capítulo 4 – Conhecimento é poder
Amanhã seria um grande dia. Partiria para Durmstrang e começaria uma nova jornada de conhecimento. Um conhecimento que durante minha vida como Hermione mantevi-me solenemente afastado, apenas o necessário para destruir Voldemort e vencer a guerra. Agora seria outra história. Como Morgana, cresceu aprendendo desde pequena a cultura bruxa, às crenças, a política e os aspectos sociais, numa perspectiva totalmente nova, apesar de ter vivido 100 anos da outra vida. A partir da manhã, vou ter aulas sobre artes das trevas estou muito ansiosa para entendê-la, é um ramo totalmente novo para mim, cheio de dúvidas e desconfianças. Estou tentando me despir de todo o preconceito para enfrentar de peito aberto e absorver tudo o que há da melhor forma possível.
Ansiosa e nervosa demais para aproveitar esse meu último dia com meus irmãos, deixei meu irmão Boris ensinando nossa irmã caçula Daria a voar em sua pequena vassoura. Dirigi-me até a nossa biblioteca para tentar relaxar nos braços de um bom livro e ocupar minha mente com algo capaz de bloquear qualquer sentimento angustiante. Estava no segundo andar de nossa biblioteca prestes a pegar um livro sobre a história da magia do antigo Egito, quando ouço meu pai entrar na biblioteca. Antes de eu chamá-lo, percebi que ele cortava a mão com uma faca de prata ornamentada que era guardada na parede como uma decoração. Vi o sangue na lâmina e fiquei preocupado. Ainda mais depois que ele colocou a mão ensanguentada na parede enquanto fazia o símbolo rúnico de sigilo. De repente uma porta se abre dando passagem para o meu pai.
Não demorei muito até meu pai sair da sala secreta levando consigo 3 objetos muito bem embalados, e a porta sumir atrás dele. Após sua saída, esperei alguns minutos para descer até o primeiro andar para analisar aquela parede. Senti uma fina quantidade de magia nela. Percebi que tinha feitiços de proteção e ocultação. No entanto, tinha algo mais. Uma magia mais densa que faz a magia dentro de mim cantar levemente. Percebi que só poderia ser uma magia baseada no sangue. De maneira muito precipitada e inconsequente peguei a faca que meu pai tinha usado, fiz um movimento rápido com ela e cortei a palma da minha mão e fiz o mesmo símbolo que ele tinha feito na parede. A porta surgiu novamente, dando-me passagem para tal sala misteriosa.
A sala iluminada tinha uma variedade grande de estantes nela e uma escrivaninha no canto da sala com alguns papéis em cima. Direcionei minha curiosidade para as estantes. Em algumas delas tinham livros que pareciam antigos, raros e sombrios. Consegui superar a vontade de puxa-los da estante para lê-los. Em vez disso, segui para outra estante onde tinha vários frascos com poções de diversas cores, uma delas conseguiu identificar sendo a familiar poção polissuco. Mais ao fundo da sala tinha uma estante repleta de objetos. Alguns dos objetos emanavam uma pesada magia escura, entre os objetos tinham colares, anéis, cálices, candelabros e outros. No momento que eu me aproximar para observar melhor as inscrições rúnicas em um jarro de ouro, ouço uma voz dura falando atrás de mim.
- O que você está fazendo aqui, Morgana? Como você entrou nessa sala? Este lugar não é para crianças brincarem. Tudo o que tem aqui dentro é extremamente perigoso, isso é inaceitável. Saia daqui agora.
A expressão no rosto de seu pai era uma mistura de emoções, preocupação, desapontamento, confiança e surpresa. Os olhos de Morgana se enchem de lágrimas que ela tenta segurar. Sai correndo da sala para seu quarto, batendo a porta ao entrar, tirando-se na cama e finalmente deixando as lágrimas caírem. Sua mente estava girando com tantas emoções que estava sentindo ao mesmo tempo. Arrependimento, tristeza e talvez até um pouco de raiva, consigo mesma e com a situação. As palavras duras de seu pai ecoam em sua mente. A perplexidade e confusão a envolvem enquanto ela se questiona por que seu pai tinha esses objetos em primeiro lugar. Sua mente corre em busca de respostas. Seu pai nunca tinha demostrado nenhum apelo pelas artes das trevas, na verdade ele nunca tinha dito uma palavra sobre o assunto. Seriam essas relíquias uma herança antiga que ele não quis se desfazer? Ou era algo mais profundo do que isso? Ela começa a compreender que existe muita coisa nessa história que ela não sabe.
Além de todas essas dúvidas na cabeça, ela não pode deixar de se censurar por ter sido pega. Ela tinha percebido as magias que tinham na porta, mas tinha deixado escapar o feitiço que alertava sobre a invasão, deveria estar escondida abaixo da camada de feitiços de ocultação. Ela ficou curiosa demais, deveria ter analisado melhor e ter tomado mais cuidado.
Outro sentimento que a atingiu forte foi a culpa. O olhar dele de desapontamento foi algo que mais lhe fez sofrer. Ele era uma figura que ela admirava e respeitava, que agora estava decepcionada com ela, a dor era quase insuportável.
Enquanto Morgana se remoía com todos aqueles sentimentos em seu quarto. Na sala privada ao lado da suíte master, seus pais discutiram sobre o acontecido. A atmosfera é tensa, e ambos estão preocupados com a situação envolvendo a filha. A mãe olha para o pai, seu rosto exibindo uma expressão de preocupação e ansiedade. Ela começou uma conversa com uma voz calma, mas repleta de inquietação.
- Precisamos falar sobre o que aconteceu com a nossa filha naquela sala, Valentin. Isso foi um erro enorme, que não pode se repetir.
O pai com uma expressão séria, assente, passa a mão nervosamente pelo cabelo e responde.
- Sim, eu sei. Eu não esperava que ela fosse se aventurar naquele lugar. Ele estava protegido com magia de sangue e diversos outros feitiços. Olha, meu amor, você não sabe o quanto estou preocupado. Tem coisa naquela sala que poderia facilmente matar nossa filha.
Eles compartilharam um olhar de compreensão profunda, sabendo que precisam abordar a situação com cuidado. Olga olha tristemente para a janela, vendo o lindo jardim, e fala para seu marido.
- Talvez seja hora de explicarmos para ela porque temos esses objetos e porque eles são perigosos. Ela precisa entender.
- Você tem razão. Acho que é a hora de termos uma conversa séria com ela sobre as artes das trevas e os riscos envolvidos. E precisamos garantir que ela saiba o quanto nos amamos e nos preocupamos com seu bem-estar.
Enquanto a conversa continua, os pais discutem como abordar o assunto com sua filha, com o objetivo de esclarecer sua curiosidade e garantir sua segurança. Eles sabem que é uma situação delicada, mas estão determinados a enfrentá-la juntos como uma família.
Os pais vão até o quarto de Morgana e a encontram deitada de bruços na cama ainda chorando. A mãe começa a conversa com uma voz gentil, mas firme.
- Querida, precisamos conversar sobre o que aconteceu na sala secreta do seu pai. Sabemos que você estava curioso, mas entrar lá não foi seguro.
- Nós entendemos que pode ser confuso, mas esses objetos têm uma história sombria e perigosa. Eles não são para serem manusiados e explorados. Por isso eu tinha colocado aquela sala sobre tantos feitiços de proteção.
Morgana olha para seus pais, seus olhos refletindo uma mistura de curiosidade e confusão.
- Por que vocês têm esses objetos? O que eles fazem?
Os pais trocam um olhar significativo antes do pai responder.
- Eu sou um facilitador para o comércio de objetos raros e obscuros, além de estudá-los. Alguns deles têm poderes perigosos que podem ser usados para diversos fins. No entanto, é importante que você entenda que mexer com esses objetos é arriscado e inseguro. Eles podem afetar sua mente e sua vida de maneiras imprevisíveis. Muitos dos objetos que você viu fazem parte de uma herança familiar que remonta às gerações.
- Herança familiar? Não sabia que a nossa família estava envolvida com as artes das trevas. Vocês nunca falaram sobre isso.
- Nossa família possui um complexo histórico com a magia negra. No passado, alguns de nossos ancestrais se envolveram muito além com esses poderes sombrios.
Eles explicaram à filha que embora estivessem envolvidos com as artes das trevas como parte de sua herança familiar, eles fazem isso com responsabilidade e a intenção de evitar os erros do passado. No entanto, eles reforçaram que essas artes são perigosas.
- Acreditamos que o conhecimento é uma ferramenta poderosa. Aprender todas as formas de magia, até as mais perigosas, nos permite compreender como elas funcionam e como nos proteger melhor. É muito importante aprender o funcionamento da magia como um todo.
A mãe acrescenta, sentando-se na cama ao lado da filha.
- No entanto, também é crucial saber quando não usar. As artes das trevas são um aspecto de magia que, embora perigoso, também é extremamente poderoso. Elas são muito tentadoras. Nossa família acredita que o conhecimento é a chave para a responsabilidade. Aprender sobre elas nos permite saber como e quanto usá-las.
Eles explicaram para a filha que o estudo de todas as formas de magia é uma maneira de compreender o equilíbrio entre o poder e a responsabilidade. Enfatizam que, embora essas artes possam ser tentadoras, é vital usá-las com ética e cuidado. A conversa termina com a promessa de que eles a guiarão na jornada do conhecimento mágico de maneira responsável e segura.
Após os pais saírem do quarto, Morgana ficou mais tranquila sobre toda aquela situação e percebeu que seus pais tinham razão. Ficou empolgada com a possibilidade de aprender mais com eles. Estaria indo para a escola amanhã, já dando início a esse conhecimento, mas mal podia esperar para voltar para as férias e se aprofundar com os ensinamentos deles.
