Olho Azul 20 Anos Apresenta:

Cada Vez que nos Encontramos,
Cada Vez que nos Separamos


Capítulo 27

Usagi serviu mais um copo de cerveja a um dos clientes. Eram cinco homens de idade e um mais jovem, de mais de trinta anos, sentados à mesa e bebendo sem parar. Sem se interessar pela conversa, voltou para atrás do balcão às pressas para de novo conferir a tela do celular.

Nenhuma nova mensagem ou chamada.

Fazia já mais de duas horas desde que Minako partira e o máximo que lhe mandara era a confirmação de que acharam a casa de Seiya.

No silência até as pessoas começarem a chegar, Usagi ficara só pensando em quanta coisa vinha acontecendo naquele final de semana. Descobrir sobre Ami, ou ao menos desconfiar que ela fosse a amante de Masato, passar aquela manhã na casa de Mamoru quase como um casal de verdade, ter um encontro com Seiya e terminar logo depois, vagar pela cidade e acabar justo no apartamento de Mamoru, onde descobriria que algum dia ele se declarara para ela ainda que a própria não fizesse ideia de como ou quando e onde ele lhe proporia em namoro — aliás, quando esta tempestade passasse, ela precisava conversar de novo com Naru sobre isso. Agora, porém, não parava de pensar em Seiya. Não havia considerado que o ex pudesse fazer algo errado, nem tivera espaço na cabeça para pensar em como ele ficaria, afinal, ela mesma não estivera muito bem.

Foram acontecimentos demais para um só final de semana, e tudo a esmagava neste primeiro momento de calmaria. Calmaria, se pudesse considerar que Minako já estava resolvendo o problema. Usagi ao menos confiava na habilidade da amiga com corações partidos; havia presenciado seus milagres já.

— O que houve? — Makoto estava a seu lado, como se tivesse surgido por mágica, com os olhos quase dentro os seus.

Usagi gritou de susto.

— Ontem você avisou que não poderia vir quando estávamos já até abertos, num dia em que Rei também poderia cobrir. Aconteceu algo grave, né?

Assentiu e respondeu sem enrolar:

— Terminei com meu namorado. — E sorriu ao perceber como soava tolo. Noutro dia, Makoto tivera que suportar assistir à pessoa de quem gostava com outra. E Reika não era qualquer outra, pra piorar. — Bem, eu estava me sentindo mal.

— Eu devia ter apostado com o Motoki. — Makoto sorriu e deu-lhe um tapa nas costas. Um tapa dolorido como todos os dela eram, apesar de que não intencionalmente.

A dor a acordara para um dos senhores da mesa cheia, quem pedia mais uma cerveja. Era hora de Usagi voltar ao trabalho. Pouco depois, seu celular vibrou por um momento e o visor externo acendeu dizendo haver uma nova mensagem.

"Nós estamos bebendo com ele em um bar japonês aqui perto. Mais uns drinques, e a sua amiga vai se dar bem. Tenho certeza! Você não se importa né?" e encerrou com uma caveira, um sorriso, uma piscada e um coração. Usagi soltou uma risada que atraiu a atenção de alguns. E, sem se importar, respondeu: "Acho que o noivo dela se importa, sim," ao que a amiga prontamente disse: "droga, meus sensores devem estar com problema. Suspendo o álcool dela?". Usagi pensou por um momento, observando um rapaz beber com uma moça e deu de ombros: "A Naru é de maior e com muito mais juízo que nós duas. Só garanta que ela chegue inteira em casa depois." Minako logo concordou.

Enfim, Usagi tomou uma decisão. Aproveitando o celular na mão, montou uma mensagem que soasse o mais despreocupada possível: "Depois de duas noites, ganho a terceira, né?" Após adicionar símbolos de sorriso aberto e alguns corações, ela a enviou. Mamoru não custara a responder: "Ainda vou ser demitido por sua causa, cabeça de vento. Deixarei a porta aberta".

Olhou para o relógio, mas ainda eram nove horas. Faltava uma eternidade. Ainda assim, seu corpo estava tão mais leve de repente, e o mundo parecia menos acelerado.

Continuará...

Anita