Aeroporto parte 2

Mísero servo mortal, como ousa atrapalhar meu descanso? Não sabes que sou o deus Seth? O responsável pelas guerras, escuridão e o caos. Por qual motivo me acordaste? — disse o escolhido com a voz grave e assustadora.

— Mil perdões, meu senhor! Foi necessário para sabermos se o ritual funcionou após a execução na fogueira? —explica o staff ajoelhando e fazendo reverência ao deus.

— Zykhait, a rainha das sombras e da escuridão, conseguiu enviar meus aliados para os outros escolhidos? —pergunta o escolhido com uma voz assustadora.

— Sim meu senhor, a profecia se concretizou. Seus aliados estão possuindo os outros, mas eles ainda estão dormentes, não foram ativados, somente vossa excelência está acordado — responde o staff de joelhos.

— Meus amigos, deuses do submundo, acordem! — ordenou Seth, os despertando do sono hipnótico.

— Nosso plano deu certo, estamos nos corpos dos humanos da profecia, agora é só seguir em frente e espalhar a semente do mal nas humanas que serão escolhidas pela Escuridão — explica Seth. Os quatro membros da banda também se viram para ele e respondem:

— Até que fim depois de séculos presos no submundo, tenho um corpo belo novamente — diz um deles maravilhado com seu novo receptáculo.

— Estamos na terra, graças a tu Seth, fazia eras que eu não tinha um corpo jovem e formoso como esse — exclama um dos deuses olhando para o corpo que ele estava possuindo.

— É estranho possuir um corpo novamente, apesar de que esse humano é bem definido, tem um belo peitoral e uns braços bem fortes. Ele será ótimo para sedução — diz outro deus se analisando .

— O meu humano é bem bonito, tem cabelos bem sedosos, pernas bem definidas e uma pele muito delicada —afirma outro deus passando a mão nos cabelos.

— Que bom que vocês gostaram dos novos corpos. Agora vamos nos esconder novamente até o próximo chamado para continuar nossa missão — diz Seth.

— Servo mortal, está dispensado. Coloque nossos receptáculos em transe novamente e se assegure de não ser pego por aliados do deus Sol — ordena Seth num tom áspero.

— Sim meu senhor, estaremos sempre vigiando eles até a missão ser concluída — responde o staff ajoelhando-se novamente e fazendo reverência de agradecimento.

Ele pega o celular e toca mais um pedaço da música, vendo que os deuses voltam a adormecer fazendo os corpos do grupo repousarem no encosto do sofá.

O staff para a música, e faz uma ligação para confirmar com a anciã o resultado do ritual da floresta.

— Mestra Zoraida, estou com eles. A possessão está ativada e Dogma funciona como gatilho. Eles estão aptos para continuar a missão — afirma o staff ao telefone

— E o escolhido, como ele está? Alguma mudança? Alguma lembrança? — pergunta a Anciã do outro lado da linha.

— Não disseram nada. Ou estão com medo ou pensam que foi alucinação da ressaca da festa. Apenas se lembram dos padres correndo atrás deles e que uma mulher os escondeu — responde olhando para eles. — O escolhido parece estar bem apesar de estar um pouco febril — diz depois de tocar na testa dele.

— E a marca, como está? Me mostre — pede a Anciã. O staff muda para chamada de vídeo e vira para ela ver o pentagrama que ficou desenhado em suas costas como tatuagem.

— Está boa, quase cicatrizada, parece mesmo uma tatuagem — explica a mulher, que ao mesmo tempo está dando bronca em alguém.

— Posso ajudar em mais alguma coisa? — pergunta o staff.

— Sim, deixe a Miraí ver ele de novo. Ela não para de falar dele já está me deixando louca — reclama a mestra Zoraida.

Novamente ele muda para o vídeo e aponta para o escolhido chegando bem perto. Por causa do transe hipnótico da música, eles estão encostados no sofá como apoio.

— Mesmo com essa expressão de maldade e esses olhos negros como uma noite escura, ele continua sendo um anjo caído lindo. A conexão com o herdeiro me faz sonhar toda noite com ele sendo só meu. Ainda vou ficar com ele e levá-lo para casa como meu amante. — Suspira Miral e então ela começa a chorar sendo interrompida pela mais velha.

— Pronto, agora chega! Já viu ele. Vai cuidar de manter essa gravidez fora de risco. — Zoraida repreende a mais nova.

— Mestra Zoraida, algo mais? — pergunta o staff.

— Certifique-se de que eles vão embarcar em segurança. Outro iniciado já foi designado para esperar por eles no aeroporto do Japão — responde a Anciã.

— Tudo certo então mestra Zoraida, vou desligar. — O staff finaliza a ligação e volta a colocar a música só com os versos finais, para despertá-los do transe hipnótico.

Kami o otoshii koko ni shi o sasageru

Kazoe kirenu koe

yo te no naru hou e

Yami to nari kazarou

Yuushuu no shi o

I will blacken out this world

Darkness in the world

Starts tonight

Como um passe de mágica, todos acordam bocejando e olham uns para os outros e para a mesa com a comida. Então comentam que deveriam estar com muita fome e muito cansados para terem caído no sono. Sem terminar a refeição o que foi muito estranho, porque todos ficam sonolentos juntos e não se lembram de nada.

O staff os ajuda a se recomporem, terminando então as suas bebidas pois a comida já ficou fria impossibilitando seu término. O único que se saiu bem foi o Reita que pediu chocolate kit kat, como sobremesa.

A moça da recepção volta com a aeromoça e ela avisa que o nosso voo foi liberado. Podemos embarcar dentro de 15 minutos. Levantamos, esticamos o corpo e alongamos um pouco, o voo é bem cansativo, serão 18 horas no avião até chegarmos em casa.

Assim que olhamos o relógio da parede, vimos que passou muito tempo e nem percebemos, pois já passava das 21:00 horas. O estranho é que começamos a comer não era 19 horas e agora já é essa hora, não é possível que todos nós dormimos esse tempo todo e ninguém viu ou entrou aqui na sala. Passados cerca de cinco minutos, os câmeras e o tradutor entram para pegar as malas para o embarque.

Mais uma vez eles haviam sumido de perto e só apareceram agora. Fizemos um interrogatório sobre o assunto e ambos relataram que depois que comeram até vieram perto da sala, mas assim que viram que estávamos comendo e o staff cuidava de nós, eles voltaram para ver um jogo de futebol que passava no telão do restaurante, o qual levou umas 2 horas para acabar junto com a liberação do voo.

Seguimos para o guichê de embarque, por fim nos despedimos do staff e agradecemos por ter ficado esse tempo todo conosco. Mesmo ultrapassando o seu horário de trabalho, demos um cumprimento final e um bom aperto de mão. Seguimos no corredor de embarque para entrar no avião, afinal, será uma viagem bem longa.