N/A: Olar!
Finalmente, cá estou com o PENÚLTIMO capítulo desta fic!
E eu sei que demorei, mas... Acho que o capítulo ficou bacaninha, então, talvez, a demora tenha valido à pena, huehue
Enfim... Esse capítulo tem dois flashbacks, já avisando para que não estranhem, huehue
É isso! Espero que gostem!
Boa leitura! 3
Capítulo 4 – A culpa é da expectativa!
Uchiha Sasuke, com toda a certeza do mundo, estaria mentindo se dissesse não estar nem um pouco ansioso com a chegada de Hinata. E estaria mentindo, igualmente, se dissesse que tivera uma ótima noite de sono e que não perdera sequer um segundo desta remoendo a curiosidade de saber como seria passar um tempo com a jovem Hyuuga.
E sendo o bom e orgulhoso Uchiha que era, honrando seu sobrenome até mesmo para si somente, a obviedade da sentença era clara como água: ele negou, se martirizou e se julgou com problemas mentais por, aproximadamente, todo o tempo que ficara na espera da adolescente.
Porque, por céus, ele mal falava com ela! Podia contar nos dedos de uma mão as vezes que falara com menina... Sendo a primeira quando a abordara para que fizessem este trabalho. Mas... Ele não podia negar já ter observado a garota, outrora... Ela tinha uma beleza discreta e delicada, diferente da extravagante e "comum" que as outras possuíam... Portanto, era inegável que, algumas vezes, esse fator exótico chamasse a atenção do mesmo. Tanto que quando a viu atravessar o portão central do colégio, simplesmente não conseguiu desprender seus olhos da figura pequena e esguia.
Um atípico rubor tomou sua face ao vê-la, tão tímida, aproximando-se de si. Sentia seu coração retumbar a cada passo que ela dava em sua direção e, pela primeira vez, sentiu uma estranha sensação se apossar da boca de seu estômago... Ou, talvez, fosse a primeira vez que dava atenção àquela inusitada ansiedade que lhe tomava... Era algo tão novo que se viu em um terrível conflito até que a Hyuuga estivesse parada a sua frente, de cabeça baixa, batendo os indicadores de forma nervosa.
‒Sa-Sasuke-san... ‒ Ela iniciou receosa, ainda mantendo a cabeça baixa.
Surpreendeu-se por notar a menina tão próxima, repreendendo-se por estar tão disperso. Suspirou e dignou-se a destinar somente uma olhadela a jovem, para tão logo lhe dar as costas e postar-se a andar.
‒ Vamos. ‒ Disse somente, caminhando a passos lentos e despreocupados, alheio ao conflito que a menina tinha logo atrás de si.
Ínfimos segundos se passaram. Não haviam nem mesmo, ainda, atravessado a esquina da rua da instituição quando Sasuke fora surpreendido mais uma vez naquele dia. Um toque tímido e suave, tão delicado, foi sentido calidamente em sua mão esquerda, e aquilo bastou para que se arrepiasse dos pés à cabeça. Parou abruptamente e arregalou os olhos em clara surpresa.
"O que diabos...?", pensou, virando o tronco minimamente para trás. Abaixou os olhos, encarando a menina corada para, em seguida, mirar incrédulo a mão da mesma segurando a sua. Sentiu a face esquentar ao notar aquilo, sentindo-se confuso tanto pela reação quanto pelo motivo de Hinata ter feito aquilo.
‒ E-eu... ‒ Começou a Hyuuga, notavelmente nervosa. Sasuke franziu a sobrancelha, encarando-a com certa impaciência. ‒ E-eu n-não farei o t-trabalho com você, U-uchiha-san... ‒ Disse, por fim, fazendo o adolescente arregalar, mesmo que por rápidos e breves segundos, os olhos negros.
Não soube dizer o que sentiu ao escutar aquilo, mas seu peito se apertou de tal forma que o ar pareceu sumir do local e uma desagradável sensação se apossou de si. Ele escutara direito? Por que Hinata estava recusando fazer trabalho consigo?
Inspirou calmamente, ainda desacreditado de que ouvira uma recusa daquela insignificante garota.
Tão insignificante que o fazia respirar com dificuldade, sentindo o característico aperto no peito, causado por sua rejeição.
"Por que eu me sinto assim?", perguntou-se, abobado, encarando-a perdido.
E, então, veio a insegurança... Sasuke nunca fora inseguro, até porque, limitava-se a fazer o que lhe era destinado, e tudo com a absoluta certeza de que teria a capacidade para que o feito saísse em perfeita ordem.
Ele calculava cada passo que daria, cada decisão que iria tomar... Mas, com Hinata não foi assim. Ele, simplesmente, agiu pelo impulso, este que ele não conseguia decifrar a origem.
Os lábios finos mexeram-se inaudíveis... Hinata não o encarava, mas, ele a encarava abobado.
‒ A-acredito que... – Iniciou relutante, por fim, visivelmente sem graça. – N-não queira, de fato, fazê-lo comigo e agradeço por ter me impedido de cometer algo tão estúpido, ontem. M-me sentiria mal caso fosse obrigado a...
‒ Você acha que tenho cara de quem se importa com os outros, Hyuuga?! ‒ Interrompeu-a com sarcasmo, saindo da inércia. ‒ Ninguém é digno da minha piedade, nem mesmo você... ‒ Aproximou-se dela, ficando face a face com a mesma. Hinata encolhia-se à cada palavra dita pelo adolescente, mas, mantinha-se firme, encarando-o nos olhos, fechando o semblante passível. ‒ Se eu disse que faria essa porcaria de trabalho comigo, tenha em mente que em nenhum momento eu quis te beneficiar de alguma forma.
Estava furioso!
Como ela ousava recusar fazer trabalho consigo? Sim, ele assumia que, naquele momento em que a vira com Naruto, entrou em desespero, não querendo vê-la, de alguma forma, magoada. A urgência foi tão grande que não conseguiu pensar em mais nada, somente em intervir naquilo de qualquer maneira! E foi o que fez...
Mas ele nunca assumiria isso para ela.
Seu orgulho já fora rebaixado demais, não permitiria que isso ocorresse outra vez, por mais que seu peito ainda doesse – muito – por ter sentido, pela primeira vez, o gosto amargo da rejeição.
– E justamente por não querer a piedade de ninguém, nem mesmo a sua, Uchiha, é que faço esta recusa. Não quero ter que conviver com alguém tão egoísta e mesquinho como você! – Refutou com firmeza a grosseria do jovem que só sabia arregalar os olhos cada vez mais. Tão logo, a menina lhe dava as costas e começava o caminho contrário ao qual fariam.
Surpresa definia sua face, no momento. E, passados poucos segundos, a ficha finalmente caiu, e a percepção das palavras que usara lhe vieram como um tapa na cara.
Suspirou pesadamente, sentindo-se um babaca. Ele sempre foi babaca, mas, isso nunca pesara em sua consciência.
"Egoísta e mesquinho..."
Ele queria chama-la de volta, não queria desistir dessa oportunidade que tivera de se aproximar da menina, embora ela ainda se recusasse a fazer o maldito trabalho consigo. No entanto, seu orgulho – mais do que ferido – o impediu, e lá ficou ele, estancado, vendo-a dar passos e mais passos que a afastavam de si, no sentindo mais literal possível que aquilo poderia ter.
E, então, ele percebeu que sempre afastava todos de si. Aquilo o acertou com fugacidade, e mais pensativo do que já estava seria impossível ficar, mas, ele ficou. Os poucos segundos que se seguiram lhe foram eternos, Hinata não havia se afastado muito, ela andava calma e lentamente, talvez, pensativa, como ele, talvez, tão ou mais decepcionada consigo do que ele próprio estava.
"Eu sou um babaca!", concluiu e deu alguns pequenos passos para a direção da menina.
– Hinata, espere! – Chamou surpreso e parou. Ele a viu hesitar, os passos ficando mais lentos do que já estavam, até que ela finalmente se voltou a si, encarando-o com receio e curiosidade nas pérolas que ela tinha.
– Uchiha-san, eu...
– Hinata, eu... – Interrompeu-a, aproximando-se da menina, escolhendo as palavras que lhe diria, sentindo-se tão inseguro e desamparado como nunca; inconsequente, também, afinal, não sabia o que lhe dizer! Mas, por mais que seu orgulho lhe dissesse para não prosseguir com aquilo, ele não estava disposto a abrir mão de ter Hinata consigo naquele instante. Ele criou expectativas, embora não soubesse com o que, exatamente, e nem mesmo fosse assumir tão facilmente para si. – E-eu... Olha, eu... – Estava nervoso, e a menina sabia disso. Ela o encarava com expectativa, agora, talvez, tivesse-as criado, também... Ele nunca saberia dizer. – Me desculpe pelo que falei... Fui muito estúpido. – Finalizou, inspirando o ar com exigência, para, por fim, expirá-lo com calmaria.
– Sim, você foi, Uchiha-san... – Concordou ríspida, mas, ganhando uma leve coloração nas maçãs pálidas. – E-espero que isso não se repita. – Ele assentiu, quase que de imediato; surpresa e mais expectativa o inundando.
– Sim, mas...
– Venha, vamos iniciar o trabalho na minha casa. Neji-nii-san tem alguns livros que podemos usar como base da pesquisa. – Ela lhe sorriu e ele... Bom, Sasuke se viu perdido, mas, contente, fugaz, imprevisível, com uma vitalidade que nunca o arrebatara antes.
Eles foram em silêncio o caminho todo... Sasuke, aliviado, e Hinata... Se ele não estivesse tão ocupado com seus pensamentos, teria visto o sorriso tímido que emoldurou os lábios carnudos a totalidade do tempo que passaram juntos... Talvez, as certezas que ele tanto buscava, teriam uma resposta, ali, por fim.
[...]
Sasuke, bravamente, ignorou as provocações de Itachi, naquela manhã. Ele acordou com um minúsculo, mas significativo sorriso no rosto, arrumou-se com destreza, cumprimentou os pais com cordialidade, e não levou para o coração o sermão que Fugaku lhe dera, ao repreendê-lo por não tê-lo ligado, assim como Itachi o havia avisado no dia anterior.
Sentia-se pleno, entusiasmado e com gana de ar fresco. Não tardou, portanto, a sair de casa, ainda mantendo o meio sorriso, com a mochila enlaçada em seu ombro esquerdo.
A caminhada até a escola foi minuciosa pela primeira vez, em tempos. Ele observou o céu que estava limpidamente azul, o sol que já despontava forte e motivador, as casas vizinhas que seguiam um padrão não antes notado por si, e as pétalas de cerejeira que inundavam as ruas pelas quais ele passava.
Ele estava apaixonado. Apaixonadíssimo! Arrebatado! Enfeitiçado! Os pés caminhavam em plumas, e o coração galopava em pampas. O pensamento vagueava em ramificações que se conectavam em um só ponto: Hinata, como a nascente e os afluentes de um rio que culminavam em sua foz.
"Eu... Estou apaixonado...", declarou, e seu estômago se revirou em uma sensação expectante, ao passo que agradável.
Tão distraído com pensamentos e arredores, deu-se por si somente quando já estava beirando os limites do colégio. Os passos apressaram, e logo os corredores de paredes brancas entravam em seu campo de visão.
– Bastardo! Você me ignorou, ontem! – Pego de surpresa pela cabeleira loira que inesperadamente apareceu a sua frente, parou de forma abrupta, quase tropeçando nos próprios pés.
– Seja menos escandaloso e pare de aparecer do nada, assim, dobe... – Suspirou e pôs-se a andar novamente. Não havia se estressado e nem se estressaria! Estava disposto, ao menos naquele dia, a tolerar quaisquer atitudes – pensadas, ou não – que eventualmente Naruto haveria de ter. – Vamos andando para a sala. Temos aula com a Kureinai, agora, e ela não gosta de atrasos.
– Eu sei, hehe – O Uzumaki, com um largo sorriso nos lábios, acompanhou-o sem relutância alguma. – Mas, aqui, teme... Acho que 'tô namorando! – Comentou e seus olhos brilharam em anises cintilantes. – Ontem, eu e a Sakura-chan conversamos bastante e...
E, então, as palavras ditas pelo loiro, tão eufóricas, perderam-se em sua mente... Ora ou outra, ele assentia, mas não discernia sequer uma das frases... Estava tão compenetrado em deixar aquele dia agradável que instintivamente bloqueava quaisquer coisas que sabia que o irritaria, dentre elas, a falação de Naruto.
Eles andaram calmamente até a sala. Sentaram-se próximos, inclusive, e tão bem humorado estava, não se incomodou de dignar-se a prestar um pouquinho, só, de atenção ao que o amigo dizia.
– E é isso... Finalmente, Sakura-chan se rendeu aos meus encantos! – Finalizou, sonhador.
– Que bom, Dobe... Parabéns! – Desejou, sentindo-se genuinamente satisfeito pelo amigo. Mas, breve, pois logo sua atenção foi tomada pela chegada da Hyuuga.
Ela estava com os cabelos soltos, como de praxe, carregando a mochila azul marinho, ladeada de Ino e Sakura. Elas conversavam e Hinata assentia ao que elas diziam, e por um mísero segundo, ônix e pérolas se encontraram, para tão logo se desencontrarem.
Ele viu, extasiado, ela se sentar ao seu lado, e lhe cumprimentar com um breve aceno. Ele assentiu, de volta, mas, ela não viu... Virou-se para as amigas, para continuarem o animador diálogo. No entanto, isso não o impediu de ficar observando-a e reparar em cada detalhe que ela possuía, até ser interrompido por Naruto.
– Pare de ficar secando a Hinata, seu pervertido!
Sasuke revirou os olhos, disfarçando o constrangimento por ter sido pego em flagrante, e decidiu ignorar o amigo.
– Você deveria falar com ela... Sabe? Se declarar, hehe – O loiro sugeriu, e Sasuke, simplesmente, concordou.
– E eu irei... Hoje!
[...]
– Sasuke-san?
Embasbacado, encontrava-se. Eufórico, igualmente.
Os olhos eram como imãs à ela, mesmo quando ele sabia que ela notava, ele não conseguia não admirá-la.
Eram os olhos, as sardas quase sem evidência – mas que ele, tão minucioso, encontrara –, o delicado rubor, a forma como os fios negros se remexiam insistentemente à cada movimento, mesmo leve, que ela fazia, a pele pálida e macia, o pescoço fino com minúsculas gotículas de suor – que percorriam uma fina linha até a clavícula e sumiam por entre o busto farto –, e, então, os lábios... Eles enfeitiçavam, dançavam com sensualidade à cada palavra dita! Eram olhos e lábios, eram sardas e suor... Eram os detalhes mais aparentes, até os mais imperceptíveis... E tudo o encantava... Ele estava fascinado!
E o que mais o fascinava é que Hinata era uma caixinha de surpresas... Ela não era tão tímida como aparentava, mas, sim, extremamente reservada. Era decidida, dedicada e muito inteligente; esforçada, compenetrada e séria; doce, delicada e cheia de manias, como mordiscar a ponta do lápis enquanto pensa, roer as unhas quando ansiosa e enrolar a ponta das mechas negras quando distraída; era forte, também, e de poucas palavras como ele, mas, empolgada, quando algo clamava por sua atenção... Hinata era esplendorosa, mas, simples em suas escolhas e atitudes... E a simplicidade o acometia à sua infância... Nostalgia o arrebatava quando estava com ela, e isso o intrigava, ao passo que o receava.
Seus defeitos... Ela tinha uma porção, assim como qualquer um... Mas, ele achava graça, ao menos dos quais ele presenciou. Ela sabia ser grossa, sabia ser irônica, sabia ser insensata e era deveras desleixada... Pouco organizada, mas, sabia se virar... E lhe faltava sinceridade, às vezes... Talvez, por lhe faltar confiança, talvez, por sua extrema discrição em tudo, ou talvez, simplesmente, por se importar demasiadamente com a opinião de outrem...
Internamente, ele ria... Internamente, encantava-se... Internamente, receava cada vez mais o desconhecido que, dia após dia, tornava-se conhecido... Internamente, ansiava conhecer ainda mais...
E Hinata era indiferente... Ao menos, para si, tão analítico como era, lhe parecia...
E, então, internamente, a insegurança o abatia, assim como a decepção e a falta de entendimento que tudo aquilo representava...
Os olhos seguiram uma última vez à menina... Estavam em seu quarto, a cama arrumada, mas, com algumas poucas peças de roupa, ali, jogadas... Haviam livros no chão, e a mesinha que usavam para estudar, estava um caos. Os quatro dias que ali esteve lhe mostrou que era sempre assim, mas, embora para alguns fosse desorganização, para si era aconchegante e privado... Era um lado da menina que só ele, e poucos, tiveram a oportunidade de conhecer...
– Sasuke-san? – Ela chamou, mais uma vez... E ele, disperso, só ouvira a sonoridade, mas, não atendera ao chamado. – Sasuke?!
– Ah... Diga... – Recompondo-se, virou-se para a mesma, encarando-a inquisidor.
– Já está quase pronto! – Ela sorriu, em alívio. – Só precisamos juntar as nossas partes e fazer o slide para a apresentação...
– Certo... Eu posso fazer o slide, hoje mesmo. Me mande por e-mail a sua parte, que eu formato o nosso artigo, também. – Impôs, desligando o notebook enquanto se levantava para pegar a mochila.
– Ah... Eu pensei que... – E calou-se.
Sasuke se virou para a menina e notou o típico rubor preencher a face feminina. Ergueu as sobrancelhas, indicando para que ela prosseguisse.
– Pensou o que, Hyuuga?
Ele a viu em suas manias e percebeu que algo a incomodava. Franziu as sobrancelhas, esperando que ela lhe dissesse algo.
– N-nada demais... É só que... – Os dedos indicadores começaram a se encontrar e, então, ele notou o nervosismo. Achou graça, mas, nada transpareceu. – C-como amanhã nós finalizaríamos o trabalho, p-pensei em... Fazermos juntos...
– Por quê? Acha que não dou conta? – Pressionou-a, com graça.
– Não! De jeito nenhum! Eu s-sei que é muito inteligente, Uchiha-san... Suas notas são as melhores! – As palavras saíam rápidas demais, eufóricas, e Hinata gesticulou em praticamente cada uma delas. – Eu só queria passar mais tempo com você... – Sorriu, ao passo que os olhos se arregalaram e a mão direita foi de encontro com a boca, tampando-a pela declaração inesperada.
E, assim, passaram-se milésimos, até que a vermelhidão se apossasse completamente da menina.
Sasuke arregalou os olhos na mesma medida, surpreso. Ela queria passar mais tempo consigo?
"Inacreditável..."
– Então... – Recompondo-se, sorriu provocador para a jovem. – Quer passar mais tempo comigo, Hyuuga?
– Não! Quer dizer, sim! M-mas, não desse jeito... Sabe? – Atrapalhou-se e encolheu-se.
– De que jeito? – Perguntou, sorrindo de lado.
– E-eu só quis dizer que gostei da sua c-companhia, essa semana... A-acho que fizemos um b-bom trabalho, juntos...
– Hum... – Murmurou, alçando a mochila no ombro esquerdo, dando as costas para a menina.
– Se quiser fazer o restante soz... – Ela começou, justificativa.
– Na minha casa, às 17h, amanhã, então, Hyuuga... – Ele a interrompeu, já em frente a porta. – Não se atrase. – E, assim, ele deixou o quarto da menina e, escadas depois, a casa da mesma.
Já passava das 19h, estava um pouco cansado, mas, satisfeito... A resposta da mesma não lhe fora convincente... Sua mente fervilhava em possibilidades, estas que, ainda, não sabia identificar...
O que ele queria, afinal?
E, Hinata? Queria sua amizade?
Embora fossem tantas coisas, de uma coisa ele tinha certeza: ele ficara feliz em saber que Hinata gostava de sua presença... E isso bastou para que aquele dia fosse memorável para si.
[...]
Quanto mais ansioso ficava, mais os ponteiros demoravam a se locomover... Ele intercalava entre olhar para o relógio que ficava logo acima da lousa, e para Hinata, mas, sempre de soslaio.
E, assim, o tempo passou, mesmo que devagar... Tão distraído se encontrava, assustou-se quando o sinal soou e sentiu o coração falhar uma batida quando notou que era o intervalo. A boca do estômago revirava em sensações expectantes... Mas, embora houvesse o nervosismo, era revigorante...
Finalmente, chegara o momento. Sasuke sabia que Hinata passava os intervalos, quando não com Ino, acompanhada de Kiba e Shino, na biblioteca. Ele viu Ino comentar alguma coisa com a menina e seguir para a mesa de Sakura, empolgada com sabe-se lá o que. E, então, Kiba e Shino se aproximarem da mesma, chamando-a para irem, como de costume, à biblioteca.
Ela se levantou e, automaticamente, ele fizera o mesmo, para que, em seguida, se sentasse novamente, tentando se acalmar. Seria muito evidente se fosse logo atrás dela e a chamasse e...
E o que?
O que ele falaria para ela? E como ela reagiria? E se ela o recusasse? Ele não havia calculado nada!
Um certo desespero começou a se apossar de si... Calidamente, sentiu uma irritante gotinha de suor descer por sua testa... Sentiu-se frio... Estava nervoso!
O nervosismo o cegou, e quando foi procura-la, ela já não estava mais lá. Respirou fundo, tentando conter o que o abalava, e levantou-se. Reuniu coragem e confiança e, a passos determinados, saiu da sala e rumou para a biblioteca.
"Eu sou um Uchiha! Vai dar tudo certo!"
E, então, a determinação começou a diminuir quanto mais próximo chegava de seu destino... Igualmente os passos... Ele se viu parado em frente à porta de vidro por uma eternidade que não passara de segundos... Um passo, depois outro... E, por fim, lá estava ele, empurrando a porta e adentrando o recinto que determinaria muitas mudanças para si.
Observou o local em busca da menina e quando, finalmente, avistou-a, sozinha, de costas para si, sentada e distraída, os olhos vidraram, e o coração retumbou incontáveis vezes. Ele sentiu a mão suar, e os pés se alastrarem entre os corredores, até que chegasse próximo a ela.
– Hinata, cheguei!
Antes que pudesse se fazer presente, Kiba sentara-se ao lado da menina, e os passos se findaram. Estancado, inerte e com uma estranha sensação, esgueirou-se no canto do corredor de prateleiras recheadas de livros, e observou. Não soube o porquê, mas, sentiu que devia ficar lá, à espreita... Talvez, com a esperança de Kiba sair de lá, ou talvez, dando corda para a estranha sensação que se apossou de si... Mau pressentimento, seria?
– Oh, Kiba-kun! – Virou-se para o Inuzuka com um leve sorriso, que repentinamente se desvaneceu. – C-cadê o Shino-kun?
– Ele ficou de comprar alguma coisa no refeitório... Por quê? Te incomoda ficar aqui, apenas comigo? – Indagou e sentou-se um pouco mais próximo à Hyuuga que, aparentemente constrangida, afastou-se na mesma medida.
– K-kiba-kun... S-sobre aquilo... E-eu...
Sasuke franziu a sobrancelha, sentindo-se estarrecer. O que estava acontecendo?
"O que esse maldito faz tão perto da Hinata? Por que ela tá tão nervosa?"
– Olha, Hina... – Ele suspirou, e coçou a nuca, evidentemente sem graça. – Vou ser sincero... Eu não consigo parar de pensar no beijo... Eu sei que foi inesperado, nós nos conhecemos desde sempre... Mas, eu gostei... E muito...
"B-beijo?"
Os olhos se arregalavam cada vez mais. Kiba e Hinata estariam juntos?
De repente, uma pontada no peito... E o ar dificultou... Ele inspirava com dificuldade, e a decepção se fez presente em uma dolorosa sensação... Ele engoliu em seco, algumas vezes e, finalmente, a ficha caiu.
– Você n-não precisa me justificar nada, K-kiba-kun... – As mãos femininas, que outrora tocavam as suas, agora envolviam as de Kiba, e Sasuke não sabia mais o que estava fazendo ali. Ele precisava correr, extravasar, precisava gritar e... Ter Hinata consigo... Mas, ele não a teria... Não da forma que desejava.
– É claro que preciso... Não quero que fique nada estranho entre nós... – E outro suspiro, uma cálida troca de olhares e um sorriso cumplice.
– Nada ficará, Kiba-kun! Eu prometo!
– Você acha que nós deveríamos tentar... Sabe...? – Kiba corou e abaixou a cabeça. – Ter algo mais sério? – Encarou-a com seriedade e expectativa.
– Não apenas acho, Kiba-kun, como tenho certeza que sim! – Ela sorriu para o garoto a sua frente, da mesma forma que ela havia lhe sorrido no último dia que estiveram sozinhos, daquele jeito acolhedor, nostálgico e cheio de mistério, como se soubesse que tudo daria certo, e, como cacos despedaçados, ele sentiu seu coração trincar, para que, finalmente, ele se partisse em pequenos fragmentos ao seu redor.
Tudo, então, ficou turvo... Estava transtornado... Tudo doía, seu âmago, seu peito, seu respirar... A mente vagueava em Hinata, e apenas nela, e nada mais parecia existir, ali... Automaticamente, deu três passos para trás, quase tropeçando ao topar com alguém que estava logo atrás de si.
– Sasuke? O que faz aqui? – Ino indagou, escandalosa, encarando-o com surpresa. – Você mal vem à biblioteca, haha... O que houve? Tá bisbilhotando a Hinata? – Ela lhe ergueu a sobrancelha loira, trocista, provocando-o.
– Ah... Ino... – Atônito, frente à loira, os olhos negros transmitiam tristeza, algo nunca presenciado anteriormente. – E-eu... Eu tenho que ir...
– Não, espera aí! O que aconteceu? Você tá bem? – Ela segurou os ombros do Uchiha, sacudindo-o de leve. – Você tá todo pálido! – Gritou, horrorizada!
O grito da Yamanaka chamou mais atenção do que deveria, inclusive de Hinata e Kiba que, tão logo, viravam-se para os mesmos.
– Sasuke-san? – Chamou, tendo os olhos do mesmo pousados em si.
Um triste sorriso se formou nos lábios finos do Uchiha, e quando a menina encontrava-se frente à ele, os orbes negros fecharam-se em seriedade.
– Espero que seja muito feliz, Hinata-san... – Desejou e, por fim, deu-lhe as costas. Caminhou até a saída da biblioteca do colégio e, quando fora da mesma, sentiu-se livre de toda a pressão e pôs-se a correr.
– Você... Sasuke? – Ela chamou, acompanhando, suavemente, os passos do Uchiha. – Sasuke-san? Espere!
Ele não esperou... Sequer olhou para trás... A voz de Hinata, agora, era distante... E, segundos depois, inexistente...
Resposta de Review:
- MiUchiha:
Amorzinho, você não tem ideia do quão lisonjeada e cheia de felicidade eu fiquei ao ler o seu review! É tão gratificante saber que a minha singela criação lhe agrada... 3 Eu sempre fico toda boba, aqui, ao reler o seu comentário, haha Muito obrigada por isso!
E pode cobrar atualização o quanto quiser, haha
Sou muito enrolada para atualizar, porque junta todas as fics que tenho, a revisão que tô fazendo na maioria delas, a vida pessoal recheada de trabalho, faculdade, TCC... É coisa demais, haha Então, a cobrança sempre me dá um empurrãozinho e me lembra de não deixar as fanfics de lado! Não se preocupe quanto a isso!
O próximo capítulo sairá em breve, prometo! Afinal, será o último, então, não farei muito suspense e não demorarei tanto! huehue
É isso, amore! Muito obrigada pelo comentário lindo, lindo!
Beijinhos de luz!
N/A: Então, gostaram? hihihi
Espero que sim!
O próximo capítulo será o último... E eu tô em dúvida entre dois finais para essa belezinha, huehue
Mas, acho que optarei pelo original... Não sei... huehue
Enfim... Aguardo ansiosamente o feedback de vocês... E como a fic tá na reta final, seria muito feliz se os leitores que ainda não me deram um oizinho, dar um agora, huehue .
Zoeiras à parte, espero que tenham gostado desse capítulo!
Em breve, talvez num intervalo menor que o desta postagem, o próximo capítulo sairá! 3
Beijinhos de luz!
~~ Ni Hyuuga ~~
