Cap. 43 – Relatando o ataque
Morgana acordou no dia seguinte com a cabeça latejando, uma ressaca pesada lhe recordando da intensa noite anterior. Ela estava deitada em sua cama na Mansão Rostoff, com cortinas pesadas que bloqueavam a luz do sol. O quarto estava silencioso, exceto pelo suave crepitar da lareira.
Ela se lembrou de ter pedido ao seu elfo pessoal para levá-la de volta para casa após a festa sombria na Mansão Lestrange. A sensação de culpa e prazer ainda estava fresca em sua mente. Morgana sabia que havia se afundado mais profundamente nas trevas naquela noite.
Ela se sentou lentamente na cama, massageando as têmporas para aliviar a dor de cabeça. Pediu para que seu elfo levasse para ela um poção para ressaca. O elfo junto da poção levou um café da manhã reforçado para ela, junto com a edição diária do profeta diário.
Morgana agradeceu ao elfo doméstico pela poção para ressaca e o café da manhã. E começou a folhear as notícias do mundo bruxo.
Ao olhar a manchete do jornal seu coração quase parou. Fazia o relato ao ataque ao povoado trouxa, com duas imagens do ataque. Uma delas era das casas pegando fogo e a outra era uma foto distante do trouxa que ela havia matado junto com o lorde das trevas.
Morgana olhou para as manchetes e as imagens chocantes do ataque ao povoado trouxa. Seu coração acelerou e ela sentiu um misto de emoções: culpa, medo e excitação. Sabia que estava envolvida naquela atrocidade, e as imagens eram um lembrete cruel das ações que havia tomado sob a influência da escuridão.
Ela sabia que não poderia ignorar o que havia acontecido naquela noite. A marca negra se aproximava, e a vida que escolhera estava se tornando cada vez mais sombria. Morgana se perguntou se estava pronta para as consequências de suas escolhas e se havia um caminho de redenção ou retorno ao lado da luz.
Morgana enquanto tomava seu café reforçado recebeu uma carta de Dumbledore, chamando a para uma reunião para assuntos da ordem. Ela sabia qual seria o assunto dessa reunião. Morgana suspirou enquanto lia a carta de Dumbledore. Ela sabia que a reunião da Ordem da Fênix trataria do ataque ao povoado trouxa e das atividades dos Comensais da Morte. Era um lembrete constante de como estava profundamente envolvida no conflito entre as trevas e a luz.
Ela sabia que teria que fazer o relato detalhado da noite anterior, incluindo seu envolvimento no ataque ao povoado trouxa. Era uma responsabilidade pesada, mas Morgana estava disposta a fazer o que fosse necessário para ajudar a combater as trevas e proteger o mundo bruxo. Ela se preparou mentalmente para a reunião com Dumbledore, sabendo que teria que enfrentar julgamentos e desafios em seu caminho.
Morgana se levantou da cama e começou a se arrumar para a reunião com Dumbledore. Ela escolheu uma vestimenta adequada e se certificou de que estava apresentável. Enquanto se arrumava, repassou mentalmente os detalhes da noite anterior, preparando-se para compartilhá-los com a Ordem.
Morgana avançou em direção à lareira, com a esperança de sair sem ser notada por ninguém em casa. Cuidadosamente, ela se aproximou do local, mas quando estava prestes a entrar na lareira, ouviu a voz de seu pai, Valentin Rostoff, ecoando atrás dela. Seu coração deu um salto, e Morgana congelou no lugar, ciente de que seu pai podia sentir a aura sombria que emanava dela após a noite de terror que havia vivido. A tensão no ar era palpável enquanto ela lentamente se virava para enfrentá-lo.
Valentin Rostoff olhou para Morgana com olhos penetrantes, cientes da escuridão que envolvia sua filha naquela manhã.
- Você sabe que não pode esconder sua aura de mim, Morgana. Eu senti a escuridão do outro lado da mansão. O que aconteceu?
Valentin Rostoff olhou profundamente nos olhos de Morgana, sua expressão carregada de preocupação e conhecimento das artes das trevas. Ele podia sentir a intensa escuridão e a sede de sangue emanando da aura de sua filha, uma energia sombria que o afetava como um chamado.
- Morgana, essa aura... É mais sombria do que jamais senti em você. Está me puxando, tentando despertar as trevas que carrego. O que aconteceu na noite passada? O que você fez?
Morgana escolheu uma abordagem cuidadosa, compartilhando apenas parte da verdade com seu pai, tentando minimizar suas preocupações.
- Pai, ontem estive em uma festa com algumas pessoas que também praticam artes das trevas. A situação lá estimulou minha aura, mas quero que saiba que estou bem, talvez até melhor do que nunca. Não precisa se preocupar.
Valentin a observou com um olhar misto de preocupação e curiosidade, mas aceitou sua explicação por enquanto.
- Morgana, eu só quero o melhor para você. Se sentir que pode lidar com isso e que está segura, então confiarei em sua capacidade de julgamento. Mas esteja ciente dos perigos das trevas, minha filha.
Valentin, enquanto observava Morgana e a aura sombria que a envolvia, tinha plena consciência de que, para alguém adquirir tal escuridão, teria que se envolver em ações sombrias e pesadas. No entanto, ele optou por confiar na explicação que sua filha lhe deu, compreendendo que ela estava buscando o próprio caminho e que, se algo a estivesse perturbando demais, ela viria até ele. Mantendo seu amor paterno e sua confiança em Morgana, ele a deixou seguir, esperando que ela encontrasse seu equilíbrio nesse mundo repleto de sombras.
Enquanto Morgana entrava na lareira e se preparava para ir até Hogwarts, seus pensamentos se voltaram para a conversa que acabara de ter com seu pai. Ela sabia que ele tinha uma noção do que ela poderia ter feito para adquirir aquela aura sombria e sádica. Internamente, agradeceu por ele ter aceitado a explicação simplificada que ela ofereceu. Morgana estava consciente de que manter segredos desse tipo, especialmente de seu pai, era arriscado, mas ela não podia revelar sua verdadeira missão como espiã da Ordem dos Fênix. Com um suspiro, ela ativou a lareira.
Morgana aparece na lareira da sala do diretor de Hogwarts, onde se depara com o diretor Dumbledore, a professora Minerva McGonagall e o professor Horácio Slughorn. Ao entrarem, todos notam imediatamente a aura sombria e pesada que a envolve.
Ao verem Morgana com aquela aura tão escura e perturbadora, Minerva McGonagall e Horácio Slughorn ficaram profundamente preocupados. Sentiram uma mistura de surpresa, apreensão e um toque de incredulidade. Minerva McGonagall sentiu-se alarmada ao perceber a escuridão que envolvia Morgana. Sua expressão normalmente austera ficou ainda mais rígida, e seu olhar revelou sua preocupação com a jovem bruxa que estava sob sua tutela. Ela questionou como alguém tão talentoso e promissor como Morgana poderia estar mergulhando tão profundamente nas artes das trevas. A professora McGonagall sabia que precisaria abordar essa situação com cuidado e encontrar maneiras de ajudar e orientar sua aprendiz de volta ao caminho certo.
Horácio Slughorn também ficou surpreso e preocupado com a mudança na aura de Morgana. Seu rosto afável e sorridente deu lugar a uma expressão pensativa e cautelosa. Ele reconheceu o perigo que a jovem bruxa poderia estar enfrentando como espiã da Ordem, mergulhando cada vez mais nas trevas para manter sua cobertura. Slughorn se perguntou como poderia contribuir para ajudar Morgana a encontrar um equilíbrio entre suas responsabilidades como espiã e sua integridade moral. Ele sabia que a situação era delicada e que a influência que poderia exercer como mentor era crucial.
Morgana entrou na sala do diretor com sua aura escura envolvendo-a, cumprimentando Minerva McGonagall e Horácio Slughorn com um aceno de cabeça, embora seu sorriso habitual não estivesse presente. Seus olhos, normalmente brilhantes e expressivos, estavam agora frios e calculistas, o que não passou despercebido pelos dois mestres.
Ao chegar perto de Dumbledore, ela olhou diretamente em seus olhos e falou com uma voz firme e direta:
- Diretor, eu pensei que esta reunião fosse apenas entre nós dois.
Seu tom não escondia sua surpresa e desconforto ao perceber que não estavam sozinhos.
Dumbledore respondeu com sua voz tranquila:
- Morgana, tanto Minerva quanto Horácio são seus mestres e estão bem cientes de sua missão como espiã para a Ordem da Fênix. Esta é uma medida de precaução, caso algo aconteça comigo. Acredito que podemos confiar neles.
Minerva McGonagall e Horácio Slughorn assentiram com seriedade, indicando que estavam cientes da situação e dispostos a apoiar Morgana em sua missão.
Morgana, embora relutante, aceitou a presença de seus mestres e se preparou para discutir os assuntos da Ordem da Fênix, sabendo que agora tinha um apoio importante dentro de Hogwarts.
A sala mergulhou em um silêncio pesado, e a aura intensamente sombria de Morgana parecia se espalhar pelo ambiente. Dumbledore, com sua calma habitual, pigarreou e começou a reunião. Em meio ao silêncio, ele olhou diretamente para Morgana, sabendo que ela era a figura central daquela reunião devido aos acontecimentos recentes. Todos os presentes voltaram seus olhares para ela, aguardando ansiosamente o que ela tinha a relatar. Sabiam que algo significativo estava prestes a ser discutido e que Morgana era a peça-chave daquele quebra-cabeça sombrio.
Morgana começou a relatar com uma voz firme e carregada de uma aura sombria sobre os eventos da noite anterior. Ela mencionou o casamento de Bellatrix e Rodolfo, destacando que seus pais, Cygnus e Randolph, haviam planejado além da festa, um "presente" adicional para o casal. Enquanto fazia uma breve pausa e seus olhos percorriam os presentes na sala, ela continuou sua narrativa, revelando o teor sombrio desse presente: um ataque a um vilarejo trouxa.
A notícia ecoou na sala, deixando todos ali presentes em um silêncio tenso. As palavras de Morgana pesavam no ar, e era evidente que o relato do ataque havia causado uma grande perturbação entre os presentes.
- Vocês viram no jornal o que aconteceu com aquela vila não foi?
Dumbledore e os outros presentes assentiram com seriedade, demonstrando que estavam cientes dos eventos relatados no jornal sobre o ataque à vila trouxa. A atmosfera na sala estava carregada de tensão, e todos aguardavam para ouvir mais detalhes sobre a situação.
Morgana começou a descrever os eventos da noite anterior com detalhes sombrios. Ela relatou como o ataque foi intenso, com os praticantes das artes das trevas exibindo grande entusiasmo. A magia negra pairava pesadamente no ar enquanto as casas pegavam fogo e feitiços sombrios eram lançados contra os trouxas. Sua voz carregada de frieza e descrições vívidas capturou a atenção de todos na sala, que ouviam em silêncio, absorvendo os detalhes daquele evento perturbador.
Conforme Morgana detalhava o ataque, seus olhos começaram a brilhar com uma intensidade perturbadora. Ela se perdeu na narrativa, e seu rosto exibia uma expressão quase extasiada à medida que compartilhava os eventos sombrios. A paixão que ela demonstrava era quase palpável, e seus olhos brilhavam com o prazer que havia sentido naquela noite. Em um momento de intensidade, Morgana fechou os olhos, como se estivesse revivendo aqueles momentos na mente.
Minerva McGonagall e Horácio Slughorn, preocupados com a transformação de sua aprendiz e o entusiasmo que demonstrava ao falar do ataque, trocaram olhares que claramente indicavam sua inquietação diante do que estavam ouvindo. Eles perceberam que Morgana estava indo cada vez mais fundo no lado sombrio das artes das trevas, e isso os preocupava profundamente.
Enquanto Morgana falava sobre a tortura e a morte dos trouxas e a aproximação com Voldemort, uma tensão pesada pairou na sala. Seus mestres sentiram o peso do que ela estava relatando, e seus corações se apertaram com preocupação. Eles compreenderam a complexidade de sua situação como espiã e que, em alguns casos, ela teria que realizar ações terríveis para manter sua fachada e proteger a Ordem.
O dilema moral estava diante deles, mas todos sabiam que as circunstâncias da guerra eram extremamente desafiadoras. Era uma questão de sobrevivência e, para alguns, fazer o que era necessário poderia significar sacrificar parte de sua própria humanidade.
À medida que Morgana retirava o jornal do bolso e apontava para a imagem, uma tensão ainda maior se estabeleceu na sala. Todos olharam a imagem do jovem decapitado com horror, e a confirmação de que ela era responsável por aquela morte pesou no ambiente.
Enquanto Morgana relembrava a sensação da aura de Voldemort e os eventos terríveis da noite anterior, a sala ficou tensa. Seus olhos se fecharam enquanto ela passava a língua pelos lábios, como se o sabor da escuridão ainda estivesse em sua boca. Por um breve momento, a expressão de deleite sádico pareceu dançar em seu rosto. Ela respirou fundo, como se estivesse revivendo cada momento naquele instante.
Sua expressão era sombria e carregada de emoções complexas, desde prazer até culpa e medo. Cada detalhe do encontro com Voldemort era relembrado vividamente, e aqueles na sala podiam sentir a intensidade de suas palavras e a profunda conexão que ela havia compartilhado com o Lorde das Trevas naquela ocasião. Era uma visão perturbadora da dualidade dentro dela, uma luta entre a lealdade à Ordem e a atração pelas trevas.
Dumbledore, notando o impacto que as palavras de Morgana haviam causado, agiu com sua sabedoria característica e direcionou a conversa para o assunto da Marca Negra. Ele queria entender mais sobre as circunstâncias e as implicações desse evento, bem como preparar Morgana para o que poderia acontecer a seguir. Com cuidado e calma, ele começou a questionar sobre os detalhes da marcação e como Morgana se sentia em relação a isso.
Morgana olhou firmemente para Dumbledore e declarou com determinação:
- Se eu desejo ter a Marca Negra no meu braço? Não, Dumbledore, não desejo. No entanto, sei que é o que precisa ser feito. Eu entendo que o que aconteceu na noite passada pode se repetir muitas vezes ainda, e só espero que, no final, vocês estejam lá para me trazer de volta.
Sua voz era séria, refletindo sua aceitação da difícil missão que tinha pela frente e sua confiança na Ordem para apoiá-la.
Morgana, depois de suas palavras decididas, aumentou sua aura escura. Ela fechou os olhos por um momento, permitindo que toda a escuridão e o peso de suas experiências recentes a envolvessem completamente. O ar ao seu redor parecia mais pesado, e uma sensação de frieza e malícia emanava dela.
Quando ela voltou a falar, sua voz tinha um tom mais sombrio, carregado de determinação e uma pitada de melancolia:
- Eu sei, Dumbledore, que este caminho é perigoso. As trevas que eu enfrentei e enfrentarei são terríveis. Mas é o preço que estou disposta a pagar para ajudar a derrotar Voldemort e proteger nosso mundo da destruição. Precisamos vencer a escuridão com todas as armas que temos, mesmo que isso signifique mergulhar mais fundo nas sombras.
Minerva e Horácio trocaram olhares preocupados enquanto Morgana aumentava sua aura escura e falava com determinação. Eles sentiram a intensidade da escuridão que a envolvia e compreenderam a profundidade de sua decisão. Ambos conheciam os riscos e desafios que Morgana estava disposta a enfrentar como espiã para a Ordem da Fênix, mas ver sua aluna e protegida mergulhar ainda mais nas trevas os deixou apreensivos.
Minerva apertou os lábios, mantendo-se silenciosa, mas com uma expressão de preocupação em seu rosto. Horácio também pareceu preocupado, mas tentou manter um semblante mais neutro, esperando que Morgana soubesse o que estava fazendo. Ambos confiavam na força e habilidade de sua pupila, mas o caminho que ela escolheu era perigoso e sombrio, e eles estavam cientes disso.
Dumbledore, Minerva e Horácio olharam para Morgana com expressões sérias, mas determinadas. Eles compreendiam o compromisso que Morgana estava assumindo ao se tornar uma espiã para a Ordem da Fênix e estavam dispostos a apoiá-la da melhor forma possível.
Dumbledore falou com serenidade:
- Morgana, você não está sozinha nessa jornada. Prometemos que estaremos ao seu lado, guiando-a e fazendo o possível para não deixar que a escuridão a consuma por completo.
Minerva acrescentou:
- Você é uma bruxa excepcional, Morgana, e temos confiança em sua força interior. Não permitiremos que você se perca no caminho que escolheu.
Horácio assentiu, concordando com suas palavras, e disse:
- Estamos aqui para protegê-la e ajudá-la a manter-se firme em seu propósito. Não hesite em nos procurar sempre que precisar.
Morgana agradeceu com um aceno de cabeça, consciente de que tinha o apoio de seus mestres e da Ordem da Fênix. Ela estava disposta a seguir esse caminho perigoso, mas sabia que não estava sozinha em sua jornada.
