Cap.7
14 de Fevereiro de 2011
"Não é nem seis horas e você já está trabalhando?". House reclamou quando acordou com a luminosidade do celular da namorada.
"Não estou trabalhando, estou falando com Lena".
"Lena? Sua amante?".
"Lena, a mãe de Lia".
House não aguentava mais ouvir o nome daquela menina, desde que Rachel começou na escola, há duas semanas, ela só falava de Lia, sua nova amiguinha. House já estava irritado com a menina que nem conhecia.
"Lia me levou um presente".
"Lia me ensinou a dançar isso...".
"Na casa de Lia...".
"A mãe de Lia...".
"A roupa de Lia...".
"Você a conheceu outro dia e já é melhor amiga dela?". Ele reclamou para Cuddy sobre a mãe de Lia.
"E daí? Nos demos bem. Ela também é mãe solteira e trabalha muito".
Ele franziu a testa. "Você não é mãe solteira! Você namora!".
"Quer dizer... Não temos um pai para nossas filhas". Ela tentou corrigir. "Criamos afinidade imediatamente".
House não gostou muito daquilo.
"Ciúmes?". Cuddy o provocou virando-se para encará-lo.
"Ela é bonita?".
Agora foi Cuddy que se incomodou. "Por quê?".
"Porque podíamos tentar um trio".
Cuddy ficou séria. "Sonhe!".
Ele riu. Havia invertido o jogo. "Você nunca tentou?".
"Não e nem quero".
"Por quê?".
"Talvez eu seja careta demais pra isso. Talvez eu esteja feliz com você e só".
"Sim, mas agora Lena está entre nós...".
"E Wilson...". Ela retrucou e conseguiu reverter o jogo.
House ficou sério. "Você queria fazer um trio com Wilson?".
"Não! Mas seguindo o seu raciocínio idiota".
"Ok, sem trios!". Ele disse. "Mas você me acordou com esse celular tão cedo".
Ela largou o celular e o montou maliciosa. "A noite eu juro que te recompenso". Ela disse se esfregando nele.
"A noite? Teremos aquele jantar estúpido com a mulher que me deve a vida". Ele reclamou.
"Não é porque você salvou a vida da minha mãe que você é um herói agora". Ela respondeu divertida.
"Verdade, sou mais para um anti-herói já que eu salvei a vida de Arlene".
Ela riu.
"Você não desistiu dessa insanidade?". Ele perguntou esperançoso.
"Não!".
"Ela correu risco de vida dias atrás, como médico eu não posso compactuar com a ideia dela sair para ir a um restaurante".
"É do lado da casa dela, e ela irá de cadeira de rodas".
"Mesmo assim, ela está frágil, não recebeu alta para isso".
"Eu sou filha dela e médica também, acho que não fará mal".
"Sabe o que me intriga? Por que você está a favor disso?".
"Ela meio que nos obrigou".
"E você não sabe dizer 'não' pra ela?".
"Eu digo não a ela o tempo todo desde meus dezoito anos".
"Diga mais um então!".
"Ela passou por tudo o que passou". Cuddy ficou com lágrimas nos olhos. "Eu quase a perdi".
House percebeu que o apelo emocional seria muito difícil bater.
"Cuddy, esse é nosso primeiro Dia dos Namorados juntos e você quer me obrigar a ir a um jantar com sua mãe?".
"Como se você se importasse para essas datas. Você me disse que não compraria um presente e que não iria celebrar porque era contra os seus princípios".
Eles não eram de celebrar muitas coisas, mas Cuddy lembrou-se com carinho de que no mês anterior, quando ela estava com gripe e com bastante indisposição (ela pegara o vírus de Rachel) eles não puderam ir para o restaurante para o jantar que haviam planejado para aquela sexta-feira à noite. Mas House não se importou, eles ficaram os três no sofá, cobertos e comendo pipoca enquanto assistiam a um desenho animado que a menina escolhera. House reclamou da escolha, mas se divertiu até mais que a criança. Era uma lembrança feliz para Cuddy, aqueles momentos juntos, momentos que pareciam pouco importantes, mas era isso o que alimentava o relacionamento deles. Ah, e House não ficou gripado. Ele dizia que era duro demais pra qualquer pequeno vírus o pegar.
"Mas aí a ir jantar com sua mãe...". House tentava despertar alguma razão na mente da namorada. "No Dia dos Namorados? Eu prefiro celebrar com você então".
"Ela vai levar Jesus para nos apresentar. Vai ela e Jesus, Julia e John, eu e você. Senão estarei lá sozinha em pleno Dia dos Namorados".
"Quero que entenda que é bizarro uma mulher judia na terceira idade namorando um sujeito jovem chamado Jesus".
"Não vamos demorar, o jantar será às sete horas, ficaremos no máximo uma hora e meia".
"Sério mesmo?".
"Sim!".
"E Rachel?".
"Com os primos na casa da minha tia avó".
"Ela não vai dar conta de olhar tanta criança".
"Não se preocupe com isso. Não tem desculpa para você não me acompanhar".
"Sou alérgico a Deus e a tudo o que venha dele. Jesus...".
"Não precisa de terno, uma camisa social basta". Ela disse ignorando o que ele havia falado e saindo de cima dele. "Agora preciso de um banho pra começar o dia".
"Dia dos Namorados e você nem sexo comigo fez!".
"A noite! E você não liga pra essas coisas estúpidas de celebrações". Ela o provocou.
"Você liga!".
"Eu me preparei para entender que com você não teria isso...".
"Lena liga pra isso?". Ele a provocou de volta.
Cuddy riu alto e entrou no banheiro.
...
Assim que chegou ao hospital House foi direto para a sala de Wilson.
"Jantar com Arlene e seu namorado mexicano? Isso vai ser engraçado!".
"Se não for entediante até a morte". House reclamou dramático.
"Pode não ser... Pensa!".
House franziu os olhos e começou a pensar nas inúmeras possibilidades daquilo dar tremendamente errado, mas ele não faria nada, só observaria, afinal, foi ideia da velha e as filhas concordaram como boas patinhas adestradas.
"Você tem razão!".
"O que você fará?".
"Nada!".
"House?".
"Nada mesmo. Tchau Jimmy!".
Ele havia comprado um presente para Cuddy, apesar de negar. Ele esperava um jantar intimo, uma noite de sexo, mas isso mudaria tudo. Ou quase tudo. House foi para casa após o trabalho, tomou banho, aparou a barba, colocou uma camisa e um blazer e esperou Cuddy, afinal, ela sempre preferia pegá-lo nessas ocasiões para evitar a moto dele ou o carro velho.
"Boa noite, amor". Ela falou involuntariamente. House estranhou, eles não costumavam ter apelidos carinhosos, isso não queria dizer que não era românticos, quando estava juntos e sozinhos eles geralmente trocavam muitas caricias, mas não costumavam se chamar assim.
"Boa noite, honey". Ele falou.
"Você está elegante". Ela disse dando um beijo casto nele.
"Eu sei! Você está linda!".
"Eu sei". Ela respondeu divertida.
Então ela seguiu para o destino, um restaurante contemporâneo perto dali.
"Dia dos Namorados e você nem me deu um beijo decente". Ele reclamou.
"Pretendo fazer isso mais tarde, com tempo...".
"...Se você se comportar". House complementou a frase dela.
"Não ia dizer assim...".
"Ok". House balançou a cabeça, as vezes ele se sentia um adolescente tentando agradar a professora.
"Ei, eu não ia dizer isso".
"Eu prometo que não vou caçoar dele por se chamar Jesus, nem mesmo por namorar a sua mãe".
"Ok". Cuddy sentia-se uma chata as vezes, ele fazia parecer que ela sempre estava pegando no pé dele. Ela não teve tempo para procurar a terapeuta, mas naquele momento ela relembrou que precisava disso.
"Talvez só cite um ou outro versículo bíblico...".
"House...".
"Ok, que chatice!".
"Vamos tratá-lo como alguém normal que não se chama Jesus e que não tem trinta anos menos do que minha mãe".
"Você quer dizer quarenta?".
"De qualquer forma...".
Silêncio por alguns minutos...
"Rachel está feliz como os primos?".
"Ela gosta dos primos. Especialmente Helen que é mais nova".
"Eu gosto de Liz".
"Por que será?". Cuddy disse divertida.
"Ela me lembra a tia dela: Inteligente e independente".
"Obrigada". Cuddy respondeu ao elogio. "Ela é mesmo diferente de Julia e do irmão".
"O irmão dela... não quero dizer nada, mas nunca será um médico". House não queria chamar o menino de desprovido de inteligência.
Cuddy riu. "Eu amo Jonathan, mas também acho isso".
Ele respirou aliviado por não tê-la deixado brava. Ele estava cansado dos últimos episódios onde a namorada havia ficado irritada.
"Chegamos!".
Eles desceram, deixaram o carro no estacionamento e entraram. Logo avistaram Arlene.
"Aqui!". A senhora gritou.
"Vamos!". Cuddy pegou na mão dele e caminhou até a mesa.
"Finalmente chegaram!". A senhora reclamou.
"Estamos no horário". Cuddy contestou.
House reparou em como Jesus era baixo, ele pensou que o homem seria muito mais alto.
"Jesus Ortega". Ele se apresentou estendendo a mão para Cuddy e investindo em um olhar sedutor. House notou.
"Gregory House". Ele estendeu a mão apertando muito forte. As orbitas dos olhos do sujeito até saltaram. Era isso, ele precisava marcar território.
"Eu estava dizendo para Jesus que Greg salvou minha vida, apesar de tudo". Arlene disse.
"Apesar de tudo". House repetiu as últimas palavras de maneira sarcástica.
"Apesar de ser um grosseiro e descumprir todas as normas hospitalares". Ela explicou.
House riu.
Cuddy arregalou os olhos. "Vamos falar sobre outra coisa hoje, já tivemos momentos difíceis demais".
"Eu ainda assim sei ser grata pelo bastardo". Arlene falou.
"Nós também". Julia olhou pra ele agradecida.
John era um cara esquisito, ele parecia sempre estar alheio, House já o conhecerá meses atrás em um jantar na casa da irmã de Cuddy. Eles eram diferente, não houve a menor conexão.
"E principalmente eu". Jesus disse pegando a mão da senhora. "Você salvou meu bem mais precioso, minha niña".
House segurou a risada. Cuddy percebeu e apertou a perna dele para estimulá-lo a se segurar.
"Fiquem tranquilos, Arlene estará conosco por longos anos". House disse.
"Oh, mi amor!". E ele beijou a bochecha dela.
House olhou pra baixo para evitar qualquer comentário.
"Vocês estão juntos há muito tempo?". Cuddy perguntou.
"Por quanto tempo, Julia?". Arlene perguntou. Cuddy ainda não se conformava que Julia soubesse e nunca disse nada.
"Anos... Não sei quantos anos".
"Primeiro éramos amantes, ele era casado. Mas agora somos oficiais". Arlene esclareceu.
House engoliu um antepasto.
"Vocês eram amantes?". Cuddy perguntou chocada.
"Sim, minha mulher não tinha o pique que ela tem".
House cuspiu o antepasto. "Oh, desculpe".
Cuddy não ia julgá-lo, ela mesma quase vomitou ao ouvir aquilo.
"Mamãe!". Julia chamou a atenção da senhora.
"O quê? Eu faço sexo".
House tossiu. Cuddy engasgou com a água e John começou a rir descontroladamente.
Todos olharam pra John que não parava mais. House sentiu-se aliviado por não ser ele.
"Ok, vocês são preconceituosos e antiquados".
"Olha quem diz... agora, já que você é moderna, não vai mais me criticar porque não sou casada". Cuddy aproveitou a deixa.
"É um assunto diferente...".
"Não é não". Julia concordou com a irmã.
"Aliás, você nem tem vergonha de aparecer com um chupão no pescoço". Arlene criticou a filha.
Cuddy corou. Ela tinha certeza de que aquela marca já havia desaparecido. Em um momento de muita empolgação ela e House acabaram se excedendo, depois ela usou lenços e golas altas por alguns dias. Como a mãe dela podia enxergar aquela marca imperceptível?
"Não é um chupão!".
"Oh, eu sou experiente querida. Sei bem o que é um chupão".
John continuava rindo e Julia não conseguiu se conter também.
"Você devia ver o mamilo esquerdo dela...". House falou levando um olhar furioso de Cuddy.
"E meu testículo direito".
"House!". Cuddy, vermelha, chamou a atenção dele.
John começou a eliminar o liquido que bebia pelo nariz, de tanto rir.
"John! Você está bem?".
"Que nojento!". Arlene reclamou. "Um genro tem problemas sérios de desvio de septo, o outro tem problemas sérios para manter o controle".
"Oh não! Eu tenho ótimo controle. Diga a ela!". House falou pra Cuddy.
"Ok, por favor! Vamos mudar de assunto". Cuddy implorou.
"Eu sempre disse para minhas filhas que marcas sexuais não deviam ser expostas assim, desde a adolescência. Agora, depois de velha, Lisa resolveu se rebelar".
House começou a rir alto. "Engraçado pois nunca vazaram nudes nossas".
Cuddy arregalou os olhos, Arlene também.
"Eu já disse pra ela que não podemos mais revelar nossas fotos intimas assim. Pode vazar". Jesus falou.
House falhou ao segurar a risada, assim como John. House não sabia se ria ou se vomitava, já que se lembrou das fotos que virá, um trauma permanente.
"Eu faço sexo e tenho um corpo ainda sexy". Arlene disse e Jesus concordou.
"Eu penso que devemos pedir a comida". Julia disse.
"Eu penso que estamos isentos de todo e qualquer julgamento a partir de hoje". Cuddy falou.
Como ela poderia criticar o namorado? Sua mãe estava fora de si.
"Talvez os medicamentos não tenham feito bem... ela esteja sob algum efeito". Julia tentou contemporizar.
"Isso não é efeito dos medicamentos". House disse.
"Vamos pedir a comida!". Cuddy ordenou.
"Quero galinha, amo galinhas!". Jesus falou e Cuddy olhou para House querendo rir. Bom, pelo menos não era só ele.
"O risoto daqui é maravilho". Cuddy disse para House com a voz suave e carinhosa. "Acho que você vai gostar".
"Uh... risoto e alguma carne...".
"A sua cara!". Ela sorriu.
Ele sorriu de volta, "e pra você a salada Caprese".
"Adivinhou!".
"Eu te conheço tão bem, baby".
Ela riu e pegou a mão dele por debaixo da mesa. House não entendia a razão, mas quando Cuddy estava perto de sua mãe parecia uma adolescente, agiu sempre como uma adolescente, inclusive com ele.
House pediu risoto e uma carne assada, Cuddy pediu a salada e um risoto de legumes e champignon. Jesus pediu pato, pois era o mais parecido com galinha.
"É... podemos também ver um pouco de pato em Arlene". Ele cochichou para Cuddy que balançou a cabeça.
"Como está Rachel?". Arlene tentou mudar de assunto.
"Bem, muito bem". Ela respondeu para a mãe.
"Como está o trabalho, Gregory?".
"Muito bem, senhora Cuddy. Muitas vidas sendo salvas. Muitas almas gratas".
"Você é mesmo um espertalhão".
"Eu? Não! Eu só sou um médico humilde do interior".
John riu, Julia o cutucou. O homem nunca confrontaria a sogra, ele era medroso demais pra isso.
"Você fez medicina?". Jesus perguntou com seu forte sotaque.
"Não, eu fiz um curso online". House respondeu e o homem acreditou.
"Ele está zombando de você". Arlene disse.
"Oh...".
"Ele não está zombando, ele está brincando. House adora uma piada". Cuddy tentou atenuar.
"Oh, eu também. O que o gato falou para a pomba?".
"Ok, agora não querido!". Arlene o cortou.
O clima era estranho. Cuddy se arrependeu de levar o namorado para lá em pleno Dias dos Namorados. Então ela começou a mimá-lo para compensar.
"Você quer algo pra beber?".
"Eu já estou bebendo vinho".
"Ok".
Ele estranhou. Ela pegou no braço dele e manteve apertado.
"Tudo bem?".
"Sim". Ela tentou disfarçar, mas ele a conhecia.
"Cuddy...".
"Desculpe por tê-lo trazido aqui".
"Ow, eu sabia que seria assim... Eu te disse...".
"Ok, você tem razão, péssima ideia!".
"Podemos resolver!".
"O quê?".
"Somos médicos!".
Ela o encarou sem entender.
"Deixe comigo. Aproveite seu risoto".
O garçom serviu a comida e eles se dedicaram a comida. Jesus tentava falar uma ou outra coisa, mas Arlene o cortava. A senhora estava arrependida, ele era só um corpo bonito, afinal.
Assim que acabaram de comer, Cuddy recebeu uma ligação.
"Oh, sério? Quantas vítimas? Oh, meu Deus! Chamem todos os médicos!". Depois que ela desligou, ela anunciou: "Temos que ir, eu e House. Um acidente grave deixou feridos e precisamos socorrê-los".
"Acidente?". Julia perguntou preocupada. Sua mente já correu para os filhos.
"Avião!". Cuddy não sabia o que dizer.
"Um avião caiu?".
"Aparentemente... Temos que ir! Mamãe, eu pago antes de sair!".
"Não precisa, Jesus faz questão de pagar. Que avião?".
"Não sabem ainda". Cuddy estava se enrolando. "Um azul".
"Deve ser da Grewith Airlines". John concluiu.
"Tem certeza de que Jesus vai pagar por tudo?". Cuddy perguntou preocupada.
"Cuddy, ele transformou água em vinho e pão em risoto, ele nem gastou nada...". House não podia sair sem fazer alguma piada.
"Ok, obrigada!".
Eles saíram correndo de lá e Jesus estava em choque. Ele era só um reles carpinteiro. Como ele pagaria por tudo aquilo?
"Um avião? Cuddy! Você não sabe mesmo mentir".
"Eu não sei, foi o que veio em mente, tá bom?". Ela ria enquanto aguardava o manobrista trazer o carro.
"Você vai poder dizer que o avião caiu em Lost, já que não terá como explicar isso".
"Ok, depois eu penso em algo, eu só quero sair daqui".
"E ainda por cima um avião azul?". House ria alto.
"Ok, esqueça isso!".
"Nunca! No próximo Dia dos Namorados deixe-me decidir o que faremos".
Ela sorriu satisfeita por ele pensar que estariam juntos dali a um ano. "Ok".
Pegaram o carro para a casa dela.
"Esse sujeito não tem nada a ver com minha mãe".
"Você não sabe o que sua mãe busca. E se for alguém pra esquentar o traseiro dela?".
Cuddy franziu a testa.
"Onde foi parar o 'VAI MÃE!'?". House a lembrou.
Ela respirou fundo. "Eu estou confusa, é muita informação pra absorver. Minha mãe era uma amante!".
House riu. "Por incrível que pareça!".
Cuddy ficou em silêncio.
"Mas hoje ela é namorada oficial".
Cuddy riu. "Quão bizarra é minha família?".
"Eu te disse que você se saiu bem".
"E sua mãe?".
"O que tem ela?".
"Ela namora?".
"Não tenho a menor ideia e prefiro assim".
"Você não fala muito com ela?".
"Não".
"Ela sabe de nós dois?".
"Alguma coisa".
"Alguma coisa?".
"Ela sabe que estou em um relacionamento com você, não por mim, por Wilson".
Cuddy arregalou os olhos. "Você não contou pra ela?".
"Pra quê? Eu sabia que Wilson faria isso".
"House... Sério?".
"Eu confirmei quando ela me perguntou".
"Você confirmou?".
"Sim".
"Eu não quero ter uma relação assim com Rachel".
"Só depende de vocês duas".
"Eu não quero ter uma relação como a da minha mãe comigo também".
"Cuddy, conforme-se de que a relação mãe e filha não é perfeita".
"Mas pode ser melhor!".
"E será! Você é uma mãe melhor".
Ela sorriu. "Você acha isso mesmo?".
"Sim, eu penso isso mesmo".
Ela deu um largo sorriso pra ele e chegaram em casa.
Cuddy estacionou e antes mesmo de sair do carro já o beijou com intensidade.
"Eu te amo e não queria ter nenhum namorado no mundo além de você".
Ele se surpreendeu com aquela declaração inesperada. "Vamos sair pra jantar mais vezes com sua mãe, isso faz muito bem pra você!".
"Podemos fazer isso semanalmente". Ela respondeu divertida.
"Pensando bem...". Cuddy não o deixou concluir, já o atacou novamente. E novamente. E novamente.
"Ok, acho que podemos entrar antes de ficar difícil andar...".
Cuddy não respondeu, abriu a porta rapidamente, pegou sua bolsa e tratou de abrir a porta da casa com urgência. House entrou logo atrás dela.
Não falaram nada, eles só começaram a arrancar as roupas até que estavam nús no sofá. Cuddy o montava com voracidade. Deixaram completamente de lado qualquer reserva, eles se entregaram a paixão sem amarras.
Ao final eles estavam exaustos pela intensidade do momento. Cuddy estava sobre o namorado muito suada e feliz.
"Melhor Dia dos Namorados de todos!".
"Só porque fizemos sexo? Ou porque fomos ao jantar com a sua mãe?".
"Porque você é o meu namorado".
Ele sorriu. "Eu também te amo!".
Ela olhou nos olhos dele. "Eu amo ouvir você dizer isso".
House continuava dizendo isso pouco, apesar dos apelos dela.
"Então aproveite cada momento".
Ela acariciou o pescoço dele. "Por que você não me diz isso sempre?".
"Qual seria a graça nisso?".
"Eu ia gostar".
"Você ia enjoar e não ia valorizar".
"Você não valoriza quando eu te digo?".
"Eu valorizo porque sei que é real e que você me diz quando quer".
Ela respirou fundo, não ia adiantar argumentar, o melhor era aproveitar aquela noite com ele.
"Sabe... Nós deveríamos ir para o quarto". Ele disse.
"Não... está tão bom aqui". Ela estava esparramada sobre ele
"Acontece que eu tenho uma coisa pra você".
Cuddy franziu a testa. "Você não comprou um presente pra mim". Ela afirmou com toda a certeza enquanto seu rosto descansava no peito dele.
"Você me julga tão mal".
Ela olhou pra ele. "Você não fez isso!".
"É tão ruim eu comprar um presente de Dia dos Namorados para a minha namorada?".
"House, você me disse que não comemorava essas datas, exceto pelo sexo, lembra?".
Quinze dias atrás...
"Dia dos Namorados está chegando". Ela insinuou para ver a reação dele.
"Sim, essa data comercial e capitalista".
"Você realmente vai continuar pensando assim agora que estamos juntos?".
"Meus princípios não mudam de acordo com a época do ano... Desculpe por isso!".
"Você não vai mesmo celebrar comigo essa data?". Ela fez bico.
"Se isso implicar em sexo quente?".
"Você é tão... frustrante as vezes".
"Cuddy, eu não compactuo com essas datas idiotas para que o comércio faça dinheiro e as pessoas lembrem que têm alguém. Eu sei disso todos os dias".
"Ok, você consegue ser fofo de maneira contraditória".
Ele sorriu. "Você me ama por isso!".
"Amaria mais se comemorasse essas datas simbólicas".
"Vamos comemorar agora então. Antecipadamente!".
Ele não deu espaço para o diálogo, logo caíram nos braços um do outro.
De volta ao presente...
"Eu disse que essas datas são estúpidas, mas um presente é um presente...".
"Seu filho da puta!". Ela levantou o corpo bruscamente. "Eu não comprei nada pra você porque você disse...".
"Ok, ok, ok... Se você não quiser o presente...".
"É claro que eu quero!".
"Então devíamos ir até lá que é onde está...".
"Você escondeu o meu presente na minha própria casa?".
"Está na minha mochila que está no seu quarto".
"Oh...".
Ela se levantou e em seguida ele. Caminharam nús até o quarto, quando chegaram, House abriu a mochila e pegou um embrulho.
"Feliz Dia dos Namorados!".
Ela sorriu boba com aquilo, ele sempre a surpreendia, pelo bem ou pelo mal...
"O que é?".
"Abra e descubra!".
Ela abriu cuidadosamente o lindo embrulho. Então notou uma linda e cara caneta. "Pra você se lembrar de mim quando estiver assinando aquela burocracia chata".
Ela riu. A caneta era linda. "É linda!".
Ele a observou. Ela deu um selinho nele. "Amei!".
Ele continuou a observando. "Desculpe eu não comprei nada...".
"Eu sei o que você está pensando". Ele a interrompeu.
"O quê?". Ela se fez de desentendida.
"Uma caneta no Dia dos Namorados?".
"Eu não estou pensando isso!".
"Ah está!".
"Não...".
"Cuddy, eu te conheço!".
"Ué, você deixou isso romântico... Você quer que eu use para trabalhar e lembre de você".
"Não me convenceu".
"Eu não estou entendendo...".
"Ok, eu tenho mais uma coisa". Ele pegou outro embrulho e a entregou.
"Sério?".
"Abra!".
Dessa vez ela abriu com mais rapidez, sem tanto cuidado com o papel. Era um porta retratos lindo e grande com uma foto dos dois e Rachel. Os olhos de Cuddy encheram de lágrima.
"Você diz que nunca tiro fotos e que nunca faço nada romântico".
"Eu amei!". Ela não conseguia parar de olhar para o presente. A foto foi tirada com muito esforço no mês anterior, há tempos ela queria bater uma foto dos dois com a filha, e, ou House ou Rachel não queriam. Mas então em um domingo ela arrastou House para o zoológico com ela e a filha, ele reclamou muito:
"Você não sabe que tenho uma perna ruim?".
"Nós paramos sempre que você precisar".
"Que vai ser: o tempo todo!".
"Não tem problema".
"Você devia ter arrumado um namorado sem defeito para esses eventos".
"Você não tem defeitos e eu não amo nenhum outro homem no mundo como eu amo você".
Com isso ela o ganhou. E House se divertiu muito mais do que previa. Ele sabia tudo sobre os animais, sobretudo curiosidades peculiares. Ele até se abriu e contou sobre sua infância, foi um dia bom. Rachel estava feliz, House bem humorado e ela conseguiu a foto que tanto queria dos três. Ela colocou a foto como fundo na tela de seu celular e agora ela tinha a imagem ampliada e em um lindo porta-retratos.
"Eu simplesmente amei!". Ela o agarrou e o beijou. Não um beijo sutil, um grande beijo.
"Fico muito feliz, pois agora para o seu presente número três, você precisa estar nessa vibração". Ele disse assim que o beijo terminou.
"Presente número três?".
"Você não pensou que eu deixaria de me presentear, achou?".
Ela riu alto já imaginando o que viria.
"Pois bem...". Ele entregou uma sacola chique e perfumada da sua loja de moda íntima preferida.
"Eu sabia!".
Ele esperou ansioso.
"House, dependendo do que você comprou...".
"Abra logo!".
"Alguém está mais ansioso do que eu...". Ela disse divertida, mas ela demorou para desfazer o laço e abrir a sacola. Cuddy sabia que a loja era cara, muito cara. Ela amava os produtos de lá e tinha muitos deles, mas ela nunca foi econômica para gastar com roupas, sapatos, perfumes e cremes. Ela pensar que House reparou nesse detalhe da marca de sua lingerie, e que ele tenha ido até a loja comprar, era por si só excitante.
"Vai acabar a noite e você ainda não abriu isso".
"Calma! Eu não quero rasgar o embrulho, é tudo tão lindo!".
Ele sabia que ela o estava provocando. Ela sabia que ele sabia disso.
Quando ela abriu, retirou o item que estava embrulhado em outro papel perfumado.
"Meu Deus que tortura!". House reclamou e ela riu.
Era um lindo conjunto de lingerie branco. Ela estranhou.
"Branco?".
"Hoje vamos interpretar. Você é a casta e pura camponesa que vai todos os dias ao bosque buscar lenha".
Ela riu alto. "Nos seus sonhos!".
A lingerie era lindíssima!
"É maravilhosa!".
"Eu tenho bom gosto". Ele se exibiu.
"Nota-se! Você namora comigo!".
"Ok, podemos pular todas essas fases e partir para a parte em que você prova o presente?".
Ela olhou maliciosa. "Claro que sim, namorado".
Cuddy começou a se vestir ali mesmo, para a surpresa e encantamento dele.
"Você está linda!". Ele disse encantado.
"Você tem bom gosto!". Ela respondeu provocante.
"Realmente!". Ele respondeu completamente fascinado.
"Agora…", ela se ajoelhou para perto dele. "Eu queria muito dar um presente especial para o meu namorado". Ela falou começando a beijar e a lamber o pescoço dele. "Um presente muito especial!".
"Ok". Ele respondeu monossilábico.
"Deite-se! Hoje o lap dance será por minha conta".
"Eu amo o Dia dos Namorados!".
Continua…
