Cap. 14
21 de março de 2013
"Não corra Levi!".
Era Cuddy, pela décima vez pedindo para o garoto ir mais devagar. O garoto era hiperativo e já corria desde os onze meses. Ele era bem branco e suas bochechas ficavam rosadas de tanta intensidade física que ele impunha: pulava no sofá, jogava o controle da televisão, puxava os cabelos de Rachel, se escondia atrás das portas para assustar a mãe. Ele era a agitação da casa, pura energia.
"Levi!".
"Não adianta mãe, ele é louco".
"Não fale assim de seu irmão, Rachel!".
"Mas ele é...". A menina sentou-se calmamente no sofá enquanto examinava seu kit de maquiagem decidindo o que usaria para a festa daquela noite. Aniversário de um ano de seu irmão.
"Levi!".
O garotinho parou e encarou a mãe.
"Olhe seus cabelos, estão suados!". Ela se aproximou e tocou nos cachos loiros escuros do filho. Seus grandes olhos azuis a encararam. Ele tinha os olhos peculiares, não lembravam nem os olhos de House e tão pouco os de Cuddy, era um azul tão claro como uma piscina natural, um azul pálido como o de um fantasma. House dizia que devia ser do lado de seu pai biológico desconhecido, "pelo menos sei algo sobre ele agora...".
Um dia House colocou a mãe contra a parede e a questionou diretamente sobre seu pai biológico, ela gaguejou, argumentou e nada respondeu. House acreditava que nem ela soubesse quem era o sujeito.
"Não é possível, sua mãe deve saber com quem dormiu". Cuddy contestava.
"Não se ela fosse uma garota de programa".
"Ela não era...". Cuddy respondeu assustada com a ideia insana que House teve.
"Quem sabe? No mais ela podia estar bêbada".
"Eu acho que ela não quer dizer".
"Então me assusta ainda mais, meu pai seria Hannibal?".
"Pare de bobagem. O que importa é que você existe e me deu Levi e é um pai tão amoroso para Rachel... Eu sou feliz com o seu pai biológico, seja ele que for".
"Você sabe que genes importam".
"Importam, mas o livre arbítrio importa ainda mais".
21 de março de 2017
A casa estava completamente enfeitada e decorada com o tema: Homem Aranha. O garoto escolheu esse personagem para o seu aniversário de cinco anos. Ele inclusive estava com a fantasia e tudo mais.
House havia feito um dispositivo que lançava algo semelhante a teia de aranha, ele se debruçou naquilo por três meses, acabou sendo uma distração e também uma descoberta, ele era muito bom em criar dispositivos eletrônicos.
"Você realmente conseguiu". Wilson disse enquanto testava um deles.
"Havia alguma duvida?". House perguntou orgulhoso de si.
"É bem legal na verdade!". Wilson estava se divertindo atirando teias em toda parte.
"Eu poderia viver disso. Largar a medicina e gente doente e viver criando coisas assim, os pais compram tudo o que os filhos pedem, essa geração é mimada demais".
"Falou o pai de Levi". Wilson respondeu com ironia.
"Levi não tem tudo o que quer, Cuddy o coloca pra ralar pra merecer ganhar qualquer coisa que não seja comida, banho e cama. Ela tem inclusive uma tabela insana de atividades, parece até o quadro da tortura e fica grudada na geladeira, eu disse a ela que nossos filhos serão psicopatas com essa tortura diária".
"Sim, porque se dependesse do pai...".
Essa era a fama: Cuddy era a linha dura e House o facilitador.
"Eu não sou assim...".
Wilson riu alto.
"Ei... Julia trouxe o bolo". Cuddy anunciou. "Podem ajudá-la, por favor?".
"Claro!". Wilson respondeu e correu para encontrá-la.
"Papai, meus amigos amaram o brinquedo que você inventou".
"Não é brinquedo, Levi. É um dispositivo altamente complexo".
"Será que você pode criar outro?".
House olhou para o filho com olhos suspeitos. Olhos tão claros que penetravam assustadoramente na mente de quem os encarava.
"O que você quer dizer com isso, vampiro?". Esse era o apelido que House dera para o garoto, Cuddy odiava.
"Eu queria que você criasse um...". O menino tentava lembrar a palavra.
"Dispositivo". House falou.
"Isso... um dispositivo que criasse dinheiro, assim eu não preciso pedir pra mamãe comprar meus brinquedos".
"Uh... Interessante, acho que ninguém havia pensado nisso até hoje". House respondeu sarcástico.
"Realmente?". O menino se sentiu orgulhoso.
"Levi, você terá que continuar pedindo a sua mãe até ter idade suficiente para ganhar seu próprio dinheiro, e preenchendo o quadro de atividades".
"Mas pai, você pode criar um...".
"Dispositivo. E não... há coisas que seu velho pai não consegue fazer, apesar de serem poucas. É isso o que me separa dos super-heróis. Só isso".
"Uh... será que tio Jimmy consegue?".
"Tio Jimmy? Sério? Tio Jimmy não consegue nem empilhar os próprios livros".
Levi riu, mesmo sem entender. "Mas eu odeio o quadro de tarefas!".
"E quem não odeia, filho?".
"Mamãe!".
"É porque foi ela quem criou e porque só ela entende aquilo".
"House, venha!".
"O que foi, mulher?". Ele perguntou para a namorada. Sim, eles ainda eram namorados, nunca se casaram oficialmente, mas nunca discutiam o título de seu relacionamento também. Ele e ela eram um casal, uma dupla, parceiros, e isso bastava. Até Arlene havia se convencido.
"Sua mãe está aí...".
Ele respirou fundo, agora, desde que Levi nascera, a mãe dele era uma figura mais constante na casa deles.
"Mãe!". Agora era Rachel.
"Sim, filha".
"Levi pegou minhas maquiagens!". A menina falou nervosa.
"Tem certeza?".
"Olha!". A menina apontou para a parede do corredor e havia o desenho de uma enorme teia de aranha feita com batom.
"LEVI!".
De repente House apareceu. "O que foi?".
"Olha o que o seu filho fez!". Cuddy apontou. "E a festa já vai começar... como irei apagar isso?".
"Uau!".
"Uau?". Ela estranhou.
"Ele roubou minha maquiagem!". Rachel contestou.
"Não podemos negar que ele tem um talento, olha a proporção dessas teias... O sombreamento".
Cuddy o encarou em choque. Tal pai, tal filho.
21 de março de 2018
"Mais forte, House! Mais forte! Oh meu Deus!".
A cama batia na parede com força, apesar dos esforços de House e Cuddy para evitar que isso acontecesse, quando se empolgavam era difícil controlar. Eles ficavam totalmente foras de si.
"House... Oh meu Deus!".
Desde que Levi nasceu Cuddy voltou aos anticoncepcionais, pois, apesar dela amar o filho com todas as forças, a gravidez havia sido traumática e não seria prudente pensar em repetir aquilo. House concordava plenamente e sentia que a família estava completa com os dois filhos.
"Cuddy... Você...".
De repente uma batia na porta. "Mamãe, você está bem?".
Era a voz de Rachel.
"Sim, filha. Estou bem!". Ela saiu apresada debaixo de House. "Tudo bem...".
"Você está gritando".
"Oh... Eu... não...".
Rachel, apesar da pré-adolescência, ainda era bastante ingênua com relação a certos assuntos adultos.
"Rachel, está tudo bem. Estamos brincando de monstro". House disse e a menina virou os olhos.
"Veja se vocês crescem!". E foi pra cama.
House e Cuddy caíram na risada. "Pequeno Greg está murchando...". Ele disse observando seu pênis.
"Vamos dar um jeito nisso... Só... vamos maneirar no barulho".
"Olha quem fala...".
E então eles voltaram para sua manhã de amor e conseguiram concluir o objetivo dessa vez. Apesar do tempo, eles ainda tinham algo muito forte em comum: sexo!
Naquele dia Wilson levou Levi para um passeio enquanto os pais arrumavam a casa para a festa da noite. Rachel ficou na casa de uma amiguinha.
"Então o que você quer fazer?".
"Qualquer coisa com dinossauros". O menino amava dinossauros e dizia que seria arqueólogo. Ele devorava livros de dinossauros e antiguidades. Cuddy dizia que ele tinha um espírito velho.
"Que tal... O parque de dinossauros?". O menino já havia estado pelo menos oito vezes naquele local, mas aceitou de pronto.
Eles chuparam sorvetes, Wilson comprou um dinossauro miniatura pra ele, Levi falou horas e horas sobre os animais, explicou detalhes de seus hábitos e características.
"Tio Jimmy, você não acha que eu falo demais?".
"Não... Claro que não". Ele mentiu.
"Papai diz que eu sou uma matraca".
"Seu pai está brincando".
"Não está não...".
"E você se incomoda com isso?".
"Não, eu amo meu pai. E minha mãe. Eu amo minha irmã só as vezes".
"Oh, entendi". Wilson riu. Aquele garoto era divertido e bastante inteligente, não negava de quem veio.
"Meu pai disse que haverá um Tiranossauro Rex no meu aniversário". E de fato House providenciou um Tiranossauro Rex gigante para alegrar as crianças (ou assustar). Cuddy contestou, mas foi voto vencido.
"Que legal!".
"Muito legal! Papai é muito legal!".
Wilson riu, quem diria...
...
Naquela noite a festa transcorria bem até...
"Oh meu Deus! Que coisa abominável!". Arlene levou um enorme susto quando viu o Tiranossauro.
"É mais simpático do que você". House não perdeu a oportunidade.
"Tenho certeza de que isso é coisa sua, só o que me espanta é minha filha concordar".
"Meu filho ama T-Rex e a festa é dele, se é que você não sabe".
"Penso que os pais devem controlar os ímpetos de uma criança de seis anos. Levizinho não sabe o que gosta ainda". Arlene disse chamando o neto no diminutivo como fazia com frequência, o menino odiava.
Mas o T-Rex fez sucesso com as crianças, até com Cuddy que tirou muitas fotos da família ali.
"Papai... se os T-Rex voltarem a existir, posso ter um de verdade?".
House sorriu, "Claro que sim. Mas ele terá que ficar no jardim".
"Legal!". O menino saiu celebrando.
Cuddy olhou pra ele e riu.
"Crianças...". Ele justificou.
21 de março de 2019
"Estamos atrasados, sua mãe vai nos matar!". House disse para a filha. Eles saíram para almoçar e estavam demorando a voltar já que a adolescente quis provar roupas e mais roupas para o desgosto de House.
"Eu só preciso comprar uma coisa". A menina disse tímida.
"Não Rachel, eu passei horas e horas torturantes nesse shopping".
"Só mais uma coisa, pai! Por favor!".
Ele respirou fundo, House não sabia falar NÃO para os filhos. "E o que seria isso de tão importante?".
"Uma coisa".
"Que coisa?".
"Uma coisa intima".
"Calcinhas?".
"Não!". Ela respondeu corando.
"Então o que é Rachel? Pra que tanto mistério? Preservativos?". Ele perguntou sarcástico.
"NÃO!". A menina corou ainda mais.
"Então?".
"Uh... absorventes".
Agora foi a vez de House corar. "Oh...". Ele sabia que Rachel havia menstruado há alguns meses, Cuddy havia contado a ele o que o chocou, pois a menina já não era uma criança. Ele teve uma pequena crise existencial depois disso.
"Ok, qual tipo você compra?".
"Do normal... acho...".
"Você sabe onde comprar?".
"Claro que sim, espere que eu já volto!".
"Ok". E ele ficou segurando as sacolas, entre elas o presente de Levi: Um jogo de química avançada, pois agora o menino havia decidido que seria um químico famoso.
House sentiu-se meio ridículo naquela situação: parado no meio do shopping esperando a adolescente buscar absorventes enquanto segurava milhões de sacola (a maioria de lojas femininas), se alguém o visse assim e lembrasse do velho House...
Como as coisas mudaram em poucos anos, mas então ele nunca sentia solidão e raramente sua perna doia tanto a ponto de fazê-lo desejar Vicodin. Ele estava controlando bem com remédios não opióides, com certeza Cuddy tinha razão: O emocional influencia muito seu nível de dor.
21 de março de 2020
"Quem mandou você dar tanta bobagem para esse menino, olha como ele está alto e magro".
"Ele está se desenvolvendo, mamãe. É natural".
"Ele nem tem corpo... é só esqueleto".
"House era assim também nessa idade, Blythe me falou".
"Isso se ele não tiver vermes".
"Ele não tem vermes, meu filho não está doente, ele é saudável".
Cuddy estava, mais uma vez, indignada com a intromissão da mãe na criação de seus filhos. Levi, a cada dia que passava, estava mais e mais parecido com o pai. Mesmo formato de rosto, mesmo nariz (sim, Cuddy estava certa quando disse isso pós parto), mesmos trejeitos. Mas o formato do olho era definitivamente dela, e as orelhas, e ela se orgulhava de, ao menos isso, o filho ter puxado dela. House caçoava.
"Orelhas? Quem liga pra orelhas?".
Mas ela não se importava, ou fingia que não.
Rachel era adotiva, mas ninguém negaria que ela era filha do casal. Já na adolescência a menina estava crescida e tinha ganho corpo, chamava a atenção por onde ia. Todos pensavam que ela tinha os olhos da mãe e os cabelos do pai. Ela também chamava House de pai desde que Levi começou a chamá-lo assim, fluiu natural e todos ficaram bem com isso, afinal, era a realidade.
"Você ouviu sobre a virose que tem se espalhado na China?". Wilson questionou House enquanto iam a caminho da cozinha.
"Sim... preocupante".
"Você acha que pode virar uma pandemia global?".
"Talvez".
"Não temos maturidade global para lidar com isso uma pandemia".
"Isso veremos...".
Wilson sentou-se na cadeira da cozinha e desabou.
"Wilson!". Cuddy foi acudi-lo.
House ria alto acompanhado pelo filho.
"Eu estou bem!", ele tentou levantar-se rapidamente corando de vergonha.
Wilson continuava solteiro, quer dizer, houveram dois noivados, mas nenhum resultou em outro casamento.
Cuddy olhou para o filho franzindo a testa. "Levi, o que você tem a dizer sobre isso?".
"O quê?". O menino se fez de desentendido.
Levi estava em uma fase curiosa, o rapaz desmontava tudo para ver como as coisas funcionavam ou se encaixavam, era habitual Cuddy e House deparar-se com algo assim.
"Ok Levi, eu não quero bancar o delator aqui, mas isso tem sua cara". House falou.
"Talvez eu tenha desmontado pra ver...".
"Levi!". Cuddy quase gritou o nome do filho.
"Ok, acontece... a curiosidade é algo bom". Wilson tentou mitigar a situação, porém ele estava com uma enorme dor no cóccix.
"Não Wilson, ele tem que entender o tamanho da responsabilidade dele".
"Não fale assim de Levi, ele é um menino curioso". Arlene se intrometeu.
Ela defendia o neto com unhas e dentes, talvez mais dentes do que deveria. Criticava Cuddy na maneira de criá-lo e o tratava como se fosse um bibelô.
"Obrigado vovó". O rapaz se aproveitava disso.
Rachel queria morrer, mas não por ciúmes da avó, ela até preferia ficar longe de Arlene, mas porque o irmão era um 'falso e fingido', como ela o chamava.
"Que frescura, por isso eu vou a shopping com minhas amigas!". A menina apareceu vestindo uma saia curta.
"Onde a senhora pensa que vai assim?". Agora foi House quem levantou a voz.
"Vou ao shopping com Lena e Mia".
"A senhora não vai sair no meio da festa de aniversário do seu irmão". Cuddy contestou.
"Que festona, hein? Eu, você, vovó Arlene, tia Julia, os primos e Wilson". Rachel ironizou.
Wilson franziu a testa, a menina era petulante.
"Eu disse que Rachel está muito parecida com você, Lisa".
"Se ela estivesse parecida comigo aceitaria o que eu impus". Cuddy respondeu para a mãe.
"Ah sim, porque você sempre foi obediente". Arlene ironizou agora.
"Logo meus amigos irão chegar!". Levi anunciou. "E a avó Blythe, e os colegas de papai e mamãe".
"Oh que festão então. Aqueles seus amigos, moleques bobos...".
"Rachel, chega!". Cuddy estava mesmo nervosa.
"E vá trocar essa roupa". House complementou.
"Que saco essa família!". A menina subiu as escadas esbravejando, ela amava a família dela, mas de uns tempos pra cá, algo aconteceu, eles estavam tão chatos, ela estava tão irritada.
"Os hormônios!". Levi explicou lembrando-se do pai falando a mesma frase algumas vezes.
Todos riram.
"Ainda bem que você, meu neto, é a educação em pessoa". Arlene o abraçou forte.
"Ela não pode fazer essa diferença entre os netos". Cuddy cochichou para House.
"Ela fez entre as filhas". Ele respondeu e Cuddy concordou pensativa.
"No mais, Levi deve estar morrendo sentindo de perto aquele laquê". House complementou. "É a punição dele".
Cuddy riu alto e todos olharam pra eles. Mesmo após anos e anos, eles continuavam como dois namorados apaixonados.
21 de março de 2021
A televisão estava ligada e House falava, era provavelmente a centésima entrevista que ele dava em alguns meses. Ele, que sempre foi tão avesso a isso, estava militante com relação aos cuidados preventivos e tratamentos do Coronavírus. Irritado com tanta estupidez que ouvira, com tantos ataques a ciência, ele resolverá falar e divulgar a informação oficial, embaçada em estudo e ciência. E ele era figura muito procurada pela mídia já que era o infectologista mais famoso do mundo.
"Sempre soube que o pai de vocês seria tão famoso como um Rock Star". Cuddy respondeu divertida.
"Até drogas eles já usou...". Rachel disse fazendo Cuddy arregalar os olhos.
O fato é que ele contava sobre as experiências para os filhos, como um alerta para que eles não cometessem os mesmos erros.
"Sexo, drogas e rock'n roll". Levi disse. "Papai com alma de roqueiro".
"Levi!". Cuddy chamou a atenção do filho em choque.
"Mas você fez papai mudar, ele sempre diz isso. Você é a kriptonita dele".
"Kriptonita deixa o Super Homem fraco, não sei se gostei disso". Cuddy argumentou.
"Você é tão literal". O menino disse.
"Seu pai fala isso?". Cuddy estranhou.
"Não mamãe, todos sabem disso!". Rachel intercedeu.
Ela riu, os filhos riram enquanto seu pai continuava o discurso cientifico sobre a importância dos cuidados preventivos e da vacinação para combater a pandemia.
"Papai ganha dinheiro com essas entrevistas?".
"Não, Rachel. Seu pai está cumprindo o papel dele apenas".
"Ele devia ganhar".
"Por quê?". Cuddy perguntou curiosa.
"Porque ele merece, e porque poderíamos comprar uma casa maior".
"Maior? Temos cinco quartos nessa casa, um escritório, quatro banheiros. O que você quer mais?".
Eles haviam se mudado pouco depois do nascimento de Levi.
"Uma piscina? Preciso me bronzear!". A menina respondeu.
"Pra aquele Mark da escola?". Levi a provocou.
"Deixa de ser bobo!".
O menino riu alto. "Todo mundo sabe que ele é seu namorado".
"Namorado?". Cuddy perguntou surpresa.
"Ele não é meu namorado!".
"Deixa papai saber disso". Levi a provocou.
"Rachel, você tem um namorado?". Cuddy não se conformava.
"Não, eu só... beijei ele uma vez".
"Beijou na boca?". Cuddy estava em choque.
"Ehhh... claro que sim mãe. Até eu já beijei na boca". Levi disse.
"Mas você tem nove anos!".
"E daí?".
Cuddy estava atônita, ela precisava falar com House. Ele era o companheiro dela, eles dividiam todas as coisas, ela precisava da mão dele segurando na dela a fim de dar-lhe calma, da voz dele trazendo paz ao seu coração. Os filhos dela não eram mais crianças, de repente essa realização aconteceu, e ela não sabia lidar com aquilo.
Quando House terminou a entrevista ela ligou pra ele imediatamente.
"Aconteceu alguma coisa?".
"Não... eu... sinto sua falta!".
"Eu sai de casa há duas horas!". Ele estranhou.
"Mesmo assim, é o suficiente".
"Já estou voltando".
"Traga Donuts, por favor". Cuddy não sabia porque pediu aquilo, talvez porque era uma lembrança feliz de seus filhos crianças.
"As crianças querem algum sabor especial?".
'Crianças', ela pensou. "Vou perguntar!".
"Levi, Rach, querem Donuts?".
"SIM!". Gritaram ao mesmo tempo.
"Chocolate pra mim, com creme". Levi falou.
"Eu quero de baunilha". Rachel.
"Você não vai comer o meu!". Levi disse.
"Nem você o meu!".
"Você sempre come o meu depois".
"É você que é guloso".
De repente ela sentiu paz de espírito e sorriu. Eles, apesar de tudo, ainda eram crianças, ainda eram seus filhos de sempre.
"Pode trazer o de sempre e... obrigada!". Cuddy disse para ele.
"Obrigado? Por quê? Pelos Donuts?".
"Por sempre me acalmar".
"Eu não fiz nada... eu só perguntei sobre o sabor dos Donuts".
"Foi o suficiente".
FIM
Espero que tenham gostado dessa singela estória. Espero que tenha honrado a memória de House MD.
Tenho algumas ideias, mas me falta tempo. Quando concluir eu posto aqui, algo engraçado e peculiar... Fiquem ligados!
