CAPÍTULO TREZE

Gina acordou durante a noite com a costumeira cólica que a atormentava desde a puberdade. Gemeu de dor enquanto se arrastava para fora da cama.

Foi até o banheiro e, depois de tomar dois analgésicos, sentou-se na beirada da banheira, esperando que fizessem efeito antes de voltar para a cama.

— Gina? — A voz de Harry soou do outro lado. — Está tudo bem?

— Sim.

— Pensei que estivesse gemendo. Está doente?

— Não exatamente.

— Precisa de alguma coisa? Ela se levantou e abriu a porta.

— Estou bem. Não é nada que não tenha me acontecido antes.

Harry franziu a testa, compreendendo lentamente.

— Está menstruada?

— Está salvo, Harry — Gina disse ao passar por ele. — Não será pai. Não fica feliz?

Ele a segurou pelo braço.

— Está pálida. Tem certeza de que está bem?

— Geórgia está dormindo, Harry. Não precisa fingir que se preocupa comigo no momento.

— Está vivendo sob o teto de minha família e, portanto, sob minha proteção.

Gina se desvencilhou dele.

— Não estou doente! Só preciso ficar sozinha. Será pedir muito? — Ela sentiu as lágrimas turvarem sua visão e virou-se para a porta.

Harry a puxou pela roupa de dormir e viu os olhos marejados, sentindo algo disparar dentro de si.

Passou o polegar pela bochecha onde uma lágrima deixava um caminho cristalino.

— Você está chorando — ele disse, parecendo surpreso.

— Não diga. — Ela soluçou e esfregou os olhos com a mão livre.

— Por que está chorando? Gina ergueu a cabeça.

— Existe lei contra isso, Harry? Preciso pedir permissão para chorar?

— Não... Só estava perguntando.

— Estou chorando porque sempre choro quando estou menstruada — ela soluçou. — Não consigo evitar. Fico emotiva demais e começo a choramingar pelas coisas mais bobas. — Gina assoou o nariz no lenço que ele oferecia. — Não queria acordá-lo. Sinto muito... mas eu...

Harry a puxou para si, os dedos acariciando os sedosos fios de cabelo.

Gina apoiou o rosto no peito dele, os braços segurando a cintura.

— Shh — ele murmurou. — Não chore.

A gentileza dele só piorou as coisas. A culpa que Gina sentia pelas mentiras a fizeram soluçar ainda mais.

Depois de um tempo, Harry percebeu que ela se acalmava, o choro quase havia cessado. Ficou com Gina em seus braços, o queixo apoiado em sua cabeça, aspirando o perfume de gardênia de seus cabelos. Queria parar o tempo e ficar ali com ela para sempre, o corpo comunicando silenciosamente o amor que fora incapaz de impedir de sentir.

— Desculpe. — Gina se afastou. — Molhei sua camisa.

Ele viu a mancha úmida e sorriu.

— Não tem problema. Eu já ia tirá-la mesmo. Gina o fitou com embaraço, a mão procurando pela porta.

— É... é melhor eu voltar para a cama. Está tarde. Harry tomou-lhe a mão e a levou à boca, os lábios tocando cada dedo enquanto os olhos se mantinham fixos nela.

— Harry... Eu...

— Não fale, Gina.

— Acho que não... — Ficou calada quando ele levou um dedo aos lábios dela.

— Não fale — ele insistiu. — Mudei de ideia. Eu a levarei para minha cama. Não para fazermos sexo; isso pode esperar. Só quero ficar abraçado com você.

— P-por quê? — Gina perguntou assim que ele afastou o dedo de sua boca.

Ele a olhou nos olhos por incontáveis segundos antes de responder:

— Porque quando te abraço, esqueço meu irmão. Esqueço minha dor. Só consigo pensar na sensação de tê-la em meus braços.

Gina ficou com o ar preso no peito, o coração apertado devido à honestidade que via naqueles olhos escuros.

— Certo. — Ela baixou os olhos. — Eu durmo com você.

Saíram do banheiro, os dedos dele segurando os dela enquanto cruzavam a passagem até o quarto dele, cada passo lembrando Gina de cada mentira que contara.

Ele estava atraído pela personagem que ela interpretava, nem suspeitava que sua esposa era uma farsante que não tinha o direito de estar em sua vida, muito menos em sua cama.

Harry puxou as cobertas. Gina se ajeitou entre os lençóis macios, evitando olhar para ele ao se deitar de lado, praticamente na beirada do colchão. Depois sentiu o colchão afundar com o peso dele.

O silêncio parecia sufocá-la, tornando impossível relaxar o suficiente para que dormisse. Esticou as pernas para aliviar o desconforto, mas acabou esbarrando nas dele.

Harry ligou o abajur e aproximou-se dela, sorrindo.

— É sempre agitada assim na cama?

— Não estou acostumada a dormir com... — Gina interrompeu-se ao perceber o que dizia, o rosto corando.

O sorriso desapareceu do rosto de Harry.

— Está dizendo que sempre vai embora depois de se deitar com um homem? Vai direito ao ponto e adeus?

Harry queria controlar o ciúme que o assaltava sempre que pensava nela com seu irmão, e sabe Deus quantos homens mais, mas o ciúme o devorava mesmo assim.

Gina umedeceu os lábios, evitando-lhe os olhos.

— Não quero discutir com você. Estou cansada, e isso só vai piorar as coisas.

— Alguma vez passou uma noite inteira com meu irmão? Ou apenas fazia seu serviço e partia o mais rápido possível?

Gina sentiu a raiva crescendo ao ouvir aquela crueldade. Sim, a irmã era promíscua, mas não era uma prostituta. Ficava ressentida quando ele insinuava coisas assim.

— Que coisa mais desprezível de se dizer — ela retrucou.

— Alguma vez passou uma noite inteira com ele?

— Não é da sua conta. — Gina fechou os olhos e deu-lhe as costas.

Harry a puxou pelo ombro num movimento rápido, a expressão determinada.

— Ele alguma vez a pagou para ganhar sexo?

— O que você acha? — ela disse em tom de desafio. — É você que pensa que me conhece melhor que qualquer um. Você acha que eu faria algo assim?

Harry queria acreditar que ela seria incapaz de tal comportamento, mas as histórias de Cedrico a declaravam culpada. Além disso, a mesada tinha desaparecido da conta tão logo fora depositada.

Depois de um tenso momento, Harry a soltou. Desligou o abajur e deitou-se, desejando acordar na manhã seguinte e descobrir que a mulher que amava fosse alguém totalmente diferente daquela que destruíra a vida de Cedrico.

Durante a madrugada, Gina percebeu que braços fortes a envolviam, o calor de um corpo grande fazendo-a sentir-se segura como nunca antes.

Sentiu as pernas de Harry entrelaçadas às suas. Ele murmurou qualquer coisa enquanto dormia e a apertou mais, uma das mãos apertando seu seio.

Gina fechou os olhos e tentou voltar a dormir, mas era impossível ignorar a evidência da excitação dele às suas costas. Seu próprio corpo começou a reagir, uma sensação característica entre as coxas.

Respirou fundo quando ele começou a tocar seu pescoço, a boca atormentando ainda mais seus sentidos.

— Hmm. Você é deliciosa.

— S-sou? — Gina estremeceu ao sentir a língua dele em sua orelha.

— Mmm. — A boca procurou a dela. — Delicioso.

Ela fechou os olhos quando as bocas se encontraram. Este beijo era diferente dos outros, era lento e envolvente, sem sinal de urgência, embora não menos tentador.

O beijo se intensificou com a carícia das línguas, o movimento sensual disparando o desejo no corpo de Gina. Gemeu quando a mão de Harry buscou seu quadril, os dedos puxando-a para perto de sua ereção.

— Eu a quero tanto — ele murmurou contra a boca dela. — Acho que nunca desejei alguém tanto assim.

Gina respirou fundo quando ele ergueu a barra da camisola, o lento deslizar da mão por sua coxa lembrando-a da razão de estar ali na cama dele.

— Não posso. — Segurou a mão dele, um pedido de desculpas nos olhos. — Minha menstruação, lembra?

Harry a fitou por um bom tempo. Gina sentia-se afogar na profundeza daqueles olhos escuros.

— Não imaginei que ficasse envergonhada com essas coisas — disse enfim. — É muito antiquado ficar tão embaraçada por causa de algo tão natural.

— Eu sei. Sinto muito.

— Tem se desculpado muito ultimamente. — Ele sorriu ironicamente. — Ainda precisa se desculpar por mais alguma coisa?

Os olhos de Gina se desviaram dos dele, as bochechas ardendo.

— Não! Claro que não.

— Só estava perguntando. — Ele lhe afastou uma mecha de cabelo do rosto num toque gentil, atraindo o olhar de Gina para si, como pretendia. — Às vezes, Gina, acho que está escondendo algo de mim. Algo importante.

Percebeu que ela estava nervosa.

— O que eu poderia estar escondendo?

— Não sei. — Harry observava o combate de emoções no rosto dela. — Tenho tentado desvendar a verdadeira Gina, mas continuo perdido.

— É difícil agir normalmente quando estou perto de você — ela disse, distraidamente agarrando os lençóis.

— Por quê? Por causa do meu irmão?

Não, por causa da minha irmã, ela queria dizer.

— Você está sempre zangado comigo. Não estou acostumada a lidar com tantas emoções negativas.

Ouviu Harry suspirar.

— Tem razão. As mortes de Cedrico e de minha mãe me abalaram. Não tenho sido eu mesmo há muito tempo; às vezes me pergunto se um dia voltarei a ser. Mas fui sincero quando falei de uma trégua pelo bem de Geórgia.

Gina demonstrou sua simpatia.

— Eu compreendo.

Harry se deitou com um suspiro.

— Melhor dormir, Gina — disse de olhos fechados.

Gina o observou por certo tempo. As linhas sérias de seu rosto estavam relaxadas. Queria traçar com os dedos o contorno de suas sobrancelhas aristocráticas, a marca no nariz que parecia já ter sido quebrado. Queria pressionar os lábios nos dele, sentir como as bocas se uniriam.

— Harry? — Ela lhe sussurrou o nome.

— Mmm?

— Quero que saiba que o considero um pai maravilhoso para Geórgia.

Harry segurou a mão dela, apertando-a ligeiramente.

— Obrigado. Eu a amo como se fosse minha.

— Eu t... — Gina calou-se, o coração dando um pulo no peito por seu deslize.

Ficou agoniada esperando que Harry dissesse qualquer coisa. Mas a respiração dele estava amena, o peito se erguia a intervalos regulares, indicando que eleja dormia.

Gina se tranquilizou, percebendo que seu segredo ainda estava a salvo.

Mas desta vez fora por pouco.

Muito pouco.