Nota da autora: Voltando agora. Queria ter postado isto aqui antes, mas o trabalho me consumiu muito em julho. Praticamente voltei pra casa pra escrever pelo menos 1 página ou menos por dia antes de ir dormir. Como tem muitas pessoas lendo e pouca gente comentando, resolvi então ir devagar mesmo... No final, temos 15 páginas! Espero que gostem 😊 ❤️
Há duas ilustrações que vou mandar no grupo: uma da Rin noivinha (com chapéu e tudo) e outra do nosso casalzinho já casado, depois da última cerimônia. Quem desenhou foi a Gaby (ohmagaby no Twitter) e as duas ficaram lindas! 😍
Vou começar uma revisão desde o capítulo 1 para transformar num livro (com todas as ilustrações desenhadas pela Gaby e mais algumas que queria pedir, pelo menos 1 em cada capítulo). Acho que tem gráfica em SP pra fazer isso. Alguém recomenda uma? Vou deixar o pdf ilustrado disponível no grupo do Telegram.
Obrigada pelos comentários: HelloBraga, 05csomoragnes11, Isa Raissa, Autumnbane, MikeRyder16 e Dica-chan. Obrigada a todos pelos comentários. Thank you all for reading and reviewing! Gracias por leer y por los comentarios ❤️❤️❤️
Se não ficar muito grande e eu não tiver que dividir, o próximo capítulo será o último.
Beijos da Shampoo-chan 😘
UM CAMINHO PARA DOIS
CAPÍTULO 47
Um caminho para dois
Diferentemente do que acontecia em outros dias, quando despertava primeiro, Sesshoumaru, naquela manhã, foi acordado.
Primeiro começou sentindo algo tocar o nariz, seguido de dedos que deslizaram delicadamente pelo rosto para tocar as orelhas. O próximo alvo foi a boca. Algo macio pressionava os lábios e ele conseguia ouvir baixinho uma risada.
Ao abrir os olhos lentamente, viu Rin deitando-se em cima dele, com as mãos apoiando o rosto.
— Bom dia, Sess... – ela deu um largo sorriso – Vamos nos casar hoje!
Em silêncio, ele moveu a mão até o rosto sorridente para acariciá-lo, comunicando os sentimentos apenas com os olhos.
Sem desviar o olhar ou deixar de sorrir, Rin saiu de cima dele e sentou-se em seiza na cama.
Sim, iriam casar naquele dia.
Aproximou o rosto novamente e o beijou.
Seria um longo e bonito dia.
A casa das filhas gêmeas de um ex-administrador da região de Aichi estava bem movimentada: algumas pessoas corriam de um lado a outro carregando enfeites da cerimônia, travessas com comida, roupas, cadeiras... Jaken passava pelos outros com um andar mais rápido, carregando uma caixa que parecia ser bastante preciosa enquanto procurava por Kaede.
Encontrou-a em um dos quartos usados para guardar os presentes, dando os últimos ajustes no arranjo de flores que Rin deveria usar nos cabelos.
— Jaken. – ela falou ao vê-lo.
— Kaede-sama. – ele ofegou – Trouxe o que me pediu.
— Ah... finalmente... – ela deixou o arranjo e estendeu as mãos para receber a caixa de madeira protegida por um lenço, entregue com um gesto teatral – Obrigada, Jaken.
Kaede ficou em silêncio observando o delicado ideograma da família Taisho gravado no lenço. Ali haveria uma solução para um problema que a preocupava.
— Acha que vai dar certo...? – Jaken perguntou.
A pergunta interrompeu os pensamentos da madrinha de Sesshoumaru. Solene e séria, ela confirmou com a cabeça.
Num gesto elegante e lento, típico de quem havia feito um treinamento para ser uma dama japonesa, ela abriu o lenço e depois a caixa.
— Você trouxe o sake, Jaken? – ela perguntou no mesmo tom.
Sem dizer nada, ele tirou uma garrafa da manga do kimono formal e entregou a ela.
— Saia e vigie a porta por dez minutos. – ela ordenou, dando as costas para ele.
Apenas escutou a porta ser deslizada para o lado, abrindo-a, e fechando-a em outro movimento.
Olhou a garrafa e o lacre. Ela teria que fazer uma coisa que aprendera a fazer há alguns anos, quando a mãe de Sesshoumaru, grávida, estava a casar e iria tomar o sake da cerimônia.
— Bem... – ela fechou os olhos e deu um sorriso gentil – Parece que algumas coisas nunca mudam.
E começou a operação de trocar o sake da cerimônia de casamento por água mineral pela segurança de Rin.
Em um casamento tipicamente japonês, a cerimônia reúne as duas famílias e amigos próximos em um momento especial. Os convidados levam um envelope extremamente enfeitado com cédulas novas de ienes, sem nenhum tipo de risco ou amassado, para entregar aos noivos como presente de casamento – o goshūgi. Além disso, assinam um livro de visitas em um momento especial.
Mas o livro era a menor das preocupações para um certo casal:
— VOCÊ ESQUECEU O DINHEIRO COM NOSSO DINHEIRO, MIROKU? – Sango gritou quando ele revelou que havia deixado o envelope no apartamento em Tokyo.
— Fala baixo, Sangozinha. – ele sussurrou, puxando-a para um canto – Vou dar um jeito, calma.
— Vai dar um jeito de que forma? – ela colocou a mão nos quadris – Vai procurar um banco agora, sacar dinheiro e voltar pra cá em menos de uma hora, é?
— Você ficou me apressando por causa da roupa e eu acabei esquecendo de colocar na sua bolsa. Só achei o envelope da Kagura. A gente podia usar esse, ué.
Sango deu um tapa na cabeça dele.
— Vai logo arranjar dinheiro e envelope. Eu não vou entrar de mãos vazias no casamento da nossa amiga!
Deu as costas e abriu uma porta, fechando na cara dele.
Dentro do outro cômodo, ela deu um suspiro pesado e disfarçou a ansiedade causada por mais aquele problema o melhor possível.
— Aconteceu alguma coisa, Sango-chan? – ela ouviu Rin falar atrás dela.
Virou-se com um sorriso para disfarçar e não deixar a amiga, tão feliz com o que estava acontecendo, preocupada: Rin tinha os braços estendidos para os lados enquanto todas ali a ajudavam. Kagome ajeitava o cabelo, as primas que havia acabado de conhecer ajudavam a arrumar o kimono branco da cerimônia xintoísta que seria celebrada em um templo, Sango arrumaria a maquiagem.
— Não aconteceu nada! – ela falou extremamente animada, correndo alegremente para junto do grupo para ajudar na montagem da roupa. Perto dela, separou o batom que ficaria nos lábios e os demais itens: blush, iluminador, sombra, tudo.
— Eu estou tão ansiosa... – Rin murmurou um pouco preocupada – Tenho medo de manchar a roupa ou trocar as palavras.
— Você nunca ficava nervosa na apresentação de trabalhos. – Sango tentou tranquilizá-la.
— É, minha prima... – Botan jogou mais uma camada de tecido por cima de outro antes de Momiji verificar se estava milimetricamente correto – Acho que nunca te vi nervosa. Nem quando participava daquelas competições de canto.
— Você cantava antes, Rin-chan? – Kagome conseguiu prender os grampos no cabelo e verificou se não atrapalharia o chapéu wataboshi que teria que usar no templo.
— Ela participava de todos os concursos quando criança! – Momiji explicou animadíssima.
— Eu larguei o canto quando entrei na adolescência. – a noiva explicou – Acho que antes de terminar o ensino médio eu já não tinha mais tempo e não cantava mais.
— Agora pode cantar pro bebê quando ele nascer! – Botan deu pulinhos de alegria, com Momiji concordando alegremente ao lado da irmã.
O quarto ficou em silêncio, com Kagome, Sango e Rin de olhos arregalados e respiração suspensa.
— Ué... – Momiji quebrou o silêncio, piscando diante do estado atônito das outras duas garotas e de Rin corada e nervosa – O que foi?
— Você está grávida, Rin-chan? – Kagome perguntou num sussurro.
A amiga confirmou lenta e timidamente com a cabeça.
Por um instante, Sango e Kagome ficaram em silêncio sem conseguir expressar uma única reação, até que Kagome suavizou as linhas para um sorriso aparecer e abraçar Rin.
— Parabéns, Rin-chan. – a voz ficou carregada de emoção – Tenho certeza que esse bebezinho vai ser muito feliz.
— Você podia ter nos falado logo. – Sango enxugou uma lágrima que ameaçava cair – Podia ter trazido logo um presente pra ele.
— É que ninguém sabe ainda... – Rin escondeu o rosto entre as mãos e olhou entre os dedos timidamente para as primas – Como vocês descobriram?
As gêmeas abriram e fecharam a boca duas, três vezes até começarem a balbuciar:
— Beeeem... – Momiji começou.
— Deu pra juntar os pontos. – a irmã completou torcendo as mãos nervosamente – Achamos que tinha contado pras suas amigas.
— Vocês contaram pra mais alguém? – a noiva perguntou, preocupada.
— Não! – as duas falaram ao mesmo tempo.
— Ufa! – Rin respirou um pouco mais aliviada, abanando-se com a mão.
— Pode confiar em nós! – Momiji falou determinada.
— Hakudoushi jamais vai saber! – Botan completou.
Rin deu um sorriso sem graça, preferindo omitir o fato de que o irmão era um dos únicos que sabia da situação e havia descoberto sozinho.
— Vamos, vamos! – Kagome continuou batendo palmas – Precisamos nos apressar! Meninas, as roupas! Sango, pegue o prendedor com flores para o cabelo dela!
— Sim, senhora! – as três começaram a agir sob o comando de Kagome.
No lado de fora do quarto, Miroku esfregava o nariz para se certificar de que não estava machucado depois de Sango fechar a porta a milímetros do rosto. Pelo menos estava bem e não precisaria colocar um band-aid que nem Sesshoumaru e aquele irmão de Rin e...
— Ah, Sesshoumaru! – ele bateu um punho fechado na outra palma, bolando um plano que considerava bom.
Andou pelos corredores, abrindo e fechando portas discretamente, e encontrou um cômodo com Inuyasha terminando de ser vestido profissionalmente por Jakotsu e outros dois auxiliares.
Ao ouvirem a porta ser aberta, os quatro olharam por cima do ombro.
— Yo, Miroku. – o amigo o saudou – Tá perdido?
— A sua namorada está no quarto com minha prima. – Jakotsu falou com uma agulha no canto da boca – Mas vai ter que esperar do lado de fora. Nenhum homem pode entrar no quarto em que se arruma a noiva, de acordo com nossa tradição.
— O que estão fazendo? – ele perguntou curioso ao ver Inuyasha com os braços estendidos na horizontal para ajeitarem um kimono azul marinho por cima de um outro na cor bege.
— Um pequeno ajuste na manga. – Jakotsu respondeu pelo outro – Precisa de alguma coisa? Quer se trocar aqui?
— Trocar? – ele repetiu, olhando a camisa social preta com listras escuras e a calça de linho preto que havia achado às pressas em casa para o casamento. Para ele estava bom para uma recepção – Eu vou usar isso aqui. Não tá bom?
A agulha caiu da boca de Jakotsu e os dois assistentes levaram a mão ao coração, em choque.
— Você não tem uma roupa pra vestir, Miroku? – até Inuyasha estava um pouco chocado com a falta de noção do jovem.
— É que eu tô preocupado com outra coisa... – ele se aproximou com a mão estendida com a palma para cima – Você não tem aí uns vinte mil ienes pra me emprestar? Devolvo assim que a gente voltar pra capital.
— Pra quê? – ele quis saber, já tendo um pressentimento ruim sobre o que ouviria.
— É que... – ele começou a falar, depois interrompeu-se ao perceber que Jakotsu tirava as medidas dele com a fita métrica sem nem pedir licença – O que tá fazendo?
— Você não vai aparecer no casamento da minha família com essa roupa dessas. É tão ofensivo visualmente quanto usar cílios LED ou um tênis sujo da Balenciaga.
Segundos depois, ele guardava a fita no bolso e olhava para Inuyasha, depois Miroku.
— Não! – Inuyasha abraçou-se como se quisesse proteger a própria roupa que usava.
— Vocês dois têm a mesma medida. Vou pegar outra sua.
No outro segundo, Inuyasha já estava abraçado às roupas que havia ganhado do estilista nos ensaios fotográficos que fizera nos dias que estivera ali com ele.
— NÃO! – ele agarrou o máximo de peças que conseguia e abraçou-as para protegê-las.
— O seu amigo tá precisando de roupa, é só por algumas horas! – Jakotsu insistiu.
Inuyasha saiu correndo do quarto com as preciosas roupas.
— EI, VOLTE JÁ AQUI, INUYASHAAAA! – Jakotsu e os dois assistentes saíram correndo atrás dele.
Sozinho, Miroku resmungou:
— Pra quem eu vou pedir dinheiro emprestado agora?
O irmão mais novo correu aleatoriamente pelos corredores entre um andar e outro até encontrar um cômodo qualquer e entrar sem se preocupar com quem estava ali, escorregando pela porta depois de deslizá-la com força para fechá-la, ainda segurando as roupas.
Depois arregalou os olhos ao ver o irmão lutando com Hakudoushi, ambos com armas de madeira: Hakudoushi com uma naginata de madeira e Sesshoumaru com uma espada do mesmo material.
Os dois pararam a luta e olhavam curiosamente na direção do recém-chegado ali, ignorando as roupas já rasgadas e
— O que faz aqui, Inuyasha? – Sesshoumaru perguntou.
— Vim me esconder aqui do Jakotsu... O que vocês estão fazendo? – o outro respondeu com outra pergunta.
— Estamos treinando. – foi a vez de Hakudoushi responder.
— Antes do casamento? – Inuyasha perguntou um pouco surpreso – Essa roupa aí não é a do Jakotsu separou? Ficaram doidos?
Ambos se colocaram lado a lado e notaram um rasgadinho aqui, um lado descosturado ali.
Depois olharam para Inuyasha e as roupas que ele tinha nos braços.
— NÃO! – ele abraçou as roupas protetoramente.
No outro segundo, já estava quase desmaiado no chão com um enorme galo na cabeça por causa de um ataque em conjunto dos dois, gemendo de dor.
— Vou pegar isso aqui. – Hakudoushi mostrou um kimono – Não parece ser tão pequeno.
Sesshoumaru por um triz deixava transparecer uma cara de desgosto com o tamanho das roupas, mesmo assim escolheu uma peça para experimentar no caso de uma substituição.
A porta abriu novamente e viram Bokuseno e Kaede entrarem, ambos elegantemente vestidos e evidentemente já prontos para a cerimônia. Ao vê-los suados e sujos e as armas jogadas no chão, Kaede ficou com a boca ligeiramente aberta:
— O que pensam que estão fazendo? – o tom era duro e cheio de preocupação – Está quase na hora da primeira cerimônia!
— Você disse que tínhamos tempo de sobra pra fazer essa disputa. – Hakudoushi reclamou para Sesshoumaru.
— Eu consigo me arrumar em dez minutos. – ele desafiou.
— Tchi! – Hakudoushi jogou a naginata de madeira no chão e foi embora com pressa para arrumar-se novamente.
Inuyasha sentou-se no chão e esfregou a cabeça, sendo levantado por Bokuseno.
— Arrume-se logo. – Kaede ordenou num tom que não admitia qualquer um discordar – Vou procurar o material para costurar depressa essa manga.
— Hunf. – Sesshoumaru deu as costas antes de ouvir uma segunda vez, desaparecendo num corredor seguido por Kaede.
Sozinhos, Bokuseno enfiou os braços nas mangas do kimono e viu o neto mais novo pegar todas as peças do chão e dobrá-las com cuidado.
— Por que você está com isso agora?
— Nah... – ele deu um sorriso malandro – Miroku precisa de roupa pro casamento e corri com as minhas antes de me pedirem. Acho que ele esqueceu de trazer as que ia usar lá da capital.
O avô balançou a cabeça em desalento, olhando as armas de madeira jogadas no chão. Como Sesshoumaru, de todas as criaturas, podia ter tido a ideia de lutar artes marciais momentos antes do próprio casamento?
— Eu ainda não entendi como você deixou o Sesshoumaru ficar em casa depois de tanto discurso pra ele ir embora naquela história com os Asano. E ele ainda ganhou uma casa.
Bokuseno ergueu uma sobrancelha.
— Não acredito que ainda está reclamando disso. – ele falou.
— Não estou reclamando... – o neto passou a mão no ombro para limpar o tecido de eventual poeira – Só achei estranho. Rin sempre foi bem recebida em casa, mas não acho que tenha sido só por causa dela que você deixou o Sesshoumaru ficar lá.
— Bem... – o avô deu um discreto sorriso – Você já tem aí a sua resposta.
Ficou em silêncio e notou a forma como Inuyasha franzia a testa ainda muito confuso.
Foi só então que Bokuseno entendeu que ele não sabia de um fato.
— O que está rosnando aí, Inuyasha? – ouviu Sesshoumaru perguntar ao voltar para o recinto quase totalmente arrumado, faltando apenas a peça que Kaede estava recosturando.
— Já tá arrumado? – Inuyasha arregalou os olhos.
— Eu disse que consigo me arrumar em dez minutos. – ele respondeu – Você fica limpando a garganta enquanto pensa?
— Ele ainda está confuso porque você e Rin vão morar em casa por um ano.
Sesshoumaru olhou fixamente para o irmão que abraçava aquelas roupas e balançou a cabeça.
Segundos depois, Kaede aproveitava a porta aberta depois da entrada do afilhado e entregava a peça que havia consertado.
— Vista-se logo. Você precisa encontrar Rin no jardim.
Sem falar nada, ele pegou a peça e a vestiu com a mesma calma sob o olhar duro da madrinha, ignorando o olhar atravessado que ela lançou ao sair do quarto e deslizar a porta para fechá-la como palavra final.
O quarto ficou por alguns momentos silencioso, apenas com Sesshoumaru arrumando-se e Inuyasha e Bokuseno observando os detalhes da roupa. Era um momento de mudança na vida de alguém – o filho mais velho casaria e formaria a própria família.
— Você deveria tentar seguir um pouco as regras, Sesshoumaru. – Bokuseno o advertiu ao ir na direção dele e estender as mãos para ajeitar o kimono externo, como fazia quando o neto precisava de ajuda com a gravata nos dias que ainda fazia faculdade.
— Você nunca alinha direito. – Sesshoumaru reclamou – Rin sempre tem que ajeitar.
Inuyasha deu uma risada de deboche.
— Por que será, hein? – falou com ironia, o que fez o irmão mais velho estreitar o olhar.
Bokuseno também riu, mas tentou disfarçar o melhor possível, ignorando o olhar atravessado do neto mais velho.
— Ele só quer dizer que fica torto porque você olha para Rin o tempo todo e não faz isso comigo. – Bokuseno quis dizer – Olhe para mim.
Talvez fosse a primeira vez que Sesshoumaru olhava diretamente para o avô ocupado em alinhar o traje e não deixar nada fora do lugar.
— Para alinhar as gravatas e outros trajes, você tem que olhar para a pessoa que está ajudando você. Se não, sempre vai ficar torto. Você nunca olha para mim, sempre vira a cara para o lado. Assim, nunca vai ficar alinhado.
Sesshoumaru então entendeu que todas as vezes que Rin teve que ajeitar a gravata foi quando não quis olhar para o avô por teimosia.
— Está nervoso? – o avô perguntou.
— Não. – Sesshoumaru respondeu e viu Bokuseno tentar conter um sorriso sem muito sucesso.
— Seu pai também não ficou nervoso no dia em que se casou com Izayoi.
Os dois irmãos ficaram em silêncio, com os pensamentos voltados para quem não estava ali: os pais que não estavam vendo o filho mais velho casar e nem veriam o mais novo unir-se no casamento com Kagome.
— Eu estava falando com Inuyasha sobre sua ida temporária com Rin para a casa Taisho.
— A casa dele. – Sesshoumaru corrigiu.
— Keh! – Inuyasha empinou o nariz – Nem faço questão. Já disse que Kagome e eu vamos procurar outro lugar mais perto da cidade.
— Apenas para deixar claro, Sesshoumaru... – Bokuseno tirou de dentro de um bolso interno do kimono algo brilhante que, a princípio, os irmãos não conseguiram identificar – Você ficaria com a casa se você aceitasse uma regra que existe há tempos de o filho mais velho se unir com a filha mais velha da família Asano. O seu pai também não aceitou e nunca herdou a casa.
— E nem foi chefe da família. – Inuyasha observou.
— Não foi chefe de família porque eu estou vivo, oras. – Bokuseno deslizou a mão pelo lado direito do peito do neto para demorar-se ali prendendo alguma coisa.
Ao tirar a mão, os irmãos viram que era um broche em forma de flor de crisântemo, o símbolo da nobreza.
— Mas não vai ser para sempre isso. Um dia eu não estarei mais aqui e você será chefe da família. – ele novamente enfiou a mão dentro do bolso interno do kimono para tirar outro broche, pregando-o do lado esquerdo quase na mesma altura do outro para ficar alinhado – Não ficou com a casa porque escolheu outro caminho, mas nem por isso vai deixar de ser chefe da família Taisho um dia e tomará as decisões necessárias para manter nosso nome.
A mão descobriu um broche no formato do brasão da família Taisho. Crisântemo do lado direito, brasão do lado esquerdo.
— Quando digo isso, é porque tenho certeza que algum dia você encontrará uma solução para a casa por conta de tudo o que ela significa para vocês dois.
Sesshoumaru e Inuyasha ficaram novamente em silêncio apenas refletindo sobre as palavras a respeito do futuro.
O momento, porém, foi interrompido pouco depois com a porta abrindo e Miroku aparecendo.
— Ah, vocês estão aí. – ele fechou a porta e deu um sorriso malandro, ignorando Bokuseno de boca aberta em choque com a roupa que ele usava para o casamento – Fiquei procurando por vocês em todos os quartos. Preciso de um favor.
— Precisa de alguém para ensinar um pouco de bom senso e trocar essa roupa? – Sesshoumaru perguntou.
— Ah... – Miroku olhou para a calça e puxou a barra da camisa – Tá muito ruim?
— Você vai ser desconvidado até do teu casamento pelo Jakotsu se aparecer assim. – Inuyasha completou, jogando depois três peças, agarradas no ar pelo amigo a tempo – Toma, veste isso logo.
— Ah, eu nem tava tão preocupado com isso... – ele coçou a cabeça com uma das mãos livres – Mas obrigado. Eu fiquei sem roupa porque mandei lavar errado e ela encolheu.
— "Encolheu"? – Bokuseno e Inuyasha falaram ao mesmo tempo.
— Menino, precisava ver, ficou assim, ó. – posicionou as mãos um pouco afastadas, como se estivesse medindo um bebê, para dar a noção do tamanho que as roupas ficaram.
— Me devolve essa aí depois de usar.
— Ah, obrigado, Inuyasha, eu mando lavar essa aqui também e...
— Nem precisa. – o outro o interrompeu antes de completar a promessa – Devolve logo depois da cerimônia. Volta pelado pra cidade.
— Inuyasha, você não confia em mim? – Miroku perguntou num tom dramático, colocando a mão no peito.
—Houshi... – Bokuseno escondeu os braços dentro das mangas, fitando tranquilamente o amigo dos netos – A primeira cerimônia começa daqui a pouco. Melhor trocar logo de roupa.
— Ah, preciso resolver primeiro um problema... – ele se aproximou de Bokuseno com a mão estendida num atrevimento nunca visto antes – Preciso de uma nota novinha de dez ou vinte mil ienes para colocar no envelope. Pode me emprestar?
— Dez mil ienes? – Bokuseno piscou.
— Ou vinte mil. – Miroku repetiu na maior inocência.
— Esse dinheiro é o do meu casamento? – Sesshoumaru perguntou no tom mais sério que tinha.
— É... – o antigo colega de faculdade coçou a nunca, procurando as palavras para explicar o que aconteceu sem passar uma impressão ruim aos outros – Eu esqueci o envelope lá em casa na pressa... Preciso de nota nova. Faço a transferência agora mesmo.
— Sinto muito, Houshi... – Bokuseno deu um sorriso compreensivo, tentando mostrar que entendia a situação – Eu acabei dando uma nota de vinte mil para a sua namorada. Sango-chan, né? Vi esse nome no envelope.
— Sango fez isso? – ele arregalou os olhos, estreitando depois na direção onde ela deveria estar como se pudesse vê-la no quarto com Rin e as outras mulheres – Mas que trapaceira! Droga...
Voltou-se depois para Sesshoumaru, unindo as mãos numa súplica ao fazer um pedido:
— Por favor, Sesshoumaru, me empresta uns 20 ou 30 mil ienes em notas novinhas? Preciso colocar no envelope.
— Não era só 10 mil? – Inuyasha perguntou.
— Quer que eu empreste para você o dinheiro de presente do meu casamento? – o noivo perguntou, ignorando a risada alta do irmão.
— Por favor! – ele implorou mais ainda.
— Você não tem vergonha, filho de Houshi? – Bokuseno também se divertia com a cena.
— Ué, são vocês que seguem essas tradições. – ele abriu o envelope com o nome dele, já preparando para receber as cédulas – Vai ser uma coisa que vou abolir no meu casamento. Vamos fazer uma lista só de eletrodomésticos pra montar tudo na casa nova. Pode até comprar pela Jamazon.
— Rin não liga para o goshūgi. – Sesshoumaru tentou argumentar.
— Posso então pegar o envelope da Kagura e riscar o nome dela? – Miroku perguntou num tom quase idiota – Ela não veio mesmo. Eu devolvo a grana pra ela quando chegar em casa.
Inuyasha deu uma risada ainda mais alta, calando-se quando a porta subitamente deslizou para o lado e Jakotsu apareceu majestoso e furioso no cômodo:
— Vocês dois ainda não terminaram de se arrumar pra esse casamento! – ele partiu para cima de Inuyasha e depois de Miroku, os dois hábil e agilmente desviando do estilista e correndo para fora do quarto, sendo seguido por ele. Pela porta aberta, Bokuseno e Sesshoumaru ainda viram dois assistentes de Jakotsu correndo atrás do chefe para alcançar os fugitivos.
— Seu irmão está se divertindo muito, né? – o avô comentou.
— Meu irmão é um idiota. – Sesshoumaru opinou.
Bokuseno deu um sorriso pequeno e aproximou-se de novo do neto, desta vez para ajeitar algo no broche. Sesshoumaru desviou o olhar novamente de forma automática, apenas para ouvir depois:
— Eu tenho certeza que qualquer decisão que você tomar como futuro chefe da família vai ser boa.
Depois da fala, o idoso afastou-se e voltou a colocar os braços dentro das mangas do kimono, assobiando uma cantiga antes de sair do quarto.
No corredor, Bokuseno passou direto por Jakotsu arrastando Inuyasha e Miroku desmaiados para dentro de um quarto, com os assistentes no encalço com as roupas envelopadas em plástico de proteção em mãos.
Alguns minutos depois, na sala da casa de Momiji e Botan, a senhora Nozomu terminava de ajustar o kimono formal de Hakudoushi, alisando aqui e ali no ombro e mangas, quando o marido apareceu ao lado de Bokuseno.
— Oh, vocês estão aí... – ela parecia aliviada, virando o rosto para eles – Rin-chan vai descer em cinco minutos e... VOCÊS JÁ ESTÃO BEBENDO?
Os dois tinham pires de sake na mão e, notando que aquele momento era inapropriado, deixaram em uma mesinha próxima.
— Acho que nem era sake. Parecia água. – o marido tentou se explicar.
— Às vezes, a pessoa perde o paladar pra bebida quando consome muito. – Hakudoushi tentou explicar num tom mais profissional.
— Eu nunca ouvi falar disso. – o pai falou.
— Nem eu. – Bokuseno completou.
— É algo recente. – ele continuou num tom sério a falar ao pai – Isso pode significar que tem que maneirar na bebida.
Bokuseno e o senhor Nozomu se olharam meio entristecidos com a notícia.
— Ele está inventando isso. – a mãe falou ao colocar o broche com o brasão da família no peito do filho, que puxava uma olheira e mostrava a língua para o pai adotivo – Pronto.
Alguns segundos depois, as primas e amigas de Rin desciam as escadas tomando cuidado com cada degrau, um sinal de alerta para a vinda da noiva. Um fotógrafo profissional posicionou-se ao pé da escada.
— Oh, Hakudoushi, você também tem que gravar a descida dela, vamos! – a mãe insistiu. Ele, meio emburrado por ter sido incumbido daquela tarefa, deixou escapar um suspiro e pegou o celular do bolso interno do kimono, ligando a câmera.
A silhueta de Rin apareceu no alto da escada toda de branco, com chapéu e tudo, descendo lentamente as escadas sem levantar o rosto, como se estivesse preocupada em não tropeçar. A mão segurava o corrimão de metal com força.
Ao chegar no último degrau e finalmente pôr os pés no chão, ela levantou o rosto.
Um momento de silêncio se fez. O senhor e a senhora Nozomu ficaram mudos. Hakudoushi abaixou a mão com o celular e já nem gravava mais.
A irmã era tão parecida com a mãe que parecia que ela era viva ali. Talvez a única diferença fosse mesmo o tamanho, sendo Rin um pouco menor.
Sem entender, Rin inclinou o rosto para o lado, piscou e deu um pequeno sorriso sem graça antes de perguntar suavemente:
— O que foi?
Recuperando a pose, os pais se aproximaram, com a senhora Nozomu segurando o rosto dela com as mãos, tomando cuidado para não amassar o chapéu.
— Você está linda, foi o que aconteceu. – ela explicou ao tirar uma mecha do cabelo da testa e escondê-la dentro da aba do chapéu – Está nervosa?
— Ansiosa... Acho que vou ficar com fome antes da festa de celebração principal. – ela explicou timidamente – Tem algum biscoitinho aí?
— Kaede-sama e eu preparamos um lanche depois dessa primeira cerimônia, não se preocupe.
— Obrigada, mamãe. – ela beijou o rosto da idosa e aproximou-se do pai, ainda num misto de maravilhamento e desnorteamento com a semelhança dela com outra pessoa.
Pegando nas mãos da filha que adotou para a vida por conta de uma tragédia familiar, ele deu um leve beijo nas costas antes de falar:
— Sua mãe já falou que está linda. Só vou dizer então que espero que goste do que preparamos hoje.
Rin sentiu o rosto corar e deu um sorriso antes de falar:
— Obrigada por ter me apoiado em tudo até agora. Eu não teria conhecido o Sesshoumaru se não tivesse sua ajuda em Tokyo.
Ainda hipnotizado pela semelhança, ele segurou o rosto dela e aproximou o rosto para beijar a testa.
— Agora vá falar com seu irmão, aquele teimoso. – ele indicou com o rosto o lado onde estava Hakudoushi.
Seguindo a indicação, ela virou o rosto e viu o irmão ainda aturdido com a semelhança que ela tinha com a mãe. Com um sorriso, Rin aproximou-se dele:
— Hashi, tô tão feliz por ter mudado de ideia... – ela falou numa voz um pouco embargada – Não ia ser a mesma coisa sem você aqui, sabe?
Sem resposta. Ele simplesmente olhava para ela sem piscar.
— Hashi? – ela tentou.
Recuperando-se, ele piscou várias vezes suavemente antes de provocá-la:
— Eu só tô vendo que agora você tá do meu tamanho com esse chapéu enorme.
Rin apenas estreitou os olhos, evitando fazer uma carranca num dia especial.
— Vamos, vou te levar lá pro Musumaru. Ele já tá esperando lá fora.
— É Sesshoumaru. – ela reclamou, lançando um olhar atravessado para ele ao mesmo tempo que cruzavam os braços para ele acompanhá-la ao genkan. Lá, os dois levaram alguns segundos para calçarem os sapatos.
— Que seja. – ele deu de ombros – É um nome esquisito.
— O seu também é. – ela deu um sorriso.
— Baixinha.
— Bobão.
— Pelo menos não vamos te perder na grama com essa roupa toda branca.
— Hunf.
Quando os dois saíram de casa, a primeira coisa que Rin viu no jardim foi Sesshoumaru de costas.
Ao ouvir a porta abrir, ele virou-se. Estava sereno como de costume.
— Ah, ele está feliz. – Hakudoushi ouviu a irmã falar.
— Como dá pra saber que ele...?
Rin nem terminou de ouvir. Largou o braço do irmão e apressou o passo para encurtar a distância entre ela e o futuro esposo, que estendeu a mão com a palma para cima para segurar a dela.
Os amigos e familiares viram, do pátio da enorme casa, quando ela ficou na ponta dos pés para beijá-lo rapidamente, apenas um toque de lábios para não desmanchar o batom. Com um pequeno sorriso, Bokuseno viu, daquela distância, quando Rin ajeitou o broche desalinhado e Sesshoumaru apenas observando-a com atenção.
Momentos depois, os grupos estavam reunidos em um templo xintoísta próximo para ouvir as promessas dos noivos. Rin e Sesshoumaru leram os textos que prepararam sem maiores problemas.
Até que chegou o momento que cada um deles deveria beber a taça de sake três vezes, em pires de tamanhos diferentes, do menor para o maior, em cada momento.
Alguns prenderam a respiração quando o sacerdote xintoísta encheu os pires e entregou para que o casal bebesse.
Rin franziu a testa e olhou para Sesshoumaru, que confirmou levemente com a cabeça e com o olhar, aqueles olhos que sempre diziam tudo.
Bebeu um gole, dois, esvaziou.
— Hmm... – ela sussurrou apenas para que ele ouvisse – Parece água.
Sesshoumaru já se preparava para o segundo gole, com Rin imitando-o.
— E é mesmo. – ele confirmou.
— Foi você que... – ela não terminou de falar porque já tinham que ter o terceiro gole num pires maior.
— Não. – ele respondeu – Provavelmente o seu irmão.
— Oh... – ela se limitou a falar. Tinha que agradecer a Hakudoushi depois.
Depois que fizesse o lanchinho preparado pela mãe.
Um pouco antes de iniciar a cerimônia budista, a última do dia, Hakudoushi bocejou ruidosamente quando viu-se sozinho, coçando o ouvido com a ponta do dedo mindinho. Havia acordado cedo para ajudar a carregar algumas coisas para a casa das primas e ajudar no que fosse necessário, teve um aquecimento com Sesshoumaru e agora, na última parte do que Jakotsu havia planejado, estava cansado e com fome.
Mas não podia ir embora. Rin ia ficar decepcionada. E ela estava feliz com todo mundo. Também estava ali pela comida. A mãe e aquela madrinha do Kodomomaru haviam caprichado nos preparos. Naturalmente que ia aguentar até o final para comer tudo o que estivesse à mesa.
— Olá. – uma voz feminina falou atrás dele.
Curioso, ele virou a cabeça de forma que via a pessoa de cabeça para baixo.
— Ah. – ele falou com surpresa, piscando sucessivas vezes – É você.
Era Ayame, a assistente de Jakotsu, sorridente e mais calma que no dia que a conheceu quando foi ao ateliê de criação.
Sem perguntar se o lugar estava vago, ela sentou-se ao lado dele.
— Não sabia que tinha sido convidada. – ele observou meio desconfiado. As cerimônias japonesas eram extremamente fechadas para pessoas muito próximas da família.
— Seu primo me convidou. – ela explicou – Acha que eu perderia o casamento cujo vestido foi desenhado por mim?
— Você desenhou? – o outro arqueou as sobrancelhas – Jakotsu deixou?
— Ah... longa história! – ela gesticulou de forma que ele esquecesse aquele detalhe, sussurrando ao ouvido dele – Ah, falando nele... Sabia que ele queria que eu caprichasse no tecido para que sua irmã não parecesse grávida? Ele disse que você não podia saber ou ia pular no pescoço do noivo.
Hakudoushi estreitou de leve os olhos.
— Ah, você já sabia também, né? Eu já desconfiava. – ela sorriu meio orgulhosa de si mesma – Está ansioso pra ser chamado de titio?
— Eu já sou chamado de tio pelas crianças das turmas infantis. – ele cruzou os braços e os escondeu dentro das mangas do kimono – Se você já percebeu, então meus pais devem saber também.
Ayame riu e tentou esconder graciosamente a boca com a mão.
— Sabe o que eu acho? Daqui a pouco alguém vai ter que contar pra sua irmã que ela tá grávida.
Com um suspiro cansado, ele balançou a cabeça com pesar. Havia muita gente tapada no mundo, mas nunca imaginou que a família pudesse ser também.
Notou, minutos depois, que os pais agora retornavam ao lugar ao lado dele. Cumprimentaram a garota ao lado do filho, um pouco surpresos com a presença, e sentaram-se ao lado dele.
— Esse tipo de confusão é normal famílias grandes. No final das contas, acho que todo mundo já sabe mesmo. – Ayame olhou o local onde o casal teria que sentar para iniciar a última cerimônia – Já vai começar?
— Daqui a pouco... – ele murmurou mal-humorado.
Momiji e Botan surgiram na sala e se acomodaram nos lugares selecionados, provocando murmúrios entre os presentes. Aparentemente os noivos chegaram e a cerimônia começaria em alguns minutos.
Rin apareceu de braços dados com Sesshoumaru, caminhando lentamente até onde estava um monge budista que os faria ler o texto de promessas. Tinha ainda o chapéu cobrindo a cabeça com as flores e um kimono completamente branco, apenas com os desenhos de flores bordadas em linha cinza e branca se destacando aos olhos dos demais.
Os braços separaram e eles uniram as mãos para sentarem-se em seiza em pequenas almofadas diante do lugar onde estava sentado um monge, o responsável pela cerimônia.
— Olha o jeito como ele olha pra ela enquanto caminham. Como pode achar que vai acontecer alguma coisa com ela? – Ayame sussurrou a observação para Hakudoushi – Eles vão ser tão felizes! E as roupas ficaram perfeitas!
— Eu vou acabar com ele se acontecer alguma coisa com minha irmã. – ele resmungou num sussurro – Ninguém vai me impedir na hora.
— Você sabe que nada vai acontecer. – ela retrucou.
Hakudoushi soltou um tchi de desprezo.
— Silêncio, Hakudoushi. – a senhora Nozomu falou perto dele.
A cerimônia começou com o monge recitando os mantras de bençãos sobre o casal naquela união. Entre os amigos, parentes e conhecidos, era possível ouvir pessoas fungando de emoção. Kagome sorria e enxugava o canto dos olhos. Ao lado dela, Inuyasha aguentava pacientemente Jakotsu, bastante emocionado, parar de fungar no braço dele e usar a manga como lenço, revirando os olhos para aquelas demonstrações.
Perto deles, Sango estava sorrindo e ignorando Miroku tirando fotos escondido, mas sem conseguir tirar o som do celular quando fotografava.
— Pare com isso. – ela o repreendeu.
— Preciso mandar pro Gossip Cop.
— Você me disse que tinha se afastado desse grupo, Miroku. Não estamos mais na faculdade. – ela falou entredentes – Não mande nada pra eles.
— Mas...
— Miroku, se eu perder mais um segundo dessa cerimônia, eu vou quebrar todinhos esses teus dedos. – ela sussurrou entredentes, olhando ameaçadoramente de canto.
Com isso, ele guardou o aparelho no bolso interno do kimono.
— Vamos comer depois, Sess? – Rin pediu baixinho ao ouvido de Sesshoumaru enquanto escutavam as passagens sobre a união que seria eterna mesmo depois da morte e renascimento do casal, como era dito no budismo – Tô sentindo cheiro de coisa gostosa por perto.
O olfato dela estava realmente bastante apurado, ele pensou, já que a comida estava em outro lugar. Nem ele estava sentindo o odor de comida ali, apenas do incenso.
— Não vai demorar muito. – Sesshoumaru disse com calma e naquele tom compreensivo só usado com ela – Ele já vai terminar.
— Mamãe falou que preparou um banquete. – ela insistiu.
— Rin. – ele falou, indicando com o rosto o monge que fazia a leitura e olhava divertidamente para eles.
— Ah! – ela ficou em silêncio para que a cerimônia continuasse.
O monge deu uma leve tossida, e continuou a ler as passagens que reforçavam que eles, mesmo após a morte, estavam predestinados a se encontrarem e se conhecerem novamente.
O dedo dela tocou de leve e timidamente no dele. Sesshoumaru olhou-a de canto, depois acariciou a mão dela.
— E mais alguém quer falar para este casal? – o monge falou, chamando a atenção dos dois que nem perceberam que a leitura terminara.
Um silêncio predominou toda a sala por alguns segundos, que era o tempo que alguém tinha para se manifestar.
Como ninguém falou nada, o religioso ajeitou os óculos para declarar a união, mas parou ao escutar a tosse de alguém.
Rin e Sesshoumaru viraram os rostos para saber quem tinha sido o responsável, o casal estreitando os olhos quando viram Hakudoushi receber um tapa na nuca da senhora Nozomu.
— Eu só tava tossindo... Ai, mãe, para! – ele falou inocentemente.
Rin e Sesshoumaru trocaram olhares significativos.
— Nada mais? – o homem perguntou.
Ninguém mais falou ou tossiu.
— Vocês estão casados. – falou a Sesshoumaru e a Rin, agora esposa do futuro chefe da família Taisho – Omedetou gozaimashita.
Sesshoumaru levantou-se primeiro e estendeu a mão para Rin levantar-se. Ela, corada e tímida, deu mais um sorriso e aceitou a mão com uma confirmação de cabeça, levantando-se.
As mãos se uniram e eles começaram a andar até a família e amigos pelo mesmo caminho juntos.
