Cap. 50 - Festa de Cygnus
Morgana estava na mansão Rostoff, alguns dias após os intensos acontecimentos envolvendo Ted e Andrômeda. Ela compreendia a importância de informar Dumbledore sobre a Marca Negra que agora adornava seu braço, mas também reconhecia que o diretor de Hogwarts poderia esperar por essa notícia. A marca não desapareceria rapidamente, e ela precisava de um tempo longe de todos, buscando a solidão para meditar e controlar sua escuridão interior.
Ela se encontrava em uma sala de estar luxuosa, cujas janelas altas permitiam a entrada de luz suave do sol. A atmosfera na sala era tranquila e serena. Móveis antigos, revestidos de veludo, ocupavam o espaço, e tapeçarias adornavam as paredes, retratando cenas de batalhas e magia.
Morgana estava sentada em um sofá, com as pernas cruzadas, em uma posição meditativa. Seu olhar estava distante, os olhos semicerrados, enquanto ela buscava o controle interno. A marca negra em seu braço era uma lembrança constante de sua associação com as trevas, e ela sabia que precisava dominar seu poder, em vez de deixar que ele a controlasse.
Ela começou a respirar profundamente, em sincronia com seus pensamentos. Seu objetivo era encontrar um equilíbrio entre a luz e as trevas que agora coexistiam dentro dela. Morgana compreendia que as escolhas que havia feito a haviam transformado, mas também sabia que ainda possuía o poder de decidir seu próprio destino.
Morgana estava plenamente ciente da necessidade de manter sua escuridão sob controle. As palavras de seu avô, Vladimir, ecoavam em sua mente desde o momento em que ela o visitara após receber a Marca Negra. Ele havia sido claro sobre os perigos de deixar-se dominar pela escuridão, mesmo que ele e seu pai, Valentin, compartilhassem um apreço pelas artes das trevas.
Seu avô e seu pai eram mestres na manipulação das trevas. Eles apreciavam a sensação de poder que as trevas lhes proporcionavam, mas não permitiam que essa luxúria controlasse suas ações.
Morgana compreendia que, para seguir os passos de sua família sem se perder nas sombras, ela precisava dominar sua magia e manter um controle rígido sobre seus impulsos sombrios. Ela não queria ser uma mera marionete das trevas.
Enquanto meditava naquela sala na mansão Rostoff, Morgana jurou a si mesma que, embora as trevas a tentassem com seu poder sedutor, ela permaneceria no controle, usando suas habilidades para proteger aqueles a quem amava e fazer escolhas que a ajudassem a moldar seu próprio destino. Era uma batalha constante, mas Morgana estava disposta a enfrentá-la, pois sabia que seu futuro dependia disso.
Depois de dias de introspecção e meditação para controlar sua escuridão interior, Morgana finalmente sentiu que estava pronta para enfrentar Dumbledore. Ela sabia que adiar o encontro não resolveria nada, e ele merecia saber que ela havia recebido a Marca Negra.
Com uma expressão determinada, Morgana se levantou de sua posição de meditação na mansão Rostoff. Ela se dirigiu ao seu quarto, onde se preparou para o encontro. Então, com um último suspiro, Morgana entra na lareira para ir até o escritório de Dumbledore.
No imponente escritório de Dumbledore Morgana manteve sua postura, olhando diretamente nos olhos azuis de Dumbledore, e começou com sinceridade:
- Professor Dumbledore, preciso lhe informar que recebi a Marca Negra. Eu sou agora oficialmente uma espiã da Ordem nas fileiras dos Comensais.
A expressão serena de Dumbledore não demonstrou surpresa, mas sim compreensão. Ele sabia que o sacrifício de Morgana era necessário, e apesar da escuridão que a cercava, ele acreditava em seu potencial para ser uma força poderosa contra Voldemort. Dumbledore respondeu com calma:
- Eu confio em sua capacidade de navegar por esse caminho perigoso. A Ordem da Fênix precisa de informações internas, e você pode ser nossa esperança.
Dumbledore, com seu olhar perspicaz, quis saber mais sobre como Morgana havia recebido a Marca Negra. No entanto, Morgana optou por não entrar em detalhes sombrios. Ela mencionou apenas os nomes das pessoas envolvidas, mantendo os pormenores para si mesma.
Dumbledore então fez uma pergunta que refletia sua profunda compreensão da natureza humana e da moralidade. Ele perguntou a Morgana se ela lamentava as ações que havia cometido para receber a marca.
Morgana olhou para Dumbledore, seus olhos revelando uma determinação sombria. Ela respondeu com firmeza:
- Professor Dumbledore, só vou lamentar todas as mortes e dores que eu causei depois que essa guerra acabar. Não tenho tempo para uma montanha russa de sentimentos agora. Minha prioridade é a sobrevivência e a vitória da Ordem da Fênix.
Morgana tinha plena consciência de que a missão que havia aceitado como espiã entre os Comensais da Morte a levaria a cometer atos cruéis e sombrios. Ela entendia que, para enfrentar os seguidores de Voldemort, precisaria se tornar uma sombra entre sombras, uma jogadora das trevas no tabuleiro da guerra.
Essa compreensão a havia levado a adotar uma postura implacável e distante em relação a seus próprios atos. Ela não poderia se dar ao luxo de se sentir culpada ou enfraquecida pela moralidade em um mundo onde a linha entre o certo e o errado muitas vezes se tornava borrada.
Morgana estava determinada a fazer o que fosse necessário para derrotar as forças das trevas, mesmo que isso significasse se afundar ainda mais na escuridão que ela já conhecia tão bem. Ela havia abraçado seu papel como uma agente da Ordem, ciente de que o preço da vitória poderia ser alto e sombrio.
Dumbledore assentiu, reconhecendo a complexidade da situação. Ele sabia que, em tempos de guerra, as escolhas nem sempre eram claras, e Morgana havia feito uma escolha difícil para servir ao bem maior. Eles continuaram a discutir os detalhes de sua missão, sabendo que os desafios que aguardavam eram sombrios e perigosos.
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À medida que agosto se aproximava do fim, Morgana se preparava para retornar a Hogwarts como professora. Ela estava ansiosa para começar seu segundo ano lecionando na escola de magia e bruxaria. No entanto, antes do início das aulas, uma grande festa estava prestes a acontecer, e Morgana havia recebido um convite especial. Cygnus Black, um nome proeminente na sociedade bruxa, estava planejando uma festa extravagante para comemorar seu aniversário.
A presença de Morgana e seu domínio das artes das trevas exerciam um fascínio intenso sobre Cygnus. Ele via nela uma figura formidável e cativante, cuja habilidade e crueldade ele respeitava profundamente. Essa admiração misturada com temor tornou Morgana uma figura central em sua rede de aliados e uma convidada especial em sua festa de aniversário.
Quando Morgana chegou à festa de aniversário de Cygnus Black, um sorriso se espalhou pelo rosto dele, e seus olhos se iluminaram com um brilho de admiração e entusiasmo. O salão estava cheio de convidados, muitos deles Comensais da Morte e figuras notáveis do mundo bruxo, mas a presença de Morgana se destacava imediatamente.
Cygnus não conseguia tirar os olhos dela, ele se lembrava de sua aura sombria e magnética envolvendo-a como um manto e isso o encantava.
Ele se aproximou de Morgana com um ar de deferência, como se estivesse honrado por tê-la em sua festa. As conversas e risadas ao redor pareciam desvanecer quando os dois começaram a conversar, mergulhando em um diálogo que só eles poderiam compreender completamente.
Sirius Black, o jovem e rebelde membro da família Black, estava entre os convidados da festa de Cygnus Black, observando atentamente enquanto Morgana, sua professora, chegava ao evento. Seu olhar era uma mistura de surpresa e curiosidade ao vê-la em um ambiente tão diferente do que estavam acostumados em Hogwarts.
Enquanto ela se misturava entre os convidados, ele não podia deixar de notar como sua presença parecia dominar o ambiente.
Ele se perguntava o que Morgana estava fazendo ali, em meio a Comensais da Morte e figuras influentes da sociedade bruxa.
Sirius Black tinha, de fato, conversado com Morgana na festa de casamento de sua prima Bellatrix. Naquela ocasião, ele havia notado que ela estava cercada por indivíduos ligados às artes das trevas e a Comensais da Morte. Aquilo o intrigara profundamente, fazendo-o questionar o verdadeiro envolvimento de sua professora com aquele mundo obscuro.
Agora, na festa de seu tio Cygnus, a situação não era muito diferente. Sirius observava como Morgana parecia à vontade na companhia daqueles que compartilhavam suas inclinações sombrias. Era uma realidade que o preocupava, pois ele não podia deixar de se questionar sobre as motivações e lealdades de sua professora.
Enquanto a festa se desenrolava, Sirius permanecia vigilante. A noite estava apenas começando, e ele estava determinado a desvendar os segredos que a envolviam.
Sirius Black observava atentamente Morgana enquanto ela se aproximava de Bellatrix e outros Comensais da Morte. Ele não pôde deixar de notar como sua professora parecia estar no centro das atenções, com sorrisos e conversas animadas. Era como se os outros convidados trevosos estivessem fazendo o possível para agradá-la e ganhar sua aprovação.
A cena era intrigante para Sirius, pois indicava o nível de influência e respeito que Morgana tinha dentro desse círculo sombrio. Ele se perguntava o que atraía tantos seguidores das artes das trevas em direção a ela.
Sirius Black nutria um interesse particular por Morgana como sua professora em Hogwarts. Apesar das brincadeiras e travessuras pelas quais ele frequentemente era pego, ele tinha uma estranha afinidade por Morgana. Ele notava que, mesmo quando aplicava punições, havia um brilho de divertimento nos olhos dela, como se ela apreciasse a energia e o espírito indomável dele.
O que realmente intrigava Sirius era o contraste entre a imagem de Morgana como professora e sua reputação entre os bruxos das trevas. Para ele, Morgana parecia ser alguém legal e compassiva, aparentemente distante do mundo obscuro dos Comensais da Morte. Essa disparidade o deixava curioso e, ao mesmo tempo, confuso. Ele não conseguia compreender como alguém tão agradável e gentil como Morgana poderia ser tão respeitado pelos bruxos das trevas.
Sirius Black estava determinado a aproveitar um dos raros momentos em que Morgana estava longe dos bruxos das trevas que a cercavam. Ele havia observado de longe, esperando pacientemente por uma oportunidade de se aproximar dela. Enquanto Morgana estava momentaneamente distante de Bellatrix e dos outros, Sirius se aproximou com um sorriso gentil no rosto.
- Professora Rostoff, é bom vê-la aqui. Como tem aproveitado a festa?
Ele tentou parecer casual, mas estava ansioso para começar uma conversa mais próxima com sua professora.
Morgana recebeu Sirius Black com um sorriso caloroso quando ele se aproximou. Ela já havia notado o jovem Grifinório observando-a de longe e estava curiosa para ver quando ele finalmente tomaria a iniciativa de se aproximar.
- Sirius, é bom vê-lo aqui também. A festa está interessante, não acha?
Morgana estava curiosa para saber o que Sirius queria conversar. Ela estava acostumada a lidar com a curiosidade dos alunos, especialmente da Grifinória, e estava disposta a dar uma chance a Sirius para expressar suas perguntas ou pensamentos.
- Você é bem popular não é, professora? Parece que você é a estrela da noite aqui. Todos querem estar perto de você.
Morgana reconheceu a inteligência e a perspicácia de Sirius, e seu sorriso continuou enigmático enquanto ela respondia.
- Você tem olhos atentos, Sirius. A inteligência é uma das maiores armas que alguém pode possuir neste mundo. E a observação atenta muitas vezes revela mais do que as palavras podem dizer. Na minha posição, é importante compreender o mundo ao meu redor. Às vezes, é preciso navegar por águas turbulentas para alcançar os objetivos desejados.
Ela olhou para ele, seus olhos brilhando com curiosidade.
- Há muito mais a ser descoberto nas entrelinhas, não acha? Às vezes, as sombras revelam segredos intrigantes.
Sirius inclinou a cabeça ligeiramente, expressando sua curiosidade.
- Por isso que você anda com tipos como Bellatrix? E meu tio parece bem encantado com você.
Morgana manteve seu olhar sereno enquanto respondia:
- A vida nos reserva muitas surpresas, Sirius. Às vezes, é preciso lidar com pessoas de diferentes perspectivas para alcançar certos objetivos. Quanto ao seu tio Cygnus, ele é um anfitrião encantador, e nossa relação é baseada na apreciação mútua pela magia e pelo desconhecido.
Sirius deu uma risadinha enquanto provocava Morgana.
- Encantador? Ele quase está te comendo com os olhos. Bem, você sabe, professora, que entre todos nós, os Black, eu sou o único que realmente vale a pena.
Ele piscou de forma travessa, exibindo sua autoconfiança característica. Sirius sempre foi conhecido por seu espírito independente e senso de humor, que parecia inabalável, mesmo em situações intrigantes.
Morgana riu ainda mais com a resposta de Sirius, achando sua autoconfiança encantadora.
- Você é um verdadeiro Black, Sirius, cheio de confiança e charme. E, sim, conheço vários membros dessa respeitável família. Alguns deles mais... interessantes do que outros.
Sirius fez uma careta brincalhona em resposta ao comentário de Morgana sobre os outros membros da família Black. Morgana riu novamente e brincou com ele:
- Ah, Sirius, você é como um leãozinho rebelde criado por cobras astutas, não é? Mas é sempre bom ter um pouco de diversidade na família.
Morgana estava claramente se divertindo com a conversa e o espírito rebelde de Sirius.
Sirius sorriu orgulhosamente ao se considerar um grifinório e perguntou a Morgana:
- Professora, se me permite perguntar, de qual casa de Hogwarts a senhora foi quando era estudante?
Morgana com um sorriso malicioso no rosto responde que ela tinha sido uma sonserina com muito orgulho. Sirius ficou surpreso e comenta brincando que ela deve ter comandado todas as cobras, referindo-se as outros sonserinos.
Morgana riu suavemente e disse com um tom brincalhão:
- Bem, não todas, mas certamente algumas delas. Os sonserinos sabem como fazer amizades interessantes, Sirius. Falando em amizade como estão seus amigos?
Sirius respondeu com um sorriso:
- James, Remo e Peter? Estão bem, ansiosos para retornar a Hogwarts. Eles já estão planejando um monte de brincadeiras e pegadinhas para o próximo ano letivo. Vai ser divertido, como sempre.
Sirius compartilhou sobre seus amigos e suas travessuras em Hogwarts, e então virou a pergunta para Morgana, apontando na direção de Bellatrix e Rodolfo, que se aproximavam. Morgana sorriu e respondeu com um toque de mistério:
- Oh, tenho alguns conhecidos aqui e ali. Vamos ver o que eles querem.
Ela se preparou para a conversa com Bellatrix e Rodolfo, sabendo que provavelmente não seria uma troca de palavras comuns.
Bellatrix e Rodolfo se aproximaram com uma aura de superioridade e desdém. Bellatrix lançou um olhar cortante para Sirius, deixando claro seu desprezo por ele. Em seguida, ela abraçou Morgana pela cintura de forma possessiva e sussurrou em seu ouvido.
- Cygnus, Randolph e os outros estão sentindo falta da sua... presença, Morgana. Eles acham que você traz um toque especial a essas festas.
A referência à aura sombria de Morgana estava clara, e Sirius ouviu atentamente, percebendo que havia mais acontecendo nos bastidores da festa do que ele imaginava.
Morgana, ao trocar olhares cúmplices com Sirius, permitiu um leve revirar de olhos, como se compartilhassem uma piada privada. Ela então se despediu de Sirius com um sorriso irônico nos lábios, enquanto Bellatrix mantinha seu aperto possessivo na cintura de Morgana.
A proximidade entre Morgana e Bellatrix era notável, e suas ações provocativas eram um indício disso.
Bellatrix brincava de maneira provocante com os cabelos de Morgana, traçando círculos com os dedos entre as madeixas escuras da professora. Enquanto isso, Morgana mantinha seu olhar fixo em Sirius, como se estivesse ciente do efeito que aquela situação estava causando nele.
- Vejo você em Hogwarts, Sirius.
Sirius se despediu de Morgana, observando-a se afastar em direção aos outros convidados, com Bellatrix e Rodolfo ao seu lado. Bellatrix sussurrou algo provocativo no ouvido de Morgana, e a professora respondeu com uma risada sombria. Morgana então sussurrou algo de volta para Bellatrix, com um sorriso debochado, enquanto olhava para Sirius por trás dos ombros e piscava para ele de forma intrigante. O momento deixou Sirius ainda mais curioso sobre a misteriosa professora e seu envolvimento com os bruxos das trevas.
