu ainda tenho muitas coisas para perguntar." Izuku disse ao vento querendo e Archer retornasse, mas para sua surpreso ele não precisou fazer isso para respondê-lo.
'Essas perguntas podem ser deixadas para outra hora. Por agora, eu recomendo que você ir fazer o que eu disse. E me baseando no que a sua mãe falou antes, você provavelmente vai ter o longo dia pela frente.' Izuku escutou enquanto a voz de Archer ecoava novamente dentro da sua cabeça novamente.
"Ma-mas...!" Izuku tentou insistir, mas quando ele não recebeu nenhum comentário em resposta, ele suspirou derrotado aceitando a sua atual situação e foi em direção da porta do seu quarto. Antes da sua mão encostar maçaneta, ele pode ouvir Archer falar mais uma vez.
'E já sabendo como você é, melhor ir pensando como você explicar sobre isso tudo pro All might. Boa sorte.' Archer disse de maneira neutra, mas Izuku podia jurar que suas palavras soavam com uma pequena quantidade de alegria apenas contida nelas.
Agora com isso em sua mente, o desespero antecipado havia chagado com tudo, Izuku tinha que concordar que ele com certeza iria praticamente explodir em um mar de palavras tentado explicar para All might sobre a origem da sua suposta peculiaridade e ele não fazia ideia de como explicar isso sem parecer que ele tinha enlouquecido por completo. Izuku levou as mãos até o seu rosto e suspirou com toda a sua força.
'O que faço agora?' Ele perguntou para si mesmo.
'Limpeza dental diária?' Archer perguntou ironicamente.
E apesar da sua resposta, Izuku sentia que o contra guardião estava verdadeiramente se divertindo com seu estado atual. Izuku apenas assentiu com a cabeça e abriu a porta do seu quarto para fazer o que o espirito heroico dentro da sua cabeça tinha dito, o dia mal havia começado e ele já sentia mais exausto do que nunca.
'Bom, pelo menos as coisas provavelmente vão ir se acalmando com o tempo, certo?' O jovem de pelo verde perguntou, mas recebeu um silêncio incomodo em resposta.
"Certo?" Ele perguntou novamente, só que dessa vez em voz alta, esperando que isso fizesse a sua pergunta fosse respondida dessa vez, porem só ouve mais silencio. Izuku abaixou a cabeça e suspirou.
"É claro que não." Ele comentou derrota enquanto respirava fundo e decidiu que ficar em pé em frente à sua porta aberta tentado falar com um fantasma dentro da sua cabeça não resolveria nada. Então seria melhor ele começar o seu dia.
Mas por alguma razão, Izuku sentia que ele não teria mais um dia calmo na sua vida por um longo tempo.
Nome: Izuku Midoriya
"Peculiaridade": Demi-servo especial (Futuras atualizações previstas)
Capacidades: Permite ao usuário herdar aos poucos as habilidades do espirito heroico especifico dentro do seu corpo e usa-las como se fossem originalmente suas. Porém o espirito heroico colocado irá perder os seus registros no trono dos heróis e uma vez que o processo de transferência ocorra por completo, a ligação entre servo e Demi-servo será cortada e sua alma voltar é para a Akasha/raiz como qualquer outra.
Ok, agora eu acho que finalmente terminei de reescrever o capítulo que precisava ser reescrito. Eu já li o próximo depois desse e ele é aceitável.
Então sim, vou parar de ficar enrolando de ir escrever o novo capítulo de uma vez.
Mas só queria dizer isso mesmo, abrigado a todos que leram até aqui, compartilhem e comentem o que vocês acharam do capítulo, e até logo.
:)
