N/A: Bom... Eu sei que já faz um bom tempo que não dou as caras, mas... As coisas foram complicadas, fiquei muito sem tempo e, infelizmente, não consegui manter meu compromisso com a fic e com vocês! Perdoem-me por isso! :(
Mas, FELIZMENTE, cá estou com um capítulo grandinho o bastante para compensar um cado essa minha demora (e outras fics SasuHina à espera para serem postadas)!
Espero MUITO sincera e ansiosamente que gostem desse capítulo, pois eu me dediquei bastante à ele!
É isso, boa leitura!
Capítulo 2 – A culpa é dela!
Naquele mesmo dia, assim que o sinal indicando o intervalo soou, a agitação, enfim, se fez presente. E tudo por culpa do trabalho proposto por Kakashi. Sasuke suspirou resignadamente ao se ver em meio àquela confusão, quando as irritantes garotas começaram a se tumultuar à sua volta querendo fazer dupla consigo.
"Cadê o amor próprio dessas irritantes?!", indagava-se, simplesmente ignorando a presença delas ali, torcendo para que o tempo passasse mais rapidamente. No entanto, algo parecia querer conspirar contra ele, já que cada segundo que se passava parecia uma eternidade vivida no inferno com aquela falação insuportável lhe azucrinando.
E quando pensava que explodiria de raiva, preso naquela sala irritante, com garotas irritantes de vozes e comportamentos desprezíveis...
‒ Oe, Teme! Vem cá!
... A voz estridente de Naruto se sobressaiu sobre as demais, e assim que olhou para o loiro, Sasuke jurou ter visto uma luz divina iluminar o jovem de olhos azulados, como que ele sendo a sua salvação daquele inferno em que se encontrava. E, de fato, era. Mas... Ele não precisava ficar sabendo disso... Aliás, até o próprio Sasuke tratou de esquecer este humilhante pensamento ao voltar ao seu juízo perfeito.
Normalmente, Sasuke não acataria o chamado do amigo. E, normalmente, o ignoraria... Contudo, "normalidade" não era algo presente no momento, portanto, somente daquela vez, deixou-se levantar e, com dificuldade, depois de se esgueirar por entre as fileiras e pessoas que o cercavam, ir até o mesmo; claro, mantendo sua pose imponente e adornada de arrogância.
‒ Agora, faça uma reverência para o seu grande salvador, donzela de gelo! ‒ Foram as palavras que o recebeu assim que chegou próximo ao loiro. O tom zombeteiro do mesmo, além da frase dita, só fizeram o Uchiha fuzilá-lo com o olhar de forma tão gélida, que Naruto chegou a engolir em seco e coçar a nuca, evidentemente sem graça. ‒ Hehehe... Tô só brincando, Teme...
‒ Hum... ‒ Murmurou, encostando-se à mesa do Uzumaki.
‒ Então, quem será a sua dupla? Eu, no seu lugar, já tinha...
‒ Nenhuma daquelas irritantes! ‒ Interrompeu o outro. ‒ Talvez, eu faça com o Shikamaru, ou individualmente, mesmo... ‒ Terminou com descaso.
Abruptamente, viu Naruto levantar-se de sua cadeira de forma ligeira, ficando a sua frente, encarando-o com seriedade extrema, esta que Sasuke pensou que poderia, talvez, até intimida-lo... Caso não fosse quem era.
"Até parece que esse idiota me intimidaria...".
‒ Sasuke... ‒ Começou o loiro, olhando initerruptamente para seus olhos negros, seriedade brilhando nos azuis.
‒ Hum? ‒ Ergueu a sobrancelha negra pela proximidade do outro, estranhando tudo aquilo.
‒ Você... – E se calou; Sasuke notou o amigo hesitar, como poucas vezes vira – dado ao quão inconsequente o mesmo era –, e sentiu-se levemente incomodado pela situação, prevendo que nada bom sairia de sua boca escandalosa.
– Hum...? – Murmurou, mais uma vez, curioso... Embora, inseguro.
Naruto suspirou e desviou o olhar... Sasuke, por sua vez, ergueu a sobrancelha negra, inquisidor.
– Esquece, não é nada... – Sorriu amarelo, mas não se afastou. Sasuke estranhou ainda mais aquilo, mas escondeu a reação.
– Hmm... Ok... – Deu de ombros, mas, em seu íntimo, estava se matando de curiosidade pelo que Naruto pretendia lhe falar. Sentiu-se ávido por um suspiro de pura frustração, e quase se viu suspirando, mas se segurou a tempo; ele sempre estava disposto ao impossível para reforçar o quão inabalável era, afinal.
– Porra, teme! Porra! Como você é um maldito insuportável, Sasuke!
Os xingamentos do Uzumaki atraiam aquilo que Sasuke menos queria naquele momento: atenção. E elas vieram num piscar de olhos; os poucos que ainda se mantinham na sala atentos à cena – típica – que, como de praxe, era protagonizada pelos dois, sempre com Naruto se exaltando e Sasuke se mantendo indiferente aos – constantes – surtos que o amigo dava.
No entanto, daquela vez, foi diferente...
O suspiro, outrora tão bravamente contido, agora era liberto pelos lábios finos do Uchiha, que mantinha uma expressão aborrecida na face sempre estoica.
– Cala a boca, idiota...
– Não, não calo! – Retrucou de forma tão birrenta que Sasuke revirou os olhos, achando o amigo mais imaturo do que nunca. – Tô cansado, Sasuke! Você é um maldito de um indiferente e eu 'tô cansado disso! Cansado dessa sua indiferença! – Quanto mais Naruto falava, mais a sala se silenciava e mais olhos curiosos eram atraídos para a cena. – Eu me calei em consideração a você, seu bastardo idiota, mas, porra, você nem liga! Você não liga pra nada do que alguém pensa de você, porque é um arrogante filho da puta!
Sasuke estava começando a se irritar mais do que quando estava na presença – infernal – das garotas que queriam ser sua dupla. Faltava pouco, tão pouco para se dignar a socar a carinha bonita e irritante do loiro a sua frente...
– De qualquer forma... – Naruto suspirou alto, e o olhou condescendente, ao que ele franziu levemente as sobrancelhas, em clara confusão. Uma hora, o loiro surtava, noutra o olhava compreensivo...? – Mesmo sendo esse bastardo maldito, eu vou te apoiar, Teme!
"Apoiar...? Em que...?"
– Eu não tenho preconceito, nem nada, sabe?! Você vai continuar sendo o meu melhor amigo...
"Preconceito?!"
– Naruto...
– E a Sakura-chan finalmente vai desistir de você...
– Naruto, que porra...!
– Sei que será difícil pra ela superar isso, mas eu irei ajuda-la! E a você também, Teme!
"Hã?! Ajudar em que, caralho?!"
– Ainda mais que não se assumiu ainda, sei que vai enfrentar muitas coisas...
"Assumiu..."
– Mas, eu sempre vou te apoiar! Não é fácil assumir uma coisa dessas...
"Assumir..."
– Mas, Dobe, eu...
– Tudo bem, Teme... Quando for se assumir para o Fukagu-sama, pode contar comigo! Se quiser que eu vá com você...
"Se assumir... Se assumir... Se assumir... SE ASSUMIR?"
– ME ASSUMIR?! – Arregalou os olhos, descrente.
– É, Teme... Não precisa ficar tão assustado, assim... O Fugaku-sama pode não aceitar muito bem que seu filho seja gay, mas você não precisa falar nada agora. Podemos esperar um tempo, até que se forme...
O mundo pareceu parar para Sasuke, naquele momento... O silêncio veio gradativo, tudo foi ficando cada vez mais longe e inalcançável... A visão embaçou e, ele sentia, os tímpanos vibravam, processando e ecoando, incessantemente, o que acabara de ouvir...
"Gay... Gay... Gay... Gay...Gay…"
Aquilo era... Inacreditável! Estava descrente, desacreditado e em um maldito torpor, sendo alvo de olhares, igualmente, descrentes, embora ninguém ousasse se pronunciar.
A boca abria e fechava, sem que se pronunciasse... Será que não havia ouvido errado?
Naruto era inconsequente, intransigente, intrometido, lento e burro! Muito burro! Mas, apesar de tudo, Sasuke nunca pensou, nunca cogitou, que o loiro, que se considerava seu melhor amigo, fosse tão longe... Que o fizesse passar por uma situação tão... Ele nem sabia dizer!
– Agora, vem cá, teme! – A voz estridente do Uzumaki rompeu o silêncio (que ele nem notara), despertando Sasuke de seu estado de torpor.
Os braços do loiro se estenderam à si, o convidando a se aproximar, e logo em seguida se abriram, convidando-o para um abraço. Naruto encarava-o encorajador, alheio à seu estado, e à atenção dos colegas que ali estavam.
Os olhos negros seguiram até a figura do amigo (se é que podia considera-lo como tal, depois de tamanha idiotice), encarando-o com incredulidade. Suas pálpebras tremiam, só não sabia dizer se de nervoso ou de descrença.
Sasuke piscou algumas vezes e, depois, tudo aconteceu rápido demais. Tão rápido que só se deu conta do que fazia, quando sentiu o tecido macio da camisa do outro em suas mãos, a qual segurava com força, trazendo o loiro contra si com brutalidade.
‒ Você tem noção do que disse, seu idiota? Hein?!
Naruto arregalou os olhos, assustado com a movimentação repentina e a irritação tão aparente no amigo.
‒ Ca-calma, Sasuke... Eu não disse n-nada de...
‒ Some! ‒Interrompeu-o bruscamente, soltando-o com força, fazendo-o cair sentado no chão.
‒ M-mas...
‒ Apenas suma da minha frente... ‒ Sibilou entredentes, dando as costas ao mesmo.
Sasuke não precisou se virar para ver que Naruto já havia saído às pressas da sala, nem mesmo destinar nenhum olhar ameaçador aos demais que presenciaram a cena. Ele emanava uma aura tão sombria que ninguém ousaria se aproximar dele naquele momento... A não ser o idiota que, inesperadamente, brotara atrás de si, cutucando-o levemente.
‒ Teme... Foi mal... Acho que falei demais... ‒ O loiro falou antes mesmo de Sasuke se virar.
O Uchiha revirou os olhos e, embora ainda emanasse a aura sombria, virou-se para o "amigo", encarando-o impassível.
‒ Naruto... Não estou com paciência, agora... ‒ Avisou, querendo evitar maiores problemas
Naruto não era covarde, nunca foi. Um dos maiores motivos de acharem o loiro burro, além do fato dele realmente possuir o raciocínio mais lento que o normal, e falar coisas inapropriadas nas piores horas possíveis, era essa valentia toda que ele possuía; oras, já era de se perder a conta da quantidade de vezes que o garoto apanhou... Dia após dia, Naturo caçava e enfrentava problemas, sendo a maioria com Sasuke... E, por isso, mesmo sendo seu passatempo preferido testar a paciência do Uchiha, ele sabia, e muito bem, diga-se de passagem, que haviam momentos e momentos e, portanto, aquele era um que o mais esperado, de si, era se afastar sem pestanejar...
Mas, Naruto era cabeça dura...
E Sasuke sabia muito bem disso...
‒ Mas, Teme...
Os punhos estavam cerrados, os olhos emanando sinais de perigo evidente, e a ânsia por dar um soco, nada leve, no rostinho irritante à sua frente... Estar na presença de Naruto, no momento, havia se tornado insuportável, e mesmo não sendo uma pessoa religiosa, Sasuke aclamava à Kami-sama só um pouco mais de paciência para que nada violento ocorresse ali... Tá, não aclamava tanto, ele estava louco para um confronto com o amigo bocudo e idiota.
‒ Naruto, se você teme pela sua vida, se você preza pela porra do seu rostinho de princesa, é melhor que saia daqui e não fale mais um "a" comigo... AGORA! ‒ As palavras saiam entredentes, e Naruto tremeu na base. Ele viu, com um prazer sádico, Naruto recuar um passo para, feliz e finalmente, ele se afastar de si.
Sasuke não precisou olhar ao redor da sala para saber que era o centro dos holofotes... Como ele odiava aquela turma... Aquelas pessoas... Se pudesse, entortaria o pescocinho de cada um, ali, com as próprias mãos... Seria muito gratificante... Mas, como era inabalável, rei das geleiras colossais dos polos Norte e Sul, não se dignaria a isso... Cair na porrada com quem não era digno nem mesmo de seu toque era coisa de gentinha que não tinha mais o que fazer na vida...
"Esse Dobe idiota... Ele me paga, e essa praga de turma também..."
Os pensamentos assassinos não eram ouvidos nem vistos por ninguém, então, não se importava de ser inabalável ao menos nos mesmos...
E, assim sendo, o maioral Uchiha voltou à sua mesa, sem nem mesmo se dignar a olhar para qualquer outro habitante daquele recinto...
Felizmente, as meninas já haviam parado de lhe rodear e, ele pressentia que finalmente teria paz... Isso, até começar a sentir uma sensação estranha... As costas pareciam queimar, e arrepios nada agradáveis começaram a assolar o pobre garoto...
"Que porra tá acontecendo?!"
Ele sempre tinha aquela sensação... SEMPRE! Mas, naquele momento, ela estava muito mais intensa que o normal... Parecia que alguém estava perfurando sua alma com os olhos, cavando um buraco do continente americano ao continente asiático...
"Mas, que porra? Não acredito que esse..."
Sim, era ele mesmo...
Com um olhar mortal, com o rosto banhado à ódio, um calor sendo emanado de todos os seus poros, traduzindo tamanho nervo ele sentia, no momento, Sasuke virou-se para trás e, com muito pesar, e a paciência no limite, ele viu, há três carteiras de si, encarando-o com curiosidade e aquela cara de dobe idiota, Naruto.
"EU SÓ POSSO TER TACADO MERDA NA PORRA DA CRUZ, SÓ PODE!"
‒ Teme... ‒ Naruto sorriu, como se nada tivesse acontecido, e Sasuke...
Bom, Sasuke não sabia mais o que era ter controle sobre seu corpo... As pernas o levantaram e o guiaram para frente do loiro, e só se deu por si, quando encarou os olhos azuis arregalados do amigo.
‒ Eu MANDEI você me deixar em paz, seu filho da puta! ‒ As mãos já se agarravam ao colarinho e à gravata do loiro, puxando-o para que se levantasse e ficasse frente a frente consigo. Estavam tão próximos que era possível um sentir a respiração do outro bater na face alheia. De longe, aquilo era deveras insinuante, mas, no mundinho dos dois, ali, nada passava de uma briga daquelas, que secretamente eles tanto amavam.
Pode-se dizer que ambos pensavam, secretamente, também, que aquilo era uma forma de deixar claro a masculinidade dos dois... Pobrezinhos, mais pareciam dois trogloditas e fofoca para a boca daquela turma que só sabiam olhar e comentar as briguinhas que tinham sempre.
‒ M-mas, Teme... E-eu só queria ficar de boa contigo, cara... Não falei por mal, te juro!
‒ Eu não, NÃO, sou gay, seu burro! ‒ Ditou o que ele pensava ser óbvio... Embora não fosse.
Sasuke dava muita pinta, na mente da maioria dos caras daquela escola. Ele podia ser muito aclamado pelas adolescentes, com sua beleza de traços finos e sua personalidade antissocial, mas, todos os seus "concorrentes" o achavam uma verdadeira donzela... Mas, ele não precisava dessas informações... Embora, caso elas chegassem aos seus ouvidos, não teria efeito algum sobre si...
"Claro que não! Eu não me importo com nada que esse bando de idiotas pensa ao meu respeito"
‒ T-teme... Relaxa aí, cara... ‒ Disse em tom apreensivo, soltando-se do agarre do mesmo em um só movimento. ‒ Só supus o que aparenta... Já que você ignora até mesmo a Sakura-chan! ‒ Exclamou com incredulidade, como se rejeitar a rosada fosse algo que um homem com sangue nas veias estivesse impossibilitado de fazer.
‒ Como você tem um mau gosto, dobe... ‒ Suavizou, minimamente, a expressão, contudo ainda mantendo uma carranca extremamente lívida. Ainda estava extremamente puto com Naruto, mas, estava cansado demais de tanta turbulência em um único dia para continuar com aquela discussão. ‒ A Sakura é uma irritante, só não mais que a Karin... Aquela lá nem o diabo aguenta! E só um dobe como você, mesmo, para gostar de uma garota como ela...
‒ Não fale assim da Sakura-chan! ‒ Bradou irritado. ‒ Ela tem suas qualidades... Que, aliás, são muitas! ‒ Defendeu a amiga. ‒ Ela é inteligente, esperta, persistente... ‒ Tornava a se sentar, com o olhar perdido... Provavelmente, imaginando a garota cuja era dona de seus mais sinceros sentimentos. ‒ E, acima de tudo, a garota mais linda que já vi! ‒ Terminou de forma sonhadora. Sasuke, presenciando mais uma manifestação de sua instabilidade mental, jurou ter visto coraçõezinhos adornando o rosto do loiro, mas logo balançou a cabeça, tratando de ignorar esse seu novo estado mental.
‒ Hum... ‒ Murmurou, ignorando totalmente o olhar enfezado que recebia do outro.
‒ Enfim... No final da aula, vou chamar a Sakura-chan para fazer dupla comigo! Tenho certeza que ela aceitará, já que você deixou bem claro que nem que ela fosse a única pessoa restante, faria com ela... ‒ Disse com certo pesar, sentindo-se complacente com a situação da rosada.
‒ Como você é idiota... ‒ Suspirou, achando Naruto a pessoa mais trouxa do universo. Sentindo-se esgotado por tudo aquilo, sem nem mesmo se despedir do amigo, deu as costas ao mesmo e seguiu para sua carteira, sentando-se desleixadamente, por fim.
Virou-se para o lado com a intenção de pegar o celular em sua mochila, mas parou o intento assim que pousou os olhos na jovem Hyuuga que conversava com Yamanaka Ino distraidamente.
Ok... Era estranho ver Hinata tão animada e descontraída quando a totalidade do tempo em que conviviam ela passava quieta e extremamente corada. Mas... Não era um estranho ruim... Longe disso. O estranho era, somente, por ser algo não usual, pois, na verdade, Sasuke apreciou, e muito, o sorriso aberto que a menina destinava à amiga, e a forma como gesticulava, ainda mantendo a delicadeza nata, enquanto falava.
Naquele momento, percebeu que Hinata deveria sorrir e se portar daquela forma mais vezes, pois de forma surpreendente, aquele simplório sorriso, tão verdadeiro e aberto, que ela portava, mesmo que não sendo destinado a si, aqueceu-o de tal maneira que ele nunca pensou ser possível.
Viu-se tão preso a cena que, sequer, notava o que acontecia ao seu redor... Mas, seu transe momentâneo foi desfeito quando a voz melodiosa que, mesmo sem ver, ele já sabia identificar de quem era, ditou um tímido "Naruto-kun" e, então, Sasuke tivera que apurar os ouvidos e focar no que elas falavam.
‒ Então você vai falar com ele? ‒ A loira indagou com cautela.
‒ N-não sei, Ino-chan... Provavelmente, o Naruto-kun já tem uma dupla... Além do mais, caso ele ainda não tenha, por que iria querer fazer comigo? ‒ Indagou retoricamente, olhando de forma distante para a Yamanaka.
"Então é isso...", suspirou, lembrando-se do que Naruto havia falando consigo, há instantes...
Aquilo lhe intrigara, mas, como sempre fazia, preferiu ignorar...
No entanto, mesmo que involuntariamente, aquilo ficou martelando na mente do jovem até o fatídico momento em que tomara a pior decisão de sua vida...
Ou, ao menos, era o que seu orgulho Uchiha insistia em dizer...
[...]
Ele só se deu conta que já estava na hora de ir para a casa, finalmente, quando ouviu o sinal estridente, indicando o término da aula, soar escandaloso em todo o perímetro.
Havia perdido três aulas, nada tão importante que o fizesse se estressar. Sempre fora inteligente, nunca tivera uma única dificuldade nas matérias que possuía, portanto, as três faltas não lhe fariam diferença alguma. Se bem que, ultimamente, andava demasiadamente disperso e sem paciência para qualquer coisa que fosse.
Pensar em Hinata, em Kakashi e em tudo que estava lhe acontecendo era confuso demais e, infelizmente, andava tomando conta de sua mente 24h por dia.
Um profundo e cansado suspiro escapou de seus lábios finos, e a mente vagueou para a menina, novamente.
O que estava acontecendo consigo, afinal?
Quando foi que Hinata se tornara alvo de seus pensamentos?
Eram perguntas sem respostas, e ele se martirizava por isso, pois sempre tentava esclarecer o que, para si, precisava de um esclarecimento.
Sasuke sempre fora uma pessoa fácil de se lidar, embora, para a maioria, de facilidade o Uchiha não possuísse nada. Mas, sim, era muito simples lidar com o mesmo... Bastava respeitar seu espaço, sua rotina e sua paciência que tudo estaria na maior paz e tranquilidade do universo. Ele não queria ser o centro das atenções, não queria complicações em nada, nem mesmo se envolver com ninguém... Era prático, de objetivos consistentes e de passos minimamente traçados e executados.
Seu maior objetivo: ter valor, ter reconhecimento. Não de amigos, não de garotas, nem professores... Eram futilidades, ao seu ver. Ele queria ser grande, como seu pai e seu irmão. Queria uma cadeira ao lado da de seu pai na corporação petrolífera de seu progenitor. Queria sucesso profissional, um nome conhecido e poder. Ele nasceu para o mesmo. Nasceu para o topo, para mandar e administrar... Nasceu um líder, frio o bastante para tomar as mais difíceis decisões, e suficientemente centrado para iniciar projetos que arrecadariam receitas multimilionárias.
E ele cresceu sendo doutrinado assim... Um garoto prodígio. Um garoto mesquinho, egocêntrico e metido. Sério, frio, calculista e com o dom para negócios. Fugaku o tinha ensinado bem demais, até... Via um potencial gigantesco no caçula Uchiha... Tinha o preparado para o poder! Mas, a vida não é feita apenas de poder, negócios e responsabilidades comerciais... E Sasuke não estava nada, nada preparado para lidar com as demais vertentes das relações interpessoais que o rondavam.
Era tudo uma novidade... Tanto quanto foi, para si, quando se descobriu amigo de Naruto... E, depois, de Shikamaru e, mais recentemente, de Itachi, embora a relação dos dois irmãos fosse um tanto quanto conturbada.
E, com as outras novidades com as quais estava aprendendo a lidar, ele soube que a vida é uma caixinha de surpresas e que, por mais que estivesse tão compenetrado a ser o Santo Graal dos Uchihas, a vida não se resumia apenas à isso... E, mesmo que secretamente, ele começasse a gostar dessa perspectiva que as coisas estavam tomando, desse rumo que tudo começou a difundir.
Com certo pesar, levantou-se do chão e pôs-se de pé. Naruto o estava esperando na portaria, com sua mochila em mãos. Não correria, sabia que o loiro o esperaria de qualquer forma.
À passos lentos, andou pelos corredores do colégio muito pensativo sobre tudo, até que finalmente chegou à portaria e encontrou Naruto, conversando com Sakura. O semblante do jovem se fechou no mesmo instante. Sakura o irritava com tanta facilidade que era inacreditável como ainda conseguia coexistir com a mesma em sala de aula.
‒ Oe, Teme! Onde foi que se meteu esse tempo todo? Asuma passou um trabalho e, felizmente, você fará comigo, hehe ‒ Energético, entregou a mochila para Sasuke, sorrindo largamente para o mesmo. ‒ E nem pense em recusar, você sabe que não sou nada bom em álgebra e só você poderá me ajudar, né, né?!
"Mais um trabalho, que inferno!"
‒ Que seja... ‒ Deu de ombros. ‒ Vamos embora, dobe. ‒ Passou rente à Sakura, ignorando-a.
‒ O-oi Sasuke-kun! ‒ Sakura cumprimentou. Sasuke não fez questão nenhuma de se virar para responder ao cumprimento. Só de olhar na cara da mesma sentia asco, não suportava sua presença.
‒ Teme! A Sakura-chan acabou de te cumprimentar, tá surdo? ‒ Naruto interviu à favor da amada e Sasuke só fez revirar os olhos.
"Puta que pariu!"
‒ Hum... Oi, Sakura. ‒ Má vontade escorria por sua voz. Sem nem mesmo esperar por Naruto, iniciou seus passos rumo à sua casa. Se o loiro não se apressasse, ficaria para trás, embora não lhe fosse de todo mal que isso ocorresse.
Naruto havia se convidado para passar a tarde em sua casa, naquele dia... Sasuke já estava começando a se acostumar com a petulância do amigo, mas, a paciência era pouca... Se já não bastasse a folga, ainda teria de espera-lo terminar de falar com a irritante?!
"Até parece"
‒ Espera aí, Sasuke! Calma, cara! Pra que a pressa? Iremos para o mesmo lugar! ‒ Naruto o alcançou rapidamente, logo se pondo ao seu lado. ‒ A gente podia parar naquela sorveteria para tapear a fome, hein, bastardo? ‒ Sugeriu, empolgado. ‒ Aí, a Sakura-chan pode ir com a gente!
‒ Se você chamar essa irritante para fazer alguma coisa na minha presença, seu idiota, você não põe os pés na minha casa! ‒ Inquiriu calmo, no entanto, visivelmente transtornado só por se imaginar tomando sorvete com a rosada. ‒ E outra: agora não é hora de comer essas bobeiras. Vamos logo lá pra casa, Ayumi já deve estar com o almoço preparado.
‒ Mas, Teme... Eu quero tomar sorvete! Vamos logo e pare de ser esse velho ranzinza.
Sem que pudesse contradizer, viu-se sendo arrastado por Naruto até a tal sorveteria. Não queria passar lá, mesmo sem Sakura... Só queria chegar em casa logo, deixar Naruto entretido com seus jogos de PlayStation4, jogar-se na cama e dormir, pra tentar reorganizar as ideias e encontrar uma solução para tudo que vinha o afligindo.
‒ Ahhh! Kiba, seu babaca, nem pra me falar que 'tava vindo pra cá também!
‒ Não nascemos grudados, seu idiota! Vem cá, senta com a gente. ‒ Kiba logo deu lugar à mesa, e acenou para Sasuke que se encontrava inerte na porta do estabelecimento.
De costas para o mesmo, sentada de frente para o Inuzuka, estava Hinata, concentrada no sorvete, aparentemente de pistache, que tomava. Sasuke gelou e sentiu todo o corpo tremer, mesmo que permanecesse numa visível inércia.
Suas mãos, agora úmidas, apertaram-se com força.
Como, por tudo que lhe era sagrado, poderia justificar essas reações que tinha perante a menina?
Quando poderia cogitar que suas mãos suariam, que seu coração dispararia e que seu ego, imponência e altivez desmoronassem por conta de uma simplória garota?
E, assim, indagando-se, confundindo-se cada vez mais, ficara ali, estancado, até finalmente notar Naruto acenando fervorosamente para si.
‒ Porra, Sasuke, tô te chamando há horas! Vem cá escolher o que você quer.
Sasuke viu, em câmera lenta, Hinata vira-se para si no exato momento que Naruto pronunciara o seu nome. Viu, igualmente na lentidão que aquela situação lhe propunha, os olhos perolados grudarem em si, e um arrepio lhe acertar da nuca aos pés, enquanto o sorriso meigo e o rubor preenchiam a face da menina, que lhe cumprimentava de forma cortês.
Seu coração falhava uma batida para galopar em seguida, como se houvesse alguma competição interna para testar o quanto ele conseguia bater por minuto, sem que o matasse.
‒ Humf... Onde um vai, o outro viadinho sempre vai, não é mesmo? ‒ Kiba comentou mordaz, esperando uma resposta que não demorou a vir de Naruto, mas que nunca veio de Sasuke.
‒ Viadinho é o pai, seu babaca! Você que não cansa de correr atrás do Shino, vira-lata, haha ‒ Respondeu o loiro, já com seu sorvete em mãos, sentando-se ao lado do Inuzuka. ‒ Sasuke, o que tá acontecendo? Vou acabar de comer e você vai estar aí, ainda!
‒ Hã? ‒ Estava embasbacado com a própria confusão interna que tinha. Ele queria se mover, queria dar o fora de lá o quanto antes! Mas, ao contrário do que queria, suas pernas seguiram, involuntárias, para próximo da mesa, somente dando-se conta de que lá estava quando foi despertado pela branda sonoridade que, no último mês, o envolveu e atormentou diariamente.
‒ S-sente-se conosco, Sasuke-san. ‒ Hinata convidou, sorrindo para o jovem Uchiha com timidez.
‒ Senta logo aí, bastardo!
‒ E-eu... ‒ Gaguejou. ‒ Não posso. Tenho que ir.
E, sem mais, saiu do local, andando apressado, não entendendo nada do que se passava consigo.
Os passos largos, apressados, não o levaram muito longe.
Ou levaram?
‒ Sasuke! Espere!
Ele parou. Esperou e sentiu o toque cálido, quente e inebriante em sua mão.
‒ O que houve?
Ele não se virou. Não conseguia. Como poderia responder, sem nem mesmo sabia?
Ou sabia? Ou não assumia? Ou, simplesmente, era fraco demais para admitir?
Sasuke nunca foi dado à impulsos... Era calculista, calculava cada passo que dava, até ela se fazer presente em sua vida. Agora, tudo era caos, tudo era um emaranhado de fios soltos...
Mas, lá estava seu coração acelerado, e sua mão segurando a dela com firmeza, firmeza essa que não controlava, era incontrolável... Um impulso...
‒ O que houve? ‒ Ele repetiu, erguendo a cabeça, mirando o céu com descrença, dúvida e impulsividade. ‒ O que houve, Hinata, é que eu me apaixonei por você... ‒ Um sussurro, quase inaudível, mas, alto e claro o bastante para que ele ouvisse e sentisse o que dissera.
E, então, tudo se desvaneceu... As mãos unidas já não mais existiam, e a presença da menina apagou-se como um assopro que apaga a chama de uma vela, exceto pelo leve sorriso que carregava...
Os passos seguiram calmos, agora... E Sasuke soube que nada estaria bem... Ao menos, uma certeza se fez em meio ao caos...
E era isso o que mais ansiava, no momento... Certezas.
N/A: E aí, gostaram? *-*/
Espero que sim! Porque eu gostei bastante desse capítulo...
Sasuke FINALMENTE admitiu para si que tá apaixonado pela Hinata... E isso é um grande avanço! Espero que tenham entendido o porquê dele agir com tanta insegurança e aflição nessa situação toda amorzinho que tá rolando com ele... Caso não tenham entendido, só falar que tento explicar novamente.
Caso me achem merecedora de tal, estarei, ansiosa à espera de críticas, dúvidas, elogios, dicas, e tudo o que quiserem expressar sobre a fic! Amo, amo, reviews e amo ainda mais respondê-los!
Enfim...
Em breve, teremos o terceiro capítulo da fic!
Prometo que não haverá sumiço de novo!
É isso... Beijinhos e muito obrigada por ter tirado um pouquinho do seu tempo para ler esse capítulo! :')
~~ Ni Hyuuga ~~
