Cap. 47 – Reunião de família
Valentin havia sentido a aura forte de sua filha assim que adentrou o corredor que levava à cela de seu pai. Era uma sensação inconfundível, uma aura carregada de escuridão que parecia chamar a sua própria escuridão interior.
Valentin entrou na cela de Nurmengard com uma expressão séria, seus olhos se estreitando enquanto observava a cena diante dele. Morgana, com sua aura escura e seus olhos brilhando com prazer sombrio, estava imersa em uma conversa profunda e sombria com seu avô, Vladimir.
O sorriso sádico nos lábios de Vladimir não passou despercebido por Valentin, que estava claramente ciente da presença de seu filho, mas parecia não perturbado pela situação. A aura forte de Morgana era inegável, uma força sombria que parecia chamar a aura negra de Valentin. Ele podia sentir a conexão entre eles, um elo profundo que os unia através do lado mais obscuro da magia. Valentin tinha encontrado Morgana algumas semanas atrás na Mansão Rostoff, e naquela época, já havia percebido a escuridão que a consumia. No entanto, agora, a aura de sua filha era ainda mais poderosa e perturbadora.
Enquanto observava a conversa entre Morgana e Vladimir, Valentin sentiu um turbilhão de emoções conflitantes. Preocupação, desaprovação, tristeza e uma pitada de orgulho sombrio se misturavam em seu interior. Ele sabia que sua filha tinha escolhido um caminho perigoso e sombrio, mas havia uma parte dele que não podia deixar de admirar a força que ela exibia.
Com seu sorriso sombrio e olhos brilhando com malícia, Vladimir não resistiu à oportunidade de provocar seu filho.
- Uma reunião de família inesperada, não é, Valentin? Comovente ver pai e filho compartilhando esse momento especial com nossa querida Morgana.
Valentin respondeu igualmente sombrio e provocativo a seu pai, sobre a reunião inesperada e sombria. Seu olhar se encontrou com o de Vladimir, e ele falou com uma voz impregnada de escuridão.
- Parece que as trevas sempre têm um modo peculiar de nos reunir, não é, pai? A escuridão nos envolve, e aqui estamos nós, mais uma vez, unidos por ela.
A troca de palavras entre pai e filho era carregada de tensão e uma compreensão sombria mútua. Ambos sabiam que a escuridão era uma parte inegável de sua linhagem, e essa reunião os lembrava disso de forma implacável.
Valentin continuou olhando para sua filha, Morgana, com uma expressão séria, enquanto sentia a aura intensa dela e de seu próprio pai, Vladimir. Com uma calma deliberada, ele permitiu que sua própria aura, uma aura sombria que refletia anos de conhecimento nas artes das trevas, se manifestasse.
A resposta de Valentin não surpreendeu Vladimir. Era evidente que o sangue que corria nas veias de Morgana, como herdeira da linhagem Rostoff, tinha uma afinidade natural com as trevas. Valentin compreendia que o poder das trevas era uma força sedutora e envolvente, e ele próprio tinha explorado essa escuridão em sua juventude.
Valentin esperava ouvir as palavras de Morgana, enquanto Vladimir parecia apreciar o jogo de sombras que se desenrolava diante deles. Era uma reunião familiar que trazia à tona segredos e legados sombrios, onde o passado e o presente se entrelaçavam de maneira intrigante.
Morgana sustentou o olhar firme de seu pai, Valentin, sem vacilar diante de sua aura sombria. Seu sorriso provocativo não desapareceu enquanto ela comentava com uma voz que carregava uma ponta de sarcasmo:
- Papai, não esperava encontrar você aqui na prisão nesta noite.
Ela não demonstrou receio ou arrependimento em relação ao que havia dito a Vladimir, mantendo a postura confiante e desafiadora que tinha desenvolvido desde que abraçou totalmente as trevas. A atmosfera na cela de Nurmengard estava carregada de tensão, e Morgana estava determinada a não se deixar abalar pela presença imponente de seu pai. Era um jogo de poder e sombras que estava sendo jogado entre os três membros da família, onde as palavras eram como feitiços carregados de significado.
Valentin manteve seu sorriso provocativo ao responder sua filha, seus olhos refletindo a mesma determinação sombria. Ele disse com uma voz fria e calculada:
- Não, minha querida Morgana, eu não tinha a intenção de vir até aqui esta noite. No entanto, mesmo depois de ter sido libertado, ainda mantenho alguns informantes nesta prisão. Eles me alertaram sobre a sua presença, sobre essa aura extremamente escura e perigosa que você carrega agora. Como pai, eu não poderia perder essa reunião familiar sombria.
Morgana, com um sorriso provocador nos lábios, dirigiu-se a Valentin, comentando de forma mordaz:
- Valentin, meu querido pai, parece que você mantém seus olhos e ouvidos em todos os lugares, não é? Informantes nas sombras, sempre a postos para informá-lo sobre os movimentos de sua própria filha. Devo dizer que estou impressionada com seu zelo. Mas lembre-se, eu também tenho meus próprios contatos nas trevas, e nem tudo o que faço é conhecido por você.
Ela fez uma pausa dramática, seus olhos faiscando com uma mistura de desafio e diversão sombria.
- O que mais você descobriu sobre mim, pai? Ou será que ainda existem segredos que eu guardo com cuidado?
Valentin soltou uma risada sombria diante da provocação de Morgana. Seu sorriso estava carregado de ironia quando ele respondeu:
- Minha querida Morgana, os segredos são o que tornam a vida interessante, não acha? E, claro, a família Rostoff sempre foi muito boa em manter segredos. Não duvido que você tenha suas próprias cartas na manga, assim como eu tenho as minhas.
Valentin olhou nos olhos de Morgana e, com um sorriso enigmático continuou.
- Você ficaria surpresa em descobrir quantos dos seus contatos são os mesmos que os meus. As teias do mundo das trevas são intricadas, e é fascinante ver como elas se entrelaçam. Talvez, em algum momento, possamos compartilhar algumas histórias interessantes sobre esses contatos em comum.
Morgana não perdia a oportunidade de provocar seu pai, e com um sorriso sardônico, ela perguntou:
- Seriam Cygnus Black e Randolph Lestrange, papai? Eles são alguns dos seus informantes? Ou devo dizer, nossos informantes?
Ela olhou nos olhos de Valentin, desafiadora e curiosa, esperando a resposta dele enquanto sua aura escura parecia dançar com a aura de seu pai naquela cela de Nurmengard.
Os olhos de Valentin brilharam com um lampejo de satisfação ao ouvir Morgana mencionar os nomes de Cygnus Black e Randolph Lestrange. Ele assentiu lentamente e respondeu com um tom carregado de mistério:
- Ah, Cygnus e Randolph... Eles me disseram que ficaram profundamente impressionados com você no dia da festa de casamento de Bellatrix. Parece que você está fazendo um nome para si mesma, minha filha.
Vladimir soltou uma risada profunda e sombria, olhando para Valentin com malícia.
- E então, Valentin, o que você sente na aura de Morgana além da escuridão? Sinta o sadismo e o prazer que ela encontra nas trevas. Morgana é uma verdadeira herdeira do nosso legado sombrio.
Valentin manteve seu olhar fixo no pai e respondeu com um tom calmo e sombrio:
- Ah, eu vejo isso, pai. O prazer dela em ouvir os gritos das vítimas torturadas diz muito sobre isso.
Sua voz era carregada de significado e uma compreensão sombria.
- Me diga, minha filha, quantos... você já fez gritar?
Vladimir, com um olhar sombrio e um sorriso malicioso, complementou a pergunta de Valentin:
- E, o mais importante, quantos você já matou?
Morgana olhando nos olhos de seu pai e avô, com um sorriso sombrio brincando em seus lábios, e respondendo com uma voz carregada de desafio:
- Não tantos como vocês, é claro.
Morgana olhou para seu pai, seus olhos carregados de curiosidade e malícia enquanto ela perguntava:
- Papai, quantas pessoas você matou e torturou por esses objetos raros e escuros que você negocia? Conte-me, há um número específico ou é algo que você simplesmente prefere não contar?
Valentin sabia que a pergunta de sua filha estava indo para território sombrio, mas ele decidiu responder.
- Não há um número específico, Morgana. Foram muitos ao longo dos anos, e a maioria deles mereceu o que aconteceu. Eles eram obstáculos no meu caminho para adquirir poder e conhecimento.
Morgana fixou seu olhar penetrante em seu avô Vladimir, curiosa para descobrir os segredos sombrios de seu passado. Com um toque de provocação em sua voz, ela perguntou:
- E você, vovô? Quantos você matou e torturou?
Seus olhos refletiam a curiosidade sombria que a consumia naquele momento.
Vladimir, com um sorriso sombrio nos lábios e uma pitada de orgulho, responderia a Morgana:
- Minha querida neta, a escuridão de meus atos é um abismo profundo. Eu fiz coisas das quais a maioria jamais ousaria falar. Matando, torturando, espalhando o medo... eu era um comandante leal de Grindelwald, e minha devoção não conhecia limites. Mas, quanto ao número exato de vítimas, alguns segredos sombrios permanecem em minha mente.
Morgana, incapaz de conter uma risada sombria, olhou para o pai e o avô com um olhar perspicaz. Ela respondeu com uma voz carregada de sarcasmo:
- Parece que todos nós aqui têm esqueletos no armário, não é mesmo? A família Rostoff é repleta de segredos sombrios e atos inconfessáveis.
Seu sorriso provocativo indicava que ela sabia que, apesar das diferenças, todos compartilhavam uma conexão sinistra.
Morgana, senti a Marca Negra queimar levemente naquele momento e tenta disfarçar seu desconforto e diz ao pai e ao avô:
- Acho que é hora de eu ir embora, tenho alguns assuntos para cuidar. Mas foi uma reunião familiar interessante.
Morgana se despediu rapidamente, tentando disfarçar o desconforto causado pela leve queimação da Marca Negra. No entanto, seu pai e avô, Valentin e Vladimir, perceberam sua pressa e trocaram olhares significativos assim que ela saiu.
Vladimir fixou seu olhar em Valentin, seus olhos brilhando com orgulho sombrio e malicioso, enquanto dizia:
- Valentin, não adiantou muito mandar Morgana para longe. Ela terminou como nós. Com pura escuridão dentro dela, sangue nas mãos e feliz por isso. Ela seguiu exatamente nossos passos.
Ele pausou por um momento, deixando o peso de suas palavras ecoar no ar.
- Mas mesmo assim, eu acho que ela tem um bom coração, Valentin. - Seu sorriso sádico retornou. - Apenas escondido sob essa escuridão profunda. Vamos ver o que o futuro nos reserva.
Valentin assentiu, compartilhando a complexidade de sentimentos em relação a sua filha Morgana e ao caminho sombrio que ela escolhera seguir.
