Cap.6

20 de janeiro de 2011

Ele estava com uma dor excruciante na perna desde o dia anterior, por essa razão preferia ficar em casa e não ir dormir na casa de Cuddy. Ela estava preocupada em deixá-lo sozinho, mas também não tinha com quem deixar a filha e insistia para ele ir até a casa dela.

"Eu chamo um táxi para te trazer".

"Não precisa, eu prefiro ficar".

"House, eu prefiro você aqui comigo".

"Eu não vou me drogar Cuddy, fique tranquila".

É verdade que essa era uma das preocupações dela, mas não só. Ela queria estar com ele nesse momento difícil, desde que começaram o relacionamento houve poucas ocasiões de dores fortes, nunca tão forte como dessa vez.

"Eu vou pra aí então", ela decidiu.

"E Rachel?".

"Ela vai comigo".

"Cuddy, não precisa. Eu vou ficar bem, eu já lidei com isso antes, e sozinho".

"Você não está mais sozinho".

"Ela é uma criança e eu... não é bonito quando eu tenho dor".

"Ela vai dormir o tempo todo. Não tem discussão, estamos indo!". Ela o avisou, e de fato meia hora depois ela chegava com a filha. No caminho ela tentou explicar para a garotinha que House estava doente, com dor e que por isso ele não poderia brincar com ela.

"Oi". Ela o cumprimentou quando ele abriu a porta.

"Oi". Ele respondeu. Ela notou que ele estava molhado de suor. Ela o beijou, um beijo casto, mas ainda assim com todo o amor que ela sentia por ele.

"Oi House!".

"Oi Rachel!".

Elas entraram e Rachel ficou olhando tudo ao redor, era tudo novo pra ela. "Querida essa é a casa de House".

A menina ficou encantada pelo piano e correu pra lá.

"Não filha, não pode mexer aí. Não é um brinquedo, é para adultos".

Ele respirou fundo. "Deixa ela ver o piano, que mal tem".

Cuddy olhou surpresa, ela sabia como ele amava aquele piano e não deixava ninguém encostar, sobretudo uma criança.

"Amanhã você mostra pra ela". Cuddy disse. "Agora temos que dormir filha, já é tarde".

"Não quero!".

"Deixa ela ver um pouco de televisão, ou jogar vídeo game".

"Vídeo game!". Rachel falou feliz e empolgada.

"Você só tem jogos violentos". Cuddy disse.

"Não, liga o outro vídeo game que tem Mario".

"Não sei como ligar...".

"Sério?".

"Eu não sou muito tecnológica".

"Mas é só um cabo...". Ele se esforçou para ir até lá.

"Deixa que eu ligo, me explica como faz". Cuddy contestou não querendo que ele forçasse ainda mais a perna dolorida.

Ele explicou e Cuddy seguiu os comandos. Vídeo game ligado e Rachel ficou encantada.

"Quão ruim está a perna?".

"Talvez oito".

"Oh... É muito! Você tomou Ibuprofeno?".

"Duas doses".

"Vou fazer um chá".

"Cuddy, chá não vai adiantar".

"Compressas, chá e talvez uma injeção não opióide".

"Não fará nem cócegas".

"Sexo oral?". Ela perguntou tentando animá-lo.

Ele estava sério, nem respondeu ou cogitou. O negócio estava mesmo ruim para House ignorar oferta de sexo.

"Vá se deitar que eu cuido de tudo e depois vou te encontrar".

"Com essa dor eu não consigo parar. Piora".

Cuddy abriu sua bolsa e lá tinha medicamento analgésico e seringa. "Vai melhorar um pouco, pelo menos".

House a deixou aplicar a injeção.

Rachel, que tinha pavor de injeções, não viu porque estava completamente alheia a tudo e a todos, apenas concentrada ao vídeo game.

"Agora vou fazer um chá e depois compressas".

"Desculpe por te dar esse trabalho...".

"Não! Você é meu namorado e eu te amo!".

Ele respirou fundo e ela o beijou no rosto.

"Você sabe que precisa consultar um médico da dor. E terapeuta".

"Terapeuta? Eu já te disse que não é uma dor emocional".

"Temos que atacar em todas as frentes. E o emocional piora as condições crônicas".

"Cuddy, eu não estou assim por conta de sua mãe".

"Piorou depois que você a conheceu. Depois que você a drogou no jantar".

"Então toda vez que eu encontrar Arlene ficarei assim? Ótimo, vamos fugir para as montanhas!".

"Você entendeu".

"Não entendi".

"A pressão... Isso piorou sua condição".

"Bobagem!".

"E seu paciente...".

"JÁ DISSE QUE É BESTEIRA!". Ele aumentou o tom de voz. "Desculpe...".

"Tudo bem". Cuddy olhou Rachel, mas ela realmente não prestava atenção a nada além do jogo.

"Não é emocional, me falta um pedaço bem significativo do músculo. Isso é real e eu posso provar! Tenho exames e imagens...".

Ela respirou, não iria discutir com ele essa noite.

"Você comeu alguma coisa?".

"Estou enjoado!".

"Vou fazer uma sopa leve".

"Prefiro não comer".

"Vou fazer mesmo assim".

E ele tentou se distrair com Rachel enquanto ela foi para a cozinha.

"Você não sabe correr de kart". House disse pegando outro controle.

"Eu sei sim!".

"Não sabe não. Eu vou te mostrar como se faz". E ele selecionou o Yoshi. Rachel havia selecionado o Toad.

"Por que você não escolheu a Princesa Peach?".

"Ela é chata".

"Concordo". Ele falou e começou a correr contra Rachel.

Logo ele a passou e abriu muita vantagem.

Ela nem ligou, ela continuava no ritmo dela. Depois de alguns minutos ele venceu a corrida.

"É assim que se faz!".

"Você roubou!".

"Wow! Não aceita a derrota?".

Cuddy chegou com a sopa. "Você está competindo com uma garotinha de quatro anos?".

House se lembrou de que ele não foi à festa de aniversário da menina, Cuddy até o convidou, mas ele percebeu que ela não ficou a vontade já que ele ainda não conhecia a família dela. Ele declinou para alivio dela. Mas isso o deixou chateado, apesar dele fingir que não.

"Ela precisa aprender a se esforçar se quiser ganhar, eu não vou ceder pra agradá-la e torná-la uma menina mimada e alienada".

"Ela só tem quatro anos...".

"E já me acusa de roubo!".

"Isso é coisa de minha mãe que não aceita perder no jogo de cartas e acusa todos, Rachel vê essas coisas e aprende com elas".

"Bom, estou ensinando bem então. Nunca é cedo pra começar a perceber como a vida é cruel".

"Ok". Cuddy concordava pra encerrar o assunto, ela não iria convencê-lo do contrário mesmo. "Fiz sua sopa".

"Sopa?". Rachel perguntou.

"Você já jantou filha, House não comeu nada".

"Por que ele está dodói?".

"Isso".

"Dê um pouco de sopa pra ela, Cuddy. Qual é o mal nisso?".

"Tudo bem". Cuddy sorriu e voltou com um prato para a filha.

"Surpreendentemente essa sopa está melhor do que a aparência". House disse. "O que você colocou nela?".

"Muitas coisas saudáveis".

"Eu não tinha tanta coisa saudável assim em casa".

"Eu trouxe da minha casa".

"Faz sentido".

"Sente-se um pouco melhor?".

"O suficiente pra conseguir colocar algo no estomago".

"Isso é bom". Ela disse feliz e aliviada.

Quando terminaram Rachel quis jogar mais vídeo game com House.

"Agora não, filha. Está tarde!".

"Por favor! Por favor! Só um jogo!".

"Não filha".

"Por favor! Não vai doer nadinha".

"Ela começou a se tonar manipuladora como a mãe". House disse sarcástico.

"Eu não sou manipuladora". Cuddy respondeu surpresa.

"É um pouco... não é a toa que todo ano você bate a meta de doações para o hospital".

"É meu trabalho".

"É preciso ser manipuladora para ter sucesso".

Ela respirou fundo. "Eu faço isso na minha profissão".

"Uh... Não só".

"O que você quer dizer?".

"Você usa esse dom em nosso relacionamento também".

"Ah é? E quando fiz isso?".

Enquanto isso Rachel ligou o vídeo game e começou a jogar novamente.

"Quando você me fez pensar que eu havia decidido não ir à festa de aniversário de Rachel".

"Mas você decidiu".

"Não sem seu esforço em me mostrar que eu seria inapropriado no ambiente judeu da família Cuddy".

"Eu não fiz isso!". Ela contestou.

"Você não me queria lá".

"É claro que eu queria".

"Cuddy, eu não conhecia sua família, só Julia... E tivemos o quê? Dois encontros?".

"Você se sentiria bem lá?".

"Provavelmente não, mas eu não me sinto bem em quase lugar nenhum haja pessoas...".

"E agora a responsabilidade é toda minha?".

"Estamos falando de manipulação".

"Ah é? E quem drogou minha mãe no jantar do meu aniversário?".

"Coisa que você me agradeceu depois".

"Você drogou minha mãe e o seu melhor amigo".

"Você levou apenas a sua mãe para jantar no seu aniversário porque ela provavelmente te obrigou. Mas você não me quer convivendo com sua família".

"Você quer conviver com eles? Porque nem eu quero".

"Você tem vergonha de mim?".

Ela arregalou os olhos. "Claro que não!".

"É porque sou manco ou porque não tenho aptidão para socializar?".

"House, não fale besteira!".

"Qual dos dois?".

"Nenhum!".

"Se eu fosse Wilson, certamente...".

"... Certamente não estaríamos juntos já que eu não tenho nenhuma atração por Wilson".

"Então é uma questão de atração física apenas?".

"NÃO!".

"Mamãe, não grita!". Rachel a reprimiu.

Ela olhou indignada para a filha. "Rachel, eu não disse para não ligar o vídeo game?".

"Só um pouquinho".

"Nenhum pouco, desliga isso já!".

"Não desconte na menina". House se intrometeu.

"Eu não estou descontando nela, eu a estou educando".

"Rachel, amanhã nós jogamos. Eu prometo!". House disse e a menina desligou o vídeo game contrariada. Fez bico.

"Vamos pra cama!". Ela levou a filha que ficaria no quarto de hospedes. A menina dormiria na cama, ela passou a dormir em camas no último mês. Ela esperava que a filha não estranhasse o ambiente.

"Não terminamos!". Ela avisou House quando estava à caminho do quarto com a filha.

Ele bufou. Cuddy tinha que estar sempre certa, ele não iria ceder dessa vez. Ele sentia que era sempre ele a ceder, sempre ele a pensar que não poderia perdê-la. Dessa vez ele aguentaria até o fim. Sustentaria seu argumento.

Quando ela retornou, cerca de meia hora depois, ela sentou-se ao lado dele.

"Como está sua perna?".

"Melhor! Pronto pra você brigar comigo sem culpa".

Ela olhou para baixo. "Eu não estou brigando com você, estamos conversando".

"Não me pareceu. Sempre tenho a impressão de que você está brigando comigo".

Ela colocou a mão na mão dele. "Talvez você tenha razão".

Ele arregalou os olhos.

"Eu tenho tido dificuldades em lidar com nosso relacionamento, talvez eu precise buscar ajuda".

"Terapia de casal?".

"Não. Terapia individual mesmo".

"É sério isso?".

"Por que não seria? Você devia fazer o mesmo. Quando você parou de ver Nolan?".

"Antes de ficarmos juntos".

"Por quê?".

"Não senti que estava funcionando".

"Pois estava".

Ele respirou fundo.

"Se quisermos ficar juntos teremos que nos esforçar. Amor não falta, eu sei. Mas... Somos dois teimosos e geniosos". Cuddy disse.

Ele concordou com a cabeça.

"Vamos cuidar da sua perna, vou fazer compressa e ver se você consegue descansar um pouco".

Ele a acompanhou até o quarto. Antes de dormirem Arlene ligou e ela atendeu o celular. Cuddy fez questão de ficar no quarto para que House não pensasse que ela escondia qualquer coisa dele.

"Estou na casa de House".

...

"Não vamos nos casar".

House riu.

"Eu não ia deixar minha filha sozinha, ela está aqui".

...

"Eu não fico levando minha filha para a casa de qualquer homem, nós somos namorados".

...

"Ok mãe, eu estou me preparando pra dormir".

...

Cuddy ruborizou. "Tchau mãe!".

Ela desligou.

"O que ela te disse?".

"A mesma coisa de sempre".

"Por que você ficou vermelha?".

"Nada...".

"Cuddy...".

"Ela perguntou se eu ia dormir mesmo ou transar".

House riu. "Sua mãe não é normal".

"Nem eu...". Ela disse em tom divertido.

"Pena que minha perna impossibilita o sexo, se bem que...".

"House, você precisa descansar".

"Quem sabe endorfinas...".

"Amanhã quando acordar melhor, hoje vamos só descansar e deixar sua perna descansar".

"Minha perna ruim pode descansar, a perna do meio está boa!".

"Parece um garoto do colegial". Cuddy reclamou.

"Você gosta desse garotão". Ele começou a beijar o pescoço dela.

"House, eu estou menstruada".

"Já fizemos antes... somos médicos, sangue é sangue...".

"Estou com cólicas, não...".

Ele estranhou, não era normal Cuddy negar sexo. "Ok".

"Amanhã!".

"Tudo bem".

Ele tentou dormir e não pensar em possibilidades diversas para o comportamento peculiar da namorada.

"House...". Ela queria lhe fazer essa pergunta há horas, mas estava com receio da resposta já que muito provavelmente a dor na perna estava piorada por isso.

"Uh...". Ele respondeu inseguro com o que viria.

"Como ficou a sua paciente?".

Ele respirou fundo. "Salvamos a criança, mas não a mãe".

"Oh, sinto muito!".

Ele ficou em silêncio.

"O marido está bem?".

"Ele está péssimo, perdido, inconformado".

"Sinto muito! Se eu puder fazer algo... A psicóloga deve falar com ele".

"O que adiantará? Não trará a esposa de volta de qualquer maneira".

"Não... não trará". Cuddy não tinha o que dizer para confortá-lo senão o óbvio. "Você fez o que podia".

"Cuddy, por favor!".

"Nem sempre conseguimos salvar todos!".

"Sério isso?".

"Eu só quero...".

"Vamos dormir, por favor!".

"Ok".

Ele dormiu com o alivio da dor latejante na perna, mas ela ficou acordada. Já fazia algumas semanas e ela estava reflexiva sobre o futuro de seu relacionamento, ela o amava, quanto a isso não havia nenhuma duvida, mas ela conseguiria manter um relacionamento saudável com ele? Ele conseguiria se comprometer verdadeiramente com ela? E no meio disso... havia Rachel.

Continua...


Me deixem saber se vocês estão conseguindo acessar a fanfic, com o problema no servidor, eu não consigo visualizar esses detalhes.