Olho Azul 20 Anos Apresenta:
Cada Vez que nos Encontramos,
Cada Vez que nos Separamos
Capítulo 10
Eles estavam perto demais. Em meio ao enjoo que Mamoru começava a sentir passado já tanto tempo desde o último copo de álcool, sua consciência gritava que estavam além do mínimo de distância que pessoas deveriam manter. Usagi apenas se aproximara inocente para gritar seu nome bem alto. Bem, isso não era tão inocente assim, mas também estava longe demais de ter a intenção que ele mesmo possuía naquele momento, ao vê-la tão próxima que poderia dizer o nome de seu perfume se o conhecesse.
O próximo pensamento, excetuando-se o de se arrepender por estar tão bêbado, era o de que estava intensamente atraído por aquela menina. E de que nada que fizesse naquela noite, muito menos naquele estado, poderia virar o jogo a seu favor. Ainda assim, queria se aproximar mais, sentir melhor seu cheiro, não o do perfume, mas o cheiro de sua pele.
Seria um belo prêmio após os dias que andara tendo na empresa. Todos foram tão ruins que começava a não se importar mais se devia permanecer em Tóquio, qualquer vaga para qualquer outro lugar começava a lhe parecer um sonho. Era sobre isso que queria ter conversado com Motoki, se não seria melhor se contentar com algo fora da capital. Não ganharia nenhum aumento de salário, atolaria sua carreira indo para qualquer filial agora que não era mais o novato, mas poderia ter uma vida tranquila, seguir o rumo que sua família já devia esperar que seguisse.
Após aquelas ideias sobre seu futuro, Usagi estava bem à sua frente. Precisava tocá-la, certificar-se de que não seria uma ilusão, enquanto a verdadeira Usagi já voltara à cozinha após a peça pregada. Estendeu sua mão, segurou seu rosto tão pequeno. Tão macio... e real. Aquilo era real? Queria mais. Queria puxá-la para o sofá, trazê-la para si e abraçá-la, beijá-la, dizer como precisava dela ao menos naquela noite.
Como que em resposta aos pensamentos, Usagi fechou seus olhos, apoiando a cabeça em sua mão. Lembrou-se da sensação de mais cedo de haver voltado no tempo e concluiu que não queria mais voltar, afinal, a Usagi de anos antes já o havia rejeitado com todas as palavras e ainda deixado claro o quanto o execrava. Porém esta, por alguma razão fantástica se encontrava ali, como que oferecendo a boca para um beijo. Um beijo que Mamoru não conseguiria mais evitar dar. Estendeu a outra mão para enlaçar-lhe a cintura e puxá-la ao mesmo tempo em que lhe dava impulso para se aproximar da jovem. Apenas mais um pouco e...
Um celular começou a tocar, a cada momento mais alto. Alguma dessas músicas da moda. Definitivamente, não era o seu. Até Mamoru podia concluir quem estaria ligando naquela hora, mas Usagi não se moveu, a não ser por abrir seus olhos e fitá-lo. Ela queria que lhe dissesse o que fazer? Ou queria que ignorassem os toques? Para qualquer das opções, Mamoru estava de mãos atadas. Ou preferia não fazer nada. Forçar uma garota a ignorar seu namorado para uma aventura daquelas não era de seu feitio. Fosse qualquer outra, Mamoru sequer aprovaria uma atitude assim. Mas, acima de tudo, ele tinha medo de acabar repelindo o prêmio que quase lhe caíra no colo momentos antes e que, agora, parecia haver resolvido receber a chamada.
Usagi tinha recuperado seu celular e assentia para quem estivesse do outro lado. Para ele, certamente.
— Desculpa, eu já estou saindo daqui, sim. Chego em... — Ela não olhava relógio algum, como soava estar fazendo. Mas, notando-se observada, deu-lhe as costas e caminhou para trás do balcão. — Eu chego logo, pode deixar. — Uma pausa. Ela assentia de novo, mas não se virava. — Sim, eu também. — Teria dito que também o amava? Que também queria vê-lo? Ou que também queria dar um tempo? — Tá, até mais! — Obviamente, não era a última opção. Fechando o celular, ela o pôs na bolsa em cima do balcão e voltou-se para a panela no fogo, mexendo o conteúdo.
Usagi suspirou, mal conseguindo acreditar no que havia acontecido naquela sala. Mamoru estava mesmo bêbado a ponto de dar em cima dela? Ou ele apenas precisava de consolo? As duas ideias soavam-lhe péssimas como motivo para o que poderia ter se sucedido; ainda assim, ela ressentia um pouco a chamada de Seiya e o fato de Mamoru não haver tomado qualquer iniciativa, se realmente queria algo. Deixou que a culpa ficasse toda sobre ela.
Em que estava pensando? Numa semana, perdia a virgindade com um, na outra, antes mesmo de completar uma inteira, traía o namorado numa noite que não significaria nada além de arrependimento para o outro? Mamoru não a queira realmente, nem ninguém. Não parecia ser esse tipo de homem. Apenas estava em um dia péssimo, embriagado e ainda não adaptado de volta à cidade. Kyuushu tinha um ritmo diferente de Kanto, era o que todos diziam. Até o clima era diferente. A paisagem também. Voltar pro meio do concreto devia ser a maior causa daquela depressão. E sexo não iria amenizá-la, né? Bem, não quando não fora mesmo uma escolha consciente. Por mais que Mamoru parecesse disposto se ela fizesse alguma força, de que valeria?
Levou a mão à bochecha, devia estar muito vermelha naquele momento, pois se sentia febril. Ao mesmo tempo, não entendia como dormir com Mamoru poderia lhe passar pela cabeça quando tê-lo feito com Seiya era o que lhe causava aquele distanciamento do namorado. Estava sendo contraditória?
Estalou a língua, mandando se esquecer de tudo. Foi exatamente por ouvir Minako lhe dizer "por que não" que agora seu namoro estava uma bagunça e, provavelmente, seus sentimentos também. E não era naquele apartamento que ela resolveria sua vida amorosa. Não era nem como se Mamoru realmente a quisesse. Bem, ele claramente a desejava naquele momento, mas não o faria se estivesse cem por cento sóbrio. Muito menos ela.
Pôs a sopa no prato e a levou em uma bandeja até o homem ainda no sofá, que a vinha observando sem disfarçar. Talvez de propósito, seus dedos se tocaram e apenas com isso, sentiu o corpo arrepiar-se.
Ótimo. Realmente estava mais a fim desse homem convencido e impossível em vez de ir a um encontro com seu namorado? Aquele por quem tanto sofrera por mais de dois meses? Aquele a quem se entregara, se exibira em sua forma mais frágil na semana anterior, naquele quarto estranho? Precisava pôr a mente em ordem. De fato, Mamoru era um homem atraente. E diferente de Seiya, com certeza. Ademais, ele se encontrava em momento complicado que o deixava no mínimo fofo. Mas Mamoru não era futuro algum. De onde tirara isso tudo após um leve contato? Houvera também a hora em que saíram do bar e talvez houvessem ficado na iminência de um beijo... Mas só isso. Antes, apenas brigavam. Mesmo após anos sem se encontrarem, eles continuaram provocando um ao outro.
Agora com seu pensamento em ordem e Mamoru tomando a sopa, era hora de voltar para o mundo real e ir encontrar o homem que a amava e que a esperava na estação próxima. Dava até para ir andando lá!
Despediu-se, recusando dinheiro para o táxi. Mamoru pareceu pronto a acompanhá-la, mas devia ter notado como a oferta seria ridícula, dada a situação dos dois. Podiam fingir que não tinha acontecido, ele podia até esquecer que aconteceu no dia seguinte, mas os dois tinham consciência naquele momento que havia acontecido alguma coisa. Algo de que deviam se envergonhar.
Usagi calçou-se e empurrou a porta para sair do apartamento, dizendo-se que iria esquecer tudo daquele dia assim que pisasse do lado de fora. Já lhe bastava a confusão de sentimentos por Seiya no momento, a qual tinha que resolver assim que o visse novamente.
Continuará...
Anita
Notas da Autora:
E eu na ilusão que no feriado vou fazer algo de útil né? É que nem quando a gente viaja perto de uma prova e metade da mala é de material pra estudar, que volta pra casa do mesmo jeito que foi.
Como vocês podem imaginar estamos nos encaminhando ao que já vimos, rs. Sim, é a cena do início chegando logo, logo de novo. Não fazia ideia de quando planejei que demorariam taaaantos capítulos pra chegarmos aqui, mas a fic foi criando asas e deu no que deu. A pergunta é: como será depois?
Muuuitos agradecimentos à Mari-Tsuki por não desistir de mim. Infelizmente, não posso deletar o Seiya da história pra você ou eu fico sem história... rs.
(Faz tanto tempo assim que não publico fic? Vou escrever estas notas e fico me sentindo a ficwriter, como se né... eu não estivesse fazendo fic há uns 22 anos).
