Todos na sala viraram-se rapidamente para a grande porta do salão, quase estalando seus pescoços no processo.

Entrando calmamente por esta, estava um rapaz,de rara beleza, com pele pouco pálida, verdejantes cabelos além dos ombros,e cativantes olhos de ressaca esmeraldinos.

– Você…

Começaram surpresos, ao que o rapaz inclinou a cabeça ligeiramente.

– O que? Foram seis, não creio que mudei tanto ao ponto de não me reconhecerem.

Comentou suave, expressando aquele mesmo sorriso gentil.

É óbvio que eles o reconheceram, quem no mundo teria exóticos cabelos verdes e beleza tão pouco ortodoxa?

– Shun?

Perguntou Seiya cauteloso,seu rosto corou um pouco quando os obes verdejantes lhe dedicaram um olhar mais atento.

– Hai,faz muito tempo Seiya-san,estou feliz em lhe ver,a todos vocês.

Cumprimento alegremente, de maneira quase infantil.

Olhando nos olhos de cada um,por um instante,um leve sentimento de decepção cruzou por aqueles olhos gentis quando constou algo.

– Shun-san,me alegra que esteja aqui, por que não avisou-me que viria?Teria mandado lhe buscar.

Saudou Saori de forma jovial.

Um certo grau de carinho contornava sua expressão, deixando os demais confusos por tal proximidade.

– Bem,acho que queria fazer-lhes uma surpresa.

Respondeu sorrindo de forma tímida, esfregando o pescoço.

Por algum motivo,as demais pessoas da sala se sentiram excluídas no meio desses dois.

Nesses últimos anos, assim como Miho, Shun permaneceu trocando cartas com Saori, obviamente ocultando algumas coisas.

A jovem sempre lhe informava do estado de Ikki na ilha. Pelo menos,até um ano atrás.

– Eu sinto que cheguei em má hora, vendo que vocês estão todos reunidos aqui, e eu sinceramente peço desculpas por isso, no entanto, Saori-san,creio que terei de roubá-la de seus convidados.

Desculpou-se gentil, no entanto, o olhar sério em seu rosto não deixava espaço para contestar ou negar algo.

– Eu entendo, peço perdão a todos por gastar vosso tempo em vão, mas como podem ver, é algo importante, vou responder a todas as perguntas que precisarem se vierem até mim.

Informou para os demais, cujo desagrado tomou-lhes a face,sendo ignorados pela mesma, que subiu as escadas, guiando o rapaz.

– Shoko-san, não precisarei de sua escolta por essa noite, pode se recolher.

Dispensou,impedindo que a rosada os seguisse.

Em meio a essa troca, e aos descontentes rapazes que saíam,ninguém percebeu um gesto de mão do esverdeado.

Ninguém exeto quatro pessoas, que não tiraram os olhos dele desde que chegou.

…………………………….

– É oficial, eu vou chutar o Maldito que se atreveu a fuçar aqui,e o senhor emgomadinho também.

Reclamou irritado,enquanto chutava a cabeça criatura atrevida que veio em sua direção.

Ambos encontravam-se no centro de uma densa floresta,cercados por mortos-vivos.

– Só depois que eu o pegar,será bom para o Klaus não estar lá quando eu voltar.

Rosnou o outro, atirando suas rosas em cada um que fosse burro o suficiente pra se levantar.

Ele obviamente descontente com o seu atual estado, onde se viam sujos de sangue e lama,encharcados pela fria chuva que caia.

– Esse lugar emana tanto miasma que está me deixando tonto.

Isso com certeza era um problema.

O canceriano por si,era acostumado a intensas quantidades de miasma,mas o fato de estar incomodado, significava que havia algo de muito errado ali.

– Essas coisas…

Começou, olhando com nojo para os mortos-vivo,se livrando rápido demais de uma mão boba que teve a audácia de tentar agarrar seu cabelo

– O termo certo é ghoul.

Corrigiu,vendo que o número do enxame só aumentava.

– E eu por acaso tenho cara de que quero saber o gênero dessa coisa?!

Exclamou chateado, em meio aos gritos dos monstros.

– CHE DIAVOLO! COMO VIEMOS PARAR AQUI

…………………………….

– Estou morrendo de fome.

Resmungou o azulado,internamente aliviado por ver a velha cabana no topo da colina.

Ambos haviam partido por volta do meio dia, mas agora, o crepúsculo se fazia presente.

– Devo ter suprimentos o suficiente para fazer Sashimi,Temaki ou Yakissoba.

Comentou o japonês,olhando as plantas com curiosidade, não surpreso com o olhar de desagrado do outro.

Máscara geralmente era muito receptivo a qualquer comida ou bebida,sempre e quando não fosse feito por seu aprendiz,na piada de alguns, isso era karma.

– Eu vou cozinhar, sinto que farei jejum se tiver que comer algo como Sunomono de novo.

Reclamou ranzinza, abrindo a porta da cabana escura,sendo seguido pelo adolescente.

Seu estômago se revirava só de se lembrar.

– FIGLIO DI UN CANE!

Xingou segurando seu sofrido coração, não surpreendendo Mei,já muito acostumado aos surtos repentinos do sicíliano.

O motivo do susto? No meio da escuridão,estava uma silhueta masculina bem conhecida por ambos.

– Precisa chegar assim toda vez? Uma hora dessas posso te mandar pro Yomotsu.

Repreendeu o azulado, acendendo as velas do candeeiro, iluminando o lugar.

A cabana, por dentro, era tão simples quanto seu exterior. Da porta onde estavam, era possível ver a pequena copa, um quarto grande o suficiente para caber duas camas de solteiro,cujos colchões estavam gastos e duros.

– Não seria a primeira vez que você faria isso.

Sentado elegantenente em uma desconfortável cadeira de madeira, com um livro em mãos, estava Afrodite, vestindo um sobretudo preto, calças brancas e botas de cano alto.

Ao lado deste, sobre a mesa, estava uma urna dourada, cuja uma das faces tinha dois peixes entalhados.

– Boa noite senhor Afrodite.

Cumprimentou Mei, curvando-se para o mestre de seu irmão mais novo,que apenas acenou em reconhecimento.

– Para estar aqui, usando o uniforme, não acho que veio fazer minha caveira.

Apontou o mais velho debochado, no entanto a seriedade estava em seus olhos.

Percebendo a dica,Mei dirigiu-se até o quarto que compartilhava com Máscara e pegou o telescópio que estava sobre sua cama.

– Estarei com a Hywel,com licença.

Curvou-se,pronto pra sair.

– Divirta-se garoto.

Desejou Ángelos, piscando de maneira maliciosa,fazendo o grisalho ficar num interessante tom do vermelho.

– Desnecessário!

Esbravejou,batendo a porta atrás de si,deixando um sorridente caranguejo para trás.

– Pobre Mei,de todos os possíveis, foi ter a ti como mestre.

Lamentou Afrodite, mas apesar dos seus dizeres,junto dos demais, se surpreendeu ao ver que o italiano havia se tornado um mestre minimamente descente.

– Nah, o sujo falando do mal lavado.

Respondeu, sentando-se na outra cadeira,de maneira muito mais relaxada que o sueco,que guardou seu livro no bolso interno do sobretudo.

– temos uma missão.

Revelou calmamente.

O Clima da sala imediatamente mudou, junto com a expressão e postura do outro.

– Ambos? Quão seria é?

Questionou preocupado.

E não por menos,uma missão que requeria dois dos mais perigosos cavaleiros de ouro, não era algo para se levar a ânimos leves.

– Só o fato de eu estar aqui te informando não é o suficiente? Vista-se, temos que ir.

…………………………….

Era aqui, finalmente, ambos haviam chegado.

Diante deles,erguia-se uma densa floresta,com árvores retorcidas de aspecto sombrio.

– Vocês ficam aqui.

Ordenou Afrodite para os soldados que os acompanhavam,enquanto que Máscara já adentrava a floresta.

– M-mas senhor…

Tentou uma garota morena, que não tinha mais do que quatorze anos.

De que adianta a a presença deles,se não poderiam ser de ajuda para seus superiores.

– Vocês são idiotas? Essa floresta é responsável pela morte de inúmeros cavaleiros e civis nos últimos três séculos,vocês seriam apenas peso morto para nós.

Zombou Máscara da Morte, acenando de costas,enquanto se afastava junto de sua urna, sendo seguido por Afrodite,que apesar de não dizer, concordava com o outro.

Ambos já estavam caminhando a algum tempo, no entanto, tudo estava muito quieto,de forma que,o som de seus sapatos contra o solo ecoava pelo local.

Não havia som de animais ou insetos,como se a vida temesse o lugar,não por menos se chamava Floresta da Morte,a mesma que engoliu um vilarejo na última guerra santa.

– Espere um pouco.

Pediu Afrodite,agachando-se,e tocando a raiz de uma árvore, fechou os olhos enquanto emanava uma sutil quantidade de seu cosmo dourado.

Enquanto isso era observado por Máscara, que atento ao seus arredores, franziu a testa.

– Esse lugar, realmente faz jus ao nome,o miasma impestiou tudo, ao ponto de que sequer os seres da noite possam permanecer aqui.

Comentou para ninguém em particular,enquanto o outro abria os olhos

– Não consegui identificar nenhum ser vivo através da minha empatia,mas encontrei uma coisa no centro da floresta.

Informou ainda agachado,empurrando uma mecha que caia sobre seu olho.

– Eu também não consegui sentir nenhuma alma por aqui, nem mesmo as desencarnadas que usualmente assombram esses lugares.

Complementou desconfiado.

Seu sentido nunca errou quando se tratava de encontrar almas,a prova disso é que podia sentir os soldados que deixaram na entrada da floresta.

– Bem,vamos ao centro e….DROGA.

Xingou,levantando-se alarmado,deixando o italiano ainda mais em guarda.

– o que você viu?

Questionou preocupado.

A empatia de Afrodite também era certeira, o que fazia ainda mais a reação do sueco ser preocupante.

– Estamos cercados!

Não cercando, cercados, isso…era péssimo.

Foi muito rápido. Em um instante além do reflexo, uma mão pálida e sangrenta surgiu do solo,abaixo do pisciano, e agarrou a barra de seu sobretudo.

Imediatamente,inumeras e grotescas criaturas humanoides,absurdamente pálidas e de longos cabelos negros, surgiram de todos os lados, cercando os cavaleiros de ouro.

– Sporcizia.

Notas Finais

Finalmente o Shun apareceu, depois de muito tempo.

Só eu acho que Afrodite e Máscara são a única dupla com direito de ser debochada?