Nota da autora: Acabei o capítulo um dia antes do previsto! Estou animada com os últimos capítulos, hihihihi... Espero que gostem dessa parte aqui!

Obrigada a quem está acompanhando e comentando: Jo-Anga, Isa Raissa, Autumnbane, HelloBraga, ShivaAurora, Conny-chan94, 05csomoragnes11 e demais comentários anônimos! MUITO OBRIGADAAA! Quem não recebeu o último outtake, pode mandar uma mensagem se identificando ou logado pelo site, aí consigo mandar por DM direitinho!

Próximo capítulo vai ter ilustrações especiais sobre um certo evento. Vou mandar tudo pelo grupo do Telegram (quem tiver interesse, só mandar uma mensagem para eu poder enviar o nome do grupo).

Divirtam-se com o capítulo e comentem, por favor! :)


UM CAMINHO PARA DOIS

CAPÍTULO 46

Fechando caminhos passados

Tokyo – Um dia antes do casamento de Sesshoumaru & Rin

— Houshi Miroku! – Sango bateu violentamente na porta do banheiro que estava servindo de provador para a escolha das roupas que deveriam levar na viagem – Houshi Miroku-sama! Deixa de gracinha e sai logo daí!

Não vou! – a voz dele saiu abafada pela porta.

Sango respirou fundo e revirou os olhos. Nem ela, que pensava que demorava muito para escolher o que vestir, havia demorado tanto para escolher o que usar na cerimônia e colocar tudo na mala antes de fechar.

— Vou abrir essa porta! – ela fez menção de chutá-la. Anos de treinamento em artes marciais para autodefesa seriam de bastante ajuda naquele momento.

CALMA! – ele gritou de lá de dentro – JÁ VOU ABRIR!

No exato momento em que afastou-se para dar espaço para ele sair, a campainha tocou e ela precisou correr para atender, dando um último aviso antes de sair do quarto:

— Eu vou ver se é a Kagura. Se não tiver saído desse banheiro quando eu voltar, você vai se arrepender, Miroku!

Bufando, ela andou depressa e indignada pelo corredor que ligava o quarto à sala e aproximou-se da porta de entrada. Pelo olho mágico, viu a mão de Kagura segurar a do filho no colo e dar um "oi".

— Ah. – Sango abriu e deu passagem no genkan para os dois – Ainda bem que chegou. Eu já tava preocupada.

— Desculpe a demora. Ele agora quer tirar o sapato toda vez que eu coloco.

— Ohhhhh... – a vizinha deu um sorriso compreensivo, fazendo carinho no rosto da criança – Será que ele percebeu que vamos viajar e tá fazendo birra?

— Acho que ele percebeu na hora que eu peguei a mala. Vai sentir falta de vocês. – Kagura deslizou um dedo pela testa do menino para tirar a franja que atrapalhava a vista – Ah, a mala tá aí fora.

Antes de fechar a porta, Sango imediatamente foi pegou o que Kagura havia prometido emprestar: uma mala para Miroku.

— Entrem, vamos. – ela convidou os recém-chegados – Estou com medo de atrasar. O Miroku tá provando a roupa pro casamento.

— Ainda? – Kagura parecia chocada – Imagine na hora de se arrumar. Deve ficar uma hora tentando ajeitar o cabelo com gel.

— Você sabe que homens demoram muito pra se arrumar. – Sango revirou os olhos – Ele demora mais do que eu, pelo menos.

— Deve ser ele quem ensina meu filho a tirar o sapato bem na hora que a gente precisa sair.

As duas passaram pelo corredor e entraram no quarto, apenas para Sango dar um grito ao ver Miroku com um terno de casamento apertado e com vários pontos descosturados, tão justo que mal entrava nele. A reação dela assustou a criança no colo a ponto de fazê-la chorar.

— O que você fez? O que você feeeez? – Sango torcia as mãos como se tivesse vontade de agarrá-lo pelo pescoço.

— Eu mandei lavar a roupa, ué! – ele tentava ajustar manualmente a parte da virilha que mostrava um enorme volume e acabou rasgando ainda mais um ponto na cintura.

— Você deve ter mandado lavar errado. – Kagura tentava controlar a gargalhada enquanto acalmava a criança que agora brincava com os brincos de pressão grandes e coloridos presos na orelha dela – Encolheu, né?

— Era meu melhor terno! – ele protestou – Vou processar aquele lugar!

— Você deve ter esquecido de falar que não era pra colocar na secadora. – Kagura rebateu – Não tem como processar se você não sabe explicar direito, seu besta.

— O que eu faço agora? – ele tentou puxar a manga e sentiu o tecido abrir no ombro – O que eu vou vestir?

— Vamos atrasar se tiver de comprar um agora... – Sango esfregou a têmpora para ver se a dor de cabeça que sentia no momento dissipava – Tira isso, a gente vê um por lá. Kagura trouxe a mala: termina de arrumar suas coisas logo.

— Mas...

Sango arregalou os olhos em irritação e impaciência para não ter que gritar de novo, e ele silenciosamente obedeceu, voltando ao banheiro.

— Ah, já ia esquecendo... – Kagura começou suavemente e tirou um envelope usado tipicamente em casamentos – Meu presente pra eles.

Sango recebeu com as duas mãos o envelope com o dinheiro e confirmou com a cabeça.

— Não tem muito. – a outra lamentou – Esperava contar com mais.

— Você sabe que Rin-chan não ia se incomodar com isso, né? – Sango tentou ser razoável, guardando o envelope em segurança na bolsa que levaria no trem.

— Eu sei que não. – ela comentou, depois aproximou o rosto para sussurrar – Inuyasha e Kagome falaram que cobraram cento e cinquenta mil ienes deles.

— CENTO E CINQUENTA MIL? – Miroku exclamou ao pegar o final da conversa, fazendo o bebê chorar de novo – Vai ter show da Utada Hikaru nesse casamento?

— Vai logo arrumar essa mala! – Sango repetiu num tom ainda mais irritado.

— Sango, você tá disposta a gastar 150 mil ienes num casamento?

— É claro que não cobraram isso da gente, foi só de quem é da família. – ela falou entredentes – Você não prestou atenção em nada do que expliquei quando nos convidaram, né?

— Eu fiquei só pensando nesse casamento surpresa, ué. – ele deu de ombros, começando a jogar algumas peças dentro – Do nada eles viajam e já querem casar...

— Ah, eu acho que deve ter sido maravilhosamente romântico, com banda tocando músicas românticas e tudo. – Sango uniu as mãos e os olhos brilhando – Sesshoumaru-sama deve ter sido um cavalheiro e feito o pedido no castelo de Nagoya. Ou em algum restaurante!

— "Romântico"? – Kagura repetiu.

— "Cavalheiro"? – Miroku completou.

O bebê apenas murmurou um blé blé e babou.

Sango lançou mais um olhar atravessado para Miroku e ele tratou de arrumar depressa a mala.


Em Nagoya...

Sesshoumaru fazia duas tarefas ao mesmo tempo - olhava fixamente para a estrada que levava para a vinícola mais famosa em um distrito de Nagoya, sem deixar de prestar atenção ao que o avô eventualmente contava ao senhor Nozomu no banco dos passageiros. Ao lado dele, ia Hakudoushi um pouco contrariado. Ele não gostava de subir aquela região, ainda mais quando era para servir de pernas ao pai.

Os dois mais velhos conversavam sobre qualquer assunto, um emendando o outro. Em determinado momento, falaram sobre o problema atual do Japão com relação à taxa de natalidade – casais que não queriam filhos, até que em determinado momento pararam e mudaram de assunto. Depois passaram a falar de política local e o atual governo. Depois passaram a falar sobre os tipos de vinho para casamento e quais eram os favoritos de Rin e que poderiam ser comprados.

Deixou de acompanhar o que levava a mudar de assunto depois da terceira ou quarta vez. Naturalmente que notou que o avô fazia aquilo para evitar que escapasse algo sobre a gravidez de Rin.

Ao lado do motorista, Hakudoushi deu mais um suspiro cansado.

— "Transforme o seu suspiro em flores", Rin sempre diz. – o pai avisou quando notou a terceira vez que isso acontecia.

— Rin tá ocupada demais comendo parte da comida do casório pra se preocupar com suspiros. – o filho replicou – Vai ser sorte a gente ter alguma coisa amanhã na geladeira.

— Não seja exagerado, Hakudoushi. – o pai rebateu – Ela só está assim para compensar pelo tempo que ficou sem comer carne.

Hakudoushi olhou de soslaio para Sesshoumaru, que o ignorou.

Minutos depois, eles chegavam ao pé da montanha. Sesshoumaru procurou o melhor lugar para estacionar e saiu do carro, olhando a subida sem se impressionar muito. Ele conseguia subir sem problemas. Mas Rin definitivamente não poderia na atual condição.

— Dei pra ela um vale de sócia daqui no aniversário. – o senhor Nozomu falou com evidente orgulho – Passamos um bom tempo nos divertindo aqui.

Sesshoumaru confirmou com a cabeça. Definitivamente lembrava-se bem da época e das primeiras noites juntos.

— Dá conta de subir isso aí? – Hakudoushi perguntou ao pai enquanto olhava para cima.

— Vou tentar por alguns minutos. Qualquer coisa, você me carrega. – ele avisou.

Os quatro começaram a subir lentamente, conversando e olhando de quando em quando alguns pontos da cidade.

Em determinado momento, porém, o senhor Nozomu precisou subir às costas do filho para ser carregando até o topo.

Quando chegaram ao local, foi a vez dos quatro olharem para Nagoya.

— Aqui é bonito no pôr do sol. Rin e eu gostamos de ficar num dos bancos conversando enquanto vemos anoitecer.

— Conversando e bebendo. – Hakudoushi completou.

— Shh. – o pai o repreendeu às costas dele – Você deveria aprender a apreciar um bom vinho ou sake, Hakudoushi. Nem parece japonês.

Tchi. – o outro deixou escapar.

Quando finalmente chegaram ao local, o senhor Nozomu desceu das costas do filho e andou com o apoio, guiando pelo caminho que o levava à loja da vinícola.

— Bom dia, senhor Nozomu. – a atendente o saudou assim que ele entrou – Trouxe visitas para um tour?

— Para um tour e comprar algumas garrafas para o casamento da minha filha. – ele entregou o cartão de sócio e uma lista do que precisava – Dá tempo de entregarem agora à tarde?

— Faremos o possível. – ela respondeu enquanto se curvava numa rápida reverência, afastando-se para tomar algumas providências.

Enquanto bebiam, Bokuseno e o senhor Nozomu tentavam escolher um dos favoritos de Rin e deixaram escapar que iam levar alguma garrafa para ela.

— Pena que ela estava indisposta hoje... Tem sido muito comum com essa mudança de tempo.

— Ela pode tomar depois. – Sesshoumaru falou de repente, sem especificar quando seria esse momento – Podemos levar o licor de ameixa.

Os três olharam para ele. Sesshoumaru era tão silencioso que acabava chamando a atenção só com uma ou duas frases ditas repentinamente.

— É um dos favoritos dela. – ele terminou de falar, voltando a ficar em silêncio.

Algum tempo depois, eles estavam descendo a montanha, Sesshoumaru carregava uma sacola com uma garrafa de vinho e outra de licor de ameixa e seguia de perto o avô, também segurando uma sacola com duas garrafas de vinho branco, enquanto Hakudoushi levava o pai às costas.

— Vai dirigir de novo? – Hakudoushi perguntou quando chegaram ao carro e o pai desceu das costas dele.

Sesshoumaru apenas moveu a cabeça afirmativamente e destrancou o carro.

Depois de acomodar as garrafas em segurança, em minutos estavam voltando para casa novamente ouvindo a conversa dos idosos que pareciam velhos amigos de infância, apesar de terem se conhecido havia poucos dias.

— Sesshoumaru poderia ter uma casa aqui também. – Bokuseno sugeriu em voz alta – Ia gostar de visitar aqui de vez em quando.

— Ah, sem sentido isso. – o senhor Nozomu fez um movimento com a mão como se pudesse dispersar aquela ideia da cabeça do outro – Podem ficar em casa mesmo. A família toda junta... Há há há há há!

O outro riu também para acompanhar o outro, as risadas ecoando no carro durante vários minutos.

— Por que você não pode ficar com a casa? – Hakudoushi perguntou de repente, ignorando o que se passava atrás do carro.

Segundos se passaram até Sesshoumaru parar em um cruzamento para finalmente responder.

— Porque não.

— Hmmm... – o outro ficou desconfiado – Aposto que é por causa de algum casamento arranjado.

Sesshoumaru não respondeu.

Tchi... – Hakudoushi murmurou com desprezo – Vocês dessas famílias nobres são tão esquisitos.

Como não teve resposta, Hakudoushi percebeu que futuro marido da irmã concordava com o que havia dito e resolveu ficar em silêncio também, apenas observando as ruas passarem rápido pela janela do veículo.

Em determinado ponto do trajeto, os olhos dele fixaram em um cemitério budista.

— Seus pais estão aí? – Sesshoumaru perguntou, quebrando o silêncio entre eles.

— Não. – ele respondeu quase mecanicamente, sem olhar para o lado – Um conhecido meu.

O sinal voltou a abrir para os carros e Hakudoushi viu o muro do cemitério ficar cada vez mais distante, até dobrarem numa esquina e seguirem para a direção da residência da família Nozomu.


Não demorou muito para entrarem no bairro e Sesshoumaru precisar estacionar na frente da residência dos Nozomu. Hakudoushi ajudou a levar as poucas garrafas que Bokuseno e o pai trouxeram da vinícola. Os mais velhos planejavam usufruir naquele mesmo dia a bebida enquanto o estoque do casamento não chegava para a festa.

Antes de entrar na casa, viu por cima do ombro Sesshoumaru conversando com o pai, que concordava com alguma coisa.

Deu de ombros e entrou na casa, sendo recepcionado por Rin e Jaken na sala tranquilamente comendo bolinhos doces e tomando chá.

— Ah... Hashi! Bem-vindo de volta! – ela o saudou com um sorriso, estendendo um prato de cerâmica com comida – Como foi lá na vinícola? Quer um bolinho?

— Isso aí não é da festa? – ele deixou as garrafas em uma mesa próxima e sentou-se em seiza à mesa, ficando de frente da irmã – Amanhã os convidados vão ter que comer guardanapos com sal.

— Se for do casamento, estão de parabéns pelos preparativos porque tá uma delícia isso aqui. – ela comeu outro pedaço.

Jaken limpou a garganta para chamar a atenção:

— Rin-sama vai ficar aqui enquanto Kaede-sama e a senhora Nozomu-sama cuidam da parte da comida para as cerimônias e festas de amanhã.

— Elas te deixaram aqui vigiando ela pra não entrar na cozinha, né? – Hakudoushi perguntou e Jaken deu um suspiro cansado antes de confirmar com a cabeça.

Minutos depois, Sesshoumaru entrava no recinto, deixando uma sacola de papel com uma garrafa cuidadosamente em cima da mesa antes de tomar o lugar ao lado dela e aproximar-se para um rápido beijo na testa. O avô e o pai de Rin entravam logo em seguida apenas para pegar as garrafas.

Bokuseno abriu habilmente a de licor de ameixa para compartilhar com o senhor Nozomu e o cheiro extremamente doce chegou rápido às narinas de Rin. Ela deu um sorriso forçado para mais velhos que interagiam, com o visitante falando o quanto ele tinha adorado o licor que ele havia recebido de presente dela há algum tempo.

Rin encostou-se mais ainda em Sesshoumaru apenas para grudar o nariz na base do pescoço dele.

— O que ela tem? – Hakudoushi perguntou, devolvendo uma xícara de chá vazia para Jaken, indicando que não queria mais beber.

Sesshoumaru não tirou o olhar dela para responder:

Indisposição.

Hakudoushi apenas franziu a testa e depois olhou para os dois levemente alterados pelo álcool afastando-se para beber longe de todos no jardim.

— Imagine amanhã esses dois. – ele cruzou as mãos atrás da cabeça, erguendo-se segundos depois – Bem, vou ver a reforma do dojo.

— Hakudoushi. – Sesshoumaru o fez parar e o outro olhou por cima do ombro – Rin e eu vamos sair mais tarde para conhecer a cidade. Quer vir conosco?

Até Rin ergueu o rosto, franzindo a testa. Como Sesshoumaru queria sair quando tinham tanta coisa do casamento para resolver?

— Pode ser. – Hakudoushi deu de ombros e foi embora da sala.

Segundos depois, era a vez de Jaken levantar-se e deixar os dois sozinhos para conversarem.

— Pra onde vamos? – ela perguntou suavemente.

Levou algum tempo para ele responder por estar observando o rosto dela, como se quisesse ver se haveria alguma mudança na expressão com o que iria dizer:

— Vamos conhecer uma parte da cidade. – ele revelou com cuidado.

— Mas temos tanta coisa pra fazer... – ela murmurou, franzindo mais ainda a testa.

Sesshoumaru inclinou o rosto para estudar o dela e ergueu uma sobrancelha.

— Como o quê, exatamente?

— Bem... – ela começou – Temos mais comida pra provar e ver se tá boa mesmo.

— Tem gente resolvendo as coisas por nós. Podemos sair por algumas horas para conhecer a cidade, não?

Rin continuava com a testa franzida em preocupação.

— Depois de amanhã, vamos ficar sem tempo e cansados. – ele murmurou ao ouvido dela, fazendo-a arregalar os olhos e corar – A não ser que queira apenas comer e dormir depois do nosso casamento.

Rin mordeu de leve os lábios, pensativa, depois alargou o sorriso.

— Você já sabe pra onde quer ir?

Sesshoumaru deu uma leve confirmação de cabeça.

— Tem um parque que adorava ir quando criança. Acho que Inuyasha e Kagome-chan podem nos encontrar lá. Fica perto do atelier do Jakotsu. – ela deu uma risada de leve – Acho que dificilmente o seu irmão volta pra casa agora que virou modelo oficial do meu primo. Kagome-chan quer cuidar da carreira dele.

— Isso definitivamente não é uma ideia ruim, Rin. Pelo menos não vamos vê-lo com frequência enquanto estivermos lá na casa.

Um sorriso mais fraco apareceu nos lábios dela enquanto procurava a mão dele para espelhá-la, unindo as ponta de casa dedo, palma com palma.

— Eu gostei muito de você ter aceitado ficar por um ano lá. Pelo menos não vamos ficar preocupados de imediato com a casa enquanto estiver em reforma.

— E eu pensei que Kaede e Jaken vão poder ajudar você em tudo quando eu estiver no trabalho ou viajando. – ele explicou – Pelo menos acho que foi isso que meu avô pensou quando escolheu a casa como presente.

Rin encostou o rosto no ombro dele e fechou os olhos:

— Bem, pelo menos não deve ser nada como aqueles cativeiros que visitamos... né?


— Ah, eu fazia aula de canto ali! – Rin apontou para uma discreta construção que tinha uma placa de escola de dança e canto – Era muito divertido!

Sentada ao lado de Sesshoumaru no carro, ela apontava para os lugares onde já tinha estado, ele escutando tudo enquanto dirigia e não tirava os olhos da direção.

— Eu lembro que Hashi me levava pra escola e eu voltava sozinha. – ela falou orgulhosa, depois virou o rosto para olhar por cima do ombro para a pessoa sentada no banco de trás, estreitando os olhos – Depois eu descobri que ele ficava me espionando!

— Eu tava só vendo se você chegava bem, ué. – ele explicou sem se incomodar muito com o olhar irritado dela – Ficava parando no meio da rua pra catar flores, falar bom dia pras pessoas, seguir o gato vira-lata... por que não ia logo pra casa?

— Hunf. – ela ergueu o rosto – Eu fiquei chateada porque achava que tava indo sozinha. Eu me achava muito independente.

— E se não fosse por mim, um maluco teria te sequestrado. – ele a relembrou e ela calou-se, unindo a ponta dos dedos indicadores timidamente.

Alguns segundos de silêncio se passaram até Sesshoumaru perguntar calmamente:

— E como foi isso?

— Hmm... – ela continuou unindo a ponta dos indicadores, totalmente envergonhada com a lembrança – Um homem me parou na rua pedindo informações e eu quis ajudar, aí ele começou a me arrastar pra me jogar dentro de um carro, mas o Hashi apareceu e bateu nele.

— E ela ainda ficou preocupada se eu tinha me machucado depois que quebrei a mão e o nariz do velho tarado.

— Hunf. – Sesshoumaru deixou escapar – Típico.

Agora quem recebia um olhar irritado era ele.

— Bem... – ela continuou orgulhosa – Depois papai fez Hashi passar na escola de canto pra me buscar. Tudo ficou bem depois.

Tchi. – o irmão zombou. Naturalmente que se lembrava da época que saía cansado dos primeiros treinos em artes marciais para apanhar a irmã na saída da escola de canto, ela quietinha esperando por ele sentada em um banco, e voltando juntos para casa.

O carro entrou em uma via que Rin conhecia, mas tinha estado pouquíssimas vezes e não reconheceu de imediato. Isso porque sentiu algo estranho vindo do fundo da alma, como um pressentimento ruim, algo que a alertava para não estar ali.

Ao pararem, ela piscou ao olhar pela janela e ver os muros de um cemitério budista.

Por alguns segundos, ela apenas observou o muro pela janela, sem entender o que estava acontecendo. Estavam longe do jardim que havia sugerido para encontrarem Kagome e Inuyasha e...

Sentiu a mão de Sesshoumaru tocar delicadamente um joelho agitado que nem havia notado que tremia, aquietando-o. Aparentemente, ela não havia se dado conta de que estava quase batendo no câmbio do carro.

Os dois trocaram olhares silencioso e ela deu-se conta, tarde demais, do que eles iam fazer ali.

— Não! NÃO! – ela tentou tirar o cinto para escapar, mas ele trancou o carro para impedi-la de sair, fazendo Hakudoushi arregalar os olhos.

— O que você... – ele começou, mas Sesshoumaru já havia saído do carro, trancando para que ninguém escapasse, e deu a volta para ficar em pé ao lado da porta onde estava Rin, assistindo-a colocar o cinto de novo para não ter que sair do veículo.

Pacientemente ele abriu a porta, tirou o cinto dela e a impediu de tentar escapar para os bancos de passageiros para procurar refúgio e proteção nos braços do irmão, ainda assistindo a tudo petrificado.

Sem trocar uma única palavra, ele conseguiu segurar Rin e tirá-la do veículo, colocando-a em cima do ombro.

— HASHI! HASHI! – ela gritou em desespero e com grossas lágrimas escorrendo pelo rosto.

Os dois já tinham passado do portão do cemitério quando Hakudoushi finalmente saiu do estado em que se encontrava, tirando o cinto para correr atrás do casal.

Ao ver que finalmente Hakudoushi havia saído do carro, Sesshoumaru parou por um momento para trancar o veículo daquela distância, voltando a andar tranquilamente para dentro do cemitério com Rin esperneando por cima do ombro.

— Hashiiii... – ela choramingou quando viu o irmão sair do veículo.

— Eiii... – ele tentou falar – O que vai fazer com ela?

Sesshoumaru apenas lançou um olhar de canto, impedindo que o outro se aproximasse. Hakudoushi não estava com medo de enfrentá-lo, mas a irmã estava aos prantos e talvez se machucasse.

Rin chorou tanto que nem percebeu quando pararam foi colocada gentilmente em pé no chão, abrindo os olhos quando sentiu Sesshoumaru afastar-se.

Depois viu-se diante do túmulo de Akihito.

— Leve o tempo que precisar. – ouviu Sesshoumaru falando distante, já perto de um banco de pedra onde sentou-se e cruzou os braços para aguardá-la.

O túmulo estava limpo e com flores, indicando visita recente. Na pedra, ela lia apenas o nome dele.

— Rin... – Hakudoushi murmurou para chamar a atenção.

A irmã tirou os olhos da lápide por alguns segundos para transferir para ele, depois voltou novamente a ler a inscrição na pedra. Ele entendeu, então, que ela queria ficar sozinha e afastou-se, procurando outro banco de pedra para observar o que ia se passar à distância.

Sozinha, ela, naquele típico movimento de autodefesa já conhecido pelos mais próximos, abraçou-se na altura da cintura.

— Oi, Aki... – ela começou num tom triste.

Não soube mais o que dizer logo em seguida, optando pelo silêncio mais confortável. Para ajudar-se na escolha das palavras, olhou de um lado, olhou para o outro, depois decidiu continuar:

— Desculpe ter sumido e não ter vindo me despedir.

Novamente houve uma pausa e ela continuou lamentando:

— Acabei de perceber aqui que falta pouco pra completar 3 anos da sua partida. Parece que foi ontem que conversamos pela última vez no hospital... – uma lembrança dos últimos momentos passou rápido na mente e continuou – Hashi me disse um dia que você tava muito cansado. Eu nunca tinha notado. Acho que só ficava falando e falando e você me só me ouvindo. Fiquei mal por nunca ter percebido essas coisas. Sempre achei que você ia sair bem de tudo isso.

Depois notou que estava agindo como costumava fazer quando estava com ele no hospital:

— Ah, estou falando muito de novo.

O braço deixou de envolver a cintura e ela mordeu o lábio inferior numa incerteza se estava indo pelo caminho certo na hora de continuar:

— Fiquei sem me cuidar e as coisas ficaram muito ruins. Fiz tudo errado e acho que você ia reclamar de ter abandonado a faculdade e meus amigos. Todo lugar me fazia lembrar que havia estado lá com você antes. Acabei deixando de sair de casa por isso.

Houve outra pausa que ela usou para avaliar o que havia falado até o momento e depois continuar:

— Eu não estava bem aqui, sabe? No fim das contas, decidi terminar a faculdade em Tokyo. Lá eu conheci outra pessoa e agora estou com ele. Aconteceu tudo muito rápido: em meses já estávamos juntos e agora já vamos nos casar.

Deu um pequeno sorriso.

— Sesshoumaru e eu somos muito diferentes em alguns aspectos, mas decidimos tentar assim mesmo. E agora estamos aqui de volta. Ele veio conhecer minha família. Nosso casamento é amanhã e tá uma correria aqui. Vamos fazer a cerimônia lá na casa da Botan e da Momiji. Jakotsu tá se esforçando pra deixar tudo em ordem. Acho que ele acabou gostando desse tipo de coisa, disse que quer expandir os negócios nesse ramo de casamentos.

Olhou para os lados. Hakudoushi estava desconfiado próximo a Sesshoumaru, colocando a mão próximo aos lábios para sussurrar um segredo:

— Eu descobri que estou grávida e Sess me pediu em casamento antes que descobrissem. Só Hashi e o avô dele sabem ainda.

Uniu as duas mãos na frente do corpo e sentiu o vento balançar suavemente o cabelo negro.

— Acho que em algum momento Sess e eu íamos acabar nos conhecendo e ficando juntos de qualquer forma, mesmo se você ainda estivesse aqui. Eu não me vejo mais sem ele e ele me mostra que também não quer ficar sem mim. Nós nos apoiamos em tudo, fazemos nossos planos pensando um no outro. E ele me trouxe aqui pra me despedir da forma que eu deveria ter feito antes.

Mais um momento de silêncio.

— Adeus, meu amor. – ela deu um sorriso triste – Obrigada pelo tempo que passamos juntos.

Deu um suspiro profundo e, por fim, virou-se para ver Sesshoumaru ainda sentado no banco do corredor entre os túmulos e o irmão copiando a pose em outro banco próximo.

Caminhou lentamente e ficou na frente de Sesshoumaru, que ergueu o rosto para encontrar os tranquilo olhos dela.

Silenciosamente, eles estavam se comunicando de novo ali. Ela aproximou os lábios da testa dele, que ficava quase na altura dela sentado naquele banco, e beijou o local.

— Vamos? – ele a convidou, estendendo a mão com a palma para cima.

Rin aceitou o gesto e ele levantou-se, permitindo que as mãos ficassem unidas até saírem dali. O irmão viu tudo à distância e deixou que aparecesse um pequeno sorriso no rosto antes de levantar-se também.

Os três seguiram em silêncio, com Hakudoushi de vez em quando olhando para o casal andando de mãos dadas e com Rin encostada no braço de Sesshoumaru. Por cima do ombro, olhou para o túmulo que ficava mais e mais distante.

Naturalmente que entendia que aquele era um caminho que se fechava apenas agora para a irmã. Era para ter acontecido muito antes, mas ele mesmo pouco conseguiu fazer. Somente uma pessoa de fora tomou providências para que a irmã continuasse.

Olhou para a frente e viu Rin tentando ficar na ponta dos pés para dar um beijo no rosto daquele Tsukamaru. Ou Setsunamaru. Ou Korosemaru.

— Não quer uma escada pra fazer isso, baixinha? – ele provocou de longe.

Recebeu um olhar irritado da irmã e ouviu um "hunf" fraquíssimo e pouco assustador dela. Foi um hábito que adquiriu do outro. Rin dificilmente soltava aquele tipo de coisa.

Viu as mãos ficarem mais unidas, com ela falando sobre alguma coisa extremamente contente e Sesshoumaru apenas ouvindo a tudo.

Era um caminho fechado para outros abertos sim, Hakudoushi concluiu quando os três saíram do cemitério juntos.


No Jardim Hisaya Odori, no centro de Nagoya, Rin estava sentada em seiza com a cabeça de Sesshoumaru apoiada nas pernas, os dois descansando na grama enquanto aguardavam Hakudoushi retornar com Inuyasha e , de olhos fechados, apenas sentia os dedos dela deslizarem pelo longo cabelo prateado, de vez em quando tocando na orelha dele.

Em um determinado momento, ela começou a rir, chamando a atenção e fazendo-o abrir os olhos por ter parado o que fazia antes.

— O que foi? – ele quis saber.

— Eu lembrei de novo de quando a gente se conheceu.

Sesshoumaru continuou piscando suavemente, esperando pela continuação.

— Você olhava tão sério pra mim e eu fiquei sem entender por quê. E depois você reclamou que eu estava cantando.

Sem dizer mais nada, ele voltou a fechar os olhos, mantendo o semblante tranquilo.

Curvando-se um pouco mais, ela beijou a testa dele e Sesshoumaru, ainda de olhos fechados, ergueu a mão para voltar a puxar o rosto dela para repetir o gesto.

Quando afastaram o rosto por alguns centímetros, ela deu um enorme sorriso.

— Você não gosta de lembrar? Eu acho divertido, nem consigo acreditar que vamos nos casar amanhã.

— Claro que gosto de lembrar.

— Vou contar pro nosso filho essa história e o que você falou quando nos conhecemos.

— "Filho"? – ele repetiu ao colocar uma mecha de cabelo negro atrás da orelha dela – Não poderia ser uma "filha"?

Rin piscou, surpresa, depois deu um sorriso, voltando a aproximar o rosto para beijar a testa dele.

Ouviram Hakudoushi pigarrear perto deles e as risadas de Inuyasha e Kagome mandando-os pararem, o que fez Rin cobrir o rosto com as mãos para esconder o vermelho que surgiu com aquela interrupção.

— Desculpe interromper, Rin-chan... – Kagome se desculpou, mostrando uma cesta com comida – Trouxemos comida enquanto Sango-chan e Miroku-sama não chegam.

O nariz de Rin moveu adoravelmente para sentir o cheiro no ar.

— Tem pão com bastante queijo, né? – ela perguntou.

— Como ela consegue adivinhar essas coisas? – Inuyasha franziu a testa.

Em minutos, o grupo estava acomodado em cima de uma grande toalha observando a movimentação do parque, aguardando pelo momento até o horário que teriam de voltar para casa para aguardar a chegada dos amigos de Tokyo.


Sango estava em pé na frente do portão da família Nozomu observando os detalhes da rua tranquila e sem transeuntes enquanto Miroku pegava as duas malas e pagava a corrida de táxi da estação até ali.

— Não é à toa que Rin-chan não aceitava morar em qualquer buraco em Tokyo... – Sango murmurou quando viu Miroku mais próximo dela depois do veículo ir embora – Olha o tamanho desse lugar.

— Que jardim legal. – ele observou, abrindo o portão destrancado e tomando a liberdade de entrar com mala e tudo – Vamos, Sangozinha.

Enquanto andavam até a entrada, ele notou algo ao olhar para o lado:

— Estão reformando um dojo.

— Acho que a Rin-chan falou que o irmão dela é um samurai ou algo assim.

— Eles têm um dojo. – ele comentou ainda mais enfático e impressionado.

Ao ficarem na frente da porta, eles tocaram duas vezes na campainha e esperaram alguns segundos até abrir e Sesshoumaru aparecer na entrada com um band-aid grudado no supercílio.

— O que aconteceu com você? – Miroku arregalou os olhos.

— Treinamento. – ele explicou sem qualquer emoção.

— Ah! – os três ouviram a voz de Rin e voltaram os olhos para a escadaria, de onde a viram descer acompanhada da mãe – Vocês chegaram!

Quando as duas já estavam no último degrau, Miroku tomou mais uma liberdade e entrou no genkan, tirou rapidamente os sapatos e, em segundos, já segurava galantemente as mãos da senhora Nozomu.

— Senhora Nozomu, eu não fazia ideia de que a mãe de nossa amiga é extremamente linda também. A beleza de nossa Rin-chan é totalmente justificada. – falou com um sorriso largo e dentes brilhantes.

— Ora, ora... – a senhora Nozomu escondeu o sorriso por trás da mão e corou da mesma forma que acontecia quando falava algo desconcertante para Sesshoumaru.

De repente, Miroku sentiu uma energia negativa e olhou por cima do ombro, apenas para encontrar Hakudoushi com o olhar levemente estreitado para ele e encolheu os ombros de medo.

— Miroku-sama não aprende mesmo... – Rin desfez o contato das mãos entre o amigo e a mãe, e ele aproveitou para esconder-se atrás dela – Fizeram boa viagem?

Sango aproximou-se para dar um abraço em Rin e confirmar com a cabeça.

— Estou tão feliz por vocês dois. – ela pegou as mãos da amiga e as aproximou do coração – Eu sabia que tudo daria certo entre vocês.

— Sango-chan... – Se tinha alguém que tinha apoiado ajudado Rin no que dizia respeito ao relacionamento com Sesshoumaru, esse alguém era definitivamente Sango, ela concluiu sentindo os olhos levemente marejados.

Miroku tocou-a no ombro e comentou:

— Depois você me conta como Sesshoumaru fez o pedido pra poder copiar na hora de pedir a Sangozinha em casamento.

— C-C-Como é que é? – ela engasgou.

A porta da sala de refeições abriu-se repentinamente para um lado e Jakotsu apareceu na entrada.

Todos olharam para ele, surpresos. Ninguém sabia que ele estava ali e nem quando havia chegado.

— Com licença... – ele começou olhando para os lados – Alguém aqui falou em casamento?


À noite, no quarto, Rin não parava de olhar o futuro marido deitado ao lado da cama que dividia com Sesshoumaru. Ele, deitado de costas e com o rosto voltado para ela, apenas se comunicava silenciosamente com os olhos até ela decidir quebrar o silêncio:

— Hoje foi a primeira vez que você falou do bebê.

Impossível ter sido a primeira vez, ele pensou. Franzindo a testa, ele replicou suavemente:

— Eu falei em outras vezes.

— Não do jeito que falou hoje. – ela argumentou – Acha que vai ser uma menina?

— Apenas fiz uma sugestão. – ele deslizou o dedo pelo rosto dela até sentir que as pálpebras dela estavam tremulando, como se ela quisesse lutar para não dormir – Tanto faz ser um menino ou menina.

— Você deve ser do tipo que vai fazer todas as vontades de uma menina.

— Absurdo. – ele zombou da ideia – Se for menino, Hakudoushi e eu vamos colocar para treinar quando começar a engatinhar.

— Vão nada. – ela tentou conter o riso ao imaginar o irmão como treinador – Ainda mais Hakudoushi. Ele adora treinar criança e fica toda hora perguntando se alguém se machucou ou se quer descansar.

— Então ele vai treinar só comigo.

— Qualquer filho nosso vai ser forte. – ela deixou escapar e ele concordou com os olhos.

Finalmente, ela decidiu deixar o sono vencer e deu mais um sorriso antes de fechar os olhos de vez.

— Boa noite, amor. – murmurou com um suspiro cansado e sonolento – Obrigada por hoje.

Depois que a respiração dela ficou mais ritmada, ele a cobriu até os ombros com o lençol e estendeu o braço para apagar as luzes, aproximando-se mais para poderem dormir abraçados.