Cap. 44 – Visita a Andromeda
Durante a semana que se seguiu à reunião com Dumbledore, Minerva e Horácio, Morgana permaneceu dentro do castelo de Hogwarts, buscando controlar sua aura e encontrar um equilíbrio após o tumultuado episódio da festa dos Lestrange. Ela sabia que era vital recuperar seu controle antes de se aventurar novamente, sua aura liberada poderia atrair atenção indesejada.
As horas se arrastaram enquanto ela praticava meditação e exercícios de controle emocional. O castelo de Hogwarts, com sua aura única e tranquilizadora, foi um refúgio seguro para Morgana durante esse tempo de autorreflexão e recuperação.
Após sete longos dias de dedicação e autocontrole, Morgana finalmente sentiu que estava pronta para enfrentar o mundo novamente. Com sua aura mais equilibrada, ela decidiu visitar Andromeda e Tonks na casa trouxa em Londres. Vestindo roupas simples e trouxas para passar despercebida entre os trouxas, ela aparata até o endereço conhecido.
Ao chegar à casa de Andrômeda e Tonks, Morgana tocou a campainha e esperou com uma mistura de ansiedade e esperança.
Andrômeda recebeu Morgana com entusiasmo, demonstrando sua gratidão pela ajuda que Morgana lhe havia prestado ao facilitar sua fuga e emprestar a casa para ela e Tonks ficarem em segurança. Com um sorriso caloroso, Andrômeda praticamente arrastou Morgana para a acolhedora cozinha da casa.
Ted, que estava sentado à mesa tomando uma xícara de café, levantou-se e cumprimentou Morgana com um aceno de cabeça amigável. Enquanto Andrômeda começava a preparar um chá, os olhos de Morgana vagaram pela casa, notando as mudanças desde a última vez que esteve lá.
O aroma do chá recém-preparado começou a encher a cozinha, criando uma atmosfera acolhedora e caseira. Morgana, enquanto desfrutava do chá e da companhia de Andrômeda e Ted, decidiu compartilhar algumas das novidades que havia vivenciado recentemente. Ela mencionou casualmente que havia comparecido à festa de casamento de Bellatrix, irmã de Andrômeda, e que, Bellatrix não estava nada feliz com a fuga de Andrômeda e Ted.
Morgana comentou sobre a tensão palpável na festa e como Bellatrix parecia estar se sentindo traída pela irmã. Ela fez questão de enfatizar que a situação estava complicada, mas que Andrômeda estava segura agora e que Ted a estava protegendo com todas as forças.
Andrômeda ouviu atentamente, com uma expressão séria, enquanto absorvia a notícia sobre os sentimentos conflitantes de Bellatrix. A família Black estava claramente dividida, e essa informação a deixou ainda mais grata por ter escapado daquela vida tumultuada.
Andrômeda, ao ouvir as palavras de Morgana sobre a festa de casamento de Bellatrix, soltou um suspiro suave. Ela comentou que provavelmente havia sido queimada da tapeçaria da família Black, um gesto simbólico de exclusão. No entanto, ao fazer esse comentário, Andrômeda fez questão de enfatizar que não se importava com isso. Seu olhar carinhoso se voltou para Ted, e ela segurou a mão dele sobre a mesa.
Ela disse com um sorriso terno: - Sabe, Morgana, eu posso ter sido apagada da tapeçaria Black, mas eu encontrei algo muito mais valioso. Encontrei amor e felicidade com Ted. Nada disso teria sido possível se eu tivesse permanecido naquela vida. Não trocaria isso por nada.
A cumplicidade entre Andrômeda e Ted era evidente, e eles compartilhavam um sentimento de que o amor e a liberdade que haviam encontrado valiam qualquer sacrifício. Enquanto continuavam a conversar e saborear o chá, Morgana sentia-se feliz por ter ajudado Andrômeda e Ted a encontrar esse refúgio e alegria em meio às adversidades.
Morgana, após a emocionante conversa com Andrômeda sobre o amor e a liberdade que ela encontrara com Ted, decidiu abordar um tópico mais prático. Ela perguntou com interesse genuíno:
- Como está sendo a vida de vocês no mundo trouxa? Vocês estão conseguindo se ajustar bem?
Enquanto Andrômeda começava a compartilhar detalhes de sua vida no mundo trouxa, Ted começou a ler o Profeta Diário que estava sobre a mesa. No entanto, algo na notícia que ele estava lendo o deixou visivelmente desconfortável e descontente. Com um gesto brusco, ele largou o jornal em cima da mesa, chamando a atenção de Morgana e Andrômeda para a notícia que o havia perturbado. Morgana esperou ansiosamente pela explicação de Ted sobre o que estava acontecendo.
Ted explicou a Morgana e Andrômeda que já se passava uma semana desde o ataque ao vilarejo trouxa, e ele estava claramente incomodado com a forma como o Profeta Diário estava minimizando o ocorrido. O clima na sala ficou tenso, e Andrômeda sabia que sua irmã Bellatrix provavelmente estava envolvida naquele ataque.
Enquanto Ted compartilhava sua indignação com as notícias, Andrômeda lançou um olhar sutil na direção do braço esquerdo de Morgana, que estava descoberto, verificando se havia alguma marca negra. Ela conhecia a aura escura de Morgana de suas aulas particulares e podia sentir que, apesar de estar controlada, ainda havia uma agitação nela. Andrômeda começou a se perguntar se Morgana tinha participado daquele ataque ao vilarejo trouxa. A preocupação estava estampada em seu rosto enquanto ela ponderava sobre essa possibilidade.
Morgana percebeu o olhar sutil de Andrômeda para seu braço e, com um gesto igualmente sutil, colocou os braços na mesa, mostrando para Andrômeda que não tinha a marca negra. Ela estava atenta à preocupação da amiga, mas Ted, alheio à conversa silenciosa entre as duas, continuava lendo o jornal.
Andrômeda conduziu Morgana até o pátio dos fundos, alegando que precisava de um cigarro. Morgana levantou uma sobrancelha em surpresa, pois não sabia que Andrômeda fumava. Andrômeda explicou que começou a fumar com Ted ainda em Hogwarts e comentou que estava surpresa por Morgana não saber disso, afirmando que Morgana sempre estava a par de tudo. Morgana riu e pediu um cigarro a ela.
Morgana nunca tinha fumado antes, mas lembrava-se que em sua vida como Hermione Granger costumava fumar após a guerra. Ela pegou o cigarro de Andrômeda e o acendeu, observando a fumaça subir lentamente enquanto conversava com a amiga.
Andrômeda puxou a conversa de forma sutil, mencionando que sentia a aura de Morgana agitada, mesmo que Morgana estivesse aparentemente controlada. Morgana soltou uma risada baixa e respondeu que, na verdade, estava muito mais calma do que antes. Ela sabia que, comparado ao que tinha vivido recentemente, qualquer agitação anterior pareceria insignificante.
Morgana, com um leve sorriso, permitiu que um lampejo de sua aura escura se manifestasse por um breve momento. A escuridão pulsou à sua volta, intensa e intrigante, antes de ser novamente contida, como se fosse apenas um vislumbre do poder que estava sob seu controle. Ela olhou nos olhos de Andrômeda, transmitindo uma sensação de familiaridade com as trevas que as envolviam.
Andrômeda fechou os olhos lentamente, entregando-se à sensação da aura de Morgana. Era como se estivesse revivendo os momentos das aulas particulares que tivera com sua amiga. A escuridão que emanava de Morgana a envolvia, despertando memórias de lições intensas e conhecimentos proibidos. Andrômeda sabia que amava um nascido trouxa, Ted, mas também reconhecia a atração que sentia pelas artes das trevas e, de alguma forma, pela aura sombria de Morgana. Era um dilema complexo, uma dualidade que a consumia, mas naquele momento, com os olhos fechados e a aura de Morgana envolvendo-a, ela saboreava essa mistura de sensações.
Andrômeda deu um suspiro de prazer ao sentir a aura de Morgana. Ela comentou sobre o prazer de sentir a aura de Morgana liberada, e Morgana, com uma risada sombria, respondeu com uma franqueza impressionante:
- Você não faz ideia, Andrômeda, do quão prazerosa a magia negra pode ser. A escuridão, o poder, ... tudo isso é intoxicante.
Enquanto Morgana rememorava as sensações do ataque, Andrômeda começou a expressar sua curiosidade, quase perguntando se Morgana tinha participado do ataque. Morgana, no entanto, interrompeu-a rapidamente, pedindo que ela não fizesse essa pergunta. Como resposta silenciosa, Morgana liberou novamente sua aura, ainda mais intensa do que antes, deixando claro que aquela era uma área que não deveriam explorar.
A aura de Morgana dominava o ambiente, e Andrômeda não podia evitar sentir-se atraída por sua intensidade, mesmo que isso a assustasse um pouco.
Andrômeda olhou nos olhos sombrios de Morgana, agradecida pela sensação da aura que ela tinha compartilhado. Ela suspirou suavemente e confessou:
- Morgana, eu sentia falta dessa sensação. Das trevas, do poder. Você sempre soube como tornar tudo mais interessante. Obrigada por isso.
E assim, as duas mulheres compartilharam um momento único, envoltas em mistério e magia negra, relembrando um passado onde as artes das trevas eram tentadoras e emocionantes.
Morgana assentiu, compreendendo o que Andrômeda estava sentindo. Ela olhou nos olhos da amiga e sussurrou com sinceridade:
- Entendo, Andrômeda. Depois que você prova a intensidade das artes das trevas, é difícil resistir a essa tentação. São emoções profundas que nos consomem, e eu sei como é difícil esquecê-las.
Elas compartilharam um momento de compreensão, cientes dos desafios que enfrentavam, das escolhas que fizeram e da ligação que tinham por causa disso.
Morgana olhou nos olhos de Andrômeda e confessou com sinceridade sombria:
- Andrômeda, às vezes, me sinto tão imersa na magia negra que tenho medo de me perder por completo. O prazer que sinto quando libero totalmente minha aura escura é avassalador, quase insuportável. É como se eu estivesse à beira de um precipício, tentando equilibrar-me entre o desejo e o medo.
Ela soltou um suspiro pesado, enquanto a aura escura ao seu redor parecia ganhar vida própria, dançando ao som de sua voz.
Andrômeda soltou involuntariamente um pequeno gemido ao sentir a aura liberada de Morgana, consciente de que era apenas uma fração do que Morgana poderia oferecer. Ela percebeu que mesmo com essa pequena amostra, a intensidade era avassaladora, e um arrepio percorreu sua espinha ao pensar no que poderia acontecer com a liberação completa da aura de Morgana. Era uma sensação perigosa e tentadora ao mesmo tempo.
Morgana olhou nos olhos de Andrômeda com seriedade e disse:
- Andrômeda, em algum momento, posso me associar com pessoas de círculos sombrios, mas peço que nunca pense que eu concordo com os preconceitos daqueles grupos. Eu nunca concordaria com a ideia de supremacia puro-sangue ou qualquer forma de discriminação. Acredite em mim, minha amiga, meu coração sempre esteve aberto para todos, independentemente de seu status de sangue.
Morgana queria assegurar a Andrômeda que, apesar de sua ligação com os Comensais da Morte e sua imersão nas artes das trevas, seus princípios e valores pessoais permaneciam inalterados. Ela se recusava a abraçar qualquer forma de preconceito e discriminação baseada no sangue e esperava que Andrômeda confiasse nela nesse aspecto.
- Talvez, em algum momento, quando eu visitar vocês, minha aura esteja mais forte. No entanto, nunca pense que eu possa fazer mal a você ou a Ted.
Andrômeda ouviu atentamente as palavras de Morgana e entendeu a mensagem sutil que estava sendo transmitida. Preocupada, ela disse a Morgana que talvez ainda houvesse tempo para ela se afastar dos Comensais da Morte e evitar ser totalmente consumida pelas trevas. No entanto, Morgana negou com um gesto de cabeça e disse com uma voz sombria:
- Esse tempo já passou, Andrômeda. Eles já conhecem o tamanho da minha aura escura, e não me deixariam partir facilmente. Estou profundamente envolvida agora, e o caminho que escolhi é perigoso. A única coisa que posso fazer é garantir que você e Ted estejam a salvo.
Andrômeda olhou para Morgana com uma expressão de mistura de temor e compreensão. Ela disse suavemente:
- Morgana, você parece tão diferente e, ao mesmo tempo, tão parecida com Bellatrix. Eu vejo ainda mais escuridão em sua aura do que na dela, mas também vejo a bondade em você que nunca consegui enxergar nela.
Ela estava claramente tentando expressar sua preocupação com o rumo sombrio que Morgana estava tomando, mas também reconhecendo a diferença crucial entre as duas: a presença de um lado bom em Morgana que ela não via em Bellatrix.
Morgana fechou os olhos por um momento, relembrando a noite do ataque aos trouxas. Ela recordou vividamente como, junto de Bellatrix, havia torturado um homem indefeso. As memórias desses atos sombrios e cruéis e o prazer que sentiu com eles.
Morgana olhou para Andrômeda com um misto de emoções nos olhos. Ela sabia que era hora de partir, de retornar ao seu mundo sombrio. Com um suspiro pesado, Morgana disse a Andrômeda que precisava ir embora, mas que assim que tivesse a chance, a visitaria novamente. Era um adeus temporário, carregado de incerteza e escuridão, mas também de uma estranha conexão que permaneceria entre elas.
