Hoje feriado aqui no Brasil e me empolguei com os comentários carinhos de vocês e resolvi soltar mais um capítulo. Espero que apreciem! ;)


Cap. 12

06 de Agosto de 2011

"Você está bem?". House sonolento perguntou à porta do banheiro enquanto Cuddy vomitava pela segunda vez.

"Acho que não vou trabalhar. Não me sinto bem".

"Finalmente algo para impedir que Lisa Cuddy vá trabalhar em pleno sábado".

"Eu tenho ficado mais com vocês!". Ela protestou com o rosto branco como neve.

House a ignorou, foi a cozinha e voltou com remédio.

"O que é isso?".

"Remédio para enjoo".

"Não!". Ela respondeu bruscamente.

"Ok, se você quer continuar vomitando".

O fato é que Cuddy estava atrasada novamente. Ok, da primeira vez havia sido falso alarme, como ela previa, após voltarem de viagem a menstruação dela surgiu. Dessa vez devia ser a mesma coisa, certo? Mas por que os seus seios estavam tão sensíveis e agora esse enjoo matinal? Além da sensação de cansaço excessivo que vinha experimentado na última semana.

"Eu... Eu preciso antes fazer um teste".

"Teste de quê? Sangue? Deve ser uma virose simples...".

Ela o encarou sem responder esperando para que a mente dele capturasse sua ideia.

"O quê?".

"House... Diagnóstico de enjoo matinal para uma mulher que não está tomando anticoncepcionais?".

"Oh... Realmente?". Ele perguntou arregalando os olhos com a revelação que lhe passou completamente despercebido.

"Não sei. A chance de ser alarme falso é enorme, eu de fato acho que é alarme falso, como sempre...".

"Ok, não nos precipitemos. Fique calma!". Ele respondeu muito tenso.

"Eu estou calma".

"Ok... Eu posso comprar testes na farmácia. Eu posso tirar seu sangue... litros e litros de sangue".

"House, respire!".

"Eu estou calmo!".

"Com certeza você está". Ela respondeu sarcastica.

"Eu vou até a farmácia e já volto".

E ele ia saindo de fato com sua boxer e uma camiseta.

"House".

"O quê?". Ele virou preocupado.

"Não seria melhor colocar alguma roupa?".

"Oh, sim! Claro!".

Cuddy queria rir, mas se controlou.

Ele colocou calça jeans, calçou um tênis, passou a mão para ajeitar o cabelo e saiu.

"Ok, sem escovar os dentes ou aliviar a bexiga. Típico de um homem calmo". Cuddy comentou consigo mesma antes de cair na risada. Até que outra onda de náusea chegasse.

House chegou na farmácia e parecia um adolescente cuja namorada precisasse de um teste de gravidez.

"Oi, eu preciso de teste de gravidez".

"Ok, você tem uma marca de preferência?".

"Todas!".

"São dez!".

"Então me dá os cinco melhores".

"Tudo bem". A atendente já estava acostumada com essa situação, possíveis pais desesperados em busca de testes de gravidez.

"Aqui estão!".

"E me dê também tabacos".

"Ok...". A atendente estranhou.

House pagou e foi pra casa. Quando chegou Cuddy estava na cama.

"Trouxe os testes!".

Ela pegou a sacola e os retirou. "O que é isso?".

"Tabaco".

"Tabaco?".

"Mastigável".

"Essa coisa nojenta não entra na minha casa!". Ela contestou.

"Pode jogar fora".

"Pra que você comprou essa porcaria?".

"Eu precisava preservar minha masculinidade".

Ela franziu a testa. "Homens...".

"Você quer que eu jogue fora?".

"Mas não no lixo aqui de dentro de casa, não quero dar nenhuma chance pra Rachel encontrar isso".

"Ok... Você fará os testes?".

"Os cinco?".

"Eu queria ter certeza".

"Isso porque você está calmo... Eu já farei, preciso ter algum liquido na bexiga, pois eliminei todo o liquido excedente no meu corpo com tanto vomito. Já estou desidratando".

"Que tal um chá? Você precisa comer algo".

"Chá parece bom".

House foi para a cozinha preparar algo para ela. Ele só queria que ela fizesse logo xixi naqueles palitos, mas não podia forçá-la, então precisava ser um namorado educado e atencioso, mesmo que por dentro estivesse apavorado.

"Ok, você sabia que isso podia acontecer. Você está depositando espermatozoides constantemente dentro de sua namorada, não seja estúpido e não banque o adolescente com tesão". House falou para si mesmo enquanto preparava o chá de mix de ervas que Cuddy amava.

"Você fez sexo, gozou dentro da sua namorada, não uma, nem duas, mas cinquenta? Oitenta vezes? Admita a possibilidade de um de seus espermatozoides terem fecundado um óvulo. É ciência!". Ele tentava se convencer.

"Tudo bem aí?". Cuddy perguntou ouvindo House falando com alguém.

"Tudo bem! Estou falando comigo mesmo enquanto preparo o chá".

"Ok...". Cuddy estranhou, House não era disso, mas dada a situação, entendeu que ele devia estar um tanto perturbado. Ela estava. Mas ela era estéril, não havia de estar grávida. Isso nunca lhe aconteceu antes. Ela negava a possibilidade para si mesma.

"Pronto!". Ele se aproximou com o liquido fervendo. "Está uma delicia".

"Você provou?".

"Fiz um pouco pra mim também".

"Você já tomou? Está fervendo!". Cuddy estranhou.

"Não tanto...".

Ela foi beber e queimou a língua com o primeiro gole. "Aí! Está muito quente mesmo".

"Eu não percebi". Ele estava tão ansioso que não notou nem a temperatura do liquido.

"Se incomoda se eu esperar um pouco para que o chá esfrie?".

"Não, claro que não". Ele mentiu. "Posso fazer uma torrada pra você?".

"Oh não! Por favor não fale em comida".

"Tudo bem, tudo bem". Ele respondeu e sentou-se na cama com ela. Passou um segundo, dois segundos, parecia a eternidade. "Posso fazer algo?".

"House, eu sei que você está ansioso, mas sua ansiedade não vai ajudar minha bexiga a encher".

"Eu sei... Você quer que eu saia?".

"Que tal você assistir a televisão?".

"Ok, bom...". Ele sorriu e foi pra sala.

Cuddy respirou aliviada, aquela tensão de House a estava incomodando. De repente seu telefone toca. Cuddy respirou fundo quando viu quem era e bebeu um pouco do chá.

"Oi mãe!".

"Você está no hospital?".

"Não ainda".

"Você irá trabalhar em pleno sábado?".

Cuddy respirou fundo. "Só algumas horas".

"Você fala isso e fica até o dia terminar". Ela lembrou-se de House falando o mesmo na noite anterior.

"Desculpe se meu trabalho é importante".

"Claro que sim, porque ser dona de casa e mãe não é importante".

"Eu não disse isso...".

"Não com todas as palavras".

"Ok mãe, o que você quer?".

"É assim que você trata a sua mãe?".

Cuddy respirou fundo novamente e tomou mais um gole do chá. "Desculpe, eu estou atrasada". Ela mentiu, se bem que, não era totalmente mentira.

"Continue assim: trabalhando e trabalhando e vai perder o seu homem".

"Meu homem?". Cuddy estranhou aquelas palavras machistas.

"Seu homem, já que não são casados não sei como me referir a ele. Marido não é. Namorado, você não tem quinze anos...".

"Ok mãe, você precisa de alguma coisa? Rachel está bem?". Ela resolveu mudar de assunto.

"Eu queria saber se você virá buscar Rachel ou se o traste do seu namorado/homem virá, pois tenho um compromisso com o rabino".

"Sim, alguém irá buscá-la...".

"Não! Você não entendeu. Quero levá-la comigo. Essa menina precisa começar a sentir-se judia, pois ela não deve nem saber o que é uma sinagoga".

Cuddy precisava segurar a língua. "Tudo bem, mas não pegue muito pesado com ela, por favor".

"Não pegue muito pesado? O que isso quer dizer exatamente? Deixar ela solta no mundo como você faz?".

House apareceu no quarto e tomou o celular da mão da namorada.

"Ok sogrinha, Cuddy não está muito bem hoje e precisa descansar".

"O que ela tem?". Arlene perguntou antes de esbravejar com House.

"Alguma virose".

"E ela vai trabalhar assim?".

"É o que estou tentando evitar".

"Então evite! Faça algo útil, afinal, vocês são médicos, não são?".

"Como sempre bastante objetiva e gentil". House respondeu irônico.

"Vou ficar com Rachel então para que ela não pegue... isso que Lisa tem. Você é medico, trate de curá-la".

"Simples assim. Minha presença afasta os vírus". Ele respondeu sarcástico. "Pena que não afasta tudo".

"Ha ha ha, muito engraçado. Fala pra Lisa se cuidar e você... como namorado e médico, cuide dela!".

"Sim senhora general!".

A mulher desligou.

"Encantadora, como sempre!". House disse e Cuddy sorriu.

"Ela vai levar Rachel conhecer o rabino".

"Pobre Rachel!".

"Talvez seja bom pra ela conviver com algumas crianças judias".

"Talvez seja bom pra ela conviver com crianças inteligentes".

"Vou fingir que não fui ofendida".

"Você não foi. Você é inteligente agora e tenho certeza de que também era no passado".

"Obrigada por isso, mas eu era uma criança judia".

"Exceção".

Ela balançou a cabeça. "Wilson era uma criança judia e tantos outros nomes importantes da história. Pare de preconceitos!".

"Ok, desculpe por isso".

"Você se desculpando?". Ela estranhou.

"Você está com vontade de fazer xixi agora?". Ele perguntou mudando o assunto.

"Não... Ainda não. Acho que vou dormir um pouco já que não vou para o hospital".

"House queria gritar pra ela: 'Mulher vá já fazer esse exame e acabe com nossa ansiedade e com essa expectativa', mas não disse nada. Concordou com a cabeça apenas.

Na verdade Cuddy sabia que estava fugindo de saber. Fugindo para não lidar com a resposta que, provavelmente, seria frustrante. Ela estava cansada disso, no passado era a realidade e agora ela não queria simplesmente trazer o passado de volta.

Ela não dormiu. Ele menos ainda. Ansiosos os dois, mas sem falarem a respeito. Na verdade Cuddy acordou, foi para a cozinha pegar algo pra comer, ela tentava não pensar que estava com vontade de fazer xixi, ela queria adiar o sofrimento da frustração.

House só observava e tentava fingir desinteresse e naturalidade.

Uma hora depois e Cuddy estava começando a ter dores abdominais por segurar tanto o xixi.

"House... eu acho que vou tomar um banho...".

"Cuddy, não adianta adiarmos".

"Eu sei". Ela respondeu com os olhos baixos.

"A verdade é a verdade e não muda, melhor do que não sabermos".

Ela respirou fundo. "Me dê o teste!".

Ele passou pra ela. "Quer que eu te acompanhe?".

"E me veja urinando no palito? Não, eu passo...".

"Tudo bem, só queria ser... prestativo".

"Eu sei, mas eu ainda posso urinar sozinha. Farei três deles, está de bom tamanho. Deixa os outros dois para a próxima ocasião".

"Ok". Ele concordou pensativo... 'próximas ocasiões', ele morreria se tivesse muito mais dessa tensão.

Enquanto ela entrou no banheiro, ele caminhou pelo quarto como um homem aguardando a esposa na maternidade. Apesar de sua perna, ele não parava de caminhar. De repente ela saiu do banheiro.

"E aí?".

"Agora temos que aguardar alguns minutos".

"Certo!".

"House, não crie expectativas porque meu corpo falha nessa coisa de bebês".

Ele sabia que era ela quem criava as expectativas. "Cuddy, tudo bem. Seja o que for, eu estou bem com você e Rachel".

Ela sorriu, ele era tão doce e poucos conheciam essa faceta de Gregory House.

"Não quero ficar tensa e criar expectativas toda vez que minha menstruação atrasar".

"Não precisa ser assim, nós estamos fazendo o teste para saber se é só uma virose mesmo e tratar".

"Ok". Ela respondeu sem muita confiança.

Eles ficaram em silencio por alguns segundos. "Você... você vai se cansar de mim? De meu corpo falido?".

"Cuddy, pare de bobagem. Eu te amo e estou plenamente realizado".

"Então por que paramos o anticoncepcional?".

"Pra deixa a natureza agir se for da vontade dela, certo?".

"E se não for?".

"Está tudo bem pra mim".

Ela caminhou até ele e o abraçou. "Você é um namorado incrível, sabia disso?".

"Não realmente, minha namorada as vezes reclama de algumas coisas".

"Eu não disse 'namorado perfeito'". Eles riram.

"Acho que vou pegar o resultado". Cuddy disse.

"Ok".

Ela respirou fundo e foi. Cuddy demorou alguns segundos, House pensou que ela estava tentando lidar com a frustração e voltar bem, disfarçando assim as emoções. Ele deu o tempo dela, mas quando ela apareceu estava branca.

"O que foi? Você vai vomitar ou algo assim?".

"Acho que sim".

"O que foi Cuddy?". Ele caminhou rapidamente até ela.

"Positivo! Os três testes".

Continua...


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