Olho Azul 20 Anos Apresenta:
Cada Vez que nos Encontramos,
Cada Vez que nos Separamos
Capítulo 11
Ela havia por fim chegado à estação; era mais distante que imaginava, e ela ainda havia se perdido por um momento. Mas tudo bem, não estava tão atrasada, Seiya já a esperara por mais tempo em outras vezes. Além do mais, ele a conhecia, não contava mais com sua pontualidade. Sim, aquele era o homem que agora dizia abertamente sobre a vida que queria criar no Japão com ela, de como a amava. Seiya havia sido seu primeiro namorado, seu grande amor, seu primeiro homem.
Esse pensamento ainda a fazia corar. Não conseguia acreditar mesmo depois de tudo que os dois haviam ido até o fim naquela noite. Ele a vira sem roupa. Ela o vira sem roupa. Droga. Agora estava sem ar, por que fora pensar nisso justo quando já estava ali na estação? Levou a mão às bochechas quentes e disse-se para afastar aquele pensamento. Era um assunto para tratar diretamente com Seiya e apavorar-se antes em anda adiantava. Muito pelo contrário, já que andava tão confusa que quase beijara um cara bêbado e que, ainda por cima, nem a levava a sério.
Bem, aquela emoção toda só de pensar em Seiya era um indicativo de que tudo continuava relativamente normal. Logo, ficaria totalmente normal. Bastaria vê-lo que ela se derreteria, tal como no dia em que ele a viera ver no bar do Motoki. Com seu perfume de sempre, aquele cabelo tão macio e diferente... Seu Seiya. Olhou o relógio de seu celular, onde queria conferir também a saída marcada para se encontrarem. Já era tarde... Haviam marcado para as oito e meia antes, não era? Algo assim, mas já eram quase dez da noite. O último trem devia ser meia noite e meia. Haveria tempo de se divertirem, mas no fundo, Usagi notava-se aliviada que não haveria o bastante para o tipo de diversão que Seiya provavelmente esperava quando marcara de se verem bem mais cedo.
E lá estava ele, de pé perto de uma das colunas da estação, checando seu celular. Provavelmente, também trocava e-mails com alguém, já que estava digitando sem parar. Contanto que não fosse uma bronca para ela, até outra garota valia. Seiya não costumava brigar, então, cada briga com ele a fazia muito mal não importava a causa. Fora uma briga dessas que a fizera tomar a decisão da qual se arrependia no momento. Não, não se arrependia. Era apenas um período de adaptação de seu primeiro namoradinho para seu grande caso.
Deu uns passos em sua direção e se sentiu congelar. Seu celular estava vibrando em sua mão, mas o homem à sua frente ainda digitava com um sorriso no rosto. Não estava bravo, tampouco havia enviado a mensagem ainda. Levantou o aparelho para ver a luz ainda acesa indicando uma nova mensagem com um pequeno desenho de envelope na parte acima das horas.
Com um toque de dedos, chegou à caixa de entrada, mas vinha de um número desconhecido. Suspirou, alguém devia ter errado de destinatário. Ao menos, não era ninguém como Mamoru para complicar ainda mais sua noite. Todavia, antes mesmo de abrir para ler, recordou-se de que não o tinha em seus contatos.
"Aqui é Mamoru. Motoki me deu seu número. Não falemos dele, apenas continuemos de onde havíamos parado. Volte depois de seu encontro, eu pago o táxi quando você chegar."
Sua boca estava seca, mas seus lábios pendiam abertos. Estava lendo direito? Ele estava bêbado ainda? Haveria bebido depois, já que antes já parecia um tanto sóbrio, apesar de exausto. E mais, "depois de seu encontro" queria dizer o quê? Usagi tentou dar outra interpretação. Os dois haviam conversado... Mamoru devia querer retomar a conversa, já que estava sozinho. Mas ele não até falara com Motoki naquele meio tempo?
E, pensando bem, eles dificilmente haviam conversado, todas as palavras agora lhe pareciam uma tentativa de calar a tensão que surgira entre ambos naquela noite. Uma tensão imensa que Usagi nunca havia sentido por ninguém, nem mesmo enquanto Seiya lhe passava a mão por seu corpo enquanto se beijavam. Não queria nem comparar com seu estado na quinta-feira naquele motel, já que preferia não contar aquela noite para nada tendo em vista o perigo de acabar sendo ponto negativo para seu namorado. Mas agora o pensamento já lhe ocorreu, e uma careta se formou no rosto. Ao mesmo tempo, fizera-lhe imaginar novamente o sentido mais óbvio da mensagem recebida. Queria dizer que Mamoru queria aquilo com ela? Ou apenas um beijo? Ou somente a tensão que sua companhia provocava? Por que, havia pouco, se sentira aliviada que não daria tempo de Seiya levá-la a um motel depois de jantarem e agora considerava ir para a boca de outro lobo, um muito pior que o primeiro?
Usagi deixou-se agachar e olhou de novo para o celular, sem se importar com a barra de sua saia longa esbarrar no chão. "...continuemos de onde havíamos parado" era um convite maldoso. Indireto demais. Olhou o botão de resposta e selecionou-o. "Continuaremos para fazer o quê?", perguntou e deu ok. Sentia-se ainda mais envergonhada, deveria ter acrescentado algum emoticon ao menos, mostrando que entendera o que ele havia querido dizer, mas que precisava de mais da parte dele. E se ela chegasse lá com um sobretudo que tapasse apenas sua nudez, e Mamoru já estivesse de pijama com Motoki também ali só querendo uma festinha informal pra lembrar os velhos tempos?
Bem, ela não tinha um sobretudo daqueles, nem Motoki estaria lá com certeza, hoje ele tinha um encontro com sua ex-namorada e vinha ansioso com a data desde que ela lhe ligara no domingo anterior para avisar que queria vê-lo. Makoto tinha brincado, dizendo que era para pedir emprego, mas nada diminuíra a distração que tomara conta do chefe.
Seu celular vibrou e ela ainda nem o havia fechado novamente, bastou apertar o botão central para saber o que Mamoru lhe respondera. "Coisas de que nos arrependeremos."
— Aí está você! — A voz de Seiya a fez pular um pouco para trás, quase caindo no chão.
O rapaz sorriu levemente e estendeu a mão para ajudar a levantá-la, enquanto lhe dizia:
— Devia ter ligado para dizer que tava aqui, né? Estava me mandando mensagem? — Ele estendeu o rosto.
Usagi baixou os olhos direto na palavra "arrependeremos" e fechou o flip do aparelho rapidamente.
— Pois é! Hahaha, que boba sou. — Enlaçou-se com o namorado, já ditando uma direção para evitar se verem. — É claro que você chegaria antes de mim.
— É, acabei até já comendo uns bolinhos chineses da barraca. Mas e você, aonde quer ir? Meus planos pra noite meio que não vão rolar a esta hora. Logo terei que ir pra casa, agora é tão longe... Ainda bem que o trem sai direto daqui! Bem, serei seu por... — olhou seu relógio de pulso — duas horas inteiras! Que tal aquele coma à vontade de doces que você ama?
Usagi sorriu, tentando demonstrar-se satisfeita, mas sua cabeça continuava nas coisas de que se arrependeria no dia seguinte. Não estava nem mais pensando nas costas nuas de Seiya sentado na cama do hotel, olhando o chão enquanto procurava suas roupas. Ou em como tudo o que ela queria era não mais ter que tocar aquele edredom alheio, que de início parecera-lhe uma nuvem de conforto.
Mamoru não se lembrava mais de onde estava. Ouviu um toque distante, seria seu despertador? Então, devia estar em casa. Tinha a sensação de que estava lá sim, mas não em sua cama. Aquele lugar desconfortável e pequeno não era sua cama. Aliás, ele estava com os pés no ar, batendo-os na parede enquanto tentava imaginar para que lado seria o chão. O toque continuou. Certo, ele conseguia fazer isso. Encontre o chão, quebre o despertador, salve o mundo. Ou sua cabeça dolorida.
A que horas havia ido dormir na noite anterior? Não se sentia descansado, era quase como se estivesse despertando de um longo coma. Não diga que era isso? Estava mesmo em coma? Tinha ido dirigir e agora estava caído em alguma ribanceira e aquele som era de uma ambulância? Impossível, ele não tinha carro. Vendera-o quando se mudara para Nagasaki e nunca quis se estabelecer lá, nem mesmo tivera tempo de pensar em como um carro poderia levá-lo para passear ao redor do estado, para Fukuoka, Kochi, talvez até Kagoshima. Mamoru apenas fora a Kagoshima a trabalho, o mesmo para Fukuoka. Nunca pusera os pés em Kochi, achava.
— Ai — gemeu quando jogou os pés para um lado e eles bateram em algo que se espatifara no chão. Suas costas doíam com o movimento. Mas agora sabia que estava era de pernas para o ar. Não mais. Achara o chão. Aquele lugar era sua sala?
Levantou-se com um barulho alto, algo se chocara contra o chão. Um vaso quebrado, algo mais também devia ter ser quebrado... sua cabeça inclusive não devia estar inteira. Notava agora que confundira o som de sua companhia com uma sirene.
Estalou a língua, reprovando-se. Havia bebido demais na tarde anterior; não fosse a sopa que Usagi lhe preparara, talvez ainda tivesse álcool o bastante para fazê-lo dançar nu no parque mais próximo. Se bem que nunca fora esse tipo de bêbado, mesmo alcoolizado mantinha o controle. Ele podia falar coisas, mas não seria com qualquer um. E normalmente apenas reclamava de tudo. Mamoru era uma pessoa metódica para quem nada nunca estava direito, mas que não se abria para muitos, tirando uma eventual namorada ou Motoki. Quando bebia, já era mais fácil o processo. Bastava que lhe perguntassem que ele seria sincero o bastante e conseguia exteriorizar melhor suas vontades.
Droga, ele o fizera na noite anterior, né? Tinha a impressão de que havia agarrado Usagi. Não... Não algo tão violento assim. Era um toque irreal demais. Devia ter chegado perto disso e se contivera ao menos.
A campainha continuava.
Espiou ainda sonolento pelo olho mágico, mas a visão do outro lado lhe dera um choque e ele escancarou a porta quase atingindo a moça que o chamava.
— Por que demorou tanto!? — perguntou Usagi, já em sua entrada e tirando os sapatos.
Continuará...
Anita
Notas da Autora:
Tô meio que com o cérebro sem funcionar, então acho que não é muito recomendável eu fazer notas agora. Mas se eu deixasse pra postar depois, esse depois só seria semana que vem quando muito... Espero que estejam gostando! Essas cenas mais "românticas" são tão difíceis de fazer e depois mais difíceis ainda de revisar... E o próximo capítulo promete.
